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Categoria: Astronomia


21:54 · 28.03.2018 / atualizado às 17:19 · 29.03.2018 por
Imagem destacada da NGC 1052-DF2, que misteriosamente não contém elemento presente em mais de 25% da composição do Universo Foto: How Stuff Works

Astrônomos ficaram surpresos ao descobrir a primeira galáxia desprovida de matéria escura, um elemento invisível e misterioso que age como uma espécie de “cola” das galáxias e ajuda a sua formação.

Essa observação “desafia as teorias habituais sobre a formação das galáxias”, assegura Pieter van Dokkum, da Universidade de Yale (Estados Unidos), autor principal do estudo publicado nesta quarta-feira (28) na revista científica Nature.

“Trata-se de uma descoberta excepcional, já que as galáxias contêm supostamente mais matéria escura que matéria comum”, indica o Instituto Dunlap para a Astronomia e a Astrofísica da Universidade de Toronto (Canadá), cujos pesquisadores participaram do estudo.

A galáxia NGC 1052-DF2, ou DF2 de forma abreviada, se encontra a 65 milhões de anos-luz da Terra. Os cientistas já sabiam de sua existência, e ela faz parte das galáxias ultra difusas, cuja densidade é extremamente baixa.

Embora seja maior que a nossa galáxia, a Via Láctea, contêm um número 250 vezes menor de estrelas. A matéria comum (os átomos), que compõe as estrelas, planetas, gases e poeira das galáxias, formam apenas 5% do universo. A matéria escura, que continua sendo um dos maiores enigmas da astrofísica contemporânea, formaria mais de 25% do universo. É invisível e só pode ser detectada através de seus efeitos gravitacionais sobre outros objetos do universo. Os cientistas acreditam que é a matéria escura que dá uma massa adicional às galáxias, produzindo uma maior gravidade que permite que as galáxias não se desagreguem. Uma galáxia gira tão rápido que só a gravidade produzida pela matéria observável nela não é suficiente para mantê-la unida.

“A matéria escura costuma ser considerada uma parte integrante das galáxias – é a cola que as mantém juntas e o andaime subjacente sobre o qual se constroem” -, resume a coautora do estudo Allison Merritt, da Universidade de Yale, citada em um comunicado do Observatório Europeu do Sul. Antes da descoberta, “pensava-se que todas as galáxias tinham matéria escura. Para uma galáxia deste tamanho, deveria haver 30 vezes mais matéria escura que matéria comum”, indica Roberto Abraham, da Universidade de Toronto. “Em vez disso, descobrimos que não havia nenhuma matéria escura. Isso não deveria ser possível”, assegura.

Merritt lembra que não existe nenhuma teoria que prediga este tipo de galáxias. “A maneira como se formam é totalmente desconhecida”. A existência de galáxias sem matéria escura do tipo da DF2 poderia, paradoxalmente, debilitar as teorias cosmológicas que propõem alternativas à matéria escura, explicam os pesquisadores.

A galáxia DF2 foi detectada por um telescópio óptico original chamado Dragonfly. Desde então, vários telescópios foram utilizados para estudá-la, entre eles o telescópio espacial Hubble.

Com informações: AFP

21:54 · 25.03.2018 / atualizado às 21:54 · 25.03.2018 por
Logomarca da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica, que ocorrerá no dia 18 de maio Foto: OBA.org

A Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA) está com inscrições abertas até o próximo sábado (31).

Escolas interessadas em inscrever alunos, públicas ou privadas, devem cadastrar-se pela internet. O evento, que ocorre em 18 de maio, é divido em quatro níveis: três para alunos do ensino fundamental e um para estudantes do ensino médio.

Segundo a organização, trata-se da maior olimpíada científica do Brasil. Desde que surgiu, há 21 anos, contabiliza 8,5 milhões de participantes. Anualmente, 40 mil medalhas são distribuídas para estudantes de todo o país. “O objetivo é levar a maior quantidade de informações sobre as ciências espaciais para a sala de aula, despertando o interesse nos jovens”, diz João Batista Garcia Canalle, professor de astronomia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e coordenador nacional do evento.

