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Categoria: Biomedicina


18:03 · 03.01.2018 / atualizado às 18:06 · 03.01.2018 por
As novas substâncias regulamentadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) geram uma imunidade maior e requerem menos doses Foto: Tiny Step

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aprovou a primeira vacina contra a febre tifoide que pode ser ampliada em crianças maiores de 6 meses.

A informação foi divulgada pelo organismo nesta quarta-feira (3). As vacinas conjugadas contra a febre tifoide (TCV, na sigla em inglês) são inovadoras por gerarem uma imunidade maior do que as mais antigas, requerem menos doses e podem ser administradas em crianças pequenas por meio de programas rotineiros de imunização.

Outras vacinas também foram aprovadas internacionalmente para serem usadas em humanas, mas só a partir dos dois anos. O aval da OMS faz com que a vacina possa ser adquirida pelas demais agências da ONU, como o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e a Gavi, a Aliança Mundial para Vacinas.

A decisão foi tomada depois de o grupo de especialistas de assessoria estratégica sobre imunização, que aconselha a OMS, ter recomendado em outubro de 2017 a TCV para uso rotineiro em crianças maiores de seis meses em países onde a febre tifoide é endêmica.

O grupo de especialistas recomendou, além disso, a introdução da vacina conjugada de maneira prioritária em países com as taxas mais elevadas de febre tifoide ou de resistência antibiótica à bactéria Salmonella Typhi, que causa a doença.

O uso da vacina também deve ajudar a conter o uso frequente de antibióticos contra a doença e, portanto, auxiliar a reduzir o “alarmante aumento” da resistência da bactéria aos medicamentos.

Pouco depois da recomendação do grupo de especialistas, o conselho da Gavi aprovou um financiamento de US$ 85 milhões para adotar o uso da TCV a partir de 2019. A febre tifoide é uma infecção grave, às vezes mortal, contraída através da água ou alimentos contaminados. Entre os sintomas da doença estão febre, cansaço, dor de cabeça, de estômago, diarreia e resfriados.

Para milhões de pessoas em países pobres, a doença é uma realidade diária. A cada ano são registrados entre 11 milhões e 20 milhões de casos, além de cerca de 161 mil mortes.

Com informações: Agência Brasil

17:05 · 13.11.2017 / atualizado às 17:05 · 13.11.2017 por
Ambas as enfermidades são transmitidas pela mesma espécie de mosquito, o Aedes aegypti Foto: Alexandre Carvalho

A imunidade adquirida por uma infecção pelo vírus da dengue pode proteger contra o zika vírus. Ambas as enfermidades são transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti.

Em síntese esta foi a conclusão de um estudo realizado pelo Instituto de Arboviroses da Universidade de Wenzhow na China, em parceria com outras instituições. Além disso, a pesquisa não encontrou evidências de interações entre as duas doenças. As conclusões do estudo foram publicadas nesta segunda-feira (13) pela revista Nature Communications.

A revista é parte da Nature Research – um banco de dados internacional que reúne autores e trabalhos científicos de todo o mundo. Segundo o artigo, a pesquisa tem um valor importante na busca por vacinas contra os vírus dengue e zika. O estudo utilizou camundongos como cobaias e observou que os animais que tiveram dengue desenvolveram a chamada proteção cruzada – termo utilizado para referir-se à transferência de microrganismos. Além disso foram observadas a presença de linfócitos – T CD8 – células de defesa que se formaram após a combinação dos vírus da dengue e da zika. Os animais foram divididos em dois grupos: um que havia sido infectado inicialmente com o vírus da dengue, após recuperados foram infectados com o vírus da zika; e um segundo grupo foi infectado pelo zika sem ter tido uma infecção prévia de dengue.

Nos resultados, o grupo com infecção anterior de dengue apresentou uma carga reduzida de zika no organismo: sangue nos tecidos e no cérebro. A imunidade adquirida em cobaias que tiveram o vírus da dengue, e depois foram expostos ao vírus da zika, também mostrou que a dengue não seria potencializadora de infecções mais graves de zika. A tese de que a interação entre as duas doenças provocaria casos graves de zika foi levantada no início da epidemia de zika no Brasil, em 2015.

