Diário Científico

Categoria: Arqueologia


18:40 · 18.09.2018 / atualizado às 18:42 · 18.09.2018 por
Concepção artística do barroco italiano Michelangelo Merisi, o Caravaggio, que morreu na Toscana, quatro anos após fugir de Roma por ter cometido um assassinato Imagem: Artble

O famoso pintor barroco Caravaggio, que morreu em 1610, sucumbiu a uma infecção de Staphylococcus aureus, revelaram nesta terça-feira (18) pesquisadores do Hospital Universitário Mediterrâneo de Marselha (IHU), quatro séculos depois.

Michelangelo Merisi, conhecido como Caravaggio, fugiu de Roma depois de cometer um assassinato em uma briga de rua, e morreu quatro anos depois na Toscana em condições inexplicadas. “Graças à cooperação com antropólogos italianos e com o microbiologista Giuseppe Cornaglia, as equipes do IHU de Marselha conseguiram extrair dentes do esqueleto de Caravaggio”, informou o instituto em um comunicado.

Os pesquisadores extraíram a polpa dentária, rica em vasos sanguíneos. Combinando três métodos de detecção de DNA, “o assassino foi identificado: um Staphylococcus aureus”, acrescentou o comunicado.

O instituto de pesquisa do IHU, liderado pelo professor Didier Raoult, é um centro de pesquisa, atendimento, treinamento e avaliação especializado na luta contra doenças infecciosas.

O resultado da pesquisa será publicado antes do final do ano em um artigo científico da revista “Lancet contagious diseases”, conforme detalhado pelo IHU.

Com informações: AFP

19:52 · 16.08.2018 / atualizado às 19:52 · 16.08.2018 por
Relevos simbolizariam a fertilização da terra, pois as serpentes representam uma divindade vinculada à água que brota da terra e faz germinar à semente Foto: Agência Brasil

Uma nova parede com relevos com 3.800 anos de antiguidade foi descoberta nas ruínas de Vichama, uma das cidades da Civilização de Caral, considerada a mais antiga da América, anunciou a arqueóloga Ruth Shady, diretora das escavações e responsável por descobertas dessa cultura.

A imagem apresenta quatro cabeças humanas de olhos fechados, uma do lado da outra, e duas serpentes que se deslocam entre elas até chegarem em uma quinta cabeça não humana, que representaria uma semente antropomórfica, da qual saem cinco varinhas verticais fincadas na terra.

Os relevos simbolizariam a fertilização da terra, pois as serpentes representam uma divindade vinculada à água que brota da terra e faz germinar à semente, segundo a hipótese de Shady. Além disso, marcariam o final de um período de seca e crise de fome que atravessou essa sociedade e que foi representada em outras paredes descobertas anteriormente na mesma cidade.

Mudança climática

Essa nova descoberta reforça o trabalho de mostrar para os humanos atuais as dificuldades que a sociedade enfrentou devido à mudança climática e à escassez da água, que causou graves problemas à produtividade agrícola.

O muro, feito de adobe, está em Vichama, a cidade pesqueira de Caral. Essa civilização surgiu há 5 mil anos no Vale de Supe, a 180 quilômetros ao norte de Lima. Ele fica na entrada do salão cerimonial, principal ambiente desse complexo público.

A construção chegou a ter uma área de 874 metros quadrados e foi remodelada continuamente com janelas escalonadas e uma praça circular funda, que foi enterrada. As escavações em Vichama começaram em 2007 e estão a cargo da Zona Arqueológica Caral (ZAC), que desenterrou 22 construções em de 25 hectares, conforme os cálculos erigidos entre os anos 1.800 a.C e 1.500 a.C.

Os novos relevos foram revelados no marco do décimo primeiro aniversário dos trabalhos feitos em Vichama, cujas celebrações serão nos dias 31 de agosto e 1º de setembro.

