Diário Científico

Categoria: Astronomia


16:04 · 21.08.2018 / atualizado às 16:04 · 21.08.2018 por
Mapa produzido pela Nasa mostra localização de concentrações de água em estado sólido no pólo sul do nosso satélite natural Imagem: Nasa

A agência espacial dos Estados Unidos, a Nasa, informou que foram identificados dois polos na Lua que comprovam a existência de superfícies de gelo. São áreas mais escuras, distribuídas de forma irregular e que têm características de formações antigas e distintas.

No polo sul, a maior parte do gelo se concentra em crateras lunares, enquanto no norte é mais distribuído, embora em menor quantidade. O trabalho foi realizado por cientistas da Universidade do Havaí, Brown University e do Centro de Pesquisas da Nasa. A equipe é liderada pelos pesquisadores Shuai Li, da Universidade do Havaí e Brown University, e Richard Elphic, da Nasa.

Os pesquisadores utilizaram dados captados por um instrumento denominado Moon Mineralogy Mapper (M3), da Nasa, que identificou aspectos específicos sobre a existência de gelo, água e vapor. Disposto na nave não tripulada Chandrayaan-1, lançada em 2008, o M3 foi capaz de identificar a presença de gelo sólido na Lua, coletando informações que distinguem água líquida, vapor e gelo sólido.

Segundo a Nasa, a maior parte do gelo descoberto está nas crateras, do lado norte, pois ali as temperaturas são baixíssimas por causa da inclinação do eixo de rotação da Lua, uma vez que a luz não chega a essa região.

No caso do lado sul, a formação de gelo pode ser explicada por outros fenômenos, como o movimento do Sistema Solar.

Com informações: Agência Brasil

11:25 · 11.08.2018 / atualizado às 11:38 · 11.08.2018 por
A chuva de meteoros é causada pelas Perseidas, partículas deixadas pelo cometa Swift-Tuttle, que a Terra cruza a cada ano Foto: Universities Space Research Association

A tradicional chuva de estrelas cadentes (meteoros) do mês de agosto atingirá seu auge na noite deste domingo (12) e madrugada da segunda-feira, um espetáculo celeste realçado este ano por um céu escuro de lua nova.

O auge do fenômeno “deverá ocorrer por volta das 02h GMT de segunda-feira (23h de domingo em Fortaleza) com uma ou duas estrelas cadentes por minuto”, explicou Florent Deleflie, astrônomo do Observatório de Paris. No Ceará, a previsão de tempo firme com poucas nuvens deve indicar boa condição de visibilidade.

“Assim que cair a noite de domingo, os observadores poderão esperar ver dezenas de meteoros por hora”, apontou a Royal Astronomical Society (RAS) em um comunicado. As previsões auguram um 2018 “na média” para as Perseidas – melhor que o ano passado mas não tão bom como 2016, que foi excepcional.

A chuva de meteoros é causada pelas Perseidas, um campo de partículas deixadas pelo cometa Swift-Tuttle, que a Terra cruza a cada ano entre meados de julho e meados de agosto. Ao entrar em nosso planeta, essas partículas chocam com as moléculas da atmosfera. A colisão violenta produz luz. Cada partícula se transforma então em uma “estrela cadente”. Embora o número esperado de estrelas cadentes não seja excepcional, as condições de observação serão “perfeitas”, segundo a Royal Astronomical Society. Porque “lua nova é sinônimo de céu mais escuro”.

Como observar

Para admirar o fenômeno não é necessário nenhum instrumento, mas os especialistas recomendam se afastar das luzes da cidade, privilegiar regiões litorâneas ou de serra e ter paciência, uma vez que a visão leva pelo menos 10 minutos para se acostumar à escuridão. Florent Deleflie anima os observadores a “manter os olhos no céu porque alguns fenômenos muito furtivos ou algumas estrelas cadentes muito pequenas só são visíveis quando se olha permanentemente a abóbada celeste”.

