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Autor: Adriano Queiroz


18:46 · 17.07.2018 / atualizado às 18:56 · 17.07.2018 por
Concepção artística dos novos corpos celestes descobertos orbitando o maior planeta do Sistema Solar Imagem: Earth.com

Uma dúzia de novas luas foram descobertas em volta de Júpiter, o que eleva seu número de luas conhecidas a 79, a maior quantidade entre os planetas de nosso sistema solar, anunciaram astrônomos nesta terça-feira (17).

Uma das novas luas foi descrita como uma “verdadeira extravagância” pelo pesquisador Scott Sheppard, do Carnegie Institution for Science, devido a seu pequeno tamanho, apenas um quilômetro de diâmetro, o equivalente a uma serra como a de Guaramiranga (CE), por exemplo.

Também “tem uma órbita como nenhuma outra lua joviana” descoberta e é “provavelmente a menor lua conhecida de Júpiter”, acrescentou. Esta lua rara demora cerca de um ano e meio para dar a volta em Júpiter, e orbita em um ângulo inclinado que faz com que cruze em seu caminho com uma série de luas que viajam de forma retrógrada, ou seja, na direção oposta à rotação de Júpiter. “Esta é uma situação instável”, disse Sheppard. “As colisões frontais poderiam desintegrar os objetos rapidamente e reduzi-los a pó”.

Esta lua, junto com outras duas descobertas, orbitam na direção da rotação do planeta. As luas internas demoram cerca de um ano para dar a volta em Júpiter, e as externas, o dobro do tempo.

Fragmentos

Todas as luas podem ser fragmentos que se separaram quando colidiram sendo corpos cósmicos maiores, dizem os astrônomos, que propuseram batizar a extravagante de “Valetudo”, como a bisneta do deus romano Júpiter, deusa da saúde e da higiene.

O astrônomo italiano Galileo Galilei descobriu as primeiras quatro luas de Júpiter em 1610. A equipe atual de astrônomos não estava buscando novas luas de Júpiter; estava explorando os céus em busca de planetas para além de Plutão, quando as luas cruzaram o caminho de seu telescópio.

As novas luas foram observadas pela primeira vez em 2017 graças a um telescópio situado no Chile e operado pelo Observatório Astronômico Óptico Nacional dos Estados Unidos. Os especialistas levaram um ano para confirmar suas órbitas com uma série de outros telescópios situados nos Estados Unidos e no Chile.

Com informações: AFP

11:34 · 14.07.2018 / atualizado às 11:40 · 14.07.2018 por
O radiotelescópio MeerKAT é composto por 64 antenas parabólicas instaladas ao redor de Carnarvon. Essas antenas serão conectadas a cerca de 3.000 instrumentos instalados em toda a África e na Austrália Foto: Morganoshell

A África do Sul inaugurou no deserto de Karoo o radiotelescópio MeerKAT, primeiro elemento de uma rede de antenas parabólicas instaladas em dois continentes que, uma vez em funcionamento, formarão o maior radiotelescópio do mundo, o Square Kilometre Array (SKA).

“Este telescópio será o maior de seu tipo no mundo, com uma qualidade de resolução 50 vezes superior à do telescópio espacial Hubble”, declarou o vice-presidente sul-africano, David Mabuza, na cerimônia em Carnarvon, pequena localidade do deserto de Karoo.

O radiotelescópio MeerKAT é composto por 64 antenas parabólicas instaladas ao redor de Carnarvon. Essas antenas serão conectadas a cerca de 3.000 instrumentos instalados em toda a África (Botsuana, Gana, Quênia, Madagascar, Maurício, Moçambique, Namíbia e Zâmbia), assim como na Austrália. O SKA deve estudar alguns fenômenos cósmicos violentos, como uma supernova, os buracos negros e todos os primeiros rastros do “big bang”. Mais de 200 cientistas, engenheiros e técnicos participaram no desenvolvimento do MeerKAT, que necessitou até agora cerca de 240 milhões de dólares, em sua maioria de fundos públicos.

O SKA, que poderia começar a funcionar em 2030, é o resultado de um acordo internacional que inclui, além dos países africanos e da Austrália, Canadá, China, Índia, Itália, Nova Zelândia, Suécia, Holanda e Grã-Bretanha.

