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12:26 · 08.04.2017 / atualizado às 12:26 · 08.04.2017 por
Concepção artística do exoplaneta GJ 1132b, que pode ter condições climáticas intermediárias entre às da Terra e às de Vênus Imagem: MIT

Astrônomos detectaram pela primeira vez atmosfera ao redor de um exoplaneta rochoso de um tamanho próximo ao da Terra, o que representa um passo significativo na busca de vida fora do nosso Sistema Solar, segundo um estudo publicado revista Astronomical Journal.

“Embora isto ainda não seja a detecção de vida em outro planeta, esta descoberta representa um passo importante na direção correta, já que é a primeira vez que se detecta uma atmosfera ao redor de um planeta com uma massa e um raio semelhantes aos da Terra”, disseram os cientistas.

Este exoplaneta, chamado GJ 1132b e situado a 39 anos-luz da Terra na constelação Vela, é aproximadamente 16% maior que a Terra, mas está em uma órbita próxima demais à sua estrela, uma anã-vermelha, para poder ser habitável.

Segundo os astrônomos, as temperaturas nessa superfície ultrapassam 250 graus centígrados. As observações sugerem que o GJ 1132b está coberto por uma atmosfera rica em água e metano, mas os pesquisadores terão que usar outros telescópios mais poderosos para identificar as substâncias químicas presentes.

“Com esta pesquisa, nós demos o primeiro passo experimental para estudar as atmosferas de planetas menores, como a Terra. Simulamos uma gama de atmosferas possíveis para este planeta, e descobrimos que aquelas ricas em água e/ou metano explicariam as observações do GJ 1132b”, apontam os pesquisadores. “O planeta é significativamente mais quente e um pouco maior do que a Terra, então uma possibilidade é que ele seja um ‘mundo de água’ com uma atmosfera de vapor quente”, acrescenta.

Este tipo de estrelas, as anãs-vermelhas, são as mais comuns, e o fato de detectar um planeta com uma atmosfera orbitando um sistema estelar deste tipo sugere que as pré-condições para a existência da vida são bastante comuns no universo, apontam. Esta detecção faz do planeta GJ 1132b um alvo prioritário de observações para o telescópio espacial Hubble, o telescópio gigante europeu de Observação Austral (ESO), que está no Chile, assim como para o futuro James Webb Space Telescope, cujo lançamento está previsto para 2018.

A equipe que fez esta descoberta – liderada por John Southworth, da Universidade de Keele, no Reino Unido -, utilizou o telescópio europeu ESO/MPG no Chile para registrar imagens da estrela GJ1132 e medir a redução de intensidade de luz com cada passagem do planeta. Estas medidas de absorção da luz da estrela permitiram determinar a existência de uma atmosfera.

O planeta GJ 1132b foi descoberto em 2015, mas na época os astrônomos não sabiam se ele tinha uma atmosfera.

Com informações: AFP

22:04 · 27.03.2017 / atualizado às 22:06 · 27.03.2017 por
De acordo com a pesquisa, os animais que se alimentam de frutas, como os chimpanzés e os humanos, por exemplo, têm cérebros cerca de 25% maiores do que aqueles que ingerem folhas Foto: Scientific American

Os humanos provavelmente desenvolveram cérebros grandes e poderosos com a ajuda das frutas, afirmaram pesquisadores nesta segunda-feira (27).

Comer frutas foi um passo-chave a partir dos alimentos mais básicos, como folhas, e forneceu a energia necessária para desenvolver cérebros mais volumosos, segundo os cientistas. “Foi assim que conseguimos esses cérebros enormes”, disse o autor correspondente do estudo Alex Decasien, pesquisador da Universidade de Nova York.

O estudo publicado na revista científica Nature Ecology & Evolution observou os alimentos básicos de mais de 140 espécies de primatas, e concluiu que suas dietas não mudaram muito ao longo da evolução recente.

Vantagem

De acordo com a pesquisa, os animais que se alimentam de frutas têm cérebros cerca de 25% maiores do que aqueles que ingerem principalmente folhas.

Os resultados questionam a teoria que prevaleceu desde meados dos anos 1990, segundo a qual os cérebros maiores se desenvolveram a partir da necessidade de sobreviver e se reproduzir em grupos sociais complexos.

