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20:06 · 22.02.2017 / atualizado às 20:12 · 22.02.2017 por
Concepção artística de como seria um dos planetas que orbitam a estrela Trappist-1 Foto: The Guardian

Cientistas anunciaram nesta quarta-feira, 22, a descoberta de um sistema composto por sete planetas de tamanho comparável ao da Terra, na órbita de uma estrela “vizinha” do Sistema Solar. De acordo com um estudo publicado na revista Nature, que descreve a descoberta, os seis planetas mais próximos têm temperaturas entre 0ºC e 100ºC – uma característica considerada indispensável para a eventual existência de vida.

“É a primeira vez que tantos exoplanetas desse tamanho são encontrados em um sistema planetário. Eles estão em órbita muito estreita entre si e muito próximas à sua estrela, mas ela é tão pequena que é fria, o que faz com que os planetas sejam temperados”, disse o autor principal do estudo, o astrofísico belga Michaël Gillon, da Universidade de Liège, na Bélgica. Os cientistas consideram que um determinado planeta está na “zona habitável” quando ele fica a uma distância de sua estrela que permitiria, teoricamente, a existência de água líquida em sua superfície. Quanto mais a estrela é quente, mais distante fica a zona habitável.

Segundo o estudo, o novo sistema planetário fica a 39 anos-luz da Terra – uma distância pequena para os padrões astronômicos. Os novos exoplanetas – como são chamados os planetas existentes fora do Sistema Solar – têm massa semelhante à da Terra e provavelmente também sejam rochosos, segundo os autores.

A descoberta partiu de estudos liderados por Gillon, cuja equipe relatou, em maio do ano passado, a detecção de três exoplanetas que orbitavam uma estrela anã extremamente fria, chamada Trappist-1 – uma estrela é tão pequena que não chega a ser muito maior que Júpiter e seu brilho é cerca de mil vezes mais fraco que o do Sol.

A partir de então, os autores conduziram um projeto de monitoramento intenso da Trappist-1, que permitiu identificar mais quatro exoplanetas. Para a detecção e o estudo dos planetas do Sistema Trappist-1, foram usados o telescópio espacial Spitzer, da Nasa, e o Telescópio Liverpool, da Universidade John Moore de Liverpool, no Reino Unido.

Os cientistas concluíram que pelo menos três dos planetas podem ter oceanos de água em suas superfícies, o que aumentaria a possibilidade de que o novo sistema planetário possa abrigar vida. De acordo com Gillon, no entanto, será preciso fazer novos estudos para caracterizar cada um dos planetas.

Confira vídeo (em inglês) sobre a descoberta

“Conseguimos obter medidas e dados de seis dos sete planetas. Em relação ao planeta mais distante da estrela, porém, ainda desconhecemos seu período orbital e sua interação com os outros seis planetas”, disse Gillon.

De acordo com ele, os seis planetas mais próximos da estrelas têm períodos orbitais – isto é, o tempo que o planeta leva para dar uma volta completa em sua estrela -, que vão de 1,5 a 13 dias. O fato de um “ano” nesses planetas durar apenas alguns dias ocorre porque eles estão muito próximos de sua estrela, que é muito pequena.

O planeta mais próximo da estrela é o mais rápido de todos: quando ele completa oito órbitas, o segundo, o terceiro e o quarto planetas perfazem, respectivamente, cinco, três e duas voltas ao redor da estrela. Com essa configuração, segundo os astrônomos, cada um dos planetas tem influência gravitacional nos outros.

Abundância

Na mesma edição da Nature, o estudo foi comentado pelo astrônomo Ignas Snellen, do Observatório de Leiden, na Holanda. Segundo Snellen, a descoberta feita pela equipe de Gillon reforça a ideia de que os planetas de masssa semelhante à da Terra são abundantes na Via Láctea.

“Nos últimos anos, cresceram as evidêncais de que planetas do tamanho da Terra são abundantes na Galáxia. Mas a descoberta de Gillon e sua equipe indicam que esses planetas são ainda mais comuns do que se pensava”, escreveu Snellen. Ele acredita que a quantidade de exoplanetas rochosos possa ser até 100 vezes maior que a prevista. Segundo ele, isso acontece por causa do método usado para detectar exoplanetas, que se baseia na detecção de “trânsitos”.

Quando um planeta passa diante de uma estrela (o trânsito), ele bloqueia uma ínfima parte de sua luz, mas o suficiente para que os cientistas detectem sua existência e calculem sua massa. Quando a estrela é pequena, o trabalho se torna mais fácil, porque a fração de sua luz bloqueada pelo planeta é maior.

“Estimamos que para cada planeta observado em trânsito, devam existir de 20 a 100 planetas que, da perspectiva da Terra, nunca passam diante de sua estrela-mãe – e por isso não podem ser observados”, disse Snellen.

Com informações: Estadão Conteúdo

19:18 · 20.02.2017 / atualizado às 20:26 · 20.02.2017 por
Foto: Nasa

Cientistas da Nasa descobriram micro-organismos vivos presos dentro de cristais por até 60.000 anos em uma mina no México.

