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Categoria: Antropologia


17:49 · 04.01.2018 / atualizado às 17:50 · 04.01.2018 por
Foto: Ben Potter

A análise do DNA de um bebê que viveu há 11,5 mil anos no Alasca revelou a existência de uma antiga população da América do Norte que até agora permanecia desconhecida. De acordo com os autores do estudo, publicado na revista Nature, a descoberta levará a uma importante mudança nas teorias sobre como os humanos povoaram o continente americano.

A nova população foi batizada pelos cientistas de “antigos beringianos”, em alusão à Beríngia – a ponte terrestre coberta de gelo que, durante as glaciações, ligava o leste da Sibéria ao oeste do Alasca, onde hoje fica o estreito de Bering, que separa a Ásia da América do Norte.

“Nós não sabíamos que essa população existia. Esses dados também fornecem a primeira evidência direta da origem da população nativa americana, o que traz novas informações sobre como esses povos primitivos migraram e colonizaram a América do Norte”, disse um dos autores principais do estudo, Ben Potter, da Universidade do Alasca em Fairbanks.

De acordo com a análise genética e a modelagem demográfica feita pelos cientistas, um único grupo – que foi ancestral de todos os povos nativos das Américas – separou-se dos grupos asiáticos há cerca de 35 mil anos. Há cerca de 20 mil anos, esse grupo se dividiu novamente, dando origem aos antigos beringianos e aos ancestrais de todos os outros povos americanos.

O bebê fossilizado, uma menina que morreu seis semanas após o nascimento, foi batizado pela comunidade indígena local de “Xach’itee’aanenh T’eede Gaay”, que significa “menina do sol nascente”. Ela foi encontrada em 2013, no sítio arqueológico de Upward Sun River, junto a uma outra menina mais nova, que foi batizada de “Ye’kaanenh T’eede Gaay”, ou “menina da luz do amanhecer”.

“Seria difícil exagerar a importância da descoberta desse novo povo para o nosso conhecimento sobre como as antigas populações vieram habitar as Américas. Essa nova informação nos permite desenhar um quadro muito mais preciso da pré-história dos nativos americanos – que é muito mais complexa do que pensávamos”, afirmou Potter.

Cenários

A descoberta também sugere dois novos cenários para o povoamento das Américas.

Em um deles, um só grupo teria cruzado a ponte terrestre há cerca de 20 mil anos e então teria se dividido entre os antigos beringianos e os demais nativos americanos. O primeiro grupo teria permanecido no extremo norte do continente até o seu completo desaparecimento. O segundo grupo, após a retração das geleiras, teria migrado para o sul há 15,7 mil anos.

No outro cenário, dois grupos distintos de pessoas teriam cruzado a Beríngia. Os antigos beringianos teriam então se estabelecido ao norte, enquanto os ancestrais de todos os indígenas teriam migrado para o sul há 15,7 mil anos. Para Potter, o segundo cenário é mais plausível, porque para que houvesse uma só onda migratória a passagem pela Beríngia teria de ocorrer muito antes da divisão das duas populações. “O fundamento para esse cenário da migração de dois povos distintos é bastante forte. Não temos evidências de humanos na região da Beríngia há 20 mil anos.”

Segundo Potter, quando sua equipe começou a análise do material genético, esperava-se encontrar a conexão entre o perfil genômico dos fósseis encontrados no Alasca e o de outros povos nativos da América do Norte. Porém, o DNA dos fósseis não combinava com o de nenhuma outra população antiga.

Isso sugere, de acordo com o cientista, que os antigos beringianos permaneceram no extremo norte do continente por milhares de anos, enquanto os ancestrais dos povos indígenas se espalharam por todo o continente.

Travessia pelo litoral

Um dos autores do novo estudo, Eske Willerslev, da Universidade de Copenhague (Dinamarca), havia publicado em 2016 uma outra pesquisa que desmontava uma das principais teorias sobre a migração da Sibéria para o Alasca, que seria uma migração por terra pela Beríngia. Naquele trabalho, também publicado na Nature Willerslev mostrou que o corredor que tornaria o caminho possível entre as geleiras formou-se há 15 mil anos, mas só oferecia condições para a travessia há 12,6 mil anos. A presença humana no continente, porém, é confirmada por vestígios fósseis há pelo menos 13 mil anos.