“Se as nuvens tornarem a observação impossível este fim de semana, saibam que a chuva de estrelas cadentes durará ainda alguns dias, embora com uma atividade reduzida”, disse a Royal Astronomical Society.

Com informações: AFP

17:27 · 09.08.2018 / atualizado às 17:35 · 09.08.2018 por
A Parker passará 24 vezes a 6,2 milhões de km da sua superfície solar, durante os sete anos que a missão está prevista para durar Foto: Nasa

Dotada com um escudo de alta tecnologia para protegê-la do intenso calor, a sonda Parker será lançada no sábado com o objetivo de “tocar o Sol” e tentar responder a uma pergunta que instiga os cientistas: por que sua coroa é infinitamente mais quente que sua superfície?

A sonda, que decolará no sábado (11) de Cabo Canaveral, Flórida, será o primeiro objeto construído pelo homem para lidar com as condições infernais desta parte da atmosfera do Sol, e a passará 24 vezes a 6,2 milhões de km da sua superfície durante os sete anos que a missão está prevista para durar.

Parker, que se tornará a nave espacial mais rápida construída pelo homem, com uma velocidade máxima de 692 mil km/h, deve decolar em 11 de agosto da base espacial em Cabo Canaveral às 03h48 (04h48 em Brasília). O veículo, que tem o tamanho de um automóvel e custou US$ 1,5 bilhão, já está instalado na parte superior do foguete Delta IV-Heavy, que o levará ao espaço.

Para sobreviver, a nave está equipada com um escudo composto de carbono de 12 centímetros de espessura que deve protegê-la de uma temperatura de 1.400ºC – suficiente para fundir o silício – e manter funcionando os instrumentos científicos a cômodos 29°C.

Estes instrumentos devem permitir medir as partículas de alta energia, as flutuações magnéticas e fazer imagens para compreender melhor esta coroa, que é “um ambiente muito estranho, desconhecido para nós”, diz Alex Young, um especialista no Sol da Nasa.

De fato, a observação à distância chegou ao seu limite, diz Nicky Fox, membro do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins e responsável científica da missão.

“Temos que ir aonde isto ocorre, onde acontecem todas estas coisas misteriosas”, diz.

Quanto mais longe, mais quente

Diferentemente de uma fogueira, onde a parte mais quente está no centro, a temperatura aumenta à medida que você se afasta do Sol.

“Quando você passa da superfície do Sol, que está a 5.500 graus Celsius, para a coroa, nos encontramos rapidamente a milhões de graus”, explica Young.

O especialistas espera que Parker, a única nave da Nasa que leva o nome de um cientista ainda vivo – o famoso astrólogo de 91 anos Eugene Parker -, ajude a dar respostas ao que a Nasa chama de o “problema do aquecimento da coroa”.

O assunto também é importante para prever melhor o clima espacial. As tempestades solares chegam a ser sentidas até na Terra, onde podem perturbar o funcionamento da rede elétrica, mas também provocar falhas nos satélites que orbitam o planeta ou inclusive pôr em perigo a vida dos astronautas.

“É tão importante para nós sermos capazes de prever o clima espacial como de prever o clima na Terra”, afirma Young.

Com informações: AFP

11:49 · 28.07.2018 / atualizado às 11:49 · 28.07.2018 por
Ao lado do Lago Magadi, no Quênia, jovens da comunidade Maasai assistiram ao eclipse através de um telescópio de alta potência fornecido por um casal local Foto: AFP

O mais longo eclipse “lua de sangue” deste século ocorreu nesta sexta-feira (27), coincidindo com a maior aproximação em 15 anos de Marte do nosso planeta, oferecendo um espetáculo celestial aos observadores no mundo todo. Em Fortaleza, o céu nublado comprometeu parcialmente a contemplação do fenômeno.

Conforme a Lua lentamente navegava pelos céus, multidões se reuniram em todo o mundo para assistir ao fenômeno raro, que começou às 17h14 e terminou às 23h28 GMT (14h14 às 20h28 horário em Fortaleza). Durante seis horas e 14 minutos, para cerca da metade do mundo a lua ficou parcialmente ou totalmente na sombra da Terra.

