Diário Científico

Categoria: Climatologia


09:57 · 08.09.2018 / atualizado às 09:57 · 08.09.2018 por
Parque eólico instalado no Marrocos (Áfica), um dos 11 países cujo território é atravessado pelo maior deserto do mundo Foto: Siemens Press Picture

A instalação de grandes parques eólicos e solares no deserto do Saara poderia diminuir o ritmo do aquecimento global e dar um pequeno mas valioso impulso às chuvas nesta região seca da África, indicaram pesquisadores.

O estudo publicado na revista Science foi baseado em simulações informáticas sobre o efeito que teria cobrir 20% do maior deserto do planeta com painéis solares e três milhões de turbinas de vento. Um parque solar e eólico de mais de 9 milhões de km² seria “nessa escala, suficiente para abastecer de energia o mundo inteiro”, diz o relatório.

Os pesquisadores descobriram que qualquer mudança no deserto africano resultante de instalações eólicas e solares seria positiva, já que mais plantas cresceriam perto desses parques. De acordo com as simulações do modelo, o efeito do parque eólico e do parque solar juntos provoca um aumento nas chuvas em todo o Saara, de 0,24 mm por dia a 0,59 mm.

O efeito não foi uniforme em todo o deserto. A zona com mais precipitações foi a do Sahel, uma região semiárida que se estende do Senegal ao Sudão, cujos habitantes veriam um aumento de entre 200 a 500 mm nas chuvas anuais, ou 1,12 mm por dia em zonas próximas ao parque.

Isto seria “grande o suficiente para ter um grande impacto ecológico, ambiental e social”, diz o relatório. “A maior parte do Saara permaneceria extremamente seca”, disse o coautor Daniel Kirk-Davidoff, professor associado adjunto da Universidade de Maryland.

Mas mais chuvas ao longo do extremo sul do Saara levariam a um maior crescimento das plantas, “o que permitiria uma maior pastagem”, disse Kirk-Davidoff à AFP por e-mail. “É difícil dizer que isto seria algo ruim para as comunidades da zona”.

Processo

O motivo da mudança tem a ver com a forma como os parques eólicos fornecem ar mais quente desde cima, particularmente à noite, o que pode aumentar a evaporação e o crescimento das plantas. Esta troca de ar quente também pode dobrar a quantidade de precipitação diária.

Além disso, os pesquisadores apontaram que a maior temperatura gerada nestes parques estaria limitada a uma área geográfica, diferentemente das emissões de combustíveis fósseis que continuamente se acumulam na atmosfera e aumentam o aquecimento. “O aumento da chuva e da vegetação, combinado com eletricidade limpa proveniente de fontes de energia solar e eólica, poderiam ajudar à agricultura, ao desenvolvimento econômico e ao bem-estar no Saara, Sahel, Oriente Médio e outras regiões próximas”, disse o coautor do estudo, Safa Motesharrei, pesquisador da Universidade de Maryland.

Com informações: AFP

09:26 · 25.08.2018 / atualizado às 09:28 · 25.08.2018 por
Concepção artística do satélite ICESat-2 sobrevoando a Groenlândia e a região ártica da Terra Imagem: Orbital Sciences

A Nasa, a agência espacial norte-americana, quer aprofundar os estudos sobre mecanismos que reduzam as incertezas dos prognósticos sobre o futuro aumento do nível do mar e ajudem a compreender as mudanças climáticas.

Para isso, será lançado ao espaço, no dia 15 de setembro, um satélite que vai medir, em detalhes, as mudanças de massa polar na Terra. O Satélite de Elevação de Terra e Gelo da Nasa-2 (ICESat-2) medirá a mudança média anual de elevação do gelo terrestre que cobre a Groenlândia e a Antártida, capturando 60 mil medições por segundo.

A expectativa dos pesquisadores é de que o ICESat-2 amplie e aperfeiçoe estudos anteriores da Nasa, que monitoraram a mudança nos movimentos dos picos polares em 2003, com a primeira missão ICESat e, depois em 2009, com a Operação IceBridge, que analisou a taxa de variação e aceleração.

Gelo

De acordo com a Nasa, bilhões de toneladas de gelo derretem anualmente, elevando o nível do mar no mundo.

Nos últimos anos, as contribuições do derretimento das camadas de gelo da Groenlândia e da Antártica aumentaram o nível do mar global em mais de um milímetro por ano. A taxa está aumentando, segundo os pesquisadores.