Uma vez em funcionamento, o radiotelescópio gigante estará conectado a um telescópio óptico que foi inaugurado em maio a 200 km do MeerKAT.

Com informações: AFP

18:47 · 12.07.2018 / atualizado às 18:47 · 12.07.2018 por
Em operação desde 2010, o telescópio IceCube consiste em um conjunto de mais de 5 mil detectores de luz, dispostos em uma grade e enterrados no gelo. Quando os neutrinos interagem com o gelo, o aparelho consegue detectá-los Foto: BBC News Brasil

Uma nova era de pesquisas especiais se inaugurou nesta quinta-feira (12). Isso porque uma equipe internacional de astrônomos descobriu a fonte de neutrinos de alta energia encontrados no Polo Sul – e esta partícula misteriosa abre uma oportunidade para contar a história e esclarecer enigmas do próprio Universo.

A descoberta está na edição desta quinta da revista Science e foi divulgada em coletiva de imprensa na sede da National Science Foundation, em Alexandria, Virginia (EUA). “Neutrinos de alta energia realmente nos fornecem uma nova janela para observar o Universo”, comenta o físico Darren Grant, da Universidade de Alberta, em entrevista à BBC News Brasil.

Grant é um dos mais de 300 pesquisadores de 49 instituições que integram o grupo IceCube Collaboration – responsável pela descoberta. “As propriedades dos neutrinos fazem deles um mensageiro astrofísico quase ideal. Como eles viajam de seu ponto de produção praticamente desimpedidos, quando são detectados, podemos analisar que eles transportaram informações de sua origem.”

Os neutrinos são partículas subatômicas elementares, ou seja, não há qualquer indício de que possam ser divididas em partes menores. São emitidos por explosões estelares e se deslocam praticamente à velocidade da luz.

Maior telescópio do mundo

Instalado no Polo Sul e em operação desde 2010, o IceCube é considerado o maior telescópio do mundo – mede um quilômetro cúbico. Levou dez anos para ser construído e fica sob o gelo antártico.

O IceCube consiste em um conjunto de mais de 5 mil detectores de luz, dispostos em uma grade e enterrados no gelo. É um macete científico. Quando os neutrinos interagem com o gelo, produzem partículas que geram uma luz azul – e, então, o aparelho consegue detectá-los. Ao mesmo tempo, o gelo tem a propriedade de funcionar como uma espécie de rede, isolando os neutrinos, facilitando sua observação. Desde a concepção do projeto, os cientistas tinham a intenção de monitorar tais partículas justamente para descobrir sua origem. A ideia é que isso dê pistas sobre a origem do próprio Universo. E é justamente isso que eles acabam de conseguir.

Os pesquisadores já sabem que a origem de neutrinos observados na Antártica são um blazar, ou seja, um corpo celeste altamente energético associado a um buraco negro no centro de uma galáxia.

Este corpo celeste está localizado a 3,7 bilhões de anos-luz da Terra, na Constelação de Órion.

Descoberta-chave

“Eis a descoberta-chave”, explica Grant. “Trata-se das primeiras observações multimídia de neutrinos de alta energia coincidentes com uma fonte astrofísica, no caso, um blazar. Esta é a primeira evidência de uma fonte de neutrinos de alta energia. E fornece também a primeira evidência convincente de uma fonte identificada de raios cósmicos.”

Conforme afirma o físico, a novidade é a introdução, no campo da astronomia, de uma nova habilidade para “ver” o universo. “Este é o primeiro passo real para sermos capazes de utilizar os neutrinos como uma ferramenta para visualizar os processos astrofísicos mais extremos do universo”, completa Grant. “À medida que esse campo de pesquisa continua se desenvolvendo, também deveremos aprender sobre os mecanismos que impulsionam essa partículas. E, um dia, começaremos a estudar essa partícula fundamental da natureza em algumas das energias mais extremas imagináveis, muito além daquilo que podemos produzir na Terra.”

O IceCube conseguiu detectar pela primeira vez neutrinos do tipo em 2013. A partir de então, alertas eram disparados para a comunidade científica a cada nova descoberta. A partícula-chave, entretanto, só veio em 22 de setembro de 2017: o neutrino batizado de IceCube-170922A, com a impressionante energia de 300 trilhões de elétron-volts demonstrou aos cientistas uma trajetória.