De acordo Willerslev a hipótese mais plausível é que os povos da Ásia tenham migrado para a América viajando ao longo da costa do Oceano Pacífico – pela orla, ou por mar – o que poderia ter ocorrido há mais de 15 mil anos.

Com informações: Estadão Conteúdo

17:19 · 08.12.2017 / atualizado às 17:19 · 08.12.2017 por
Concepção artística das migrações humanas ocorridas entre 60 e 120 mil anos atrás, em um período anterior ao que se pensava Imagem: Ivan Heredia/CSIC

A tese de uma única migração humana fora da África há 60 mil anos não poderá mais ser considerada um dado correto da história da humanidade, argumenta uma revisão da literatura científica publicada na revista científica americana Science.

Ao contrário, várias migrações para fora da África, que começaram há 120 mil anos, deram origem à população moderna, demonstram os resultados da pesquisa. Avanços na análise de DNA e em outras técnicas de identificação de fósseis, principalmente em relação a descobertas na Ásia, estão ajudando a reescrever o que pensávamos saber sobre nossas origens.

Uma “abundância de novas descobertas” na última década mostrou que os humanos modernos, ou Homo sapiens, chegaram a partes do continente asiático muito antes do que se pensava, assinalou o informe. Vestígios de Homo sapiens datados de 70 mil a 120 mil anos foram encontrados em diferentes locais no sul e no centro da China. Outras descobertas de fósseis mostram que os humanos modernos chegaram ao sudeste de Ásia e à Austrália antes de 60 mil anos atrás.

“As primeiras dispersões fora da África antes de 60 mil anos atrás provavelmente eram feitas em pequenos grupos de pessoas que buscavam comida e, pelo menos, algumas dessas dispersões iniciais deixavam traços genéticos de baixo nível em populações modernas”, explicou Michael Petraglia, pesquisador do Instituto Max Planck para a Ciência da História Humana, na Alemanha.

Migração maior

“Um evento posterior e maior de [migração] ‘Fora da África’ muito provavelmente ocorreu por volta de 60 mil anos atrás ou depois disso”, informou. Pesquisas recentes confirmaram que esta migração em massa há 60 mil anos “contribuiu para a maior parte da composição genética dos não africanos atuais”, de acordo com o comunicado.

Estes primeiros viajantes se miscigenaram com outras espécies, incluindo Neandertais e Denisovanos, e uma população não identificada de homininis (primatas hominóideos) pré-modernos em muitos locais através da Eurásia. Os cientistas consideram que, entre os Homens modernos não africanos atuais, de 1% a 4% do DNA seria de origem dos Neandertais e até 5% podem ser de Denisovanos. “Agora está claro que humanos modernos, os Neandertais, Denisovanos e talvez outros grupos homininis provavelmente se sobrepuseram no tempo e no espaço na Ásia, e certamente tiveram muitos casos de interação”, destacou o estudo.

Com informações: AFP

17:45 · 30.12.2016 / atualizado às 17:48 · 30.12.2016 por
Foto: DR/Público
Comportamento fica demonstrado pelos corpos despedaçados ou pelos ossos fraturados para que a medula fosse retirada encontrados na região Foto: DR/Público

Os homens de Neandertal que viviam nas cavernas de Goyet, no que hoje é território belga, não comiam apenas cavalos e renas para se alimentar, mas também carne humana, indica um novo estudo internacional.

Isso fica demonstrado pelos corpos despedaçados ou pelos ossos fraturados para que a medula fosse retirada encontrados na região. “É irrefutável, o canibalismo era praticado aqui”, explica o arqueólogo belga Christian Casseyas enquanto percorre a chamada terceira caverna de Goyet, situada em um pequeno vale perto das Ardenas belgas (sul).

Os restos datam de cerca de 40.000 anos atrás, quando a presença na terra dos neandertais estava chegando ao fim. Faltava pouco para que dessem lugar ao homem de Cro-Magnon, nosso ancestral direto, com o qual haviam coabitado. Durante anos, os homens de Neandertal, com um cérebro um pouco maior que o do homem moderno, foram considerados seres selvagens, apesar de cuidarem dos corpos dos mortos, como demonstram algumas sepulturas da época.

