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Categoria: Astrofísica


17:38 · 07.12.2017 / atualizado às 17:38 · 07.12.2017 por
Concepção artística de um buraco negro, tipo de corpo celeste hiper-massivo que já existia desde o primeiro bilhão de anos do Universo Imagem: Dark Horizons

Um grupo de cientistas descobriu o mais distante buraco negro já registrado até hoje. O objeto, cuja massa é 800 milhões de vezes maior que a do Sol, está a 13 bilhões de anos-luz da Terra.

A distância é tão grande que o buraco negro pode ser considerado uma relíquia do cosmos primitivo: os sinais que ele emite viajam na velocidade da luz e levam 13 bilhões de anos para chegar à Terra e o Universo teve origem há cerca de 13,7 bilhões de anos. Com isso, o buraco negro é observado atualmente com o aspecto que possuía 690 milhões de anos após o Big Bang. De acordo com os autores do estudo, publicado nesta quinta-feira 7, na revista científica Nature, é surpreendente que um buraco negro já tivesse um tamanho tão descomunal quando o Universo ainda tinha apenas 5% de sua idade atual.

“Esse buraco negro cresceu muito mais do que nós esperávamos em apenas 690 milhões de anos depois do Big Bang. Isso desafia todas as nossas teorias sobre a formação de buracos negros”, disse um dos autores do estudo, Daniel Stern, do Laboratório de Propulsão de Foguetes da Nasa, em Pasadena, na Califórnia (Estados Unidos). Os astrônomos combinaram dados do telescópio espacial Wide-field Infrared Survey Explorer (Wise), da Nasa, com observações feitas a partir da Terra para identificar potenciais objetos distantes. Depois, passaram a acompanhar o objeto com os telescópios Magalhães, do Observatório de Las Campanas, no Chile.

O autor principal da pesquisa, Eduardo Bañados, da Carnegie Institution for Science, em Pasadena, na Califórnia (Estados Unidos), liderou o trabalho de identificação de candidatos entre as centenas de milhões de objetos descobertos pelo Wise, a fim de selecionar quais deles valeria à pena acompanhar com os telescópios Magalhães.

Para que um buraco negro tenha se tornado tão gigantesco no universo primitivo, os astrônomos especulam que ele deve ter encontrado condições especiais que permitiram um crescimento tão rápido. Tais condições, porém, permanecem misteriosas.

O buraco negro descoberto, que está no centro de uma galáxia, devorando avidamente todo o material em seu entorno, está no interior de um quasar e por isso pode ser observado.

Quasares

Os quasares são objetos astronômicos extremamente distantes que possuem o brilho de uma galáxia com bilhões de estrelas, mas que têm dimensões aparentemente pequenas e que são formados por material que está em processo de ser “engolido” por um buraco negro.

À medida que esse material acelera sua queda em direção ao buraco negro, ele esquenta, emitindo uma quantidade de luz tão extraordinária que afasta o material que cai atrás dele. Pela imensa distância em que os quasares se encontram, a luz emitida por eles leva bilhões de anos para chegar à Terra e, por isso, permitem que os cientistas olhem para o passado e estudem o Universo primitivo. De acordo com os autores da pesquisa, esse quasar é especialmente interessante, porque revela eventos de uma época na qual o Universo era extremamente jovem.

“Os quasares estão entre os objetos celestes mais brilhantes e mais distantes e são cruciais para compreendermos o Universo primitivo”, disse outro dos autores do estudo, Bram Venemans, do Instituto de Astronomia Max Planck, na Alemanha.

Origens do Universo

O Universo teve origem em uma “sopa” extremamente quente de partículas que rapidamente se espalharam, em um período conhecido como “inflação”.

Cerca de 400 mil anos após o Big Bang essas partículas esfriaram e formaram gás hidrogênio. Mas o Universo permaneceu escuro, sem nenhuma fonte luminosa, até que a gravidade condensasse a matéria, formando as primeiras estrelas e galáxias.

A energia liberada por essas estrelas primitivas fez com que o hidrogênio, que havia se tornado neutro, perdesse um elétron, isto é, voltasse a ser ionizado. O gás permaneceu nesse estado desde então. Uma vez que o Universo foi reionizado, os fótons puderam viajar livremente pelo espaço. Nesse ponto, o Universo se tornou transparente para a luz.