O ICESat-2 também fará as medições para verificação da altura do gelo marinho existente acima da superfície do mar, observando a espessura e o volume.

Pesquisas

A cobertura de gelo do Ártico reflete o calor do Sol de volta ao espaço. Quando esse gelo derrete, a água escura que há embaixo absorve o calor, alterando os padrões de circulação do vento e do oceano, afetando potencialmente o clima global da Terra.

Além dos pólos, o ICESat-2 medirá a altura das superfícies oceânicas e terrestres, incluindo as florestas. Um instrumento associado ao ICESat-2 medirá o topo das árvores, na tentativa de colaborar com as pesquisas sobre a quantidade de carbono armazenada nas florestas.

Os pesquisadores também analisarão os dados coletados sobre a altura da copa das árvores, sua densidade e estrutura, no esforço de realizar previsões sobre incêndios florestais.

Com informações:Agência Brasil

16:37 · 18.06.2018 / atualizado às 16:37 · 18.06.2018 por
Cientistas da UnB fizeram primeiro teste para desenvolver um balão geoestacionário de grande altitude, que poderá ter aplicações em ciência espacial, meteorologia e até em agricultura Foto: Projeto Kuaray/Reprodução do Facebook

O sucesso de uma missão internacional de divulgação científica que reuniu astrônomos amadores, estudantes de engenharia e cientistas brasileiros e norte-americanos mostrou o caminho para que um grupo de pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) aprimorasse seu principal projeto: desenvolver um balão geoestacionário de grande altitude, que poderá ter aplicações em georreferenciamento, agricultura, ciência espacial e meteorologia.

Em 2017, durante o eclipse total do Sol que cruzou a América do Norte, quatro astrônomos amadores do Clube de Astronomia de Brasília (CAsB) – o professor de Engenharia Elétrica Renato Borges e três alunos na UnB – viajaram para Rexburg, em Idaho (EUA), para registrar pela primeira vez o evento astronômico em 360 graus, tendo como base um balão estratosférico a 30 km de altitude. A missão foi realizada em parceria com as universidades norte-americanas de Montana e North Dakota e financiada por um programa da Nasa, a agência espacial dos EUA. Selecionados para o projeto, os brasileiros conseguiram recursos por meio de um crowdfunding, espécie de “vaquinha” virtual. A aventura rendeu um vídeo de divulgação científica que será exibido em planetários e abriu caminho para parcerias científicas.

“A ideia do projeto do eclipse era dar uma experiência internacional aos alunos, que é muito importante na área de pesquisa, e fazer divulgação científica. Mas acabamos consolidando uma nova parceria com a Universidade de Montana (EUA) para desenvolver nossa plataforma para um balão estacionário”, conta. “Enquanto isso, estamos aperfeiçoando um sistema inédito de pouso para esse tipo de balão”, disse. Agora, eles realizaram o primeiro teste. “O projeto começou a sair do papel para levantar voo de verdade”, diz Borges, que coordena o projeto LAICAnSat, do Laboratório de Aplicação e Inovação em Ciências Aeroespaciais (Laica).

Os resultados da missão também resultaram em um artigo científico que foi apresentado, nos Estados Unidos, na conferência do Instituto de Engenheiros Elétricos e Eletrônicos, a principal associação de engenharia do mundo. O presidente do CAsB, Augusto Ornella, destaca a importância da experiência.

“Nós, como astrônomos amadores, tivemos contato com a academia e pudemos acompanhar de perto o desenvolvimento da tecnologia, dos circuitos e dos softwares da plataforma.

Enquanto isso, o pessoal da academia teve a oportunidade de compreender melhor a parte prática da observação do eclipse, na qual temos muita experiência.”

Com informações: Estadão Conteúdo

15:48 · 13.06.2018 / atualizado às 15:48 · 13.06.2018 por
Fotomontagem mostrando como jipe da Agência Espacial Norte-Americana deve ter sido atingido por fenômeno no ‘Planeta Vermelho’ Imagem: Canadian Home Steading

Por Salvador Nogueira

O jipe Opportunity pode estar enfrentando sua situação mais crítica desde que pousou em Marte, quase 15 anos atrás. Uma tempestade global de poeira se espalha pelo planeta vermelho, e a Nasa confirmou que perdeu contato com o rover.

