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16:31 · 14.08.2017 / atualizado às 16:31 · 14.08.2017 por
O coordenador nacional da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica, o físico João Batista Garcia Canalle, supervisiona os estudos da equipe brasileira que vai tentar superar o desempenho da edição anterior da competição, quando ficou com três bronzes. Foto: Agência Brasil

Três estudantes cearenses, um paraense e um paulista vão representar o Brasil na 11ª Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica (IOAA, na sigla em inglês), que acontecerá em Phuket, na Tailândia, em dezembro.

Nathan Luiz Bezerra Martins, Pedro Pompeu de Sousa Brasil Carneiro e Vinicius Azevedo dos Santos representarão o Estado, enquanto Bruno Gorresen Mello competirá pelo Pará e João Vitor Guerreiro Dias representará São Paulo. Na edição anterior, realizada na Índia, o Brasil obteve três medalhas de bronze, sendo uma delas inédita na competição em equipe, além de três menções honrosas.

Outros cinco estudantes: Bruno Caixeta Piazza, Danilo Bissoli Apendino, Fernando Ribeiro de Senna, Henrique Barbosa de Oliveira e Miriam Harumi Koga (todos de São Paulo) integram a seleção brasileira que disputará a 9ª Olimpíada Latino-Americana de Astronomia e Astronáutica (OLAA), no Chile, em outubro. No ano passado, o evento ocorreu na Argentina e os brasileiros conquistaram o 1º lugar no quadro geral de medalhas, com duas de ouro, duas de prata e uma de bronze.

Os alunos foram selecionados depois de mais de um ano de provas e preparação. A primeira etapa, ‘online’, aconteceu após a 19ª Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA), no ano passado, e envolveu mais de 3 mil estudantes do ensino médio de escolas públicas e privadas de todo o Brasil, dos quais 100 se classificaram para uma etapa presencial em março deste ano, em Barra do Piraí (RJ). Desses, foram escolhidos 30, que passaram por provas e assistiram palestras no município de Vinhedo (SP).

Agora, os jovens selecionados se acham em processo final de treinamento, disse o coordenador nacional da OBA, o físico João Batista Garcia Canalle, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Até viajarem, as equipes terão mais um encontro presencial em Vinhedo, onde está localizado o Observatório Abrahão de Moraes, da Universidade de São Paulo (USP), e também estudarão à distância.

“No observatório, eles fazem toda uma revisão de manuseio de telescópio e de observação do céu do evento, através do planetário que simula o céu do dia, hora e local da olimpíada. No caso da Olimpíada Latino-Americana, os alunos também constroem e lançam foguetes, porque tem uma prova desse tipo. Tem provas de análise de dados, a gente vai fazer também com eles”, disse Canalle.

Expectativa

O coordenador da OBA acredita que este ano, o Brasil “vai surpreender nos resultados das duas olimpíadas internacionais, porque modificamos o sistema de seleção”. Até o ano passado, os dez estudantes que representavam o Brasil na IOAA e na OLAA eram selecionados em março e dali até a viagem, não tinham um outro grande compromisso com a organização da OBA “exceto continuar estudando” por conta própria, salientou Canalle.

Este ano, 100 estudantes fizeram uma prova em março, dos quais foram tirados 30. “E, semanalmente, eles tinham que fazer uma lista de exercícios, que não existia até então. Aplicamos várias provas, calculamos uma média. Publicamos essas notas e, em seguida, continuamos dando mais listas de exercícios para eles, que tinham que nos mandar até a meia-noite de domingo”. Foram quase 20 listas de testes sucessivos nos dois primeiros treinamentos. Na semana retrasada, foram selecionados os dez estudantes que representarão o Brasil nos certames internacionais.

Com informações: Agência Brasil

17:02 · 11.08.2017 / atualizado às 17:02 · 11.08.2017 por
Fenômeno, previsto para acontecer entre 3h e 6h da madrugada, será melhor visto nas regiões mais ao norte do planeta. No caso do Brasil, as regiões Norte e Nordeste, incluindo o território cearense, terão visibilidade maior Foto: Daily Mirror

Uma chuva de meteoros (as populares estrelas cadentes), poderá ser vista na madrugada deste sábado (12). O fenômeno previsto é o da entrada dos meteoros ‘Perseidas’ no planeta e terá maior evidência nas localidades mais ao norte do globo.

