Diário Científico

Categoria: Catástrofes naturais


18:37 · 01.08.2018 / atualizado às 18:37 · 01.08.2018 por
Doença é uma das mais temidas do mundo, e consiste em febre hemorrágica causada por vírus que, em casos extremos, causa sangramento fatal em órgãos internos, boca, olhos ou ouvidos. Foto: Médicos sem Fronteiras

A República Democrática do Congo reportou nesta quarta-feira (1) um surto de Ebola no leste do país, devastado por conflitos, com 20 mortos, apenas uma semana depois de declarar o fim de uma epidemia no noroeste do país.

A província oriental de Kivu do Norte notificou o Ministério da Saúde de “26 casos de febre com indicações hemorrágicas, dos quais 20 foram fatais”, afirmou o ministro da Saúde, Oly Ilunga Kalenga, em um comunicado. O surto ocorreu na região de Beni, em Kivu do Norte – o bastião de uma milícia islamita ligada a Uganda chamada Forças Democráticas Aliadas (ADF).

“Neste ponto, não há indicação de que essas duas epidemias, que estão a mais de 2.500 quilômetros de distância, estejam conectadas”, disse. Seis amostras coletadas de pacientes hospitalizados chegaram a Kinshasa na terça-feira para análise pelo Instituto Nacional de Pesquisas Biomédicas (INRB), acrescentou. Das seis, quatro testaram positivo para a doença do vírus Ebola. Doze especialistas do Ministério da Saúde chegarão a Beni na quinta-feira (2), acrescentou Ilunga.

Surto anterior

Em 24 de julho, o próprio Ilunga declarou o fim de um surto de 10 semanas que atingiu o noroeste da República Democrática do Congo, causando 33 mortes e provocando preocupação internacional.

Os casos surgiram na cidade de Mbandaka, nas margens do rio Congo, com uma população de mais de um milhão de pessoas. Para muitos especialistas, a doença contagiosa em um ambiente urbano é muito mais difícil de conter do que no campo, especialmente em um país pobre com um sistema de saúde frágil.

A epidemia foi combatida com a ajuda da Organização Mundial da Saúde (OMS), que apressou a ajuda de emergência, incluindo equipamentos de proteção, e desbloqueou US$ 2 milhões em financiamento acelerado.

A OMS forneceu uma vacina chamada rVSV-ZEBOV, que provou ser altamente eficaz em testes durante a pandemia da África Ocidental.

A vacina sem licença foi dada aos trabalhadores da linha de frente na República Democrática do Congo.

Recorrência

O último surto é o décimo na RDC desde 1976, quando o vírus foi descoberto no norte do país, então chamado Zaire, e recebeu o nome de um rio próximo.

O Ebola, uma das doenças mais temidas do mundo, é uma febre hemorrágica causada por vírus que, em casos extremos, causa sangramento fatal em órgãos internos, boca, olhos ou ouvidos.

O vírus tem um reservatório natural em uma espécie de morcego frugívoro tropical africano, a partir do qual acredita-se que salta para os humanos que matam os animais para alimentação. A transmissão entre os humanos, então, ocorre através de contato próximo com o sangue, fluidos corporais, secreções ou órgãos de alguém que está infectado com Ebola ou que morreu recentemente.

A taxa de mortalidade média é de cerca de 50%, variando de 25% a 90%, segundo a OMS. No pior surto de Ebola, a doença atingiu Guiné, Libéria e Serra Leoa, na África Ocidental, entre 2013 e 2015, matando mais de 11.300 pessoas.

Com informações: AFP

15:51 · 23.07.2018 / atualizado às 15:51 · 23.07.2018 por


Um incidente de proporções bíblicas: é assim que a imprensa local tem acompanhado a invasão de insetos que acontece em Vitebsk, cidade da Bielorrússia.

De acordo com a agência russa de notícias Sputnik, diversos residentes postaram vídeos com milhares de insetos formando nuvens enquanto percorriam o céu da cidade. Os animais cobriram todas as superfícies por onde passaram – era possível vê-los principalmente próximos a postes de luz.

Por mais estranho que seja, os moradores locais estão acostumados ao fenômeno, que acontece todos os anos durante o verão. No entanto, a quantidade de mosquitos este ano não tem precedentes na história da cidade – que, em alguns pontos, parece estar coberta de neve por conta da quantidade de animais.

