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21:01 · 22.06.2017 / atualizado às 21:02 · 22.06.2017 por
Após decisão polêmica, muitos dos animais se perderam pelo caminho e acabaram morrendo ou ficando feridos Foto: AFP

Com o aprofundamento da crise diplomática entre Qatar e seus vizinhos do Golfo, até mesmo símbolos da cultura árabe são alvos do rompimento das relações com o governo de Doha.

Em nova retaliação, a Arábia Saudita, que liderou o processo de ruptura, anunciou que expulsou 9 mil camelos de origem qatari em 36 horas. Segundo a agência Ansa, como consequência, muitos dos animais se perderam pelo caminho e acabaram morrendo ou ficando feridos.

Um representante da Associação de Proprietários de Camelos do Qatar criticou a medida tomada pelas autoridades sauditas. Os animais eram mantidos em regiões vastas do território saudita, e contribuíam para a produção de leite e carne, além de servir como meio de locomoção.

“Nunca vamos nos esquecer do que eles fizeram”, afirmou Mohammad Merri à rede Al-Jazeera. Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Egito, Iêmen e Bahrein romperam relações diplomáticas com o governo de Doha no dia 5 de junho. Os países vizinhos o acusam de apoiar o terrorismo e inclusive avisaram aos cidadão qataris que deixassem seus territórios em até 14 dias.

Após a ruptura de relações, a Arábia Saudita fechou a única fronteira terrestre do pequeno emirado, por onde transitavam 40% dos seus alimentos. O Irã começou a mandar 1.100 toneladas por dia de frutas e legumes ao Qatar e a Turquia também enviou um navio de suprimentos nesta quinta (22).

Com informações: Agência O Globo

16:41 · 19.06.2017 / atualizado às 16:41 · 19.06.2017 por
Concepção artística de um sistema planetário detectado pelo telescópio espacial Kepler Imagem: Nasa

A Nasa divulgou, nesta segunda-feira (19), uma lista de 219 novos candidatos a planeta descobertos pelo telescópio espacial Kepler. Dez deles têm tamanhos parecidos com a Terra e orbitam as zonas habitáveis de suas estrelas.

O telescópio espacial Kepler busca por planetas em nossa galáxia ao detectar pequenas oscilações no brilho das estrelas que ocorrem quando um planeta passa em frente a ela. Segundo a agência espacial americana, este é o catálogo mais detalhado dos candidatos a planetas identificados nos primeiros quatro anos de coleta de dados pelo Kepler. Ao todo, 4.034 candidatos a planeta já foram identificados pelo Kepler, dos quais 2.335 foram confirmados como exoplanetas.

“O conjunto de dados do Kepler é único, pois só ele contêm uma população desses análogos da Terra – planetas com quase o mesmo tamanho e que têm órbitas parecidas com a da Terra”, diz Mario Perez, cientista do programa Kepler na Divisão de Astrofísica da Nasa. “Entender sua frequência na galáxia vai ajudar no planejamento de futuras missões da Nasa para procurar diretamente outra Terra.”

“Esse catálogo cuidadosamente elaborado é o fundamento para responder de forma direta uma das perguntas mais cativantes da astronomia: quantos planetas como a nossa Terra existem na galáxia?”, diz a cientista Susan Thompson, pesquisadora do projeto Kepler e principal autora do estudo que resultou no catálogo.

Com informações: G1

17:36 · 05.06.2017 / atualizado às 17:36 · 05.06.2017 por
Concepção artística do exoplaneta KELT-9b, orbitando a estrela KELT-9. A temperatura no planeta passa dos 4 mil graus Celsius Imagem: Nasa

Um exoplaneta gigante – fora do Sistema Solar – é o mais quente relatado até agora, de acordo com descoberta publicada pela revista “Nature” nesta segunda-feira (5). Ele tem uma temperatura estimada em 4.327 ºC.

Scott Gaudí, da Universidade Estadual de Ohio, nos Estados Unidos, com a ajuda de colegas, relatou que o exoplaneta é chamado de KELT-9b, e ele orbita uma estrela maciça chamada KELT-9. Essa estrela tem uma temperatura estimada em 9.896 ºC.