Contemporânea a outras civilizações

A Civilização de Caral se desenvolveu nos vales próximos a Lima praticamente ao mesmo tempo que outras grandes culturas antigas, como Mesopotâmia, Egito, China e Tiwanaku, e a sua descoberta mudou o paradigma da conformação das grandes civilizações do Antigo Peru.

Com informações: Agência Brasil

18:09 · 22.05.2018 / atualizado às 18:09 · 22.05.2018 por
Dramatização de cena representando solenidade do Império Inca Foto: Escaped to Peru

Pesquisadores de Brasil, Bolívia e Peru vêm rastreando a origem da civilização inca, a maior população pré-colombiana, por meio de estudos genéticos realizados em descendentes contemporâneos dos imperadores incas.

É o primeiro “estudo genético sobre a família imperial inca”, que busca revelar se existiu uma relação patrilinear única, ou seja, somente um patriarca inca, ou se existiu mais de um. Além disso, busca-se comprovar se o império de Tahuantinsuyo, que se estendia do atual Equador até o Chile, se originou de descendentes de Puno ou Cusco, segundo narram duas lendas sobre sua fundação. “Depois de três anos de acompanhamento das marcas genéticas dos descendentes, confirmamos que as duas lendas que narram a origem da civilização inca (1200-1533 d.C.) estariam relacionadas”, assinalaram à AFP os peruanos Ricardo Fujita e José Sandoval, cientistas da Universidade San Martín de Porres, que participaram da pesquisa.

Os primeiros resultados do estudo foram publicados em abril pela revista Molecular Genetics and Genomics. O relatório diz que, a partir de um banco de amostras de DNA de mais de 3.000 nativos de Peru, Bolívia e Equador, compararam a informação genética dos descendentes dos incas que ainda vivem em Cusco e em populações próximas ao Lago Titicaca.

“Chegamos à conclusão que a nobreza de Tahuantinsuyo descende de duas linhagens, uma da região do Lago Titicaca, em Puno, e outra da montanha de Pacaritambo, em Cusco. Isso indica que as lendas sobre a fundação se mantêm e que poderiam ser somente um cenário”, assinalou Sandoval.

Uma das duas lendas que coletadas pelos historiadores após a conquista espanhola é a do casal Manco Capac e Mama Ocllo, que saem do Lago Titicaca (região Puno, língua aimara); e a outra é dos irmãos Ayar, que saem da montanha de Pacaritambo, em Cusco (língua quechua).

“Provavelmente do altiplano (Puno) saiu uma migração inicial que se estabeleceu em Pacaritambo por algumas décadas para, depois, se dirigirem a Cusco e fundar o Tahuantinsuyo”, disse Sandoval.

DNA de descendentes

Para a pesquisa foram usadas 12 famílias dos distritos de San Sebastián e San Jerónimo, em Cusco, “porque têm um contexto histórico de genealogia, existem documentos nos quais indica-se que desde 1570 essas famílias foram reportadas com linhagens dos incas”, explicou Fujita.

Também coletaram amostras de DNA de habitantes do Lago Titicaca e de Pacaritambo. “Foi comparado com a nossa base genética a de mais de 3.000 pessoas para reconstruir a árvore genealógica de todos os indivíduos”, acrescentou. “Ao final a reduzimos a cerca de 200 pessoas que compartilham semelhanças genéticas próximas à nobreza inca”.

Os resultados preliminares indicaram que 18 pessoas estão estreitamente relacionadas com as populações nativas que habitam o sul de Cusco, assim como o altiplano peruano e o norte da Bolívia.

“O que nos diz que os antepassados dos incas vieram do Lago Titicaca fazendo escala em Pacaritambo”.

Em busca de enterros

A investigação agora quer determinar com exatidão as origens dos incas. “Para isso é necessário pegar o DNA de vestígios como múmias que estejam registradas em crônicas ou documentos oficiais que são filhos ou netos dos incas para formar o panorama mais completo da origem da civilização mais importante pré-hispânica”, sustentou Fujita.

Esses restos ainda não foram encontrados porque no século XVI, quando os espanhóis invadiram Tahuantinsuyo, foi imposto o doutrinamento e a evangelização, destruindo e queimando as múmias de incas que os familiares veneravam e levavam em procissão.