A prova é composta por dez questões, sendo sete de astronomia e três de astronáutica, a maioria delas de raciocínio lógico. Os melhores classificados na OBA vão representar o país, no próximo ano, na Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica e na Olimpíada Latino-Americana de Astronomia e Astronáutica.

Com informações: Agência Brasil

12:13 · 08.03.2018 / atualizado às 21:08 · 08.03.2018 por
Camada gasosa compreende um centésimo da massa do planeta, revelaram estudos com base em observações da nave espacial Juno da Nasa. Na Terra, essa proporção é inferior a um milionésimo Foto: Nasa

Se você pudesse ultrapassar toda a espessa camada de nuvens formada por diferentes gases (que circulam o planeta em altíssima velocidade), com um avião capaz de suportar a imensa pressão atmosférica do maior corpo celeste de nosso sistema estelar, depois do Sol, levaria mais ou menos o mesmo tempo que uma aeronave comercial gasta para transcorrer a distância entre Fortaleza e São Paulo.

A atmosfera tempestuosa de Júpiter se estende por cerca de 3.000 quilômetros de profundidade e compreende um centésimo da massa do planeta, revelaram estudos com base em observações da nave espacial Juno da Nasa. As medidas lançam luz pela primeira vez sobre o que acontece sob a superfície do maior planeta do Sistema Solar, que à distância se assemelha a um mármore de vidro colorido e listrado. “Galileu viu as listras em Júpiter há mais de 400 anos. Até agora, nós só tínhamos uma compreensão superficial delas”, disse Yohai Kaspi, do Instituto Weizmann de Ciência em Israel, autor de um dos quatro estudos publicados na Nature.

Até uma profundidade de cerca de 3.000 km, os dados de Juno mostraram, Júpiter compreende um redemoinho psicodélico de faixas de nuvens e correntes de jatos sopradas por ventos poderosos, em direções opostas e a diferentes velocidades. Mas embaixo, o núcleo líquido de hidrogênio e hélio do planeta gira uniformemente, comportando-se quase como um corpo sólido, descobriram os pesquisadores. “O resultado é uma surpresa porque isso indica que a atmosfera de Júpiter é enorme e se estende por uma profundidade muito maior do que esperávamos anteriormente”, disse Kaspi. A atmosfera da Terra, em comparação, representa menos de um milionésimo da massa total do planeta.

“É um enigma de quase 50 anos na ciência planetária que está resolvido”, disse outro autor do estudo, Tristan Guillot, da Universidade Cote d’Azur na França. “Nós não sabíamos se um planeta gasoso como Júpiter girava com zonas e cintos todo o caminho até o centro, ou se, pelo contrário, os padrões atmosféricos eram superficiais”.

As descobertas foram o resultado de medidas sem precedentes do campo de gravidade de Júpiter por Juno, na órbita do gigante gasoso mais próximo da Terra desde julho de 2016.

Outras observações incluíram uma erupção de ciclones maciços nos polos do planeta não observadas em nenhum outro planeta do Sistema Solar.

Não se sabe como os ciclones são formados, ou como eles persistem sem se fundir.

Formação do Sistema Solar

“A primeira e mais importante questão que Juno pretende responder é como o nosso Sistema Solar foi formado e consequentemente entender mais sobre sua evolução”, disse à AFP outro autor, Alberto Adriani, do Instituto Nacional de Astrofísica da Itália.

“Qualquer conhecimento que possamos acrescentar ao entender Júpiter, que é provavelmente o primeiro planeta formado (ao redor do Sol), é um passo nessa direção”.