No Brasil, quem estiver acordado nas regiões Norte e Nordeste, como o Ceará verá mais nitidamente a chuva. A visibilidade, mesmo assim, dependerá das condições climáticas de cada região e é melhor onde a iluminação artificial é menor. O fenômeno deve acontecer entre 3 e 6 horas desta madrugada.

A chuva Perseidas acontece por conta da passagem da Terra pela trajetória do cometa Swift-Tuttle. “Um cometa deixa pedacinhos, deixa meteoros por onde passa. Quando o planeta atravessa esse caminho, alguns meteoros entram na terra. O raio de luz, a estrela cadente, é sinônimo do meteoro se queimando devido a seu atrito com a atmosfera”, explica Roberto Costa, professor de Astronomia da Universidade de São Paulo (USP). Nesta madrugada, espera-se uma grande quantidade de meteoros. “Uma média de um por minuto”, afirma Costa. Essa é a grande diferença em relação a outras épocas. “Todos os dias caem meteoros sobre a Terra, mas em intervalos muito longos, e quase imperceptíveis. Hoje haverá uma chuva de meteoros”, diz o professor.

Origem do nome

O nome Perseidas está relacionado ao ponto de origem dos meteoros, que neste caso vêm do norte, da Constelação de Perseus. É exatamente por isso que a visualização da chuva é maior nas regiões mais ao norte do globo.

Em outras épocas, os meteoros Orionídeas podem ser vistos na altura das estrelas Três Marias. Já os Leonídeas, quando caem sobre a Terra, são mais evidentes na direção nordeste do céu. A chuva de meteoros não representa risco ao planeta porque eles são pequenos. Seria um problema apenas se esses meteoros não se dividissem e, com grande diâmetro, caíssem sobre a Terra. “Mas esse risco é praticamente irrelevante”, diz Costa.

Com informações: Estadão Conteúdo

16:28 · 10.08.2017 / atualizado às 16:28 · 10.08.2017 por
Réplica do Patagotitan mayorum, que pode ter pesado até 70 toneladas, e vivido na Argentina há 100 milhões de anos Foto: France24h

Uma nova espécie de titanossauro descoberta na Patagônia argentina há três anos e talvez o maior dinossauro a caminhar sobre a Terra foi batizada formalmente nesta quarta-feira em Nova York, de Patagotitan mayorum.

O nome pode ser traduzido como “Gigante da Patagônia”, disse o paleontólogo Diego Pol em uma cerimônia no Museu de História Natural americano, onde desde 2016 se exibe uma réplica em tamanho real da criatura colossal, tão enorme que sua cabeça e pescoço se estendem até um saguão.

O nome “mayorum” foi escolhido em reconhecimento à família Mayo, em cujo rancho na Argentina foram encontrados, em 2014, os restos do gigante herbívoro que viveu há 100 milhões de anos.

Estima-se que o jovem adulto chegou a pesar até 70 toneladas, o mesmo que 10 elefantes africanos.

Sua idade sugere que animais ainda maiores podem ter vivido na Patagônia nessa época, disse Pol, do Museu Paleontológico Egidio Feruglio de Trelew, na província argentina de Chubut (sul), que ajudou a dirigir a escavação.

Quando a réplica foi revelada em Nova York, em janeiro de 2016, especialistas disseram que a espécie era uma descoberta recente demais para ter um nome. Após 20 meses de intensa pesquisa e de comparar os ossos com outras descobertas em outros lugares do mundo, os pesquisadores concluíram que efetivamente o dinossauro pertencia a uma nova espécie que merecia um nome próprio.

“Acreditamos que este dinossauro era ligeiramente maior que os outros conhecidos até então”, disse Pol, embora tenha admitido que só há restos fragmentados de algumas espécies e que isso dificulta as estimativas. “Dar um nome científico é o símbolo de conduzir e finalizar um estudo científico no qual aprendemos algo de uma nova espécie”, acrescentou por Skype, na Patagônia.

“As novas espécies são importantes porque nos mostram como eram os animais no passado”, explicou. “Podem oferecer informação para responder perguntas sobre o passado do nosso planeta”. O pesquisador assegurou que “a pergunta de um milhão” é “o que aconteceu há 100 milhões de anos na Patagônia” que permitiu a estes animais “ser aspirantes ao campeonato de pesos pesados dos dinossauros”. No total, 223 ossos fósseis de seis criaturas foram descobertos no local perto do sítio La Flecha, 216 km ao oeste de Trelew. Todos eram adultos jovens. A espécie vivia nas florestas do que hoje é a Patagônia, durante o período Cretáceo Tardio.