Decasien disse que os desafios de viver em grupo podem ter contribuído para o desenvolvimento da inteligência, mas não encontrou nenhuma ligação entre a complexidade da vida social dos primatas e o tamanho dos seus cérebros.

Comer frutas, por outro lado, estava fortemente correlacionado com o tamanho dos cérebros. Alimentos como frutas contêm mais energia do que fontes básicas como folhas, criando assim o combustível adicional necessário para evoluir para um cérebro maior. Ao mesmo tempo, lembrar quais plantas produzem frutas, onde elas estão e como abri-las também poderia ajudar um primata a desenvolver um cérebro maior.

“Eu me sinto confiante de que o estudo deles vai reorientar e revigorar a pesquisa que procura explicar a complexidade cognitiva em primatas e outros mamíferos”, escreveu Chris Venditti, pesquisador da Universidade de Reading, no Reino Unido, em um comentário sobre o estudo, também publicado na Nature Ecology and Evolution”. “Mas muitas perguntas permanecem”, acrescentou.

20:09 · 24.03.2017 / atualizado às 20:27 · 24.03.2017 por
Ao contrário do que se pensava, o Tyrannosaurus rex (d) e o Triceratops (e) podem pertencer ao mesmo grupo. Já os grandes dinossauros herbívoros com pescoços semelhantes aos de uma  girafa pertenceriam a um grupo diferente Imagem: Scified

Parece não haver quase nada em comum entre dois ícones da série “Jurassic Park”, o Tyrannosaurus rex, monarca dos dinos carnívoros, e o chifrudo quadrúpede Triceratops, equivalente pré-histórico dos rinocerontes e búfalos de hoje.

Um novo estudo, porém, propõe uma ideia que quase poderia ser descrita como herética: ambos os monstros pertenceriam ao mesmo grande subgrupo de dinossauros. A proposta acaba de ser publicada na revista científica britânica “Nature”, uma das mais tradicionais do mundo, e tem provocado fortes emoções (nem todas muito positivas) entre os cientistas que estudam a evolução dos dinos.

Afinal de contas, como fazem questão de ressaltar os autores da hipótese -um trio da Universidade de Cambridge (Reino Unido) encabeçado por Matthew Baron-, ela derrubaria mais de cem anos de consenso científico a respeito do “álbum de família” desses bichos. Segundo esse consenso, que até hoje parecia sólido feito rocha, os dinossauros se dividem em dois grandes grupos.

O primeiro seria o dos saurísquios, englobando o T. rex e os demais bípedes carnívoros, de um lado, conhecidos coletivamente como terópodes (as aves modernas estão nesse balaio); e, de outro, os grandes herbívoros pescoçudos, como os célebres brontossauros, que recebem o nome de sauropodomorfos.

O segundo grande subgrupo corresponderia aos ornitísquios -criaturas como o Triceratops e o bípede herbívoro Iguanodon. Mudar isso “é uma proposta completamente heterodoxa e radical”, resume o paleontólogo Max Cardoso Langer, da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto.

“Todo manual de paleontologia e todo livro sobre dinossauros feito para crianças que você pegar vão começar falando da divisão tradicional em dois grupos, e todas as análises feitas até hoje, por diferentes autores e com diferentes abordagens, deram o mesmo resultado.” Baron e seus colegas David Norman e Paul Barrett, porém, argumentam que muitos desses estudos não analisaram com o devido cuidado as formas mais primitivas dos grandes grupos de dinossauros, em especial os primeiros ornitísquios.

Rodem as máquinas

Para tentar sanar isso, os britânicos decidiram realizar uma grande análise filogenética -ou seja, sobre relações de parentesco evolutivo- envolvendo 74 tipos diferentes de dinossauros, com ênfase nos mais primitivos. Tais análises se baseiam em programas de computador que registram e comparam um grande conjunto de características dos fósseis -no caso do estudo, 457 detalhes do esqueleto. É por meio dessa coleção de semelhanças e diferenças que os cientistas tentam determinar como um grupo de animais vai se diversificando ao longo do tempo, como uma árvore com galhos que estão mais próximos ou mais distantes entre si.

A comparação computacional apontou um conjunto de 21 características que são compartilhadas apenas por terópodes (como o T. rex) e ornitísquios (como o Triceratops). Para os autores do novo estudo, isso seria suficiente para classificá-los como “grupos-irmãos”, que receberiam um novo nome conjunto, o de ornitoscélidos (termo que, na verdade, chegou a ser usado por naturalistas do século 19 até cair em desuso).