Presume-se que as condições na região onde o veículo opera, o chamado Vale da Perseverança, se tornaram tão severas que a bateria interna caiu abaixo de 24 volts. Quando isso acontece, o computador de bordo entra num estado operacional de emergência, desligando todos os subsistemas menos um relógio interno.

Com isso, a única tarefa do jipe é se “acordar” de tempos em tempos para checar o nível da bateria, que é recarregada pelos painéis solares -mas só quando há luz solar disponível, o que no momento se torna uma virtual impossibilidade por conta da tempestade de areia.

O fenômeno atmosférico começou em 30 de maio e já recobre um quarto da superfície de Marte. O último contato que o controle da missão teve com o Opportunity foi no último domingo, quando a situação já era crítica. A Nasa realiza nesta quarta uma teleconferência para detalhar a situação do Opportunity e contar como seus orbitadores em Marte estudam a tempestade e seus efeitos. O maior problema é que o jipe se mantenha sem energia e isso prejudique o aquecimento interno de seus circuitos. No domingo, a temperatura interna era de -29 °C. A tempestade de poeira tende a reduzir a amplitude da variação de temperatura na superfície marciana ao longo do dia, o que é uma boa notícia, mas talvez insuficiente para manter o jipe saudável.

O Opportunity e seu irmão gêmeo Spirit chegaram a Marte em 2004. A missão dos dois originalmente devia durar 90 dias. O Spirit operou até 2010. E o Opportunity, depois de percorrer mais que uma maratona em solo marciano, pode agora estar enfrentando seu ocaso.

Além deles, opera atualmente em Marte o jipe Curiosity, que é mais resiliente contra tempestades de areia, por ser alimentado por uma bateria de plutônio, em vez de energia solar.

Com informações: Folhapress

20:39 · 11.06.2018 / atualizado às 20:39 · 11.06.2018 por
Nos últimos 12 anos, nove dos treze baobás mais velhos estão parcialmente ou totalmente mortos, de acordo com o estudo, que aponta relação com mudanças climáticas Foto: Baobab Stories

Muitos dos baobás mais antigos da África estão morrendo há dez anos, alertaram nesta segunda-feira (11) pesquisadores, que evocam a mudança climática como possível causa para esse desaparecimento “de escala sem precedentes”.

“É chocante e espetacular testemunhar durante o curso de nossas vidas o desaparecimento de tantas árvores milenares”, explica à AFP Adrian Patrut, da Universidade Babeş-Bolyai, na Romênia, co-autor do estudo publicado na revista Nature Plants.

“Durante a segunda metade do século XIX, os grandes baobás do sul da África começaram a morrer, mas nos últimos 10/15 anos seu desaparecimento aumentou rapidamente por causa das temperaturas muito altas e da seca”, diz o pesquisador.

Com entre 1.100 e 2.500 anos de idade, os baobás e seus troncos maciços coroados por galhos parecidos com raízes, são uma das silhuetas mais emblemáticas das áridas savanas.

Mas, nos últimos 12 anos, nove dos treze baobás mais velhos estão parcialmente ou totalmente mortos, de acordo com o estudo.

Entre as vítimas, três monstros simbólicos: Panke, do Zimbábue, o baobá mais velho com 2.450 anos, a árvore de Platland da África do Sul, uma das maiores do mundo, com um tronco mais 10 metros de diâmetro e o famoso baobá de Chapman do Botsuana, no qual Livingstone gravou suas iniciais, classificado monumento nacional. Os pesquisadores descobriram essa situação de “escala sem precedentes” quase por acaso: eles estudaram essas árvores para desvendar o segredo de suas incríveis medições.

Para isso, entre 2005 e 2017, Adrian Patrut e seus colegas estudaram todos os maiores (e portanto geralmente os mais antigos) baobás da África, mais de 60 no total. Viajando pelo Zimbábue, África do Sul, Namíbia, Moçambique, Botsuana e Zâmbia, coletaram amostras de diferentes partes das árvores. Fragmentos dos quais eles definiram a idade usando datação por carbono. “A cavidade de um velho baobá zimbabuano é tão grande que quase 40 pessoas podem se abrigar dentro”, ressalta o site do Parque Nacional Kruger, na África do Sul. Eles poderiam ser usados ​​como loja, prisão ou simplesmente como um ponto de ônibus.

