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Categoria: Comportamento animal


17:36 · 04.09.2018 / atualizado às 17:36 · 04.09.2018 por
Mortes aconteceram semanas depois da polêmica decisão das autoridades do governo local de desarmar seus guardas florestais, especializados na luta contra caçadores Foto: Elephants Without Borders

Ao menos 90 elefantes mortos, e com as presas arrancadas, foram encontrados nas últimas oito semanas em Botsuana, onde recentemente as autoridades desarmaram as unidades encarregadas de lutar contra os traficantes de marfim.

A ONG Elefantes sem Fronteiras e o Ministério de Fauna e Parques Nacionais do país compilaram essas cifras após realizarem uma contagem aérea da população de elefantes de Botswana. “Começamos a contagem em 10 de julho e até agora encontramos 90 cadáveres de elefantes”, explicou o responsável da ONG, Mike Chase. “A cada dia encontramos mais”, acrescentou. “A maioria foi assassinada por balas de grosso calibre”, continuou o defensor. “Trata-se do episódio mais grave de caça furtiva na África que já vi”, continuou.

O ministro do Turismo local, Tshekedi Khama, confirmou a amplitude do massacre. “Sei que o balanço alcança um número de dois dígitos, algo muito elevado para Botsuana”, declarou. “Estou muito preocupado, muito inquieto”, acrescentou.

O defensor da Elefantes sem Fronteiras esclareceu que essas mortes aconteceram semanas depois da polêmica decisão das autoridades de Gaborone de desarmar seus guardas florestais, especializados na luta contra a caça furtiva.

Maior população selvagem

Situado entre Zâmbia e África do Sul, Botsuana abriga a maior população africana de elefantes em liberdade, estimada em 2015 em 135 mil exemplares.

Até maio, os guardas florestais estavam fortemente armados e eram autorizados a atirar em caçadores furtivos. Mas o governo do novo presidente, Mokgweetsi Masisi, em funções desde o mês anterior, ordenou o desarmamento dessas unidades sem explicar o motivo. Seu antecessor, Ian Khama, era considerado um apaixonado defensor da fauna selvagem de seu país. Questionado nesta terça-feira (4), o chefe do Estado-Maior do Exército, o general Placid Segokgo, se negou a fazer comentários sobre a decisão de desarmar as unidades de guarda florestais.

Segundo Chase, os responsáveis desta onda de caça ilegal vêm de países vizinhos como Angola e Zâmbia. “Mataram tantos elefantes nesses países que eles quase desapareceram. Agora os contrabandistas vêm para Botswana”, explicou.

“Estivemos a salvo dos caçadores furtivos durante muito tempo, agora nos damos conta de quão sofisticados são”, admitiu o ministro Khama. “Infelizmente às vezes aprendemos as lições da pior maneira”, acrescentou.

Com informações: AFP

15:51 · 23.07.2018 / atualizado às 15:51 · 23.07.2018 por


Um incidente de proporções bíblicas: é assim que a imprensa local tem acompanhado a invasão de insetos que acontece em Vitebsk, cidade da Bielorrússia.

De acordo com a agência russa de notícias Sputnik, diversos residentes postaram vídeos com milhares de insetos formando nuvens enquanto percorriam o céu da cidade. Os animais cobriram todas as superfícies por onde passaram – era possível vê-los principalmente próximos a postes de luz.

Por mais estranho que seja, os moradores locais estão acostumados ao fenômeno, que acontece todos os anos durante o verão. No entanto, a quantidade de mosquitos este ano não tem precedentes na história da cidade – que, em alguns pontos, parece estar coberta de neve por conta da quantidade de animais.

Embora assustadores e incômodos, os insetos não representam nenhum perigo. Ainda de acordo com cientistas locais, eles migram todos os anos do rio Daugava, que nasce próximo à fronteira com a Rússia e corta todo o país, durante a temporada de acasalamento.

Com informações: Estadão Conteúdo

19:56 · 04.07.2018 / atualizado às 19:58 · 04.07.2018 por
O último macho de rinoceronte-branco do norte, faleceu em março aos 45 anos em uma reserva queniana Foto: Anadolu Agency

Cientistas deram um primeiro passo promissor para garantir a sobrevivência do rinoceronte-branco do norte, uma subespécie praticamente extinta, ao criar in vitro os primeiros embriões do paquiderme.