Agora sabemos que eles também comiam seus pares. Já haviam sido detectados alguns casos de canibalismo em populações de neandertais estabelecidas na Espanha (El Sidrón e Zafarraya) e na França (Moula-Guercy e Les Pradelles), mas nunca antes em um país do norte da Europa. As cavernas de Goyet, ocupadas desde o Paleolítico, são galerias de calcário de cerca de 250 metros de comprimento, esculpidas naturalmente pelo Samson, um pequeno riacho que atualmente está localizado a poucos metros das cavernas. O lugar começou a revelar seus segredos em meados do século XIX graças a um dos precursores da paleontologia, Edouard Dupont (1841-1911). Dupont, geólogo e diretor do Museu Real de História Natural da Bélgica, escavou cuidadosamente várias cavernas, incluindo a de Goyet, em 1867, onde encontrou vários ossos e ferramentas.

Em uma época na qual Darwin acabava de formular sua teoria da evolução, Dupont publicou os resultados de suas pesquisas no livro “L`homme Pendant Les Ages de La Pierre”.

Comida e ferramentas

Por mais de um século, as descobertas de Dupont foram esquecidas no museu, atualmente convertido em Instituto de Ciências Naturais de Bruxelas.

Até que em 2004 Patrick Semal, diretor da seção de antropologia do Instituto, encontrou entre os ossos achados por Dupont um fragmento de mandíbula de um neandertal.

Os cientistas começaram, então, um longo trabalho para reexaminar todos estes ossos, incluindo os que Dupont considerou na época que pertenciam a animais. A equipe internacional liderada pela antropóloga francesa Hélène Rougier, da California State University Northridge (EUA), conseguiu demonstrar que em Goyet o homem de Neandertal era antropófago.

Vários ossos humanos que pertenceram a seis indivíduos (um recém-nascido, uma criança e quatro adultos ou adolescentes) têm sinais de que foram cortados “para serem desarticulados e para que a carne fosse retirada”, explica Christian Casseyas. “Da mesma forma que quebravam os ossos de renas e cavalos que encontramos na entrada da caverna, eles quebraram ossos humanos para extrair a medula”, acrescenta o arqueólogo, que acompanha os turistas que visitam Goyet.

Hélène Rougier confirmou à AFP que “alguns neandertais morreram e foram comidos aqui”, a primeira constatação deste fenômeno no norte da Europa. Seu estudo sobre a caverna belga foi publicado em julho pela Scientific Reports, uma publicação do grupo Nature. “Alguns dos ossos também serviram como ferramentas”, explicou Rougier.

No entanto, as razões deste canibalismo e até que ponto ele estava disseminado continuam sendo um mistério. “Talvez fosse apenas para alimentação, mas também poderia ser simbólico. As hipóteses estão abertas”, diz Rougier.

Com informações: AFP

23:25 · 29.09.2016 / atualizado às 23:25 · 29.09.2016 por
Foto: The New York Times
A organização e a defesa de territórios são importantes motivos de conflitos. A combinação desses fatores leva, por exemplo, a uma forma embrionária de guerra entre chimpanzés, nossos “primos” Foto: The New York Times

Guerra, assassinato e outras formas de agressão letal são parte importante do legado evolutivo da espécie humana, numa proporção muito maior do que ocorre com outros animais planeta afora.

A conclusão, aparentemente desanimadora, vem de um monumental estudo comparativo conduzido por pesquisadores espanhóis, mas há também uma boa notícia: a taxa de mortes violentas pode variar muito de acordo com a época e a cultura, e os tempos atuais são os mais pacíficos de todos.

Publicado na “Nature”, o levantamento coordenado por José María Gómez, da Universidade de Granada, apresenta uma visão das “raízes filogenéticas da violência letal humana”, conforme diz o título do trabalho. Trocando em miúdos, os pesquisadores tentaram investigar até que ponto a filogenia do Homo sapiens -ou seja, o parentesco do homem com outros seres vivos- influenciou o padrão de interações violentas entre membros da nossa espécie que resultam em mortes.