Como os fósseis são muito pesados para montá-los, a réplica colossal de 37,2 metros é feita de impressões dos ossos em 3D em fibra de vidro.

Com informações: AFP

17:39 · 08.08.2017 / atualizado às 17:39 · 08.08.2017 por
De acordo com o novo estudo, o cérebro consegue reter memórias novas durante as fases de sono REM e de sono não-REM leve Foto: Getty Images

Um estudo realizado por neurocientistas franceses demonstra que uma pessoa pode aprender mesmo enquanto dorme, mas isso é possível apenas em determinadas fases do sono. Liderada por Thomas Andrillon, da École Normale Supérieure, em Paris (França) a pesquisa teve seus resultados publicados nesta terça-feira (8) na revista “Nature Communications”.

Pesquisas anteriores tinham resultados contraditórios. Enquanto algumas indicavam que é possível aprender durante o sono, outras sugeriam que o cérebro não forma novas memórias enquanto a pessoa dorme. De acordo com os autores, os resultados do novo estudo explicam a contradição: o aprendizado acontece, mas apenas em determinados estágios do sono.

Segundo os pesquisadores, o sono se divide em diversos estágios. O sono REM (movimento ocular rápido, na sigla em inglês), é um sono profundo que ocorre com mais frequência na segunda metade da noite de sono e se caracteriza por uma atividade cerebral rápida, pela ocorrência de sonhos e um por relaxamento total do corpo. Nos outros estágios, conhecidos como sono não-REM, a profundidade do sono varia, a atividade cerebral é lenta e há uma restauração da mente e do corpo.

Retenção de memórias

De acordo com o novo estudo, o cérebro consegue reter memórias novas durante as fases de sono REM e de sono não-REM leve. Mas, no estado de sono não-REM profundo, a capacidade de aprender informação nova e de reter as memórias é suprimida.

Andrillon explicou que as discrepâncias nos estudos anteriores têm relação com o fato de que diferentes estágios do sono são caracterizados por diferentes tipos de atividade cerebral. Isso explicaria por que em outros experimentos as pessoas às vezes conseguiam aprender durante o sono e, às vezes, não.

Para testar essa hipótese, os cientistas mediram a atividade cerebral de voluntários durante o sono. Enquanto os participantes dormiam, ouviam diferentes sequências de sons. Assim que acordavam, eles passavam por um teste para avaliar sua capacidade para reconhecer os sons que haviam ouvido durante o sono.

Ouvir as sequências durante o sono REM melhorava a performance dos voluntários na tarefa, enquanto ouvi-las durante o sono não-REM reduzia o desempenho. Analisando as respostas dos indivíduos aos sons tocados durante o sono, os autores confirmaram o efeito de aprendizado no sono REM.

No sono não-REM, eles observaram uma clara distinção entre os estágios mais leves – durante os quais ainda era possível aprender – e os estágios mais profundos, durante os quais o aprendizado foi suprimido.

Segundo Andrillon, os resultados não apenas mostram que é possível aprender durante o sono, mas ajudam a compreender os processos de memorização em geral.

Com informações: Estadão Conteúdo

16:12 · 03.08.2017 / atualizado às 16:12 · 03.08.2017 por
Bactéria causou a morte de 56% de chimpanzés cujos corpos foram estudados por pesquisadores, no período entre 1989 e 2014 Foto: Getty Images

O antraz, uma doença bacteriana grave geralmente associada a climas áridos, vem dizimando silenciosamente chimpanzés em uma floresta tropical da África Ocidental, e pode eliminá-los completamente, disseram pesquisadores.

Amostras tiradas de carcaças, ossos e moscas que se alimentam de carniça no Parque Nacional de Tai (TNP), na Costa do Marfim, entre 1989 a 2014, revelaram que o antraz causou 38% das mortes de animais – incluindo 31 dos 55 chimpanzés mortos analisados, ou seja, no caso da espécie a letalidade chega a 56%.

Outras baixas incluíram macacos, antílopes, mangustos e um porco-espinho. “Nossas simulações (…) sugerem que a mortalidade induzida pelo antraz resultará em declínios determinísticos de população e na possível extirpação de chimpanzés do TNP nos próximos 150 anos”, escreveu uma equipe na revista científica Nature.

