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Fauna: O Ceará (ainda) tem disso sim! – Invertebrados em extinção

Publicado em 13/02/2012 - 1:54 por | Comentar

Monosiga brevicollis, um coanoflagelado moderno, provavelmente similar aos primeiros ancestrais dos animais Imagem: Stephen Fairclough

Fechando nossa série sobre os animais ameaçados de extinção que vivem ou transitam pelo Ceará, hoje é dia de falar sobre os invertebrados.

Na divisão do reino animal, o grupo dos invertebrados é o mais numeroso tanto em número de espécies (que pode ir de 1 a 10 milhões) quanto de filos.

Aliás, mesmo no nosso filo, o dos Cordados, há alguns invertebrados. Eles também foram os primeiros animais a surgir em nosso planeta.

Embora haja mais dúvidas que certezas, alguns paleontólogos acreditam que os primeiros invertebrados tenham surgido há quase 1 bilhão de anos, compartilhando um ancestral comum com micro-organismos conhecidos como coanoflagelados.

Apesar desse possível passado tão distante, no registro fóssil só há indicações mais claras de animais semelhantes às esponjas há cerca de 665 milhões de anos.

Acredita-se que houve pouca diversificação dos invertebrados até mais ou menos os períodos Ediacarano e Cambriano (um intervalo entre 630 e 488 milhões de anos atrás).

Entre os diversos grupos de invertebrados, falaremos neste post de encerramento da série, dos equinodermos, insetos, crustáceos, moluscos e cnidários.

Equinodermos, surpreendentes parentes distantes

Fóssil de um crinóide pré-histórico, um dos primeiros equinodermos Imagem: Berengi

O  que nós e as estrelas-do-mar temos em comum? Se você pensou em responder “nada” ou” ambos somos animais”, saiba que há bem mais que isso.

Os equinodermos (estrelas-do-mar, os ouriços-do-mar e os pepinos-do-mar) são parentes distantes de todos os vertebrados. Eles surgiram no início do período Cambriano, entre 550 e 540 milhões de anos atrás.

Olhando à primeira vista as diferenças parecem muito grandes (e são), mas nas fases embrionárias surgem as semelhanças.

Assim como acontece com os humanos, os embriões dos equinodermos tem como primeira abertura o ânus e não  a boca, como acontece com a maioria dos outros invertebrados.

Outra semelhança curiosa é que tanto nos embriões deles quanto nos nossos, se forem separadas as quatro células iniciais, formadas após a fecundação, é possível formar quatro indivíduos diferentes! A grande diferença é que nos equinodermos, essa incrível capacidade de regeneração permanece por toda a vida.

Entre as principais características que diferenciam este grupo estão a presença de espinhos; a presença de um sistema nervoso radial simples (os neurônios não estão ligados a um cérebro) e o corpo pentarradial, ou seja,  dividido em cinco partes semelhantes.

Os equinodermos também são um grupo bastante diversificado. Há entre 7  mil e 70 mil espécies  vivas estimadas. Todas são marinhas.

No Ceará há onze espécies de equinodermos ameaçadas. Vamos conhecê-las!

Estrela do mar guianense (Echinaster  guyanensis)

Imagem: EOL.org

É uma estrela-do-mar que possui os braços moderadamente largos, com as extremidades arredondadas. Os espinhos são dispersos, afiados, curvos, especialmente nas placas marginais dos braços e alinhados de forma irregular

Quando vivo, esse animal possui coloração vermelho-escura. Já foram coletados espécimes desde a região litorânea até 106 m de profundidade. Não existem dados relacionados aos aspectos ecológicos e reprodutivos dessa espécie.

Está vulnerável à extinção devido à perda/degradação de seu habitat, caça/captura excessiva, poluição e perturbação humana.

Estrela-do-mar de espinho curto (Coscinasterias tenuispina)

Imagem: H2O Acquariofilia

É uma espécie de estrela-do-mar capaz de se reproduzir tanto sexualmente quanto assexuadamente, por  separação do disco central. Portanto, é comum encontrar indivíduos com braços assimétricos, variando de seis a nove.

Os espécimes brasileiros possuem uma coloração castanho-marrom-laranja. Este animal é encontrado desde a região entremarés até 165 m de profundidade, estando geralmente associado a fundos rochosos.

Possui uma distribuição geográfica ampla mas descontínua, em razão da marcante reprodução assexuada, que limita a capacidade de dispersão. O ciclo reprodutivo é anual, com um longo período de liberação de gametas.

Ocupa a posição de predador de topo, possuindo papel regulador nas comunidades litorâneas de invertebrados, principalmente mexilhões. Está vulnerável à extinção  por conta  da perda/degradação de habitat, poluição e perturbação humana.

Estrela-do-mar cingulada (Astropecten cingulatus)

Imagem: EOL.org

É uma estrela-do-mar que possui cinco braços estreitos e longos. As placas marginais superiores são cobertas por grânulos. Os espaços presentes entre as placas possuem espinhos nas bordas.