A duração do eclipse completo – conhecido como “totalidade”, quando a lua parece mais escura – se estendeu das 19h30 às 21h13 GMT (16h30 às 18h13 em Fortaleza). Ao mesmo tempo, Marte apareceu perto da lua no céu noturno, facilmente visível a olho nu. Ao lado do Lago Magadi, 100 quilômetros a sudoeste da capital queniana, Nairóbi, jovens membros da comunidade Maasai assistiram ao eclipse através de um telescópio de alta potência fornecido por um casal local.

“Até hoje eu achava que Marte, Júpiter e os outros planetas estavam na imaginação dos cientistas”, disse Purity Sailepo, 16 anos. “Mas agora que eu os vi, posso acreditar, e quero ser um astrônomo para contar a outras pessoas”, acrescentou.

Diferentemente de como acontece com um eclipse solar, os espectadores não precisaram de equipamentos de proteção para observar este fenômeno raro.

Visibilidade

Os astrônomos amadores do hemisfério sul ficaram melhor posicionados para apreciar o espetáculo, especialmente os do sul da África, Austrália, Sul da Ásia e Madagascar, mas o fenômeno também foi parcialmente visível na Europa e na América do Sul.

Na América do Sul, foi visível na penumbra crepuscular de sexta-feira na costa oriental do continente, no Brasil, Uruguai e Argentina. Mais de 2.000 pessoas, incluindo muitas crianças com binóculos, se reuniram na capital tunisiana de Túnis. “Espero que este eclipse nos traga felicidade e paz”, disse Karima, 46 anos, sem tirar os olhos do céu.

No entanto, o mau tempo impediu a exibição cósmica em várias partes do mundo. Tempestades de monção generalizadas e nuvens espessas esconderam a lua em grande parte da Índia e seus vizinhos, que deveriam ter tido uma visão privilegiada.

Da mesma forma, observadores ansiosos que se reuniram em penhascos e praias no condado inglês de Dorset foram deixados no escuro devido a um céu nublado.

“É decepcionante”, disse Tish Adams, 67 anos. “Eu tirei algumas fotos, mas não havia nada além de uma listra rosa no céu”.

Corpos celestes alinhados

Marte apareceu extraordinariamente grande e brilhante, a apenas 57,7 milhões de quilômetros da Terra em sua órbita elíptica em torno do Sol.

“Temos uma rara e interessante conjunção de fenômenos”, disse Pascal Descamps, astrônomo do Observatório de Paris. “Uma tonalidade vermelha acobreada na lua, com Marte, o ‘Planeta Vermelho’, logo ao lado, muito brilhante e com um leve tom alaranjado”.

Um eclipse lunar total acontece quando a Terra se posiciona em uma linha reta entre a Lua e o Sol, tapando a luz solar direta que normalmente faz o nosso satélite brilhar com um amarelo esbranquiçado. A Lua viaja para uma posição similar a cada mês, mas a inclinação de sua órbita faz com que ela normalmente passe acima ou abaixo da sombra da Terra – então, na maioria dos meses, temos uma lua cheia sem um eclipse.

Quando os três corpos celestes estão perfeitamente alinhados, no entanto, a atmosfera da Terra dispersa a luz azul do Sol, enquanto refrata ou curva a luz vermelha sobre a Lua, geralmente dando-lhe um rubor rosado. Isso é o que dá ao fenômeno o nome de “lua de sangue”, embora Mark Bailey, do Observatório de Armagh, na Irlanda do Norte, afirme que a cor é variável. Depende em parte de “quão nubladas ou transparentes estão aquelas partes da atmosfera da Terra que permitem que a luz do Sol chegue à Lua”, disse.

“Durante um eclipse muito escuro a lua pode ficar quase invisível. Eclipses menos escuros podem mostrar a lua como cinza escuro ou marrom (…), como cor de ferrugem, vermelho-tijolo, ou, se muito brilhante, vermelho-cobre ou laranja”, acrescentou.