Ou seja, estamos falando apenas da chamada violência letal intraespecífica: não contam, por exemplo, os casos de morte por predação nos quais um animal de determinada espécie mata um membro de outra para comê-lo, que caracteriza a chamada violência interespecífica.

Milhões de mortes

O primeiro passo foi criar um banco de dados gigantesco: informações sobre mais de 4 milhões de mortes em 1.024 diferentes espécies de mamíferos como o ser humano.

O primeiro resultado importante é que, embora mortes violentas tenham sido registradas em 40% dessas espécies, a taxa costuma ser relativamente baixa, numa média 3 para cada 1.000 mortes (0,3%). Baleias e morcegos são especialmente pacíficos, ao menos nesse sentido. O problema é que a taxa vai aumentando progressivamente conforme o parentesco fica mais próximo dos primatas, o subgrupo que inclui os macacos e a humanidade. Entre essas criaturas, a média da violência letal fica em torno de 2% -seis vezes superior à dos mamíferos como um todo.

De fato, embora existam exceções, espécies de parentesco mais próximo tendem a ter comportamento violento mais parecido, o que, segundo os cientistas, corrobora a ideia de que há um componente evolutivo influenciando esse fator. Dois elementos acabam colaborando para o aumento da violência letal em certos grupos de mamíferos ao longo de sua trajetória evolutiva: a vida em grandes grupos e a territorialidade (ou seja, o hábito de tomar posse de um território específico).

A organização em bandos, por um lado, facilita a agressão grupal contra inimigos, que é quase sempre mais mortífera do que brigas na base do mano a mano, enquanto a defesa de territórios é um importante motivo de conflitos. A combinação desses fatores leva a uma forma embrionária de guerra entre chimpanzés, nossos “primos”.

Guerra e paz

O passo seguinte foi examinar os dados sobre a espécie humana moderna, presentes em cerca de 600 estudos que vão do Paleolítico (a popular Idade da Pedra Lascada) aos dias de hoje.

Tais dados muitas vezes não têm a mesma qualidade: nos últimos séculos, basta compilar certidões de óbito mundo afora, enquanto no caso da Pré-história é preciso procurar marcas de violência em esqueletos antigos (e nem sempre um assassinato vai deixar vestígios no esqueleto do defunto).

Feitas essas ressalvas, os dados sugerem que durante dezenas de milhares de anos as mortes violentas ficaram estáveis, na casa dos 2% ou pouco acima dela -ou seja, nossa espécie estava se comportando mais ou menos da maneira esperada, como qualquer outro grande primata. A coisa, porém, encrespou para valer a partir da Idade do Ferro (pouco mais de 3.000 anos atrás), possivelmente por conta do surgimento de Estados e impérios que desenvolveram classes de guerreiros e conquistadores, cujo papel de elite dependia justamente da habilidade de cortar a cabeça alheia.

Nos últimos 500 anos, porém, fortaleceu-se uma tendência lenta, segura e gradual de queda da proporção de mortes violentas, em parte porque os Estados modernos passaram a controlar cada vez mais os conflitos entre cidadãos, em parte porque os conflitos entre Estados foram se tornando mais raros.

A taxa atual está abaixo da média dos mamíferos, aliás -apesar de conflitos étnicos e religiosos e do terrorismo. Em média, a paz está vencendo, ao menos por enquanto.

Com informações: Reinaldo José Lopes/Folhapress

19:01 · 07.04.2015 / atualizado às 19:07 · 07.04.2015 por
Foto: HNGN
Jeralean Talley, de 115 anos vive nos Estados Unidos. Ela nasceu na Geórgia em 23 de maio de 1899 e nesta terça-feira (7) completa 115 anos e 320 dias, segundo o Grupo de Investigação Gerontológica (GRG) Foto: HNGN

Uma norte-americana nascida no século XIX, Jeralean Talley, tornou-se a pessoa mais velha do mundo após a morte de sua compatriota Gertrude Weaver, que manteve o título por apenas uma semana.