Diante deste fato, os pesquisadores estão atrás da localização dos enterros dos descendentes diretos e, para isso, se baseiam nas crônicas e nos documentos oficiais da época.

O especialista assegurou que o DNA complementa a arqueologia, a antropologia e todos os tipos de estudos que compreendem a origem de uma espécie.

“Nesse caso, nós usamos a via da herança, que é o que a genética estuda, a transmissão de traços moleculares por gerações”.

Com informações: AFP

12:30 · 23.02.2018 / atualizado às 12:32 · 23.02.2018 por
O mais próximo parente extinto do Homo sapiens, foi também a primeira espécie a escolher cavernas para fazer pinturas, superando a nossa nesse quesito Foto: Haaretz

Os Neandertais – e não os humanos pré-históricos – foram os primeiros artistas da Europa, de acordo com uma nova pesquisa liderada por cientistas da Universidade de Southampton (Reino Unido) e do Instituto Max Planck (Alemanha).

Os pesquisadores estudaram pinturas em três cavernas da Espanha e, com um método especial de datação, descobriram que elas foram criadas há mais de 64 mil anos, quando os únicos hominídeos na Europa eram os Neandertais (Homo neanderthalensis). O Homo sapiens só chegou ao continente cerca de 20 mil anos mais tarde.

Os resultados da pesquisa foram publicados na revista Science. De acordo com os cientistas, a descoberta é importante por demonstrar que os Neandertais eram capazes de pensar simbolicamente, assim como os humanos modernos. Os desenhos, que foram feitos durante a Era do Gelo, incluem representações de animais, sinais geométricos e pontos.

Segundo os autores, os resultados do novo estudo reforçam uma série de descobertas que têm ajudado a “desconstruir” a tradicional imagem dos Neandertais como um brutal homem das cavernas com inteligência extremamente limitada. Dois estudos publicados em 2017, por exemplo, mostravam que os Neandertais eram capazes de lidar com problemas odontológicos e de utilizar plantas medicinais como antibióticos e analgésicos.

“Essa é uma descoberta incrivelmente emocionante e ela sugere que os Neandertais eram muito mais sofisticados do que se acredita popularmente”, disse o autor principal do estudo, o arqueólogo Chris Standish, da Universidade de Southampton.

“Nossos resultados mostram que essas pinturas são, de longe, o mais antigo registro de arte nas cavernas do mundo. E elas foram criadas pelo menos 20 mil anos antes da passagem dos humanos modernos da África para a Europa – e por isso só podem ter sido pintadas por Neandertais”, disse Standish.

Segundo Standish, até agora a arte das cavernas havia sido atribuída integralmente a humanos modernos e a imprecisão das técnicas de datação haviam impedido que se explorasse a hipótese de uma autoria Neandertal. Para realizar o novo estudo, os cientistas utilizaram uma técnica de datação de urânio-tório, que fornece resultados muito mais confiáveis que os métodos de datação por radiocarbono, com margem de erro muito menor.

O método de urânio-tório envolve a datação de minúsculos depósitos de carbonato que se acumulam na superfície as pinturas nas cavernas. Esses depósitos contêm traços dos elementos radioativos urânio e tório, que indicam quando os depósitos se formaram – e fornecendo assim uma idade mínima para qualquer coisa que esteja abaixo da superfície onde estavam as amostras.

Uma equipe de cientistas do Reino Unido, da Alemanha, da Espanha e da França analisou mais de 60 amostras de carbonato de três cavernas da Espanha: La Pasiega, no nordeste do país, Maltravieso, no oeste e Ardales, no sudoeste espanhol.

As três cavernas contêm pinturas feitas com traços vermelhos ou pretos e representando grupos de animais, pontos e sinais geométricos, assim como desenhos de contornos de mãos, marcas de mãos “carimbadas” e gravações feitas na rocha.