Com informações: AFP

11:55 · 13.01.2018 / atualizado às 11:57 · 13.01.2018 por
Escavações pouco profundas feitas em 2013 pelo rover Curiosity já haviam revelado a presença de gelo no solo marciano Foto: Nasa

Cientistas detectaram geleiras enterradas em Marte, que oferecem novos indícios sobre a quantidade de água acessível que o planeta tem e onde esta se encontra.

Embora se saiba há algum tempo que existe gelo em Marte, estudar melhor sua profundidade e localização poderia ser vital para futuras missões com humanos, indicou o estudo publicado na revista norte-americana Science.

“Basicamente, os astronautas poderiam ir lá com um balde e uma pá e obter toda a água que necessitam”, disse um dos autores da pesquisa, Shane Byrne, do Laboratório Lunar e Planetário da Universidade de Arizona, em Tucson.

A erosão deixou expostos oito locais de gelo, com profundidades de um a 100 metros abaixo da superfície, afirmou. Estas escarpas subterrâneas parecem “ser gelo quase puro”, indicou o artigo, baseado em dados recolhidos pela sonda Mars Reconnaissance Orbiter, lançada em 2005.

“Este tipo de gelo está mais estendido do que se pensava anteriormente”, disse Colin Dundas, geólogo do Serviço Geológico de Estados Unidos, em Flagstaff, Arizona. O gelo mostra faixas e variações de cor que sugerem que se formou camada por camada, talvez conforme a neve se acumulou ao longo do tempo.

Os pesquisadores acreditam que o gelo se formou há relativamente pouco tempo, pois os locais parecem ser lisos na superfície, e não marcados por crateras que teriam se formado com o impacto de detritos celestes no planeta ao longo do tempo.

Os buracos e precipícios estão todos perto dos polos, que mergulham em uma escuridão gélida durante o inverno marciano e não seriam um local adequado para um acampamento humano de longo prazo.

No entanto, se fosse possível perfurar e analisar uma amostra de uma das geleiras, os pesquisadores poderiam aprender muito sobre a história climática de Marte e o potencial de vida no planeta vizinho.

A Nasa planeja enviar os primeiros exploradores a Marte na década de 2030.

Com informações: AFP

17:52 · 15.12.2017 / atualizado às 17:52 · 15.12.2017 por
Concepção artística do Oumuamua, asteroide que tem formato compatível com o que uma nave precisaria ter para percorrer o espaço interestelar, segundo pesquisadores Foto: Los Angeles Times

O misterioso Oumuamua, um objeto em forma de cigarro vindo de outro sistema estelar e que foi detectado recentemente, “não emite sinais artificiais”, segundo as primeiras observações de cientistas à procura de vida inteligente fora da Terra, frustrando astrobiólogos.

O objeto rochoso, cujo nome significa “mensageiro” na língua havaiana, foi detectado em 19 de outubro com o telescópio Pan-STARRS1, situado no Havaí, que rastreia os objetos que se aproximam da Terra. Em um estudo publicado na revista científica Nature em 21 de novembro, uma equipe de pesquisadores considerou que se tratava de um asteroide de 400 metros de comprimento e 40 de largura.

Sua forma não tem precedentes na longa lista de asteroides e cometas que se formaram em nosso Sistema Solar, segundo esses pesquisadores, que concluíram que esse asteroide era de natureza interestelar. Pesquisadores chegaram a especular que pudesse se tratar de um objeto artificial, dado o seu formato, compatível com o que se espera de uma nave capaz de cruzar o espaço interestelar.

Segundo os astrônomos, esse objeto incomum cruzou a Via Láctea durante milhões de anos, antes de chegar ao nosso Sistema Solar. O programa Breakthrough Listen, destinado à busca de vida tecnológica extraterrestre no Universo, focou seu poderoso radiotelescópio de Green Bank (Virgínia Ocidental) sobre Oumuamua.

“Não descobriram sinais artificiais vindos desse objeto até agora (…), mas a vigilância e a análise de dados continua”, explicou Breakthrough Listen em comunicado.