Após concluir a origem do neutrino IceCube-170922A, os cientistas vasculharam os dados arquivados pelo detector de neutrinos e concluíram que outros 12 neutrinos identificados entre 2014 e 2015 também eram oriundos do mesmo blazar. Ou seja: há a possibilidade de comparar partículas com a mesma origem, aumentando assim a consistência da amostra.

De acordo com os cientistas do IceCube, essa detecção inaugura de forma incontestável a chamada “astronomia multimídia”, que combina a astronomia tradicional – em que os dados dependem da ação da luz – com novas ferramentas, como a análise dos neutrinos ou das ondas gravitacionais.

Com informações: BBC News Brasil

18:07 · 10.07.2018 / atualizado às 18:07 · 10.07.2018 por
Concepção artística de módulo desenvolvido pelos engenheiros espaciais israelenses, com vistas a uma futura alunissagem Imagem: Google Lunar XPrize

Israel lançará sua primeira missão espacial à Lua em dezembro, anunciou nesta terça-feira (10) uma organização desse país, pequeno porém com grandes ambições. A nave espacial ainda sem nome, em forma de cápsula e peso de 585 quilos no momento do lançamento, pousará na Lua em 13 de fevereiro de 2019 se tudo correr segundo o previsto, disseram os organizadores da SpaceIL em um encontro com a imprensa.

Será lançada através de um foguete da empresa SpaceX, do empresário americano Elon Musk, e sua missão incluirá a pesquisa do campo magnético da Lua. Mas a primeira tarefa será fincar a bandeira israelense na Lua, disseram os organizadores. O projeto começou como parte do concurso de tecnologia Google Lunar XPrize, que ofereceu US$ 30 milhões para estimular cientistas e empresários a proporem missões à Lua por um custo relativamente baixo. Uma equipe israelense que depois ficou conhecida como SpaceIL decidiu abraçar este objetivo e se associou eventualmente com a estatal Israel Aerospace Industries (IAI).

O prêmio do Google expirou em março sem que ninguém tenha conseguido chegar à Lua, mas a equipe de Israel se comprometeu a seguir em frente. Esta iniciativa privada poderia custar cerca de US$ 95 milhões, financiados em grande medida pelo bilionário israelense Morris Kahn. “Isto mostrará ao resto do mundo a forma” de mandar uma nave espacial à Lua a um custo razoável, disse Ofer Doron em nome da IAI.

Com informações: AFP

19:56 · 04.07.2018 / atualizado às 19:58 · 04.07.2018 por
O último macho de rinoceronte-branco do norte, faleceu em março aos 45 anos em uma reserva queniana Foto: Anadolu Agency

Cientistas deram um primeiro passo promissor para garantir a sobrevivência do rinoceronte-branco do norte, uma subespécie praticamente extinta, ao criar in vitro os primeiros embriões do paquiderme.

Sudão, o último macho de rinoceronte-branco do norte, faleceu em março aos 45 anos na reserva queniana de Ol Pejeta. Sua filha e sua neta, Najin e Fatu, se tornaram assim os últimos exemplares vivos desta subespécie originária da África Central, dizimada pela caça ilegal. Para garantir sua sobrevivência, muitos haviam confiado na ciência. Com um procedimento de procriação assistida inédito em rinocerontes, foi concluída “a primeira etapa essencial para salvar esta subespécie”, explicou uma equipe internacional de pesquisadores na revista científica Nature Communications. Os especialistas coletaram em zoológicos europeus mais de 80 ovócitos de fêmeas de rinocerontes-brancos do sul, dos que restam cerca de 20.000 exemplares selvagens no sul da África.

Os óvulos foram fecundados in vitro, alguns com esperma congelado de rinocerontes-brancos do norte e outros com esperma de seu primo do sul, nos laboratórios da sociedade italiana Avantea.

O resultado: sete embriões, dos quais três (um sul-sul e dois sul-norte) foram congelados.

Objetivo: três anos

Mas este é só o início para conseguir o nascimento do primeiro rinoceronte-branco do norte “puro”, em um prazo de “três anos”, afirmou Thomas Hildebrandt, do Instituto Leibniz de pesquisa zoológica e animal de Berlim.

