Diário Científico

Categoria: Agronomia


19:43 · 27.10.2014 / atualizado às 20:09 · 27.10.2014 por
Foto: Blog Grupo 5
Voluntários foram distribuídos em dois grupos que, durante três meses, ingeriram diariamente bebidas com altas doses de flavonóis. As bebidas foram preparadas por um fabricante norte-americano de chocolates, que desenvolveu uma técnica para extrair os flavonóis do cacau Foto: Blog Grupo 5

Um regime rico em flavonóis, subgrupo dos flavonoides, substâncias naturais encontradas no cacau e em outros frutos, pode controlar a deterioração cognitiva relacionada com a idade – afirmam cientistas.

O processo de envelhecimento costuma ser acompanhado por uma dificuldade maior de aprender, ou de lembrar de alguns nomes, ou lugares. A deterioração gradativa da memória começa na idade adulta, mas não é percebida antes dos 50, ou 60 anos.

Para estudar o impacto dos flavonóis do cacau, cientistas da Universidade de Columbia (EUA) submeteram a testes 37 voluntários com idades entre os 50 e os 69 anos. Esses voluntários foram distribuídos em dois grupos que, durante três meses, ingeriram diariamente bebidas com doses de flavonóis – uma delas, contendo 900 mg, e a outra, com uma dose baixa da substância, de 10 mg.

As bebidas foram preparadas por um fabricante norte-americano de chocolates, que desenvolveu uma técnica para extrair os flavonóis do cacau e que financiou parcialmente a pesquisa. Ao final do teste, os cérebros dos voluntários foram observados com técnicas de imagem cerebral, que permitiram mostrar o aumento sensível do volume sanguíneo de uma região conhecida como giro dentado do hipocampo nos voluntários do primeiro grupo.

O giro dentado desempenha um papel na memória, mas os resultados diminuem com a idade. Os voluntários do primeiro grupo apresentaram melhores aptidões de memorização do que os do segundo, em um exercício de reconhecimento de formas com 20 minutos de duração.

“Depois de três meses, um participante, que tinha a memória de um sexagenário no começo do estudo, apresentou desempenho típico de alguém com 30, ou 40 anos”, afirmou Scott Small, principal autor do estudo, publicado na revista “Nature Neuroscience”.

Resultados preliminares

O pesquisador destacou, porém, que os resultados preliminares terão de ser
confirmados por novos estudos, com um número maior de pessoas.

Ele também advertiu que não foi possível concluir a necessidade de se ingerir mais chocolate, pois a “quantidade de flavonóis encontrada no chocolate é minúscula em comparação com a consumida” pelos voluntários do estudo.

Os flavonóis também podem ser encontrados no chá, nas uvas e em muitos outros frutos e legumes e poderiam, segundo outros estudos, ser benéficos também para o coração. Uma outra pesquisa, feita por cientistas australianos, com o apoio de outro fabricante de chocolate, já teria demonstrado, em 2012, que os flavonóis do cacau poderiam aumentar a capacidade do cérebro.

18:36 · 04.08.2014 / atualizado às 21:00 · 04.08.2014 por

 

Foto: Blog Planeta Sustentável
Entre as prováveis causas para o desaparecimento das abelhas estão os componentes químicos presentes nos defensivos agrícolas amplamente utilizados no mundo. Além de pesticidas, outros fatores, como as mudanças climáticas globais podem ser os responsáveis pelo fenômeno Foto: Blog Planeta Sustentável

A população de abelhas registra um expressivo declínio em vários países, inclusive no Brasil.

Em agosto do ano passado, a revista Time trazia na capa um alerta para o risco de desaparecimento das abelhas melíferas, com a chamada “O mundo sem abelhas” e o alerta: “O preço que pagaremos se não descobrirmos o que está matando as melíferas”

Entre as prováveis causas para o desaparecimento das abelhas estão os componentes químicos presentes nos neonicotinoides, classe de defensivos agrícolas amplamente utilizados no mundo. Além de pesticidas, outros fatores, como as mudanças climáticas globais podem ser responsáveis pelo fenômeno conhecido como distúrbio de colapso de colônias.