Embora assustadores e incômodos, os insetos não representam nenhum perigo. Ainda de acordo com cientistas locais, eles migram todos os anos do rio Daugava, que nasce próximo à fronteira com a Rússia e corta todo o país, durante a temporada de acasalamento.

Com informações: Estadão Conteúdo

15:48 · 13.06.2018 / atualizado às 15:48 · 13.06.2018 por
Fotomontagem mostrando como jipe da Agência Espacial Norte-Americana deve ter sido atingido por fenômeno no ‘Planeta Vermelho’ Imagem: Canadian Home Steading

Por Salvador Nogueira

O jipe Opportunity pode estar enfrentando sua situação mais crítica desde que pousou em Marte, quase 15 anos atrás. Uma tempestade global de poeira se espalha pelo planeta vermelho, e a Nasa confirmou que perdeu contato com o rover.

Presume-se que as condições na região onde o veículo opera, o chamado Vale da Perseverança, se tornaram tão severas que a bateria interna caiu abaixo de 24 volts. Quando isso acontece, o computador de bordo entra num estado operacional de emergência, desligando todos os subsistemas menos um relógio interno.

Com isso, a única tarefa do jipe é se “acordar” de tempos em tempos para checar o nível da bateria, que é recarregada pelos painéis solares -mas só quando há luz solar disponível, o que no momento se torna uma virtual impossibilidade por conta da tempestade de areia.

O fenômeno atmosférico começou em 30 de maio e já recobre um quarto da superfície de Marte. O último contato que o controle da missão teve com o Opportunity foi no último domingo, quando a situação já era crítica. A Nasa realiza nesta quarta uma teleconferência para detalhar a situação do Opportunity e contar como seus orbitadores em Marte estudam a tempestade e seus efeitos. O maior problema é que o jipe se mantenha sem energia e isso prejudique o aquecimento interno de seus circuitos. No domingo, a temperatura interna era de -29 °C. A tempestade de poeira tende a reduzir a amplitude da variação de temperatura na superfície marciana ao longo do dia, o que é uma boa notícia, mas talvez insuficiente para manter o jipe saudável.

O Opportunity e seu irmão gêmeo Spirit chegaram a Marte em 2004. A missão dos dois originalmente devia durar 90 dias. O Spirit operou até 2010. E o Opportunity, depois de percorrer mais que uma maratona em solo marciano, pode agora estar enfrentando seu ocaso.

Além deles, opera atualmente em Marte o jipe Curiosity, que é mais resiliente contra tempestades de areia, por ser alimentado por uma bateria de plutônio, em vez de energia solar.

Com informações: Folhapress

16:31 · 28.05.2018 / atualizado às 16:36 · 28.05.2018 por
Concepção artística do vírus ebola se espalhando pela corrente sanguínea de uma pessoa infectada Imagem: Northumbria University

Um grupo de cientistas do Quênia garantiu ter descoberto duas vacinas contra o ebola, que estão sendo testadas em seres humanos para comprovar se há efeitos secundários, informou nesta segunda-feira (28) o jornal The Standard.

Os pesquisadores, que pertencem ao Instituto de Pesquisa Médica do Quênia (Kemri, na sigla em inglês), estão realizando testes no leste do país para avaliar a segurança das vacinas, que seriam utilizadas contra duas cepas diferentes do vírus ebola. “Queremos averiguar como o sistema imunológico do corpo responde às vacinas”, explicou um dos cientistas da equipe, Josephat Kosgei.

A segunda fase do estudo começou em março de 2017, com 122 participantes que receberam ambas as vacinas.

Agora, os cientistas vão aguardar outros seis meses para começar a analisar os dados coletados.

O diretor do laboratório onde estão sendo testadas as vacinas no condado ocidental de Kericho, Fredrick Sawe, afirmou que o estudo é uma “conquista” na busca de uma vacina contra o ebola. “Para saber que a vacina contra o ebola está funcionando, é necessário administrá-la a uma comunidade que tem ebola”, assinalou Sawe.

O ebola voltou a causar alarde nas últimas semanas no noroeste da República Democrática (RD) do Congo, onde um surto já causou 12 mortes confirmadas – um número que chega a 25 se forem levadas em conta todos as mortes com sintomas da doença – e 35 casos positivos. O surto de ebola, que foi detectado em princípio nas zonas rurais e depois alcançou a área urbana de Mbandaka, é o nono na RD do Congo desde a descoberta do vírus em 1976 nesse mesmo país, que então se chamava Zaire.

