Diário Científico

Categoria: Ciência na web


17:16 · 16.01.2018 / atualizado às 17:16 · 16.01.2018 por
Para o jornalista Nicolas Chevassus-au-Louis, as “fake news”, procedem de uma mesma retórica apoiada em “versões alternativas” para explicar “inconsistências teóricas”. Um caso é a aparente imunidade da Antártida ao aquecimento global Foto: Marine Bio

A internet contribuiu também para propagar notícias científicas falsas, como dizer que a Terra é plana, que os americanos jamais pisaram na Lua e que o homem não é responsável pelas mudanças climáticas, alertam os cientistas.

O perigo destas teorias cientificamente invalidadas é que às vezes são aceitas por parte do grande público, como acontece com as “fake news” em geral. Um estudo recente na França mostrou que 79% dos cidadãos acreditam em ao menos uma teoria da conspiração. Por exemplo, 16% pensam que o homem não chegou à Lua e 9% acham “possível” que nosso planeta seja plano.

No âmbito climático, “enfrentamos uma vontade deliberada de manipular a opinião pública e os que decidem”, disse a climatologista Valérie Masson-Delmotte, convidada recentemente a participar de um colóquio em Paris.

Aqueles que Masson-Delmotte, membro do grupo de especialistas da ONU sobre o clima (IPCC), chama de “comerciantes da dúvida” buscam essencialmente, segundo ela, limitar a regulação ambiental. Mas as motivações dos propagadores das notícias falsas não são só econômicas: podem ser religiosas, ideológicas ou às vezes mais pessoais, como a busca de visibilidade.

Retórica comum

Para o jornalista especializado Nicolas Chevassus-au-Louis, as notícias falsas, científicas ou não, “procedem de uma mesma retórica”: “Se começa suscitando uma dúvida. O método mais eficaz consiste em ressaltar as supostas incoerências da versão oficial, aferrar-se a um detalhe e insistir ao máximo sobre ele”, explica.

Por exemplo, uma pergunta recorrente é: “Você não acha estranho que a Antártida não pareça estar derretendo?”. Depois se apresentam “versões alternativas”, como a ideia de que as mudanças climáticas poderiam estar ligadas à atividade solar e não à do homem, como foi estabelecido cientificamente. Com testemunhos de personalidades e publicações apresentadas como científicas, tenta-se convencer finalmente sobre a veracidade da versão alternativa, segundo Chevassus-au-Louis.

Fatos X opinião

Discernir entre uma informação rigorosa e verificável e uma opinião pode ser, além disso, mais difícil para o público quando se trata de temas científicos.

“Todos temos uma responsabilidade, o ensino, os meios, os pesquisadores e os organismos, por não termos conseguido mostrar essa diferença”, explica Masson-Delmotte.

Paralelamente, os especialistas ressaltam que a ciência esbarra em outras dificuldades para chegar ao grande público. No ano passado, “33% dos artigos sobre clima na imprensa anglo-saxã mais populares na internet continham informações falsas”, embora não fossem mal intencionadas, afirma o climatologista Emmanuel Vincent.

Masson-Delmotte explica que a internet aumentou a discrepância entre os ritmos da atualidade e o conhecimento científico. Por exemplo, quando vários furacões afetaram o Atlântico em setembro passado, os meios se perguntaram se estes fenômenos extremos estavam ligados ao aquecimento global, uma resposta impossível de se dar imediatamente, para os especialistas.

Estes resultados científicos estiveram disponíveis vários meses depois, “mas só obtiveram um lugar muito limitado nos meios”, lamenta Masson-Delmotte.

Com informações: AFP

09:30 · 03.01.2015 / atualizado às 09:43 · 03.01.2015 por
Foto: ESA
Talvez o feito científico mais notável de 2014 (e até do século XXI) tenha sido o pouso do robô Philae, da Agência Espacial Europeia, no cometa 67P/ Churyumov-Gerasimenko, em 12 de novembro. Foi a primeira vez que um objeto construído pela Humanidade pousou em um cometa  Foto: ESA

Em 2014, o blog mudou de nome. Embora, sem desviar o olhar das pesquisas e descobertas científicas feitas no Ceará, nossa cobertura nacional e internacional foi amplificada no ano que passou.