A hipótese caiu por terra e agora os pesquisadores acreditam que uma infecção anterior por dengue pode impedir casos graves de contaminação pelo zika ou até mesmo a microcefalia em bebês gerados por mães que tiveram zika na gestação.

Conclusões

Uma das conclusões dos pesquisadores é que a presença de anticorpos por uma infecção de dengue, pode explicar por que nem toda mulher com zika transmite a doença para o bebê e também por que algumas pessoas podem ter sido infectadas com zika e nunca terem desenvolvido a doença.

A descoberta da ação dos linfócitos T CD8 presente na defesa das infecções pelos vírus dengue e zika pode dar novos rumos às pesquisas com vacinas em andamento. Até agora, segundo o artigo a maioria dos testes com vacinas, atuam somente contra os linfócitos B – que produzem anticorpos após o contato com uma infecção. As células do tipo T têm uma ação direta sobre o microrganismo, agindo antes da infecção.

O trabalho foi desenvolvido por um grupo de pesquisadores chefiado por Jinsheng Wen, da Universidade de Wenshou e teve parceria de outras universidades como o Instituto La Jolla de Alergia e Imunologia da Califórnia.

Com informações: Agência Brasil

19:58 · 04.10.2017 / atualizado às 19:58 · 04.10.2017 por
Após administração de três anticorpos, pesquisadores não encontraram um nível quantificável do vírus no sangue dos animais tratados Foto: New Scientist

Um coquetel de três anticorpos mostrou que é capaz de prevenir em primatas a infecção causada pelo zika vírus, e essa pesquisa pode passar a uma etapa seguinte de ensaios com humanos, anunciaram cientistas nesta quarta-feira (4).

“É uma intervenção promissora para prevenir e tratar uma infecção pelo zika vírus durante a gravidez”, comentou David Watkins, professor da faculdade de medicina Miller da Universidade de Miami. “Gostaríamos de desenvolver esta associação de anticorpos e submetê-los a ensaios clínicos o quanto antes”, acrescentou.

O zika vírus, transmitido principalmente por mosquitos, se propagou pela América Latina, o Caribe e o sul dos Estados Unidos em 2015 e 2016, provocando uma emergência mundial devido a sua associação com malformações em fetos, particularmente a microcefalia.

A ameaça acabou, sobretudo porque as pessoas não podem ser infectadas mais de uma vez, mas os pesquisadores continuaram realizando estudos para encontrar a primeira vacina contra o zika.

Experimento

Os cientistas identificaram três poderosos anticorpos – SMZAb1, SMZAb2 e SMZAb5 – no organismo de um paciente sul-americano.

“Administramos um coquetel desses três anticorpos aos primatas não humanos um dia antes do seu contato com o zika vírus que tinha sido recuperado de uma mulher grávida durante a epidemia de 2016 no Rio de Janeiro”, disse Watkins.

Os pesquisadores não encontraram um nível quantificável do vírus no sangue dos quatro animais tratados e não detectaram reação no sistema imunológico, o que indica que o vírus tinha sido completamente bloqueado, segundo o estudo, publicado na revista Science Translational Medicine.

Quatro macacos que não receberam esses anticorpos antes de ser expostos ao zika ficaram doentes durante uma semana. “Dado que esses anticorpos têm perfis excepcionais na segurança dos humanos e na placenta, esta combinação poderia ser desenvolvida rapidamente para proteger as mulheres grávidas não infectadas e seus fetos”, indicou Watkins.

Com informações: AFP

17:36 · 24.08.2017 / atualizado às 17:36 · 24.08.2017 por
Aditivo dióxido de titânio se apresentava em forma partículas 50 mil vezes menores que um fio de cabelo e gerou questionamentos sobre os efeitos na saúde dos consumidores do país Foto: Doctissimo

Alguns doces industrializados contêm aditivos em forma de nanopartículas sem que esta condição seja especificada nas embalagens, segundo um estudo francês, que questiona os efeitos para a saúde e lamenta a falta de transparência das empresas.