Na RD do Congo está acontecendo uma campanha de imunização na qual está sendo utilizada a vacina experimental rVSV-ZEBOV, que já foi testada em Guiné, após a epidemia de 2014 a 2016.

Com informações: Agência Brasil

16:51 · 11.05.2018 / atualizado às 16:52 · 11.05.2018 por
Centenas de pessoas foram obrigadas a abandoar a região como medida de segurança e lava destruiu diversas estruturas urbanas Foto: AFP

Cientistas alertaram nesta sexta-feira (11) para o risco de uma erupção em grande escala do vulcão Kilauea do Havaí, que está em atividade há vários dias.

A erupção começou na semana passada no arquipélago norte-americano e agora está ainda mais intensa, informou o Serviço de Parques Nacionais, que nesta sexta-feira decidiu fechar o parque em que se localiza o vulcão. De acordo com os cientistas, os níveis de lava dentro da cratera estão diminuindo, o que poderia ser o prelúdio de uma grande erupção, afirmou a geofísica Ingrid Johanson, do Centro Geológico dos Estados Unidos (USGS), ao jornal Los Angeles Times.

O cientista Donald Swanson, também da USGS, disse que a água poderia começar a mesclar-se com o magma e gerar vapor. E se o vapor provocar um aumento da pressão, “isto pode provocar repentinamente uma explosão”.

O Kilauea é um dos vulcões mais ativos do mundo e um dos cinco do Havaí.

Sua erupção na semana passada foi precedida por um terremoto de 5 graus de magnitude em sua parte sul. Na sexta-feira passada foi registrado um terremoto de 6,9 graus, o mais potente no Havaí desde 1975.

Centenas de pessoas foram obrigadas a abandoar a região como medida de segurança e lava destruiu algumas estruturas na área conhecida como Leilani Estates.

Com informações: AFP

16:25 · 01.02.2018 / atualizado às 16:25 · 01.02.2018 por
Mudanças climáticas estão reduzindo o habitat desses animais, forçando-os a ir cada vez mais longe para buscar comida durante o degelo, gastando mais energia que conseguem repor Foto: National Geographic

Os ursos polares têm taxas metabólicas mais altas do que se pensava e isso explica por eles têm sido incapazes de conseguir alimentos em quantidade suficiente para suas necessidades, de acordo com um novo estudo.

De acordo com os autores, publicada nesta quinta-feira (1), na revista Science, a pesquisa mostra quais são os mecanismos fisiológicos por trás do declínio já observado nas populações e nas taxas de sobrevivência dos ursos polares.

“Temos documentado, ao longo da última década, o declínio nas taxas de sobrevivência, nas condições de saúde e nos números populacionais do urso polar. Ao calcular as necessidades energéticas reais dos ursos polares e observar com que frequência eles são capazes de caçar focas, esse estudo identificou os mecanismos que estão levando a esses declínios”, disse o autor principal da pesquisa, Anthony Pagano, da Universidade da Califórnia em Santa Cruz.

Pagano explica que o declínio das populações de ursos já era associado às mudanças climáticas que estão reduzindo o habitat desses animais, forçando-os a ir cada vez mais longe para buscar comida durante o degelo. Mas a conta não fechava, porque não se sabia que os ursos precisavam de tanta energia – os estudos anteriores se baseavam em estimativas de uma taxa metabólica 50% mais baixa.

Monitoramento

Para realizar o novo estudo, os cientistas monitoraram o comportamento dos ursos, a frequência de sucesso na caça e as taxas metabólicas de fêmeas adultas sem filhotes quando elas buscavam presas no gelo do Mar de Beaufort durante a primavera.

O monitoramento foi feito com coleiras hi-tech, que registravam em vídeo as andanças dos animais, rastreando seu deslocamento, seu comportamento e os níveis de atividade em períodos de oito a 11 dias. Foram utilizados também sensores de atividade metabólica para determinar quanta energia os animais gastavam em suas atividades.

Com isso, os cientistas descobriram que as taxas metabólicas registradas eram, em média, 50% mais altas do que as estimadas por estudos anteriores. Cinco dos nove ursos estudados perderam muito peso e não conseguiram caçar focas em número suficiente para suprir seus gastos de energia.