Esse calor é irradiado para o planeta ao redor, com um nível de radiação estelar ultravioleta tão alto que atmosfera está sendo removida. Outros milhares de exoplanetas são conhecidos, mas nenhum havia até então chegado a registrar temperaturas superiores a 4.000º C.

O planeta mais quente encontrado até agora tinha temperatura de 3.026 ºC, e estava ao redor de uma estrela de 7.156 ºC. A pesquisa contou com autores da Austrália, Dinamarca, Alemanha, Itália, Japão, Portugal e Estados Unidos.

 

20:18 · 02.06.2017 / atualizado às 20:19 · 02.06.2017 por
Foto: Ouest France

O astronauta francês Thomas Pesquet e o russo Oleg Novitski retornaram sãos e salvos à Terra nesta sexta-feira (2), após passarem 200 dias na Estação Espacial Internacional (ISS).

Os dois homens, a bordo de um módulo da nave Soyuz, cuja descida foi freada por um grande paraquedas, aterrissaram às 14H10 GMT (11H10 de Brasília) no Cazaquistão, segundo imagens divulgadas ao vivo pela Agência Espacial Europeia (ESA). Horas antes, Pesquet e Novitski se despediram dos dois astronautas – uma americana e um russo – que ficaram na ISS, a 400 km da Terra, e foram para a nave Soyuz MS-03, a mesma que os levou ao espaço na noite de 17 de novembro.

“Vou sentir falta” da ISS, tuitou Pesquet, que falou desta experiência como “a aventura mais intensa” de sua vida. O desacoplamento da Soyuz da ISS aconteceu às 10H50 GMT (07H50 de Brasília). “O desacoplamento aconteceu no horário previsto”, indicou à AFP o Centro de Controle de voos espaciais. Segundo imagens ao vivo da ESA, a nave se afastou então da ISS em direção à Terra.

A partir desse momento, os dois astronautas precisaram somente de três horas e vinte minutos para “descer” à Terra. Duas horas e meia depois do desacoplamento da ISS, os motores principais foram ativados por pouco menos de cinco minutos para a manobra de “desorbitação”, segundo a ESA. Isso permitiu que a Soyuz iniciasse a sua descida.

Depois disso, a nave se dividiu em três partes. O módulo orbital e o módulo de serviço se afastaram e se desintegraram na atmosfera.

O módulo com os dois astronautas enfrentou temperaturas de até 1.600ºC devido ao atrito da atmosfera com o escudo térmico.

“Estamos orgulhosos de você”

Depois de seis meses e meio sem gravidade, os astronautas sentiram o seu peso quadruplicar durante a desaceleração.

A 10 quilômetros de altura, os paraquedas abriram para frear ainda mais o Soyuz. E a menos de um metro da superfície da Terra, acenderam os retrofoguetes para reduzir ainda mais a velocidade do módulo.

Uma vez que o módulo tocou a terra, exatamente na hora prevista, as equipes de recuperação e socorro foram imediatamente ao local da aterrissagem. O presidente francês, Emmanuel Macron, compareceu ao centro nacional de estudos espaciais para assistir o retorno à Terra do astronauta francês e conversou por telefone com ele, em uma ligação transmitida pelas televisões francesas. “Quero dizer que estamos todos orgulhosos de você”, disse Macron a Pesquet.

As naves Soyuz são o único meio para transportar tripulações à ISS. Foi a primeira viagem ao espaço de Pesquet, de 39 anos, engenheiro aeronáutico e piloto de aviões. Ele realizou um total de 60 experimentos científicos na ISS e duas saídas ao exterior da estação para operações de manutenção.

Oleg Novitski, de 45 anos, é um ex-piloto militar russo. Já havia passado cinco meses na ISS, em 2012 e 2013. Desta vez, realizou cerca de 50 experimentos científicos para a agência espacial russa Roskosmos.