Sudão, o último macho de rinoceronte-branco do norte, faleceu em março aos 45 anos na reserva queniana de Ol Pejeta. Sua filha e sua neta, Najin e Fatu, se tornaram assim os últimos exemplares vivos desta subespécie originária da África Central, dizimada pela caça ilegal. Para garantir sua sobrevivência, muitos haviam confiado na ciência. Com um procedimento de procriação assistida inédito em rinocerontes, foi concluída “a primeira etapa essencial para salvar esta subespécie”, explicou uma equipe internacional de pesquisadores na revista científica Nature Communications. Os especialistas coletaram em zoológicos europeus mais de 80 ovócitos de fêmeas de rinocerontes-brancos do sul, dos que restam cerca de 20.000 exemplares selvagens no sul da África.

Os óvulos foram fecundados in vitro, alguns com esperma congelado de rinocerontes-brancos do norte e outros com esperma de seu primo do sul, nos laboratórios da sociedade italiana Avantea.

O resultado: sete embriões, dos quais três (um sul-sul e dois sul-norte) foram congelados.

Objetivo: três anos

Mas este é só o início para conseguir o nascimento do primeiro rinoceronte-branco do norte “puro”, em um prazo de “três anos”, afirmou Thomas Hildebrandt, do Instituto Leibniz de pesquisa zoológica e animal de Berlim.

Para isso, os pesquisadores esperam coletar ovócitos das duas fêmeas, Najin e Fatu, nascidas em 1989 e 2000, respectivamente, no zoológico checo de Dvur Kralove. “Esperamos fazer isso até o fim do ano”, diz Jan Stejskal, um responsável deste zoológico, que tentou em vão uma inseminação artificial antes de enviá-las ao Quênia com a esperança – também frustrada – de uma reprodução natural.

Os cientistas criaram os embriões híbridos, em vez de extrair diretamente os ovócitos das duas fêmeas, porque esta intervenção requer a autorização das autoridades quenianas. Além disso, tiveram de inventar uma técnica e um utensílio de dois metros de comprimento para extrair os ovócitos dos rinocerontes-brancos. “Tendo em conta os 16 meses de gravidez, temos pouco mais de um ano para conseguir uma implantação” em uma mãe portadora de rinoceronte-branco do sul, dado que nem Najin nem Fatu podem desenvolver uma gravidez, segundo Hildebrant.

Este especialista ressaltou que as duas fêmeas são as únicas capazes de “ensinar a vida social a um rinoceronte-branco do norte”, de modo que espera que o pequeno poderá crescer com elas. Caso não seja possível retirar os ovócitos de Najin nem Fatu, estão sendo realizados outros experimentos para tentar produzir gametas (ovócitos e esperma) de rinocerontes-brancos do norte graças às células-tronco pluripotentes induzidas, que têm o potencial de se tornar qualquer tipo de célula.

Mas os especialistas advertem da “improbabilidade de restaurar uma população viável de rinocerontes-brancos do norte”, segundo Terri Roth e William Swanson, do centro de pesquisa do zoológico de Cincinnati, que não participaram do estudo. Os autores preveem que a iniciativa gerará críticas do mundo da conservação, em alguns casos hostil ao uso de biotecnologias.

“Já nos criticaram por gastar o dinheiro desta forma”, segundo Jan Stejskal. Mas para este especialista, a luta deve ser realizada em todas as frentes: “conservação sobre o terreno, luta contra a demanda (de chifres) na Ásia e apoio à ciência”.

Com informações: AFP

22:01 · 01.07.2018 / atualizado às 22:01 · 01.07.2018 por
A organização Alnitak, que gravou imagens do tubarão próximo à ilha de Cabrera, disse em postagem no Facebook que o animal media 5 metros de comprimento Foto: Taringa

Um grupo de conservação do ambiente marinho anunciou ter avistado um exemplar de tubarão branco nesta semana em frente às Ilhas Baleares, a primeira descoberta desta espécie em águas espanholas em pelo menos 30 anos.

A organização Alnitak, que gravou imagens do tubarão próximo à ilha de Cabrera, disse em postagem no Facebook que o seguiu por mais de uma hora e que o animal media 5 metros de comprimento.