“A pesquisa foi feita no início do período que vai de abril a julho, quando os ursos polares capturam a maior parte das suas presas e conseguem acumular a maior parte da gordura corporal que eles precisam para sustentá-los pelo resto do ano”, disse Pagano.

O cientista afirma que as mudanças climáticas têm efeitos dramáticos no gelo do mar do Ártico, forçando os ursos polares a percorrer distâncias maiores e dificultando a busca de presas.

No Mar de Beaufort, as geleiras marinhas começam a recuar a partir da plataforma continental em julho, quando a maioria dos ursos se move em direção ao norte à medida que o gelo se retrai.

Derretimento do gelo

Com o aquecimento do Ártico, mais gelo derrete nesse processo, obrigando os ursos a percorrer distâncias maiores que no passado. Isso faz com que eles gastem mais energia durante o verão, quando eles ficam em jejum até que o gelo volte, no outono, à plataforma continental. Em outras áreas, como na Baía de Hudson, a maior parte dos ursos vai para a terra quando o gelo marinho recua. Ali, o aquecimento do Ártico faz com que o gelo marinho se rompa mais cedo no verão e volte a se formar mais tarde no outono, forçando os ursos a ficarem mais tempo em terra.

“De qualquer maneira, a questão continua sendo quanta gordura eles podem acumular antes que o gelo comece a recuar e quanta energia eles terão que gastar. Nós descobrimos que os ursos polares têm uma necessidade de energia muito mais alta do que o estimado”, afirmou Pagano. Na primavera, os ursos polares caçam principalmente as focas que nasceram recentemente e que são mais suscetíveis que as focas adultas. No outono, quando as jovens focas já estão mais velhas e espertas, os ursos não conseguem tantas presas. “Calculamos que os ursos podem capturar até duas focas no outono. Na primavera e no começo do verão, eles caçam de cinco a 10 focas”, disse Pagano.

Os cientistas da Universidade da Califórnia em Santa Cruz têm estudado os ursos polares no Mar de Beaufort desde a década de 1980. Segundo Pagano, a estimativa populacional mais recente indica que o número de ursos polares caiu cerca de 40% na última década. Mas, segundo Pagano, era difícil estudar a biologia fundamental e o comportamento dos ursos polares em um ambiente tão remoto e hostil. “Agora nós temos a tecnologia para descobrir como eles se movem no gelo, quais são seus padrões de atividades e suas necessidades energéticas, de forma que podemos entender melhor a implicações das mudanças que estamos observando no gelo marinho” afirmou Pagano.

Com informações: Estadão Conteúdo

16:08 · 27.09.2017 / atualizado às 16:11 · 27.09.2017 por
Mesmo faltando mais de três meses para o fim do ano, as 97 mortes desses animais nas praias do país já superam a marca anterior que era de 96 em 2010 Foto: Projeto Baleia Jubarte

Impulsionadas pelas mudanças climáticas e pelo crescimento na população, o total de baleias jubartes encalhadas na costa brasileira bateu recorde neste ano.

Dados do Instituto Baleia Jubarte (IBJ), em Caravelas (BA), apontam que o número de encalhes desses cetáceos em 2017 já é de 97, superando o recorde anterior, de 2010, com 96.

Os encalhes são normalmente observados no período de julho a novembro, quando as jubartes chegam ao atlântico sul para atividades reprodutivas. Bahia, com 39 encalhes, é o Estado com maior número de ocorrências, seguido de Espírito Santo (29), Rio de Janeiro (14), Alagoas (8), São Paulo (4), Sergipe (2) e Rio Grande do Sul (1). Entre as causas apontadas, segundo pesquisadores, a mais importante tem sido a influência das mudanças climáticas e o impacto disso na produção do krill (um pequeno crustáceo que é o alimento da espécie), na Antártica.

O levantamento é produzido desde 2002 pelo IBJ, que faz parte da Rede de Monitoramento e Informação de Encalhes de Mamíferos Aquáticos do Brasil (Remab), coordenada nacionalmente pelo Instituto Chico Mendes para a Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

“Temos dados que apontam que a oferta de krill no hemisfério Sul na área de alimentação diminuiu nos últimos três anos, possivelmente influenciado pelo El Niño intenso que tivemos em 2015”, disse Milton Marcondes, coordenador de pesquisa do IBJ. O consenso dos pesquisadores é que o crustáceo também foi a razão para o alto índice de encalhes no ano de 2010, número que surpreendeu a todos. Em todo o ano passado, foram achadas 78 baleias jubartes encalhadas nas praias do litoral brasileiro, alguns dos quais no primeiro semestre. A avaliação é que o encalhe no primeiro semestre, raro, se deve a animais que permaneceram no Brasil e não fizeram o caminho de volta para as áreas polares.