Com informações: AFP

17:51 · 31.05.2017 / atualizado às 17:56 · 31.05.2017 por
A esclerose múltipla, cujo dia mundial é comemorado nesta quarta-feira (31), afeta mais de dois milhões de pessoas no mundo Foto: ChitchatMS

E se ajudássemos os neurônios a “reparar” os danos causados pela esclerose múltipla? Esta é a pista que está sendo explorada por cientistas franceses para conter o avanço dessa doença autoimune e degenerativa, para a qual ainda não há cura. “O desafio terapêutico na esclerose múltipla consiste em prevenir o avanço das deficiências, e uma das vias para conseguir isso é a reparação da mielina” (membrana que envolve as fibras nervosas responsáveis pela condução dos impulsos elétricos), que é destruída progressivamente pela doença, explica a professora de neurologia Catherine Lubetzki.

A esclerose múltipla, cujo dia mundial é comemorado nesta quarta-feira (31), afeta mais de dois milhões de pessoas no mundo. No Instituto do Cérebro e da Medula espinhal (ICM) de Paris, onde Lubetzki dirige uma equipe de pesquisa, vários estudos demonstraram a importância deste processo de “remielinização”, ou regeneração da mielina, para o estado de saúde dos doentes.

Na sua forma mais frequente, a esclerose múltipla se caracteriza por surtos inflamatórios do sistema nervoso central (cérebro e medula espinhal), seguidos de fases de remissão nas quais a mielina se reconstrói parcialmente. Mas as novas técnicas de imagem desenvolvidas no instituto, mais precisas do que a ressonância magnética, demonstraram que este “potencial” de reparação é “muito diferente em função dos pacientes”, explica Benedetta Bodini, neurologista do ICM.

“Melhorar o prognóstico”

“Em uma ressonância magnética convencional se vê as lesões cerebrais, mas não podemos ver o que acontece dentro das lesões”, afirma. Injetando um marcador específico, que se fixa na mielina, antes de realizar uma tomografia por emissão de positrões (PET scan, procedimento que usa um agente de contraste radioativo), “pode-se medir até que grau a mielina se encontra afetada”, detalha Bodini.

Comparando as imagens cerebrais de vários pacientes, tomadas com três meses de intervalo, a equipe de pesquisadores percebeu que os que tinham uma boa capacidade de regeneração da mielina evoluíam melhor que os demais e sofriam com menos deficiências, acrescenta. “Isto quer dizer que no dia em que tivermos medicamentos remielinizantes à nossa disposição, poderemos melhorar o prognóstico dos pacientes”, aponta Bodini. Buscando alcançar este objetivo, outra equipe do ICM identificou uma molécula que é segregada em maiores quantidades em pacientes com baixa capacidade de remielinização. Esta molécula, batizada de CCL19, foi patentada em 2017. “É um alvo terapêutico interessante: se esta molécula for inibida, será possível aumentar a reparação”, explicou à AFP Violetta Zujovic, outra pesquisadora do ICM.

Testes ‘in vivo’

Sua equipe testa, além disso, “distintos anticorpos” para determinar qual é capaz de impedir a ação da molécula CCL19 sem provocar demasiados efeitos colaterais.

Os testes por enquanto são ‘in vivo’, em culturas de células de pacientes; depois serão feitos em animais e, por último, em humanos, um protocolo que dura “em média dez anos”, aponta a pesquisadora.

Na esclerose múltipla, o sistema imunológico do doente se altera e ataca seu próprio sistema nervoso, causando sintomas como fraqueza muscular, problemas de equilíbrio, de visão, de fala ou até mesmo paralisia, que podem regredir.

No longo prazo, porém, isto pode progredir até uma deficiência irreversível. Os tratamentos descobertos nos últimos 20 anos reduzem a frequência dos surtos e melhoram a qualidade de vida dos pacientes, mas não conseguem frear o avanço da doença.

Alguns medicamentos recentes, eficazes em pacientes que não reagiram aos tratamentos tradicionais, no entanto, apresentam riscos de efeitos colaterais graves.

Com informações: AFP

16:23 · 29.05.2017 / atualizado às 16:23 · 29.05.2017 por
Conhecidos como hidratos de metano, formam-se a temperaturas muito baixas, em condições de pressão elevada. São encontrados em sedimentos do fundo do mar e ou abaixo do permafrost, a camada de solo congelada dos polos Foto: The Japan Times

A China anunciou ter extraído do fundo do Mar da China Meridional uma quantidade considerável de hidrato de metano, também conhecido como gelo combustível, que é tido por muitos como o futuro do abastecimento de energia.

