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Categoria: Comportamento


18:40 · 18.09.2018 / atualizado às 18:42 · 18.09.2018 por
Concepção artística do barroco italiano Michelangelo Merisi, o Caravaggio, que morreu na Toscana, quatro anos após fugir de Roma por ter cometido um assassinato Imagem: Artble

O famoso pintor barroco Caravaggio, que morreu em 1610, sucumbiu a uma infecção de Staphylococcus aureus, revelaram nesta terça-feira (18) pesquisadores do Hospital Universitário Mediterrâneo de Marselha (IHU), quatro séculos depois.

Michelangelo Merisi, conhecido como Caravaggio, fugiu de Roma depois de cometer um assassinato em uma briga de rua, e morreu quatro anos depois na Toscana em condições inexplicadas. “Graças à cooperação com antropólogos italianos e com o microbiologista Giuseppe Cornaglia, as equipes do IHU de Marselha conseguiram extrair dentes do esqueleto de Caravaggio”, informou o instituto em um comunicado.

Os pesquisadores extraíram a polpa dentária, rica em vasos sanguíneos. Combinando três métodos de detecção de DNA, “o assassino foi identificado: um Staphylococcus aureus”, acrescentou o comunicado.

O instituto de pesquisa do IHU, liderado pelo professor Didier Raoult, é um centro de pesquisa, atendimento, treinamento e avaliação especializado na luta contra doenças infecciosas.

O resultado da pesquisa será publicado antes do final do ano em um artigo científico da revista “Lancet contagious diseases”, conforme detalhado pelo IHU.

Com informações: AFP

17:36 · 04.09.2018 / atualizado às 17:36 · 04.09.2018 por
Mortes aconteceram semanas depois da polêmica decisão das autoridades do governo local de desarmar seus guardas florestais, especializados na luta contra caçadores Foto: Elephants Without Borders

Ao menos 90 elefantes mortos, e com as presas arrancadas, foram encontrados nas últimas oito semanas em Botsuana, onde recentemente as autoridades desarmaram as unidades encarregadas de lutar contra os traficantes de marfim.

A ONG Elefantes sem Fronteiras e o Ministério de Fauna e Parques Nacionais do país compilaram essas cifras após realizarem uma contagem aérea da população de elefantes de Botswana. “Começamos a contagem em 10 de julho e até agora encontramos 90 cadáveres de elefantes”, explicou o responsável da ONG, Mike Chase. “A cada dia encontramos mais”, acrescentou. “A maioria foi assassinada por balas de grosso calibre”, continuou o defensor. “Trata-se do episódio mais grave de caça furtiva na África que já vi”, continuou.

O ministro do Turismo local, Tshekedi Khama, confirmou a amplitude do massacre. “Sei que o balanço alcança um número de dois dígitos, algo muito elevado para Botsuana”, declarou. “Estou muito preocupado, muito inquieto”, acrescentou.

O defensor da Elefantes sem Fronteiras esclareceu que essas mortes aconteceram semanas depois da polêmica decisão das autoridades de Gaborone de desarmar seus guardas florestais, especializados na luta contra a caça furtiva.

Maior população selvagem

Situado entre Zâmbia e África do Sul, Botsuana abriga a maior população africana de elefantes em liberdade, estimada em 2015 em 135 mil exemplares.

Até maio, os guardas florestais estavam fortemente armados e eram autorizados a atirar em caçadores furtivos. Mas o governo do novo presidente, Mokgweetsi Masisi, em funções desde o mês anterior, ordenou o desarmamento dessas unidades sem explicar o motivo. Seu antecessor, Ian Khama, era considerado um apaixonado defensor da fauna selvagem de seu país. Questionado nesta terça-feira (4), o chefe do Estado-Maior do Exército, o general Placid Segokgo, se negou a fazer comentários sobre a decisão de desarmar as unidades de guarda florestais.

Segundo Chase, os responsáveis desta onda de caça ilegal vêm de países vizinhos como Angola e Zâmbia. “Mataram tantos elefantes nesses países que eles quase desapareceram. Agora os contrabandistas vêm para Botswana”, explicou.

“Estivemos a salvo dos caçadores furtivos durante muito tempo, agora nos damos conta de quão sofisticados são”, admitiu o ministro Khama. “Infelizmente às vezes aprendemos as lições da pior maneira”, acrescentou.