Particularidades

A longa duração deste eclipse se deveu em parte ao fato de que a lua fez uma passagem quase central através da umbra da Terra – a parte mais escura e central da sombra.

A Lua também está no ponto mais distante de sua órbita da Terra, fazendo com que seu movimento pelo céu ficasse mais lento de nossa perspectiva, passando assim mais tempo no escuro.

Marte aparece como uma estrela muito brilhante. “No meio de um eclipse lunar, parece que um planeta vermelho passou a residir perto da Terra – e eles são ambos misteriosos e belos”, disse Robert Massey, da Royal Astronomical Society, em Londres.

Com informações: AFP

16:09 · 26.07.2018 / atualizado às 18:02 · 26.07.2018 por
o eclipse total será visto por toda as regiões Sul, Sudeste e Nordeste, incluindo o estado do Ceará Foto: Astrology King

Olhar para o céu no início da noite de sexta-feira (27) será um convite obrigatório. A partir das 16h30 começa o eclipse lunar mais longo do século XXI, que deve durar cerca de uma hora e 43 minutos. Em quase todo o planeta será possível acompanhar o fenômeno que, geralmente, ocorre duas vezes por ano, com um tempo de duração de 60 a 80 minutos, podendo durar até muito menos. Em 2015, por exemplo, a cobertura total da Lua durou apenas 12 minutos.

“Agora a Lua vai atravessar bem no centro da sombra da Terra”, explicou a pesquisadora Josina Nascimento, do Observatório Nacional. E é por isso que vai demorar mais tempo até que ela volte a aparecer. Mas, no Brasil, essa fase do eclipse não será visível pelo período integral de 104 minutos. Segundo Josina, o eclipse total será visto por toda as regiões Sul, Sudeste e Nordeste (incluindo o estado do Ceará). “O Centro-Oeste e parte da Região Norte verá o eclipse parcial e a parte mais a oeste da Região Norte verá somente o eclipse penumbral”, disse.

Além disso, “toda a parte leste do Brasil vai ver a Lua nascer já durante o eclipse total. Dependendo do lugar, no Rio de Janeiro, por exemplo, a Lua vai nascer 17h26, quando o céu ainda estará claro. Por volta de 18h13, fica mais visível e é quando começa o eclipse parcial (quando a Lua começa a sair da sombra da Terra)”, afirmou.

O eclipse da Lua acontece quando o Sol, Terra e Lua ficam alinhados nesta ordem. O Sol, iluminando a Terra, faz uma sombra no espaço em duas partes: a penumbra, que ainda revela raios do Sol, e a umbra que não recebe qualquer feixe de luz. “Quando a Lua, caminhando em torno da Terra, penetra totalmente na sombra escura temos o eclipse total”, completou a pesquisadora.

No Brasil, em toda a parte leste do país, a Lua já vai nascer na fase total do eclipse, fase que termina às 18h13, no horário de Brasília. A partir desse horário, a Lua começa a sair da sombra mais escura da Terra (umbra), iniciando o eclipse parcial, que dura até 19h19.

O fenômeno completo, que inclui a fase penumbral do eclipse, termina às 20h29.

‘Lua de Sangue’

Se o tempo do fenômeno já carrega um grau de ineditismo, o espetáculo promete ser ainda maior pelas cores com as quais a Lua despontará no horizonte: um efeito laranja avermelhado que dá nome à Lua de Sangue, provocado durante o eclipse total.

“Depois que o sol se põe você tem a tonalidade do horizonte avermelhado que é causado pelos raios de sol passando pela atmosfera. Ou seja, mesmo sem ver o sol, ainda recebe um pouco dessa luz. Os tons vermelhos são os menos filtrados e acabam se destacando mais. O mesmo acontece no eclipse total da Lua. Quando está totalmente na umbra (sombra mais escura da Terra) fica totalmente escura mas ainda chega à Lua os raios solares que passam pela atmosfera da Terra. Passam os mais próximos do vermelho e ela fica com essa tonalidade”, explicou a pesquisadora.