“Nos últimos anos, houve possíveis aparições não confirmadas e diversos rumores, mas essa é a primeira constatação científica da presença do Carcharodon (gênero do tubarão branco) em águas espanholas em ao menos 30 anos”, escreveu.

Missão científica

A Alnitak disse que o tubarão foi localizado durante uma missão para coletar informação sobre tartarugas marinhas, cachalotes, golfinhos, arraias e atuns vermelhos. A equipe também trabalha na localização de pequenos pedaços de resíduos plásticos no mar.

09:06 · 19.05.2018 / atualizado às 09:44 · 19.05.2018 por
A Human Guides conta com cinco videoaulas apresentadas pelo veterinário Pedro Guedes, especialista em cegueira canina e aborda questões como passeios com segurança, desenvolvimento da memória e formas de brincar Foto: Pedigree Human Guides

Ao perder a visão, uma pessoa tem a opção de contar com um cão-guia para auxiliá-la no dia a dia. Mas quando um animal fica cego ele, muitas vezes, fica abandonado ou é exposto a perigos desnecessários.

Pensando nisso, a marca de comida para animais Pedigree lançou uma plataforma educacional na internet para formar humanos-guias para cães cegos. Segundo dados da Ampara Animal (Associação das Mulheres Protetoras dos Animais Rejeitados e Abandonados), 10% dos cachorros que vão a abrigos têm alguma necessidade especial -incluindo a deficiência visual.

Criada pela agência AlmapBBDO, a plataforma Human Guides é grátis e conta com cinco videoaulas apresentadas pelo veterinário Pedro Guedes, especialista em cegueira canina. Entre os temas abordados para capacitação dos humanos estão alimentação, passeios com segurança, desenvolvimento da memória do animal e formas de brincar. “Todos os dias os cães fazem muito por nós e quando eles chegam à velhice uma série de dificuldades podem surgir.

Por isso, é importante entender suas necessidades, adaptar as interações e rotinas que temos com eles”, afirma Valdir Nascimento, gerente de marketing da categoria cães da Mars Petcare, dona da Pedigree. Os interessados também encontram no site uma cartilha com 12 lições que ilustram o conteúdo das videoaulas. Para viralizar nas redes sociais, também ficam disponíveis pôsteres da campanha. Para a dupla de diretores de criação da AlmapBBDO, Pernil e André Gola, é um modo de divulgar um problema real e muito mais presente do que se imagina. “Com isso é possível mostrar soluções simples e práticas que fazem a diferença na vida de um pet”, dizem.

Com informações: Folhapress

16:25 · 01.02.2018 / atualizado às 16:25 · 01.02.2018 por
Mudanças climáticas estão reduzindo o habitat desses animais, forçando-os a ir cada vez mais longe para buscar comida durante o degelo, gastando mais energia que conseguem repor Foto: National Geographic

Os ursos polares têm taxas metabólicas mais altas do que se pensava e isso explica por eles têm sido incapazes de conseguir alimentos em quantidade suficiente para suas necessidades, de acordo com um novo estudo.

De acordo com os autores, publicada nesta quinta-feira (1), na revista Science, a pesquisa mostra quais são os mecanismos fisiológicos por trás do declínio já observado nas populações e nas taxas de sobrevivência dos ursos polares.

“Temos documentado, ao longo da última década, o declínio nas taxas de sobrevivência, nas condições de saúde e nos números populacionais do urso polar. Ao calcular as necessidades energéticas reais dos ursos polares e observar com que frequência eles são capazes de caçar focas, esse estudo identificou os mecanismos que estão levando a esses declínios”, disse o autor principal da pesquisa, Anthony Pagano, da Universidade da Califórnia em Santa Cruz.

Pagano explica que o declínio das populações de ursos já era associado às mudanças climáticas que estão reduzindo o habitat desses animais, forçando-os a ir cada vez mais longe para buscar comida durante o degelo. Mas a conta não fechava, porque não se sabia que os ursos precisavam de tanta energia – os estudos anteriores se baseavam em estimativas de uma taxa metabólica 50% mais baixa.