As jubartes se alimentam durante o verão nas regiões polares e depois passam o resto do ano queimando a gordura que acumularam. De acordo com o pesquisador, se uma fêmea não conseguiu se alimentar direito, pode ter problemas na travessia até o atlântico sul. Para Marcondes, a influência climática sobre a oferta de alimentação das baleias é preocupante. “É importante entender como variações climáticas podem afetar o krill e como isso se reflete na população de jubartes, pois mudanças na oferta de alimento têm potencial para impactar toda a população.”

Além da questão nutricional, o aumento populacional tem sido outra causa discutida. A população de jubartes vem crescendo após ter sido quase dizimada pela caça comercial. A contagem é feita por amostragem, em sobrevoos no litoral brasileiro, na região do Banco de Abrolhos. Em 2002, durante sobrevoo no litoral da Bahia e Espírito Santo, o IBJ estimou a população em 3.400 baleias. Em 2015, a população já tinha crescido para 17 mil.

Em 2017, conforme projeções, essa população chegou a 20 mil indivíduos. “Com muito mais baleias no mar é esperado que tenhamos mais encalhes daquelas que morrem por causas naturais e das que morrem em função de atividades causadas pelo ser humano”, disse Marcondes. Entre essas causas estão poluição, atropelamento por navios e equipamento de pesca.

Não se sabe ao certo a quantidade de baleias que morrem na travessia. A maior parte morre no mar e algumas carcaças, dependendo do vento, vão parar nas praias. Apenas 15% encalham com vida, afirmam os pesquisadores.

Filhotes

O recorde de encalhes ainda não chega a afetar o ecossistema nem impactar na recuperação da população de baleias, mas os pesquisadores estão atentos à quantidade de filhotes que chegam às praias (52% do total).

Para Marcondes, entre as razões para isso estão o fato de estarem mais sujeitos à ação de predadores (tubarões e orcas), terem baixa imunidade e a necessidade de ficarem mais próximos da superfície e subir mais vezes para respirar.

Segundo ambientalistas, os filhotes só sobrevivem se estiverem com suas mães. “Se ele está aparentemente sadio, nós fazemos uma tentativa de devolvê-lo ao mar, mesmo sabendo que as chances de ele voltar a encontrar sua mãe são mínimas.” As baleias adultas representam 25% dos encalhes e 23% são considerados indivíduos juvenis.

Subestimados

Os números podem estar subestimados, já que as instituições necessitam do apoio da população para a localização dos encalhes.

Em Alagoas, o Instituto Biota de Conservação tem feito campanhas e treinado a população para a informação e cuidados com os animais ainda vivos, até a chegada do resgate.

“As redes sociais têm facilitado bastante, pois recebemos as informações de encalhes e denúncias quase em tempo real”, disse Luciana Medeiros, veterinária e diretora-executiva do Biota.

Em 2016 eles reforçaram o sistema de comunicação com o lançamento de um aplicativo para smartphone, o BiotaMar, pelo qual podem ser enviadas fotos e localização exata do achado. Neste ano, foram localizados oito encalhes, todos filhotes. Apenas uma foi reintroduzida no mar -as outras eram só carcaça-, mas em seguida morreu.

Com informações: Folhapress

23:32 · 22.07.2016 / atualizado às 23:34 · 22.07.2016 por
Foto: Nasa
Foto: Nasa

Explosões inesperadas provocaram medo entre os habitantes da cidade de General Roca, no sul da Argentina, até ser revelado que a origem do fenômeno era um meteoro que se desintegrou antes de atingir o solo.

O incidente ocorreu na tarde de quarta-feira (20), mas só nesta sexta-feira (22) foi esclarecido. Devido à potência dos estrondos, vários edifícios tremeram e quase quebraram os vidros. Alguns moradores pensaram que se tratava de um terremoto.