A espécie difere de outras do gênero por possuir 3 espinhos nas placas marginais inferiores. O espinho do meio é grande, robusto e curva-se levemente na direção do espaço entre as placas.

As placas em volta da boca são pequenas e estreitas, cobertas por espinhos. Ocorre em fundos arenosos ou lamosos da região litorânea até 50 m de profundidade

Está vulnerável  à extinção por conta da perda/degradação de habitat, poluição e perturbação humana.

Estrela-do-mar marginal (Astropecten marginatus)

Imagem: ICMBio

Possui corpo fino e achatado. A área do disco é relativamente maior do que nas outras espécies do mesmo gênero.

Difere delas também por possuir dois espinhos nas placas marginais inferiores.

São considerados predadores carnívoros.

A espécie possui braços curtos, triangulares e pontiagudos. As placas marginais superiores são bem desenvolvidas e cobertas por pequenos grânulos espaçados. A borda possui espinhos uniformes. Habitantes de fundos arenosos ou lamosos, podem ser encontrados em profundidades de 6 a 130 m.

Assim como as estrelas-do-mar  anteriores está vulnerável  por causa da caça/captura excessiva, perda/degradação de habitat, poluição, perturbação humana.

Estrela do mar gradeada ( Luidia clathrata)

Imagem: SMS.si

É uma estrela-do-mar com a superfície superior de cor cinza azulada, com uma faixa superior mediana mais escura. Alguns espécimes podem apresentar cor rosada ou marrom claro, ao invés de cinza. A superfície ventral é de cor creme.

A espécie costuma enterrar-se no solo para fugir da luz. Sobrevive em águas com baixa salinidade, com valores de até 14%. São predadores muito ágeis, principalmente de moluscos, crustáceos e outros equinodermos, mas alimentam-se também de animais mortos e restos orgânicos.

A espécie possui um disco central pequeno e cinco braços longos e achatados. A distância entre o centro do disco e a ponta dos braços pode chegar a 16 cm. O comprimento do braço é de duas a três vezes maior do que o diâmetro do disco.

As populações vêm apresentando redução, sendo estimadas em menos de 1.000 indivíduos adultos, apesar disso estão classificadas apenas como vulneráveis à extinção. Os principais fatores de risco são a poluição e a mortalidade acidental.

Estrela do mar de Ludwigi (Luidia ludwigi)

É uma estrela-do-mar que tem a superfície superior do disco central com manchas na cor rosa escuro e bandas transversais do mesmo tom nos braços, por vezes unidas por uma faixa central contínua. A superfície ventral é de cor creme.

Pequena, a distância entre o centro do disco e a ponta dos braços pode chegar ano máximo 9  cm. Os pés ambulacrais terminam em ponta, sem ventosas.

São predadores, alimentando-se de moluscos, crustáceos e outros equinodermos. São encontrados tanto em fundos de areia grossa quanto de areia fina.

As populações vêm apresentando redução, sendo estimadas em menos de 1.000 indivíduos adultos, assim como sua parente acima., mas é bem mais difícil de ser avistada. Tanto que das 55 espécies que descrevemos na série foi a única que não conseguimos imagem.

Está vulnerável ao desaparecimento devido à poluição e mortalidade acidental.

Estrela-do-mar senegalense ( Luidia senegalensis)

Imagem: Jax Shells

É uma estrela-do-mar com a superfície superior de cor cinza azulada ou esverdeada, com as bordas dos braços esbranquiçadas. A superfície inferior é creme ou branca. O disco central é pequeno e arredondado.

A espécie possui 9 braços longos e achatados, raramente 8. A distância entre o centro do disco e a ponta dos braços pode chegar a 25 cm. Os pés ambulacrais são longos e terminam em ponta, sem ventosas.

É geralmente encontrada em locais de águas calmas. É uma predadora voraz de uma grande variedade de presas, especialmente dos moluscos. Pode predar outras espécies de equinodermos e pode ser predada por outras estrelas-do-mar e por aves marinhas, na maré baixa.

A poluição e a mortalidade acidental a colocam como vulnerável à sumir da face da Terra.

Estrela -do- mar espinhosa  ( Echinaster echinophorus )

Imagem: Tol Web

Possui coloração avermelhada. Pode ser encontrada desde a região entremarés até mais de 55 m de profundidade.

Apesar de ser comum em nosso litoral, a espécie está mal definida na literatura científica, havendo muita confusão a respeito da identificação das espécies do gênero.

É uma espécie pequena: a distância entre o meio do disco e a extremidade distal do braço alcança 5 cm.

Os braços são curtos e grossos e possuem, na superfície oposta à boca, 2 faixas irregulares de espinhos grandes e fortes (de 2 a 3 mm), pouco numerosos e espaçados entre si. Na região da boca, há 3 séries de espinhos. Possuem 5 braços, mas já foram coletados espécimes com 3 ou 6 braços.

Alimentam-se de organismos incrustantes e restos orgânicos depositados no fundo oceânico.

A perda/degradação de habitat, a  caça/captura excessiva e a  poluição a deixam vulnerável à extinção.