Os chimpanzés são particularmente vulneráveis ​​devido à sua lenta taxa de reprodução, disseram os cientistas. Os pesquisadores não conseguiram determinar onde e como os animais estavam sendo infectados com um tipo de antraz identificado pela primeira vez no TNP em 2004. E eles advertiram que as infecções em macacos “são muitas vezes indicadoras de doenças que também podem afetar humanos”.

A bactéria, Bacillus cereus biovar anthracis, também causou mortes de chimpanzés, gorilas e elefantes em Camarões e na República Centro-Africana, disse a equipe. Nenhum caso de humanos afetados foi registrado. Anteriormente, se acreditava que os surtos de antraz eram mais comuns em ecossistemas áridos, como a savana africana, onde matam animais de caça, gado e às vezes humanos.

Os humanos geralmente contraem a doença de animais infectados ou através da exposição a produtos animais contaminados. A bactéria pode ser contraída pela pele, boca ou inalação. Em sua forma mais comum, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, provoca feridas negras na pele. A bactéria não é transmitida de pessoa para pessoa. Embora potencialmente mortal, reage bem ao tratamento com antibióticos.

Com informações: AFP

19:33 · 01.08.2017 / atualizado às 19:38 · 01.08.2017 por
Concepção artística e descrição (em inglês) de um provável ancestral das flores modernas Imagem: Nature Communications

A primeira flor a aparecer ao longo do caminho da evolução vegetal, durante a época dos dinossauros, era uma hermafrodita com órgãos em forma de pétala dispostos em círculos concêntricos, disseram pesquisadores nesta segunda-feira.

A flor tinha órgãos reprodutores masculinos e femininos no centro, cercados por múltiplas camadas de “espirais” ou partes semelhantes a pétalas chamadas tépalas, dispostas em conjuntos de três por camada, escreveram os cientistas na revista Nature Communications.

A reconstrução, baseada no maior conjunto de dados de características de flores já reunidos – de 792 espécies existentes – desafia os pressupostos científicos de que a flor ancestral teria seus órgãos sexuais e “pétalas” dispostas em uma espiral.

A maioria das flores hoje tem quatro “espirais” – as folhas exteriores ou sépalas, seguidas pelas pétalas, que encerram os órgãos masculinos chamados de estames, com os órgãos femininos ou carpelos no centro.

A flor ancestral provavelmente não tinha sépalas e pétalas separadas, em vez disso, uma mistura entre os dois – em torno dos órgãos sexuais no centro.

Flores modernas com tépalas em vez de pétalas incluem tulipas e lírios.

“Os resultados são realmente emocionantes”, disse Maria von Balthazar, especialista em morfologia floral da Universidade de Viena, que participou da pesquisa.

“Esta é a primeira vez que temos uma visão clara para a evolução precoce das flores em todas as angiospermas” – o termo científico para plantas floríferas. Os pesquisadores ainda não sabem a cor da flor, o seu cheiro, ou seu tamanho – que provavelmente era menor que um centímetro de diâmetro.

Evolução das plantas

Os especialistas acreditam que as plantas terrestres emergiram de plantas aquáticas ancestrais há cerca de 470 milhões de anos – mais de três bilhões de anos depois da primeira forma de vida ter surgido, quando a Terra tinha cerca de um bilhão de anos.

A primeira planta com sementes provavelmente surgiu cerca de 320 milhões de anos atrás, quando havia animais diversos na terra e no mar, mas ainda não havia dinossauros, mamíferos ou pássaros. Os fósseis mais antigos conhecidos de plantas com flores datam de cerca de 140 milhões de anos atrás – durante a era dos dinossauros, que foram extintos há cerca de 66 milhões de anos.

Desde então, a primeira flor evoluiu para ao menos 300.000 espécies, afirmou a equipe de pesquisa. As plantas com flores representam cerca de 90% de todas as plantas na Terra. Em 1879, o cientista Charles Darwin descreveu o rápido aumento e diversificação das flores durante a era geológica do Cretáceo como um “abominável mistério”.

A equipe combinou dados de DNA e uma vasta literatura sobre características de plantas para compilar uma árvore evolutiva detalhada que voltava até o último antepassado comum.