Com informações: AFP

17:11 · 13.12.2017 / atualizado às 17:11 · 14.12.2017 por
A expectativa é que possam ser vistos até 120 meteoros por hora. As regiões Norte e Nordeste do Brasil terão melhores condições de visualização Foto: Daily Express

A chuva de meteoros Geminídeos – uma das mais intensas e brilhantes do ano – vai ocorrer durante a noite desta quarta-feira (13) e a madrugada de quinta-feira (14) e poderá ser observada de todo o país, com visão mais privilegiada para quem estiver nas regiões Norte e Nordeste, incluindo o Ceará.

O Calendário de Chuvas de Meteoros da Organização Meteorológica Internacional informa que o pico do fenômeno será na madrugada desta quinta. A expectativa é que possam ser vistos até 120 meteoros por hora. O fenômeno ocorre todos os anos no mês de dezembro, quando a Terra passa pelo rastro empoeirado de detritos rochosos deixado por um objeto chamado 3200 Faetonte.

Quando o pó e os grãos deixados pelo Faetonte encontram com a atmosfera da Terra a 126 mil km por hora e explodem, formando uma chuva de “estrelas cadentes”. A área do céu onde os meteoros vão surgir, chamada de radiante, está localizada na direção da constelação de Gêmeos, perto da estrela brilhante Castor ou alfa Geminorum.

A Organização Internacional de Meteoros informou que este ano o fenômeno poderá ser melhor observado devido ao fato de a lua estar minguante, deixando o céu mais escuro que no ano passado, quando a lua estava cheia. Os Geminídeos poderão ser vistos a olho nu até o dia 17 de dezembro. A recomendação é que as pessoas observem o céu a partir de locais escuros, de preferência longe da luminosidade das cidades.

Asteroide atípico

A natureza do 3200 Faetonte é muito debatida entre especialistas, por ser um asteroide com características incomuns, que indica ter sido um cometa no passado.

Geralmente, as chuvas de meteoros são causadas pela desintegração de cometas ao se aproximarem do Sol, e não de asteroides. “É um asteroide quase terrestre ou um cometa extinto, às vezes chamado de ‘cometa rochoso'”, disse Bill Cooke, do Escritório de Meteoroides da Agência Espacial Norte Americana (NASA), por meio de comunicado a imprensa.

A NASA informou também que os astrônomos terão a chance de estudar melhor o Faetonte este ano, quando o objeto vai passar o mais perto da Terra desde a sua descoberta em 1983.

De acordo com a Organização Internacional de Meteoros, a chuva de meteoros do 3200 Faetonte é uma das únicas chuvas importantes produzidas por asteroides e não por um cometa.

Com informações: Agência Brasil

17:38 · 07.12.2017 / atualizado às 17:38 · 07.12.2017 por
Concepção artística de um buraco negro, tipo de corpo celeste hiper-massivo que já existia desde o primeiro bilhão de anos do Universo Imagem: Dark Horizons

Um grupo de cientistas descobriu o mais distante buraco negro já registrado até hoje. O objeto, cuja massa é 800 milhões de vezes maior que a do Sol, está a 13 bilhões de anos-luz da Terra.

A distância é tão grande que o buraco negro pode ser considerado uma relíquia do cosmos primitivo: os sinais que ele emite viajam na velocidade da luz e levam 13 bilhões de anos para chegar à Terra e o Universo teve origem há cerca de 13,7 bilhões de anos. Com isso, o buraco negro é observado atualmente com o aspecto que possuía 690 milhões de anos após o Big Bang. De acordo com os autores do estudo, publicado nesta quinta-feira 7, na revista científica Nature, é surpreendente que um buraco negro já tivesse um tamanho tão descomunal quando o Universo ainda tinha apenas 5% de sua idade atual.