Daí resolvemos mudar de Ceará Científico para Diário Científico, valorizando também o espaço que nos é concedido naquele que é o jornal de maior circulação do Estado, o Diário do Nordeste, que em 2014 também ampliou sua atuação em plataformas digitais.

Mas o ano que se encerrou na última quarta-feira, não foi de mudanças apenas em nosso blog, a Ciência também trouxe transformações, principalmente em nosso conhecimento sobre o espaço, sobre a saúde humana, sobre as origens da vida, sobre o mundo das partículas subatômicas.

Para relembrar as mais importantes descobertas e notícias científicas de 2014, o Diário Científico selecionou um post de cada mês, avaliado como o mais relevante publicado neste blog. Confira!

Janeiro

Nanopartículas transportadoras de proteína mostram eficácia contra câncer em metástase

Cientistas na Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, desenvolveram nanopartículas que permanecem na corrente sanguínea e matam células do câncer ao ter contato com elas. A equipe de Cornell criou nanopartículas que transportam a proteína Trail (que também significa “trilha”), que tem a capacidade de matar o câncer e já era utilizada em tratamentos experimentais, além de outras proteínas “grudentas”.

Fevereiro

Brasil lançou 80 veículos espaciais em 10 anos; confira entrevista com diretor do CLA

Pouca gente sabe, mas em média o Brasil lançou um foguete ao espaço a cada 46 dias entre 2003 e 2013. O feito fica ainda mais impressionante quando se considera um investimento para o setor aeroespacial que representa apenas pouco mais de 0,01% do Orçamento da União e que no dia 22 de agosto de 2003, uma explosão na principal base de lançamento de foguetes do país matou 21 dos mais brilhantes cientistas brasileiros.

Março

Brasil participa de descoberta de anéis de corpo celeste conhecido como centauro

Uma observação feita por astrônomos de vários países, incluindo pesquisadores do Brasil, permitiu a descoberta de anéis em um corpo celeste do sistema solar do tipo centauro, pequenos objetos que orbitam ao redor do Sol atravessando as órbitas dos planetas. O objeto, denominado Chariklo, está situado entre as órbitas de Saturno e Urano, e tem dois anéis, distantes cerca de 9 quilômetros um do outro.

Abril

Encontrado primeiro exoplaneta habitável do tamanho da Terra

Cientistas descobriram o primeiro planeta fora do Sistema Solar de tamanho semelhante ao da Terra e onde pode existir água em estado líquido, o que o torna habitável. A descoberta reforça a possibilidade de encontrar planetas similares à Terra.  “O que torna esta descoberta algo particularmente interessante é que este planeta, batizado de Kepler-186f, tem o tamanho terrestre”, destaca Elisa Quintana, astrônoma.

Maio

 Mosquitos da dengue podem transmitir nova doença: a febre chikungunya

Os mosquitos Aedes aegypti e A. albopictus – os mesmos que transmitem a dengue – são eficazes em transmitir a febre chikungunya. Os resultados para o Rio de Janeiro foram especialmente preocupantes: quase 90% dos mosquitos eram capazes de transmitir a doença sete dias após infectados. Em alguns casos os mosquitos já tinham uma carga suficiente na saliva apenas dois dias depois de receberem os vírus.

Junho

Projeto Andar de Novo é alvo de polêmica nas redes sociais

Críticos de Miguel Nicolelis, líder do projeto Andar de Novo, comemoraram o que teria sido um fracasso. Em vez do show de um paraplégico equipado com uma veste robótica, que andaria e chutaria uma bola só com a força do pensamento, o pontapé inicial do Mundial ganhou menos de três segundos de televisão. Esperança de um primeiro Prêmio Nobel verde-amarelo, Nicolelis culpou a Fifa pela exibição relâmpago de seu experimento na TV.

