Enfim, sai o laudo do PV
daniel • Publicado às: 20:28 • 09/12/2008
A avaliação e estudo técnico da estrutrura física do Estádio Presidente Vargas foi feita pelos engenheiros da ASTEF, Associação Técnico-Científica Paulo de Frontin, vinculada à UFC e técnicos da USP, Universidade de São Paulo, que são especialistas em ensaios
dinâmicos de estruturas de concreto.
Os engenheiros da ASTEF que assinaram os laudos são os seguintes: Aldo de Almeida Oliveira, Alexandre Bertini, Antônio Macário Cartaxo, José Ramalho Torres, Paulo Cunha do Nascimento, Rodrigo Amaral de Cades e Tereza Denyse Pereira de Araújo.
Em resumo, os ensaios estruturais constataram o seguinte: Deslocamento de placas de concreto; Infiltração nas juntas de dilatação; Desgaste no Dente de Gerber (uma espécie de parapeito, com o concreto todo rachado em várias partes do estádio), exposição das armaduras ( que são ferros que ficam dentro do
concreto). Esta exposição acontece de forma generalizada, em toda a arquibancada. Crescimento de vegetação no interior do concreto. Pilares fora de prumo, tortos e no limite de sua segurança.
Ensaios estruturais - físicos e mecânicos. Foi medida a resistência do concreto à compressão (Fck). Como o estádio foi construído por etapas, a primeira parte da arquibancada foi feita em 1958. A estrutura antiga da arquibacada tinha a marca de 19,5 MPa, que mede a resistência do concreto. A estrutura de arquibancada mais recente apresentava a marca de 17,2 MPa.
De acordo com o arquiteto da Prefeitura Alberto Napoleão, a resistência do concreto recomenda teria que ser entre 25 e 30 MPa. Ao mesmo tempo, o concreto apresentava carbonatação e enrijecimento grande da estrutura e o consequente desgaste. No
exame das fundações, não se encontrou grandes problemas de desgaste. Nos ensaios de vibração forçada, avalia-se o comportamento dinâmico da estrutura, como se a torcida estivesse saltando no momento do gol. Foram aí que surgiram grandes problemas, pois o concreto vibrou no limite de sua segurança. Foi registrado um nível intolerável de vibração no setor reto e no setor curvo da arquibancada, pois os números aferidos estavam aquém do esperado.
Foram feitas as seguintes conclusões, por parte dos técnicos da ASTEF e da USP: os testes comprovaram as deficiências apontadas na vistoria do CREA-CE, dirigida pelo engenheiro Mário Elízio e pelos próprios técnicos da ASTEF.
Sobre a resistência do concreto armado e a presença de ferragens em seu interior, foi constatado que existem graves comprometimentos em várias peças estruturais que estão com suas secções de aço extremamente reduzidas, chegando ao rompimento dessas ferragens, em vários pontos.
O concreto, de uma forma geral, foi considerado poroso com alto grau de carbonatação, que naturalmente eleva a resistência à compressão do concreto, mas diminui sua capacidade de proteger as armaduras, reduzindo sua vida útil, sensivelmente.
A ASTEF recomenda a manutenção da interdição até que se corrijam todos os problemas. Recomenda-se a injeção de resina nos pilares.
O alto potencial de corrosão constatados e os baixos valores de Ph da estrutura apontam para a possibilidade de comprometimento de áreas consideradas sãs. A Prefeitura de Fortaleza já tem R$ 10 milhões, verba que vem do Ministério do Esporte, para fazer a primeira intervenção para corrigir os problemas.
Ainda tem uma verba alocada da Prefeitura, na ordem de R$ 7 milhões, sendo R$ 1 milhão para montar o projeto base de reforma.
Texto: Ivan Bezerra