Talley, de 115 anos vive no Michigan. Ela nasceu na Geórgia em 23 de maio de 1899 e nesta terça-feira (7) completa 115 anos e 320 dias, segundo o Grupo de Investigação Gerontológica (GRG), que registra os casos documentados daqueles que ultrapassaram os 110 anos de vida.

De acordo com o GRG, existem no mundo apenas três pessoas nascidas no século XIX, e as três são mulheres de 115 anos: as americanas Jeralean Talley (23/05/1899) e Susannah Mushatt Jones (06/07/1899) e a italiana Emma Morano-Martinuzzi (29/11/1899). O último homem nascido no século XIX (em 1896), o inglês Henry Allingham, faleceu em 2009, segundo o GRG.

No entanto, este registro pode deixar de fora super-centenários que vivem em áreas remotas ou pouco pesquisadas, como a camponesa peruana Filomena Taipe (1897), a mulher mais velha do Peru, que faleceu no último domingo (5) aos 117 anos e que não aparecia na lista do GRG depois de viver ao longo de três séculos. Taipe nasceu em 20 de dezembro de 1897, de acordo com seu registro de identidade.

Há um cearense, natural de Pedra Branca, José Aguinelo dos Santos, que seria ainda mais velho e teria nascido em 7 de julho de 1888, com 126 anos de idade.  E há alegações ainda sem comprovação de pessoas ainda mais velhas em países como México, Bolívia e Uzbequistão, entre outros.

As dificuldades de averiguação da veracidade desses registros é o maior empecilho para ratificar esses supostos recordes.

Segredo

Entrevistada pelo Detroit Free Press sobre o segredo de sua longevidade, Talley, que vive em Inkster, perto de Detroit, disse que isso não dependia de si mesmo. “Vem de cima (…) Não está em minhas mãos ou nas suas”.

Para a revista Time, que entrou em contato com uma de suas filhas de 77 anos, Thelma Holloway, a nova decana come muito porco, fica acordada até tarde e parou de jogar boliche aos 104 anos. A ex-decana da humanidade, Gertrude Weaver, morreu na segunda-feira aos 116 anos.

Gertrude Weaver, que completaria 117 anos em 4 de julho, morreu vítima das complicações provocadas por uma pneumonia em um asilo do estado de Arkansas. A americana, nascida em 1898, se tornou a pessoa mais velha do planeta em 1º de abril, após a morte da japonesa Misao Okawa, aos 117 anos.

“Sabia que era a decana da humanidade e estava muito feliz. Ela apreciava cada ligação, cada carta, cada comentário”, declarou ao jornal Washington Post Kathy Langley, uma das diretoras do centro Silver Oaks Health and Rehabilitation, onde Gertrude morava.

Ao ser questionada sobre o segredo de sua longevidade, Gertrude Weaver afirmou a um jornal de Arkansas que um dos motivos era “tratar bem todo mundo”. Filha de agricultores, Gertrude Weaver era a mais nova de seis irmãos.

Ela teve quatro filhos, dos quais o único ainda vivo completou 94 anos na semana passada, segundo o Washington Post. A japonesa Misao Okawa faleceu no dia 1º de abril, menos de um mês depois de completar 117 anos.

Com informações: AFP

18:54 · 22.10.2014 / atualizado às 19:08 · 22.10.2014 por
Imagem: AVPH
Fêmur encontrado na Sibéria (Rússia) pertenceu a um homem que morreu há 45 mil anos Imagem: AVPH

Cientistas anunciaram nesta quarta-feira (22) ter decifrado o mais antigo DNA já recuperado do osso de um “Homo sapiens”, um feito que lança luz sobre a colonização dos humanos modernos no planeta.

O fêmur encontrado por acaso nas margens de um rio do oeste da Sibéria (Rússia) em 2008 pertenceu a um homem que morreu cerca de 45.000 anos atrás, afirmaram. Obtido a partir do colágeno contido no osso, o genoma contém rastros de neandertais: uma espécie próxima da nossa que viveu na Eurásia juntamente com o “Homo sapiens”, antes de desaparecer misteriosamente.

Estudos anteriores revelaram que “Homo sapiens” e Neandertais se miscigenaram e, como resultado, estes últimos teriam deixando uma pequena marca de apenas 2% nos humanos atuais, exceto os africanos. A descoberta tem impacto no chamado cenário “Fora da África”: a teoria segundo a qual o “Homo sapiens” evoluiu no leste da África há cerca de 200 mil anos e, então, se aventurou fora do continente.