O show celeste ainda promete a maior visibilidade de planetas que estarão na mesma linha. Marte, sem dúvida, merecerá o destaque por estar, desde o início do ano, em máxima brilhância, se destacando como um ponto vermelho ao lado da Lua. O pico desse efeito está previsto para o dia 3 de agosto, mas já é impossível ignorar a presença desse planeta visto a olhos nus.

“Júpiter também estará no alto. Vênus está a oeste e Saturno estará entre Marte e Júpiter, na mesma linha, também muito brilhante mas menos que Marte.”

Com informações: Agência Brasil

18:46 · 17.07.2018 / atualizado às 18:56 · 17.07.2018 por
Concepção artística dos novos corpos celestes descobertos orbitando o maior planeta do Sistema Solar Imagem: Earth.com

Uma dúzia de novas luas foram descobertas em volta de Júpiter, o que eleva seu número de luas conhecidas a 79, a maior quantidade entre os planetas de nosso sistema solar, anunciaram astrônomos nesta terça-feira (17).

Uma das novas luas foi descrita como uma “verdadeira extravagância” pelo pesquisador Scott Sheppard, do Carnegie Institution for Science, devido a seu pequeno tamanho, apenas um quilômetro de diâmetro, o equivalente a uma serra como a de Guaramiranga (CE), por exemplo.

Também “tem uma órbita como nenhuma outra lua joviana” descoberta e é “provavelmente a menor lua conhecida de Júpiter”, acrescentou. Esta lua rara demora cerca de um ano e meio para dar a volta em Júpiter, e orbita em um ângulo inclinado que faz com que cruze em seu caminho com uma série de luas que viajam de forma retrógrada, ou seja, na direção oposta à rotação de Júpiter. “Esta é uma situação instável”, disse Sheppard. “As colisões frontais poderiam desintegrar os objetos rapidamente e reduzi-los a pó”.

Esta lua, junto com outras duas descobertas, orbitam na direção da rotação do planeta. As luas internas demoram cerca de um ano para dar a volta em Júpiter, e as externas, o dobro do tempo.

Fragmentos

Todas as luas podem ser fragmentos que se separaram quando colidiram sendo corpos cósmicos maiores, dizem os astrônomos, que propuseram batizar a extravagante de “Valetudo”, como a bisneta do deus romano Júpiter, deusa da saúde e da higiene.

O astrônomo italiano Galileo Galilei descobriu as primeiras quatro luas de Júpiter em 1610. A equipe atual de astrônomos não estava buscando novas luas de Júpiter; estava explorando os céus em busca de planetas para além de Plutão, quando as luas cruzaram o caminho de seu telescópio.

As novas luas foram observadas pela primeira vez em 2017 graças a um telescópio situado no Chile e operado pelo Observatório Astronômico Óptico Nacional dos Estados Unidos. Os especialistas levaram um ano para confirmar suas órbitas com uma série de outros telescópios situados nos Estados Unidos e no Chile.

Com informações: AFP

11:34 · 14.07.2018 / atualizado às 11:40 · 14.07.2018 por
O radiotelescópio MeerKAT é composto por 64 antenas parabólicas instaladas ao redor de Carnarvon. Essas antenas serão conectadas a cerca de 3.000 instrumentos instalados em toda a África e na Austrália Foto: Morganoshell

A África do Sul inaugurou no deserto de Karoo o radiotelescópio MeerKAT, primeiro elemento de uma rede de antenas parabólicas instaladas em dois continentes que, uma vez em funcionamento, formarão o maior radiotelescópio do mundo, o Square Kilometre Array (SKA).

“Este telescópio será o maior de seu tipo no mundo, com uma qualidade de resolução 50 vezes superior à do telescópio espacial Hubble”, declarou o vice-presidente sul-africano, David Mabuza, na cerimônia em Carnarvon, pequena localidade do deserto de Karoo.