Num comunicado emitido na semana passada, autoridades do país asiático comemoraram o feito. Isso porque a tarefa é considerada altamente complexa, e já tinha sido alvo de tentativas pelo Japão e pelos Estados Unidos, sem muito sucesso.

Mas o que é exatamente esse composto e por que ele é considerado chave como uma promissora fonte de energia no mundo?

Reservas imensas

O gelo combustível ou gelo inflamável é uma mistura gelada de água e gás.

“Parecem cristais de gelo, mas quando se olha mais de perto, a nível molecular, veem-se as moléculas de metano dentro das moléculas de água”, explica à BBC Praven Linga, professor do Departamento de Engenharia Química e Biomolecular da Universidade Nacional de Cingapura.

Conhecidos como hidratos de metano, formam-se a temperaturas muito baixas, em condições de pressão elevada. São encontrados em sedimentos do fundo do mar e ou abaixo do permafrost, a camada de solo congelada dos polos. O gás encapsulado dentro do gelo torna os hidratos inflamáveis, mesmo a baixíssimas temperaturas. Essa combinação rendeu-lhe o apelido de “gelo de fogo”. Quando se reduz a pressão ou se eleva a temperatura, os hidratos se decompõem em água e metano. Um metro cúbico dessa substância libera cerca de 160 metros cúbicos de gás – ou seja, trata-se de um combustível de grande potencial energético.

O problema, no entanto, é que extrair esse gás é um processo que, por si só, consome muita energia.

Países pioneiros

Os hidratos de metano foram descobertos no norte da Rússia nos anos 1960, mas foi há apenas dez ou 15 anos que começou a pesquisa sobre como extrai-lo dos sedimentos marinhos.

O Japão foi pioneiro na exploração devido à sua carência de fontes de energia natural. Outros países líderes na prospecção de gelo combustível são Índia e Coreia do Sul, que tampouco têm reservas próprias de petróleo.

Americanos e canadenses também são bastante atuantes neste sentido – o foco de suas explorações tem sido nos hidratos de metano abaixo do permafrost do norte do Alasca e Canadá.

Por que importa?

Pesquisadores acreditam que os hidratos de metano têm o potencial de se tornar uma fonte de energia revolucionária que poderia ser fundamental para suprir necessidades energéticas no futuro.

Existem grandes depósitos abaixo dos oceanos do globo, sobretudo nas extremidades dos continentes. Atualmente, vários países estão buscando maneiras de extraí-lo de forma segura e rentável.

A China descreveu a extração feita na semana passada como “um feito importante”. Praven Linga compartilha dessa visão: “Em comparação com os resultados que temos visto na pesquisa japonesa, os cientistas chineses conseguiram extrair uma quantidade muito maior de gás”.

“É certamente um passo importante em tornar viável a extração de gás dos hidratos de metano”, acrescentou. Estima-se que sejam encontradas dez vezes mais gás nos hidratos de metano do que no xisto, do qual pode ser extraído gás natural e óleo e também tem servido como alternativa energética.

“E essa é uma estimativa conservadora”, ressalva Linga.
A China descobriu o gelo combustível no Mar da China Meridional em 2007 – uma área cuja soberania tem sido disputada entre o país, o Vietnã e as Filipinas.

Pequim reclama domínio sobre a área, alegando ter o direito de exploração de todas as potenciais reservas naturais escondidas abaixo da superfície.

Futuro

Embora o êxito da China seja um avanço importante, esse é apenas um passo de um longo caminho.

“É a primeira vez que os índices de produção são realmente promissores”, disse Linga. “Mas acreditamos que só em 2025, na melhor das hipóteses, poderemos considerar realistas as opções comerciais”, acrescenta.

Segundo a imprensa chinesa, eles conseguiram extrair, da região de Shenhu, uma média de 16 mil metros cúbicos de gás de elevada pureza por dia. Linga ainda ressalta que as empresas que potencialmente operem na exploração do material devem seguir condutas bastante rígidas de controle para se evitar danos ambientais.

O perigo é que o metano escape, e isso teria consequências graves para o aquecimento global, já que se trata de um gás com um potencial de impacto sobre as mudanças climáticas muito maior do que o dióxido de carbono.