O estudo realizado pela revista francesa “60 millions de consommateurs” analisou a presença do aditivo E171 (dióxido de titânio), composto em parte de nanopartículas e utilizado frequentemente na indústria agroalimentar e cosmética para embranquecer doces, pratos preparados e pasta de dente.

Para a revista, publicada pelo Instituto Nacional do Consumo, o fato de que o aditivo se apresente em forma de nanopartículas – 50.000 vezes menores que um fio de cabelo -, gera questionamentos sobre os efeitos na saúde porque estas traspassam com mais facilidade as barreiras fisiológicas.

“Quando uma substância estranha se mete em uma célula, podemos supor que pode haver danos ou uma desregulação de algumas destas células”, explicou à AFP Patricia Chairopoulos, coautora do estudo, que critica as indústrias por uma “falta de vigilância” e de “rigor”.

O E171 na forma de nanopartículas foi encontrado sistematicamente nos 18 produtos doces testados pela revista, em proporções diversas: representou 12% desse aditivo nos biscoitos Napolitain de Lu, 20% nos chocolates M&M’s e 100% nos bolos da marca francesa Monoprix Gourmet. A presença do E171 está indicada nas etiquetas, mas sem a menção “nanopartículas”.

Chairopoulos destacou que um estudo publicado em janeiro por um instituto francês levantou suspeitas sobre este aditivo na forma nano, ao concluir que uma exposição crônica ao E171 favorecia o crescimento de lesões pré-cancerosas em ratos, sem que os pesquisadores extrapolassem, porém, esse risco para os humanos.

Em junho de 2016, a ONG Agir pour l’environnement alertou sobre a presença de nanopartículas, entre elas de dióxido de titânio, em uma série de produtos alimentícios.

Com informações: AFP

15:50 · 26.07.2017 / atualizado às 19:18 · 26.07.2017 por
Marcado em amarelo na ilustração acima, o hipotálamo é uma região do cérebro que regula processos, como o crescimento, o desenvolvimento, a reprodução e o metabolismo Imagem: EndocrineWeb

Um grupo de cientistas descobriu que a velocidade de envelhecimento do corpo é controlada por um conjunto de células-tronco do hipotálamo.

A pesquisa foi publicada nesta quarta-feira (25) na revista Nature. O hipotálamo é uma região do cérebro conhecida por regular importantes processos no organismo, como o crescimento, o desenvolvimento, a reprodução e o metabolismo.

De acordo com o autor principal do estudo, Dongsheng Cai, da Escola de Medicina Albert Einstein, em Nova York (Estados Unidos), a descoberta feita em camundongos poderá levar ao desenvolvimento de novas estratégias para tratar doenças relacionadas ao envelhecimento e para aumentar o tempo de vida.

Em um artigo anterior, publicado em 2013, também na revista Nature, a mesma equipe de cientistas revelou a surpreendente descoberta de que, além das funções já conhecidas, o hipotálamo também regula o envelhecimento do organismo. Na nova pesquisa, os cientistas identificaram as células do hipotálamo que controlam o processo de envelhecimento: uma pequena população de células-tronco neurais adultas, que também é responsável por formar novos neurônios.

“Nossa pesquisa mostra que o número das células-tronco neurais do hipotálamo é reduzido ao longo da vida do animal e esse declínio acelera o envelhecimento. Mas também descobrimos que os efeitos dessa perda não são irreversíveis. Com a reposição dessas células-tronco ou das moléculas que elas produzem, é possível desacelerar, ou até reverter vários aspectos do envelhecimento no organismo”, disse Cai.

Ao investigar se as células-tronco no hipotálamo eram a chave para o envelhecimento, os cientistas estudaram primeiro o destino dessas células quando camundongos saudáveis envelheciam. O número de células-tronco do hipotálamo começou a diminuir quando os animais chegavam à idade de 10 meses, bem antes do aparecimento dos sinais normais de envelhecimento. “Na velhice, que chega aos dois anos de idade nos camundongos, a maior parte dessas células já havia desaparecido”, disse Cai. O próximo passo foi tentar descobrir se essa progressiva perda das células-tronco havia realmente causado o envelhecimento ou se estava apenas associada a ele. Para isso, os cientistas observaram o que acontecia quando as células-tronco do hipotálamo eram seletivamente destruídas em camundongos de meia idade.