Julho

Pesquisadores encontram terceira população de ave ameaçada de extinção no Ceará

A equipe do Projeto Periquito Cara-Suja, parte do Programa de Conservação de Aves Ameaçadas da Aquasis, descobriu uma pequena população de periquitos-cara-suja, ave em perigo crítico de extinção, na região da Serra Azul no município de Ibaretama (CE). Ao todo foram identificados cinco indivíduos da espécie Pyrrhura griseipectus residindo em um ninho localizado em uma pequena cavidade no alto de um paredão.

Agosto

Sonda europeia é a primeira da História a entrar na órbita de um cometa

A sonda europeia Rosetta entrou  na órbita de um cometa, depois de ter passado quase uma década no seu encalço. A nave se aproximou do 67P/ Churyumov-Gerasimenko para investigar a estrutura e composição do astro. Uma das teorias sobre o início da vida na Terra postula que os primeiros ingredientes da chamada “sopa orgânica” vieram de um cometa. Os instrumentos da Rosetta devem observar o cometa por mais de um ano.

Setembro

Índia põe sonda em órbita de Marte na primeira tentativa; feito é inédito para um país asiático

A Índia se tornou o primeiro país asiático a colocar um satélite em órbita de Marte. Com a chegada da MOM (Mars Orbiter Mission), também batizada Mangalyaan (“nave marciana” em sânscrito), o segundo país mais populoso do mundo venceu uma corrida particular contra seus rivais Japão e China. Ambos já haviam tentado estabelecer um orbitador ao redor do “Planeta vermelho” antes, mas fracassaram.

Outubro

Quatro estados nordestinos avistam clarão no céu; detrito do cometa Halley pode ser responsável

Moradores de Pernambuco, Paraíba, Alagoas e Rio Grande do Norte surpreenderam-se com um clarão repentino no céu no dia 15 daquele mês. O fenômeno que assustou muita gente e dominou as redes sociais na região chama-se bólido ou fireball (bola de fogo), segundo a Sociedade Astronômica do Recife. Segundo os astrônomos, a luminosidade é oriunda de aquecimento resultante do atrito com gases da atmosfera.

Novembro

Após pouso histórico em cometa, robô Philae pode ficar sem energia a qualquer momento

O veículo Philae, estabilizado na superfície de um cometa, está recebendo pouca luz em seus painéis solares, o que comprometeu a duração da sua bateria – e afetou a histórica missão da Agência Espacial Europeia (ESA). Cientistas que trabalham no projeto espacial analisam como movimentar o robô para que receba mais luz. O Philae está estacionado à sombra de um penhasco a 1km do local planejado.

Dezembro

Robô da Nasa acha moléculas orgânicas, possíveis sinais de vida, em Marte

A presença de metano na atmosfera de Marte e de elementos químicos orgânicos no solo do planeta vermelho são as mais recentes e provocantes descobertas do veículo explorador Curiosity, da Agência Espacial dos Estados Unidos (Nasa), na busca de pistas sobre a possibilidade de vida extraterrestre. Os cientistas disseram que o Curiosity captou irrupções esporádicas de metano, um gás que tem fortes conexões com a vida.

18:54 · 11.11.2014 / atualizado às 19:06 · 11.11.2014 por
Foto: Unesco
Objetivo é dar acesso a estudantes do mundo inteiro às informações mais recentes sobre a ciência, sobretudo em países pobres como o Sudão Foto: Unesco

A Unesco anunciou  o lançamento de uma biblioteca científica, de forma gratuita e multilíngue, a estudantes de todo o mundo, além da comunidade científica, por ocasião da jornada mundial da ciência ao serviço da paz.

Este instrumento, batizado como Biblioteca Mundial de Ciência (WLoS, por sua sigla em inglês), conta com a parceria e patrocínio da revista científica “Nature” e do laboratório farmacêutico “Roche”, indicou em comunicado a Agência da ONU para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco).

Seu objetivo é “dar acesso a estudantes do mundo inteiro, sobretudo nas regiões mais pobres, às informações mais recentes sobre a ciência”. Além disso, “os estudantes terão também a possibilidade de compartilhar suas experiências e lições através de debates com outros estudantes em um contexto de ensino compartilhado”.

Mais ciência

Por enquanto, a WLoS conta com mais de 300 artigos de referência, 25 livros e mais de 70 vídeos, cedidos pela “Nature”.