Datar quando os Neandertais e os “Homo sapiens” se miscigenaram também indicaria quando o “Homo sapiens” iniciou uma etapa chave desta jornada, a saída da Eurásia rumo ao sul e ao sudeste da Ásia. O novo estudo, publicado na revista britânica Nature, foi chefiado por Svante Paabo, um geneticista renomado do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva em Leipzig, Alemanha, pioneiro nas pesquisas sobre os neandertais.

Cruzamento com neandertais

O osso encontrado no rio Irtyush, perto do assentamento de Ust’-Ishim, contém uma quantidade sutilmente maior de DNA neandertal do que os não africanos da atualidade, afirmaram os cientistas.

Mas assume a forma de tiras relativamente longas, enquanto o DNA neandertal no nosso genoma, hoje, foi retalhado e disperso em seções minúsculas, como consequência da reprodução ao longo das gerações.

Estas diferenças fornecem uma pista para um “calendário molecular” ou datação do DNA, segundo mutações ao longo de milhares de anos. Usando este método, a equipe de Paabo estima que a miscigenação entre os neandertais e os “Homo sapiens” tenha acontecido entre 7.000 e 13.000 anos antes de quando o indivíduo siberiano viveu, portanto, não mais de 60.000 anos atrás.

Isto fornece um esboço de datação para estimar quando os “Homo sapiens” partiram rumo ao Sul da Ásia, destacou em um comentário do estudo Chris Stringer, professor do Museu Britânico de História Natural. Se os australasiáticos atuais têm DNA neandertal, isto se deve a que seus antepassados atravessaram um território ocupado por Neandertais e se misturaram com os locais.

“Os ancestrais dos australasiáticos, com ‘input’ similar de DNA neandertal ao dos eurasiáticos, devem ter participado de uma dispersão tardia, e não precoce, no território neandertal”, afirmou Stringer. “Embora ainda seja possível que os humanos modernos tenham atravessado o sul da Ásia antes de 60.000 anos atrás, estes grupos podem não ter dado uma contribuição significativa às populações modernas remanescentes”, prosseguiu.

Antropólogos sugerem que um ramo de Eurasiáticos do norte fez a travessia para onde hoje fica o Alasca mais de 15.000 anos atrás, através de uma “ponte de gelo”, que conectava as ilhas d Estreito de Bering, habilitando o “Homo sapiens” a colonizar as Américas.

Com informações: AFP

23:51 · 08.10.2014 / atualizado às 23:51 · 08.10.2014 por
Foto: Kinez Riza
Foram achadas representações das mãos humanas, do tipo que as crianças de hoje fazem colocando os dedos em cima de uma folha de papel e traçando o contorno com lápis Foto: Kinez Riza

As obras-primas da arte pré-histórica da Europa podem ter encontrado concorrentes à altura do outro lado do mundo.

Novas datações indicam que pinturas rupestres em cavernas da Indonésia foram feitas por seres humanos modernos há cerca de 40 mil anos – empatando em antiguidade com desenhos europeus, até então os mais velhos do mundo.

A passagem do tempo e o clima tropical acabaram destruindo boa parte desse acervo da Era do Gelo na ilha de Sulawesi, uma das maiores do Sudeste Asiático. Mesmo assim, o que restou tem semelhanças importantes com as pinturas de cavernas na Espanha e na França.

Em ambos os continentes, os artistas faziam representações em grande escala de espécies da fauna local -porcos selvagens e pequenos búfalos no caso indonésio, cavalos e auroques (ancestrais selvagens do boi) no caso europeu.

Outro ponto importante em comum: representações das mãos humanas, do tipo que as crianças de hoje fazem colocando os dedos em cima de uma folha de papel e traçando o contorno com lápis.

Datação

Tudo isso é conhecido desde os anos 1950, quando as pinturas foram identificadas pela primeira vez, mas a nova pesquisa, publicada na edição desta semana da revista científica “Nature”, é a primeira a conseguir datar com precisão algumas das imagens -daí a surpresa em relação à idade delas.