“Essa destruição acelerou enormemente o envelhecimento, em comparação com os camundongos com células-tronco normais. Os animais com as células-tronco destruídas também morreram antes do tempo normal”, declarou Cai.

Velhice reversível

A próxima pergunta a fazer era se a reposição de células-tronco no hipotálamo seria capaz de neutralizar o envelhecimento.

Para obter a resposta, os cientistas injetaram células-tronco do hipotálamo nos cérebros de camundongos de meia idade, cujas células-tronco haviam sido destruídas e também nos cérebros de animais normais.

Nos dois grupos de animais, o tratamento retardou ou reverteu vários indicadores de envelhecimento. Os cientistas descobriram que as células-tronco do hipotálamo parecem exercer seus efeitos antienvelhecimento liberando moléculas conhecidas como microRNAs.

Os microRNAs, de acordo com Cai, não estão envolvidos na síntese de proteínas, mas têm um papel central na regulação da expressão dos genes. Os microRNAs ficam “embalados” em pequenas partículas chamadas exossomos, que são liberadas pelas células-tronco no fluido cérebro-espinhal dos camundongos.

Os cientistas, então, extraíram das células-tronco do hipotálamo exossomos carregados com microRNA e os injetaram no fluido cérebro-espinhal dos dois grupos de camundongos de meia-idade: aqueles com células-tronco do hipotálamo destruídas e os normais.

De acordo com Cai, o tratamento desacelerou consideravelmente o envelhecimento nos dois grupos de animais. A medição do envelhecimento foi feita a partir da análise dos tecidos do organismo dos animais e por testes comportamentais que envolviam a avaliação de transformações na resistência dos músculos, coordenação, comportamento social e capacidade cognitiva.

Agora, os pesquisadores estão tentando identificar as populações específicas de microRNAs e outros fatores secretados pelas células-tronco que são responsáveis por efeitos antienvelhecimento. Segundo eles, esse será o próximo passo para desacelerar o processo de envelhecimento e para tratar doenças ligadas à idade avançada.

Com informações: Estadão Conteúdo

15:50 · 25.07.2017 / atualizado às 15:50 · 25.07.2017 por
Equipe liderada pelo pesquisador Shibo Jiang identificou uma droga que inativou determinadas partículas do micro-organismo Foto: Icy Tales

Cientistas chineses desenvolveram um inibidor do vírus da zika que foi capaz de reduzir os níveis virais em camundongos gestantes e em seus fetos. Um artigo que descreve a descoberta foi publicado nesta terça-feira, 24, na revista científica Nature Communications.

De acordo com os autores da pesquisa, o inibidor se mostrou seguro para o uso em camundongos gestantes e os resultados do experimento indicam que a droga poderia ser considerada para futuros testes pré-clínicos. O vírus da zika pode ser passado de uma mulher grávida infectada para o feto durante a gestação, com potencial risco de desenvolvimento de defeitos congênitos. Até agora não há vacinas ou drogas disponíveis para tratar a infecção.

A equipe de cientistas liderada por Shibo Jiang, da Universidade Fudan, em Xangai (China), identificou uma droga que inativou determinadas partículas do vírus da zika e assim foi capaz de impedir sua entrada nas células. Os cientistas mostraram que a droga reduziu a transmissão do vírus da zika para o feto. A molécula não apresentou efeitos adversos no camundongo gestante, nem nos filhotes, quando foi administrada durante a gestação.

Os autores afirmam que será preciso realizar mais estudos para avaliar a segurança e a eficácia do inibidor em humanos. Mas, segundo eles, a abordagem por meio da inativação de partículas do vírus poderia ser utilizada para desenvolver novos tratamentos para a infecção por zika em populações em áreas de risco, especialmente em mulheres grávidas.

A droga é um peptídeo sintético, batizado de Z2, que é derivado de proteínas de uma região específica do envelope do vírus, que tem um papel importante na sua capacidade de infectar as células do hospedeiro.