Com informações: AFP

16:28 · 11.05.2017 / atualizado às 16:28 · 11.05.2017 por
A maior parte dos novos biomas “escondidos” são encontráveis na África e Oceania. Naqueles continentes, os números são muitas vezes dobrados em relação ao que se conhecia de área florestal Foto: MNN

Uma extensa equipe internacional de 31 pesquisadores em 13 países analisou dados de satélites e concluiu que a Terra tem 9% mais florestas do que se estimava. Estes 4.270.000 km² de floresta até agora “escondidos” têm metade da área territorial do Brasil e equivalem à toda a floresta amazônica.

É uma boa notícia para a ciência melhorar a compreensão da dinâmica e potencial dos sorvedouros de carbono terrestres como as florestas, apesar de o problema ambiental básico continuar o mesmo.

O planeta continua passando por uma mudança climática global, que é acelerada pela emissão de carbono por atividades industriais e agrícolas humanas.

O novo estudo procurou descobrir se as zonas áridas também abrigariam trechos de florestas. Essas regiões mais secas se caracterizam por apresentar uma precipitação (chuva) que é contrabalanceada pela evaporação de água das superfícies e pela transpiração das plantas.

“Os biomas das zonas secas cobrem cerca de 41,5% da superfície terrestre. Elas contêm alguns dos ecossistemas mais ameaçados, embora desconsiderados, incluindo sete dos 25 hotspots de biodiversidade, enquanto enfrentam a pressão das mudanças climáticas e da atividade humana”, escreveram os autores do estudo na revista científica americana “Science”.

Entre os “hotspots”, “pontos quentes” de diversidade animal e vegetal, está o semiárido brasileiro, caracterizado por regiões como o cerrado e a caatinga.

O mapeamento da cobertura vegetal em áreas semiáridas no Brasil ficou a cargo de pessoal do Insa (Instituto Nacional do Semiárido) em parceria com a FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura).

A participação brasileira integrou o projeto Global Forest Survey (Pesquisa Florestal Global) da organização e foi coordenada no país pelo analista da FAO, o brasileiro Marcelo Rezende, um dos coautores do estudo na “Science”.

Ignacio Salcedo, do Insa, também está entre os autores, mas ele morreu no mês passado, antes da publicação do estudo. O projeto procura mapear as dinâmicas de florestas para entender mudanças no uso da terra.

“Para coletarmos dados sobre biomas tão diferentes nas terras áridas, trabalhamos com diversos institutos ao redor do mundo. O melhor formato para essa colaboração é a transferência de conhecimento técnico entre a FAO e o parceiro. Collect Earth, a ferramenta gratuita desenvolvida pela FAO e utilizada na coleta de dados foi apresentada para o Insa em um workshop em 2015”, declarou Rezende à reportagem.

Mais de vinte participantes foram selecionados pelo Insa e treinados no uso dessa nova ferramenta, na metodologia de avaliação e ao mesmo tempo auxiliaram no estudo das terras áridas. “Os participantes eram, em sua maioria, estudantes de graduação e pós-graduação da região, que conheciam bem as formações vegetais do cerrado e da caatinga. Alguns professores também participaram do treinamento”, afirma o consultor da FAO.

Segundo Rezende, “as informações geradas vão contribuir para a elaboração de medidas de conservação e proteção mais assertivas, levando em consideração a real extensão e condições das formações vegetais do cerrado e da caatinga”. As estimativas prévias de área florestal em regiões de semiárido variavam muito em função de diferentes graus de precisão das imagens de satélite – diferenças na sua “resolução espacial”-, enfoques de cartografia e mesmo a definição daquilo que constitui uma floresta.

“Dados anteriores a nível global eram baseados em imagens de satélites de média e baixa resolução, que nem sempre captavam as características da vegetação esparsa das formações vegetais do semiárido. Collect Earth faz uma ponte entre várias plataformas disponíveis gratuitamente pela Google e coloca a disposição do usuário imagens de altíssima resolução e acesso a um catálogo de imagens históricas para uma precisa avaliação da área”, afirma o pesquisador brasileiro.