Grande parte do hidrogênio em torno do novo quasar descoberto é neutro. Isso significa que o quasar não é apenas o mais distante já registrado, mas é também um exemplo do que podia ser visto antes da reionização do Universo. “Essa foi a última grande transição do Universo e é uma das atuais fronteiras da astrofísica”, disse Bañados.

A distância do quasar é determinada pela unidade que os cientistas chamam de “redshift” (“desvio para o vermelho”, em inglês), que mede o quanto a expansão do Universo estende o comprimento de onda da luz emitida por um corpo celeste distante antes que essa luz chegue à Terra. Quanto maior é o redshift de um objeto, maior é a distância.

O novo quasar tem redshift de 7.54, com base na detecção de emissões de carbono ionizado da galáxia que abriga o imenso buraco negro. Isso significa que a luz emitida pelo quasar levou mais de 13 bilhões de anos para chegar à Terra.

Os cientistas estimam que o céu contenha entre 20 e 100 quasares tão brilhantes e tão distantes como o que foi descoberto.

Com informações: Estadão Conteúdo

17:31 · 16.10.2017 / atualizado às 20:48 · 16.10.2017 por
Estrelas de nêutrons são as menores e mais densas estrelas conhecidas. Elas podem ter cerca de 20 km de diâmetro, apenas, mas seu interior é tão denso que uma colher de chá desse material tem a massa de 1 bilhão de toneladas Foto: Universidade de Warwick

Um grupo internacional de cientistas anunciou nesta segunda-feira (16) a descoberta de um conjunto de fenômenos astrofísicos nunca antes observados: a colisão de um par de estrelas de nêutrons produzindo ondas gravitacionais e uma explosão luminosa um bilhão de vezes mais brilhante que o Sol.

De acordo com os cientistas, pela primeira vez um evento cósmico foi observado ao mesmo tempo a partir da luz e das ondas gravitacionais por ele produzidas. O anúncio foi feito na sede do Observatório Europeu do Sul (ESO) em Garching, na Alemanha e no Observatório do Paranal, operado pelo ESO no deserto do Atacama, no Chile.

“O que é incrível nessa descoberta é que pela primeira vez temos um quadro completo de um dos eventos mais violentos e cataclísmicos do Universo. Esse foi o mais intenso trabalho de observação que já foi feito”, afirmou o diretor executivo do Ligo, Dave Reitze, durante o evento na Alemanha.

As estrelas de nêutrons são as menores e mais densas estrelas conhecidas. Elas podem ter cerca de 20 quilômetros de diâmetro, apenas, mas seu interior é tão denso que uma colher de chá desse material tem a massa de um bilhão de toneladas. Previstas por Albert Einstein em 1915, as ondas gravitacionais surgem quando corpos muito grandes e acelerados produzem distorções no “tecido” que compõe o espaço-tempo, de maneira semelhante às ondulações produzidas por uma pedra atirada na água.

As ondas gravitacionais só foram observadas em 2015, no Observatório de Ondas Gravitacionais por Interferometria a Laser (Ligo, na sigla em inglês), a partir da fusão entre dois buracos negros em galáxias distantes. O feito rendeu o Prêmio Nobel da Física de 2017 ao alemão naturalizado americano Rainer Weiss e aos americanos Barry Barish e Kip Thorne, que coordenaram a construção do Ligo.

Depois da primeira observação no fim de 2015, as ondas gravitacionais foram captadas mais três vezes – mas como a fusão dos buracos negros não produz nenhuma luz, o fenômeno é completamente invisível para os telescópios ópticos.

Desta vez, portanto, os cientistas conseguiram não apenas “ouvir”, mas também enxergar a violenta trombada dos corpos que produziram as ondulações no espaço tempo.

Técnica usada

A sequência extraordinária de eventos observada pelos cientistas começou com os dois detectores gêmeos do Ligo – localizados na Luisiânia e em Washington, nos Estados Unidos. Eles capturaram os tremores no espaço-tempo produzidos pela fusão das duas estrelas de nêutrons a 130 milhões de anos-luz da Terra. Um alerta foi acionado para astrônomos de vários lugares do mundo. Em algumas horas, mais de 70 telescópios – na Terra e no espaço – estavam observando o brilho da explosão.