“Mostramos que o Z2 interage com as proteínas da superfície do vírus da zika e perturba a integridade da membrana viral. O Z2 pode penetrar na barreira da placenta e entrar nos tecidos do feto”, escreveram os autores.

Melhor opção. De acordo com Jiang, nos últimos anos o desenvolvimento de drogas a partir de peptídeos tem chamado atenção por causa da sua segurança e do custo mais baixo de desenvolvimento, em comparação com drogas com base em moléculas pequenas e em anticorpos.

Segundo Jiang, alguns compostos de moléculas pequenas já mostraram capacidade para inibir a infecção por vírus, mas a segurança para mulheres grávidas não foi comprovada. Também já foram identificados em camundongos anticorpos capazes de neutralizar a infecção por zika, mas a eficácia foi relativamente baixa e esses anticorpos teriam que ser “humanizados”, o que é um obstáculo considerável para o desenvolvimento de uma droga anti-zika.

“Também já foi identificado um anticorpo monoclonal humano que neutraliza amplamente a infecção por algumas linhagens de zika, mas o alto custo pode limitar sua aplicação em países em desenvolvimento, como o Brasil”, disse Jiang.

Com informações: Estadão Conteúdo

17:51 · 31.05.2017 / atualizado às 17:56 · 31.05.2017 por
A esclerose múltipla, cujo dia mundial é comemorado nesta quarta-feira (31), afeta mais de dois milhões de pessoas no mundo Foto: ChitchatMS

E se ajudássemos os neurônios a “reparar” os danos causados pela esclerose múltipla? Esta é a pista que está sendo explorada por cientistas franceses para conter o avanço dessa doença autoimune e degenerativa, para a qual ainda não há cura. “O desafio terapêutico na esclerose múltipla consiste em prevenir o avanço das deficiências, e uma das vias para conseguir isso é a reparação da mielina” (membrana que envolve as fibras nervosas responsáveis pela condução dos impulsos elétricos), que é destruída progressivamente pela doença, explica a professora de neurologia Catherine Lubetzki.

A esclerose múltipla, cujo dia mundial é comemorado nesta quarta-feira (31), afeta mais de dois milhões de pessoas no mundo. No Instituto do Cérebro e da Medula espinhal (ICM) de Paris, onde Lubetzki dirige uma equipe de pesquisa, vários estudos demonstraram a importância deste processo de “remielinização”, ou regeneração da mielina, para o estado de saúde dos doentes.

Na sua forma mais frequente, a esclerose múltipla se caracteriza por surtos inflamatórios do sistema nervoso central (cérebro e medula espinhal), seguidos de fases de remissão nas quais a mielina se reconstrói parcialmente. Mas as novas técnicas de imagem desenvolvidas no instituto, mais precisas do que a ressonância magnética, demonstraram que este “potencial” de reparação é “muito diferente em função dos pacientes”, explica Benedetta Bodini, neurologista do ICM.

“Melhorar o prognóstico”

“Em uma ressonância magnética convencional se vê as lesões cerebrais, mas não podemos ver o que acontece dentro das lesões”, afirma. Injetando um marcador específico, que se fixa na mielina, antes de realizar uma tomografia por emissão de positrões (PET scan, procedimento que usa um agente de contraste radioativo), “pode-se medir até que grau a mielina se encontra afetada”, detalha Bodini.

Comparando as imagens cerebrais de vários pacientes, tomadas com três meses de intervalo, a equipe de pesquisadores percebeu que os que tinham uma boa capacidade de regeneração da mielina evoluíam melhor que os demais e sofriam com menos deficiências, acrescenta. “Isto quer dizer que no dia em que tivermos medicamentos remielinizantes à nossa disposição, poderemos melhorar o prognóstico dos pacientes”, aponta Bodini. Buscando alcançar este objetivo, outra equipe do ICM identificou uma molécula que é segregada em maiores quantidades em pacientes com baixa capacidade de remielinização. Esta molécula, batizada de CCL19, foi patentada em 2017. “É um alvo terapêutico interessante: se esta molécula for inibida, será possível aumentar a reparação”, explicou à AFP Violetta Zujovic, outra pesquisadora do ICM.

