Busca

Categoria: Arqueologia


17:49 · 04.01.2018 / atualizado às 17:50 · 04.01.2018 por
Foto: Ben Potter

A análise do DNA de um bebê que viveu há 11,5 mil anos no Alasca revelou a existência de uma antiga população da América do Norte que até agora permanecia desconhecida. De acordo com os autores do estudo, publicado na revista Nature, a descoberta levará a uma importante mudança nas teorias sobre como os humanos povoaram o continente americano.

A nova população foi batizada pelos cientistas de “antigos beringianos”, em alusão à Beríngia – a ponte terrestre coberta de gelo que, durante as glaciações, ligava o leste da Sibéria ao oeste do Alasca, onde hoje fica o estreito de Bering, que separa a Ásia da América do Norte.

“Nós não sabíamos que essa população existia. Esses dados também fornecem a primeira evidência direta da origem da população nativa americana, o que traz novas informações sobre como esses povos primitivos migraram e colonizaram a América do Norte”, disse um dos autores principais do estudo, Ben Potter, da Universidade do Alasca em Fairbanks.

De acordo com a análise genética e a modelagem demográfica feita pelos cientistas, um único grupo – que foi ancestral de todos os povos nativos das Américas – separou-se dos grupos asiáticos há cerca de 35 mil anos. Há cerca de 20 mil anos, esse grupo se dividiu novamente, dando origem aos antigos beringianos e aos ancestrais de todos os outros povos americanos.

O bebê fossilizado, uma menina que morreu seis semanas após o nascimento, foi batizado pela comunidade indígena local de “Xach’itee’aanenh T’eede Gaay”, que significa “menina do sol nascente”. Ela foi encontrada em 2013, no sítio arqueológico de Upward Sun River, junto a uma outra menina mais nova, que foi batizada de “Ye’kaanenh T’eede Gaay”, ou “menina da luz do amanhecer”.

“Seria difícil exagerar a importância da descoberta desse novo povo para o nosso conhecimento sobre como as antigas populações vieram habitar as Américas. Essa nova informação nos permite desenhar um quadro muito mais preciso da pré-história dos nativos americanos – que é muito mais complexa do que pensávamos”, afirmou Potter.

Cenários

A descoberta também sugere dois novos cenários para o povoamento das Américas.

Em um deles, um só grupo teria cruzado a ponte terrestre há cerca de 20 mil anos e então teria se dividido entre os antigos beringianos e os demais nativos americanos. O primeiro grupo teria permanecido no extremo norte do continente até o seu completo desaparecimento. O segundo grupo, após a retração das geleiras, teria migrado para o sul há 15,7 mil anos.

No outro cenário, dois grupos distintos de pessoas teriam cruzado a Beríngia. Os antigos beringianos teriam então se estabelecido ao norte, enquanto os ancestrais de todos os indígenas teriam migrado para o sul há 15,7 mil anos. Para Potter, o segundo cenário é mais plausível, porque para que houvesse uma só onda migratória a passagem pela Beríngia teria de ocorrer muito antes da divisão das duas populações. “O fundamento para esse cenário da migração de dois povos distintos é bastante forte. Não temos evidências de humanos na região da Beríngia há 20 mil anos.”

Segundo Potter, quando sua equipe começou a análise do material genético, esperava-se encontrar a conexão entre o perfil genômico dos fósseis encontrados no Alasca e o de outros povos nativos da América do Norte. Porém, o DNA dos fósseis não combinava com o de nenhuma outra população antiga.

Isso sugere, de acordo com o cientista, que os antigos beringianos permaneceram no extremo norte do continente por milhares de anos, enquanto os ancestrais dos povos indígenas se espalharam por todo o continente.

Travessia pelo litoral

Um dos autores do novo estudo, Eske Willerslev, da Universidade de Copenhague (Dinamarca), havia publicado em 2016 uma outra pesquisa que desmontava uma das principais teorias sobre a migração da Sibéria para o Alasca, que seria uma migração por terra pela Beríngia. Naquele trabalho, também publicado na Nature Willerslev mostrou que o corredor que tornaria o caminho possível entre as geleiras formou-se há 15 mil anos, mas só oferecia condições para a travessia há 12,6 mil anos. A presença humana no continente, porém, é confirmada por vestígios fósseis há pelo menos 13 mil anos.