Comportamento sofisticado

Segundo os cientistas, a criação de arte – por mais simples que ela seja – envolve comportamentos sofisticados como a própria escolha do local, o planejamento relacionado à fonte de luz e a mistura de pigmentos.

“Logo depois da descoberta do primeiro fóssil de Neanderthal no século 19, eles foram retratados como abrutalhados e desprovidos de cultura, incapazes de comportamentos artísticos e simbólicos. E algumas dessas visões ainda persistem até hoje”, disse outro dos coordenadores do estudo, Alistair Pike, arqueólogo da Universidade de Southampton. “A questão sobre até que ponto os Neandertais se comportavam como humanos é objeto de um debate acalorado. Nossas descobertas darão uma considerável contribuição a esse debate”, disse Pike.

De acordo com outro dos autores do artigo, Dirk Hoffmann, do Instituto Max Planck a cultura simbólica e material – uma coleção de feitos culturais e intelectuais passada de geração para geração – só havia sido atribuída até hoje à espécie humana. “A emergência da cultura simbólica e material representa um limiar fundamental na evolução da humanidade. Ela é um dos principais pilares daquilo que nos torna humanos. Artefatos cujo valor funcional não está em seu uso prático, mas em seu uso simbólico, remetem a aspectos fundamentais da cognição humana”, afirmou Hoffmann.

Artefatos simbólicos ainda mais antigos, com cerca de 70 mil anos, já haviam sido encontrados na África, mas acredita-se que eles foram produzidos por humanos, segundo os cientistas. Os desenhos Neandertais da Espanha, porém, podem ser considerados as mais antigas representações simbólicas em cavernas. Outros artefatos de cerca de 40 mil anos, incluindo arte em cavernas, figuras esculpidas, ferramentas de ossos decoradas e joias também já foram encontradas antes na Europa. Mas os cientistas concluíram que todos esses artefatos foram feitos por humanos modernos que nessa época já estavam se espalhando pela Europa, após a saída da África.

Também há evidências de que Neandertais da Europa utilizaram ornamentos corporais entre 40 mil e 45 mil anos atrás, mas vários pesquisadores sugeriam que eles teriam sido inspirados por humanos modernos que haviam acabado de chegar ao continente e conviveram com os Neandertais. “Os Neandertais criaram símbolos cheios de significados em locais igualmente cheios de significados. Não foi uma arte acidental”, disse outro dos autores do estudo, Paul Pettitt, da Universidade Durham (Reino Unido).

“Temos agora exemplos de três cavernas que ficam separadas por mais de 700 quilômetros e evidências de que essa arte era uma tradição que perdurou longamente. É bem possível que outras manifestações artísticas em cavernas semelhantes na Europa também tenham origem Neanderthal”, declarou Pettit.

Com informações: Estadão Conteúdo

21:02 · 28.01.2018 / atualizado às 21:03 · 28.01.2018 por
O monumento de Ain Dara data da “era arameia” (1.300 a 700 anos a.C) e se encontra no enclave de Afrin. A foto acima foi feita antes do ataque aéreo deste fim de semana Foto: Hitite Monuments

Um templo neo-hitita de 3 mil anos de antiguidade foi danificado pelos bombardeios aéreos turcos no norte da Síria, indicou neste domingo (28) uma organização não governamental e um arqueólogo.

O templo de Ain Dara, que data da “era arameia” (1.300 a 700 anos a.C) se encontra no enclave de Afrin, na mira da aviação e da artilharia turca, detalhou a ONG Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH). “O alcance das destruições é de 60%”, estimou o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman.

O sítio de 50 hectares, descoberto em 1982, é famoso por seus “leões em basalto, imponentes e excepcionais, e afrescos esculpidos em pedra”, indicou o ex-diretor-geral de Antiguidades e Museus da Síria, Mamun Abdelkarim. “Três mil anos de civilização, destruídos em um bombardeio aéreo”, lamentou o especialista.