Também têm sido usados ​​há muito tempo por exploradores ou viajantes para encontrar caminhos. “Os baobás periodicamente produzem novos troncos, como outras espécies produzem galhos”, segundo o estudo. Esses caules ou troncos, muitas vezes de diferentes idades, depois se fundem. Quando muitos caules morrem, a árvore desaba. “Antes de começarmos nossa pesquisa, fomos informados sobre o colapso do baobá Grootboom na Namíbia, mas pensávamos que era um evento isolado”, disse Adrian Patrut.

“Essas mortes não foram causadas por uma epidemia”, afirmam os autores, que sugerem que a mudança climática pode afetar a capacidade do baobá de sobreviver em seu habitat, embora “mais pesquisas sejam necessárias para apoiar ou refutar essa hipótese”.

Mas “a região em que os baobás milenares morreram é um daqueles em que o aquecimento é mais rápido na África”, diz Adrian Patrut.

Com informações: AFP

11:37 · 24.03.2018 / atualizado às 11:39 · 24.03.2018 por
O Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, está entre os principais cartões-postais brasileiros que terá sua iluminação desligada neste sábado (24), das 20h30 às 21h30, na chamada Hora do Planeta Foto: Américo Vermelho/WWF Brasil

As luzes de diversos monumentos em várias partes do País ficarão apagadas por uma hora neste sábado (24), das 20h30 às 21h30, em celebração à Hora do Planeta, uma iniciativa mundial promovida pela organização não governamental (ONG) WWF.

O ato simbólico ocorre desde 2007, com o objetivo de chamar a atenção para a importância de se preservar o meio ambiente e conscientizar a sociedade sobre as mudanças climáticas. De acordo com o WWF, na campanha deste ano, mais de 600 monumentos terão suas luzes apagadas em 145 cidades brasileiras. A expectativa é que mais de 250 mil pessoas participem do movimento.

Em Brasília, um dos monumentos que ficarão às escuras será o Congresso Nacional. O Cristo Redentor e o Pão de Açúcar, que estão entre os principais cartões-postais do Rio de Janeiro e do Brasil, também terão suas luzes apagadas. Em São Paulo, um dos monumentos a terem a luz desligada é a Fonte Multimídia, no Ibirapuera.

Estão previstas atividades como pedaladas, limpeza de praias, caminhadas, observação de estrelas e palestras e outras ações de conscientização sobre temas como o despejo adequado de lixo. Pessoas e empresas que queiram participar ou se informar sobre as atividades previstas para o evento podem fazê-lo por meio do site do WWF-Brasil. Segundo a ONG, mais de 3 mil monumentos de diversas partes do mundo já se inscreveram para participar do Hora do Planeta 2018, reforçando ainda mais a mensagem ambientalista proposta pela campanha.

Com informações: Agência Brasil

12:13 · 08.03.2018 / atualizado às 21:08 · 08.03.2018 por
Camada gasosa compreende um centésimo da massa do planeta, revelaram estudos com base em observações da nave espacial Juno da Nasa. Na Terra, essa proporção é inferior a um milionésimo Foto: Nasa

Se você pudesse ultrapassar toda a espessa camada de nuvens formada por diferentes gases (que circulam o planeta em altíssima velocidade), com um avião capaz de suportar a imensa pressão atmosférica do maior corpo celeste de nosso sistema estelar, depois do Sol, levaria mais ou menos o mesmo tempo que uma aeronave comercial gasta para transcorrer a distância entre Fortaleza e São Paulo.

A atmosfera tempestuosa de Júpiter se estende por cerca de 3.000 quilômetros de profundidade e compreende um centésimo da massa do planeta, revelaram estudos com base em observações da nave espacial Juno da Nasa. As medidas lançam luz pela primeira vez sobre o que acontece sob a superfície do maior planeta do Sistema Solar, que à distância se assemelha a um mármore de vidro colorido e listrado. “Galileu viu as listras em Júpiter há mais de 400 anos. Até agora, nós só tínhamos uma compreensão superficial delas”, disse Yohai Kaspi, do Instituto Weizmann de Ciência em Israel, autor de um dos quatro estudos publicados na Nature.

Até uma profundidade de cerca de 3.000 km, os dados de Juno mostraram, Júpiter compreende um redemoinho psicodélico de faixas de nuvens e correntes de jatos sopradas por ventos poderosos, em direções opostas e a diferentes velocidades. Mas embaixo, o núcleo líquido de hidrogênio e hélio do planeta gira uniformemente, comportando-se quase como um corpo sólido, descobriram os pesquisadores. “O resultado é uma surpresa porque isso indica que a atmosfera de Júpiter é enorme e se estende por uma profundidade muito maior do que esperávamos anteriormente”, disse Kaspi. A atmosfera da Terra, em comparação, representa menos de um milionésimo da massa total do planeta.