De acordo Willerslev a hipótese mais plausível é que os povos da Ásia tenham migrado para a América viajando ao longo da costa do Oceano Pacífico – pela orla, ou por mar – o que poderia ter ocorrido há mais de 15 mil anos.

Com informações: Estadão Conteúdo

15:43 · 26.12.2017 / atualizado às 15:43 · 26.12.2017 por
Qin Shihuang construiu o imenso mausoléu subterrâneo de Xian, com seus 8 mil guerreiros de terracota. Acima, foto de estátua do monarca em frente à entrada do mausoléu Foto: Travel Coconut

O primeiro imperador da China, o temido Qin Shihuang, ordenou que sua administração encontrasse o elixir da imortalidade, segundo um texto milenar encontrado após escavações arqueológicas no sul do país, informou a agência de notícias Xinhua.

A obsessão de Qin Shihuang com a vida eterna era bem conhecida: foi ele quem construiu o imenso mausoléu subterrâneo de Xian, no norte do país, com seus 8 mil guerreiros de terracota, cuja missão era protegê-lo na outra vida. Este exército de vida após a morte foi descoberto em 1974.

Mas ao estudar os textos encontrados em 2002 no fundo de um poço na província de Hunan (centro), os arqueólogos também estabeleceram que o imperador havia ordenado a nação inteira para procurar o elixir para a vida eterna.

O texto inclui um decreto imperial que ordena essa busca, bem como as respostas – bastante ambíguas – das autoridades locais, que dificilmente poderiam satisfazer a ordem do temido monarca.

De acordo com a Xinhua, “uma localidade chamada Duxiang informou que nenhum remédio milagroso havia sido encontrado, mas insinuava que as buscas continuavam”.

Outra, chamada Langya, na atual província de Shandong (leste), “aludiu a uma erva colhida em uma montanha sagrada”.

Unificou o país

A poção, obviamente, não surtiu efeito porque, segundo os historiadores, Qin Shihuang morreu em 210 a.C, depois de 11 anos de domínio imperial.

Qin Shihuang, originalmente rei do estado de Qin, conquistou um após o outro os outros seis reinos que integravam a então China, unificando o país em 221 a.C e dando-lhe o nome pelo qual é conhecida hoje no Ocidente.

Cruel e despótico, é atribuída a ele a construção da Grande Muralha, a queima de livros e a execução de intelectuais.

Com informações: AFP

17:19 · 08.12.2017 / atualizado às 17:19 · 08.12.2017 por
Concepção artística das migrações humanas ocorridas entre 60 e 120 mil anos atrás, em um período anterior ao que se pensava Imagem: Ivan Heredia/CSIC

A tese de uma única migração humana fora da África há 60 mil anos não poderá mais ser considerada um dado correto da história da humanidade, argumenta uma revisão da literatura científica publicada na revista científica americana Science.

Ao contrário, várias migrações para fora da África, que começaram há 120 mil anos, deram origem à população moderna, demonstram os resultados da pesquisa. Avanços na análise de DNA e em outras técnicas de identificação de fósseis, principalmente em relação a descobertas na Ásia, estão ajudando a reescrever o que pensávamos saber sobre nossas origens.

Uma “abundância de novas descobertas” na última década mostrou que os humanos modernos, ou Homo sapiens, chegaram a partes do continente asiático muito antes do que se pensava, assinalou o informe. Vestígios de Homo sapiens datados de 70 mil a 120 mil anos foram encontrados em diferentes locais no sul e no centro da China. Outras descobertas de fósseis mostram que os humanos modernos chegaram ao sudeste de Ásia e à Austrália antes de 60 mil anos atrás.

“As primeiras dispersões fora da África antes de 60 mil anos atrás provavelmente eram feitas em pequenos grupos de pessoas que buscavam comida e, pelo menos, algumas dessas dispersões iniciais deixavam traços genéticos de baixo nível em populações modernas”, explicou Michael Petraglia, pesquisador do Instituto Max Planck para a Ciência da História Humana, na Alemanha.

Migração maior

“Um evento posterior e maior de [migração] ‘Fora da África’ muito provavelmente ocorreu por volta de 60 mil anos atrás ou depois disso”, informou. Pesquisas recentes confirmaram que esta migração em massa há 60 mil anos “contribuiu para a maior parte da composição genética dos não africanos atuais”, de acordo com o comunicado.