A Direção-Geral de Antiguidades e Museus síria condenou em um comunicado “os ataques turcos a sítios arqueológicos de Afrin” e confirmou “a destruição do templo de Ain Dara, um dos edifícios arqueológicos mais importantes construídos pelos arameus na Síria”. A Turquia começou em 20 de janeiro uma ofensiva militar no norte da Síria para expulsar as milícias curdas sírias da região.

Palmira

Abdelkarim comparou a destruição do templo de Ain Dara à destruição causada pelo grupo jihadista Estado Islâmico (EI) em 2015 na cidade de Palmira, sítio de 2.000 anos de antiguidade inscrito na lista do Patrimônio da Humanidade da Unesco.

“A destruição do templo de Ain Dara é do mesmo nível de atrocidade que a do templo de Bel”, em Palmira, lamentou Abdelkarim. Ele se preocupa com as consequências dos combates no setor de Jabal Saman, onde há localidades que datam do começo do cristianismo e que estão inscritas desde 2013 na lista em perigo do Patrimônio Mundial da Unesco.

Com informações: AFP

17:49 · 04.01.2018 / atualizado às 17:50 · 04.01.2018 por
Foto: Ben Potter

A análise do DNA de um bebê que viveu há 11,5 mil anos no Alasca revelou a existência de uma antiga população da América do Norte que até agora permanecia desconhecida. De acordo com os autores do estudo, publicado na revista Nature, a descoberta levará a uma importante mudança nas teorias sobre como os humanos povoaram o continente americano.

A nova população foi batizada pelos cientistas de “antigos beringianos”, em alusão à Beríngia – a ponte terrestre coberta de gelo que, durante as glaciações, ligava o leste da Sibéria ao oeste do Alasca, onde hoje fica o estreito de Bering, que separa a Ásia da América do Norte.

“Nós não sabíamos que essa população existia. Esses dados também fornecem a primeira evidência direta da origem da população nativa americana, o que traz novas informações sobre como esses povos primitivos migraram e colonizaram a América do Norte”, disse um dos autores principais do estudo, Ben Potter, da Universidade do Alasca em Fairbanks.

De acordo com a análise genética e a modelagem demográfica feita pelos cientistas, um único grupo – que foi ancestral de todos os povos nativos das Américas – separou-se dos grupos asiáticos há cerca de 35 mil anos. Há cerca de 20 mil anos, esse grupo se dividiu novamente, dando origem aos antigos beringianos e aos ancestrais de todos os outros povos americanos.

O bebê fossilizado, uma menina que morreu seis semanas após o nascimento, foi batizado pela comunidade indígena local de “Xach’itee’aanenh T’eede Gaay”, que significa “menina do sol nascente”. Ela foi encontrada em 2013, no sítio arqueológico de Upward Sun River, junto a uma outra menina mais nova, que foi batizada de “Ye’kaanenh T’eede Gaay”, ou “menina da luz do amanhecer”.

“Seria difícil exagerar a importância da descoberta desse novo povo para o nosso conhecimento sobre como as antigas populações vieram habitar as Américas. Essa nova informação nos permite desenhar um quadro muito mais preciso da pré-história dos nativos americanos – que é muito mais complexa do que pensávamos”, afirmou Potter.

Cenários

A descoberta também sugere dois novos cenários para o povoamento das Américas.

Em um deles, um só grupo teria cruzado a ponte terrestre há cerca de 20 mil anos e então teria se dividido entre os antigos beringianos e os demais nativos americanos. O primeiro grupo teria permanecido no extremo norte do continente até o seu completo desaparecimento. O segundo grupo, após a retração das geleiras, teria migrado para o sul há 15,7 mil anos.

No outro cenário, dois grupos distintos de pessoas teriam cruzado a Beríngia. Os antigos beringianos teriam então se estabelecido ao norte, enquanto os ancestrais de todos os indígenas teriam migrado para o sul há 15,7 mil anos. Para Potter, o segundo cenário é mais plausível, porque para que houvesse uma só onda migratória a passagem pela Beríngia teria de ocorrer muito antes da divisão das duas populações. “O fundamento para esse cenário da migração de dois povos distintos é bastante forte. Não temos evidências de humanos na região da Beríngia há 20 mil anos.”