“A flor cresceu em apenas um tipo de planta, a espécie ancestral de todas as plantas floríferas vivas”, disse à AFP o coautor Herve Sauquet, da Universidade Paris-Sul.

“De acordo com trabalhos anteriores, provavelmente era uma pequena árvore ou arbusto”, acrescentou.

Com informações: AFP

12:09 · 29.07.2017 / atualizado às 12:10 · 29.07.2017 por
Imagem de satélite mostra a Nova Zelândia. País integraria, junto com a Nova Caledônia, cerca de 5% de um continente submerso, cujo nome remete à sua maior porção emersa Foto: National Geographic

Uma expedição científica zarpou na sexta-feira (28) da Austrália para explorar a Zelândia, uma gigantesca massa terrestre basicamente submersa e considerada por alguns especialistas como um novo continente.

Esta afirmação está longe de criar consenso, assim como o número de continentes existentes e o que os define. A Zelândia, que se desprendeu do supercontinente de Gondwana há 75 milhões de anos, tem uma superfície de 4,9 milhões de quilômetros quadrados, o equivalente à metade do Canadá. Quase 95% deste território está submerso, e suas duas terras principais em superfície são a Nova Zelândia e a Nova Caledônia. Pesquisadores australianos, neocaledônios e neozelandeses publicaram em fevereiro no GSA Today, o periódico da Sociedade Geológica dos Estados Unidos, um artigo que detalha as razões pelas quais a Zelândia, cuja existência é debatida ao menos desde 1995, deveria ser considerada um continente.

Para eles, a Zelândia preenche os quatro critérios fundamentais da definição de continente. No artigo, citam a elevação desta massa em comparação com os arredores, explicando que seus limites são o ponto onde as planícies profundas se encontram com o talude continental, a entre 2.500 e 4.000 metros de profundidade. O ponto mais alto do continente seria o monte Cook, na Nova Zelândia (3.754 m). Também falam da sua geologia, da sua forma bem delimitada e da estrutura e espessura da sua crosta.

‘Esvaziando os oceanos’

Só 25 km separam esta massa do continente australiano na parte mais estreita, mas, segundo os cientistas, a fossa oceânica se submerge a 3.600 metros de profundidade.

O Joides Resolution, um barco científico utilizado para perfurações no mar, zarpou na sexta-feira do porto australiano de Townsville, no Estado de Queensland (nordeste), para extrair amostras com o objetivo de compreender melhor a evolução geológica da zona.

As rochas e sedimentos extraídos serão estudados a bordo. Estas amostras irão supor um avanço no conhecimento da história oceanográfica da zona, ou inclusive dos seus fenômenos climáticos e tectônicos. Jerry Dickens, um dos responsáveis científicos da expedição, ressaltou especialmente a importância do lugar para os estudos climáticos. “À medida que a Austrália se desviou para o norte e que o mar de Tasman se estendeu, os esquemas de circulação variaram, assim como as profundidades da água ao redor da Nova Zelândia”, explicou este especialista da Universidade do Texas. “Esta zona teve uma grande influência nas mudanças globais”, acrescentou Dickens.

Neville Exon, da Universidade Nacional da Austrália, destaca que a expedição de dois meses esclarecerá também as mudanças tectônicas em ação desde a formação do Círculo de Fogo do Pacífico, uma zona de intensa atividade sísmica e vulcânica, há 53 milhões de anos. Um dos principais colaboradores do estudo, Nick Mortimer, explicou que os pesquisadores reúnem há 20 anos elementos que defendem a existência de um continente.

Seus esforços, no entanto, foram dificultados pelo fato de que a Zelândia se encontra submersa. “Se pudéssemos esvaziar os oceanos, as cadeias montanhosas e esta enorme massa continental saltariam aos olhos de todos”, disse Mortimer. “O interesse científico de classificar a Zelândia como um continente vai além do fato de acrescentar um nome à lista”, escreveram.

“Que um continente possa estar tão submerso mas sem se fragmentar é útil para compreender a coesão e a destruição da crosta continental”, concluem os especialistas.

Com informações: AFP

15:50 · 26.07.2017 / atualizado às 19:18 · 26.07.2017 por
Marcado em amarelo na ilustração acima, o hipotálamo é uma região do cérebro que regula processos, como o crescimento, o desenvolvimento, a reprodução e o metabolismo Imagem: EndocrineWeb

Um grupo de cientistas descobriu que a velocidade de envelhecimento do corpo é controlada por um conjunto de células-tronco do hipotálamo.

