Diário Científico

Categoria: Botânica


20:39 · 11.06.2018 / atualizado às 20:39 · 11.06.2018 por
Nos últimos 12 anos, nove dos treze baobás mais velhos estão parcialmente ou totalmente mortos, de acordo com o estudo, que aponta relação com mudanças climáticas Foto: Baobab Stories

Muitos dos baobás mais antigos da África estão morrendo há dez anos, alertaram nesta segunda-feira (11) pesquisadores, que evocam a mudança climática como possível causa para esse desaparecimento “de escala sem precedentes”.

“É chocante e espetacular testemunhar durante o curso de nossas vidas o desaparecimento de tantas árvores milenares”, explica à AFP Adrian Patrut, da Universidade Babeş-Bolyai, na Romênia, co-autor do estudo publicado na revista Nature Plants.

“Durante a segunda metade do século XIX, os grandes baobás do sul da África começaram a morrer, mas nos últimos 10/15 anos seu desaparecimento aumentou rapidamente por causa das temperaturas muito altas e da seca”, diz o pesquisador.

Com entre 1.100 e 2.500 anos de idade, os baobás e seus troncos maciços coroados por galhos parecidos com raízes, são uma das silhuetas mais emblemáticas das áridas savanas.

Mas, nos últimos 12 anos, nove dos treze baobás mais velhos estão parcialmente ou totalmente mortos, de acordo com o estudo.

Entre as vítimas, três monstros simbólicos: Panke, do Zimbábue, o baobá mais velho com 2.450 anos, a árvore de Platland da África do Sul, uma das maiores do mundo, com um tronco mais 10 metros de diâmetro e o famoso baobá de Chapman do Botsuana, no qual Livingstone gravou suas iniciais, classificado monumento nacional. Os pesquisadores descobriram essa situação de “escala sem precedentes” quase por acaso: eles estudaram essas árvores para desvendar o segredo de suas incríveis medições.

Para isso, entre 2005 e 2017, Adrian Patrut e seus colegas estudaram todos os maiores (e portanto geralmente os mais antigos) baobás da África, mais de 60 no total. Viajando pelo Zimbábue, África do Sul, Namíbia, Moçambique, Botsuana e Zâmbia, coletaram amostras de diferentes partes das árvores. Fragmentos dos quais eles definiram a idade usando datação por carbono. “A cavidade de um velho baobá zimbabuano é tão grande que quase 40 pessoas podem se abrigar dentro”, ressalta o site do Parque Nacional Kruger, na África do Sul. Eles poderiam ser usados ​​como loja, prisão ou simplesmente como um ponto de ônibus.

Também têm sido usados ​​há muito tempo por exploradores ou viajantes para encontrar caminhos. “Os baobás periodicamente produzem novos troncos, como outras espécies produzem galhos”, segundo o estudo. Esses caules ou troncos, muitas vezes de diferentes idades, depois se fundem. Quando muitos caules morrem, a árvore desaba. “Antes de começarmos nossa pesquisa, fomos informados sobre o colapso do baobá Grootboom na Namíbia, mas pensávamos que era um evento isolado”, disse Adrian Patrut.

“Essas mortes não foram causadas por uma epidemia”, afirmam os autores, que sugerem que a mudança climática pode afetar a capacidade do baobá de sobreviver em seu habitat, embora “mais pesquisas sejam necessárias para apoiar ou refutar essa hipótese”.

Mas “a região em que os baobás milenares morreram é um daqueles em que o aquecimento é mais rápido na África”, diz Adrian Patrut.

Com informações: AFP

16:15 · 14.09.2017 / atualizado às 16:15 · 14.09.2017 por
Os Estados Unidos podem ficar em pouco tempo sem os freixos, sua árvore emblemática, se não houver uma desaceleração no processo de extinção ao qual estão sujeitas cinco de suas seis variedades mais difundidas Foto: Youtube

A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês) atualizou nesta quinta-feira (14) de sua Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas, na qual os freixos da América do Norte e os antílopes africanos aparecem como os casos recentes mais graves.

A Lista Vermelha da IUCN inclui 87.967 espécies, das quais 25.062 estão em perigo de extinção. “As atividades humanas estão empurrando tão rapidamente as espécies à extinção que aos conservacionistas é impossível avaliar em tempo real”, disse a diretora da organização, Inger Andersen.

