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Você conhece a Síndrome da Memória Autobiográfica Altamente Superior? Pois, saiba mais sobre os “Googles humanos”

Publicado em 23/12/2011 - 19:53 por | 1 Comentário

Categorias: Biomedicina, Comportamento

O neurobiólogo James McGaugh, da Universidade da Califórnia, foi o pioneiro na pesquisa da HSAM Imagem: Orcas

A síndrome é rara e até onde se sabe não traz grandes complicações para quem nasce com ela, muito pelo contrário. Só há cerca de 30 casos reconhecidos pela Medicina, todos concentrados nos Estados Unidos.

A  Síndrome da Memória Autobiográfica Altamente Superior (HSAM, na sigla em inglês), se caracteriza pelo fato de que seus portadores não esquecem de praticamente nada do que acontece em suas vidas e são capazes de registrar números, datas, rostos e nomes de forma impressionante. Não por outra razão são apelidados pelos pesquisadores de “Googles humanos”.

O reconhecimento dessa altíssima capacidade de memorização como uma síndrome só foi estabelecido há cerca de cinco anos pelo especialista em memória e neurobiólogo James McGaugh, da Universidade da Califórnia. Ele publicou artigo sobre um estudo de seis anos feito com uma paciente que apresentava esses sintomas. ”Provavelmente há pessoas com essa síndrome há séculos, mas suas bases nunca haviam sido investigadas cientificamente”, explicou. O teste para identificar a HSAM consiste basicamente de um questionário sobre acontecimentos públicos ocorridos nos últimos 20 anos.

Para ser diagnosticado com a síndrome o paciente precisa lembrar de datas, nomes e detalhes muito precisos sobre cada evento perguntado e apenas os que acertam mais de 55% dessas perguntas passam para a fase seguinte, nas quais respondem à perguntas pessoais. ”A família nos dá fotos ou diários para que a gente tenha dados precisos e assim provar as informações das quais eles dizem se lembrar. É muito, muito difícil que um indivíduo registre dados como esse, além de um certo tempo, como um nível de detalhes tão específico”, afirmou McGaugh.

Dom ou fardo

Um dos exemplos mais famosos dentre os portadores da HSAM é o produtor de documentários do History e do Discovery Channel, Robert Petrella.  “Às vezes, me recordo de algo que alguém disse há 30 anos, coisas que as outras pessoas não lembrariam, porque foram ditas no momento”, relata. Ele afirma ainda que sua grande memória ajudou a construir uma carreira de sucesso, pois é capaz de lembrar ao olhar para uma fotografia de uma partida de futebol americano, por exemplo, qual foi a data e o placar do jogo.

Além dele, a imensa maioria dos portadores de HSAM afirma não ter problemas com a síndrome, mas há uma exceção importante. A paciente Jill Price sentia tanto incômodo por não conseguir esquecer de nada e ser exigida pelos outros por conta de sua mega-memória que resolveu contar suas experiências pessoais dramáticas na autobiografia “The Woman Who Can’t Forget” (ou “A Mulher que Não Consegue Esquecer”, ainda sem versão brasileira). No livro ela relata ainda como sua capacidade superior afetou suas relações afetivas.

Se você se identificou com os sintomas, o neurobiólogo McGaugh recomenda não encarar a HSAM nem como fardo nem como um dom sobrenatural, mas que se evite expor a circunstâncias traumatizantes. Portadores da síndrome devem evitar profissões como a de policial, militar, médico, socorrista, ou bombeiro, por exemplo.

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