Monitoramento

Para realizar o novo estudo, os cientistas monitoraram o comportamento dos ursos, a frequência de sucesso na caça e as taxas metabólicas de fêmeas adultas sem filhotes quando elas buscavam presas no gelo do Mar de Beaufort durante a primavera.

O monitoramento foi feito com coleiras hi-tech, que registravam em vídeo as andanças dos animais, rastreando seu deslocamento, seu comportamento e os níveis de atividade em períodos de oito a 11 dias. Foram utilizados também sensores de atividade metabólica para determinar quanta energia os animais gastavam em suas atividades.

Com isso, os cientistas descobriram que as taxas metabólicas registradas eram, em média, 50% mais altas do que as estimadas por estudos anteriores. Cinco dos nove ursos estudados perderam muito peso e não conseguiram caçar focas em número suficiente para suprir seus gastos de energia.

“A pesquisa foi feita no início do período que vai de abril a julho, quando os ursos polares capturam a maior parte das suas presas e conseguem acumular a maior parte da gordura corporal que eles precisam para sustentá-los pelo resto do ano”, disse Pagano.

O cientista afirma que as mudanças climáticas têm efeitos dramáticos no gelo do mar do Ártico, forçando os ursos polares a percorrer distâncias maiores e dificultando a busca de presas.

No Mar de Beaufort, as geleiras marinhas começam a recuar a partir da plataforma continental em julho, quando a maioria dos ursos se move em direção ao norte à medida que o gelo se retrai.

Derretimento do gelo

Com o aquecimento do Ártico, mais gelo derrete nesse processo, obrigando os ursos a percorrer distâncias maiores que no passado. Isso faz com que eles gastem mais energia durante o verão, quando eles ficam em jejum até que o gelo volte, no outono, à plataforma continental. Em outras áreas, como na Baía de Hudson, a maior parte dos ursos vai para a terra quando o gelo marinho recua. Ali, o aquecimento do Ártico faz com que o gelo marinho se rompa mais cedo no verão e volte a se formar mais tarde no outono, forçando os ursos a ficarem mais tempo em terra.

“De qualquer maneira, a questão continua sendo quanta gordura eles podem acumular antes que o gelo comece a recuar e quanta energia eles terão que gastar. Nós descobrimos que os ursos polares têm uma necessidade de energia muito mais alta do que o estimado”, afirmou Pagano. Na primavera, os ursos polares caçam principalmente as focas que nasceram recentemente e que são mais suscetíveis que as focas adultas. No outono, quando as jovens focas já estão mais velhas e espertas, os ursos não conseguem tantas presas. “Calculamos que os ursos podem capturar até duas focas no outono. Na primavera e no começo do verão, eles caçam de cinco a 10 focas”, disse Pagano.

Os cientistas da Universidade da Califórnia em Santa Cruz têm estudado os ursos polares no Mar de Beaufort desde a década de 1980. Segundo Pagano, a estimativa populacional mais recente indica que o número de ursos polares caiu cerca de 40% na última década. Mas, segundo Pagano, era difícil estudar a biologia fundamental e o comportamento dos ursos polares em um ambiente tão remoto e hostil. “Agora nós temos a tecnologia para descobrir como eles se movem no gelo, quais são seus padrões de atividades e suas necessidades energéticas, de forma que podemos entender melhor a implicações das mudanças que estamos observando no gelo marinho” afirmou Pagano.

Com informações: Estadão Conteúdo

17:55 · 12.12.2017 / atualizado às 17:55 · 12.12.2017 por
cientistas descobriram, em Myanmar, vários carrapatos aprisionados em diversos pedaços de âmbar (uma espécie de resina fóssil), associados a restos dos grandes répteis Foto: NPR

A partir da descoberta de um fóssil de carrapato preservado em âmbar, um grupo internacional de cientistas mostrou pela primeira vez que esses parasitas já se alimentavam do sangue de dinossauros há quase 100 milhões de anos.

O estudo, publicado nesta terça-feira (12), na revista Nature Communications, também revela uma nova espécie extinta de carrapato, batizada de Deinocroton draculi, em alusão ao vampiro Drácula. Os cientistas descobriram, em Mianmar, vários carrapatos aprisionados em diversos pedaços de âmbar – uma espécie de resina fóssil – datados em 99 milhões de anos.