Os Estados Unidos podem ficar em pouco tempo sem os freixos, sua árvore emblemática, se não houver uma desaceleração no processo de extinção ao qual estão sujeitas cinco de suas seis variedades mais difundidas e valiosas, em um processo que está ganhando força por conta da mudança climática.

A situação de cinco dos seis freixos mais proeminentes de América do Norte está “a um passo da extinção, enquanto o sexto está em situação de “perigo”, porque um besouro invasor está dizimando suas populações.

Ataque de besouro invasor

Apenas três espécies dos freixos representam cerca de 9 bilhões de árvores nos estados do interior dos EUA, onde são um componente essencial das florestas e habitat e alimento para aves, esquilos e insetos, além de serem muito importante para as borboletas e traças.

O freixo branco americano, que no passado era abundante e uma das árvores mais valiosos dessa parte do mundo pela sua utilização na fabricação de móveis, bastões de beisebol e de hóquei, entre outros itens, está sofrendo pelos ataques do besouro invasor. Este inseto chegou aos EUA na década de 90, em um barco que continha paletas de madeira infestadas e chegou a causar grandes danos ao freixo – mas foi o aquecimento global, que aumentou a temperatura em áreas que antes eram muito frias, que permitiu esses escaravelhos sobreviverem.

O aumento da temperatura fez com que essas zonas sejam agora propícias para que eles sigam se reproduzindo, com um risco de destruição incalculável se pensar que pode destruir uma floresta inteira de freixos em seis anos.

Antílopes ameaçados

Também por causa da ação do homem, pela perda de áreas silvestres, a caça ilegal e a criação de gado, a população de cinco espécies de antílopes africanos está diminuindo drasticamente.

Esta situação faz parte de uma tendência maior de diminuição dos grandes mamíferos africanos, que devem competir com uma população humana em crescimento e que precisam de mais territórios e recursos. Uma causa adicional de maior vulnerabilidade desta e outras espécies é a maior frequência e duração das secas atribuídas à mudança climática.

Em muitos casos, como o do antílope “elande gigante”, que vive na República Centro-Africana, a instabilidade política e os conflitos se transformaram nos principais obstáculos para sua proteção.

Com informações: Agência Brasil

19:33 · 01.08.2017 / atualizado às 19:38 · 01.08.2017 por
Concepção artística e descrição (em inglês) de um provável ancestral das flores modernas Imagem: Nature Communications

A primeira flor a aparecer ao longo do caminho da evolução vegetal, durante a época dos dinossauros, era uma hermafrodita com órgãos em forma de pétala dispostos em círculos concêntricos, disseram pesquisadores nesta segunda-feira.

A flor tinha órgãos reprodutores masculinos e femininos no centro, cercados por múltiplas camadas de “espirais” ou partes semelhantes a pétalas chamadas tépalas, dispostas em conjuntos de três por camada, escreveram os cientistas na revista Nature Communications.

A reconstrução, baseada no maior conjunto de dados de características de flores já reunidos – de 792 espécies existentes – desafia os pressupostos científicos de que a flor ancestral teria seus órgãos sexuais e “pétalas” dispostas em uma espiral.

A maioria das flores hoje tem quatro “espirais” – as folhas exteriores ou sépalas, seguidas pelas pétalas, que encerram os órgãos masculinos chamados de estames, com os órgãos femininos ou carpelos no centro.

A flor ancestral provavelmente não tinha sépalas e pétalas separadas, em vez disso, uma mistura entre os dois – em torno dos órgãos sexuais no centro.

Flores modernas com tépalas em vez de pétalas incluem tulipas e lírios.

“Os resultados são realmente emocionantes”, disse Maria von Balthazar, especialista em morfologia floral da Universidade de Viena, que participou da pesquisa.

“Esta é a primeira vez que temos uma visão clara para a evolução precoce das flores em todas as angiospermas” – o termo científico para plantas floríferas. Os pesquisadores ainda não sabem a cor da flor, o seu cheiro, ou seu tamanho – que provavelmente era menor que um centímetro de diâmetro.

Evolução das plantas

Os especialistas acreditam que as plantas terrestres emergiram de plantas aquáticas ancestrais há cerca de 470 milhões de anos – mais de três bilhões de anos depois da primeira forma de vida ter surgido, quando a Terra tinha cerca de um bilhão de anos.