Testes ‘in vivo’

Sua equipe testa, além disso, “distintos anticorpos” para determinar qual é capaz de impedir a ação da molécula CCL19 sem provocar demasiados efeitos colaterais.

Os testes por enquanto são ‘in vivo’, em culturas de células de pacientes; depois serão feitos em animais e, por último, em humanos, um protocolo que dura “em média dez anos”, aponta a pesquisadora.

Na esclerose múltipla, o sistema imunológico do doente se altera e ataca seu próprio sistema nervoso, causando sintomas como fraqueza muscular, problemas de equilíbrio, de visão, de fala ou até mesmo paralisia, que podem regredir.

No longo prazo, porém, isto pode progredir até uma deficiência irreversível. Os tratamentos descobertos nos últimos 20 anos reduzem a frequência dos surtos e melhoram a qualidade de vida dos pacientes, mas não conseguem frear o avanço da doença.

Alguns medicamentos recentes, eficazes em pacientes que não reagiram aos tratamentos tradicionais, no entanto, apresentam riscos de efeitos colaterais graves.

Com informações: AFP

20:14 · 12.09.2016 / atualizado às 20:14 · 12.09.2016 por
Foto: Tom Stephenson/DiscoverLife
Os cientistas infectaram uma macaca da espécie Macaca nemestrina com o vírus da zika no segundo trimestre de gravidez. Embora o animal não tenha apresentado sintomas da doença, o feto desenvolveu anomalias cerebrais Foto: Tom Stephenson/DiscoverLife

Cientistas detectaram pela primeira vez lesões e má-formação cerebral produzidas pelo vírus da zika no feto de uma macaca grávida. O estudo, publicado nesta segunda-feira, 12, na revista Nature Medicine, foi liderado por cientistas da Universidade de Washington (UW), em Seattle (Estados Unidos).

Segundo os autores, outros pesquisadores já haviam desenvolvido modelos de estudos da infecção por zika em macacos, mas até agora as anomalias cerebrais, como a microcefalia, observadas em fetos de mulheres infectadas pela zika, ainda não haviam sido registradas em primatas não-humanos.

“Nossos resultados descartam qualquer dúvida que pudesse restar sobre o fato do vírus da zika ser incrivelmente perigoso para os fetos em desenvolvimento, fornecendo detalhes minuciosos sobre como os danos cerebrais se desenvolvem”, afirmou a autora principal da pesquisa, Kristina Adams Waldorf, médica e pesquisadora da UW.

Os cientistas infectaram uma macaca da espécie Macaca nemestrina com o vírus da zika no segundo trimestre de gravidez. Embora o animal não tenha apresentado sintomas da doença – como acontece com a maioria dos pacientes humanos -, o feto desenvolveu anomalias cerebrais e, nos primeiros 10 dias após a infecção, apresentou evidências de retardamento do desenvolvimento cerebral.

Embora os resultados do estudo estejam limitados a um só animal, os autores afirmam que o Macaca nemestrina poderá ser um modelo útil para estudar a progressão da infecção por zika em humanos e para testar candidatas a vacinas ou terapias.

“Esse estudo nos deixa mais próximos de determinar se uma vacina ou terapia para a zika serão capazes de impedir os danos cerebrais no feto, mas também se elas serão seguras para serem administradas durante a gravidez”, declarou Kristina.

De acordo com outro dos autores, Michael Gale, professor de imunologia da UW, o estudo seguiu o chamado Postulado de Koch, que estabelece critérios para determinar se um microrganismo é ou não o agente causador de uma doença ou síndrome.

“Essa é a única evidência direta mostrando que o vírus da zika pode cruzar a placenta na fase tardia da gravidez e afetar o cérebro do feto desativando alguns aspectos do desenvolvimento cerebral”, afirmou Gale. Outra das autoras, Lakshmi Rajagopal, professora de Pediatria da UW, afirma ter ficado “chocada” quando viu a primeira imagem de ressonância magnética do cérebro do feto 10 dias após a inoculação do vírus. “Não havíamos previsto que uma área tão grande do cérebro do feto sofreria danos tão rapidamente”, afirmou.