“Tremeu tudo”, resumiu o prefeito da cidade, Martín Soria, mas nada foi encontrado na zona por bombeiros, policiais e funcionários da Defesa Civil que buscavam rastros que explicassem o fenômeno. General Roca está 1.100 km a sudoeste de Buenos Aires.

Fragmentação

Finalmente o mistério foi revelado: o causador dos estrondos havia sido um meteoro que entrou na atmosfera a uma velocidade de 2.400 quilômetros por hora, entre 8.000 e 10.000 metros de altura.

“Surpreendeu porque caiu na atmosfera sobre uma zona habitada. Se caísse no deserto, no mar, na Antártica, não saberíamos”, explicou o astrônomo Roberto Figueroa, responsável pelo Observatório Astronômico de Neuquén (perto de General Roca), que revelou o mistério à imprensa local.

O cientista estimou que o meteorito tinha 12 metros de diâmetro e se dilatou até se romper em três fragmentos.

Com informações: AFP

23:13 · 19.07.2016 / atualizado às 23:21 · 20.07.2016 por
Foto: Oregon State University
Estudando o supervulcão de Toba, na Indonésia, que entrou em erupção pela última vez há 74 mil anos, os pesquisadores revelaram que ele é alimentado por um profundo sistema de bombeamento de magma Foto: Oregon State University

Um novo estudo feito por cientistas da Rússia desvendou o mecanismo que controla os supervulcões – classificação atribuída aos vulcões que causaram as erupções mais devastadoras na Terra. Os pesquisadores conseguiram explicar por que eles têm tanto magma, mas entram em atividade muito raramente.

Estudando o supervulcão de Toba, na Indonésia – que entrou em erupção pela última vez há 74 mil anos, produzindo uma catástrofe global -, os pesquisadores revelaram que esse tipo de vulcão é alimentado por um complexo e profundo sistema de bombeamento de magma.

A mais de 150 quilômetros de profundidade, sob as placas tectônicas sobrepostas, esse sistema envia gases e magma, que ficam armazenados em um imenso reservatório a 75 quilômetros da superfície. O mesmo tipo de sistema foi identificado também no supervulcão de Yellowstone, nos Estados Unidos.

Quando o reservatório de magma atinge um nível crítico e pressão por causa dos gases armazenados, o reservatório se esvazia, produzindo uma erupção de grande escala.

O estudo, publicado na revista científica Nature Communications, foi liderado por Ivan Koulakov, chefe do Laboratório de Sismologia do Instituto de Geologia e Geofísica de Petróleo da Rússia.

Efeito devastador

O supervulcão de Toba produziu um efeito devastador no clima global e na biosfera, quando literalmente explodiu pela última vez, há 74 mil anos, lançando pelos ares 2,8 mil km³ de material.

Para se ter uma ideia da escala, basta fazer uma comparação com os 4 km³de material ejetado pela conhecida erupção do Monte Vesúvio, no ano 79 – que destruiu as cidades de Pompeia e Herculano, matando cerca de 16 mil pessoas – que liberou uma energia térmica mil vezes maior que a da bomba de Hiroshima.

Alguns cientistas defendem a chamada Teoria da Catástrofe de Toba: a erupção devastadora há 74 mil anos teria obscurecido a luz solar, fazendo as temperaturas caírem mais de cinco graus Celsius por alguns ano – o que teria acabado com várias espécies quase extinguindo os ancestrais dos humanos. A catástrofe de Toba explicaria, portanto, um dos principais mistérios da genética.

Estudos genômicos mostram que os genes de todos os seres humanos atuais têm origem em apenas algumas milhares de pessoas que viveram há alguns milhares de anos, em vez de fazerem parte das linhagens humanas muito mais antigas, como seria coerente com os registros fósseis. Todos os seres humanos seriam descendentes dos sobreviventes da erupção do Toba.

O poder das erupções vulcânicas é medido com o Índice de Explosividade Vulcânica (VEI, na sigla em inglês). A escala vai de 1 a 8, sendo que cada ponto significa uma erupção 10 vezes maior que o precedente. Só os supervulcões, como o de Toba e o de Yellowstone, têm erupções de magnitude 8. Nenhum deles explodiu nos últimos 20 mil anos.