Antes, as datas mais antigas para a presença humana em Sulawesi ficavam em torno de 30 mil anos atrás.

Nova hipótese

Uma hipótese popular a respeito das pinturas europeias defende que elas seriam provas de uma espécie de “explosão criativa” que teria acontecido entre os humanos de anatomia moderna que invadiram o continente há cerca de 40 mil anos.

Antes disso, nada parecido teria sido feito pelas mãos de membros da nossa espécie. Achar mais ou menos o mesmo tipo de arte – e com a mesma idade – na Indonésia pode indicar duas “explosões criativas” independentes.

Ou então, o que talvez seja mais provável, a descoberta seria um indício de que os ancestrais de ambos os grupos, ao deixar a África, já tinham a típica criatividade de seus futuros descendentes.

Com informações: Folhapress

21:55 · 25.08.2014 / atualizado às 20:16 · 25.08.2014 por
Foto: Reuters
Povoações alcançaram seu apogeu nos períodos Clássico Tardio e Clássico Terminal, entre os anos 600 e 900 depois de Cristo Foto: Reuters

Arqueólogos encontraram duas cidades maias que estavam escondidas na floresta tropical do sudeste do México, uma região onde, segundo o chefe dos pesquisadores, poderia conter outras “dezenas” a desvendar.

O professor associado da Academia de Ciências e Artes da Eslovênia, Ivan Sprajc, disse que sua equipe encontrou em abril as antigas cidades de Lagunita e Tamchen, na península de Yucatán, mediante a análise de fotografias aéreas da região.

Sprajc comentou que ambas as cidades alcançaram seu apogeu nos períodos Clássico Tardio e Clássico Terminal, entre os anos 600 e 900 depois de Cristo. Em cada local, os cientistas encontraram edificações parecidas a um palácio, praças e pirâmides, uma delas de quase 20 metros de altura.

Os arqueólogos também descobriram a fachada de uma construção com uma porta que se assemelha às garras de um monstro que provavelmente marcava uma das principais entradas do centro da cidade. As fotografias dos lugares mostram pirâmides de pedra que se sobressaem na densa folhagem.

“A entrada, pelo que parece, simboliza a entrada a uma caverna e ao submundo… alguém que entra através deste portal teria entrado em recintos sagrados”, disse Sprajc.

Ele explicou que sua equipe traçou um mapa de 10 a 12 hectares para cada lugar, mas que as cidades provavelmente eram maiores. As escavações ainda não começaram.

Sprajc descobriu no ano passado outra antiga cidade maia na região, a qual batizou de Chactun.

Com informações: Reuters / Exame

20:13 · 21.08.2014 / atualizado às 20:20 · 21.08.2014 por
Foto: Associated Press
Reprodução em forma de estátua de cera retratando um casal de neandertais. Espécie viveu no continente europeu até cerca de 39 mil anos atrás e conviveu com população de humanos modernos Foto: Associated Press

Uma nova análise de amostras procedentes de 40 sítios arqueológicos, coletados desde a Rússia até a Espanha, permitiu constatar que os neandertais podem ter coexistido na Europa com os humanos modernos por até 5,4 mil anos.

A partir de uma técnica melhorada de datação por radiocarbono, investigadores liderados por uma equipe da universidade britânica de Oxford detalham em um estudo, divulgado na revista “Nature”, que os neandertais desapareceram da Europa entre 39.260 e 41.030 anos atrás.

Não foi uma extinção abrupta, segundo os cientistas, mas um processo gradual que seguiu seu próprio ritmo em diferentes pontos do continente. A nova cronologia “sugere que provavelmente algumas pequenas povoações sobreviveram em pontos específicos da Europa antes de serem extintas” completamente, explicou Thomas Higham, responsável pela pesquisa.

A descoberta aponta que neandertais e homens modernos podem ter convivido por um período entre 2,6 mil anos até 5,4 mil anos. Os milênios nos quais houve essa convivência representam “um tempo amplo para a transmissão de comportamentos culturais e simbólicos, assim como para possíveis intercâmbios genéticos”, destacou o estudo.