Estrela-do-mar reticulada ( Oreaster reticulatus)

Imagem: SMS.si

É a estrela-do-mar mais ameaçada de extinção entre as que habitam nosso litoral, sendo a única classificada como em perigo.  Os principais fatores por trás  dessa triste situação são a poluição e a caça/captura excessiva.

Tem cor variável, mesmo entre indivíduos da mesma população. Os jovens apresentam a superfície superior manchada de verde, marrom, marrom-amarelado e cinza. Nos adultos, a superfície superior é amarela, marrom ou laranja. A superfície inferior, tanto nos jovens como nos adultos, é bege ou creme.

A espécie possui disco central é grande, robusto e muito elevado no centro. Possui 5 braços curtos, contínuos com o disco central. A distância entre o centro do disco e a ponta dos braços pode chegar a 25 cm.

O esqueleto é reticulado. Possui pés ambulacrais são bem definidos, terminando em ventosas.

Alimenta-se de micro-organismos e matéria orgânica particulada, mas é capaz de predar esponjas e outros equinodermos. Os jovens podem ser predados por peixes.

Pepino-do-mar chocolate  (Isostichopus badionotus)

Imagem: Reef Guide

Os indivíduos adultos desta espécie podem atingir até 60 cm de comprimento. Possuem a boca situada na região ventral, sendo circundada por cerca de 20 tentáculos em forma de escudo.

É um animal robusto. Indivíduos de cor laranja, amarelo, vermelho, marrom ou púrpura são comuns.

A superfície dorsal apresenta diversas projeções, marrom-escuras. Apresentam um corpo longo e achatado, com uma sola ventral bem demarcada, na qual os pés ambulacrais se encontram dispostos em três faixas. A parede do corpo é espessa e rígida, liberando um muco viscoso quando o animal é perturbado.

Pode ser encontrada do nível da maré baixa até cerca de 65 m de profundidade.

As populações vêm apresentando redução, sendo hoje estimadas em menos de 10.000 indivíduos adultos.

Por essa razão está classificada como vulnerável à extinção, devido à caça/captura excessiva, poluição, perda/degradação de habitat.

Ouriço-satélite (Eucidaris tribuloides)

Imagem: Fins. Actwin

É um animal facilmente reconhecido pela carapaça globular. Tem espinhos compactos e cilíndricos arranjados em 10 séries verticais, terminando em uma pequena coroa de pequenos dentes. O diâmetro total, incluindo os espinhos, pode alcançar até 13 cm.

A cor da carapaça da espécie varia do castanho claro ao castanho avermelhado. Os pés ambulacrais apresentam tom castanho claro, sendo os da região próxima à boca bem desenvolvidos em discos brancos.

Essa espécie pode ser encontrada em profundidades entre 0 e 800 m, embora seja mais comum na zona até 50 m, em pequenos buracos nos recifes de corais, em áreas cobertas por algas e embaixo das rochas.

Onívora, essa espécie tem hábito alimentar que varia conforme a disponibilidade de alimento no ambiente.

A caça/captura excessiva, poluição, perturbação humana colocam esse animal na categoria de vulnerável ao desaparecimento.

Insetos, o grupo mais numeroso também tem espécies ameaçadas

Os insetos, assim como o grupo que falaremos a seguir, os crustáceos, pertencem ao filo dos artrópodes, talvez o grupo de invertebrados com espécies mais complexas e inteligentes. Aliás, os dois grupos tem um grau de parentesco comparável ao que há entre mamíferos e répteis, por exemplo.

O corpo dos insetos é dividido em cabeça, tórax e abdome. Possuem 3 pares de pernas, um ou dois pares de asas, um par de antenas e um par de olhos compostos.

A classe dos insetos é o grupo mais diversificado entre todos os animais com cerca de 750 mil espécies descritas e outras 5 a 10 milhões estimadas.

Surgiram no período Devoniano, há 396 milhões de anos atrás, quando os peixes dominavam os mares e os anfíbios ainda não tinham surgido na Terra. A relativa falta de predadores terrestres na época em que apareceram talvez seja exatamente a melhor explicação para serem tão numerosos.

Apesar disso existem espécies e subespécies de insetos ameaçadas de extinção, inclusive na sua ordem mais numerosa, a dos coleópteros (os besouros).  No Ceará, uma subespécie em particular pode sumir. Saiba mais sobre ela:

Besouro-de-chifre (Megasoma gyas rumbucheri)

Imagem: New World Scarable Beetles

É uma subespécie historicamente considerada rara, caracterizada por ter estruturas similares a pêlos  aveludados e pelo chifre do macho que é estreito e alongado.

Os machos dessa espécie medem de 5 a 9,2 cm de comprimento, e as fêmeas de 4,5 a 5,5 cm, já que não têm chifre. Está distribuído em áreas de caatinga e de transição para o cerrado.

Suas larvas devem se desenvolver em troncos em decomposição de grande calibre, associados a solos ricos em húmus. Os adultos são atraídos por luz à noite em determinadas épocas do ano.

A perda/degradação de habitat e alguns fatores característicos da própria subespécie a deixam vulnerável ao sumiço em nosso planeta.