Quando as estrelas de nêutrons colidiram, elas emitiram uma intensa explosão de raios gama e expeliram uma grande quantidade de materiais que, naquelas condições, se transformaram elementos pesados, como ouro, platina e urânio. Os cientistas já suspeitavam que as colisões de duas estrelas de nêutrons poderiam ser violentas o suficiente para criar os elementos mais pesados, mas não só agora esse tipo de fenômeno foi de fato observado e confirmado.

Com informações: Estadão Conteúdo

17:18 · 16.03.2017 / atualizado às 17:19 · 16.03.2017 por
Concepção artística da missão “Europa Clipper”, um dos projetos que deve ser beneficiado com a nova proposta orçamentária feita por Donald Trump para a Nasa. A missão vai explorar o satélite Europa, de Júpiter Imagem: Nasa

O projeto de orçamento da Nasa apresentado nesta quinta-feira (16) pelo presidente americano, Donald Trump, privilegia a exploração do espaço profundo, mas reduz os fundos dedicados às ciências da Terra e ao estudo do clima.

O texto confirma o apoio do governo Trump às alianças entre a agência espacial americana e o setor privado, iniciadas pela administração do seu antecessor, Barack Obama, “como a base do desenvolvimento do setor comercial espacial americano”.

O orçamento de 2018, de 19,1 bilhões de dólares, 0,8% menor que o de 2017, elimina o projeto apoiado pelo governo de Obama de capturar um asteroide e colocá-lo numa órbita perto da Lua, para estudá-lo em profundidade. O projeto aumenta, principalmente, os recursos dedicados às ciências planetárias e à astrofísica, que passam de US$ 1,5 bilhão para quase US$ 2 bilhões.

A Casa Branca propõe, ainda, a aceleração de um projeto de exploração robótica de uma lua de Júpiter chamada Europa, que contém um vasto oceano de água sob uma grossa camada de gelo onde pode existir vida. A Nasa trabalha atualmente no desenvolvimento de uma sonda, “Europa Clipper”, cujo lançamento está previsto para a década de 2020. O objetivo é sobrevoar a lua de Júpiter para cartografar sua superfície e buscar possíveis sinais de vida no oceano. O projeto de Trump destina US$ 1,8 bilhão de dólares – o que representa uma redução de US$ 200 milhões – para o desenvolvimento de pesquisas sobre as ciências da Terra, que incluem quatro missões relacionadas com o estudo do clima. Uma delas é a do Observatory-3, um satélite que pode medir e monitorar as emissões de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera.

Para o diretor interino da Nasa, Robert Lightfoot, o projeto de orçamento é “em geral positivo” para a agência. “Como com qualquer orçamento, temos aspirações que ultrapassam nossas possibilidades, mas este projeto de orçamento nos proporciona recursos consideráveis para realizar nossa missão”, acrescentou em um comunicado. No entanto, a publicação do projeto de orçamento é apenas o começo de uma longa batalha com o Congresso, que tem a última palavra.

Com informações: AFP

20:41 · 07.10.2016 / atualizado às 20:41 · 07.10.2016 por
Imagem: The Washington Post
Concepção artística do planeta Proxima b, que pode ter oceanos tão ou mais profundos que os existentes na Terra Imagem: The Washington Post

Um planeta rochoso descoberto na zona “habitável” da estrela mais próxima do nosso Sistema Solar, a Proxima Centauri, pode estar coberto de oceanos, afirmaram cientistas do instituto de pesquisa francês CNRS nesta quinta-feira.

Uma equipe de pesquisadores, incluindo astrofísicos do CNRS, calcularam o tamanho do planeta apelidado Proxima b, assim como as propriedades da sua superfície, e concluíram que este pode ser um “planeta de oceanos” semelhante à Terra. Cientistas anunciaram a descoberta do Proxima b em agosto, e disseram que este pode ser o primeiro exoplaneta (planeta fora do nosso Sistema Solar) a ser visitado, um dia, por robôs terráqueos.

O planeta orbita dentro de uma zona “temperada” da sua estrela Proxima Centauri, localizada a ‘apenas’ 4,2 anos-luz da Terra. Estima-se que o Proxima b tem uma massa de cerca de 1,3 vezes a da Terra e que orbita a cerca de 7,5 milhões de km da sua estrela – cerca de um décimo da distância a que orbita Mercúrio, o planeta mais próximo do Sol.