A primeira planta com sementes provavelmente surgiu cerca de 320 milhões de anos atrás, quando havia animais diversos na terra e no mar, mas ainda não havia dinossauros, mamíferos ou pássaros. Os fósseis mais antigos conhecidos de plantas com flores datam de cerca de 140 milhões de anos atrás – durante a era dos dinossauros, que foram extintos há cerca de 66 milhões de anos.

Desde então, a primeira flor evoluiu para ao menos 300.000 espécies, afirmou a equipe de pesquisa. As plantas com flores representam cerca de 90% de todas as plantas na Terra. Em 1879, o cientista Charles Darwin descreveu o rápido aumento e diversificação das flores durante a era geológica do Cretáceo como um “abominável mistério”.

A equipe combinou dados de DNA e uma vasta literatura sobre características de plantas para compilar uma árvore evolutiva detalhada que voltava até o último antepassado comum.

“A flor cresceu em apenas um tipo de planta, a espécie ancestral de todas as plantas floríferas vivas”, disse à AFP o coautor Herve Sauquet, da Universidade Paris-Sul.

“De acordo com trabalhos anteriores, provavelmente era uma pequena árvore ou arbusto”, acrescentou.

Com informações: AFP

16:28 · 11.05.2017 / atualizado às 16:28 · 11.05.2017 por
A maior parte dos novos biomas “escondidos” são encontráveis na África e Oceania. Naqueles continentes, os números são muitas vezes dobrados em relação ao que se conhecia de área florestal Foto: MNN

Uma extensa equipe internacional de 31 pesquisadores em 13 países analisou dados de satélites e concluiu que a Terra tem 9% mais florestas do que se estimava. Estes 4.270.000 km² de floresta até agora “escondidos” têm metade da área territorial do Brasil e equivalem à toda a floresta amazônica.

É uma boa notícia para a ciência melhorar a compreensão da dinâmica e potencial dos sorvedouros de carbono terrestres como as florestas, apesar de o problema ambiental básico continuar o mesmo.

O planeta continua passando por uma mudança climática global, que é acelerada pela emissão de carbono por atividades industriais e agrícolas humanas.

O novo estudo procurou descobrir se as zonas áridas também abrigariam trechos de florestas. Essas regiões mais secas se caracterizam por apresentar uma precipitação (chuva) que é contrabalanceada pela evaporação de água das superfícies e pela transpiração das plantas.

“Os biomas das zonas secas cobrem cerca de 41,5% da superfície terrestre. Elas contêm alguns dos ecossistemas mais ameaçados, embora desconsiderados, incluindo sete dos 25 hotspots de biodiversidade, enquanto enfrentam a pressão das mudanças climáticas e da atividade humana”, escreveram os autores do estudo na revista científica americana “Science”.

Entre os “hotspots”, “pontos quentes” de diversidade animal e vegetal, está o semiárido brasileiro, caracterizado por regiões como o cerrado e a caatinga.

O mapeamento da cobertura vegetal em áreas semiáridas no Brasil ficou a cargo de pessoal do Insa (Instituto Nacional do Semiárido) em parceria com a FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura).

A participação brasileira integrou o projeto Global Forest Survey (Pesquisa Florestal Global) da organização e foi coordenada no país pelo analista da FAO, o brasileiro Marcelo Rezende, um dos coautores do estudo na “Science”.

Ignacio Salcedo, do Insa, também está entre os autores, mas ele morreu no mês passado, antes da publicação do estudo. O projeto procura mapear as dinâmicas de florestas para entender mudanças no uso da terra.

“Para coletarmos dados sobre biomas tão diferentes nas terras áridas, trabalhamos com diversos institutos ao redor do mundo. O melhor formato para essa colaboração é a transferência de conhecimento técnico entre a FAO e o parceiro. Collect Earth, a ferramenta gratuita desenvolvida pela FAO e utilizada na coleta de dados foi apresentada para o Insa em um workshop em 2015”, declarou Rezende à reportagem.

Mais de vinte participantes foram selecionados pelo Insa e treinados no uso dessa nova ferramenta, na metodologia de avaliação e ao mesmo tempo auxiliaram no estudo das terras áridas. “Os participantes eram, em sua maioria, estudantes de graduação e pós-graduação da região, que conheciam bem as formações vegetais do cerrado e da caatinga. Alguns professores também participaram do treinamento”, afirma o consultor da FAO.