“Esse buraco negro cresceu muito mais do que nós esperávamos em apenas 690 milhões de anos depois do Big Bang. Isso desafia todas as nossas teorias sobre a formação de buracos negros”, disse um dos autores do estudo, Daniel Stern, do Laboratório de Propulsão de Foguetes da Nasa, em Pasadena, na Califórnia (Estados Unidos). Os astrônomos combinaram dados do telescópio espacial Wide-field Infrared Survey Explorer (Wise), da Nasa, com observações feitas a partir da Terra para identificar potenciais objetos distantes. Depois, passaram a acompanhar o objeto com os telescópios Magalhães, do Observatório de Las Campanas, no Chile.

O autor principal da pesquisa, Eduardo Bañados, da Carnegie Institution for Science, em Pasadena, na Califórnia (Estados Unidos), liderou o trabalho de identificação de candidatos entre as centenas de milhões de objetos descobertos pelo Wise, a fim de selecionar quais deles valeria à pena acompanhar com os telescópios Magalhães.

Para que um buraco negro tenha se tornado tão gigantesco no universo primitivo, os astrônomos especulam que ele deve ter encontrado condições especiais que permitiram um crescimento tão rápido. Tais condições, porém, permanecem misteriosas.

O buraco negro descoberto, que está no centro de uma galáxia, devorando avidamente todo o material em seu entorno, está no interior de um quasar e por isso pode ser observado.

Quasares

Os quasares são objetos astronômicos extremamente distantes que possuem o brilho de uma galáxia com bilhões de estrelas, mas que têm dimensões aparentemente pequenas e que são formados por material que está em processo de ser “engolido” por um buraco negro.

À medida que esse material acelera sua queda em direção ao buraco negro, ele esquenta, emitindo uma quantidade de luz tão extraordinária que afasta o material que cai atrás dele. Pela imensa distância em que os quasares se encontram, a luz emitida por eles leva bilhões de anos para chegar à Terra e, por isso, permitem que os cientistas olhem para o passado e estudem o Universo primitivo. De acordo com os autores da pesquisa, esse quasar é especialmente interessante, porque revela eventos de uma época na qual o Universo era extremamente jovem.

“Os quasares estão entre os objetos celestes mais brilhantes e mais distantes e são cruciais para compreendermos o Universo primitivo”, disse outro dos autores do estudo, Bram Venemans, do Instituto de Astronomia Max Planck, na Alemanha.

Origens do Universo

O Universo teve origem em uma “sopa” extremamente quente de partículas que rapidamente se espalharam, em um período conhecido como “inflação”.

Cerca de 400 mil anos após o Big Bang essas partículas esfriaram e formaram gás hidrogênio. Mas o Universo permaneceu escuro, sem nenhuma fonte luminosa, até que a gravidade condensasse a matéria, formando as primeiras estrelas e galáxias.

A energia liberada por essas estrelas primitivas fez com que o hidrogênio, que havia se tornado neutro, perdesse um elétron, isto é, voltasse a ser ionizado. O gás permaneceu nesse estado desde então. Uma vez que o Universo foi reionizado, os fótons puderam viajar livremente pelo espaço. Nesse ponto, o Universo se tornou transparente para a luz.

Grande parte do hidrogênio em torno do novo quasar descoberto é neutro. Isso significa que o quasar não é apenas o mais distante já registrado, mas é também um exemplo do que podia ser visto antes da reionização do Universo. “Essa foi a última grande transição do Universo e é uma das atuais fronteiras da astrofísica”, disse Bañados.

A distância do quasar é determinada pela unidade que os cientistas chamam de “redshift” (“desvio para o vermelho”, em inglês), que mede o quanto a expansão do Universo estende o comprimento de onda da luz emitida por um corpo celeste distante antes que essa luz chegue à Terra. Quanto maior é o redshift de um objeto, maior é a distância.

O novo quasar tem redshift de 7.54, com base na detecção de emissões de carbono ionizado da galáxia que abriga o imenso buraco negro. Isso significa que a luz emitida pelo quasar levou mais de 13 bilhões de anos para chegar à Terra.

Os cientistas estimam que o céu contenha entre 20 e 100 quasares tão brilhantes e tão distantes como o que foi descoberto.