“Ao contrário do que se poderia esperar, tal proximidade não significa necessariamente que a superfície do Proxima b seja muito quente” para a água existir na forma líquida, disse um comunicado do CNRS.

Proxima Centauri é menor e 1.000 vezes mais fraca do que o nosso Sol, o que significa que o Proxima b está exatamente na distância certa para as condições serem potencialmente habitáveis.

“O planeta pode muito bem conter água líquida em sua superfície e, portanto, também algumas formas de vida”, disse o comunicado.

Cálculo

O tamanho de exoplanetas é geralmente calculado medindo a quantidade de luz que eles bloqueiam, a partir da perspectiva da Terra, quando passam na frente da sua estrela hospedeira.

Mas nenhum trânsito deste tipo do Proxima b foi observado ainda, então a equipe teve que confiar em simulações para estimar a composição e o raio do planeta. Eles calcularam que o raio é de entre 0,94 e 1,4 vez o da Terra, que é de 6.371 km, em média.

Presumindo um raio mínimo de 5.990 km, o planeta seria muito denso, com um núcleo metálico que corresponde a dois terços de toda a massa do planeta, envolvido por um manto rochoso. Caso exista água na superfície, esta corresponderia a 0,05% da massa total do planeta, indicou a equipe. Não é muito diferente da Terra, onde essa porcentagem é de 0,02%.

No cenário em que o Proxima b é maior, com um raio de 8.920 km, sua massa seria dividida, em partes iguais, entre um centro rochoso e a água circundante. “Neste caso, o Proxima b seria coberto por um único oceano líquido, de 200 km de profundidade”, disse o CNRS.

“Em ambos os casos, poderia haver uma atmosfera fina e gasosa cercando o planeta, como na Terra, tornando o Proxima b potencialmente habitável”, concluiu o instituto.

Com informações: AFP

18:14 · 25.04.2015 / atualizado às 18:18 · 25.04.2015 por
Imagem: John  Dubinski
De acordo com cosmólogos, essas partículas teóricas (aqui representadas artisticamente) sem luz, impregnam o universo e mantém as galáxias juntas Imagem: John Dubinski

No começo deste ano, a Dra. Sabine Hossenfelder, física teórica de Estocolmo, na Suécia, fez a sugestão surpreendente de que a matéria escura pode causar câncer. De acordo com cosmólogos, essas partículas teóricas, sem luz, impregnam o universo e mantém as galáxias juntas.

Embora ainda necessite ser detectada diretamente, presume-se que a matéria escura exista porque nós podemos ver os efeitos de sua gravidade. À medida que suas partículas invisíveis passam por nossos corpos, elas podem provocar mutações no DNA, assegura a teoria, somando-se em uma escala muito baixa ao índice total de câncer.

Foi perturbador ver dois reinos aparentemente diferentes, cosmologia e oncologia, de repente serem justapostos. Porém, esse foi apenas o começo. Logo após Hossenfelder ter puxado o assunto em ensaio publicado na internet, Michael Rampino, professor da Universidade de Nova York, acrescentou geologia e paleontologia ao cenário. Em artigo para a Real Sociedade Astronômica, ele propôs que a matéria escura é responsável pelas extinções em massa que periodicamente varreram a Terra, incluindo a que matou os dinossauros.

A ideia é baseada em especulações de outros cientistas segundos os quais a Via Láctea é fatiada horizontalmente pelo centro por um disco fino de matéria escura. À medida que o Sol, viajando pela galáxia, sobe e desce através desse plano escuro, ele gera ecos gravitacionais capazes de deslocar cometas distantes de suas órbitas, enviando-os em rota de colisão com a Terra. Uma versão anterior dessa hipótese foi apresentada no ano passado pelos físicos Lisa Randall e Matthew Reece, de Harvard. Porém, Rampino acrescentou outro toque: durante a viagem galáctica da Terra, a matéria escura se acumula em seu núcleo. Ali, as partículas se autodestroem, gerando calor suficiente para provocar erupções vulcânicas mortais. Atacados por cima e por baixo, os dinossauros sucumbiram.

É surpreendente ver algo tão abstrato quanto a matéria escura ganhar tanta solidez, ao menos na mente humana. A ideia foi criada no começo da década de 1930 como um mecanismo teórico – um meio de explicar observações que de outra forma não fariam sentido. As galáxias parecem estar girando tão rápido que elas deveriam ter se separado há muito tempo, arremessando as estrelas como se fossem fagulhas de fogos de artifício. Simplesmente não existe gravidade suficiente para manter uma galáxia unida, a não ser que ela esconda uma quantidade enorme de matéria invisível – partículas que não emitem nem absorvem luz.