O radiotelescópio MeerKAT é composto por 64 antenas parabólicas instaladas ao redor de Carnarvon. Essas antenas serão conectadas a cerca de 3.000 instrumentos instalados em toda a África (Botsuana, Gana, Quênia, Madagascar, Maurício, Moçambique, Namíbia e Zâmbia), assim como na Austrália. O SKA deve estudar alguns fenômenos cósmicos violentos, como uma supernova, os buracos negros e todos os primeiros rastros do “big bang”. Mais de 200 cientistas, engenheiros e técnicos participaram no desenvolvimento do MeerKAT, que necessitou até agora cerca de 240 milhões de dólares, em sua maioria de fundos públicos.

O SKA, que poderia começar a funcionar em 2030, é o resultado de um acordo internacional que inclui, além dos países africanos e da Austrália, Canadá, China, Índia, Itália, Nova Zelândia, Suécia, Holanda e Grã-Bretanha.

Uma vez em funcionamento, o radiotelescópio gigante estará conectado a um telescópio óptico que foi inaugurado em maio a 200 km do MeerKAT.

Com informações: AFP

18:47 · 12.07.2018 / atualizado às 18:47 · 12.07.2018 por
Em operação desde 2010, o telescópio IceCube consiste em um conjunto de mais de 5 mil detectores de luz, dispostos em uma grade e enterrados no gelo. Quando os neutrinos interagem com o gelo, o aparelho consegue detectá-los Foto: BBC News Brasil

Uma nova era de pesquisas especiais se inaugurou nesta quinta-feira (12). Isso porque uma equipe internacional de astrônomos descobriu a fonte de neutrinos de alta energia encontrados no Polo Sul – e esta partícula misteriosa abre uma oportunidade para contar a história e esclarecer enigmas do próprio Universo.

A descoberta está na edição desta quinta da revista Science e foi divulgada em coletiva de imprensa na sede da National Science Foundation, em Alexandria, Virginia (EUA). “Neutrinos de alta energia realmente nos fornecem uma nova janela para observar o Universo”, comenta o físico Darren Grant, da Universidade de Alberta, em entrevista à BBC News Brasil.

Grant é um dos mais de 300 pesquisadores de 49 instituições que integram o grupo IceCube Collaboration – responsável pela descoberta. “As propriedades dos neutrinos fazem deles um mensageiro astrofísico quase ideal. Como eles viajam de seu ponto de produção praticamente desimpedidos, quando são detectados, podemos analisar que eles transportaram informações de sua origem.”

Os neutrinos são partículas subatômicas elementares, ou seja, não há qualquer indício de que possam ser divididas em partes menores. São emitidos por explosões estelares e se deslocam praticamente à velocidade da luz.

Maior telescópio do mundo

Instalado no Polo Sul e em operação desde 2010, o IceCube é considerado o maior telescópio do mundo – mede um quilômetro cúbico. Levou dez anos para ser construído e fica sob o gelo antártico.

O IceCube consiste em um conjunto de mais de 5 mil detectores de luz, dispostos em uma grade e enterrados no gelo. É um macete científico. Quando os neutrinos interagem com o gelo, produzem partículas que geram uma luz azul – e, então, o aparelho consegue detectá-los. Ao mesmo tempo, o gelo tem a propriedade de funcionar como uma espécie de rede, isolando os neutrinos, facilitando sua observação. Desde a concepção do projeto, os cientistas tinham a intenção de monitorar tais partículas justamente para descobrir sua origem. A ideia é que isso dê pistas sobre a origem do próprio Universo. E é justamente isso que eles acabam de conseguir.

Os pesquisadores já sabem que a origem de neutrinos observados na Antártica são um blazar, ou seja, um corpo celeste altamente energético associado a um buraco negro no centro de uma galáxia.

Este corpo celeste está localizado a 3,7 bilhões de anos-luz da Terra, na Constelação de Órion.