Estes primeiros viajantes se miscigenaram com outras espécies, incluindo Neandertais e Denisovanos, e uma população não identificada de homininis (primatas hominóideos) pré-modernos em muitos locais através da Eurásia. Os cientistas consideram que, entre os Homens modernos não africanos atuais, de 1% a 4% do DNA seria de origem dos Neandertais e até 5% podem ser de Denisovanos. “Agora está claro que humanos modernos, os Neandertais, Denisovanos e talvez outros grupos homininis provavelmente se sobrepuseram no tempo e no espaço na Ásia, e certamente tiveram muitos casos de interação”, destacou o estudo.

Com informações: AFP

20:13 · 06.02.2017 / atualizado às 21:13 · 06.02.2017 por
Embora o propósito dessas centenas de valetas permaneçam um mistério, cientistas afirmam que podem ter servido como locais de ritual. Foto: Jennifer Watling

Muito antes de os europeus terem chegado às Américas em 1492, a floresta amazônica foi transformada durante milhares de anos pelos povos indígenas, que escavaram mais de 400 círculos misteriosos na paisagem acriana – informaram cientistas nesta segunda-feira (6).

Embora o propósito dessas centenas de valetas, ou geoglifos, permaneçam um mistério, cientistas afirmam que podem ter servido como locais de ritual. Juntamente com fotos aéreas, o desmatamento moderno ajudou a revelar cerca de 450 desses desenhos no estado do Acre, oeste da Amazônia brasileira.

“O fato de esses locais terem ficado escondidos sob a floresta tropical madura realmente muda a ideia de que as florestas amazônicas são ‘ecossistemas intocados'”, afirmou a principal autora do estudo, Jennifer Watling, pesquisadora de Pós-Doutorado do Museu de Arqueologia e Etnografia na USP (Universidade de São Paulo). Arqueólogos descobriram pouquíssimos artefatos dos locais e cientistas suspeitam que as estruturas – que se estendem por 13.000 quilômetros quadrados – não foram construídas para criar cidades, ou por razões de defesa.

Ao invés disso, eles acreditam que os humanos alteraram florestas de bambu e criaram clareiras pequenas e temporárias, “concentrando-se em espécies de árvores economicamente valiosas, como palmeiras, criando uma espécie de ‘supermercado pré-histórico’ de úteis produtos florestais”, destacou o estudo publicado na publicação científica americana Proceedings of the National Academy of Sciences.

O estudo se baseou em técnicas inovadoras usadas para reconstruir cerca de 6.000 anos de histórico da vegetação e de fogo ao redor de dois sítios, contendo geoglifos. Watling, que realizou a pesquisa enquanto estudava na Universidade de Exeter, na Grã-Bretanha, disse que as descobertas mostram que a região não foi intocada pelos humanos no passado, contrariando a crença popular.

“Nossa evidência de que as florestas amazônicas foram manejadas por povos indígenas muito antes do contato com os europeus não deveria ser usada como justificativa para as formas destrutivas e insustentáveis de uso do solo praticadas hoje”, acrescentou.

“Deveria, ao contrário, servir para destacar a ingenuidade dos regimes de subsistência no passado que não levam à degradação florestal e a importância dos povos indígenas na descoberta de alternativas mais sustentáveis para o uso do solo”, concluiu.

Com informações: AFP

22:53 · 19.09.2016 / atualizado às 22:53 · 19.09.2016 por
Foto: Brett Seymour
Naufrágio, que descansa a 50 metros de profundidade, foi descoberto por mergulhadores em 1900, e acredita-se que foi o primeiro a ser investigado por arqueólogos Foto: Brett Seymour

Arqueólogos descobriram um esqueleto humano de 2.000 anos no mesmo naufrágio no Mediterrâneo de onde saiu a peça mais sofisticada de tecnologia que sobreviveu à Antiguidade – um mecanismo de relógio -, de acordo com um artigo publicado na segunda-feira na revista científica Nature.

Se for possível obter o DNA a partir dos restos, encontrados em 31 de agosto perto da costa da ilha grega de Antikythera, este poderá revelar pistas sobre a identidade do esqueleto, segundo o artigo. Os ossos surpreendentemente bem preservados – incluindo um crânio parcial, dois ossos do braço, várias costelas e dois fêmures – também poderão revelar segredos sobre o famoso navio mercante do século I a.C., que provavelmente naufragou durante uma tempestade. O governo grego ainda tem que dar permissão para que seja feito o teste de DNA.