Alguns independentes propõem alternativas, tentando ajustar as equações da gravidade para explicar o que parece ser massa desaparecida. Porém, para a maioria dos cosmólogos, a ideia da matéria invisível se enraizou tanto que é quase impossível viver sem ela.

Superabundância

Supostamente cinco vezes mais abundante do que as coisas vistas, a matéria escura é um componente crucial da teoria por trás da lente gravitacional, segundo a qual grandes massas como as galáxias podem curvar raios de luz e fazer as estrelas aparecerem em partes inesperadas do céu.

Essa foi a explicação para a observação espetacular de uma “Cruz de Einstein” informada no mês passado. Funcionando como lentes enormes, um conglomerado de galáxias defletiu a luz de uma supernova em quatro imagens – uma miragem cosmológica. A luz de cada reflexo tomou um caminho diferente, gerando relances de quatro momentos diferentes da explosão.

Entretanto, nem sequer um conglomerado galáctico exerce gravidade suficiente para curvar a luz tão gravemente a menos que se defenda que a maior parte de sua massa seja formada pela hipotética matéria escura. Na verdade, os astrônomos têm tanta certeza de que a matéria escura existe que adotaram a lente gravitacional como ferramenta para mapear sua extensão.

Trocando em miúdos, a matéria escura é utilizada para explicar a lente gravitacional, e esta é tida como outro indício da existência da matéria escura.

Tentativas de detecção

Embora sua identidade continue desconhecida, a maioria dos teóricos aposta que a matéria escura seja formada por partículas maciças fracamente interagentes – conhecidas pela sigla inglesa, Wimp. Se elas realmente existirem, pode ser possível ter um vislumbre delas quando interagirem com matéria comum.

Baseados nessa esperança, cientistas construíram detectores subterrâneos numa tentativa de medir o impacto das partículas à medida que voam pela Terra e, ocasionalmente, colidem com átomos de xenônio, argônio ou alguma outra substância. Porém, até agora não aconteceram choques. Segundo as estimativas de Hossenfelder, entre dez a alguns milhares de vezes por ano as Wimps podem atingir alguns dos nossos átomos, incluindo os que compõem o DNA. A energia seria forte o bastante para quebrar os elos moleculares e provocar mutações.

Quando se trata de câncer, essa é uma ameaça insignificante. Dois colegas de Hossenfelder, Katherine Freese e Christopher Savage, estimaram que os raios cósmicos cortando o corpo humano causem mais dano por segundo do que a matéria escura numa vida inteira.

Todavia, o efeito da matéria escura ainda é forte a ponto de cientistas cogitarem usar moléculas de DNA ou RNA como detectores de Wimps.

Com informações: The New York Times/UOL Ciência

18:57 · 23.04.2015 / atualizado às 19:01 · 23.04.2015 por
Foto: ESA/Planck
“Supervazio” é uma grande região de 1,8 bilhão de anos-luz de largura, na qual a densidade das galáxias é muito menor do que a normal encontrada no Universo conhecido Foto: ESA/Planck

Astrônomos de uma Universidade no Havaí (EUA) podem ter decifrado um mistério de dez anos e encontrado a maior estrutura conhecida do Universo.

Em 2004, ao examinar um mapa da Radiação Cósmica de Fundo (CMB, na sigla em inglês), resíduo do Big Bang presente em todo o Universo, astrônomos descobriram uma área diferente, surpreendentemente ampla e fria, batizada de Ponto Frio. A física que estuda a teoria do Big Bang para a origem do Universo prevê pontos quentes e frios de vários tamanhos em um Universo ainda jovem, mas um ponto tão grande e tão frio como o desta descoberta não era esperada pelos cientistas.

Mas uma equipe, liderada por István Szapudi, do Instituto de Astronomia da Universidade do Havaí, em Manoa, pode ter a explicação para a existência deste Ponto Frio que, segundo Szapudi, seria “a maior estrutura individual já identificada pela humanidade”.