Segundo Potter, quando sua equipe começou a análise do material genético, esperava-se encontrar a conexão entre o perfil genômico dos fósseis encontrados no Alasca e o de outros povos nativos da América do Norte. Porém, o DNA dos fósseis não combinava com o de nenhuma outra população antiga.

Isso sugere, de acordo com o cientista, que os antigos beringianos permaneceram no extremo norte do continente por milhares de anos, enquanto os ancestrais dos povos indígenas se espalharam por todo o continente.

Travessia pelo litoral

Um dos autores do novo estudo, Eske Willerslev, da Universidade de Copenhague (Dinamarca), havia publicado em 2016 uma outra pesquisa que desmontava uma das principais teorias sobre a migração da Sibéria para o Alasca, que seria uma migração por terra pela Beríngia. Naquele trabalho, também publicado na Nature Willerslev mostrou que o corredor que tornaria o caminho possível entre as geleiras formou-se há 15 mil anos, mas só oferecia condições para a travessia há 12,6 mil anos. A presença humana no continente, porém, é confirmada por vestígios fósseis há pelo menos 13 mil anos.

De acordo Willerslev a hipótese mais plausível é que os povos da Ásia tenham migrado para a América viajando ao longo da costa do Oceano Pacífico – pela orla, ou por mar – o que poderia ter ocorrido há mais de 15 mil anos.

Com informações: Estadão Conteúdo

15:43 · 26.12.2017 / atualizado às 15:43 · 26.12.2017 por
Qin Shihuang construiu o imenso mausoléu subterrâneo de Xian, com seus 8 mil guerreiros de terracota. Acima, foto de estátua do monarca em frente à entrada do mausoléu Foto: Travel Coconut

O primeiro imperador da China, o temido Qin Shihuang, ordenou que sua administração encontrasse o elixir da imortalidade, segundo um texto milenar encontrado após escavações arqueológicas no sul do país, informou a agência de notícias Xinhua.

A obsessão de Qin Shihuang com a vida eterna era bem conhecida: foi ele quem construiu o imenso mausoléu subterrâneo de Xian, no norte do país, com seus 8 mil guerreiros de terracota, cuja missão era protegê-lo na outra vida. Este exército de vida após a morte foi descoberto em 1974.

Mas ao estudar os textos encontrados em 2002 no fundo de um poço na província de Hunan (centro), os arqueólogos também estabeleceram que o imperador havia ordenado a nação inteira para procurar o elixir para a vida eterna.

O texto inclui um decreto imperial que ordena essa busca, bem como as respostas – bastante ambíguas – das autoridades locais, que dificilmente poderiam satisfazer a ordem do temido monarca.

De acordo com a Xinhua, “uma localidade chamada Duxiang informou que nenhum remédio milagroso havia sido encontrado, mas insinuava que as buscas continuavam”.

Outra, chamada Langya, na atual província de Shandong (leste), “aludiu a uma erva colhida em uma montanha sagrada”.

Unificou o país

A poção, obviamente, não surtiu efeito porque, segundo os historiadores, Qin Shihuang morreu em 210 a.C, depois de 11 anos de domínio imperial.

Qin Shihuang, originalmente rei do estado de Qin, conquistou um após o outro os outros seis reinos que integravam a então China, unificando o país em 221 a.C e dando-lhe o nome pelo qual é conhecida hoje no Ocidente.

Cruel e despótico, é atribuída a ele a construção da Grande Muralha, a queima de livros e a execução de intelectuais.

Com informações: AFP

17:19 · 08.12.2017 / atualizado às 17:19 · 08.12.2017 por
Concepção artística das migrações humanas ocorridas entre 60 e 120 mil anos atrás, em um período anterior ao que se pensava Imagem: Ivan Heredia/CSIC

A tese de uma única migração humana fora da África há 60 mil anos não poderá mais ser considerada um dado correto da história da humanidade, argumenta uma revisão da literatura científica publicada na revista científica americana Science.