O esqueleto é um achado raro. Os corpos das vítimas de naufrágios são normalmente arrastados pelas águas ou comidos pelos peixes, e raramente permanecem conservados por décadas, muito menos séculos.

“Nós não sabemos de nada parecido com isso”, disse à Nature Brendan Foley, arqueólogo subaquático na Instituição Oceanográfica Woodshole, em Massachusetts, e codiretor da escavação.

Um primeiro olhar sugere que os restos mortais são de um homem jovem, de acordo com Hannes Schroeder, especialista em análise de DNA antigo do Museu de História Natural da Dinamarca. “Eles não se parecem com ossos que têm 2.000 anos de idade”, disse à Nature. Schroeder ficou especialmente satisfeito com a recuperação dos ossos petrosos – localizados atrás da orelha -, que tendem a conservar o DNA melhor do que outras partes do esqueleto ou dos dentes.

“Se há algum DNA, então, pelo que sabemos, ele vai estar lá”, disse à Nature. A recuperação do DNA pode revelar a cor do cabelo e dos olhos, bem como a ascendência e a origem geográfica, acrescentou.

Mecanismo de Antikythera

O naufrágio, que descansa a 50 metros de profundidade, foi descoberto por mergulhadores em 1900, e acredita-se que foi o primeiro a ser investigado por arqueólogos.

A principal descoberta foi o chamado Mecanismo de Antikythera, um dispositivo do segundo século antes de Cristo, que é às vezes chamado de o computador mais antigo do mundo. O dispositivo altamente complexo é composto por cerca de 40 engrenagens de bronze e foi usado pelos gregos antigos para controlar os ciclos do sistema solar.

Levou outros 1.500 anos para que um relógio astronômico de sofisticação semelhante fosse construído na Europa. O DNA mais antigo já recuperado de restos humanos modernos tem cerca de 45.000 anos de idade.

Com informações: AFP

21:44 · 04.08.2016 / atualizado às 21:44 · 04.08.2016 por
Foto: Wikipedia
Desastre ocorreu no Rio Amarelo e teria levado ao nascimento da dinastia Xia e da civilização chinesa moderna Foto: Wikipedia

Geólogos descobriram a primeira evidência da Grande Enchente da China, um desastre que ocorreu 4.000 anos atrás no Rio Amarelo e que levou ao nascimento da dinastia Xia e da civilização chinesa moderna, segundo um estudo publicado nesta quinta-feira (4) na revista Science.

As conclusões podem ajudar a reescrever a história, porque elas não só mostram que de fato houve uma inundação enorme, mas também que ela ocorreu em 1920 a.C., vários séculos depois do que se pensava. Isto significaria que a dinastia Xia, liderada pelo Imperador Yu, também pode ter começado mais tarde do que os historiadores chineses pensavam.

Yu ganhou fama como o homem que foi capaz de controlar a enchente ao orquestrar o trabalho de dragagem necessário para orientar as águas de volta para seus canais. Restaurar a ordem depois do caos garantiu a ele “o mandato divino para estabelecer a dinastia Xia, a primeira na história da China”, disse o estudo, liderado por Wu Qinglong, professor do departamento de geografia da Nanjing Normal University.

Histórias sobre o Imperador Yu estabeleceram as bases ideológicas para o sistema de governo de Confúcio. Nas gerações recentes, porém, alguns estudiosos têm questionado se elas de fato aconteceram. Talvez, dizem, tudo tenha sido um mito concebido para justificar a regra imperial.

Então os geólogos pesquisaram o Rio Amarelo, na província de Qinghai, examinando os restos de uma barragem e os sedimentos de um lago represado.

Entre as maiores do Holoceno

O que eles descobriram sugere uma inundação catastrófica que é uma das maiores enchentes conhecidas na Terra nos últimos 10.000 anos (período conhecido como Holoceno), disse o coautor Darryl Granger, da Universidade de Purdue.

Com a enchente, o nível das água subiu até 38 metros acima do nível moderno do rio, tornando o desastre “aproximadamente equivalente à maior inundação do rio Amazonas já medida”, disse Granger a repórteres em uma teleconferência.