Esses micróbios antigos aparentemente evoluíram para poder sobreviver com uma dieta à base de sulfito, manganês e óxido de cobre, disse Penelope Boston, do Instituto de Astrobiologia da Nasa, neste fim de semana em uma conferência da Associação Americana para o Avanço da Ciência.

“Isso tem efeitos profundos sobre como tentamos entender a história evolutiva da vida microbiana neste planeta”, disse. Os micro-organismos foram descobertos na mina de Naica, no estado de Chihuahua, no norte do México. A mina é famosa por seus enormes cristais, alguns com até 15 metros.

A descoberta ainda não foi publicada em uma revista científica revisada por pares, mas levou os cientistas a acreditarem que organismos vivos também podem ter sobrevivido em ambientes extremos de outros planetas e luas do nosso sistema solar.

Segundo Boston, cerca de 100 tipos diferentes de microrganismos – a maioria deles bactérias – foram encontrados presos em cristais de Naica por períodos que variam de 10.000 a 60.000 anos, e 90% deles nunca tinham sido observados antes.

Preocupação

A descoberta destes micro-organismos ultra-resistentes foi uma surpresa para os pesquisadores, mas também uma fonte de preocupação para os astrobiólogos que pensam em recolher amostras em missões espaciais no sistema solar.

As condições extremas sob as quais esses micróbios sobreviveram levantam a possibilidade de que naves espaciais de exploração tragam acidentalmente para a Terra organismos extraterrestres perigosos. Os astrobiólogos também se preocupam com o risco de que organismos da Terra possam contaminar outros planetas no curso de missões de exploração, por exemplo em Marte, onde já existem vários robôs dos Estados Unidos.

A Nasa esteriliza suas espaçonaves e equipamentos antes de lançá-los no espaço. Sempre há, porém, o risco de que micro-organismos ultrarresistentes sobrevivam. “Como podemos garantir que as missões de detecção de vida vão detectar a verdadeira vida de Marte, ou a vida de mundos gelados, em vez da nossa vida?”, perguntou Boston. As preocupações não são novas. Durante as missões Apollo dos anos 60 e 70, os astronautas que retornaram da lua foram colocados em quarentena.

Os micro-organismos encontrados na mina de Naica não são os mais antigos já descobertos. Alguns anos atrás, cientistas encontraram micróbios vivos presos em gelo e sal havia 500.000 anos.

Com informações: AFP

19:25 · 16.02.2017 / atualizado às 19:27 · 16.02.2017 por
Temperaturas incomuns contribuíram para o derretimento de gelo no Ártico, onde a média na quantidade de gelo foi de 1,26 milhão de Km², 8,6% a menos que a média registrada entre 1981 e 2010 Foto: Blog Thinking About Change

Janeiro registrou um novo declínio recorde na quantidade de gelo nos polos da Terra, enquanto as temperaturas desse mês também foram consideradas as terceiras mais altas da era moderna, informou o governo norte-americano nesta quinta-feira (16). Analistas da Agência Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) determinaram que em janeiro a temperatura da Terra foi 0,88 grau superior ao esperado para a média do século XX, de acordo com o documento.

“É a maior temperatura registrada para um mês de janeiro” desde 1880, com exceção dos anos 2016 e 2007, quando ocorreram a mais alta e a segunda mais alta temperatura respectivamente. Essas temperaturas incomuns contribuíram para o derretimento de gelo no Ártico, onde a média na quantidade de gelo foi de 1,26 milhão de Km²: 8,6% a menos que a média registrada entre 1981 e 2010. “Trata-se da menor superfície existente nos polos em janeiro desde que começaram os registros em 1979: 258.998,81 km² a menos que o recorde anterior registrado em 2016”, ressaltou o informe.

Na Antártida, a extensão de gelo em janeiro foi de 1,1 milhões de km², 22,8% a menos que a média registrada entre 1981 e 2010. “Essa foi a menor extensão de gelo na Antártida em janeiro desde que a pesquisa começou em 1979, e aproximadamente 284.898 km² menor que o recorde de 2006”, acrescentou.

Apesar da redução do nível do gelo polar, houve uma ampla variedade pluviométrica no planeta em janeiro. A neve, por sua vez, tem sido mais intensa no hemisfério norte, com 2.305.089 Km² a mais que a média documentada entre os anos 1981–2010.

Com informações: AFP

19:21 · 13.02.2017 / atualizado às 19:27 · 13.02.2017 por
Crustáceos capturados nas Kermadec e nas Marianas, em profundezas de entre 7.227 e 10.250 metros tinham níveis de poluição similares ou superiores aos presentes em uma das zonas mais castigadas pela poluição industrial Foto: Newcastle University

Cientistas no Reino Unido detectaram “níveis extraordinários” de poluição provocados pela atividade humana em duas das fossas oceânicas mais profundas do planeta, de acordo com um estudo publicado nesta segunda-feira (13) pela revista “Nature”.