A pesquisa foi publicada nesta quarta-feira (25) na revista Nature. O hipotálamo é uma região do cérebro conhecida por regular importantes processos no organismo, como o crescimento, o desenvolvimento, a reprodução e o metabolismo.

De acordo com o autor principal do estudo, Dongsheng Cai, da Escola de Medicina Albert Einstein, em Nova York (Estados Unidos), a descoberta feita em camundongos poderá levar ao desenvolvimento de novas estratégias para tratar doenças relacionadas ao envelhecimento e para aumentar o tempo de vida.

Em um artigo anterior, publicado em 2013, também na revista Nature, a mesma equipe de cientistas revelou a surpreendente descoberta de que, além das funções já conhecidas, o hipotálamo também regula o envelhecimento do organismo. Na nova pesquisa, os cientistas identificaram as células do hipotálamo que controlam o processo de envelhecimento: uma pequena população de células-tronco neurais adultas, que também é responsável por formar novos neurônios.

“Nossa pesquisa mostra que o número das células-tronco neurais do hipotálamo é reduzido ao longo da vida do animal e esse declínio acelera o envelhecimento. Mas também descobrimos que os efeitos dessa perda não são irreversíveis. Com a reposição dessas células-tronco ou das moléculas que elas produzem, é possível desacelerar, ou até reverter vários aspectos do envelhecimento no organismo”, disse Cai.

Ao investigar se as células-tronco no hipotálamo eram a chave para o envelhecimento, os cientistas estudaram primeiro o destino dessas células quando camundongos saudáveis envelheciam. O número de células-tronco do hipotálamo começou a diminuir quando os animais chegavam à idade de 10 meses, bem antes do aparecimento dos sinais normais de envelhecimento. “Na velhice, que chega aos dois anos de idade nos camundongos, a maior parte dessas células já havia desaparecido”, disse Cai. O próximo passo foi tentar descobrir se essa progressiva perda das células-tronco havia realmente causado o envelhecimento ou se estava apenas associada a ele. Para isso, os cientistas observaram o que acontecia quando as células-tronco do hipotálamo eram seletivamente destruídas em camundongos de meia idade.

“Essa destruição acelerou enormemente o envelhecimento, em comparação com os camundongos com células-tronco normais. Os animais com as células-tronco destruídas também morreram antes do tempo normal”, declarou Cai.

Velhice reversível

A próxima pergunta a fazer era se a reposição de células-tronco no hipotálamo seria capaz de neutralizar o envelhecimento.

Para obter a resposta, os cientistas injetaram células-tronco do hipotálamo nos cérebros de camundongos de meia idade, cujas células-tronco haviam sido destruídas e também nos cérebros de animais normais.

Nos dois grupos de animais, o tratamento retardou ou reverteu vários indicadores de envelhecimento. Os cientistas descobriram que as células-tronco do hipotálamo parecem exercer seus efeitos antienvelhecimento liberando moléculas conhecidas como microRNAs.

Os microRNAs, de acordo com Cai, não estão envolvidos na síntese de proteínas, mas têm um papel central na regulação da expressão dos genes. Os microRNAs ficam “embalados” em pequenas partículas chamadas exossomos, que são liberadas pelas células-tronco no fluido cérebro-espinhal dos camundongos.

Os cientistas, então, extraíram das células-tronco do hipotálamo exossomos carregados com microRNA e os injetaram no fluido cérebro-espinhal dos dois grupos de camundongos de meia-idade: aqueles com células-tronco do hipotálamo destruídas e os normais.

De acordo com Cai, o tratamento desacelerou consideravelmente o envelhecimento nos dois grupos de animais. A medição do envelhecimento foi feita a partir da análise dos tecidos do organismo dos animais e por testes comportamentais que envolviam a avaliação de transformações na resistência dos músculos, coordenação, comportamento social e capacidade cognitiva.

Agora, os pesquisadores estão tentando identificar as populações específicas de microRNAs e outros fatores secretados pelas células-tronco que são responsáveis por efeitos antienvelhecimento. Segundo eles, esse será o próximo passo para desacelerar o processo de envelhecimento e para tratar doenças ligadas à idade avançada.