Na busca por respostas que ajudem a combater o problema, o Instituto Tecnológico Vale (ITV), em Belém, no Pará, desenvolveu em colaboração com a Organização de Pesquisa da Comunidade Científica e Industrial (CSIRO), na Austrália, microssensores – pequenos quadrados com 2,5 milímetros de cada lado e peso de 5,4 miligramas –, que são colados no tórax das abelhas da espécie Apis mellifera africanizada.

Uma parte do experimento está sendo conduzida na Austrália e a outra no Brasil. No estado australiano da Tasmânia, ilha ao sul do continente da Oceania, será feito um estudo comparativo com 10 mil abelhas para avaliar como elas reagem quando expostas a pesticidas. Para isso, duas colmeias foram colocadas em contato com pólen contaminado e outras duas não.

“Se for notada qualquer alteração no comportamento dos insetos expostos ao pesticida, como incapacidade de voltar para a colmeia, desorientação ou mesmo morte precoce, o produto passará a ser o principal suspeito do distúrbio de colapso de colônias”, diz o físico Paulo de Souza, coordenador da pesquisa e professor visitante do ITV.

Experimentos

O projeto foi iniciado em setembro do ano passado e seu término está previsto para abril de 2015, com a divulgação dos resultados no segundo semestre.

“A principal razão para a escolha da Tasmânia é que se trata de um ambiente distinto, onde não há poluição e metade do território é composta por florestas”, diz Souza, que também é professor da Universidade da Tasmânia.

Como as melíferas australianas pesam em torno de 105 miligramas, o sensor representa cerca de 5% do seu peso. Já as abelhas da mesma espécie que vivem no Brasil pesam cerca de 70 miligramas – o que levou os pesquisadores a fazerem testes em túneis de vento para avaliar se o sensor poderia ter influência sobre a sua capacidade de voo.

A parte do experimento que está sendo feita no Brasil tem como foco inicial o monitoramento de 400 abelhas durante três meses para avaliar em que medida as mudanças do clima, principalmente a alteração do regime de chuvas na Amazônia, afetam os insetos.

“Não sabemos como elas vão se comportar diante das projeções de aumento da temperatura e de alterações no clima devido ao aquecimento global”, diz Souza. Os estudos estão sendo feitos em um apiário no município de Santa Bárbara do Pará.

“Cada sensor tem um código gravado, que funciona como se fosse uma identidade de cada abelha”, diz Souza. Com ele é possível avaliar, em detalhes, todos os indivíduos da colmeia.

Concluída essa etapa da pesquisa, um segundo estudo terá início, desta vez com abelhas nativas sem ferrão do Pará, que parecem sofrer mais o impacto da alteração climática do que as europeias.

Embora não sejam grandes produtoras de mel, elas são excelentes polinizadores. Como as abelhas têm um ciclo de vida relativamente curto, de cerca de dois meses, será possível acompanhar várias gerações.

Com informações: Pesquisa Fapesp

16:47 · 05.06.2014 / atualizado às 17:05 · 05.06.2014 por
Foto: Blog Notícia Jato
Relatório indica que o governo brasileiro reduziu o desmatamento na Amazônia, a maior floresta tropical do mundo, por meio da criação de áreas de proteção ambiental a partir da segunda metade da década de 1990 Foto: Blog Notícia Jato

Um relatório divulgado nesta quinta-feira (5) na reunião da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre mudanças climáticas, destacou o Brasil como exemplo de sucesso na redução do desmatamento e das emissões de gases de efeito estufa.

Produzido pela Union of Concerned Scientists (UCS), com sede nos Estados Unidos, o documento intitulado Histórias de Sucesso no Âmbito do Desmatamento: Nações Tropicais Onde as Políticas de Proteção e Reflorestamento Deram Resultado traz um capítulo dedicado ao Brasil, apresentado como o país que fez as maiores reduções no desmatamento e nas emissões em todo o mundo.