A enchente teria sido “mais de 500 vezes maior do que uma enchente no Rio Amarelo causada por um evento de precipitação atmosférica”, acrescentou. Uma vez que tais inundações lançaram detritos e sedimentos por todos os lados, misturando o solo antigo com o novo, a equipe científica utilizou restos humanos para definir o momento do desastre.

Esqueletos de três crianças foram encontrados nos escombros de um terremoto, que se acredita que tenha provocado um deslizamento de terra, disseram os pesquisadores.

Aquele deslizamento de terra criou uma barragem. A água se acumulou em volta da barragem e, eventualmente, rebentou, desencadeando a inundação.

Radiocarbono

A datação por radiocarbono nos ossos das crianças mostrou que eles morreram em 1920 a.C., coincidindo com uma grande transição cultural na China.

“A inundação (…) nos dá uma sugestão tentadora de que a dinastia Xia pode realmente ter existido”, disse David Cohen, professor assistente no departamento de antropologia da Universidade Nacional de Taiwan.

“Se a Grande Enchente realmente aconteceu, talvez também seja provável que a dinastia Xia realmente existiu. Os dois estão diretamente ligados um ao outro”, acrescentou. Agora que os pesquisadores têm provas para sustentar os contos de textos antigos, o início da dinastia Xia pode passar a ser considerado por volta de 1900 a.C., em vez de 2200 a.C., como se pensava anteriormente, argumentam os autores.

“As grandes inundações ocupam um lugar central em algumas das histórias mais antigas do mundo”, escreveu David Thompson, da Universidade de Washington, em Seattle, em um comentário sobre o estudo na revista Science.

“E a enchente do Imperador Yu é hoje considerada outra história dessas, potencialmente enraizada em eventos geológicos”, completou.

Com informações: AFP

23:31 · 05.07.2016 / atualizado às 23:32 · 05.07.2016 por
Foto: Chinese Cultural Relics
Fragmento de osso repousa em um pequeno caixão de ouro Foto: Chinese Cultural Relics

Arqueólogos descobriram, no interior de uma urna de 1000 anos encontrada em um templo budista de Nanjing, na China, um pedaço de crânio que pode ser de Buda.

O fragmento de osso é tão precioso que repousa em um pequeno caixão de ouro, adornado com flores de lótus, uma fênix e deuses empunhando espadas. O valioso baú dourado estava selado no interior de uma urna de prata, que por sua vez repousava, lacrada, em um invólucro de ferro fundido. Esse caixão peso-pesado, foi, então, escondido em uma cripta de pedra.

Em outras palavras, os responsáveis por proteger o osso parietal mil anos atrás estavam muito, muito interessados em preservar o fragmento por toda a eternidade. Ao lado do crânio, três garrafas de cristal com restos mortais de santos budistas haviam sido abrigadas em uma caixinha de prata. Tudo acompanhado de inscrições feitas por Deming, que se intitulava “Mestre da Iluminação Perfeita, Abade do Monastério de Chengtian e Detentor do Manto Púrpura” e atribuia o osso à Buda.

Ele também relata a existência atribulada da caixa, que foi retirada do Templo de Bao’em, destruído em uma guerra, para ser velado na cripta de pedra em que foi achado.

Os arqueólogos não entraram na questão da autenticidade no artigo em que anunciam a descoberta, publicado na tradicional revista científica Chinese Cultural Relics. Não há provas de que o osso tenha realmente pertencido a Buda.

Com informações: Revista Galileu

23:02 · 14.06.2016 / atualizado às 23:02 · 14.06.2016 por

Um monumento de mais de 2.300 anos foi descoberto no sítio arqueológico de Petra, na Jordânia, por meio de imagens de satélite, fotos de drones (aeronaves não tripuladas) e pesquisas em solo.

A estrutura retangular, que arqueólogos estimam que tenha o tamanho de uma piscina olímpica, está soterrada em um local muito próximo aos monumentos mais visitados da cidade antiga. O estudo que levou a essa descoberta foi coordenado pela professora Sarah Parcak, da Universidade do Alabama em Birmingham, e por Christopher Tuttle, diretor-executivo do Conselho de Centros de Pesquisas Americanas no Exterior.

O trabalho foi publicado na prestigiada revista científica “The American Schools of Oriental Research”.