‘Supervazio’

Usando dados do telescópio Pan-STARRS1 (PS1), em Haleakala, Maui, e também do satélite Wide Field Survey (WISE), da Nasa, a equipe de Szapudi descobriu o que chamaram de “supervazio”, uma grande região de 1,8 bilhão de anos-luz de largura, na qual a densidade das galáxias é muito menor do que a normal encontrada no Universo conhecido.

Os cientistas dizem que essa região é tão grande que é difícil encaixá-la na nossa compreensão convencional sobre dimensões e espaço. Ela é mais fria do que outras partes do universo, e apesar de não ser um vácuo ou totalmente vazia, parece ter cerca de 20 por cento a menos de matéria do que outras regiões. O “supervazio”, localizado a 3 bilhões de anos-luz da Terra, “sugaria” energia da luz que viaja através dela, o que explica o intenso frio da região.

Segundo os cientistas, atravessá-la pode levar milhões de anos, mesmo à velocidade da luz. O estudo foi publicado no Notices of the Royal Astronomical Society.

Com informações: BBC Brasil

17:19 · 16.04.2015 / atualizado às 17:57 · 16.04.2015 por
Concepção artística de uma supercivilização alienígena, capaz de consumir energia em nível galáctico Imagem: Josh Kao
Concepção artística de uma supercivilização alienígena, capaz de consumir energia em nível galáctico Imagem: Josh Kao

Um estudo recém-concluído por pesquisadores americanos identificou 50 galáxias que podem conter sinais de uma supercivilização atuando.

Contudo, os resultados preliminares não são conclusivos, e é bem possível que as anomalias encontradas sejam meramente fruto de algum processo natural.

O trabalho faz parte da pesquisa G-HAT, sigla para Glimpsing Heat from Alien Technologies, ou Detectando Calor de Tecnologias Alienígenas, e será publicado na ediçãode abril do “Astrophysical Journal Supplement Series”.

O estudo foi conduzido com base nos dados do satélite Wise, da Nasa, que fez uma varredura completa do céu em infravermelho, e por ora o resultado é que nenhuma evidência óbvia de uma supercivilização foi encontrada, após uma análise da luz de cerca de 100 mil galáxias.

“A ideia por trás da nossa pesquisa é que, se uma galáxia inteira tivesse sido colonizada por uma civilização espacial avançada, a energia produzida pelas tecnologias daquela civilização seria detectável em comprimentos de onda do infravermelho médio — exatamente a radiação que o satélite Wise foi projetado para detectar”, disse, em nota, Jason Wright, astrônomo da Universidade Estadual da Pensilvânia e criador do projeto.

Busca incomum

Talvez pareça estranho procurar sinais de inteligência extraterrestre desse modo, em vez de seguir a linha mais tradicional da pesquisa SETI, que tenta ouvir sinais de rádio de civilizações próximas habitando sistemas planetários em nossa própria galáxia, a Via Láctea. Mas é uma linha de pesquisa sugerida há décadas.

Em 1964, o astrofísico russo Nikolai Kardashev propôs que civilizações avançadas pudessem ser classificadas de acordo com seu nível de consumo de energia.  As de tipo I seriam aquelas que usufruem do equivalente energético da radiação que chega a seu planeta emanada de seu sol. As de tipo II teriam à sua disposição a energia equivalente à produção toal de sua estrela. Finalmente, as de tipo III teriam energia compatível com a produção em escala galáctica.

O G-HAT buscou exatamente essas poderosas supercivilizações de tipo III. A premissa é que a produção de calor combinada das máquinas operadas por essa sociedade e espalhadas por uma galáxia inteira pudessem aparecer como uma anomalia da emissão de infravermelho médio.

Galáxias promissoras

O grupo começou com 100 milhões de objetos catalogados pelo Wise e então restringiu a análise às 100 mil galáxias que tinham imagens com qualidade suficiente para uma possível detecção.

“Encontramos cerca de 50 galáxias que têm níveis incomumente altos de radiação no infravermelho médio”, afirma Wright. “Nossos estudos subsequentes dessas galáxias poderão revelar se a origem dos resultados vem de processos astronômicos naturais ou se poderiam indicar a presença de uma civilização altamente avançada.”

De toda forma, já está claro que uma supercivilização que use a maior parte da energia produzida pela galáxia (85% ou mais) para seus próprios fins não habita nenhuma das 100 mil estudadas. “Isso é interessante porque essas galáxias têm bilhões de anos, o que é tempo mais que suficiente para que elas ficassem cheias de civilizações”, diz Wright. “Então, ou elas não existem ou não usam energia suficiente para que nós as reconheçamos.”