Dezesseis países da África, América Latina e Ásia também são citados como exemplos de sucesso na proteção às florestas. O relatório indica que o governo brasileiro reduziu o desmatamento na Amazônia, a maior floresta tropical do mundo, por meio da criação de áreas de proteção ambiental a partir da segunda metade da década de 1990, com grande intensificação neste século, e as moratórias acordadas com empresas privadas sobre a compra de soja e carne de áreas desmatadas.

“As mudanças na Amazônia brasileira na década passada e a sua contribuição para atrasar o aquecimento global não têm precedentes”, diz o documento. De acordo com o principal autor do trabalho, Doug Boucher, o caso brasileiro mostra que o desenvolvimento econômico não é prejudicado pela redução do desmatamento.

“Por exemplo, as indústrias de soja e de carne bovina no Brasil prosperaram apesar das moratórias evitando o desmatamento”.

Papel indígena

O estudo destaca o papel desempenhado pelas reservas indígenas na conservação da Floresta Amazônica, iniciativas estaduais e a ação de promotores públicos de Justiça, “um braço independente do governo, separado do Poder Executivo e Legislativo, e com poderes para processar os responsáveis pela violação da lei”.

Também é citado o apoio internacional, como o acordo celebrado com a Noruega, que já repassou US$ 670 milhões em compensação pelas reduções das emissões. O documento é considerado de natureza não apenas financeira, mas também política e simbólica, mostrando o compromisso em apoiar os esforços dos países tropicais.

Em relação ao futuro, no entanto, o relatório informa que duas mudanças em 2013 levantaram dúvidas sobre a continuidade do sucesso do país na área climática: as emendas ao Código Florestal Brasileiro que anistiam desmatamentos anteriores e o aumento de 28% na taxa de desmatamento entre 2012-2013 na comparação com o período 2011-2012.

A avaliação do documento é que ainda é muito cedo para prever se este crescimento será uma tendência, mas ressalta que, embora o desmatamento tenha aumentado 28% no ano passado, em relação a 2012, ele foi 9% menor ao registrado em 2011 e 70% inferior à media entre 1996 e 2005.

“Nesse meio tempo, a redução do desmatamento da Amazônia já trouxe uma grande contribuição no combate à mudança climática, mais do que qualquer outro país na Terra”, finaliza.

Com informações: Agência Brasil

11:36 · 17.09.2013 / atualizado às 13:18 · 17.09.2013 por
Cacau, a matéria-prima do chocolate, começou a ser cultivado na pré-história equatoriana, chegou a América Central quinze séculos depois e hoje é cultivado em vários países, incluindo o Brasil. Na foto, plantação de cacau em Russas (CE) Foto: Divulgação
Cacau, a matéria-prima do chocolate, começou a ser cultivado na pré-história equatoriana, chegou a América Central quinze séculos depois e hoje é cultivado em vários países, incluindo o Brasil. Na foto, plantação de cacau em Russas (CE) Foto: Divulgação

A paixão do brasileiro pelo chocolate e outros derivados do fruto do cacaueiro pode ter uma explicação nas origens do cultivo do vegetal, bem mais próximas do nosso território. É que um estudo franco-equatoriano sugere que a cultura do cacau começou na Amazônia e não na América Central, como se acreditava anteriormente.

A pesquisa apontou que no sudeste do Equador, havia uma grande cultura do produto há cerca de 5.500 anos, quase 2.500 anos antes das evidências mais antigas encontradas em sítios arqueológicos relacionados ao povo Olmeca, que viveu entre  Guatemala, Honduras Nicarágua e México. O grupo encontrou evidências químicas e físicas de cacau da variedade “fino de aroma”, nos vestígios de recipientes encontrados na província de Zamora Chinchipe, na Amazônia equatoriana.