Espaço para cerimônias

Pelo seu formato, especula-se que o monumento encontrado tenha sido um espaço para cerimônias.

A estrutura mede 56 metros por 49 metros e é formada por uma plataforma interior que possuía colunas de um lado e uma “escada gigante” para o lado leste.

Os pesquisadores disseram que é difícil haver alguma outra estrutura soterrada no parque arqueológico.

História

A região de Petra começou a ser povoada no século 4º a.C, quando foi fundada pelos nabateus, que habitavam regiões onde estão hoje Jordânia, Iraque, Síria e Líbano. Todas as construções de Petra foram feitas a partir do entalhe de colinas de pedra rosada no sul jordaniano.

Petra foi conquistada pelos romanos no século 2º. Depois de ter sido abandonada, só foi redescoberta em 1812, pelo viajante suíço Johann Ludwig Burckhardt. Vasos encontrados na região sugerem que a plataforma descoberta tenha sido construída por volta da metade do século 2º a.C., quando a cidade de Petra se encontrava no seu auge.

“Esta plataforma monumental não tem paralelos em Petra ou em seus arredores hoje”, escreveram os pesquisadores, destacando que, estranhamente, a estrutura fica perto do centro da cidade de Petra, mas mesmo assim permaneceu “escondida” e é de difícil acesso.

Tuttle disse que, ao longo de décadas de escavação, algum arqueólogo pode ter tido conhecimento sobre a estrutura. “Trabalhei em Petra por 20 anos, e eu sabia que havia algo lá, mas é certamente legítimo chamar isso de uma descoberta”, afirmou.

Em 2007, Petra foi eleita uma das sete maravilhas do mundo moderno, junto com o Coliseu, na Itália; a cidade maia de Chichén Itzá, no México; Machu Picchu, no Peru; a Muralha da China; o Cristo Redentor, no Brasil; e o Taj Mahal, na Índia.

Com informações: Folhapress

18:16 · 08.06.2016 / atualizado às 18:17 · 08.06.2016 por
Foto: National Museum of Nature and Science of Tokyo
Medindo apenas 1,1 metro, os chamados Homo floresiensis (nome derivado da ilha de Flores, seu local de origem) causam dores de cabeça nos especialistas em evolução humana desde 2004 Foto: National Museum of Nature and Science of Tokyo

As dúvidas que ainda pairavam sobre a identidade dos misteriosos “hobbits” da Indonésia devem ser dissipadas, ao que tudo indica.

Novas descobertas na mesma ilha onde esses hominídeos diminutos foram achados originalmente revelaram seus prováveis ancestrais, os quais já eram pequeninos há 700 mil anos.

Medindo apenas 1,1 metro, os chamados Homo floresiensis (nome derivado da ilha de Flores, seu local de origem) causam dores de cabeça nos especialistas em evolução humana desde 2004, quando sua existência foi revelada ao público pela primeira vez nas páginas da prestigiada revista científica “Nature”.

Ocorre que nenhum dos outros membros da linhagem humana jamais teve tamanho tão modesto, e o cérebro dos espécimes de Flores, equivalente ao de um chimpanzé, também é surpreendentemente pequeno (a pequenez, obviamente, foi o que levou os cientistas a comparar os exemplares com os hobbits de “O Senhor dos Anéis”).

Os dados aparentemente malucos levaram alguns especialistas a argumentar que a equipe australiano-indonésia responsável por desencavar os primeiros H. floresiensis na caverna de Liang Bua tinha errado feio: os hobbits não passariam de Homo sapiens com algum problema severo de desenvolvimento, talvez de origem genética.

Isolamento

O fato de que todos os indivíduos da suposta nova espécie achados até hoje vinham de uma única caverna ajudou a sustentar tal hipótese até hoje, já que as características peculiares poderiam ser consideradas anomalias ligadas a um único grupo familiar, por exemplo.

Mas os descobridores dos hobbits argumentavam que a morfologia do crânio e dos demais ossos do H. floresiensis tinha traços primitivos que não tinham nada a ver com patologias modernas -e tudo a ver com o Homo erectus, hominídeo que já andava pelo Sudeste Asiático há cerca de 1,5 milhão de anos.