Um hectare (ha) é uma unidade de medida de área que equivalente a 10.000 m² -um terreno na forma de um quadrado de cem metros de cada lado. Um campo de futebol típico tem em torno de 7.000 ou 8.000 m² -ou exatos 7.140 m², no caso dos campos padronizados para o Campeonato Brasileiro.

Para entender a extensão das florestas, a unidade usada é o Mha -isto é, um milhão de hectares.

“Nossa estimativa é 40 a 47% maior do que as estimativas anteriores da extensão da floresta em terras secas. Isto potencialmente aumenta em 9% a área global com mais de 10% cobertura de copas de árvore [5.055 Mha em vez de 4.628 Mha] e por 11% a área global de floresta [4.357 Mha em vez de 3.890 Mha]”, escreveu a equipe coordenada por Jean-Francois Bastin, da Universidade Livre de Bruxelas, Bélgica, e também da FAO.

A diferença destes 9% a mais -427 milhões de hectares ou 427.000.000.000.000 m² (427 trilhões de m²)- equivale a mais de 59,8 bilhões de campos de futebol.

Cada um dos 7,2 bilhões de habitantes da Terra teria direito a uma área de floresta “escondida” do tamanho de 8,3 campos de futebol.

“Você precisa entender que comparamos nossos resultados com diferentes mapas e relatórios existentes. Portanto, tivemos que adotar, para cada comparação, a mesma definição de ‘floresta’ do que esses relatórios”, afirmou Bastin.

“Alguns mapas estão usando apenas o limite de cobertura de árvores para definir a cobertura florestal. Este é o caso, por exemplo, dos dados de Matt Hansen. Usando o limite de 10%, ele estima uma área total de 4.628 Mha onde temos 5.055Mha. Isto corresponde a um aumento de 9%”, disse Bastin à reportagem.

“Alguns mapas estão usando o limiar de 10%, mas também estão certificando-se de que essas árvores não são parte de qualquer área de cultivo ou povoação. Este é o caso, por exemplo, dos dados do estudo Global FRA Remote Sensing. Eles relatam 3.890 Mha onde relatamos 4.357 Mha. Isso corresponde a um aumento de 11%”, continua o pesquisador da Bélgica.

Algumas regiões tiveram florestas “escondidas” de tamanho inesperado. “Você vai ver que a maior parte das diferenças são encontráveis na África e Oceania; os números são muitas vezes dobrados”, diz Bastin.

“Essas diferenças são como a área total de floresta úmida tropical na Amazônia”, conclui a equipe.

Segundo Bastin, as descobertas não mudam nada em relação ao acúmulo de dióxido de carbono na atmosfera.

“Mas muitos cientistas que trabalham no orçamento de carbono destacam que faltam alguns sumidouros de carbono que ainda precisam ser identificados e quantificados para equilibrar o ciclo do carbono. Nossos resultados estão, portanto, trazendo novos elementos aqui”, diz o pesquisador.

“Além disso, nossos resultados mostram que as terras secas são muito mais adequadas para a floresta do que aquilo que pensávamos anteriormente. Portanto, e como não há competição por outras atividades, como terras de cultivo intensivo, isso significa que essas áreas consistem em grandes oportunidades para a restauração florestal. Nossos dados ajudarão a avaliar áreas adequadas para a restauração florestal, para combater a desertificação e, portanto, para combater as mudanças climáticas”, afirma Bastin.

Com informações: Ricardo Bonalume Neto/Folhapress

12:26 · 08.04.2017 / atualizado às 12:26 · 08.04.2017 por
Concepção artística do exoplaneta GJ 1132b, que pode ter condições climáticas intermediárias entre às da Terra e às de Vênus Imagem: MIT

Astrônomos detectaram pela primeira vez atmosfera ao redor de um exoplaneta rochoso de um tamanho próximo ao da Terra, o que representa um passo significativo na busca de vida fora do nosso Sistema Solar, segundo um estudo publicado revista Astronomical Journal.

“Embora isto ainda não seja a detecção de vida em outro planeta, esta descoberta representa um passo importante na direção correta, já que é a primeira vez que se detecta uma atmosfera ao redor de um planeta com uma massa e um raio semelhantes aos da Terra”, disseram os cientistas.