Francisco Valdez, que dirige a missão de pesquisa na jazida Santa Ana-La Florida que o cacau foi criado na alta Amazônia e de lá, de alguma forma, foi levado à América Central. “Na realidade, o cacau não é original dessa região, da América Central, como pensavámos até agora, pois se presume que, inclusive, há 7 mil anos ele já existia na bacia alta da Amazônia. Seu uso social foi iniciado cerca de 1.500 anos mais tarde, segundo as provas de carbono 14 em que foram submetidos os vestígios encontrados na cultura Mayo-Chinchipe-Marañón, que aparentemente se estendeu pela floresta peruana.

Para ele, a descoberta arqueológica poderia transformar a história americana como a mesma é conhecida atualmente. Segundo suas pesquisas, a cultura Mayo-Chinchipe-Marañón teve uma organização sofisticada e, aparentemente, teve relação com culturas dos Andes e da costa do Equador. O achado de conchas marinhas na floresta dá conta da relação entre os povos amazônicos com os do litoral, com os quais, seguramente, trocavam produtos de cada região.

Além de outros vegetais, como a mandioca, os amazônicos também levavam cacau para o litoral, onde também floresceu a cultura Valdivia, uma das mais antigas da América do Sul e que habitou a zona tropical do Equador há cerca de 6 mil anos. Segundo Valdez, esta e outras descobertas arqueológicas poderiam contrariar a história antiga, sobretudo a visão de que “a Amazônia era selvagem e que a floresta impedia o desenvolvimento de cultivos”.

Com informações: Portal Terra

12:27 · 05.08.2013 / atualizado às 14:02 · 05.08.2013 por
Hambúrguer feito a partir de células-tronco é apresentado como possível solução para o fim do abate animal e para reduzir problemas ambientais decorrentes da produção de carne Foto: BBC
Hambúrguer feito a partir de células-tronco é apresentado como possível solução para o fim do abate animal e para reduzir problemas ambientais decorrentes da produção de carne Foto: BBC

Notícia boa para quem quer deixar de comer carne animal mas tem dificuldade para abandonar o hábito.

Cientistas da Universidade de Maastricht, na Holanda, apresentaram nesta segunda-feira (5), em Londres, o primeiro hambúrguer feito de células-tronco, sem a necessidade de abate do gado.

As células-tronco foram retiradas de uma vaca para reconstituir os músculos de carne bovina, que foram combinados a outros ingredientes para fazer o hambúrguer. A tecnologia poderia ser uma forma sustentável para suprir a crescente demanda por carne.

Mas se há expectativa para produção em escala industrial no futuro, o projeto para produzir a carne artificial, no presente, foi implementado ao custo exorbitante de cerca de R$ 750 mil.

Ecologia, combate à fome e respeito aos animais justificam pesquisa

“Estamos fazendo isso porque a criação de animais para abate não é boa para o meio ambiente, não vai suprir a demanda mundial por comida e também não é boa para os próprios animais”, ressaltou Mark Post, pesquisador da Universidade de Maastricht.

Já a pesquisadora Helen Breewood, que é vegetariana, afirma que se comesse carne, preferiria a feita em laboratório. “Muita gente considera carne feita em laboratório repulsiva, mas se eles soubessem o que acontece nos abatedouros para a produção de carne, também achariam repulsivo”, ressalta.

A opinião é compartilhada pelo grupo Pessoas pela Ética do Tratamento aos Animais (People for the Ethical Treatment of Animals – Peta). “A carne de laboratório irá favorecer o fim de caminhões cheios de vacas, frango, abatedouros e fazendas de produção. Irá reduzir a emissão de gases de carbono, economizar água e fazer a rede de suprimento de alimentos mais segura”, destacou a nota do Peta.

A notícia e o eventual desenvolvimento da tecnologia é ainda mais importante, considerando o último levantamento das Organização para Alimentação e Agricultura das Nações Unidas (FAO) sobre o futuro da produção de alimentos que mostra crescimento da demanda por carne na China e Brasil .