Para eles, portanto, o cenário mais provável era o seguinte: ao se espalhar pela atual Indonésia, alguns grupos de H. erectus teriam ficado isolados em Flores. A partir daí, desencadeou-se um processo conhecido como nanismo de ilhas, no qual a relativa falta de recursos e território em áreas insulares leva a seleção natural a favorecer versões miniaturizadas de uma espécie.

Parece coisa de ficção científica, mas é algo tão comum que aconteceu de forma independente diversas vezes: as ilhas do Mediterrâneo abrigavam elefantes anões (alguns medindo apenas 1,5 m) na pré-história, e a própria Flores foi lar de parentes extintos do elefante chamados Stegodon, que também eram versões “pocket” de seus ancestrais.

Sítio a céu aberto

A importância da nova pesquisa, também publicada na “Nature”, vem justamente do fato de que os novos fósseis foram achados a 74 km de Liang Bua, num sítio arqueológico a céu aberto conhecido como Mata Menge.

A equipe liderada por Gerrit van den Bergh, da Universidade de Wollongong (Austrália), também teve a sorte de datar com relativa precisão os restos (um fragmento de mandíbula e alguns dentes), porque eles estavam recobertos por uma camada de material vulcânico, cujas propriedades radioativas permitem uma boa estimativa de idade.

Os fósseis foram analisados pelo antropólogo japonês Yousuke Kaifu, do Museu Nacional de Natureza e Ciência de Tóquio. “Fiquei tão surpreso com o tamanho minúsculo da mandíbula e dos dentes que cheguei a achar que eram de uma criança”, contou Kaifu. No entanto, imagens de tomografia computadorizada do osso mostraram que ele tinha características típicas de indivíduos adultos.

O exame detalhado da morfologia dos fragmentos revelou grandes semelhanças com os da caverna de Liang Bua (embora os de Mata Menge sejam entre 20% e 30% menores, na verdade). E, como os restos da gruta foram todos datados entre 200 mil e 50 anos atrás -contando aí tanto artefatos quanto ossos-, a equipe postula que os habitantes de Mata Menge são os prováveis ancestrais dos hobbits que foram encontrados primeiro.

“Isso finalmente encerra o debate sobre a validade do H. floresiensis como espécie separada”, diz Aida Gómez-Robles, da Universidade George Washington (EUA), que comentou o novo estudo a pedido da “Nature”.

Como há artefatos de pedra em Flores com idade estimada em 1 milhão de anos, os autores da pesquisa argumentam que isso reforça a hipótese de que os H. erectus aportaram por lá mais ou menos nessa época.

Com informações: Reinaldo José Lopes/Folhapress

09:14 · 31.12.2014 / atualizado às 09:22 · 31.12.2014 por
Foto: Reuters
A civilização maia dominou a península de Yucatán e o norte da América Central, onde atualmente ficam o sul do México, Belize, Guatemala e partes de Honduras e El Salvador Foto: Reuters

Novas análises feitas em minerais retirados da caverna submersa conhecida como o Grande Buraco Azul, em Belize, na América Central, dão pistas sobre os motivos que levaram ao fim da civilização maia.

Os resultados do estudo, feito por pesquisadores da Universidade de Rice, no Texas, corroboram uma teoria já existente: a de que uma grande seca teria levado ao desaparecimento da sociedade maia.

A equipe de pesquisadores perfurou e coletou amostras de sedimentos encontrados no Grande Buraco Azul e nos recifes de coral dispostos ao redor da caverna. A composição dessas amostras foi analisada, principalmente em relação à quantidade de titânio e alumínio.

Em entrevista ao site americano “LiveScience”, o geólogo Andre Droxler, da Universidade de Rice, explicou que a chuva corrói as rochas vulcâncias da região, que contém titânio, que é então transportado até o oceano. Por esse motivo, quantidades menores desse elemento nos sedimentos correspondem a períodos de menos chuva.

O que a análise dos sedimentos e dos corais demonstrou foi que houve um período de seca extrema entre 800 d.C e 900 d.C, que coincide com o momento em que a civilização maia começou a se desintegrar. A partir dessa época, eles entraram em declínio econômico e cultural, e perderam influência com a ascensão de outros povos, como os toltecas.

A civilização maia dominou a península de Yucatán e o norte da América Central, onde atualmente ficam o sul do México, Belize, Guatemala e partes de Honduras e El Salvador.

Com informações: G1