Este exoplaneta, chamado GJ 1132b e situado a 39 anos-luz da Terra na constelação Vela, é aproximadamente 16% maior que a Terra, mas está em uma órbita próxima demais à sua estrela, uma anã-vermelha, para poder ser habitável.

Segundo os astrônomos, as temperaturas nessa superfície ultrapassam 250 graus centígrados. As observações sugerem que o GJ 1132b está coberto por uma atmosfera rica em água e metano, mas os pesquisadores terão que usar outros telescópios mais poderosos para identificar as substâncias químicas presentes.

“Com esta pesquisa, nós demos o primeiro passo experimental para estudar as atmosferas de planetas menores, como a Terra. Simulamos uma gama de atmosferas possíveis para este planeta, e descobrimos que aquelas ricas em água e/ou metano explicariam as observações do GJ 1132b”, apontam os pesquisadores. “O planeta é significativamente mais quente e um pouco maior do que a Terra, então uma possibilidade é que ele seja um ‘mundo de água’ com uma atmosfera de vapor quente”, acrescenta.

Este tipo de estrelas, as anãs-vermelhas, são as mais comuns, e o fato de detectar um planeta com uma atmosfera orbitando um sistema estelar deste tipo sugere que as pré-condições para a existência da vida são bastante comuns no universo, apontam. Esta detecção faz do planeta GJ 1132b um alvo prioritário de observações para o telescópio espacial Hubble, o telescópio gigante europeu de Observação Austral (ESO), que está no Chile, assim como para o futuro James Webb Space Telescope, cujo lançamento está previsto para 2018.

A equipe que fez esta descoberta – liderada por John Southworth, da Universidade de Keele, no Reino Unido -, utilizou o telescópio europeu ESO/MPG no Chile para registrar imagens da estrela GJ1132 e medir a redução de intensidade de luz com cada passagem do planeta. Estas medidas de absorção da luz da estrela permitiram determinar a existência de uma atmosfera.

O planeta GJ 1132b foi descoberto em 2015, mas na época os astrônomos não sabiam se ele tinha uma atmosfera.

Com informações: AFP

22:04 · 27.03.2017 / atualizado às 22:06 · 27.03.2017 por
De acordo com a pesquisa, os animais que se alimentam de frutas, como os chimpanzés e os humanos, por exemplo, têm cérebros cerca de 25% maiores do que aqueles que ingerem folhas Foto: Scientific American

Os humanos provavelmente desenvolveram cérebros grandes e poderosos com a ajuda das frutas, afirmaram pesquisadores nesta segunda-feira (27).

Comer frutas foi um passo-chave a partir dos alimentos mais básicos, como folhas, e forneceu a energia necessária para desenvolver cérebros mais volumosos, segundo os cientistas. “Foi assim que conseguimos esses cérebros enormes”, disse o autor correspondente do estudo Alex Decasien, pesquisador da Universidade de Nova York.

O estudo publicado na revista científica Nature Ecology & Evolution observou os alimentos básicos de mais de 140 espécies de primatas, e concluiu que suas dietas não mudaram muito ao longo da evolução recente.

Vantagem

De acordo com a pesquisa, os animais que se alimentam de frutas têm cérebros cerca de 25% maiores do que aqueles que ingerem principalmente folhas.

Os resultados questionam a teoria que prevaleceu desde meados dos anos 1990, segundo a qual os cérebros maiores se desenvolveram a partir da necessidade de sobreviver e se reproduzir em grupos sociais complexos.

Decasien disse que os desafios de viver em grupo podem ter contribuído para o desenvolvimento da inteligência, mas não encontrou nenhuma ligação entre a complexidade da vida social dos primatas e o tamanho dos seus cérebros.

Comer frutas, por outro lado, estava fortemente correlacionado com o tamanho dos cérebros. Alimentos como frutas contêm mais energia do que fontes básicas como folhas, criando assim o combustível adicional necessário para evoluir para um cérebro maior. Ao mesmo tempo, lembrar quais plantas produzem frutas, onde elas estão e como abri-las também poderia ajudar um primata a desenvolver um cérebro maior.