Como foi produzido o hambúrguer

As dificuldades para produzir o hambúrguer com células-tronco começaram com a cor. Como, as células desenvolvidas eram essencialmente musculares e sem envolvimento de circulação sanguínea, por tabela, a carne de laboratório saiu inicialmente branca, mas a equipe holandesa está tentando adicionar o composto mioglobina.

Na primeira experiência, no entanto, foi usado suco de beterraba para dar a cor avermelhada. “Se não se parece com a carne normal, se não tem gosto de uma carne normal, não se tornará viável”, afirma Breewood. Além do suco, foi adicionado ao hambúrguer  farinha de rosca, caramelo e açafrão. Até o momento, os cientistas podem apenas produzir pequenos pedaços de carne por vez.

As células-tronco podem se desenvolver em tecidos de quaisquer partes do corpo de um animal, tais como nervos, músculos, gorduras, ossos e pele.  No laboratório, as células são colocadas numa cultura com nutrientes para promover o crescimento e multiplicação das células. Três semanas depois, as mais de um milhão de células-tronco geradas são colocadas em recipientes menores onde se tornam pequenas tiras de músculo de um centímetro de comprimento e alguns milímetros de espessura.

As pequenas tiras são coletadas e juntadas em pequenos montes, que são congelados. Quando alcançam uma quantidade suficiente, elas são descongeladas e compactadas na forma de um hambúrguer antes de serem cozidos.

08:49 · 16.07.2013 / atualizado às 13:26 · 16.07.2013 por
Estudantes do IFCE-Juazeiro do Norte tiveram dois trabalhos na área da produção de biodiesel e um no da reutilização da água destacados em feira científica nacional; dois deles serão expostos no exterior Foto: IFCE/Divulgação
Estudantes do IFCE-Juazeiro do Norte tiveram dois trabalhos na área da produção de biodiesel e um no da reutilização da água destacados em feira científica nacional; dois deles serão expostos no exterior Foto: IFCE/Divulgação

Que o Ceará é uma referência na pesquisa do chamado biodiesel, combustível produzido a partir de fontes não-fósseis e renováveis, não é novidade. Um dos pioneiros nesse campo foi o pesquisador Expedito Parente, morto em 2011.

Mas dois projetos desenvolvidos pelo Instituto Federal do Ceará (IFCE), no campus Juazeiro do Norte, mostram que o Estado deve continuar na vanguarda dos combustíveis ecologicamente corretos.

O projeto “Reciclagem de óleo comestível usado para a produção de biodiesel, glicerina e sabão”, por exemplo, foi credenciado para participar de feira científica em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.

Os estudantes irão para a Milset (sigla inglesa que significa “Movimento para atividades de lazer em Ciência e Tecnologia”) Expo-Sciences International 2013, que acontecerá em setembro deste ano, custeados pela Petrobras e pelo próprio IFCE.

O trabalho, que apresenta alternativas para o reaproveitamento do óleo de cozinha, foi desenvolvido pelos alunos Cícero Paulo dos Santos, Alanna Lucena e Maria Jéssica da Silva e exposto na etapa nacional da prestigiada feira, que este ano aconteceu em Fortaleza.

Biodiesel de pequi

Outro projeto juazeirense ligado ao desenvolvimento de biodiesel e outros produtos também se destacou e representará o Ceará na Feira Nordestina de Ciência e Tecnologia (Fenecit), que acontecerá em Recife, no mês seguinte.

Os estudantes Jennifer Marques, Leonardo Lima e Thiago Tavares desenvolveram o projeto “Potencialidades do Pequi”, com o objetivo de mostrar a importância do fruto para a região e a possibilidade de utilizá-lo para fabricar biocombustível, glicerina, sabão e briquete.

Juazeiro também se destaca na reutilização da água

Mas não foi só na criação de alternativas combustíveis que os estudantes de Juazeiro do Norte se destacaram. A pesquisa sobre reutilização da água também foi qualificada para representar o Brasil no exterior. O projeto “Água Renovada” está apto a participar da Milset América-Latina 2014, na Colômbia.