“É um enigma de quase 50 anos na ciência planetária que está resolvido”, disse outro autor do estudo, Tristan Guillot, da Universidade Cote d’Azur na França. “Nós não sabíamos se um planeta gasoso como Júpiter girava com zonas e cintos todo o caminho até o centro, ou se, pelo contrário, os padrões atmosféricos eram superficiais”.

As descobertas foram o resultado de medidas sem precedentes do campo de gravidade de Júpiter por Juno, na órbita do gigante gasoso mais próximo da Terra desde julho de 2016.

Outras observações incluíram uma erupção de ciclones maciços nos polos do planeta não observadas em nenhum outro planeta do Sistema Solar.

Não se sabe como os ciclones são formados, ou como eles persistem sem se fundir.

Formação do Sistema Solar

“A primeira e mais importante questão que Juno pretende responder é como o nosso Sistema Solar foi formado e consequentemente entender mais sobre sua evolução”, disse à AFP outro autor, Alberto Adriani, do Instituto Nacional de Astrofísica da Itália.

“Qualquer conhecimento que possamos acrescentar ao entender Júpiter, que é provavelmente o primeiro planeta formado (ao redor do Sol), é um passo nessa direção”.

Com informações: AFP

21:06 · 02.03.2018 / atualizado às 21:06 · 02.03.2018 por
Foto: Argyll Freepress

A cobertura do gelo marinho na Antártica caiu para o seu segundo nível mais baixo já registrado, anunciaram autoridades australianas nesta sexta-feira (2), acrescentando que ainda não estava claro o que estava impulsionando a redução após vários anos de níveis máximos recorde.

O relatório chega após cientistas dizerem, no início desta semana, que a região do Ártico estava registrando recordes de temperaturas altas, e que o gelo do mar estava cobrindo a menor área no inverno desde que os registros começaram, há mais de meio século. A Divisão Antártica Australiana (AAD) disse que os últimos dados de satélite mostraram um total de 2,15 milhões de quilômetros quadrados em torno do continente gelado durante o ponto mais baixo em fevereiro, durante a temporada de verão. O recorde mínimo foi registrado em março do ano passado, quando uma leitura de verão de 2,07 milhões de quilômetros quadrados foi registrada, disse o AAD, que administra o programa da Antártida da Austrália. “Desde agosto de 2016, a cobertura do gelo do mar vem seguindo bem abaixo da média de longo prazo”, disse o cientista Phil Reid, do Instituto de Meteorologia do Antártico, em um comunicado.

“Em 2017, a extensão máxima de gelo do mar no inverno foi a segunda menor já registrada, em 18,05 milhões de quilômetros quadrados, vindo após níveis recordes sucessivos em 2012, 2013 e 2014.”

Reid disse que as variações foram uma “mudança significativa” da tendência crescente global no gelo marinho da Antártida, de cerca de 1,7% a cada década desde 1979.

Recomposição de outono

Depois de chegar ao seu ponto mais baixo no verão, o gelo marinho – que é criado quando o oceano ao redor do continente se congela – se recompõe no outono e se expande pela Antártica.

O cientista da AAD Rob Massom disse que os pesquisadores ainda estavam tentando determinar o que estava impulsando as mudanças e a variabilidade na cobertura do gelo marinho, e disse que entender esses processos era uma “alta prioridade”.

“A cobertura de gelo desempenha um papel crucialmente importante tanto no sistema climático global quanto como um habitat-chave para uma ampla gama de biota, de micro-organismos até grandes baleias”, acrescentou em um comunicado.

“As condições do gelo do mar também têm um grande impacto nas operações de navegação e logística no Oceano Antártico”.