Segundo Rezende, “as informações geradas vão contribuir para a elaboração de medidas de conservação e proteção mais assertivas, levando em consideração a real extensão e condições das formações vegetais do cerrado e da caatinga”. As estimativas prévias de área florestal em regiões de semiárido variavam muito em função de diferentes graus de precisão das imagens de satélite – diferenças na sua “resolução espacial”-, enfoques de cartografia e mesmo a definição daquilo que constitui uma floresta.

“Dados anteriores a nível global eram baseados em imagens de satélites de média e baixa resolução, que nem sempre captavam as características da vegetação esparsa das formações vegetais do semiárido. Collect Earth faz uma ponte entre várias plataformas disponíveis gratuitamente pela Google e coloca a disposição do usuário imagens de altíssima resolução e acesso a um catálogo de imagens históricas para uma precisa avaliação da área”, afirma o pesquisador brasileiro.

Um hectare (ha) é uma unidade de medida de área que equivalente a 10.000 m² -um terreno na forma de um quadrado de cem metros de cada lado. Um campo de futebol típico tem em torno de 7.000 ou 8.000 m² -ou exatos 7.140 m², no caso dos campos padronizados para o Campeonato Brasileiro.

Para entender a extensão das florestas, a unidade usada é o Mha -isto é, um milhão de hectares.

“Nossa estimativa é 40 a 47% maior do que as estimativas anteriores da extensão da floresta em terras secas. Isto potencialmente aumenta em 9% a área global com mais de 10% cobertura de copas de árvore [5.055 Mha em vez de 4.628 Mha] e por 11% a área global de floresta [4.357 Mha em vez de 3.890 Mha]”, escreveu a equipe coordenada por Jean-Francois Bastin, da Universidade Livre de Bruxelas, Bélgica, e também da FAO.

A diferença destes 9% a mais -427 milhões de hectares ou 427.000.000.000.000 m² (427 trilhões de m²)- equivale a mais de 59,8 bilhões de campos de futebol.

Cada um dos 7,2 bilhões de habitantes da Terra teria direito a uma área de floresta “escondida” do tamanho de 8,3 campos de futebol.

“Você precisa entender que comparamos nossos resultados com diferentes mapas e relatórios existentes. Portanto, tivemos que adotar, para cada comparação, a mesma definição de ‘floresta’ do que esses relatórios”, afirmou Bastin.

“Alguns mapas estão usando apenas o limite de cobertura de árvores para definir a cobertura florestal. Este é o caso, por exemplo, dos dados de Matt Hansen. Usando o limite de 10%, ele estima uma área total de 4.628 Mha onde temos 5.055Mha. Isto corresponde a um aumento de 9%”, disse Bastin à reportagem.

“Alguns mapas estão usando o limiar de 10%, mas também estão certificando-se de que essas árvores não são parte de qualquer área de cultivo ou povoação. Este é o caso, por exemplo, dos dados do estudo Global FRA Remote Sensing. Eles relatam 3.890 Mha onde relatamos 4.357 Mha. Isso corresponde a um aumento de 11%”, continua o pesquisador da Bélgica.

Algumas regiões tiveram florestas “escondidas” de tamanho inesperado. “Você vai ver que a maior parte das diferenças são encontráveis na África e Oceania; os números são muitas vezes dobrados”, diz Bastin.

“Essas diferenças são como a área total de floresta úmida tropical na Amazônia”, conclui a equipe.

Segundo Bastin, as descobertas não mudam nada em relação ao acúmulo de dióxido de carbono na atmosfera.

“Mas muitos cientistas que trabalham no orçamento de carbono destacam que faltam alguns sumidouros de carbono que ainda precisam ser identificados e quantificados para equilibrar o ciclo do carbono. Nossos resultados estão, portanto, trazendo novos elementos aqui”, diz o pesquisador.

“Além disso, nossos resultados mostram que as terras secas são muito mais adequadas para a floresta do que aquilo que pensávamos anteriormente. Portanto, e como não há competição por outras atividades, como terras de cultivo intensivo, isso significa que essas áreas consistem em grandes oportunidades para a restauração florestal. Nossos dados ajudarão a avaliar áreas adequadas para a restauração florestal, para combater a desertificação e, portanto, para combater as mudanças climáticas”, afirma Bastin.