Os alunos Júnior Nicácio, Laleska de Oliveira e Larissa Gonçalves criaram uma técnica que envolve o uso de energia solar, processos de evaporação e condensação. “Para um estado como o nosso, que enfrenta períodos de seca, a relevância é muito grande”, diz o professor Ricardo Ferreira da Fonseca, que orientou os três projetos-destaque na etapa nacional da Milset.

Com informações: Departamento de Comunicação Social do IFCE

17:48 · 07.07.2013 / atualizado às 17:59 · 07.07.2013 por
Praias da cidade chinesa de Qingdao foram as mais afetadas pelo fenômeno Foto: AFP
Praias da cidade chinesa de Qingdao foram as mais afetadas pelo fenômeno Foto: AFP

Um fenômeno ao mesmo tempo curioso e preocupante tem afetado a vida dos quase 2,5 milhões de habitantes da cidade chinesa de Qingdao.

Um verdadeiro mar de algas invadiu as praias da região turística. A Administração Estatal Oceânica disse que o tapete de “alface do mar”, é geralmente inofensivo para seres humanos, mas sufoca a vida marinha e, invariavelmente, afugenta os turistas quando começa a apodrecer.

No entanto, como se pode observar em fotos e vídeos divulgados pela mídia chinesa, alguns banhistas parecem se divertir com a “invasão”. As autoridades locais enviaram centenas de barcos e tratores para limpar as águas na  antiga concessão alemã da província de Shandong, famosa por sua cerveja e praias.

Trabalhadores e voluntários já retiraram mais de 20 mil toneladas de algas, segundo o governo de Qingdao. As algas são valorizado pelos seus nutrientes, usados como ingredientes em fertilizantes e na produção de energia de biomassa. Mas, em grandes quantidades, elas podem ser perigosas, uma vez que na sua decomposição produzem gás sulfídrico tóxico. Nesse processo, elas exalam um cheiro que lembra a ovo podre.

A maré verde espalhou-se por mais de 7,5 mil km², o dobro do tamanho de um surto semelhante ocorrido em 2008, que chegou a ameaçar eventos de vela durante os Jogos Olímpicos de Pequim, promovidos na região de Qingdao. Barcos e helicópteros com dez mil trabalhadores foram acionados para limpar as águas na época. Os custos de limpeza mais tarde foram estimados em mais de R$ 67 milhões.

Os danos para produtores de frutos do mar e pescados foram estimados em mais de R$ 225 milhões, segundo a Academia Chinesa de Ciências da Pesca. Um surto em 2009 foi ainda maior, afetando um trecho do Mar Amarelo. Os biólogos estão tentando explicar a mais recente proliferação de algas, mas suspeitam que o problema está ligado à poluição.

Marés verdes semelhantes foram relatadas em outras regiões do mundo, mas em Qingdao elas começaram em 2007. Um fator-chave é a alta oferta de nutrientes escoados pela agricultura.

Com informações: Estadão Conteúdo

14:35 · 05.07.2013 / atualizado às 14:40 · 05.07.2013 por
Grão de cevada com cerca de 7 mm fornece pistas sobre o surgimento da agricultura no mundo. Irã pode ter sido país pioneiro  Foto: Divulgação
Grão de cevada com cerca de 7 mm fornece pistas sobre o surgimento da agricultura no mundo. Irã pode ter sido país pioneiro Foto: Divulgação

Um estudo divulgado na quinta-feira (4) na revista Science indica que habitantes da Cordilheira de  Zagros, no Irã, começaram a cultivar grãos entre 12 mil e 9,8 mil anos atrás, o que pode colocá-los entre os primeiros agricultores do planeta.

A descoberta contraria a hipótese de que a agricultura se desenvolveu na região mais ocidental do Crescente Fértil (região que compreende, atualmente, do Egito ao Iraque) e depois se espalhou para as demais áreas e fortalece a teoria de que ela teve mais de uma origem.