Segundo Lakshmi, os resultados da pesquisa sugerem que uma terapia para impedir danos no cérebro dos fetos deveria ser uma vacina, ou um medicamento profilático aplicado no momento da picada do mosquito, para neutralizar o vírus. “No momento em que uma mulher grávida desenvolve os sintomas, o cérebro do feto já pode ter sido afetado e sofrido danos graves.”

Placenta

O novo estudo revela de forma conclusiva que o vírus zika realmente cruza a placenta da mãe e penetra no cérebro do feto. De acordo com ele, o nível de infecção viral detectado no cérebro do feto foi mais alto que o do organismo da mãe.

Saber quanto tempo o vírus permanece no sistema durante a gravidez e o desenvolvimento do feto era uma questão fundamental segundo Gale. O cientista explicou que a presença do vírus da zika, de certa forma, perturba o equilíbrio normal do desenvolvimento do cérebro, levando-o a construir estruturas de apoio em demasia, fazendo-o, ao mesmo tempo, produzir uma quantidade insuficiente de estruturas de células nervosas.

Isso altera o formato, o tamanho e a função do cérebro, segundo Gale. O vírus da zika utilizado no estudo é de uma linhagem isolada em 2010 no Camboja e que, segundo os autores, é geneticamente praticamente idêntica à linhagem encontrada atualmente no Brasil.

Com informações: Estadão Conteúdo

18:13 · 07.09.2016 / atualizado às 18:15 · 07.09.2016 por
Foto: Scientists Against Malaria
A doença é transmitida por picadas de mosquitos do gênero Anopheles e é causada por um parasita, o plasmódio, que afeta células do sangue e do fígado Foto: Scientists Against Malaria

Uma nova geração de drogas promete revolucionar a prevenção e o tratamento da malária. Depois de vasculhar cerca de 100 mil compostos, uma equipe internacional descobriu uma série deles capaz de prevenir e curar a doença em camundongos com apenas uma dose baixa.

Apesar de que entre 2000 e 2015 a incidência de malária entre populações de risco caiu 37% globalmente, cerca de 3,2 bilhões de pessoas vivem áreas onde a doença é transmitida. Em 2015, houve aproximadamente 214 milhões de casos de malária que resultaram em 438 000 mortes em todo o mundo.

A doença é transmitida por picadas de mosquitos e é causada por um parasita, o plasmódio, que afeta células do sangue e do fígado. O risco de morte é maior quando o cérebro também é atacado.

“Estratégias de erradicação eficazes têm sido difíceis, principalmente devido ao ciclo de vida complexo do Plasmodium e ao surgimento de linhagens resistentes a droga do Plasmodium falciparum, a espécie de Plasmodium mais letal”, escreveram os quase cinquenta autores do estudo, de instituições de sete países, em artigo divulgado pela revista científica “Nature”.

A pesquisa foi coordenada por Nobutaka Kato, Eamon Comer e Stuart L. Schreiber1, do Instituto Broad, ligado à Universidade Harvard e ao Instituto de Tecnologia de Massachusetts (EUA). A transmissão é feita por fêmeas de mosquitos do gênero Anopheles. Os parasitas introduzidos com a picada vão do sangue ao fígado, onde por alguns dias ficam se reproduzindo alucinadamente, mas sem produzir os sintomas da doença, como febre.

Ao literalmente explodir para fora do fígado, os parasitas invadem glóbulos vermelhos e alguns se transformam em formas masculinas e femininas que podem ser captadas por outra picada de mosquito. Os tratamentos existentes em geral atacam o parasita em apenas uma das fases do seu ciclo de vida dentro do corpo humano, na maior parte das vezes no sangue. Mas a equipe coordenada pelo Instituto Broad descobriu tanto uma série de drogas capazes de atacar o plasmódio nas várias fases do seu ciclo, como um novo alvo para as drogas conhecidas como azetidinas bicíclicas, como a BRD3316 e a BRD7929.