Com informações: AFP

19:52 · 16.08.2018 / atualizado às 19:52 · 16.08.2018 por
Relevos simbolizariam a fertilização da terra, pois as serpentes representam uma divindade vinculada à água que brota da terra e faz germinar à semente Foto: Agência Brasil

Uma nova parede com relevos com 3.800 anos de antiguidade foi descoberta nas ruínas de Vichama, uma das cidades da Civilização de Caral, considerada a mais antiga da América, anunciou a arqueóloga Ruth Shady, diretora das escavações e responsável por descobertas dessa cultura.

A imagem apresenta quatro cabeças humanas de olhos fechados, uma do lado da outra, e duas serpentes que se deslocam entre elas até chegarem em uma quinta cabeça não humana, que representaria uma semente antropomórfica, da qual saem cinco varinhas verticais fincadas na terra.

Os relevos simbolizariam a fertilização da terra, pois as serpentes representam uma divindade vinculada à água que brota da terra e faz germinar à semente, segundo a hipótese de Shady. Além disso, marcariam o final de um período de seca e crise de fome que atravessou essa sociedade e que foi representada em outras paredes descobertas anteriormente na mesma cidade.

Mudança climática

Essa nova descoberta reforça o trabalho de mostrar para os humanos atuais as dificuldades que a sociedade enfrentou devido à mudança climática e à escassez da água, que causou graves problemas à produtividade agrícola.

O muro, feito de adobe, está em Vichama, a cidade pesqueira de Caral. Essa civilização surgiu há 5 mil anos no Vale de Supe, a 180 quilômetros ao norte de Lima. Ele fica na entrada do salão cerimonial, principal ambiente desse complexo público.

A construção chegou a ter uma área de 874 metros quadrados e foi remodelada continuamente com janelas escalonadas e uma praça circular funda, que foi enterrada. As escavações em Vichama começaram em 2007 e estão a cargo da Zona Arqueológica Caral (ZAC), que desenterrou 22 construções em de 25 hectares, conforme os cálculos erigidos entre os anos 1.800 a.C e 1.500 a.C.

Os novos relevos foram revelados no marco do décimo primeiro aniversário dos trabalhos feitos em Vichama, cujas celebrações serão nos dias 31 de agosto e 1º de setembro.

Contemporânea a outras civilizações

A Civilização de Caral se desenvolveu nos vales próximos a Lima praticamente ao mesmo tempo que outras grandes culturas antigas, como Mesopotâmia, Egito, China e Tiwanaku, e a sua descoberta mudou o paradigma da conformação das grandes civilizações do Antigo Peru.

Com informações: Agência Brasil

22:56 · 30.07.2018 / atualizado às 18:15 · 27.08.2018 por
Boa parte das peças paleontológicas é composta por trilobites, grupo de animais que surgiu há 521 milhões de anos e foram extintos há 252 milhões de anos Foto: Governo do Chile

O Chile devolveu à Bolívia 42 peças paleontológicas de entre 390 e 420 milhões de anos de antiguidade (período Devoniano da era Paleozoica), confiscadas na fronteira há dois anos, informou nesta segunda-feira (30) a Aduana Nacional.

Agentes da Alfândega chilena descobriram as peças fósseis em um veículo que tentava entrar no Chile a partir da Argentina pelo passo Los Libertadores, um movimentado complexo fronteiriço situado na zona central do país. Peritagens do Conselho de Monumentos Nacionais (CMN) determinaram que se tratava de vestígios provenientes da Bolívia.

As peritagens “permitiram estabelecer que as peças paleontológicas, por suas características e data, podiam corresponder a unidades geológicas bolivianas”, indicou um comunicado da Aduana. Após confirmar os primeiros resultados sobre a origem das peças, foi inciado o contato com autoridades diplomáticas bolivianas para realizar sua devolução, que aconteceu nesta segunda-feira.

“É uma grande satisfação para nosso governo a recuperação de um material inestimável de qualquer ponto de vista. Queremos agradecer as gestões realizadas no Chile para a entrega destes fósseis”, declarou Juan Carlos Dueñas, cônsul da Bolívia em Santiago, que recebeu as peças de parte das autoridades chilenas.

“É uma grande notícia que hoje tenhamos a oportunidade de devolver estas 42 peças de alto valor paleontológico à Bolívia”, afirmou Francisco Moreno, subsecretário de Fazenda do Chile.