Os pesquisadores descrevem a Europa desse período de transição, entre o paleolítico médio e superior, como um “mosaico de povoações”. De acordo com os autores do estudo, há 45 mil anos, antes que começasse esse processo de mudança, a Europa era essencialmente neandertal, com pequenos redutos de humanos modernos.

Essa distribuição mudou nos milênios seguintes, uma evolução que foi forjada ao longo de 25 a 250 gerações, dependendo da localização geográfica.

Intercâmbios culturais e genéticos

O professor da Universidade do País Basco Álvaro Arrizabalaga, um dos pesquisadores que participou do estudo, especificou que, apesar de “não ser possível descartar a existência de intercâmbios culturais e genéticos entre ambos os grupos”, essa é a “grande pergunta que ainda está pendente de confirmação na Europa”.

“Sim, sabemos que aconteceu (a troca) no Oriente Médio”, acrescentou. Determinar a relação espacial e temporal entre os neandertais e os humanos modernos é essencial para compreender o processo que levou ao desaparecimento dos primeiros. As limitações técnicas foram os desafios mais sérios para os pesquisadores nesse campo.

As amostras arqueológicas que se aproximam da fronteira dos 50 mil anos têm muito pouco carbono-14, o que torna difícil obter datações mais precisas. Para este novo estudo, os cientistas voltaram a analisar amostras dos principais sítios arqueológicos europeus, à luz da técnica de datação de radiocarbono com um acelerador de espectrometria de massas, para determinar que o período terminou entre 41.030 e 39.260 anos atrás.

Com informações: EFE / G1

19:59 · 11.07.2014 / atualizado às 22:36 · 11.07.2014 por
Foto: Funai / Divulgação
A tribo fica na terra indígena Kampa (Ashaninka) e Isolados do Alto Envira, onde vivem pelo menos 70 índios, sendo a maioria mulheres e crianças, em uma área de 232.795 hectares. A Funai não publicou fotos do encontro Foto: Funai / Divulgação

Um povo indígena desconhecido que vive isolado na floresta amazônica estabeleceu recentemente o primeiro contato com índios da etnia Ashaninka e com servidores da Funai (Fundação Nacional do Índio) no Alto Rio Envira, na fronteira do Acre com o Peru.

Segundo a Funai, o contato do povo  isolado aconteceu de forma pacífica em 29 de junho, na aldeia Simpatia. A tribo fica na terra indígena Kampa (Ashaninka) e Isolados do Alto Envira, onde vivem pelo menos 70 índios, sendo a maioria mulheres e crianças, em uma área de 232.795 hectares. A Funai não publicou fotos do encontro.

Dias antes, os índios desconhecidos assustaram mulheres e crianças Ashaninka quando apareceram nas malocas pegando panelas e facões. O clima ficou tenso entre índios desconhecidos e os ashaninka, o que levou o governo do Acre a realizar uma operação de segurança com apoio do Exército e da Polícia Federal na fronteira.

Em nota divulgada em 17 de junho, o governo do Acre informou que a chamada Operação Simpatia consistia em averiguar as ameaças que a comunidade ashaninka recebia dos “índios isolados” e classificou os desconhecidos como “saqueadores”. Diante da aproximação dos índios isolados na aldeia Simpatia, o coordenador-geral de Índios Isolados da Funai, Carlos Travassos, viajou para região a fim de acompanhar o trabalho.

A FPE Envira vinha acompanhando a aproximação dos índios isolados desde o dia 13 de junho. A permanência do grupo isolado na região ocorre de forma pacífica. A equipe no local busca informações por meio de interpretes para que haja maior conhecimento deste grupo indígena. Segundo a Funai, a equipe recebe apoio do Distrito Sanitário Especial Indígena do Alto Rio Juruá, da Secretaria Especial de Saúde Indígena.

O futuro dos indígenas depois desse contato preocupa antropólogos, que veem a vulnerabilidade dessa população em relação a doenças como a influenza, segundo artigo da revista Science sobre o assunto.

A Política de Proteção aos Índios Isolados da Funai tem a premissa do não contato, respeitando a autodeterminação dos povos e realizando o trabalho de proteção territorial com a presença destes.

Com informações: UOL/EFE