Para isso, os pesquisadores esperam coletar ovócitos das duas fêmeas, Najin e Fatu, nascidas em 1989 e 2000, respectivamente, no zoológico checo de Dvur Kralove. “Esperamos fazer isso até o fim do ano”, diz Jan Stejskal, um responsável deste zoológico, que tentou em vão uma inseminação artificial antes de enviá-las ao Quênia com a esperança – também frustrada – de uma reprodução natural.

Os cientistas criaram os embriões híbridos, em vez de extrair diretamente os ovócitos das duas fêmeas, porque esta intervenção requer a autorização das autoridades quenianas. Além disso, tiveram de inventar uma técnica e um utensílio de dois metros de comprimento para extrair os ovócitos dos rinocerontes-brancos. “Tendo em conta os 16 meses de gravidez, temos pouco mais de um ano para conseguir uma implantação” em uma mãe portadora de rinoceronte-branco do sul, dado que nem Najin nem Fatu podem desenvolver uma gravidez, segundo Hildebrant.

Este especialista ressaltou que as duas fêmeas são as únicas capazes de “ensinar a vida social a um rinoceronte-branco do norte”, de modo que espera que o pequeno poderá crescer com elas. Caso não seja possível retirar os ovócitos de Najin nem Fatu, estão sendo realizados outros experimentos para tentar produzir gametas (ovócitos e esperma) de rinocerontes-brancos do norte graças às células-tronco pluripotentes induzidas, que têm o potencial de se tornar qualquer tipo de célula.

Mas os especialistas advertem da “improbabilidade de restaurar uma população viável de rinocerontes-brancos do norte”, segundo Terri Roth e William Swanson, do centro de pesquisa do zoológico de Cincinnati, que não participaram do estudo. Os autores preveem que a iniciativa gerará críticas do mundo da conservação, em alguns casos hostil ao uso de biotecnologias.

“Já nos criticaram por gastar o dinheiro desta forma”, segundo Jan Stejskal. Mas para este especialista, a luta deve ser realizada em todas as frentes: “conservação sobre o terreno, luta contra a demanda (de chifres) na Ásia e apoio à ciência”.

Com informações: AFP

20:23 · 02.07.2018 / atualizado às 20:23 · 02.07.2018 por
O Mal de Parkinson é um transtorno neurodegenerativo que afeta o sistema nervoso de maneira crônica e progressiva Foto: The Health Site

Um remédio desenvolvido de forma experimental por pesquisadores da Universidade Johns Hopkins (Baltimore, nos Estados Unidos) conseguiu desacelerar a progressão e os sintomas do Mal de Parkinson, segundo informou o centro universitário.

Os cientistas, que em experiências com cultivos celulares do cérebro humano e um modelo pré-clínico da doença de Parkinson em ratos descobriram que o chamado NLY01 detém “a degeneração neuronal”, pretendem usar ainda este ano o medicamento em testes clínicos.

“O medicamento protege de uma forma realmente assombrosa as células-alvo do sistema nervoso”, explicou Ted Dawson, diretor do Instituto de Engenharia Celular e professor de Neurologia da Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins, com sede em Baltimore (Maryland).

Se os testes clínicos forem bem-sucedidos, o NLY01 seria um dos primeiros tratamentos farmacológicos cuja ação não só estaria encaminhada a melhorar a rigidez muscular, os tremores e a demência, entre outros sintomas do Parkinson, mas também deter a progressão da doença, destacou Dawson. Os resultados do estudo foram publicados na revista científica digital Nature Medique.

Contra o diabetes

Em comunicado, a Universidade Johns Hopkins informou que o NLY01 atua de forma similar aos compostos usados para aumentar os níveis de glicemia das pessoas que sofrem de diabetes.

Embora os resultados de pesquisas anteriores em animais tenham permitido conjecturar o potencial neuroprotetor deste tipo de medicamento contra o diabetes, não foi possível demonstrar concretamente como funcionava este mecanismo no cérebro.

Com o objetivo de descobri-lo, Dawson e sua equipe testaram o fármaco NLY01 em três tipos de células cerebrais de grande relevância: os astrócitos, a micróglia e os neurônios.