Descoberta-chave

“Eis a descoberta-chave”, explica Grant. “Trata-se das primeiras observações multimídia de neutrinos de alta energia coincidentes com uma fonte astrofísica, no caso, um blazar. Esta é a primeira evidência de uma fonte de neutrinos de alta energia. E fornece também a primeira evidência convincente de uma fonte identificada de raios cósmicos.”

Conforme afirma o físico, a novidade é a introdução, no campo da astronomia, de uma nova habilidade para “ver” o universo. “Este é o primeiro passo real para sermos capazes de utilizar os neutrinos como uma ferramenta para visualizar os processos astrofísicos mais extremos do universo”, completa Grant. “À medida que esse campo de pesquisa continua se desenvolvendo, também deveremos aprender sobre os mecanismos que impulsionam essa partículas. E, um dia, começaremos a estudar essa partícula fundamental da natureza em algumas das energias mais extremas imagináveis, muito além daquilo que podemos produzir na Terra.”

O IceCube conseguiu detectar pela primeira vez neutrinos do tipo em 2013. A partir de então, alertas eram disparados para a comunidade científica a cada nova descoberta. A partícula-chave, entretanto, só veio em 22 de setembro de 2017: o neutrino batizado de IceCube-170922A, com a impressionante energia de 300 trilhões de elétron-volts demonstrou aos cientistas uma trajetória.

Após concluir a origem do neutrino IceCube-170922A, os cientistas vasculharam os dados arquivados pelo detector de neutrinos e concluíram que outros 12 neutrinos identificados entre 2014 e 2015 também eram oriundos do mesmo blazar. Ou seja: há a possibilidade de comparar partículas com a mesma origem, aumentando assim a consistência da amostra.

De acordo com os cientistas do IceCube, essa detecção inaugura de forma incontestável a chamada “astronomia multimídia”, que combina a astronomia tradicional – em que os dados dependem da ação da luz – com novas ferramentas, como a análise dos neutrinos ou das ondas gravitacionais.

Com informações: BBC News Brasil

18:34 · 15.06.2018 / atualizado às 18:34 · 15.06.2018 por
Transmissão do astrofísico britânico será direcionada ao 1A 0620-00, que está localizado a 3.500 anos-luz do nosso planeta Foto: Nasa

Uma mensagem do astrofísico britânico Stephen Hawking será transmitida para o buraco negro mais próximo da Terra durante o enterro de suas cinzas, nesta sexta-feira (15), na Abadia de Westminster, em Londres, junto ao túmulo de Isaac Newton.

A mensagem – com sua conhecida voz sintetizada e especialmente escrita para a ocasião – será transmitida pela Agência Espacial Europeia (ESA). “É um gesto bonito e simbólico que cria um vínculo entre a presença do nosso pai neste planeta, seu desejo de ir ao espaço e a exploração do universo em sua mente”, disse sua filha Lucy Hawking.

O professor, que dedicou sua vida a desvendar os mistérios do universo e lutou para vencer as deficiências, será enterrado ao lado de outros dois grandes cientistas: Isaac Newton e Charles Darwin. A mensagem de Hawking será enviada “ao buraco negro mais próximo, o 1A 0620-00, em um sistema binário com uma estrela anã laranja bastante ordinária”, revelou a filha de Hawking.

O sistema está a 3.500 anos-luz da Terra, o tempo que tardará para chegar a mensagem. “É uma mensagem de paz e esperança, sobre a unidade e a necessidade de vivermos juntos e em harmonia neste planeta”. Hawking, que capturou a imaginação de milhões de pessoas no mundo, faleceu em 14 de março, aos 76 anos. O cientista, que ganhou fama mundial com o livro de 1988 “Uma breve história do tempo”, um sucesso inesperado de vendas, conquistou admiradores muito além do complicado mundo da astrofísica.

Sua morte rendeu uma série de homenagens, da rainha Elizabeth II à Nasa, que demonstraram o impacto de Hawking como cientista, mas também como farol de esperança para as pessoas afetadas por enfermidades degenerativas. A cerimônia desta sexta, com a presença de parentes, amigos colegas, celebrará não apenas suas conquistas como cientista, mas também seu caráter e resistência à doença devastadora. “Estamos muito agradecidos à Abadia de Westminster por nos oferecer o privilégio de celebrar um serviço de ação de graças à extraordinária vida de nosso pai, e por ter reservado um local distinto para o repouso final”, afirmaram seus filhos Lucy, Robert e Tim.