O objetivo agora é refinar as técnicas de medição para investigar se as 50 galáxias com anomalias no infravermelho médio podem ser resultado de civilizações poderosas para os nossos padrões, mas que ainda não chegaram ao tipo III.

A propósito, usando a escala de Kardashev, a humanidade não chegou nem ao tipo I ainda. (Segundo Carl Sagan, seríamos do tipo 0,7, ou algo assim.)

Com informações: Salvador Nogueira/Mensageiro Sideral

11:59 · 31.03.2015 / atualizado às 23:15 · 30.03.2015 por
Imagem: Nasa
Concepção artística da sonda Solar Probe Plus, da Nasa, que pretende chegar a apenas 6 milhões de km do Sol, distância quase 25 vezes menor que separa a Terra do astro-rei  Imagem: Nasa

As missões espaciais Solar Orbiter e Solar Probe Plus, provavelmente as mais audaciosas em desenvolvimento, serão enviadas para entrar na órbita de Mercúrio com o objetivo de estudar o Sol.

De lá, a temperatura na superfície frontal desses satélites vai ultrapassar as centenas de graus. Seria possível dizer que essas missões são, literalmente, “missões para o Inferno”. Projetar um sistema seguro para proteger as naves para resistirem a temperaturas tão altas é algo que tem dado trabalho aos engenheiros. Eles precisam de algo que funcione como um “escudo de calor”. Para o Solar Orbiter, da Agência Espacial Europeia (ESA), a solução é usar titânio. Já no Solar Probe Plus, da Nasa, o material deverá ser composto por carbono.

Os instrumentos dos dois satélites terão de se esconder por trás dessas barreiras para fazer as medições que os cientistas esperam na tentativa de desvendar alguns dos maiores e mais duradouros mistérios do Sol.

Objetivos

Os satélites Solar Orbiter e Solar Proble Plus querem “entrar no fogo” para valer – para observar a atividade solar de perto e provar diretamente os efeitos das partículas e dos campos magnéticos que as contêm.

“Nós queremos obter três medidas”, afirmou Tim Horbury, o principal investigador do Solar Orbiter. “Com o Solar Orbiter, queremos obter uma medida remota, queremos ver o que está acontecendo no Sol com nossos telescópios e depois queremos obter uma segunda medida, para sentir o que está saindo dele.”

“A terceira medida viria do próprio Solar Probe, que avançaria um pouco o campo de visão muito rápido de vez em quando só para dar uma ideia do que estaria acontecendo lá também”, disse.

O Solar Probe chegará até a 43 milhões de quilômetros do Sol –  mais perto de Mercúrio, que gira em torno do Sol a uma distância que varia de 46 milhões a 70 milhões de quilômetros.

Já o Solar Probe Plus é quem vai fazer o verdadeiro trabalho “infernal” quando correr pela superfície solar a meros 6 milhões de quilômetros de distância.

E “correr” é a palavra certa porque a expectativa é que ele alcance velocidades de 200 quilômetros por segundo em partes da órbita.

Diferenças

Ficando mais distante, o Solar Orbiter consegue liberar telescópios. E as imagens captadas por eles provavelmente serão espetaculares, revelando características do Sol com uma resolução nunca conseguida antes.

Chegando bem próximo do Sol, o Solar Probe Plus poderá conseguir dados notáveis, mas olhar diretamente para o Sol é algo que está realmente fora de questão. A pouco mais de 6 milhões de quilômetros, a temperatura da superfície deve atingir 1.300 graus Celsius. O Solar Probe Plus não pode nem sequer se dar ao luxo de ter pequenos buracos em seu escudo revestido com cerâmica e carbono.

Já o Solar Orbiter, de 1.800 quilos, pode. “Temos alguns orifícios de passagem”, diz Dan Wild, um dos engenheiros térmicos da Airbus. “Esses são apenas grandes cilindros feitos de titânio e revestidos de preto para o controle da luz, para que a gente não pegue muito reflexo.”

“E na frente dos cilindros há portas. Nós podemos fechar essas portas e isso significa que não vamos perder a nave espacial se alguma coisa der errado”, afirmou.

As duas missões serão enviadas ao espaço em 2018.