Com informações: Estadão Conteúdo

15:50 · 25.07.2017 / atualizado às 15:50 · 25.07.2017 por
Equipe liderada pelo pesquisador Shibo Jiang identificou uma droga que inativou determinadas partículas do micro-organismo Foto: Icy Tales

Cientistas chineses desenvolveram um inibidor do vírus da zika que foi capaz de reduzir os níveis virais em camundongos gestantes e em seus fetos. Um artigo que descreve a descoberta foi publicado nesta terça-feira, 24, na revista científica Nature Communications.

De acordo com os autores da pesquisa, o inibidor se mostrou seguro para o uso em camundongos gestantes e os resultados do experimento indicam que a droga poderia ser considerada para futuros testes pré-clínicos. O vírus da zika pode ser passado de uma mulher grávida infectada para o feto durante a gestação, com potencial risco de desenvolvimento de defeitos congênitos. Até agora não há vacinas ou drogas disponíveis para tratar a infecção.

A equipe de cientistas liderada por Shibo Jiang, da Universidade Fudan, em Xangai (China), identificou uma droga que inativou determinadas partículas do vírus da zika e assim foi capaz de impedir sua entrada nas células. Os cientistas mostraram que a droga reduziu a transmissão do vírus da zika para o feto. A molécula não apresentou efeitos adversos no camundongo gestante, nem nos filhotes, quando foi administrada durante a gestação.

Os autores afirmam que será preciso realizar mais estudos para avaliar a segurança e a eficácia do inibidor em humanos. Mas, segundo eles, a abordagem por meio da inativação de partículas do vírus poderia ser utilizada para desenvolver novos tratamentos para a infecção por zika em populações em áreas de risco, especialmente em mulheres grávidas.

A droga é um peptídeo sintético, batizado de Z2, que é derivado de proteínas de uma região específica do envelope do vírus, que tem um papel importante na sua capacidade de infectar as células do hospedeiro.

“Mostramos que o Z2 interage com as proteínas da superfície do vírus da zika e perturba a integridade da membrana viral. O Z2 pode penetrar na barreira da placenta e entrar nos tecidos do feto”, escreveram os autores.

Melhor opção. De acordo com Jiang, nos últimos anos o desenvolvimento de drogas a partir de peptídeos tem chamado atenção por causa da sua segurança e do custo mais baixo de desenvolvimento, em comparação com drogas com base em moléculas pequenas e em anticorpos.

Segundo Jiang, alguns compostos de moléculas pequenas já mostraram capacidade para inibir a infecção por vírus, mas a segurança para mulheres grávidas não foi comprovada. Também já foram identificados em camundongos anticorpos capazes de neutralizar a infecção por zika, mas a eficácia foi relativamente baixa e esses anticorpos teriam que ser “humanizados”, o que é um obstáculo considerável para o desenvolvimento de uma droga anti-zika.

“Também já foi identificado um anticorpo monoclonal humano que neutraliza amplamente a infecção por algumas linhagens de zika, mas o alto custo pode limitar sua aplicação em países em desenvolvimento, como o Brasil”, disse Jiang.

Com informações: Estadão Conteúdo

16:49 · 24.07.2017 / atualizado às 16:54 · 24.07.2017 por
Cientistas americanos dizem ter encontrado vestígios de água em quase todos os grandes depósitos vulcânicos mapeados na superfície lunar Foto: US News

A partir de dados coletados por satélite, pesquisadores da Universidade Brown, nos Estados Unidos, afirmam que há água presa no interior de depósitos vulcânicos lunares. Os cientistas usaram espectrômetros para analisar a luz refletida pela superfície da Lua.

Com isso, os pesquisadores conseguiram ter uma ideia da composição do solo e da radiação emitida conforme a área é aquecida, dados que posteriormente foram cruzados com as informações obtidas do material lunar coletado pelas missões Apollo (1969-1972).

Com os detalhados resultados em mãos, os cientistas americanos dizem ter encontrado vestígios de água em quase todos os grandes depósitos vulcânicos mapeados na superfície lunar. A partir de 2008, cientistas começaram a encontrar evidências de vestígios de água na Lua.

A possível presença de água na Lua é importante para o melhor entendimento da formação lunar. Uma futura exploração lunar também poderia ser impactada pela descoberta, com a possibilidade de extração de água do solo. A pesquisa foi publicada na revista científica “Nature Geoscience”, nesta segunda (24).

Com informações: Folhapress