Stephen Hawking desafiou as previsões dos médicos que, em 1964, afirmaram que ele teria poucos anos de vida após o diagnóstico de uma forma atípica de esclerose lateral amiotrófica (ELA), uma doença que ataca os neurônios motores responsáveis por controlar os movimentos voluntários e que o condenou durante décadas a uma cadeira de rodas.

16:12 · 01.06.2018 / atualizado às 16:12 · 01.06.2018 por
Ventos suaves que sopram na superfície do corpo celeste a uma velocidade de entre 30 e 40km/h esculpiram essas formações, localizadas entre uma geleira e uma cordilheira Foto: NASA

Plutão está coberto por dunas surpreendentes de grãos gelados de metano, que se formaram numa época relativamente recente, apesar da atmosfera rarefeita do planeta-anão gelado, anunciou um grupo internacional de pesquisadores.

A atmosfera de Plutão é 100 mil vezes menos densa do que a da Terra, e os pesquisadores acreditavam que ela poderia ser muito baixa para permitir que os pequenos grãos de metano sólido fossem transportados pelo ar. Mas os ventos suaves que sopram na superfície de Plutão a uma velocidade de entre 30 e 40km/h formaram estas dunas, localizadas entre uma geleira e uma cordilheira, explicam os pesquisadores em um relatório publicado pela revista “Science”.

“Parece que a procedência dos grãos das dunas é o gelo de metano que sai das montanhas próximas”, assinalaram. “Embora não se possa descartar o gelo de nitrogênio”. As dunas estão espalhadas ao longo de uma espécie de cinturão de cerca de 75km da largura, e foram registradas pela nave New Horizons, da Nasa, em 2015. “Quando vimos pela primeira vez as imagens da New Horizons, achamos na hora que se tratassem de dunas, mas foi realmente surpreendente, porque sabemos que ali não há muita atmosfera”, comentou uma das autoras, Jani Radebaugh, professora associada do departamento de ciências geológicas da Universidade Brigham Young, em Utah, Estados Unidos.

“Apesar de estar 30 vezes mais afastado do Sol do que a Terra, resulta que Plutão ainda tem características parecidas com as da Terra”, assinalou.

Surpresa

Outros corpos celestes que apresentam dunas, além da Terra, incluem Marte e Vênus, bem como a Lua de Saturno Titã e o cometa 67P.

“Sabíamos que cada corpo do sistema solar com uma atmosfera e superfície rochosa sólida apresenta dunas, mas não sabíamos que iríamos encontrá-las em Plutão”, comentou Matt Telfer, autor principal e professor de geografia física na Universidade de Plymouth, Inglaterra. “Resulta que, apesar de haver muito pouca atmosfera e a temperatura da superfície ser de cerca de -230°C, ainda assim dunas são formadas”, disse.

Os cientistas também acreditam que as dunas, que parecem inalteradas, podem ter se formado nos últimos 500 mil anos, ou muito mais recentemente. Na Terra, para se formarem com areia dunas como estas, são necessários ventos mais fortes, assinalou o coautor Eric Parteli, professor de geociências computacionais na Universidade de Colônia, Alemanha. “A gravidade consideravelmente mais baixa de Plutão e a pressão atmosférica extremamente baixa significa que os ventos necessários para manter o transporte de sedimentos podem ser 100 vezes mais fracos”, explicou.

Em Plutão, a radiação solar também causa gradientes de temperatura – variação de temperatura por unidade de distância – na camada de gelo granular, o que contribui para a formação das dunas.

“Juntos, descobrimos que estes processos combinados podem formar dunas em condições de vento normais e cotidianas em Plutão”, assinalou Parteli.

Com informações: AFP

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