Um deles estava agarrado a uma pena de dinossauro. Segundo os autores do estudo, raramente são encontrados parasitas associados aos fósseis de seus hospedeiros e a descoberta é a primeira evidência direta da relação entre carrapatos e dinossauros.

Sem ‘Jurassic Park’

Embora o contexto da pesquisa lembre bastante o filme Jurassic Park, os cientistas afirmam que é praticamente impossível reconstruir dinossauros a partir de eventuais restos de DNA desses animais no fóssil de um carrapato do período Cretáceo (145 milhões a 66 milhões de anos atrás).

Na obra ficcional, dirigida por Steven Spielberg em 1993, os cientistas extraem o DNA de dinossauros de fósseis de mosquitos preservados em âmbar e, a partir daí, conseguem clonar os lagartos gigantes e trazê-los de volta à Terra. Os pesquisadores porém, explicam que embora seja comum encontrar fósseis em âmbar, é praticamente inviável extrair dessas amostras DNA em condições de ser utilizado – e o processo de clonagem seria ainda mais difícil. Todas as tentativas feitas até hoje de extrair DNA de espécimes em âmbar foram um fracasso, por causa da curta vida útil dessa molécula.

“Os carrapatos são infames organismos parasitários sugadores de sangue, que têm um impacto tremendo na saúde de humanos, de gado de bichos de estimação e de animais selvagens. Mas até agora estava faltando uma clara evidência do papel desses parasitas no passado remoto”, disse o autor principal do estudo, Enrique Peñalver, do Instituto de Pesquisa de Geologia e Mineração da Espanha.

Penas de dinossauros

Segundo Peñalver, o âmbar do Cretáceo fornece aos cientistas uma janela para o mundo dos dinossauros emplumados. Parte desse grupo de dinossauros mais tarde evoluiria para dar origem às aves modernas. A pena de dinossauro encontrado no âmbar com o carrapato, segundo os cientistas, tem estrutura semelhante à das penas dos pássaros.

Com informações: Estadão Conteúdo

12:07 · 07.11.2017 / atualizado às 12:07 · 07.11.2017 por
Concepção artística de primatas do gênero Purgatorius, que surgiram há cerca de 65 milhões de anos. A ordem, que inclui os humanos, foi a primeira adotar hábitos diurnos, o que deve ter ocorrido há pelo menos 52 milhões de anos Imagem: Yale News

Os primeiros mamíferos eram criaturas noturnas que só emergiram da escuridão após o desaparecimento dos dinossauros, disseram pesquisadores israelenses.

Isso explicaria por que relativamente poucos mamíferos seguem um estilo de vida “diurno” hoje, e por que a maioria destes ainda tem olhos e ouvidos mais adequados para viver à noite.

“A maioria dos mamíferos hoje são noturnos e possuem adaptações para sobreviver em ambientes escuros”, disse o coautor do estudo Roi Maor, da Universidade de Tel Aviv. “Os macacos e os primatas (incluindo os humanos) são os únicos mamíferos diurnos com olhos evoluídos que são semelhantes aos outros animais diurnos, como pássaros ou répteis. Outros mamíferos diurnos não desenvolveram adaptações tão profundas”, acrescentou.

Maor e uma equipe de pesquisadores fornecem evidências que apoiam a teoria de longa data de que dezenas de milhões de anos fugindo dos dinossauros causaram um “gargalo” noturno na evolução dos mamíferos.

Por terem se escondido na escuridão por tanto tempo – possivelmente para evitar disputar comida e território com os dinossauros ou ser comidos por eles -, os mamíferos de hoje não estão no mesmo patamar dos peixes, répteis e pássaros quando se trata de visão diurna. Os mamíferos, exceto os primatas, não possuem uma parte do olho conhecida como fóvea, que muitos peixes, répteis e aves possuem e que está repleta de células “cone” fotorreceptoras para ver cores na luz forte.

Em vez disso, eles tendem a ter mais células em forma de bastão, que podem absorver luz escassa, mas proporcionam uma resolução relativamente baixa.

Os mamíferos modernos que são ativos principalmente de dia – incluindo alguns tipos de esquilo, musaranhos-arborícolas, alguns antílopes e muitos animais carnívoros – também tendem a ter olfato e audição aguçados, atributos necessários para viver no escuro.