“O mundo necessita de mais ciência e cientistas para enfrentar os desafios atuais”, indicou a diretora geral da Unesco, Irina Bokova, que pediu “uma educação científica mais apropriada e acessível”.

Com informações: EFE / UOL Ciência

22:14 · 27.10.2014 / atualizado às 22:31 · 27.10.2014 por
Foto: HypeScience
Página do cosmólogo possui mais de 1,6 milhão de seguidores e seu post inaugural, mais de dez mil compartilhamentos e 100 mil curtidas Foto: HypeScience

No dia 7 de outubro, o astrofísico teórico e cosmólogo britânico Stephen Hawking, de 72 anos, abriu uma conta no Facebook.

Ninguém sabia, porém, o real objetivo de sua página até a última sexta-feira (24), quando o professor da Universidade de Cambridge publicou o seu primeiro comentário: “Eu sempre me perguntei sobre o que faz o Universo existir. Tempo e espaço podem ser um eterno mistério, mas isso não impediu minha busca. Nossas conexões entre um e outro cresceram infinitamente e agora que tenho a chance, estou ansioso para compartilhar essa jornada com você. Seja curioso, sei que sempre serei. Bem-vindo e obrigada por visitar minha página no Facebook”.

A vontade de explicar sobre seus trabalhos, pesquisas e questionamentos na rede social parece ter agradado o público: a página possui mais de 1,6 milhão de seguidores e seu post inaugural, mais de dez mil compartilhamentos e 100 mil curtidas.

Por enquanto, a conta não teve muitas atualizações – só duas, além da de estreia. Mas para quem é fã do intelectual, vale a pena ficar de olho nas novidades que seus posts tem a revelar.

Com informações: Isabella Carrera / Portal Revista Época

20:22 · 27.10.2014 / atualizado às 21:01 · 27.10.2014 por
Foto: Nigeria Communications Week
A IBM já havia transferido tecnologia ao governo nigeriano para coordenar esforços a fim de conter o vírus Foto: Nigeria Communications Week

A IBM anunciou nesta segunda-feira (27) que vai oferecer sua plataforma de análise e outras tecnologias para que sejam usadas nos países africanos afetados pela epidemia do ebola.

Em um comunicado, a empresa americana ofereceu sua assistência em Serra Leoa, um dos países mais atingidos por este vírus mortal, e perto da Nigéria, que foi declarada livre do ebola há uma semana.

A iniciativa permitirá aos cidadãos reportar temas vinculados ao ebola e suas preocupações através de mensagens de texto ou de voz para que as autoridades de saúde em Serra Leoa possam rastrear melhor a doença, segundo a empresa.

Utilizando a localização das chamadas, a IBM pode criar um mapa das áreas onde o vírus está se expandindo. “Vimos a necessidade de desenvolver rapidamente um sistema que permita às comunidades afetadas pelo ebola fornecer informação valiosa sobre como combater a doença”, afirmou Uyi Stewart, chefe da pesquisa científica da IBM para a África.

“Usando a tecnologia móvel, temos dado voz e um meio de comunicação para que seja enviadas informações diretamente ao governo”, acrescentou. A IBM transferiu tecnologia ao governo da Nigéria para coordenar seus esforços para conter o vírus.

A tecnologia, usada em outras missões, “ajudará a fortalecer a coordenação da resposta das equipes de emergência e garantir que o governo seja capaz de manejar e responder aos novos casos de ebola ou de futuras epidemias”, disse o comunicado.

A decisão foi anunciada em meio ao crescente interesse pelo uso da supercomputação para melhorar a detecção e a resposta à epidemia, que deixou cerca de 5.000 mortos, principalmente na Libéria, em Serra Leoa e na Guiné.

Na semana passada, a Microsoft anunciou que sua plataforma Azure estaria disponível para os pesquisadores que estudam a propagação do vírus.