“Durante algum tempo, o aparecimento da agricultura no Irã foi considerada parte de uma transferência cultural do oeste. Essa opinião era, contudo, mais baseada na falta de informação dos sítios daquele país”, diz Simone Riehl, da Universidade de Tübingen (Alemanha), ao se referir a limitações que eram impostas pelas autoridades iranianas para escavações na região.

Os sítios arqueológicos mais antigos, com cerca de 10,5 mil anos, tem indícios de agricultura conhecidos até hoje ficam na Palestina, Síria e Turquia, todos também no Crescente Fértil.  ​Com a liberação das pesquisas, arqueólogos podem descobrir agora a pré-história iraniana. Em uma dessas escavações, a equipe de Simone Riehl encontrou vasos com restos de plantas em seu interior. A análise desse material indica que o povo da região cultivava cereais como cevada, trigo e lentilha.

“Durante as últimas décadas, diversas escavações arqueológicas foram conduzidas no Oriente Próximo que levaram pesquisadores a considerar a possibilidade de que múltiplas regiões do Crescente Fértil começaram a cultivar cereais quase ao mesmo tempo, ao invés de uma única área como núcleo. Isso não significa, obviamente, a exclusão da possibilidade de algum tipo de transferência de ideias e materiais entre diferentes grupos que povoavam o Crescente Fértil”, explica a pesquisadora.

12:48 · 11.05.2013 / atualizado às 16:25 · 11.05.2013 por
Eventos climáticos extremos, como a seca 2012-2013 no Nordeste brasileiro podem se agravar em níveis sem precedentes caso níveis de CO² continuem aumentando no ritmo atual Foto: Wellington Macedo
Eventos climáticos extremos, como a seca 2012-2013 no Nordeste brasileiro podem se agravar em níveis sem precedentes caso níveis de CO² continuem aumentando no ritmo atual Foto: Wellington Macedo

Em época de forte seca no Nordeste e outros extremos climáticos pelo mundo, a concentração de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera do Hemisfério Norte superou pela primeira vez na história recente a fronteira simbólica das 400 partes por milhão (ppm). Os dados foram divulgados na sexta-feira (10) pela Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês).

O número representa um preocupante  marco já que foi registrado em Mauna Loa, no Havaí, a estação de medição de dióxido de carbono contínua mais antiga do planeta e que é considerado o principal local de medição de gases do efeito estufa desde que começou a operar em 1958. “É impossível parar a chegada do CO2 aos níveis de 400 partes por milhão. Isso já é um fato. Mas o que acontece a partir de agora ainda importa para o planeta e está sob nosso controle”, afirmou Ralph Keeling, geoquímico do Centro Oceanográfico de San Diego, no comunicado da NOAA.

Os cientistas determinaram que, antes da revolução industrial do século 19, os níveis de CO2 eram de 280 partes por milhão. A taxa de aumento se acelerou desde que começaram as análises contínuas em 1958, ao passar de cerca de 0,7 partes por milhão ao ano naquela época a uma média de 2,1 partes por milhão ao ano na última década.

A última vez em que o nível de CO2 chegou a 400 ppm foi durante o período geológico do Plioceno, entre 3,2 milhões e 5 milhões de anos atrás, quando a Terra marcava de 2 a 3 graus a mais. Esse período coincidiu com a separação entre a espécie humana e as espécies do chimpanzé e do bonobo.

Em ritmo atual haverá colapso da agricultura em 100 anos e gigantesca extinção em massa nos 500 anos seguintes

Já havia uma expectativa de que os índices pudessem ultrapassar o limite de 400 ppm, mas os pesquisadores não previam que isso aconteceria tão rápido, segundo Hilton Silveira Pinto, do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas a Agricultura, da Unicamp.

“No início do século, os índices de concentração de CO2 eram de 370 ppm. Os 400 ppm são equivalentes a um aumento de cerca de 10% no conteúdo de carbono. Pode ser que, em 30 anos, estes números cheguem a 500 ppm, fazendo com que plantas tenham dificuldade em se desenvolver. Caso alcancem os 700 ppm, as plantas não se desenvolverão mais”, relatou o pesquisador. No ritmo atual, isso levaria pouco mais de um século e levaria a um colapso na agricultura.