Primatas primeiro 

Maor e uma equipe analisaram os estilos de vida de 2.415 espécies de mamíferos vivos e usaram algoritmos de computador para reconstruir o comportamento provável de seus antepassados, chegando até os primeiros mamíferos.

O primeiro antepassado dos mamíferos surgiu entre 220 milhões e 160 milhões de anos atrás, evoluindo a partir de um ancestral réptil, que provavelmente era noturno, de acordo com o estudo publicado na revista científica Nature Ecology & Evolution.

Os dinossauros, por outro lado, provavelmente eram habitantes diurnos que procuravam a luz solar para aquecer seus corpos, como os répteis fazem hoje.

Os dados revelaram que os mamíferos permaneceram noturnos durante toda a Era Mesozoica, que terminou cerca de 66 milhões de anos atrás, quando uma calamidade maciça, possivelmente uma queda de asteroides, eliminou os dinossauros e cerca de três quartos da vida na Terra.

Os mamíferos, então principalmente animais pequenos e velozes, sobreviveram e prosperaram.

A maioria permaneceu noturna, enquanto alguns abraçaram o dia e outros – incluindo gatos, elefantes e vacas – são hoje um pouco das duas coisas.

Os ancestrais dos primatas estavam entre os primeiros mamíferos a se tornarem estritamente diurnos, há cerca de 52 milhões de anos, descobriram os pesquisadores.

Isso explica por que nossa família de primatas está melhor adaptada ao modo de vida iluminado pelo sol: tivemos mais tempo para evoluir e nos adaptarmos.

O motivo da mudança da noite para o dia não está claro, disse Maor, mas pode ter incluído um “risco reduzido de predação” para os primeiros mamíferos.

Embora o estudo mostre uma forte correlação entre a morte dos dinossauros e o surgimento de mamíferos diurnos, não pode concluir que houve uma relação de causa e efeito.

Com informações: AFP

16:08 · 27.09.2017 / atualizado às 16:11 · 27.09.2017 por
Mesmo faltando mais de três meses para o fim do ano, as 97 mortes desses animais nas praias do país já superam a marca anterior que era de 96 em 2010 Foto: Projeto Baleia Jubarte

Impulsionadas pelas mudanças climáticas e pelo crescimento na população, o total de baleias jubartes encalhadas na costa brasileira bateu recorde neste ano.

Dados do Instituto Baleia Jubarte (IBJ), em Caravelas (BA), apontam que o número de encalhes desses cetáceos em 2017 já é de 97, superando o recorde anterior, de 2010, com 96.

Os encalhes são normalmente observados no período de julho a novembro, quando as jubartes chegam ao atlântico sul para atividades reprodutivas. Bahia, com 39 encalhes, é o Estado com maior número de ocorrências, seguido de Espírito Santo (29), Rio de Janeiro (14), Alagoas (8), São Paulo (4), Sergipe (2) e Rio Grande do Sul (1). Entre as causas apontadas, segundo pesquisadores, a mais importante tem sido a influência das mudanças climáticas e o impacto disso na produção do krill (um pequeno crustáceo que é o alimento da espécie), na Antártica.

O levantamento é produzido desde 2002 pelo IBJ, que faz parte da Rede de Monitoramento e Informação de Encalhes de Mamíferos Aquáticos do Brasil (Remab), coordenada nacionalmente pelo Instituto Chico Mendes para a Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

“Temos dados que apontam que a oferta de krill no hemisfério Sul na área de alimentação diminuiu nos últimos três anos, possivelmente influenciado pelo El Niño intenso que tivemos em 2015”, disse Milton Marcondes, coordenador de pesquisa do IBJ. O consenso dos pesquisadores é que o crustáceo também foi a razão para o alto índice de encalhes no ano de 2010, número que surpreendeu a todos. Em todo o ano passado, foram achadas 78 baleias jubartes encalhadas nas praias do litoral brasileiro, alguns dos quais no primeiro semestre. A avaliação é que o encalhe no primeiro semestre, raro, se deve a animais que permaneceram no Brasil e não fizeram o caminho de volta para as áreas polares.