Com informações: Ricardo Bonalume Neto/Folhapress

17:42 · 17.01.2017 / atualizado às 17:42 · 17.01.2017 por
Foto: CapHorniers
A região chilena é considerada o “centro mundial de diversidade de briófitas”, pequenas plantas que vivem em lugares úmidos Foto: CapHorniers

O Chile construirá o primeiro centro científico em Cabo Horn, o território mais meridional do continente americano, que esconde uma biodiversidade única de pequenas espécies de musgos, líquens e insetos.

Localizado dentro da Reserva da Biosfera Cabo de Horn, em Puerto Williams – a cidade mais meridional do mundo -, o Centro Subantártico Cabo Horn deve estar completamente operativo em 2018. O Cabo Horn é considerado o “centro mundial de diversidade de briófitas”, explicou nesta terça-feira, em coletiva de imprensa, o pesquisador Ricardo Rozzi sobre estas pequenas plantas que vivem em lugares úmidos.

A apenas cerca de 1.000 km de distância da Antártica, o Cabo Horn concentra 5% da diversidade mundial de briófitas em uma área que só representa 0,01% da superfície do planeta. Estas plantas e musgos são tão pequenas que só podem ser observadas com lupas, explica Rozzi, professor da Universidade de North Texas e da Universidade de Magallanes, no Chile, que destaca Cabo Horn como “a principal reserva da biosfera do continente para a pesquisa sobre as mudanças climáticas e a sustentabilidade da vida no planeta”.

Reserva da biosfera

A construção do centro faz parte de um plano de trabalho projetado na zona para os próximos 10 anos, que será apresentado pelo Estado do Chile à Unesco com o objetivo de ampliar o território que foi definido como reserva da biosfera em 2005.

O lugar abriga ecossistemas costeiros considerados essenciais para mitigar o aquecimento global: as florestas de kelp (algas), que por seus altos níveis de oxigênio, nutrientes e diversidade marinha conseguem capturar no processo de fotossíntese uma maior quantidade de dióxido de carbono da atmosfera.

Considerada a rota de comunicação mais ao sul entre o oceano Pacífico e o Atlântico, as águas de Cabo Horn, entre as mais tempestuosas do planeta, se tornaram cemitério de mais de 10.000 marinheiros e 800 navios desde o século XVII, de acordo com dados da Marinha Chilena.

Com informações: AFP

17:23 · 06.01.2015 / atualizado às 17:32 · 06.01.2015 por
Foto: Alberto Salguero Quiles
A espécie escolhida para ser germinada no”Planeta Vermelho” pela equipe Seed é a Arabidopsis thaliana, parente da mostarda e uma planta muito bem estudada na área aeroespacial Foto: Alberto Salguero Quiles

A equipe universitária portuguesa Seed ganhou a competição da Mars One e o direito a enviar para Marte os primeiros seres vivos, neste caso sementes de plantas, segundo os resultados divulgados hoje por aquela fundação holandesa.

“A Mars One tem o prazer de anunciar que o vencedor do concurso universitário Mars One é a equipe Seed. A experiência desta equipe universitária será enviada para Marte em 2018 e a sua escolha foi decidida por votação pública ‘online’, entre 35 projetos universitários”, pode ler-se no comunicado divulgado pela fundação holandesa sem fins lucrativos.

A equipe, formada majoritariamente por jovens cientistas do Grande Porto, ganhou a votação, concluída no dia 31 de dezembro de 2014, batendo nove outros finalistas, de diferentes nacionalidades, e terá agora a oportunidade de provar que é possível haver vida em Marte, através da germinação de plantas em condições controladas.

“É ótimo e uma oportunidade única, na medida em que será a primeira vez que se vai levar vida a Marte, mas, também por isso, a responsabilidade e preocupação serão maiores”, disse Daniel Carvalho, um dos participantes no projeto.

Dez meses de viagem

A experiência da equipe universitária portuguesa será enviada na missão Lander, da Mars One, em 2018, numa viagem até Marte com a duração de 10 meses, e antecipa em pelo menos dois anos o projeto da agência espacial norte-americana (Nasa) de enviar plantas para o planeta, no âmbito do projeto Mars Plant Experiment (MPX).

“Vamos reunir com toda a equipe, conselheiros e entidades que nos apoiaram, juntamente com a Mars One, para começar a avaliar o nosso projeto e seguir para a construção do protótipo e, posteriormente, a sua validação”, sublinhou. A ideia do projeto consiste em enviar sementes congeladas para Marte.