Com informações: Estadão Conteúdo

22:33 · 21.11.2017 / atualizado às 22:36 · 21.11.2017 por
O Oumuamua tem 400m de comprimento, o que representa aproximadamente dez vezes a sua largura, uma forma nunca observada em corpos celestes do Sistema Solar Foto: Los Angeles Times

Um misterioso objeto rochoso e alongado detectado em outubro provém de outro sistema solar, uma observação sem precedentes que foi confirmada pelos astrônomos. Esta detecção abre uma nova janela sobre a formação de outros mundos estelares em nossa galáxia, a Via Láctea, segundo estes cientistas, cujo trabalho foi publicado pela revista britânica Nature.

O asteroide, batizado de Oumuamua (mensageiro em havaiano), tem 400 metros de comprimento, o que representa aproximadamente dez vezes a sua largura. Esta forma incomum não tem precedentes entre os cerca de 750.000 asteroides e cometas observados até agora em nosso sistema solar, onde se formaram, de acordo com estes pesquisadores.

Os cientistas concluíram com certeza a natureza extra estelar deste asteroide, porque a análise dos dados coletados mostra que sua órbita não pode ter origem dentro do nosso sistema solar.

Os astrônomos acreditam que um asteroide interestelar similar a Oumuamua passa dentro do sistema solar aproximadamente uma vez por ano.

Mas é algo difícil de rastrear, e não tinha sido detectado até agora. Faz relativamente pouco tempo que os telescópios que monitoram estes objetos são potentes o suficiente para poder descobri-los.

Segundo os astrônomos, este objeto viajou sozinho através da Via Láctea durante centenas de milhões de anos, antes de passar por nosso sistema solar e continuar seu caminho.

Visitante estranho

“Durante décadas pensamos que tais objetos de outro mundo poderiam se encontrar perto do nosso sistema solar, e agora, pela primeira vez, temos evidência direta de que existem”, disse Thomas Zurbuchen, responsável adjunto das missões científicas da Nasa, que financiou esta última pesquisa. “Esta descoberta abre uma nova janela para estudar a formação de sistemas solares além do nosso”, considerou.

“É um visitante estranho procedente de um sistema estelar muito distante que tem uma forma que nunca tínhamos visto em nossos arredores cósmicos”, acrescentou Paul Chodas, diretor do Centro para o Estudo de Objetos Próximos à Terra do Jet Propulsion Laboratory da Nasa, em Pasadena, Califórnia. Oumuamua foi descoberto em 19 de outubro com o telescópio Pan-STARRS1 situado no Havaí, que rastreia objetos próximos ao nosso planeta.

Imediatamente depois de sua descoberta, outros telescópios de todo o mundo, entre eles o Very Large Telescope (VLT) do Observatório Europeu Austral (ESO), no norte do Chile, começaram a observar o asteroide para determinar suas características.

Uma equipe de astrônomos dirigida por Karen Meech, do Instituto de Astronomia do Havaí, constatou que a potência do brilho do objeto varia até dez vezes na medida em que completa uma volta sobre si mesmo a cada 7,3 horas.

Nenhum asteroide ou cometa em nosso sistema solar experimenta essa magnitude na variação de seu brilho ou essa proporção entre o comprimento e a largura, ressaltam os especialistas.

Nem água nem gelo

Estas propriedades sugerem que o Oumuamua é denso e é formado por rochas e possivelmente também por metais.

Mas não tem nem água nem gelo, e sua superfície ficou avermelhada pelos efeitos das radiações cósmicas durante centenas de milhões de anos.

Telescópios terrestres de alta potência continuam monitorando o asteroide enquanto este desaparece rapidamente à medida que se afasta da Terra.

Dois telescópios espaciais da Nasa, o Hubble e o Spitzer, o seguem esta semana. Na segunda-feira (20), o objeto estava viajando a uma velocidade de 38,3 km por segundo e estava a cerca de 200 milhões de km da Terra.