Crustáceos, importância na alimentação humana põe grupo em risco

Como vimos acima, os crustáceos são parentes relativamente próximos dos insetos, sendo bem mais antigos. Surgiram no Cambriano há 511 milhões de anos.

Também são bem menos numerosos, sendo descritas cerca de 67 mil espécies marinhas, de água doce e até terrestres. Receberam este nome por causa da composição do seu exoesqueleto de carbonato de cálcio, que forma uma crosta. O corpo desses animais é dividido em cabeça, tórax e abdome, ou em cefalotórax e abdome. Possuem 5 pares de apêndices, 2 pares de antenas na região cefálica, que é característica distintiva destes animais.

Os crustáceos mais conhecidos são chamados popularmente de camarões, siris, caranguejos e lagostas e estão entre os invertebrados mais consumidos pelo homem, daí ser comum encontrar espécies ameaçadas de extinção devido à captura excessiva. No Ceará, apesar do famoso período de defeso da lagosta as espécies que correm mais risco de desaparecer são dois camarões e um caranguejo. Descubra mais sobre elas:

Coruca (Atya scabra)

Imagem: Selas.us

É um camarão de água doce cujos adultos ocorrem em rios com leito pedregoso, água de velocidade elevada, límpida, apresentando teor elevado de oxigênio dissolvido. As larvas se desenvolvem na água salobra dos estuários.

Ocorre desde o nível do mar até 100 m de altitude. A região da cabeça tem espinhos antenais  proeminentes, mas possui espinhos em outras partes do corpo também.

A perda/degradação de habitat, poluição, perturbação humana, caça/captura excessiva o coloca como vulnerável à extinção.

Pitu (Macrobrachium carcinus)

Imagem: Acuaristas de Venezuela

Possui larvas que se desenvolvem em água salobra, nos estuários, enquanto os adultos vivem em água doce, de preferência em locais com correnteza, fundos rochosos ou arenosos.

A espécie durante o dia, procuram refúgio em qualquer tipo de abrigo que possa existir. Não costuma ocorrer em locais com altitude superior a 200 m.

Os adultos têm coloração escura, com faixas longitudinais cremes. Podem chegar a quase 50 cm de comprimento e pesar mais de 300 g. Porém, se reproduzem a partir do comprimento de 10 a 11 cm.

Assim como a espécie anterior está vulnerável ao desaparecimento por conta da perda/degradação de habitat, poluição e caça/captura excessiva.

Caranguejo-de-porcelana (Minyocerus angustus)

Imagem: Scielo.cl

É uma espécie marinha que se alimenta de restos de  comida deixados por estrelas-do-mar.

É encontrada desde a linha da baixa-mar até a profundidade de 59 m, em fundos arenosos.

As larvas se desenvolvem no plâncton marinho. Tem carapaça alongada, muito mais longa que larga.

Possui um forte espinho epibranquial. Os dedos têm cerca de 1/3 do comprimento da palma, tocando-se em toda a extensão.

Assim como as estrelas-do-mar em que se hospeda está vulnerável a desaparecer por conta da poluição e mortalidade acidental.

Moluscos: alimentação humana e ornamentação são ameaças

Como o próprio nome indica são animais de corpo mole (que pode ou não estar revestido por uma ou duas conchas). Exatamente por isso, é difícil determinar quando surgiram já que suas partes moles dificilmente fossilizam. As estimativas de seu surgimento ficam entre 555 e 530 milhões de anos atrás, entre o fim do Ediacarano e o início do período Cambriano. São parentes distantes dos anelídeos (minhocas, sanguessugas, dentre outros).

Mas já durante o Cambriano é certo que surgiram os principais grupos atuais incluindo os ancestrais dos modernos polvos (os mais inteligentes), caramujos e ostras. São bastante diversificados sendo descritas cerca de 85 mil espécies. Muitas delas são usadas na nossa alimentação e até mesmo na ornamentação, devido à beleza de muitas de suas conchas.

O corpo é dividido em cabeça, pé e massa visceral. A maioria dos representantes é marinha, mas existem muitas espécies de água doce e terrestres.

No Ceará, correm o risco de sumir três moluscos bivalves ( animais com duas conchas). Conheça-os melhor abaixo:

Prato (Anodontites trapesialis)

Imagem: Conchology Inc

É um dos maiores bivalves de água doce da América do Sul, alcançando em torno de 13 cm de comprimento, 6,5 cm de altura e é utilizado como adornos e enfeites e até mesmo na confecção de botões de madrepérola.

A espécie é encontrada em águas rasas com profundidade variando de 0,1 a 2,0 m, vive enterrado no solo argiloso, lodoso ou areno-lodoso, a uma profundidade de 15 a 20 cm. Não é encontrado em meio a cascalhos ou solos rochosos.

A concha é larga, trapezóide, de cor clara, castanha ou amarelada, brilhante e lisa. Internamente nacarada.