“Quando aterrissar em Marte, o sistema vai ser ativado, e tanto a energia térmica como a água vão ser fornecidas às sementes de forma a possibilitar a germinação. Todo o processo de crescimento da planta será monitorizado por fotografias enviadas para a Terra via satélite”, explicou o jovem investigador, de 20 anos.

O mais novo dos oito elementos da equipe (inclui ainda um holandês e um espanhol, e o apoio estratégico de investigadores e entidades portuguesas e estrangeiras especializadas em diferentes áreas) adianta que os resultados obtidos podem “contribuir para o desenvolvimento de sistemas de suporte de vida para futuras missões espaciais baseadas na produção de oxigênio e alimento por via das plantas”. E, além disso, “contribuir para o estudo do comportamento da planta em ambientes de gravidade parcial (0.38g)”.

Parente da mostarda

A espécie escolhida pela equipe Seed é a Arabidopsis thaliana, parente da mostarda e  “uma planta muito bem estudada, até na área aeroespacial, a bordo da Estação Espacial Internacional”, e tem “uma taxa de crescimento rápido, apesar das suas sementes de reduzido tamanho”.

“No entanto, podíamos usar outras sementes, como a Brassica rapa ou a mais conhecida rúcula”, acrescentou Daniel Carvalho, confirmando que o nome da planta será escolhido entre as sugestões avançadas por quem optou por votar pelo Twitter.

O prazo previsto no calendário de compromissos definido para a construção, desenvolvimento e validação do protótipo é de dois anos e exigirá “muito trabalho” à equipe portuguesa.

O concurso da Mars One foi aberto em finais de agosto e contou com a participação de 35 equipes universitárias.

Com informações: Diário Digital / Sapo / Agência Lusa

19:43 · 27.10.2014 / atualizado às 20:09 · 27.10.2014 por
Foto: Blog Grupo 5
Voluntários foram distribuídos em dois grupos que, durante três meses, ingeriram diariamente bebidas com altas doses de flavonóis. As bebidas foram preparadas por um fabricante norte-americano de chocolates, que desenvolveu uma técnica para extrair os flavonóis do cacau Foto: Blog Grupo 5

Um regime rico em flavonóis, subgrupo dos flavonoides, substâncias naturais encontradas no cacau e em outros frutos, pode controlar a deterioração cognitiva relacionada com a idade – afirmam cientistas.

O processo de envelhecimento costuma ser acompanhado por uma dificuldade maior de aprender, ou de lembrar de alguns nomes, ou lugares. A deterioração gradativa da memória começa na idade adulta, mas não é percebida antes dos 50, ou 60 anos.

Para estudar o impacto dos flavonóis do cacau, cientistas da Universidade de Columbia (EUA) submeteram a testes 37 voluntários com idades entre os 50 e os 69 anos. Esses voluntários foram distribuídos em dois grupos que, durante três meses, ingeriram diariamente bebidas com doses de flavonóis – uma delas, contendo 900 mg, e a outra, com uma dose baixa da substância, de 10 mg.

As bebidas foram preparadas por um fabricante norte-americano de chocolates, que desenvolveu uma técnica para extrair os flavonóis do cacau e que financiou parcialmente a pesquisa. Ao final do teste, os cérebros dos voluntários foram observados com técnicas de imagem cerebral, que permitiram mostrar o aumento sensível do volume sanguíneo de uma região conhecida como giro dentado do hipocampo nos voluntários do primeiro grupo.

O giro dentado desempenha um papel na memória, mas os resultados diminuem com a idade. Os voluntários do primeiro grupo apresentaram melhores aptidões de memorização do que os do segundo, em um exercício de reconhecimento de formas com 20 minutos de duração.

“Depois de três meses, um participante, que tinha a memória de um sexagenário no começo do estudo, apresentou desempenho típico de alguém com 30, ou 40 anos”, afirmou Scott Small, principal autor do estudo, publicado na revista “Nature Neuroscience”.

Resultados preliminares

O pesquisador destacou, porém, que os resultados preliminares terão de ser
confirmados por novos estudos, com um número maior de pessoas.

Ele também advertiu que não foi possível concluir a necessidade de se ingerir mais chocolate, pois a “quantidade de flavonóis encontrada no chocolate é minúscula em comparação com a consumida” pelos voluntários do estudo.

Os flavonóis também podem ser encontrados no chá, nas uvas e em muitos outros frutos e legumes e poderiam, segundo outros estudos, ser benéficos também para o coração. Uma outra pesquisa, feita por cientistas australianos, com o apoio de outro fabricante de chocolate, já teria demonstrado, em 2012, que os flavonóis do cacau poderiam aumentar a capacidade do cérebro.