23:25 · 17.09.2014 / atualizado às 23:40 · 17.09.2014 por
Foto: Reprodução da web
O projeto “Física Marginal” tem como maiores canais de divulgação: um blog homônimo que permite ao estudante, acessar conteúdos da disciplina; além de um canal de vídeo-aulas na rede social YouTube Foto: Reprodução da web

O cearense Idelfranio Moreira foi um dos 40 educadores brasileiros selecionados para participar do workshop YouTube EDU Academy, relacionado à plataforma online YouTube EDU, que traz vídeo-aulas de diversas disciplinas, em língua portuguesa. Ele participará do evento nesta quinta-feira (18), na sede do Google, em São Paulo.

Moreira é professor de Física há 20 anos e desde 2009 criou o projeto “Física Marginal”, cujos maiores canais de divulgação são: um blog homônimo que permite ao estudante, mediante cadastro gratuito, acessar conteúdos da disciplina; além de um canal de vídeo-aulas na rede social YouTube. Em ambos os meios, a iniciativa privilegia a elaboração de questões inspiradas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), incluindo plantões ao vivo nos últimos finais de semana que antecedem as provas.

Além do foco no Enem, outro diferencial do projeto “Física Marginal” é uma metodologia que traz nos enunciados de cada questão, temas que instiguem um maior interesse dos estudantes na resolução do problema apresentado. Segundo o educador, “celebridades, eventos, curiosidades, tudo pode se tornar uma questão de Física. Assim, vamos atraindo o público, fazendo com que resolver problemas passe a ser um momento privilegiado de estudo.”

Ele próprio relembra que o interesse pela disciplina surgiu aos 12 anos, na década de 1980, justamente assistindo ao seriado norte-americano MacGyver, ou “Profissão Perigo”, onde o protagonista era um agente secreto que combatia o crime, justamente utilizando de seus conhecimentos científicos, notadamente das leis da Física.

Canais de educação fazem sucesso na web

O sucesso de canais de educação no YouTube, tais como o “Física Marginal”, fez com que o gigante do compartilhamento de vídeos na web, com curadoria da Fundação Lemann, lançasse no Brasil, em 2013, a plataforma YouTube EDU, que hoje inclui cerca de 12 mil vídeos-aulas de diferentes disciplinas.

O evento desta quinta-feira (18) será restrito a quarenta educadores, previamente selecionados, em todo o País. O workshop YouTube EDU Academy tem como objetivo preparar professores para o uso de tecnologias e inovação capazes de acelerar o aprendizado e gerar impacto na educação brasileira.

A seleção levou em conta o número de visualizações de seus respectivos vídeos (canais mais populares) e consistiu em uma curadoria com quatro etapas e duração total de seis meses.

Agora, eles vão conhecer detalhes da nova plataforma e receber capacitação para aprimorar o uso da YouTube EDU, além de servir como multiplicadores da educação online no Brasil.

22:07 · 16.06.2014 / atualizado às 22:15 · 16.06.2014 por
Foto: Agência Estado
Juliano Pinto, que chutou a bola, descreveu sua emoção na hora: “voltei a ter a sensação de andar novamente”, disse Foto: Agência Estado

Desde a abertura da Copa, o que não falta no Brasil é especialista em neurociência. Críticos de Miguel Nicolelis, líder do projeto Andar de Novo, comemoram o que teria sido um fracasso.

Em vez do show de um paraplégico equipado com uma veste robótica, que andaria e chutaria uma bola só com a força do pensamento, o pontapé inicial do Mundial foi apenas um lance difícil de decifrar e que ganhou menos de três segundos de televisão.

O bate-boca desde então entrou no clima de contestação à Copa mesclada com campanha eleitoral. Os colunistas Reinaldo Azevedo e Diogo Mainardi, ambos da revista Veja e críticos notórios ao governo petista, atacaram o neurocientista simpatizante do PT, motivando debates em blogs e nas redes sociais.

“Isso não é ciência: é circo dos horrores. Não explore os paraplégicos”, publicou Mainardi no domingo, eriçando dezenas de réplicas no Twitter que questionavam as contribuições científicas do jornalista, morador de Veneza. Paulo Henrique Amorim, do blog Conversa Afiada, defendeu Nicolelis, dizendo que a mídia resolveu desqualificar um dos “maiores cientistas brasileiros vivos” por ter visto nele um “amigo de Lula”.