O Oumuamua passou a órbita de Marte em 1 de novembro e passará perto de Júpiter em maio de 2018. Depois continuará sua rota além de Saturno, em janeiro de 2019, e sairá do nosso sistema solar para se dirigir à constelação de Pegasus.

As observações com os grandes telescópios terrestres continuarão até que o asteroide se torne praticamente indetectável, depois de meados de dezembro.

Com informações: AFP

17:31 · 16.10.2017 / atualizado às 20:48 · 16.10.2017 por
Estrelas de nêutrons são as menores e mais densas estrelas conhecidas. Elas podem ter cerca de 20 km de diâmetro, apenas, mas seu interior é tão denso que uma colher de chá desse material tem a massa de 1 bilhão de toneladas Foto: Universidade de Warwick

Um grupo internacional de cientistas anunciou nesta segunda-feira (16) a descoberta de um conjunto de fenômenos astrofísicos nunca antes observados: a colisão de um par de estrelas de nêutrons produzindo ondas gravitacionais e uma explosão luminosa um bilhão de vezes mais brilhante que o Sol.

De acordo com os cientistas, pela primeira vez um evento cósmico foi observado ao mesmo tempo a partir da luz e das ondas gravitacionais por ele produzidas. O anúncio foi feito na sede do Observatório Europeu do Sul (ESO) em Garching, na Alemanha e no Observatório do Paranal, operado pelo ESO no deserto do Atacama, no Chile.

“O que é incrível nessa descoberta é que pela primeira vez temos um quadro completo de um dos eventos mais violentos e cataclísmicos do Universo. Esse foi o mais intenso trabalho de observação que já foi feito”, afirmou o diretor executivo do Ligo, Dave Reitze, durante o evento na Alemanha.

As estrelas de nêutrons são as menores e mais densas estrelas conhecidas. Elas podem ter cerca de 20 quilômetros de diâmetro, apenas, mas seu interior é tão denso que uma colher de chá desse material tem a massa de um bilhão de toneladas. Previstas por Albert Einstein em 1915, as ondas gravitacionais surgem quando corpos muito grandes e acelerados produzem distorções no “tecido” que compõe o espaço-tempo, de maneira semelhante às ondulações produzidas por uma pedra atirada na água.

As ondas gravitacionais só foram observadas em 2015, no Observatório de Ondas Gravitacionais por Interferometria a Laser (Ligo, na sigla em inglês), a partir da fusão entre dois buracos negros em galáxias distantes. O feito rendeu o Prêmio Nobel da Física de 2017 ao alemão naturalizado americano Rainer Weiss e aos americanos Barry Barish e Kip Thorne, que coordenaram a construção do Ligo.

Depois da primeira observação no fim de 2015, as ondas gravitacionais foram captadas mais três vezes – mas como a fusão dos buracos negros não produz nenhuma luz, o fenômeno é completamente invisível para os telescópios ópticos.

Desta vez, portanto, os cientistas conseguiram não apenas “ouvir”, mas também enxergar a violenta trombada dos corpos que produziram as ondulações no espaço tempo.

Técnica usada

A sequência extraordinária de eventos observada pelos cientistas começou com os dois detectores gêmeos do Ligo – localizados na Luisiânia e em Washington, nos Estados Unidos. Eles capturaram os tremores no espaço-tempo produzidos pela fusão das duas estrelas de nêutrons a 130 milhões de anos-luz da Terra. Um alerta foi acionado para astrônomos de vários lugares do mundo. Em algumas horas, mais de 70 telescópios – na Terra e no espaço – estavam observando o brilho da explosão.

Quando as estrelas de nêutrons colidiram, elas emitiram uma intensa explosão de raios gama e expeliram uma grande quantidade de materiais que, naquelas condições, se transformaram elementos pesados, como ouro, platina e urânio. Os cientistas já suspeitavam que as colisões de duas estrelas de nêutrons poderiam ser violentas o suficiente para criar os elementos mais pesados, mas não só agora esse tipo de fenômeno foi de fato observado e confirmado.