Os pescoçudos sauropodomorfos ficariam isolados num grupo à parte, que teria se separado antes do ancestral comum dos outros dois subgrupos. De quebra, a análise indicaria também que os primeiros dinos teriam sido, de fato, bípedes de pequeno porte com dieta onívora e patas da frente capazes de agarrar objetos; e, finalmente, que eles teriam surgido no hemisfério Norte e não na América do Sul, como muita gente defende hoje.

Com informações: Reinaldo José Lopes/Folhapress

17:18 · 16.03.2017 / atualizado às 17:19 · 16.03.2017 por
Concepção artística da missão “Europa Clipper”, um dos projetos que deve ser beneficiado com a nova proposta orçamentária feita por Donald Trump para a Nasa. A missão vai explorar o satélite Europa, de Júpiter Imagem: Nasa

O projeto de orçamento da Nasa apresentado nesta quinta-feira (16) pelo presidente americano, Donald Trump, privilegia a exploração do espaço profundo, mas reduz os fundos dedicados às ciências da Terra e ao estudo do clima.

O texto confirma o apoio do governo Trump às alianças entre a agência espacial americana e o setor privado, iniciadas pela administração do seu antecessor, Barack Obama, “como a base do desenvolvimento do setor comercial espacial americano”.

O orçamento de 2018, de 19,1 bilhões de dólares, 0,8% menor que o de 2017, elimina o projeto apoiado pelo governo de Obama de capturar um asteroide e colocá-lo numa órbita perto da Lua, para estudá-lo em profundidade. O projeto aumenta, principalmente, os recursos dedicados às ciências planetárias e à astrofísica, que passam de US$ 1,5 bilhão para quase US$ 2 bilhões.

A Casa Branca propõe, ainda, a aceleração de um projeto de exploração robótica de uma lua de Júpiter chamada Europa, que contém um vasto oceano de água sob uma grossa camada de gelo onde pode existir vida. A Nasa trabalha atualmente no desenvolvimento de uma sonda, “Europa Clipper”, cujo lançamento está previsto para a década de 2020. O objetivo é sobrevoar a lua de Júpiter para cartografar sua superfície e buscar possíveis sinais de vida no oceano. O projeto de Trump destina US$ 1,8 bilhão de dólares – o que representa uma redução de US$ 200 milhões – para o desenvolvimento de pesquisas sobre as ciências da Terra, que incluem quatro missões relacionadas com o estudo do clima. Uma delas é a do Observatory-3, um satélite que pode medir e monitorar as emissões de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera.

Para o diretor interino da Nasa, Robert Lightfoot, o projeto de orçamento é “em geral positivo” para a agência. “Como com qualquer orçamento, temos aspirações que ultrapassam nossas possibilidades, mas este projeto de orçamento nos proporciona recursos consideráveis para realizar nossa missão”, acrescentou em um comunicado. No entanto, a publicação do projeto de orçamento é apenas o começo de uma longa batalha com o Congresso, que tem a última palavra.

Com informações: AFP

22:59 · 08.03.2017 / atualizado às 22:59 · 08.03.2017 por
A física da UFRGS Márcia Barbosa, afirma que apesar do avanço, áreas como as das exatas ainda constituem um desafio para inserção das mulheres, que segundo ela, seriam desestimuladas desde a infância a enveredar em carreiras relacionadas a esse campo científico Foto: UFRGS

Por Everton Lopes Batista e Sabine Righetti (Folhapress)

A proporção de mulheres que publicam artigos científicos -principal forma de avaliação na carreira acadêmica- cresceu 11% no Brasil nos últimos 20 anos. Agora elas publicam quase a mesma quantidade que os pesquisadores homens (49%).

Os resultados são parte do relatório Gender in the Global Research Landscape (gênero no cenário global de pesquisa, em tradução livre), lançado nesta quarta (8) pela Elsevier, maior editora científica do mundo. O material traz um levantamento de dados da publicação acadêmica feita por mulheres em 11 países e na União Europeia em dois períodos: de 1996 a 2000 e de 2011 a 2015.