As jubartes se alimentam durante o verão nas regiões polares e depois passam o resto do ano queimando a gordura que acumularam. De acordo com o pesquisador, se uma fêmea não conseguiu se alimentar direito, pode ter problemas na travessia até o atlântico sul. Para Marcondes, a influência climática sobre a oferta de alimentação das baleias é preocupante. “É importante entender como variações climáticas podem afetar o krill e como isso se reflete na população de jubartes, pois mudanças na oferta de alimento têm potencial para impactar toda a população.”

Além da questão nutricional, o aumento populacional tem sido outra causa discutida. A população de jubartes vem crescendo após ter sido quase dizimada pela caça comercial. A contagem é feita por amostragem, em sobrevoos no litoral brasileiro, na região do Banco de Abrolhos. Em 2002, durante sobrevoo no litoral da Bahia e Espírito Santo, o IBJ estimou a população em 3.400 baleias. Em 2015, a população já tinha crescido para 17 mil.

Em 2017, conforme projeções, essa população chegou a 20 mil indivíduos. “Com muito mais baleias no mar é esperado que tenhamos mais encalhes daquelas que morrem por causas naturais e das que morrem em função de atividades causadas pelo ser humano”, disse Marcondes. Entre essas causas estão poluição, atropelamento por navios e equipamento de pesca.

Não se sabe ao certo a quantidade de baleias que morrem na travessia. A maior parte morre no mar e algumas carcaças, dependendo do vento, vão parar nas praias. Apenas 15% encalham com vida, afirmam os pesquisadores.

Filhotes

O recorde de encalhes ainda não chega a afetar o ecossistema nem impactar na recuperação da população de baleias, mas os pesquisadores estão atentos à quantidade de filhotes que chegam às praias (52% do total).

Para Marcondes, entre as razões para isso estão o fato de estarem mais sujeitos à ação de predadores (tubarões e orcas), terem baixa imunidade e a necessidade de ficarem mais próximos da superfície e subir mais vezes para respirar.

Segundo ambientalistas, os filhotes só sobrevivem se estiverem com suas mães. “Se ele está aparentemente sadio, nós fazemos uma tentativa de devolvê-lo ao mar, mesmo sabendo que as chances de ele voltar a encontrar sua mãe são mínimas.” As baleias adultas representam 25% dos encalhes e 23% são considerados indivíduos juvenis.

Subestimados

Os números podem estar subestimados, já que as instituições necessitam do apoio da população para a localização dos encalhes.

Em Alagoas, o Instituto Biota de Conservação tem feito campanhas e treinado a população para a informação e cuidados com os animais ainda vivos, até a chegada do resgate.

“As redes sociais têm facilitado bastante, pois recebemos as informações de encalhes e denúncias quase em tempo real”, disse Luciana Medeiros, veterinária e diretora-executiva do Biota.

Em 2016 eles reforçaram o sistema de comunicação com o lançamento de um aplicativo para smartphone, o BiotaMar, pelo qual podem ser enviadas fotos e localização exata do achado. Neste ano, foram localizados oito encalhes, todos filhotes. Apenas uma foi reintroduzida no mar -as outras eram só carcaça-, mas em seguida morreu.

Com informações: Folhapress

22:17 · 24.09.2017 / atualizado às 22:24 · 24.09.2017 por
Mesmo sendo animais com sistema nervoso descentralizado, os cnidários ficavam muito mais lentos para responder a estímulos externos no período noturno Foto: ShutterStock

Pesquisadores demonstraram pela primeira vez que até mesmo organismos sem cérebro – no caso, uma espécie de água-viva – mostram um comportamento parecido com o ato de dormir, sugerindo que as origens do sono são muito mais primitivas do que se pensava.

Os pesquisadores observaram que a taxa na qual a água-viva Cassiopea , que pertence ao filo dos cnidários, pulsava seu corpo diminuía um terço durante a noite. Além disso, os animais ficavam muito mais lentos para responder a estímulos externos, como alimento ou movimentos, nesse período. Quando privadas de seu descanso noturno, as águas-vivas se mostravam menos ativas no dia seguinte.