É hermafrodita e necessita de um hospedeiro intermediário para completar o ciclo reprodutivo. Sua larva, parasita peixes, fixando-se nas nadadeiras ou na epiderme, podendo provocar, inclusive, a morte do hospedeiro, dependendo do grau de parasitismo. Em ambiente natural, as infestações não comprometem as populações de peixes.

A espécie é utilizada para monitoramento biológico de pesticidas e metais pesados,  devido às características de ser um animal filtrador, sedentário, e ocupar os níveis mais baixos da cadeia alimentar, além de ter longevidade alta ( vive cerca de 15 anos).

A perturbação humana, e a introdução de espécie exótica (ou seja, que é original de outra região do mundo) em seus ambientes está colocando essa espécie em estado vulnerável à extinção.

Faquinha-truncada (Mycetopoda siliquosa)

Imagem: Galería Hispanoamericana

É uma das espécies mais amplamente distribuídas entre os bivalves de água doce da América do Sul.

Porém as populações vivem de forma um tanto isoladas, constituindo pequenos grupos de 10 a 12 indivíduos por m² e isso a deixa vulnerável a desaparecer.  Entre outros fatores de ameaça estão a introdução de espécie exótica, perda/degradação de habitat, poluição.

Distingue-se das demais espécies  de seu gênero pelo pé: uma vez distendido, forma um ângulo de 30 graus em relação ao eixo da concha.

A larva também é um parasita temporário de peixes. O animal apresenta vida séssil, passando a vida enterrado dentro de um orifício vertical, cavado em fundo argilo-arenoso compactado.

Fixa-se firmemente com o musculoso pé, que funciona como se fosse uma âncora. Sobrevive um tempo dentro de seu tubo, com a água armazenada. Tem concha alongada, fina, inflada, com as valvas entreabertas.

Búzio -de- chapéu (Lobatus goliath)

Imagem: Gastropods.com

É o maior representante da família dos estrombídeos, com a concha podendo apresentar até 40 cm de comprimento.

É espécie endêmica do Brasil, onde ocorre em águas rasas, do Nordeste, incluindo o Ceará, ao Espírito Santo. Sua concha é o símbolo utilizado pela Sociedade Brasileira de Malacologia (que estuda os moluscos).

Devido ao seu tamanho, o búzio-de-chapéu é bastante comercializado como peça decorativa e sua coleta predatória fez com que fosse proibido o seu comércio em todo o Nordeste do Brasil.

Anteriormente comum em feiras de artesanato nas praias cearenses, a espécie apresenta um declínio populacional, sendo incluída na lista de espécies ameaçadas de extinção, embora apenas como quase ameaçada.

Cnidários, um dos primeiros grupos animais ameaçado pelo aquecimento global

Estão entre os animais mais antigos, tendo surgido provavelmente há cerca de 580 milhões de anos, no Período Ediacarano, embora assim como os moluscos são de difícil fossilização e podem ser ainda mais antigos.

São animais muito simples. Possuem três camadas que constituem o corpo: epiderme (camada mais externa, com células sensoriais e cnidócitos), mesogleia  (camada gelatinosa que possui células nervosas formando um sistema nervoso difuso) e gastroderme (revestimento da cavidade digestiva).

Os tipos mais comuns de cnidários são as águas-vivas, os corais e as anêmonas. No total estão descritas cerca de 10 mil espécies. Todos esses grupos são bastante sensíveis às alterações ecológicas e podem ser afetados pelo aquecimento global e poluição dos mares. Algumas espécies também são exploradas comercialmente pelo aquarismo ou ornamentação.

No Ceará, há dois tipos de anêmonas ameaçadas. Saiba mais sobre elas:

Anêmona de tubo ceriantomorfa (Cerianthomorphe brasiliensis)

Imagem: ICMBio

São capazes de secretar, em minutos, novos tubos, quando deles se dissociam por alguma razão. O número de tentáculos marginais varia de 170 a 180 em espécimes maiores e 150 em espécimes menores, e atingem cerca de 4,5 cm de comprimento.

É uma anêmona solitária, que jamais se fixa solidamente ao fundo, já que, no estágio adulto, vive dentro de tubos, que se enterram em substratos lodosos. Estes tubos são secretados pelos pólipos e são resultantes da explosão de uma enorme quantidade de um tipo especial de célula conhecida como cnidócito.

Possui o comprimento da coluna que varia de 15 a 21 cm e a largura de 2,5 a 4,0 cm. A espécie é hermafrodita

Está bem ameaçada de extinção, sendo classificada como em perigo por conta da caça/captura excessiva.

Anêmona de tubo ceriantária (Cerianthus brasiliensis)

Imagem: Eol.org

O número de tentáculos marginais dessa espécie varia de 96 a 120 e estes podem atingir 6 cm de comprimento. Os tentáculos próximos à boca são menores, com cerca de 3 cm, dispostos em quatro ciclos irregulares, e são menos numerosos.

Assim como a espécie acima é uma anêmona solitária e apenas semi-fixa jamais se fixa solidamente ao fundo. A espécie tem coluna alongada, dilatando-se ligeira e gradualmente.