17:44 · 18.03.2014 / atualizado às 17:46 · 18.03.2014 por
Foto: BBC Brasil
As amostras foram colocadas em uma incubadora a 17ºC, a temperatura geralmente encontrada entre os musgos na Antártida durante o verão. Depois de três semanas os primeiros brotos começaram a aparecer Foto: BBC Brasil

Pesquisadores descongelaram a vegetação antiga e ficaram surpresos com a rapidez com que os novos brotos apareceram.

Aterros de musgos são um dos traços mais curiosos da Antártida, formados durante milhares de anos a partir da acumulação destas plantas, que voltam à vida durante o breve verão da região.

Os aterros mais antigos podem chegar a 5 mil anos de idade e podem também funcionar como uma espécie de arquivo para os cientistas estudarem as condições climáticas no passado.

Pesquisadores já tentaram ressuscitar musgos , mas, até esta última tentativa, eles apenas tinham conseguido cultivar material que estava preso no gelo por cerca de 20 anos.

Amostras mortas

Os cientistas da British Antarctic Survey (BAS) e da Universidade de Reading coletaram amostras que pareciam mortas e estavam em uma camada profunda do permafrost, o solo formado por terra, gelo e rochas permanentemente congelados, e ressuscitaram estas amostras.

De acordo com a datação por carbono, as amostras têm 1.530 anos de idade. As amostras foram colocadas em uma incubadora a 17ºC, a temperatura geralmente encontrada entre os musgos na Antártida durante o verão. Depois de três semanas os primeiros brotos começaram a aparecer.

“Várias pessoas nos perguntaram se fizemos algo complicado para fazer (o musgo) crescer de novo. Nós basicamente cortamos no meio, colocamos na incubadora e fizemos o menos possível”, disse à BBC Peter Convey, da BAS.

Os pesquisadores podem não ter feito muito com as plantas, mas eles trabalharam muito para evitar a contaminação das amostras por outras formas de vida.

Ecossistema

Os musgos têm muita importância nos ecossistemas da Antártida, no sul, e do Ártico, no norte.

Eles têm um papel importante no armazenamento de carbono e, principalmente no Ártico, há o temor de que, à medida que as temperaturas aumentam no mundo, o permafrost poderá emitir ainda mais CO2 na atmosfera.

A dúvida é se a descoberta de que musgo da Antártida pode voltar à vida depois de 1,5 mil anos pode significar que a liberação de carbono não seja algo tão grave. No entanto, de acordo com Peter Convey, este não é o caso. O cientista afirma que a maior parte do musgo congelado no Ártico já está morto e não poderá ser ressuscitado e, por isso, o aquecimento naquela região vai liberar o carbono para a atmosfera.

Na Antártida, a situação pode ser diferente. “Em um mundo mais quente e úmido, os musgos crescem bem. A questão é quanto destes musgos descongelados vão crescer como reação às mudanças (climáticas) e quanto disso pode ser visto como dissipador de carbono”, afirmou.

Os pesquisadores também acreditam que a descoberta sinaliza que, nas circunstâncias certas, organismos multicelulares como estes musgos podem sobreviver mais tempo do que se imaginava.

Ressurreições anteriores

Outros pesquisadores já conseguiram ressuscitar bactéria, sendo que alguns alegam ter ressuscitado exemplares desses micro-organismos inativos há milhões de anos. Em 2012, na Rússia, cientistas conseguiram fazer germinar uma semente de 32 mil anos.

Com informações: BBC Brasil

21:57 · 28.12.2012 / atualizado às 14:59 · 29.12.2012 por
Leptobrachium leucops é uma das 126 espécies descobertas no Mekong Imagem: Jodi JL Rowley

O ano de 2012 terminou com uma ótima notícia para biodiversidade do planeta. Bem, pelo menos a notícia ainda é boa.

É que uma equipe de pesquisadores ligados à WWF (sigla inglesa para Fundo Mundial para a Natureza) descobriu 126 novas espécies animais e vegetais no Sudeste Asiático, na região conhecida como Grande Mekong (Camboja, Laos, Mianmar, Tailândia, Vietnã e um pedaço da China).