Ao contrário, várias migrações para fora da África, que começaram há 120 mil anos, deram origem à população moderna, demonstram os resultados da pesquisa. Avanços na análise de DNA e em outras técnicas de identificação de fósseis, principalmente em relação a descobertas na Ásia, estão ajudando a reescrever o que pensávamos saber sobre nossas origens.

Uma “abundância de novas descobertas” na última década mostrou que os humanos modernos, ou Homo sapiens, chegaram a partes do continente asiático muito antes do que se pensava, assinalou o informe. Vestígios de Homo sapiens datados de 70 mil a 120 mil anos foram encontrados em diferentes locais no sul e no centro da China. Outras descobertas de fósseis mostram que os humanos modernos chegaram ao sudeste de Ásia e à Austrália antes de 60 mil anos atrás.

“As primeiras dispersões fora da África antes de 60 mil anos atrás provavelmente eram feitas em pequenos grupos de pessoas que buscavam comida e, pelo menos, algumas dessas dispersões iniciais deixavam traços genéticos de baixo nível em populações modernas”, explicou Michael Petraglia, pesquisador do Instituto Max Planck para a Ciência da História Humana, na Alemanha.

Migração maior

“Um evento posterior e maior de [migração] ‘Fora da África’ muito provavelmente ocorreu por volta de 60 mil anos atrás ou depois disso”, informou. Pesquisas recentes confirmaram que esta migração em massa há 60 mil anos “contribuiu para a maior parte da composição genética dos não africanos atuais”, de acordo com o comunicado.

Estes primeiros viajantes se miscigenaram com outras espécies, incluindo Neandertais e Denisovanos, e uma população não identificada de homininis (primatas hominóideos) pré-modernos em muitos locais através da Eurásia. Os cientistas consideram que, entre os Homens modernos não africanos atuais, de 1% a 4% do DNA seria de origem dos Neandertais e até 5% podem ser de Denisovanos. “Agora está claro que humanos modernos, os Neandertais, Denisovanos e talvez outros grupos homininis provavelmente se sobrepuseram no tempo e no espaço na Ásia, e certamente tiveram muitos casos de interação”, destacou o estudo.

Com informações: AFP

20:13 · 06.02.2017 / atualizado às 21:13 · 06.02.2017 por
Embora o propósito dessas centenas de valetas permaneçam um mistério, cientistas afirmam que podem ter servido como locais de ritual. Foto: Jennifer Watling

Muito antes de os europeus terem chegado às Américas em 1492, a floresta amazônica foi transformada durante milhares de anos pelos povos indígenas, que escavaram mais de 400 círculos misteriosos na paisagem acriana – informaram cientistas nesta segunda-feira (6).

Embora o propósito dessas centenas de valetas, ou geoglifos, permaneçam um mistério, cientistas afirmam que podem ter servido como locais de ritual. Juntamente com fotos aéreas, o desmatamento moderno ajudou a revelar cerca de 450 desses desenhos no estado do Acre, oeste da Amazônia brasileira.

“O fato de esses locais terem ficado escondidos sob a floresta tropical madura realmente muda a ideia de que as florestas amazônicas são ‘ecossistemas intocados'”, afirmou a principal autora do estudo, Jennifer Watling, pesquisadora de Pós-Doutorado do Museu de Arqueologia e Etnografia na USP (Universidade de São Paulo). Arqueólogos descobriram pouquíssimos artefatos dos locais e cientistas suspeitam que as estruturas – que se estendem por 13.000 quilômetros quadrados – não foram construídas para criar cidades, ou por razões de defesa.

Ao invés disso, eles acreditam que os humanos alteraram florestas de bambu e criaram clareiras pequenas e temporárias, “concentrando-se em espécies de árvores economicamente valiosas, como palmeiras, criando uma espécie de ‘supermercado pré-histórico’ de úteis produtos florestais”, destacou o estudo publicado na publicação científica americana Proceedings of the National Academy of Sciences.