Esperança de um primeiro Prêmio Nobel verde-amarelo, Nicolelis culpa a Fifa pela exibição relâmpago de seu experimento na TV. Os 70 quilos de exoesqueleto afetariam o gramado, alegou a entidade ao vetar o equipamento dentro de campo.

Por outro lado, a grama aceitou o peso da esfera gigante que se abriu para revelar Jennifer Lopez, Claudia Leitte e Pitbull.

Inovação posta à prova

A polêmica pega carona na grandiloquência da promessa, que recebeu R$ 33 milhões da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) por garantir milagre comparável ao 14-Bis de Santos Dumont. O cientista Nicolelis considera que entregou o que prometeu, mas está pouco claro o grau de inovação da veste robótica.

“O exoesqueleto é para um grande espetáculo, ninguém sabe se vai ter aplicação clínica. Outros pesquisadores já estão mais avançados em suas pesquisas”, afirmou o neurocientista Stéfano Pupe, um dos dissidentes do Instituto Internacional de Neurociências de Natal Edmond e Lily Safra (IINN-ELS), praticamente esvaziado em 2011.

Em outubro passado, Nicolelis alterou o projeto inicial. Em vez de eletrodos implantados no cérebro, a captação do pensamento do paciente passou a ser feita por um capacete com sensores de eletroencefalografia (EEG), método menos invasivo, mas mais rudimentar, restrito a comandos como “para a frente, parar e chutar”, segundo Pupe.

A seu favor, Nicolelis afirma que “nenhum paciente havia usado o pensamento para controlar um exoesqueleto que devolve feedback para o usuário”. Essa contribuição será colocada na balança quando os resultados forem abertos à avaliação de outros cientistas, o que ainda não aconteceu.

Juliano Pinto, que chutou a bola, descreveu sua emoção na hora: “voltei a ter a sensação de andar novamente”, disse.

Com informações: Zero Hora

19:26 · 28.05.2014 / atualizado às 17:40 · 28.05.2014 por
Foto: EFE
Aos 72 anos, o pesquisador britânico sofre com uma grave doença (Esclerose Lateral Amiotrófica). Ele analisou aspectos políticos, psicológicos e até mesmo as cores dos uniformes dos times para chegar a uma conclusão sobre a melhor estratégia para a seleção de seu país Foto: EFE

Stephen Hawking, um dos mais respeitado físicos da atualidade, disse ter uma ‘fórmula secreta’ para que a Inglaterra tenha mais chances de vencer a Copa do Mundo, apesar de não ser apontada como uma das principais favoritas.

Aos 72 anos, ele sofre com uma grave doença, mas fez análises elaboradas sobre aspectos políticos, psicológicos e até mesmo sobre as cores dos uniformes dos times para chegar a uma conclusão. De quebra, ele chamou o uruguaio Luis Suárez de “bailarina”.

“Estatisticamente, o uniforme vermelho da Inglaterra é mais vitorioso e também deveríamos jogar no 4-3-3 em vez do 4-4-2. Psicólogos alemães descobriram que o vermelho faz os adversários se sentirem mais acuados, pois a cor mostra uma maior agressividade e dominância”, explicou Hawking.

Por outro lado, o físico admitiu que jogar no Brasil, tão longe de casa, poderá ser um problema: “Como todos os animais, a seleção inglesa é uma criatura que tem hábitos. Estar perto de casa reduziria as diferenças culturais. Nós jogamos melhor em climas temperados e de baixa altitude”.

Reprovação de Suárez

Após mais algumas análises, ele acabou cutucando o atacante uruguaio Luis Suárez, do Liverpool.

“Os dados mostram também que devemos torcer para que árbitros europeus apitem os nossos jogos. Árbitros europeus são mais simpáticos ao estilo de jogo da Inglaterra e menos simpáticos com ‘bailarinas’ como o [Luis] Suárez”, alfineta.

Por fim, ele explicou até mesmo como se deve bater um pênalti, sempre que possível usando atacantes: “A chave do sucesso em um pênalti é dar uns três passos e colocar alguma aceleração na bola, mas velocidade não é nada sem colocação”.