Células destruidoras

Os astrócitos, células que permitem a comunicação sináptica, quando se transformam em “reativos” devido a um sinal químico enviado pela micróglia, se “rebelam” e começam a “devorar os pontos de contato das células do cérebro, o que, por sua vez, causa a morte neuronal”. Em uma experiência preliminar com células do cérebro humano reproduzidas in vitro, a equipe de Dawson usou o NLY01 na micróglia humana e descobriu que o sinal de ativação não se produzia e que os astrócitos não se transformavam em células destruidoras e conseguiam conservar sua função neuroprotetora.

Depois testaram a eficácia do fármaco em ratos que, por modificação genética, sofriam de uma versão do Parkinson.

Primeiro experimento

Em um primeiro experimento, a equipe de Dawson injetou a proteína alfa-sinucleína, que, acredita-se, é a principal causa do Parkinson, em dez ratos que posteriormente receberam o NLY01. Além disso, os pesquisadores injetaram a alfa-sinucleína em outro grupo de ratos similares, que depois não receberam o fármaco.

Este segundo grupo de ratos apresentou uma deterioração motora significativa em testes de comportamento, enquanto os ratos tratados com o NLY01 conservaram tanto suas funções físicas normais como os neurônios dopaminérgicos, uma clara indicação do efeito protetor do medicamento em relação ao desenvolvimento da doença de Parkinson.

Segundo experimento

Em um segundo experimento, os cientistas estudaram um grupo de ratos que, por modificação genética, produzia, de forma natural, uma proteína alfa-sinucleína mais análoga à humana.

Em condições normais, os ratos transgênicos deveriam morrer em 387 dias, mas a equipe de Dawson observou que o tratamento com o NLY01 prolongou a sobrevivência dos 20 ratos tratados com o fármaco em mais de 120 dias. Após realizar uma análise mais exaustiva, os pesquisadores perceberam que o cérebro dos ratos tratados com o fármaco NLY01 apresentavam poucos indícios das caraterísticas neurodegenerativas do Parkinson.

O Mal de Parkinson é um transtorno neurodegenerativo que afeta o sistema nervoso de maneira crônica e progressiva. Segundo a Fundação contra o Parkinson, esta doença afeta aproximadamente 1 milhão de pessoas nos Estados Unidos.

Com informações:Agência Brasil

22:01 · 01.07.2018 / atualizado às 22:01 · 01.07.2018 por
A organização Alnitak, que gravou imagens do tubarão próximo à ilha de Cabrera, disse em postagem no Facebook que o animal media 5 metros de comprimento Foto: Taringa

Um grupo de conservação do ambiente marinho anunciou ter avistado um exemplar de tubarão branco nesta semana em frente às Ilhas Baleares, a primeira descoberta desta espécie em águas espanholas em pelo menos 30 anos.

A organização Alnitak, que gravou imagens do tubarão próximo à ilha de Cabrera, disse em postagem no Facebook que o seguiu por mais de uma hora e que o animal media 5 metros de comprimento.

“Nos últimos anos, houve possíveis aparições não confirmadas e diversos rumores, mas essa é a primeira constatação científica da presença do Carcharodon (gênero do tubarão branco) em águas espanholas em ao menos 30 anos”, escreveu.

Missão científica

A Alnitak disse que o tubarão foi localizado durante uma missão para coletar informação sobre tartarugas marinhas, cachalotes, golfinhos, arraias e atuns vermelhos. A equipe também trabalha na localização de pequenos pedaços de resíduos plásticos no mar.

20:13 · 28.06.2018 / atualizado às 20:24 · 28.06.2018 por
Em 1997, a francesa Jeanne Calmant morreu com a idade recorde de 122 anos Foto: Gerontology

A expectativa de vida máxima de um ser humano já foi atingida? Talvez não, segundo um estudo com centenários italianos publicado nesta quinta-feira (28) que descobriu que a longevidade humana está aumentando lentamente.

Os cientistas debatem há muito tempo se a expectativa de vida máxima das pessoas foi atingida ou não. Um estudo de 2016 na revista Nature argumentou que sim, em 1997, quando a francesa Jeanne Calmant morreu com a idade recorde de 122 anos.

Mas as novas descobertas na revista Science apontam para a possibilidade de prolongar a longevidade humana, e que a expectativa de vida de nossa espécie pode aumentar com o tempo. Com base em dados de mais de 3.800 centenários na Itália, os pesquisadores descobriram que o risco de morte diminui, e até mesmo se estabiliza, acima dos 105 anos.