O novo alvo é uma enzima, a -Fenilalanila-tRNA sintase- fundamental para a vida do parasita. “É uma enzima que tem um dos papéis essenciais na síntese de proteínas. Sem essa enzima, o parasita não pode fazer novas proteínas, e por isso não pode sobreviver”, disse Nobutaka Kato.

Novos mecanismos

As drogas antimaláricas existentes hoje são derivadas principalmente de produtos naturais -caso da mais antiga delas, o quinino- ou compostos sintéticos “com forma de droga”.

Os autores do estudo partiram da hipótese de que agentes antimaláricos com novos mecanismos de ação poderiam ser descobertos usando uma coleção mais diversa de compostos sintéticos lembrando produtos naturais que não estava sendo pesquisadas nas coleções de compostos em geral usadas nas “varreduras” farmacêuticas. “Uma frase que é muitas vezes pronunciada em nosso laboratório é: ‘Será que uma química diferente vai render resultados diferentes?’ Estes resultados, para nós, provam que este é o caso”, diz outro coautor, Eamon Comer; “com a nova química temos um mecanismo de ação que ninguém viu antes.”

“Este composto ataca todos os estágios em vertebrados da infecção pelo Plasmodium falciparum” afirma Kato; “algo muito raro no processo terapêutico. A descoberta e o desenvolvimento de drogas é um longo processo. Geralmente se leva de doze a quinze anos da descoberta à aprovação. Nossos compostos ainda estão a alguns anos de distância de ensaios clínicos em humanos e quase uma década até a aprovação, mesmo se tudo correr bem”, declara Kato.

O fato de os compostos terem agido em doses orais únicas e baixas em camundongos abre a possibilidade de produção de remédios relativamente baratos e de fácil utilização em países pobres, nos quais a doença é mais prevalente. As drogas também demonstraram potencial preventivo. “No nosso estudo animal, os camundongos tratados com nosso composto mesmo três dias antes de serem infectados não desenvolveram malária. Isso quer dizer que tomar o composto duas vezes por semana protegerá contra malária. Mas lembre-se que esses resultados com estudos em animais podem não se traduzir em seres humanos”, diz o pesquisador.

“Os parasitas da malária desenvolveram resistência a todos os antimaláricos até agora. Mas alguns antimaláricos são mais suscetíveis de criar resistência do que outros. Nosso estudo mostrou que nossos compostos têm uma propensão baixa a induzir resistência in vitro”, acrescenta Kato.

Com informações: Folhapress

21:00 · 01.06.2016 / atualizado às 13:06 · 06.06.2016 por
Foto: Genetic Literacy Project
Vacina induziu o sistema imunológico a responder fortemente contra tumores em camundongos e em três pacientes humanos com melanoma avançado. Foto: Genetic Literacy Project

Testes já foram feitos com sucesso em camundongos e em três humanos

Cientistas da Alemanha e da Holanda descreveram uma nova estratégia de vacinação contra o câncer capaz de atacar os tumores, colocando em ação mecanismos do sistema imunológico que normalmente são acionados contra infecções virais.

O estudo publicado na última terça-feira na revista Nature Communications mostra que a vacina induziu o sistema imunológico a responder fortemente contra tumores em camundongos e em três pacientes humanos com melanoma avançado.

Segundo os autores, a estratégia é um grande passo para o futuro desenvolvimento de uma vacina universal para tratamento imunoterápico de câncer.

A vacina tem por base nanopartículas de RNA tumoral, isto é, os cientistas injetaram nos pacientes moléculas de RNA do tumor criadas em laboratório e envoltas em uma membrana de gordura. Depois de entrar nas células, as nanopartículas liberam o RNA tumoral, que funciona como um antígeno, ou seja, disparam o mecanismo que defende o corpo humano de invasões virais, redirecionando-o para identificar e atacar as células tumorais.

As nanopartículas carregam o RNA tumoral diretamente para os glóbulos brancos que protegem o corpo de micróbios invasores, acionando as células T, que induzem células tumorais à autodestruição.

Com informações: Agência Estado