Em 2018, foram encontradas 150 peças fósseis em 14 descobertas realizadas em fronteiras chilenas, informou a Aduana do país.

Período Devoniano

O Devoniano é também conhecido como “idade dos peixes”, por ter sido o período em que esse grupo animal se diversificou e passou a dominar rios e mares.

Contudo, o Devoniano também foi marcado pela expansão de animais e plantas terrestres, incluindo os primeiros anfíbios. Nesse período, animais como os trilobites começavam a entrar em declínio. Os trilobites, que compõem boa parte das peças fósseis devolvidas do Chile à Bolívia, eram muito comuns em períodos anteriores, tendo surgido há cerca de 521 milhões de anos. Eles foram extintos há 252 milhões de anos.

Com informações: AFP

11:49 · 28.07.2018 / atualizado às 11:49 · 28.07.2018 por
Ao lado do Lago Magadi, no Quênia, jovens da comunidade Maasai assistiram ao eclipse através de um telescópio de alta potência fornecido por um casal local Foto: AFP

O mais longo eclipse “lua de sangue” deste século ocorreu nesta sexta-feira (27), coincidindo com a maior aproximação em 15 anos de Marte do nosso planeta, oferecendo um espetáculo celestial aos observadores no mundo todo. Em Fortaleza, o céu nublado comprometeu parcialmente a contemplação do fenômeno.

Conforme a Lua lentamente navegava pelos céus, multidões se reuniram em todo o mundo para assistir ao fenômeno raro, que começou às 17h14 e terminou às 23h28 GMT (14h14 às 20h28 horário em Fortaleza). Durante seis horas e 14 minutos, para cerca da metade do mundo a lua ficou parcialmente ou totalmente na sombra da Terra.

A duração do eclipse completo – conhecido como “totalidade”, quando a lua parece mais escura – se estendeu das 19h30 às 21h13 GMT (16h30 às 18h13 em Fortaleza). Ao mesmo tempo, Marte apareceu perto da lua no céu noturno, facilmente visível a olho nu. Ao lado do Lago Magadi, 100 quilômetros a sudoeste da capital queniana, Nairóbi, jovens membros da comunidade Maasai assistiram ao eclipse através de um telescópio de alta potência fornecido por um casal local.

“Até hoje eu achava que Marte, Júpiter e os outros planetas estavam na imaginação dos cientistas”, disse Purity Sailepo, 16 anos. “Mas agora que eu os vi, posso acreditar, e quero ser um astrônomo para contar a outras pessoas”, acrescentou.

Diferentemente de como acontece com um eclipse solar, os espectadores não precisaram de equipamentos de proteção para observar este fenômeno raro.

Visibilidade

Os astrônomos amadores do hemisfério sul ficaram melhor posicionados para apreciar o espetáculo, especialmente os do sul da África, Austrália, Sul da Ásia e Madagascar, mas o fenômeno também foi parcialmente visível na Europa e na América do Sul.

Na América do Sul, foi visível na penumbra crepuscular de sexta-feira na costa oriental do continente, no Brasil, Uruguai e Argentina. Mais de 2.000 pessoas, incluindo muitas crianças com binóculos, se reuniram na capital tunisiana de Túnis. “Espero que este eclipse nos traga felicidade e paz”, disse Karima, 46 anos, sem tirar os olhos do céu.

No entanto, o mau tempo impediu a exibição cósmica em várias partes do mundo. Tempestades de monção generalizadas e nuvens espessas esconderam a lua em grande parte da Índia e seus vizinhos, que deveriam ter tido uma visão privilegiada.

Da mesma forma, observadores ansiosos que se reuniram em penhascos e praias no condado inglês de Dorset foram deixados no escuro devido a um céu nublado.

“É decepcionante”, disse Tish Adams, 67 anos. “Eu tirei algumas fotos, mas não havia nada além de uma listra rosa no céu”.

Corpos celestes alinhados

Marte apareceu extraordinariamente grande e brilhante, a apenas 57,7 milhões de quilômetros da Terra em sua órbita elíptica em torno do Sol.

“Temos uma rara e interessante conjunção de fenômenos”, disse Pascal Descamps, astrônomo do Observatório de Paris. “Uma tonalidade vermelha acobreada na lua, com Marte, o ‘Planeta Vermelho’, logo ao lado, muito brilhante e com um leve tom alaranjado”.