“À medida que envelhecemos, nossa saúde e riscos de morte pioram cada vez mais rápido. Mas em idades extremas, eles param de piorar”, disse o coautor Kenneth Wachter, professor de estatística da Universidade da Califórnia, em Berkeley. “Eles não melhoram, mas param de piorar. Eles se nivelam”, disse à AFP.

Os pesquisadores estudaram dados sobre todos os habitantes da Itália com 105 anos ou mais entre 2009 e 2015 – aqueles nascidos entre 1896 e 1910 -, um total de 3.836 casos documentados, disse o estudo.

Concentrando-se na mortalidade entre as pessoas nascidas nos mesmos anos, ao longo do tempo eles encontraram ligeiros declínios na taxa de mortalidade.

Isso sugere que, com o passar do tempo, as pessoas estavam vivendo um pouco mais do que as que nasceram nos anos anteriores.

“As melhorias lentas, mas distintas, ao longo do tempo que vemos no nível da estabilização além da idade de 105 anos, dão esperança de que um limite fixo para a expectativa de vida não está sendo observado atualmente”, explicou Wachter.

Fatores socioeconômicos e melhoria no atendimento médico podem ser fatores que aumentam a longevidade humana. Mas “padrões semelhantes de estabilização da mortalidade em idade extrema são observados em outras espécies, sugerindo explicações estruturais e evolutivas comuns”, disse o relatório.

Se a pesquisa for confirmada por outros estudos, isso poderia significar que o limite da expectativa de vida humana ainda não foi atingido. A expectativa de vida global aumentou quase continuamente desde o século XIX, mas se estabilizou nas últimas décadas. Os bebês nascidos nos Estados Unidos hoje, por exemplo, podem esperar viver quase 79 anos, em comparação com 47 anos para os americanos nascidos em 1900.

Mas as pessoas que vivem até a velhice extrema são raras. Desde a morte de Calmant, a tendência geral para a pessoa mais velha do mundo é atingir os 115 anos de idade. Wachter disse que as descobertas não apontam para um novo limite potencial da expectativa de vida. “Nossas descobertas não dizem nada sobre idades além de 113 anos”, disse.

“Mas eles fornecem alguma esperança de que o aumento da compreensão das interações entre variantes genéticas e fatores médicos e comportamentais pode contribuir para uma melhor saúde e sobrevivência para as pessoas na faixa dos 80 e 90 anos, 10 ou 15 anos a partir de agora.”

Com informações: AFP

20:24 · 26.06.2018 / atualizado às 20:27 · 26.06.2018 por
Os novos seres encontrados eram em sua maioria sapos e lagartos. Uma coruja sem descrição científica também foi encontrada pelos pesquisadores Foto: Fapesp

Em duas expedições à Amazônia, pesquisadores de São Paulo coletaram animais de pelo menos 12 espécies ainda não catalogadas de sapos e lagartos, além de uma coruja sem descrição científica. Ao todo, o grupo liderado pelo zoólogo da Universidade de São Paulo (USP) Miguel Trefaut Rodrigues trouxe para análise mais de 1,7 mil exemplares de mais de 200 espécies diferentes de animais e plantas.

A última viagem ocorreu de abril a maio, quando o grupo viajou cerca de 80 quilômetros a partir de Manaus (AM) pelo Rio Negro até o município de Santa Isabel, próximo à região onde ocorre o encontro com o Rio Branco. “Passamos um mês dormindo em redes dentro do barco, onde também fazíamos todas as refeições e montamos nosso laboratório. Em cada ponto diferente do rio era necessário contratar um guia local. O Rio Negro é cheio de pedras e é muito fácil acontecer um acidente”, contou Rodrigues.

Segundo o pesquisador, por ter águas muito ácidas, o Rio Negro não abriga tantas espécies de animais, como outras partes da floresta. Por isso, o grupo se aproximou do afluente. “Queríamos estudar a influência das águas do Rio Branco na diversidade e abundância de espécies”, enfatizou o pesquisador. A expedição também recolheu dados para avaliar a influência do Rio Negro como barreira para o trânsito de espécies. “Por isso coletamos em ambas as margens”.