“Eu me sinto confiante de que o estudo deles vai reorientar e revigorar a pesquisa que procura explicar a complexidade cognitiva em primatas e outros mamíferos”, escreveu Chris Venditti, pesquisador da Universidade de Reading, no Reino Unido, em um comentário sobre o estudo, também publicado na Nature Ecology and Evolution”. “Mas muitas perguntas permanecem”, acrescentou.

20:09 · 24.03.2017 / atualizado às 20:27 · 24.03.2017 por
Ao contrário do que se pensava, o Tyrannosaurus rex (d) e o Triceratops (e) podem pertencer ao mesmo grupo. Já os grandes dinossauros herbívoros com pescoços semelhantes aos de uma  girafa pertenceriam a um grupo diferente Imagem: Scified

Parece não haver quase nada em comum entre dois ícones da série “Jurassic Park”, o Tyrannosaurus rex, monarca dos dinos carnívoros, e o chifrudo quadrúpede Triceratops, equivalente pré-histórico dos rinocerontes e búfalos de hoje.

Um novo estudo, porém, propõe uma ideia que quase poderia ser descrita como herética: ambos os monstros pertenceriam ao mesmo grande subgrupo de dinossauros. A proposta acaba de ser publicada na revista científica britânica “Nature”, uma das mais tradicionais do mundo, e tem provocado fortes emoções (nem todas muito positivas) entre os cientistas que estudam a evolução dos dinos.

Afinal de contas, como fazem questão de ressaltar os autores da hipótese -um trio da Universidade de Cambridge (Reino Unido) encabeçado por Matthew Baron-, ela derrubaria mais de cem anos de consenso científico a respeito do “álbum de família” desses bichos. Segundo esse consenso, que até hoje parecia sólido feito rocha, os dinossauros se dividem em dois grandes grupos.

O primeiro seria o dos saurísquios, englobando o T. rex e os demais bípedes carnívoros, de um lado, conhecidos coletivamente como terópodes (as aves modernas estão nesse balaio); e, de outro, os grandes herbívoros pescoçudos, como os célebres brontossauros, que recebem o nome de sauropodomorfos.

O segundo grande subgrupo corresponderia aos ornitísquios -criaturas como o Triceratops e o bípede herbívoro Iguanodon. Mudar isso “é uma proposta completamente heterodoxa e radical”, resume o paleontólogo Max Cardoso Langer, da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto.

“Todo manual de paleontologia e todo livro sobre dinossauros feito para crianças que você pegar vão começar falando da divisão tradicional em dois grupos, e todas as análises feitas até hoje, por diferentes autores e com diferentes abordagens, deram o mesmo resultado.” Baron e seus colegas David Norman e Paul Barrett, porém, argumentam que muitos desses estudos não analisaram com o devido cuidado as formas mais primitivas dos grandes grupos de dinossauros, em especial os primeiros ornitísquios.

Rodem as máquinas

Para tentar sanar isso, os britânicos decidiram realizar uma grande análise filogenética -ou seja, sobre relações de parentesco evolutivo- envolvendo 74 tipos diferentes de dinossauros, com ênfase nos mais primitivos. Tais análises se baseiam em programas de computador que registram e comparam um grande conjunto de características dos fósseis -no caso do estudo, 457 detalhes do esqueleto. É por meio dessa coleção de semelhanças e diferenças que os cientistas tentam determinar como um grupo de animais vai se diversificando ao longo do tempo, como uma árvore com galhos que estão mais próximos ou mais distantes entre si.

A comparação computacional apontou um conjunto de 21 características que são compartilhadas apenas por terópodes (como o T. rex) e ornitísquios (como o Triceratops). Para os autores do novo estudo, isso seria suficiente para classificá-los como “grupos-irmãos”, que receberiam um novo nome conjunto, o de ornitoscélidos (termo que, na verdade, chegou a ser usado por naturalistas do século 19 até cair em desuso).

Os pescoçudos sauropodomorfos ficariam isolados num grupo à parte, que teria se separado antes do ancestral comum dos outros dois subgrupos. De quebra, a análise indicaria também que os primeiros dinos teriam sido, de fato, bípedes de pequeno porte com dieta onívora e patas da frente capazes de agarrar objetos; e, finalmente, que eles teriam surgido no hemisfério Norte e não na América do Sul, como muita gente defende hoje.

Com informações: Reinaldo José Lopes/Folhapress