Com informações: Agência Estado

20:43 · 12.07.2016 / atualizado às 23:22 · 12.07.2016 por
Foto: Inquisitr
Infraestrutura antiga, riscos sobre o abastecimento de água e de incêndios destrutivos são alguns dos pontos fracos que precisam ser resolvidos na perspectiva de um terremoto de até oito graus de magnitude na escala Richter Foto: Inquisitr

Além do sol, das palmeiras e de Hollywood, há uma grande certeza na Califórnia: a de que um violento terremoto vai ocorrer em algum momento.

Um relatório recente afirma que este estado do sudoeste dos Estados Unidos não está preparado para o ‘Big One’ (o grande), e as autoridades locais e as principais empresas têm de enfrentar essa realidade para “evitar que o desastre inevitável se transforme em uma catástrofe”.

Infraestrutura antiga, riscos sobre o abastecimento de água e de incêndios destrutivos são alguns dos pontos fracos que devem ser resolvidos na perspectiva de um terremoto de até oito graus de magnitude na escala Richter ao que a Califórnia está exposta, indicou um grupo de empresários e políticos no relatório.

O calcanhar de Aquiles do estado, segundo o documento, é o Cajon Pass, uma estreita passagem montanhosa onde a impressionante falha geológica de San Andreas passa debaixo de vias vitais como estradas, trechos ferroviários, aquedutos, oleodutos, gasodutos e cabos de alta tensão da rede elétrica.

Um sismo provocado por movimentos de placas da falha de San Andreas cortaria quase toda a passagem para o sul do estado, impedindo o fornecimento de ajuda humanitária a cerca de 20 milhões de pessoas e complicando o trabalho de reconstrução, afirmam os especialistas. As rupturas de oleodutos poderiam gerar explosões e incêndios que seriam difíceis de controlar.

“Quando o terremoto ocorrer, todos os aquedutos se romperão ao mesmo tempo”, explicou a sismóloga Lucy Jones, assessora da comissão de Redução de Riscos de Desastres do sul da Califórnia, que produziu o relatório. A única maneira de remediar isto, segundo Jones, é buscar fontes de água alternativas, incluindo aquíferos poluídos debaixo da região de Los Angeles que poderiam ser tratados, embora a um custo muito alto. “A melhor defesa contra um aqueduto partido é não precisar de um aqueduto”, afirmou Jones.

Instalar válvulas automáticas de interrupção nos gasodutos e oleodutos próximos à falha de San Andreas também poderia evitar incêndios, indica o relatório. A energia solar poderia servir para manter a comunicação com o resto do mundo quando o ‘Big One’ tiver cortado o abastecimento de eletricidade.

‘Todos juntos nessa’

Muitos edifícios e casas no sul da Califórnia correm o risco de desabar.  Estas localidades deveriam seguir o exemplo de Los Angeles e exigir a modernização das suas estruturas, recomendam os especialistas.

Além disso, as normas de construção devem ser atualizadas para garantir também que as estruturas possam continuar funcionando após um grande terremoto. “Hoje estamos incorporando uma grande vulnerabilidade econômica nas construções”, comentou Jones. “Não vamos matar pessoas com estes edifícios, mas não poderemos usá-los depois, e isso é grave”.

“Por um custo 1-2% maior poderíamos, muito provavelmente, construir edifícios que continuem sendo utilizáveis”, garantiu. Segundo simulações da Agência geológica americana (USGS), um terremoto de 7,8 graus de magnitude na ponta sul da falha de San Andreas causaria um tremor de cerca de dois minutos, mataria ao menos 1.800 pessoas, deixaria cerca de 53.000 feridos e geraria danos materiais no valor de 213 bilhões de dólares.

O maior terremoto já registrado na Califórnia foi o de Fort Tejon em 1857, que provocou uma ruptura de 360 km na falha de San Andreas. Os cientistas dizem que, desde então, a pressão e a energia sísmicas aumentaram de maneira dramática ao longo da falha, que marca o limite entre duas placas tectônicas, uma da América do Norte e outra do Pacífico.

“É inevitável que ocorra um grande terremoto porque a pressão tem que ser aliviada”, afirmou Robert Graves, sismólogo da USGS. Dada a certeza de que o desastre ocorrerá, a Califórnia deve agir em relação às suas vulnerabilidades para limitar os danos, indicou Graves.

“Se todos os edifícios do meu bairro desmoronam e os sistemas de abastecimento de água e eletricidade não funcionam, não importa se a minha casa está intacta. Estamos todos juntos nessa”, completou.

Com informações: AFP

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