O estudo se baseou em técnicas inovadoras usadas para reconstruir cerca de 6.000 anos de histórico da vegetação e de fogo ao redor de dois sítios, contendo geoglifos. Watling, que realizou a pesquisa enquanto estudava na Universidade de Exeter, na Grã-Bretanha, disse que as descobertas mostram que a região não foi intocada pelos humanos no passado, contrariando a crença popular.

“Nossa evidência de que as florestas amazônicas foram manejadas por povos indígenas muito antes do contato com os europeus não deveria ser usada como justificativa para as formas destrutivas e insustentáveis de uso do solo praticadas hoje”, acrescentou.

“Deveria, ao contrário, servir para destacar a ingenuidade dos regimes de subsistência no passado que não levam à degradação florestal e a importância dos povos indígenas na descoberta de alternativas mais sustentáveis para o uso do solo”, concluiu.

Com informações: AFP

22:53 · 19.09.2016 / atualizado às 22:53 · 19.09.2016 por
Foto: Brett Seymour
Naufrágio, que descansa a 50 metros de profundidade, foi descoberto por mergulhadores em 1900, e acredita-se que foi o primeiro a ser investigado por arqueólogos Foto: Brett Seymour

Arqueólogos descobriram um esqueleto humano de 2.000 anos no mesmo naufrágio no Mediterrâneo de onde saiu a peça mais sofisticada de tecnologia que sobreviveu à Antiguidade – um mecanismo de relógio -, de acordo com um artigo publicado na segunda-feira na revista científica Nature.

Se for possível obter o DNA a partir dos restos, encontrados em 31 de agosto perto da costa da ilha grega de Antikythera, este poderá revelar pistas sobre a identidade do esqueleto, segundo o artigo. Os ossos surpreendentemente bem preservados – incluindo um crânio parcial, dois ossos do braço, várias costelas e dois fêmures – também poderão revelar segredos sobre o famoso navio mercante do século I a.C., que provavelmente naufragou durante uma tempestade. O governo grego ainda tem que dar permissão para que seja feito o teste de DNA.

O esqueleto é um achado raro. Os corpos das vítimas de naufrágios são normalmente arrastados pelas águas ou comidos pelos peixes, e raramente permanecem conservados por décadas, muito menos séculos.

“Nós não sabemos de nada parecido com isso”, disse à Nature Brendan Foley, arqueólogo subaquático na Instituição Oceanográfica Woodshole, em Massachusetts, e codiretor da escavação.

Um primeiro olhar sugere que os restos mortais são de um homem jovem, de acordo com Hannes Schroeder, especialista em análise de DNA antigo do Museu de História Natural da Dinamarca. “Eles não se parecem com ossos que têm 2.000 anos de idade”, disse à Nature. Schroeder ficou especialmente satisfeito com a recuperação dos ossos petrosos – localizados atrás da orelha -, que tendem a conservar o DNA melhor do que outras partes do esqueleto ou dos dentes.

“Se há algum DNA, então, pelo que sabemos, ele vai estar lá”, disse à Nature. A recuperação do DNA pode revelar a cor do cabelo e dos olhos, bem como a ascendência e a origem geográfica, acrescentou.

Mecanismo de Antikythera

O naufrágio, que descansa a 50 metros de profundidade, foi descoberto por mergulhadores em 1900, e acredita-se que foi o primeiro a ser investigado por arqueólogos.

A principal descoberta foi o chamado Mecanismo de Antikythera, um dispositivo do segundo século antes de Cristo, que é às vezes chamado de o computador mais antigo do mundo. O dispositivo altamente complexo é composto por cerca de 40 engrenagens de bronze e foi usado pelos gregos antigos para controlar os ciclos do sistema solar.

Levou outros 1.500 anos para que um relógio astronômico de sofisticação semelhante fosse construído na Europa. O DNA mais antigo já recuperado de restos humanos modernos tem cerca de 45.000 anos de idade.

Com informações: AFP

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