Mas o quadro poderia ser muito pior num futuro um pouco mais distante. A concentração do gás gerador de efeito estufa poderia chegar a estonteantes 2.000 ppm, em cerca de 600 ou 700 anos, índice similar ao registrado durante a extinção do Permiano-Triássico, há cerca de 250 milhões de anos. A extinção foi a maior conhecida e vitimou 90% das espécies marinhas e 70% das terrestres.

22:07 · 02.10.2012 / atualizado às 01:21 · 03.10.2012 por
Cultura do feijão de corda sofre com ameaça do inseto conhecido popularmente como gorgulho (do gênero Callosobruchus), mas além de alto valor nutritivo já apresentou alguns resultados positivos contra o câncer de mama Imagem: Seeds of India

A Ciência feita no Ceará tem mais um motivo para se orgulhar! E olha que foi com a ajuda de um velho conhecido, o feijão de corda (ou Vigna unguiculata, como manda a classificação científica).

É que o pesquisador Francisco de Assis Paiva Campos, do Departmento de Bioquímica e Biologia Molecular da Universidade Federal do Ceará (UFC) foi um dos 16 contemplados na edição especial de outubro da revista britânica Proteomics, dedicada inteiramente aos cientistas brasileiros. O professor Campos aparece na revista com o artigo “Mudança proteômica global em larvas de Callosobruchus Maculatus em seguida à ingestão de inibidor de proteinase cisteínica”.

Mas não se assuste com o título, trata-se simplesmente de um estudo sobre a utilização da engenharia genética a fim de aumentar a concentração de proteína no feijão de corda para inibir o desenvolvimento das larvas de um inseto muito conhecido do cearense, o gorgulho (justamente o tal Callosobruchus Maculatus). “A publicação desse trabalho evidencia o pioneirismo do nosso departamento no estudo das interações inseto-planta”, ressalta Campos.

” Nosso estudo mostrou, no entanto, que o inseto é capaz de se adaptar a uma dieta rica em inibidores de proteinases digestivas através da síntese de proteinases digestivas e outras enzimas que não são suscetíveis de serem inibidas pelos inibidores de proteinases cisteínicas”, explica o pesquisador. Isso abre um novo desafio na busca por uma forma orgânica (ou geneticamente  modificada) de combater à maior praga relacionada a essa cultura.

A propósito do feijão-de-corda, um estudo feito por cientistas da Universidade de Brasília (UnB) e divulgado em abril do ano passado, mostrou que uma molécula encontrada no grão, a BTCI, causa fragmentação genética e altera organelas citoplasmáticas das células ligadas ao câncer de mama, doença que afeta 49 em cada 100 mil pessoas.

Curiosidade: vários nomes para o nosso feijão de corda

Além do nome científico e do nome mais popular no Ceará, o feijão de corda, da família das fabáceas (ou leguminosas) e da classe das magnoliopsidas (dicotiledôneas), recebe dezenas de nome pelo Brasil a fora. Confira alguns deles:

– boca-preta
– ervilha-de-vaca
– favalinha
– feijão-alfanje
– feijão-besugo
– feijão-careta
– feijão-carita
– feijão-carito
– feijão-caupi (oriundo do tupi)
– feijão-chicote
– feijão-chícharo
– feijão-chinês
– feijão-congo
– feijão-da-china
– feijão-de-boi
– feijão-de-corda
– feijão-de-frade
– feijão-de-macáçar
– feijão-de-olho-preto
– feijão-de-vaca
– feijão-de-vara
– feijão-frade
– feijão-frade-comprido
– feijão-galego
– feijão-gurutuba
– feijão-lagartixa
– feijão-mancanha
– feijão-mineiro
– feijão-miúdo
– feijão-miúdo-da-china
– feijão-vinha
– feijãozinho-da-índia
– mebauene
– mucunha
– mulato-gelato

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