A coloração interna do tubo é grafite, azulada e brilhosa. Pequenos invertebrados podem viver também na parte interna dos tubos. Os tentáculos orais são esbranquiçados. A espécie é hermafrodita.

A caça/captura excessiva também a colocam em perigo de desaparecer.

Cabe então a nós evitar que essa e todas as outras 54 espécies não fiquem apenas na memória dos cearenses ou que sumam antes mesmo de as conhecermos!

 Com informações: ICMBio

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Ceará Científico inicia série sobre as espécies animais ameaçadas de extinção no Estado

Publicado em 08/02/2012 - 7:52 por | Comentar

“Conhecer para preservar; preservar para conhecer”.

O antigo ditado ambientalista serviu de inspiração para a primeira sequência de reportagens do Ceará Científico.

Trata-se da série “Fauna: o  Ceará (ainda) tem disso sim!”, que tem como base de partida a matéria Ceará tem 55 espécies animais ameaçadas de extinção, publicada, também nesta quarta-feira (08), na versão online do caderno Regional.

Nos próximos quatro dias, nosso blog apresentará 55 espécies animais listadas como ameaçadas de extinção pelo Ministério do Meio Ambiente e que têm ocorrência observada ou prevista em nosso Estado.

São sete espécies de mamíferos, quinze de aves, quatro de répteis, duas de anfíbios, sete de peixes, uma de inseto, três de crustáceos, três de moluscos, duas de cnidários e onze de equinodermos. A cada dia vamos trazer informações sobre um ou mais grupos de animais e as espécies ameaçadas que vivem em terras alencarinas.

Hoje, vamos conhecer mamíferos e répteis ameaçados de extinção.  Quinta-feira é a vez das aves. Já na sexta-feira, mostraremos os anfíbios e os peixes. E para fechar, na segunda-feira (13), conheceremos os invertebrados que correm mais risco de desaparecer no Ceará.

Mamíferos, nossos parentes mais próximos

A espécie Hadrocodium wui, pode ser um dos mais antigos mamíferos; fósseis foram datados como sendo de 195 milhões de anos atrás. Imagem: American Association for the Advancement of Science

Os mamíferos são animais vertebrados, que se caracterizam pela presença de glândulas mamárias e pêlos. Já foram catalogadas pouco mais de 5,5 mil espécies.

Os mamíferos atuais descendem dos sinapsídeos, répteis que surgiram no Carbonífero Superior (há aproximadamente 300 milhões de anos). Mas os primeiros mamíferos verdadeiros apareceram no período Triássico (há 220 milhões de anos atrás).

No entanto, foi só após a extinção em massa de dinossauros (ocorrida há 65 milhões de anos) e outros grandes grupos que os mamíferos puderam alcançar seu auge.

Apesar disso, um pouco antes (há 70 milhões de anos) já existiam os primeiros primatas, nossos ancestrais mais proximos.

O homem moderno surgiu entre 200 e 400 mil anos atrás, mas os primeiros hominídeos podem ter surgido perto de 4 milhões de anos no passado.

No Ceará, vivem (ou transitam em nosso território) sete mamíferos ameaçados de extinção. Há um canídeo (recém-descoberto), três felídeos,  um sirênio, um quiróptero e um cetáceo.

Vamos conhecê-los um pouco melhor:

Cachorro-vinagre (Speothos venaticus)

Foto: UFPB/Divulgação

É o mais recentemente descoberto em terras cearenses, mais precisamente no município de Aratuba. Trata-se de um canídeo com corpo atarracado, orelhas, pernas e cauda bem curtas.

Seu comprimento médio é de 86,6 cm e o peso fica entre 5 e 7 kg. A coloração varia entre o marrom claro e o escuro. A gestação é de 67 dias, após a qual nascem de 3 a 4  filhotes.  A espécie é encontrada  até 1.500 m de altitude.  A dieta é altamente carnívora.

Está ameaçado pelo desmatamento, pela fragmentação e alteração de habitats, por doenças e pela caça. A espécie é classificada como vulnerável quanto ao risco de extinção, mas as populações no Ceará devem ser extremamente raras.

Gato-maracajá  (Leopardus tigrinus)

Imagem: Animal Earth

É a menor espécie de felino (ou felídeo) encontrada no Brasil e também uma das menos conhecidas. Tem porte semelhante ao do gato doméstico, podendo atingir  de 60, 4 cm até 82, 9 cm de comprimento e pesar de 1,5 a 3,5 kg.

A cor de fundo da espécie varia entre o amarelo-claro e o castanho-amarelado, sendo que não é incomum encontrar indivíduos completamente negros. As manchas são encontradas com grandes variações em suas formas e tamanhos, assim como na coloração de fundo.

Os filhotes nascem após uma gestação de 73 a 78 dias, podendo chegar a até 4. Ocorre desde o nível do mar a até 3.353 m de altitude. A dieta inclui pequenos mamíferos e lagartos.

Está ameaçado principalmente pela perda/fragmentação do habitat e tráfico ilegal e está em situação vulnerável, quanto ao grau de risco de desaparecer.