Com informações: BBC

22:07 · 05.03.2015 / atualizado às 22:11 · 05.03.2015 por

 

Foto:Science News
Estrela conhecida como US 708 viaja a cerca de 1.200 quilômetros por segundo, rápido o bastante para que deixe a nossa galáxia em 25 milhões de anos Foto: Science News

Astrônomos encontraram uma estrela arremessada através da galáxia mais rápido do que qualquer outra já registrada, impulsionada pela explosão de uma enorme estrela irmã, disseram pesquisadores nesta quinta-feira (5).

A estrela, conhecida como US 708, viaja a cerca de 1.200 quilômetros por segundo, rápido o bastante para que deixe a Via Láctea em cerca de 25 milhões de anos, disse o astrônomo Stephan Geier, do Observatório Europeu do Sul, instituição que opera três telescópios no Chile. “Nessa velocidade você pode viajar da Terra à Lua em cinco minutos”, observou o atrônomo Eugene Magnier, da Universidade do Havaí.

A US 708 não é a primeira estrela encontrada pelos astrônomos movendo-se rápido o suficiente para deixar a galáxia, mas é a única até agora que parece ter sido arremessada pela explosão de uma supernova.

As 20 outras estrelas descobertas até agora dirigindo-se para fora da galáxia provavelmente ganharam impulso ao se aproximarem demais de buracos negros gigantes encontrados no centro da Via Láctea, disseram cientistas em artigo publicado nesta semana na revista Science. Antes ser arremessada através da galáxia, a US 708 era uma estrela gigante fria, mas teve todo o seu hidrogênio extraído por uma estrela irmã em sua órbita.

Cientistas suspeitam ter sido tal extração o que provocou a explosão da estrela irmã. Caso confirmado, esses tipos de estrelas arremessadas podem fornecer mais dados sobre como ocorrem as explosões de supernovas.

Com informações: Reuters

23:19 · 25.02.2015 / atualizado às 23:24 · 27.02.2015 por
Foto: Escola Máxima
O buraco negro de grande massa está localizado no coração de um quasar ultraluminoso, um corpo celeste de pequeno diâmetro e grande luminosidade que emite grandes quantidades de radiação Foto: Escola Máxima

Um grupo de cientistas descobriu um buraco negro com uma massa aproximadamente 12 bilhões de vezes maior que a do Sol, segundo publicou nesta quarta-feira (25) a revista britânica “Nature”.

A equipe detectou um quasar que contém um buraco negro supermassivo em seu interior e que pertence a uma época na qual o universo tinha menos de 1 bilhão de anos. Esta descoberta poderia questionar em profundidade determinadas teorias sobre a formação e o crescimento dos buracos negros e das galáxias.

O buraco negro de grande massa está localizado no coração de um quasar ultraluminoso, um corpo celeste de pequeno diâmetro e grande luminosidade que emite grandes quantidades de radiação. Após analisar a descoberta, o grupo de astrônomos considera que o buraco negro se originou a cerca de 900 milhões de anos depois do Big Bang, algo que consideraram “particularmente surpreendente”.

A descoberta e o estudo posterior foram realizados por uma equipe de astrônomos da universidade de Pequim e coordenado por Xue-Bing Wu, professor do departamento de astronomia da instituição. Wu e sua equipe realizaram um acompanhamento do quasar utilizando dados de projetos de inspeção e estudos como o SDSS (exploração Digital do Espaço Sloan) e o 2MASS (Reconhecimento em dois micrometros do céu completo).

Além disso, os astrônomos também utilizaram dados do estudo da Nasa Wide-Field Infrared Survey Explorer (WISE), um projeto que lançou um telescópio espacial em 2009 para estudar a radiação infravermelha. O astrônomo do Max Planck Institute for Astronomy Bram Venemans reagiu em artigo da “Nature” à descoberta e afirmou que “descobrir buracos negros pertencentes ao início dos tempos cósmicos é algo estranho”.

Apesar da rareza desta descoberta, Venemans especificou que “a tecnologia atual e futura dará a possibilidade da ciência conhecer as características do universo durante as primeiras centenas de milhões de anos depois do Big Bang”.

Segundo a cosmologia atual, a origem do universo se remonta à grande explosão de um ponto de densidade infinita que gerou a matéria, o espaço e o tempo.

Com informações: EFE