Com informações: AFP

18:18 · 26.02.2018 / atualizado às 18:18 · 26.02.2018 por
Risco é devido aos efeitos do aquecimento global sobre os ecossistemas habitados pela ave. Mesmo na hipótese climática mais otimista, 45% da população de pinguins-reis estaria ameaçada, segundo os pesquisadores Foto: Wiktionary

Diante das mudanças climáticas que os afastam de seu alimento, até 70% dos pinguins-reis poderiam desaparecer até o final do século, adverte um estudo publicado nesta segunda-feira (26). Atualmente, existem 1,6 milhão de casais de pinguim-rei (Aptenodytes patagonicus), que são um pouco menores que os pinguins-imperadores, medindo menos de um metro. Vivem sobretudo nas ilhas subantárticas de Crozet, Kerguelen e Príncipe Eduardo, na Terra do Fogo, assim como nas Malvinas.

Para pôr o ovo que a fêmea e o macho incubam de forma alternada durante mais de 50 dias, esta ave sem asas necessita de uma praia, um mar sem gelo e uma fonte de alimentos abundante e próxima para levar comida a seu bebê durante mais de um ano. Mas as mudanças climáticas está empurrando as reservas de peixes e polvos de que se alimentam para o sul, longe das colônias, segundo o estudo publicado pela revista científica Nature Climate Change. Dessa forma, suas viagens em busca de comida serão cada vez mais longas, ameaçando a sobrevivência dos pequenos e dos adultos que ficam com eles, a não ser que a espécie se instale em outras ilhas.

“Se não se tomar nenhuma medida para parar ou limitar o aquecimento (…), a espécie poderia desaparecer em um futuro próximo”, resumem à AFP os três principais autores do estudo, Robin Cristofari, Céline Le Bohec e Emiliano Trucchi.

Capacidade de explorar o oceano

E se acontecer o pior dos cenários previstos pelo grupo de especialistas da ONU sobre o clima (IPCC), “70% dos 1,6 milhão de casais reprodutores provavelmente se exilarão de forma brusca ou desaparecerão antes do final do século”, segundo o estudo.

Na hipótese climática mais otimista do IPCC, 45% da população de pinguins-reis estaria ameaçada, segundo os pesquisadores.

A espécie conseguiu, contudo, sobreviver a outras grandes mudanças ambientais, a última há 20.000 anos. Por isso, “parecem capazes de explorar de modo eficaz o oceano Antártico para localizar os melhores abrigos”, segundo Trucchi, da universidade italiana de Ferrara. Os especialistas citam a possibilidade de que se exilem mais ao sul, por exemplo, na ilha Bouvet.

Mas nas ocasiões anteriores, os pinguins dispuseram de mais tempo para efetuar este exílio forçado, em comparação com o ritmo atual das mudanças climáticas. “A concorrência pelos lugares para fazer ninho e se alimentar será árdua, sobretudo com outras espécies como o pinguim-de-barbicha, o gentoo ou o de adélia, sem contar a atividade pesqueira” na zona, comentou Le Bohec.

Além disso, o pinguim-rei não será provavelmente o único a enfrentar o dilema de permanecer em sua colônia para se reproduzir com o risco de morrer de fome ou partir sem garantias.

“No oceano Antártico, as aves marinhas, entre elas muitas espécies de pinguins – até mesmo todas – assim como alguns mamíferos marinhos (como o leão-marinho subantártico) poderiam enfrentar o mesmo dilema”, ressaltaram os autores do estudo.

Com informações: AFP

16:25 · 01.02.2018 / atualizado às 16:25 · 01.02.2018 por
Mudanças climáticas estão reduzindo o habitat desses animais, forçando-os a ir cada vez mais longe para buscar comida durante o degelo, gastando mais energia que conseguem repor Foto: National Geographic

Os ursos polares têm taxas metabólicas mais altas do que se pensava e isso explica por eles têm sido incapazes de conseguir alimentos em quantidade suficiente para suas necessidades, de acordo com um novo estudo.

De acordo com os autores, publicada nesta quinta-feira (1), na revista Science, a pesquisa mostra quais são os mecanismos fisiológicos por trás do declínio já observado nas populações e nas taxas de sobrevivência dos ursos polares.

“Temos documentado, ao longo da última década, o declínio nas taxas de sobrevivência, nas condições de saúde e nos números populacionais do urso polar. Ao calcular as necessidades energéticas reais dos ursos polares e observar com que frequência eles são capazes de caçar focas, esse estudo identificou os mecanismos que estão levando a esses declínios”, disse o autor principal da pesquisa, Anthony Pagano, da Universidade da Califórnia em Santa Cruz.