Foram usadas armadilhas com baldes e lonas de plástico para capturar principalmente répteis e anfíbios. Nessa viagem foram coletados mais de mil animais, um número necessário para atender a demanda da pesquisa que busca entender a origem dos lagartos do gênero Loxopholis que se reproduzem assexuadamente. Algumas espécies desse tipo são formadas apenas por fêmeas.

Pico da Neblina

A primeira expedição foi realizada entre outubro e novembro de 2017, na região do Pico da Neblina, na fronteira com a Venezuela. Como parte da montanha está em território indígena Yanomami, os trabalhos tiveram autorização da Fundação Nacional do Índio (Funai) e apoio do Exército.

A biodiversidade da região é muito diferente da encontrada em outras partes da floresta, se aproximando até das plantas e dos animais encontrados na Cordilheira dos Andes. “Sabemos que em altitudes superiores a 1,7 mil metros prevalecem paisagens que não têm absolutamente nada a ver com a Amazônia atual: são campos abertos e com clima muito mais frio que o da floresta”, explicou Rodrigues. Foi entre os espécimes coletados nessa ocasião que foram identificadas as 12 espécies sem descrição científica e uma nova variedade vegetal. O conjunto de plantas ainda está, no entanto, sob análise de especialistas.

Relações evolutivas

Além da descrição dos novos animais, o material obtido será usado para analisar os padrões evolutivos da fauna da América do Sul.

“Vários grupos de animais estão sendo estudados sob o ponto de vista genético, morfológico e fisiológico. Alguns desses estudos ajudarão a avaliar o risco de extinção dessas espécies caso a temperatura desses locais se eleve nos próximos anos”, ressaltou o líder das expedições.

Cada uma das viagens durou cerca de um mês, com o envolvimento de pelo menos dez pesquisadores. Os trabalhos foram financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Com informações: Agência Brasil

18:04 · 25.06.2018 / atualizado às 18:04 · 25.06.2018 por
Medicamento experimental coloca a insulina dentro de um líquido, contido em uma cápsula de polímero que resiste aos ácidos do estômago Foto: Bel Marra Health

Estudos com ratos abriram a possibilidade para a elaboração de um novo tipo de comprimido de insulina que poderia evitar que milhões de diabéticos se submetam às injeções diárias, informaram pesquisadores nesta segunda-feira (25).

Ainda é necessário fazer mais pesquisas para que a pílula, criada por especialistas da Universidade de Harvard, possa ser testada em humanos, ou esteja disponível em escala mundial. Até agora, o principal desafio para a sua elaboração tem sido encontrar um modo de preservar a proteína da insulina uma vez que entre em contato com os ácidos no estômago.

O medicamento experimental coloca a insulina dentro de um líquido, contido em uma cápsula de polímero que resiste aos ácidos do estômago, segundo descrição da Academia de Ciências. Essa proteção se dissolve quando entra em contato com um ambiente alcalino no intestino delgado, permitindo que o líquido que contém a insulina seja liberado.

“Uma vez ingerida, a insulina deve atravessar uma corrida de obstáculos antes que seja efetivamente absorvida pela corrente sanguínea”, assinalou o autor do estudo Samir Mitragotri, professor de Bioengenharia em Harvard.

“Nossa abordagem é quase como um canivete suíço, já que o comprimido tem ferramentas para enfrentar cada um dos obstáculos que encontra”. A pílula é de “fácil produção e pode ser conservada por até dois meses à temperatura ambiente sem se degradar”, indicou o estudo. Os pesquisadores não detalharam quanto tempo levaria para iniciar os testes em humanos, mas podem ser anos. Ainda são necessários mais estudos em animais, além de análises sobre os possíveis efeitos tóxicos por seu uso em longo prazo.

Quarenta milhões de pessoas no mundo têm diabetes tipo 1, uma condição que requer a aplicação diária de injeções com insulina, uma substância que seu organismo não pode produzir por si só. Segundo Mark Prausnitz, chefe de Química e Engenharia Molecular no Georgia Institute of Technology, a busca por doses de insulina para ser ingerida tem sido considerada o “Santo Graal” nas pesquisas de diabetes. “As implicações deste trabalho na medicina podem ser enormes se as descobertas puderem ser transformadas em comprimidos que podem administrar segura e efetivamente a insulina e outras drogas nos humanos”.

Com informações: AFP