“Todos com quem conversamos têm uma opinião quanto a se águas-vivas dormem ou não. Isso realmente nos empurra para lidar com a questão da natureza do sono”, diz Ravi Nath, principal autor do artigo e geneticista molecular no Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) em Pasadena. O estudo foi publicado em 21 de setembro na revista científica Current Biology. “Este trabalho fornece evidências convincentes do quão cedo na evolução um estado similar ao sono evoluiu”, diz Dion Dickman, neurocientista na Universidade do Sul da Califórnia em Los Angeles.

Sono sem sentido

Nath está estudando o sono no verme Caenorhabditis elegans, mas sempre que apresentava seu trabalho em conferências de pesquisa outros cientistas zombavam da ideia de que um animal tão simples poderia dormir.

A questão fez Nath pensar: o quão simples deve ser o sistema nervoso de um animal para que ele careça da habilidade de dormir? A obsessão de Nath logo contagiou Michael Abrams e Claire Bedbrook, seus amigos e colegas doutorandos na Caltech. Abrams trabalha com águas-vivas e sugeriu que uma dessas criaturas seria um organismo modelo adequado, pois elas possuem neurônios, mas não um sistema nervoso central. Em vez disso, os neurônios das águas-vivas se conectam em uma rede neural descentralizada.

As águas-vivas Cassiopea, em particular, chamaram a atenção do trio. Apelidada de água-viva de ponta cabeça devido ao hábito de sentar no fundo do mar com a parte superior de seu corpo, com seus tentáculos acenando para cima, a Cassiopea raramente se move por conta própria. Isso tornou mais fácil para os pesquisadores projetarem um sistema automatizado que utiliza imagens em vídeo para rastrear a atividade de pulsação do corpo. Para fornecer evidências do comportamento semelhante ao sono na Cassiopea (ou qualquer outro organismo), os pesquisadores precisavam mostrar um período rapidamente reversível de diminuição da atividade – ou quiescência – com menor responsividade a estímulos.

O comportamento também deveria ser conduzido por uma necessidade de dormir a que aumentasse tanto quanto fosse maior o tempo que o animal passasse acordado, para que um dia de sono reduzido fosse seguido de um aumento de repouso. Outros pesquisadores já haviam documentado uma queda noturna na atividade em outras espécies de águas-vivas, mas nenhum estudo prévio mostrou os demais aspectos associados ao comportamento do sono.

Em um tanque de 35 litros, Nath, Abrams e Bedbrook rastrearam os pulsos do corpo da Cassiopea ao longo de seis dias e noites e descobriram que a taxa – a qual possui uma média de um pulso por segundo por dia – caía quase um terço à noite. Também documentaram períodos noturnos de 10 a 15 segundos livres de pulsos, o que não acontecia durante o dia.

Noite agitada

Na ausência de um alarme para águas-vivas, os cientistas usaram um petisco de camarão e ostra para tentar despertar a Cassiopea de seu cochilo.

Quando derrubavam comida no tanque durante a noite, os animais respondiam voltando ao padrão de atividade diurno. A equipe utilizou a preferência das águas-vivas de sentarem em superfícies sólidas para testar se a Cassiopea em repouso tinha uma resposta atrasada aos estímulos externos.

Eles levantaram lentamente a água-viva do fundo do tanque usando uma tela, depois a tiraram debaixo do animal, deixando-a flutuando na água. Demorou mais tempo para a criatura começar a pulsar e se reorientar quando isso aconteceu à noite do que durante o dia. Se o experimento fosse imediatamente repetido à noite, a água-viva responderia como se fosse dia. Por fim, quando a equipe forçou a Cassiopea durante toda uma noite, mantendo-a acordada com repetidos pulsos de água, encontraram uma queda de 17% em sua atividade no dia seguinte.

“Este trabalho mostra que o sono é muito mais antigo do que pensávamos. A simplicidade desses organismos abre as portas para entender por que o sono evoluiu e o que ele faz”, diz Thomas Bisch, biólogo evolutivo da Universidade Kiel na Alemanha. “O sono pode ser retroceder até esses pequenos metazoários – o quão mais longe isso vai?”, ele pergunta.

É isso que Nath, Abrams e Bedbrook querem descobrir. Em meio ao desafio de terminar suas teses de doutorado, começaram a procurar por genes antigos que pudessem controlar o sono, na esperança de que isso talvez fornecesse pistas sobre o porquê de o sono ter surgido originalmente.

Com informações: Scientific American Brasil