Jaguatirica (Leopardus pardalis mitis)

Imagem: Feline Conservation Trust

A jaguatirica tende a ser a espécie de felino dominante nas áreas de cobertura vegetal mais densa, especialmente nas matas úmidas que ocorrem desde o nível do mar até 3.800 m.

Tem corpo esbelto, cabeça e patas grandes e cauda pouco curta, caracterizada pela presença de manchas, numa pelagem de fundo amarelo-ocráceo. O comprimento pode atingir até 1,46 metros e o peso até 15,1 kg.

O período de gestação varia entre 70 e 85 dias, após o qual nascem de 1 a 4 filhotes. O potencial reprodutivo máximo de uma fêmea de sete anos, em vida livre, é de 5 a 7 filhotes. São solitários e noturnos.  Carnívora, come em média cerca de 700 g por dia.

Assim como as duas espécies anteriores é classificada como vulnerável ao risco de extinção e está ameaçada principalmente pela erda/alteração de habitat e pela caça.

Onça parda (Puma concolor greeni)

Imagem: ICMBio

É um felino de grande porte com coloração variando do marrom-acinzentado mais claro ao marrom-avermelhado mais escuro, com a ponta da cauda preta, podendo também apresentar uma linha escura na extremidade dorsal (costas).

O comprimento total para a espécie pode chegar até 2,30 metros, sendo que a cauda representa cerca de 35% deste total. O peso para animais adultos varia entre 34 a 48 kg para fêmeas e de 53 a 72 kg para machos.

Tem hábito crepuscular /noturno e é um dos carnívoros mais generalistas, apresentando uma dieta variada. Come desde pequenos mamíferos, répteis e aves, até presas maiores, como a capivara, e animais domésticos, como eqüinos, ovinos, bovinos e suínos.

A espécie ocorre em grande diversidade de biomas, do nível do mar até 5.800 m de altitude, em quase toda a América. Mas essa subespécie que ocorre no Ceará e em outras partes do Brasil também está vulnerável à extinção e é ameaçada pela perda/degradação de habitat e caça.

Morcego do nariz-achatado (Platyrrhinus recifinus)

Imagem: BoldSystems

São morcegos pequenos, têm coloração marrom-clara, sendo que o dorso é, mais escuro do que a parte ventral (barriga).  Possuem um par de listras no rosto e uma listra nas costas, todas brancas.

Há ainda poucas informações sobre os hábitos dessa espécie, mas sabe-se que ela ocorre nos biomas de caatinga, cerrado e Mata Atlântica.

Pode ser considerada como vulnerável à extinção e ameaçada pela perda/fragmentação de habitat e pela própria falta de conhecimento da comunidade científica sobre ela.

Peixe-boi marinho (Trichechus manatus)

Imagem: Aquasis / Divulgação

É de longe entre as espécies de mamíferos que ocorrem no Ceará, a que está mais ameaçada de extinção, sendo classificada como criticamente em perigo. Os principais fatores de ameaça são a caça, as capturas acidentais, a perda do hábitat, o assoreamento, o desmatamento e o trânsito de embarcações.

Pode medir, quando adulto, entre 2,5 e 4 m e pesar de 200 a 600 kg. É a espécie mais conhecida entre os sirênios. Estudo de determinação da idade do peixe-boi marinho, feito com base na contagem de crescimento do osso tímpano-periótico, indica que o animal mais velho tem idade superior a 50 anos.

A coloração do corpo é acinzentada e o couro é áspero. Apresenta unhas nas nadadeiras peitorais e alimenta-se de algas, capim marinho, folhas de mangue entre outros. Os animais passam de 6 a 8 horas diárias se alimentando.

O intervalo médio entre o nascimento de filhotes é de três anos, que medem entre 0,80 e 1,60 m ao nascer. A fêmea permanece com o filhote por até dois anos.

Cachalote (Physeter macrocephalus )

Imagem: MarineBio

É uma espécie que pouco aparece no Ceará (principalmente no verão e no outuno) e tem distribuição geográfica muito ampla nos oceanos do planeta. Apesar disso está vulnerável à extinção, devido a fatores como caça, captura em redes de deriva e atropelamentos por embarcações.

É a maior baleia com dentes e apresenta grande diferença física entre os sexos. Os machos podem chegar a 18 m e pesar 57 toneladas, enquanto as fêmeas não ultrapassam os 12 m.

A espécie possui o espiráculo (equivalente às narinas por onde respiram) voltado para a parte anterior do corpo e desviado para a esquerda, assim o seu borrifo é diagonal. A cabeça é retangular e grande, podendo representar 1/3 do total do corpo.

A nadadeira dorsal é pequena e triangular. Sua coloração varia de preta a marrom, com regiões brancas ao redor da boca. A pele é enrugada a partir da cabeça para a região posterior do corpo.

Répteis, ancestrais um pouco mais distantes

O Hylonomus é talvez o fóssil de réptil mais antigo, sendo datado de 315 milhões de anos atrás. Imagem: Karen Carr

Os répteis também são animais vertebrados e deram origem a outros dois grandes grupos, os mamíferos (como vimos acima) e também as aves (que compartilham parentesco com dinossauros e crocodilos).