Com informações: Estadão Conteúdo

16:31 · 14.08.2017 / atualizado às 16:31 · 14.08.2017 por
O coordenador nacional da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica, o físico João Batista Garcia Canalle, supervisiona os estudos da equipe brasileira que vai tentar superar o desempenho da edição anterior da competição, quando ficou com três bronzes. Foto: Agência Brasil

Três estudantes cearenses, um paraense e um paulista vão representar o Brasil na 11ª Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica (IOAA, na sigla em inglês), que acontecerá em Phuket, na Tailândia, em dezembro.

Nathan Luiz Bezerra Martins, Pedro Pompeu de Sousa Brasil Carneiro e Vinicius Azevedo dos Santos representarão o Estado, enquanto Bruno Gorresen Mello competirá pelo Pará e João Vitor Guerreiro Dias representará São Paulo. Na edição anterior, realizada na Índia, o Brasil obteve três medalhas de bronze, sendo uma delas inédita na competição em equipe, além de três menções honrosas.

Outros cinco estudantes: Bruno Caixeta Piazza, Danilo Bissoli Apendino, Fernando Ribeiro de Senna, Henrique Barbosa de Oliveira e Miriam Harumi Koga (todos de São Paulo) integram a seleção brasileira que disputará a 9ª Olimpíada Latino-Americana de Astronomia e Astronáutica (OLAA), no Chile, em outubro. No ano passado, o evento ocorreu na Argentina e os brasileiros conquistaram o 1º lugar no quadro geral de medalhas, com duas de ouro, duas de prata e uma de bronze.

Os alunos foram selecionados depois de mais de um ano de provas e preparação. A primeira etapa, ‘online’, aconteceu após a 19ª Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA), no ano passado, e envolveu mais de 3 mil estudantes do ensino médio de escolas públicas e privadas de todo o Brasil, dos quais 100 se classificaram para uma etapa presencial em março deste ano, em Barra do Piraí (RJ). Desses, foram escolhidos 30, que passaram por provas e assistiram palestras no município de Vinhedo (SP).

Agora, os jovens selecionados se acham em processo final de treinamento, disse o coordenador nacional da OBA, o físico João Batista Garcia Canalle, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Até viajarem, as equipes terão mais um encontro presencial em Vinhedo, onde está localizado o Observatório Abrahão de Moraes, da Universidade de São Paulo (USP), e também estudarão à distância.

“No observatório, eles fazem toda uma revisão de manuseio de telescópio e de observação do céu do evento, através do planetário que simula o céu do dia, hora e local da olimpíada. No caso da Olimpíada Latino-Americana, os alunos também constroem e lançam foguetes, porque tem uma prova desse tipo. Tem provas de análise de dados, a gente vai fazer também com eles”, disse Canalle.

Expectativa

O coordenador da OBA acredita que este ano, o Brasil “vai surpreender nos resultados das duas olimpíadas internacionais, porque modificamos o sistema de seleção”. Até o ano passado, os dez estudantes que representavam o Brasil na IOAA e na OLAA eram selecionados em março e dali até a viagem, não tinham um outro grande compromisso com a organização da OBA “exceto continuar estudando” por conta própria, salientou Canalle.

Este ano, 100 estudantes fizeram uma prova em março, dos quais foram tirados 30. “E, semanalmente, eles tinham que fazer uma lista de exercícios, que não existia até então. Aplicamos várias provas, calculamos uma média. Publicamos essas notas e, em seguida, continuamos dando mais listas de exercícios para eles, que tinham que nos mandar até a meia-noite de domingo”. Foram quase 20 listas de testes sucessivos nos dois primeiros treinamentos. Na semana retrasada, foram selecionados os dez estudantes que representarão o Brasil nos certames internacionais.

Com informações: Agência Brasil