Pagano explica que o declínio das populações de ursos já era associado às mudanças climáticas que estão reduzindo o habitat desses animais, forçando-os a ir cada vez mais longe para buscar comida durante o degelo. Mas a conta não fechava, porque não se sabia que os ursos precisavam de tanta energia – os estudos anteriores se baseavam em estimativas de uma taxa metabólica 50% mais baixa.

Monitoramento

Para realizar o novo estudo, os cientistas monitoraram o comportamento dos ursos, a frequência de sucesso na caça e as taxas metabólicas de fêmeas adultas sem filhotes quando elas buscavam presas no gelo do Mar de Beaufort durante a primavera.

O monitoramento foi feito com coleiras hi-tech, que registravam em vídeo as andanças dos animais, rastreando seu deslocamento, seu comportamento e os níveis de atividade em períodos de oito a 11 dias. Foram utilizados também sensores de atividade metabólica para determinar quanta energia os animais gastavam em suas atividades.

Com isso, os cientistas descobriram que as taxas metabólicas registradas eram, em média, 50% mais altas do que as estimadas por estudos anteriores. Cinco dos nove ursos estudados perderam muito peso e não conseguiram caçar focas em número suficiente para suprir seus gastos de energia.

“A pesquisa foi feita no início do período que vai de abril a julho, quando os ursos polares capturam a maior parte das suas presas e conseguem acumular a maior parte da gordura corporal que eles precisam para sustentá-los pelo resto do ano”, disse Pagano.

O cientista afirma que as mudanças climáticas têm efeitos dramáticos no gelo do mar do Ártico, forçando os ursos polares a percorrer distâncias maiores e dificultando a busca de presas.

No Mar de Beaufort, as geleiras marinhas começam a recuar a partir da plataforma continental em julho, quando a maioria dos ursos se move em direção ao norte à medida que o gelo se retrai.

Derretimento do gelo

Com o aquecimento do Ártico, mais gelo derrete nesse processo, obrigando os ursos a percorrer distâncias maiores que no passado. Isso faz com que eles gastem mais energia durante o verão, quando eles ficam em jejum até que o gelo volte, no outono, à plataforma continental. Em outras áreas, como na Baía de Hudson, a maior parte dos ursos vai para a terra quando o gelo marinho recua. Ali, o aquecimento do Ártico faz com que o gelo marinho se rompa mais cedo no verão e volte a se formar mais tarde no outono, forçando os ursos a ficarem mais tempo em terra.

“De qualquer maneira, a questão continua sendo quanta gordura eles podem acumular antes que o gelo comece a recuar e quanta energia eles terão que gastar. Nós descobrimos que os ursos polares têm uma necessidade de energia muito mais alta do que o estimado”, afirmou Pagano. Na primavera, os ursos polares caçam principalmente as focas que nasceram recentemente e que são mais suscetíveis que as focas adultas. No outono, quando as jovens focas já estão mais velhas e espertas, os ursos não conseguem tantas presas. “Calculamos que os ursos podem capturar até duas focas no outono. Na primavera e no começo do verão, eles caçam de cinco a 10 focas”, disse Pagano.

Os cientistas da Universidade da Califórnia em Santa Cruz têm estudado os ursos polares no Mar de Beaufort desde a década de 1980. Segundo Pagano, a estimativa populacional mais recente indica que o número de ursos polares caiu cerca de 40% na última década. Mas, segundo Pagano, era difícil estudar a biologia fundamental e o comportamento dos ursos polares em um ambiente tão remoto e hostil. “Agora nós temos a tecnologia para descobrir como eles se movem no gelo, quais são seus padrões de atividades e suas necessidades energéticas, de forma que podemos entender melhor a implicações das mudanças que estamos observando no gelo marinho” afirmou Pagano.

Com informações: Estadão Conteúdo

Pesquisar

Diário Científico

Jornalismo científico produzido no Ceará de olho nas grandes descobertas que a Ciência faz em qualquer lugar do mundo.
Posts Recentes

06h09mEstudo mostra que pintor Caravaggio morreu de infecção bacteriana por Staphylococcus

06h09mEquipe brasileira identifica fóssil de crocodilo que viveu há 85 milhões de anos, em MG

05h09mArarinha-azul, espécie que inspirou animação, está provavelmente extinta na natureza, revela estudo

09h09mEstudo aponta que instalar parques eólicos e solares poderia aumentar quantidade de chuva no Saara

05h09mBotsuana registra matança de 90 elefantes em menos de dois meses

Ver mais

Tags

Categorias
Blogs