Surgiram pela primeira vez na Terra há cerca de 315 milhões de anos (o ramo que deu origem aos mamíferos surgiu pouco depois disso).

Foram os primeiros amniotas, ou seja, seus embriões são protegidos pela membrana amniótica (assim como nós), o que permitiu deixar de vez a necessidade de retornar à água ou aos ambientes úmidos para colocar seus ovos e os diferencia de seus ancestrais, os anfíbios.

Ao contrário de seus descendentes são ectotérmicos, ou seja não regulam a temperatura do corpo de forma autônoma. Apesar disso, são um pouco mais diversificados que os mamíferos, sendo registradas pouco mais de 6 mil espécies.

Mas a maior diversificação ocorreu na Era Mesozóica (entre 250 e 65 milhões de anos atrás), quando atingiram seu auge. Muitos dos grupos que viveram naquela era foram extintos após o provável choque da Terra com um asteroide.

Em nosso Estado, existem quatro espécies de répteis ameaçadas pela extinção, dessa vez por culpa do homem. Todas elas são tartarugas, répteis que são considerados por alguns pesquisadores como os descendentes da linhagem mais antiga, a dos anapsídeos.

Vamos conhecê-las mais:

Tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea)

Imagem: SyMBiosIS

É a espécie mais ameaçada de extinção entre os répteis que vivem no Ceará. Está classificado como criticamente em perigo devido a fatores como mortalidade acidental, poluição e perturbação humana.

O número anual de fêmeas que reproduzem no litoral brasileiro, é de no máximo 19 indivíduos. É a maior das espécies de tartarugas marinhas, atingindo de 500 kg até 1.000 kg.  Sua carapaça não é ossificada como em outras tartarugas, sendo revestida por um tecido coriáceo, que deu origem ao nome da espécie.

As fêmeas que desovam no Brasil apresentam um comprimento curvilíneo médio da carapaça de 1,6 metros.  Em cada desova são depositados entre 70 e 90 ovos. A incubação dura cerca de 60 dias, e o sexo das ninhadas é influenciado pela temperatura de incubação.

Alimenta-se de invertebrados marinhos tais como cnidários, ctenóforos e tunicados. É capaz de mergulhos profundos, atingindo mais de 1.000 m de profundidade, embora a maior parte dos mergulhos não ultrapasse 200 m.

Tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta )

Imagem: Trek Earth

Tem cabeça proporcionalmente grande em relação a seu comprimento total. Onívora, se alimenta de crustáceos, moluscos, peixes, cnidários e vegetais marinhos.

A reprodução ocorre entre os meses de setembro e março. As fêmeas botam ovos a cada dois ou três anos, com postura de 120 ovos em média. O período de incubação é de 50 a 60 dias. Os filhotes eclodem, à noite, rumando para o mar. Assim como a espécie citada anteriormente, o sexo dos filhotes é determinado pela temperatura de incubação dos ovos.

Entre as tartarugas ameaçadas de extinção no Ceará é a que corre menos risco, sendo classificada como vulnerável pela mortalidade acidental, perturbação humana e poluição.

Tartaruga-verde (Chelonia mydas)

Imagem: Starfish.ch

Também conhecida como aruanã, é uma tartaruga marinha distribuída por todos os oceanos, nas zonas de águas tropicais e subtropicais, com duas populações distintas no Oceano Atlântico e no Oceano Pacífico.

Apesar disso  está classificada como em perigo de extinção pela mortalidade acidental, perturbação humana e poluição. O nome tartaruga-verde deve-se à coloração esverdeada da sua gordura corporal.

Tem corpo achatado coberto por uma grande carapaça em forma de lágrima e um grande par de nadadeiras. É de cor clara, exceto em sua carapaça onde os tons variam do oliva-marrom a preta.

É principalmente herbívora. Os adultos geralmente habitam lagoas rasas, sendo raramente avistadas em alto-mar. Alimentam-se principalmente de ervas marinhas. Vivem até 80 anos em liberdade.

Tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea )

Imagem: California Herps

Também classificada como em perigo devido à mortalidade acidental, perda/degradação de habitat e poluição, é uma das menores tartarugas marinhas do mundo, com peso entre 35 e 50 kg.

O comprimento curvilíneo médio da carapaça é de 73 cm. Alimenta-se de crustáceos, moluscos, peixes e algas. Apresenta três tipos de comportamento de desova: solitário, em pequenos grupos e em arribada.

Apresenta ciclo reprodutivo anual de 2 a 3 anos. O tempo necessário para atingir a maturidade sexual é de 7 a 30 anos. Desova no máximo três vezes a cada ciclo, com uma média de 100 ovos a cada desova registrada. Os picos de desova ocorrem entre outubro e fevereiro.

O sexo dos filhotes é influenciado pela temperatura de incubação dos ovos, com temperaturas mais altas gerando mais fêmeas, e temperaturas mais baixas gerando mais machos.

Com informações: ICMBio

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