Entre as novas espécies encontradas estão um morcego vietnamita batizado de Murina beelzebub por causa de “sua aparência maligna”, um peixe cego,  uma víbora de olhos vermelhos e dois sapos curiosos: um que canta como pássaro e outro com olhos bicolores (Leptobrachium leucops, na foto acima)

No entanto, apesar do clima positivo da descoberta, boa parte das novas espécies já sofre ameaça de extinção. “Ainda que essas descobertas (datadas de 2011) reforcem o Mekong como uma região de biodiversidade incrível, muitas dessas novas espécies já estão lutando para conseguir sobreviver em habitats que estão encolhendo”, afirma Nick Cox, diretor da WWF na região.

Desde 1997, mais de 1,7 mil espécies foram identificadas pelos cientistas na região. Segundo Cox, o rio Mekong, que atravessa a área pesquisada, “contém biodiversidade aquática que só perde para o rio Amazonas e a caça ilegal é um dos maiores desafios para a sobrevivência de muitas das espécies no sudeste da Ásia”, conclui.

22:07 · 02.10.2012 / atualizado às 01:21 · 03.10.2012 por
Cultura do feijão de corda sofre com ameaça do inseto conhecido popularmente como gorgulho (do gênero Callosobruchus), mas além de alto valor nutritivo já apresentou alguns resultados positivos contra o câncer de mama Imagem: Seeds of India

A Ciência feita no Ceará tem mais um motivo para se orgulhar! E olha que foi com a ajuda de um velho conhecido, o feijão de corda (ou Vigna unguiculata, como manda a classificação científica).

É que o pesquisador Francisco de Assis Paiva Campos, do Departmento de Bioquímica e Biologia Molecular da Universidade Federal do Ceará (UFC) foi um dos 16 contemplados na edição especial de outubro da revista britânica Proteomics, dedicada inteiramente aos cientistas brasileiros. O professor Campos aparece na revista com o artigo “Mudança proteômica global em larvas de Callosobruchus Maculatus em seguida à ingestão de inibidor de proteinase cisteínica”.

Mas não se assuste com o título, trata-se simplesmente de um estudo sobre a utilização da engenharia genética a fim de aumentar a concentração de proteína no feijão de corda para inibir o desenvolvimento das larvas de um inseto muito conhecido do cearense, o gorgulho (justamente o tal Callosobruchus Maculatus). “A publicação desse trabalho evidencia o pioneirismo do nosso departamento no estudo das interações inseto-planta”, ressalta Campos.

” Nosso estudo mostrou, no entanto, que o inseto é capaz de se adaptar a uma dieta rica em inibidores de proteinases digestivas através da síntese de proteinases digestivas e outras enzimas que não são suscetíveis de serem inibidas pelos inibidores de proteinases cisteínicas”, explica o pesquisador. Isso abre um novo desafio na busca por uma forma orgânica (ou geneticamente  modificada) de combater à maior praga relacionada a essa cultura.

A propósito do feijão-de-corda, um estudo feito por cientistas da Universidade de Brasília (UnB) e divulgado em abril do ano passado, mostrou que uma molécula encontrada no grão, a BTCI, causa fragmentação genética e altera organelas citoplasmáticas das células ligadas ao câncer de mama, doença que afeta 49 em cada 100 mil pessoas.

Curiosidade: vários nomes para o nosso feijão de corda

Além do nome científico e do nome mais popular no Ceará, o feijão de corda, da família das fabáceas (ou leguminosas) e da classe das magnoliopsidas (dicotiledôneas), recebe dezenas de nome pelo Brasil a fora. Confira alguns deles:

– boca-preta
– ervilha-de-vaca
– favalinha
– feijão-alfanje
– feijão-besugo
– feijão-careta
– feijão-carita
– feijão-carito
– feijão-caupi (oriundo do tupi)
– feijão-chicote
– feijão-chícharo
– feijão-chinês
– feijão-congo
– feijão-da-china
– feijão-de-boi
– feijão-de-corda
– feijão-de-frade
– feijão-de-macáçar
– feijão-de-olho-preto
– feijão-de-vaca
– feijão-de-vara
– feijão-frade
– feijão-frade-comprido
– feijão-galego
– feijão-gurutuba
– feijão-lagartixa
– feijão-mancanha
– feijão-mineiro
– feijão-miúdo
– feijão-miúdo-da-china
– feijão-vinha
– feijãozinho-da-índia
– mebauene
– mucunha
– mulato-gelato

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