Os dados mostram que, dentre os países pesquisados, Brasil e Portugal são os que mais contam com autoras em trabalhos científicos (49% do total). Isso é percebido no cotidiano dos cientistas: “Eu não tinha as estatísticas, mas já diria que hoje nós mulheres somos metade da produção científica nacional”, diz Mayana Zatz, geneticista do Centro de Genoma Humano da USP.

Em outros seis países (Reino Unido, Canadá, Austrália, França e Dinamarca) o número de publicações por mulheres já atingiu pelo menos 40% do total, considerado patamar de igualdade.Nos dados entre os anos de 1996 e 2000, somente Portugal contava com taxas superiores a 40%.

A quantidade de pesquisadoras, no entanto, muda de acordo com a área do conhecimento, segundo o relatório.

Saúde

Hoje, são elas que dominam as publicações de medicina no país: uma em cada quatro estudos publicados na área por pesquisadores brasileiros tem uma cientista mulher como principal autora.

Nas chamadas ciências duras, no entanto, elas ainda estão em minoria. De acordo com o levantamento da Elsevier, publicações de áreas como ciências de computação e matemática têm mais do que 75% de homens na autoria dos trabalhos na maior parte dos países pesquisados. “Áreas de exatas são um problema porque desde a primeira infância as meninas vão sendo afastadas”, diz Márcia Barbosa, física da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e especialista em gênero. Fato: um estudo publicado na revista científica “Science” em fevereiro mostrou que a partir dos seis anos as meninas começam a se achar menos inteligentes do que os meninos na escola -que, acreditam elas, lideram e fazem grandes descobertas. “Temos uma cultura de que a menina tem de ser uma princesinha que, por exemplo, não pode se sujar”, diz Barbosa. “Ciências exigem experimentação.”

Teto de vidro

A igualdade na distribuição de autoria dos trabalhos científicos observada no Brasil não se reflete, no entanto, nos cargos científicos de liderança. Reitores de universidade, chefes de departamentos e coordenadores de linhas de pesquisa ainda são, em sua maioria, homens. É isso que os estudiosos de gênero chamam de “teto de vidro”: um bloqueio invisível que as mulheres não conseguem quebrar para chegar ao topo. “As mulheres vão sumindo ao longo da carreira. É como se houvesse um vazamento de mulheres pelo caminho”, diz Márcia. Para a especialista, é preciso ter políticas que entendam e trabalhem o fenômeno. “Não podemos ver isso como algo dado e natural.” Tamara Naiz, historiadora e presidente da ANPG (Associação Nacional de Pós-Graduandos) afirma que a mulher precisa lidar com diversos entraves ao longo da carreira científica. Um deles, diz ela, é a falta de proteção com relação a maternidade. “Quando uma mulher é aprovada em um curso de pós-graduação, é comum ela ouvir de orientadores que não poderá engravidar para que a pesquisa não seja interrompida”, conta.

“Se somos cientistas tão capazes quanto os homens, por que isso não se reflete em igualdade de salários e de oportunidades?”, questiona Naiz. “O resultado do levantamento mostra que, mesmo partindo de condições desiguais, a mulher consegue desenvolver uma pesquisa tão boa quanto a de um homem.”

Impacto

Isso pode ser observado nos números. No Brasil, a qualidade dos trabalhos publicados por homens e por mulheres -medido pela quantidade de vezes em que um estudo é citado em outros trabalhos, que é chamado de “impacto”- também é semelhante.

As brasileiras recebem 0,74 citação por estudo publicado, enquanto os cientistas homens do país têm 0,81 citação em seus trabalhos. O impacto dos artigos científicos publicados por homens e por mulheres é semelhante até nos países em que a produção de ciência é bastante desigual.

No Japão, por exemplo, as mulheres são autoras de apenas dois em cada dez trabalhos científicos. Os artigos delas, no entanto, recebem 0,94 citação -número bem próximo do impacto dos trabalhos dos homens daquele país (0,96). O levantamento foi feito com a base de dados da Elsevier, a Scopus, que lista autores de mais de 62 milhões de documentos em cerca de 21,5 mil revistas acadêmicas. Como a identificação de gênero não é necessária em publicações científicas, um segundo processo atribui gênero aos nomes contando com conjuntos de informações de cada país que relacionam nome e sexo com pelo menos 80% de certeza.