A pesquisa, desenvolvida pela Universidade de Aberdeen, na Escócia, sugere que os altíssimos registros de poluição encontrados em duas depressões marinhas, que estão localizadas a mais de 10 mil metros de profundidade e afastadas de áreas industriais, demonstram que a poluição antropogênica na superfície pode chegar até os cantos mais remotos do mundo.

“Os níveis de poluição eram consideravelmente mais altos que os medidos em regiões próximas a zonas fortemente industrializadas, o que coloca a existência de uma bioacumulação de poluição antropogênica e aponta que estes poluentes são onipresentes nos oceanos do mundo e em suas profundezas”, explica a equipe de pesquisa, liderado pelo especialista Alan Jamieson.

Para seu estudo, foram analisadas amostras de crustáceos recolhidas pelo submarino “Deep-sea Landers” na fossa das Marianas e das Kermadec, situadas no oceano Pacífico norte e sul, respectivamente, e separadas entre elas por cerca de 7 mil quilômetros de distância.

Os crustáceos capturados nas Kermadec e nas Marianas, em profundezas de entre 7.227 e 10 mil metros e 7.841 e 10.250 metros, respectivamente, tinham níveis de poluição similares ou superiores aos presentes na baía de Suruga, uma das zonas do noroeste do Pacífico mais castigadas por a poluição industrial.

Os pesquisadores encontraram “níveis extremamente altos” de poluentes orgânicos persistentes (POPs, pela sigla em inglês) nos tecidos gordurosos dos anfípodas. Entre os POPs figuram as bifenilas policloradas (PCBs) e difenil éteres prolibromados (PBDEs), utilizados habitualmente em fluidos dielétricos e em retardadores de chama, respectivamente.

Estas substâncias poluentes são altamente tóxicas e podem permanecem no meio ambiente durante longo tempo sem se descompor e ser levado a grandes distâncias através de água e do ar. Os autores deste estudo opinam que, provavelmente, os POPs chegaram até as fossas marinhas através de resíduos plásticos e da carniça que é depositada em suas profundezas, onde se transformam em alimento dos crustáceos anfípodas. Em artigo adjunto ao estudo da Universidade de Aberdeen, a especialista Katherine Dafforn aborda o impacto do ser humano sobre zonas do planeta distantes que, no entanto, não escapam da poluição.

“Jamieson e seus colegas apresentaram provas claras de que o oceano profundo, ao invés de ser remoto, está altamente conectado com a superfície marinha e está exposto a concentrações significativas de poluentes fabricados pelo homem”, destaca Dafforn, da Escola de Ciências Biológicas, Terrestres e Ambientais da Universidade de Nova Gales do Sul, em Sydney (Austrália).

Com informações: G1

16:51 · 10.02.2017 / atualizado às 16:51 · 10.02.2017 por
A Lua passará pela penumbra da Terra e não ficará totalmente obscura como em um eclipse total. Só uma parte do satélite natural ficará coberta Foto: Youtube

Dois fenômenos astronômicos notáveis poderão ser observados no Ceará e em todo o Brasil.

Na noite desta sexta-feira (10), um eclipse lunar penumbral será visível a olho nu, por pouco mais de 4 horas. O fenômeno começará às 19h34, no horário em Fortaleza e terá seu auge por volta da 21h44.

A Lua passará pela penumbra da Terra e não ficará totalmente obscura como em um eclipse total. Só uma parte do satélite natural ficará coberta e para um observador menos atento não é tão fácil distinguir a diferença no brilho refletido pelo astro.A sombra projetada pela Terra, responsável pelos eclipses, tem duas partes denominadas, respectivamente, umbra e penumbra. A umbra é uma região em que não há iluminação direta do Sol e a penumbra é uma região em que apenas parte da iluminação é bloqueada, como ocorrerá nesta noite. Com exceção da Oceania, países de todos os continentes poderão observar o eclipse penumbral.

No Hemisfério Norte, o fenômeno astronômico coincide com um cultural, a chamada ‘Lua de Neve’, como é conhecida a primeira fase cheia do astro no mês de fevereiro e está relacionado a esse ser um dos períodos em que comumente há maior ocorrência de tempestades de neve naquela metade do nosso planeta. Nesta semana, nevascas cancelaram quase 3 mil voos nos Estados Unidos, por exemplo.

O outro fenômeno previsto para ocorrer neste fim de semana é a passagem do cometa 45P/Honda-Mrkos-Pajdusakova, no sábado (11). O corpo celeste composto por rocha, gelo e gás, chegará em seu ponto mais próximo, a cerca de 12,4 milhões de quilômetros da Terra, distância mais de 32 vezes superior a que nos separa da Lua.

Os astrônomos recomendam o uso de binóculos e telescópios simples para observá-lo. O astro aparecerá próximo à constelação de Hércules, movendo-se a 22,8 km/s, o que equivale a 82.270 km/h.

O cometa, que mede cerca de 1,6 km de diâmetro tem seu maior ponto de aproximação com a Terra a cada cinco anos. Ele foi batizado em homenagem aos três astrônomos que o descobriram em 1948, um japonês, um tcheco e um eslovaco.