Hawking tem uma doença degenerativa (Esclerose Lateral Amiotrófica, ou ELA) que paralisou os músculos do seu corpo, mas não afetou de nenhuma forma o seu desempenho intelectual.

Para se comunicar, ele usa sensores na bochecha e nos óculos, e assim consegue formar as palavras no computador.

Com informações: Portal UOL

19:05 · 09.04.2014 / atualizado às 19:05 · 09.04.2014 por
Misterioso ponto de luz no horizonte marciano é considerado apenas um reflexo da luz do Sol nas rochas pelos cientistas da Nasa, embora a circulação da foto tenha alimentado boatos e teorias de ufólogos Foto: Nasa / Divulgação
Misterioso ponto de luz no horizonte marciano é considerado apenas um reflexo da luz do Sol nas rochas pelos cientistas da Nasa, embora a circulação da foto tenha alimentado boatos e teorias de ufólogos Foto: Nasa / Divulgação

Justo no dia em Marte atingiu a maior aproximação com a Terra, nos últimos dois anos (cerca de 93 milhões de quilômetros), a Agência Espacial Norte-Americana, a Nasa, divulgou fotos da Curiosity que revelam uma imagem no mínimo curiosa.

Trata-se de uma luz inexplicável que tem intrigado até mesmo aos cientistas. Entusiastas da ufologia (considerada uma pseudociência) acreditam que esse é um sinal de que existe vida no planeta vermelho. Mas pesquisadores da Nasa  descartam a hipótese. A imagem foi tirada pela câmera do lado direito do Curiosity. Porém, a luz não aparece nas fotos feitas pela câmera que fica no lado esquerdo do jipe-robô.

Quando chegou ao planeta Terra, a imagem feita por Curiosity deixou muita gente intrigada, o que inclui os pesquisadores da Nasa. O blogueiro e ufólogo Scott Waring, por exemplo, acredita que a fotografia sugere que há criaturas inteligentes vivendo no planeta. Mas Doug Ellison, um dos cientistas da agência, disse que a luz captada tem explicação e certamente não representa nenhuma prova de vida extraterrestre.

Ellison disse à NBC que a luz pode ter sido resultado de uma reação aos raios cósmicos de alta intensidade energética, no momento em que atingiram a superfície de Marte. O espaço é preenchido com radiação e a fina atmosfera de Marte não bloqueia partículas de alta energia (raios cósmicos) com tanta eficácia como a grossa atmosfera terrestre. Por isso, alguns raios cósmicos atingem a superfície de Marte.

Com informações: Portal Exame

12:38 · 15.03.2014 / atualizado às 17:52 · 14.03.2014 por
Observatório Sonear, localizado em Oliveira (MG), é pioneiro em identificação de cometas no Brasil Foto: Divulgação
Observatório SONEAR, localizado em Oliveira (MG), é pioneiro em identificação de cometas no Brasil Foto: Divulgação

Astrônomos do Observatório SONEAR (na sigla inglesa Southern Observatory for Near Earth Asteroids Research), em Minas Gerais, acabam de ter a descoberta de um cometa confirmada pela União Astronômica Internacional.

O C/2014 E2 JACQUES é o segundo cometa descoberto pela equipe liderada pelo astrônomo amador Cristóvão Jacques este ano. Aliás, essas são as duas únicas descobertas desse tipo de corpo celeste no país.

Na análise da imagens, produzidas em Oliveira (MG),  foi possível até mesmo identificar uma coma (atmosfera tênue fruto da evaporação de material volátil), fato confirmado depois por outros astrônomos espalhados pelo mundo.

De acordo com o jornalista e blogueiro Salvador Nogueira, “um novo cometa descoberto pelo mesmo grupo em tão pouco tempo denota dois fatos: primeiro, o da eficiência incontestável do sistema de buscas implementado pelo SONEAR. Segundo, o da pouca concorrência que esses astrônomos estão encontrando no hemisfério Sul”.

Ainda segundo Nogueira, “igualmente notável é o fato de que o SONEAR é um observatório com 100% de financiamento privado. Pesquisa científica de altíssima qualidade movida a empreendedorismo e a ousadia.”

Com informações: Blog Mensageiro Sideral

 

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