Um eclipse lunar total acontece quando a Terra se posiciona em uma linha reta entre a Lua e o Sol, tapando a luz solar direta que normalmente faz o nosso satélite brilhar com um amarelo esbranquiçado. A Lua viaja para uma posição similar a cada mês, mas a inclinação de sua órbita faz com que ela normalmente passe acima ou abaixo da sombra da Terra – então, na maioria dos meses, temos uma lua cheia sem um eclipse.

Quando os três corpos celestes estão perfeitamente alinhados, no entanto, a atmosfera da Terra dispersa a luz azul do Sol, enquanto refrata ou curva a luz vermelha sobre a Lua, geralmente dando-lhe um rubor rosado. Isso é o que dá ao fenômeno o nome de “lua de sangue”, embora Mark Bailey, do Observatório de Armagh, na Irlanda do Norte, afirme que a cor é variável. Depende em parte de “quão nubladas ou transparentes estão aquelas partes da atmosfera da Terra que permitem que a luz do Sol chegue à Lua”, disse.

“Durante um eclipse muito escuro a lua pode ficar quase invisível. Eclipses menos escuros podem mostrar a lua como cinza escuro ou marrom (…), como cor de ferrugem, vermelho-tijolo, ou, se muito brilhante, vermelho-cobre ou laranja”, acrescentou.

Particularidades

A longa duração deste eclipse se deveu em parte ao fato de que a lua fez uma passagem quase central através da umbra da Terra – a parte mais escura e central da sombra.

A Lua também está no ponto mais distante de sua órbita da Terra, fazendo com que seu movimento pelo céu ficasse mais lento de nossa perspectiva, passando assim mais tempo no escuro.

Marte aparece como uma estrela muito brilhante. “No meio de um eclipse lunar, parece que um planeta vermelho passou a residir perto da Terra – e eles são ambos misteriosos e belos”, disse Robert Massey, da Royal Astronomical Society, em Londres.

Com informações: AFP

20:13 · 28.06.2018 / atualizado às 20:24 · 28.06.2018 por
Em 1997, a francesa Jeanne Calmant morreu com a idade recorde de 122 anos Foto: Gerontology

A expectativa de vida máxima de um ser humano já foi atingida? Talvez não, segundo um estudo com centenários italianos publicado nesta quinta-feira (28) que descobriu que a longevidade humana está aumentando lentamente.

Os cientistas debatem há muito tempo se a expectativa de vida máxima das pessoas foi atingida ou não. Um estudo de 2016 na revista Nature argumentou que sim, em 1997, quando a francesa Jeanne Calmant morreu com a idade recorde de 122 anos.

Mas as novas descobertas na revista Science apontam para a possibilidade de prolongar a longevidade humana, e que a expectativa de vida de nossa espécie pode aumentar com o tempo. Com base em dados de mais de 3.800 centenários na Itália, os pesquisadores descobriram que o risco de morte diminui, e até mesmo se estabiliza, acima dos 105 anos.

“À medida que envelhecemos, nossa saúde e riscos de morte pioram cada vez mais rápido. Mas em idades extremas, eles param de piorar”, disse o coautor Kenneth Wachter, professor de estatística da Universidade da Califórnia, em Berkeley. “Eles não melhoram, mas param de piorar. Eles se nivelam”, disse à AFP.

Os pesquisadores estudaram dados sobre todos os habitantes da Itália com 105 anos ou mais entre 2009 e 2015 – aqueles nascidos entre 1896 e 1910 -, um total de 3.836 casos documentados, disse o estudo.

Concentrando-se na mortalidade entre as pessoas nascidas nos mesmos anos, ao longo do tempo eles encontraram ligeiros declínios na taxa de mortalidade.

Isso sugere que, com o passar do tempo, as pessoas estavam vivendo um pouco mais do que as que nasceram nos anos anteriores.

“As melhorias lentas, mas distintas, ao longo do tempo que vemos no nível da estabilização além da idade de 105 anos, dão esperança de que um limite fixo para a expectativa de vida não está sendo observado atualmente”, explicou Wachter.

Fatores socioeconômicos e melhoria no atendimento médico podem ser fatores que aumentam a longevidade humana. Mas “padrões semelhantes de estabilização da mortalidade em idade extrema são observados em outras espécies, sugerindo explicações estruturais e evolutivas comuns”, disse o relatório.

Se a pesquisa for confirmada por outros estudos, isso poderia significar que o limite da expectativa de vida humana ainda não foi atingido. A expectativa de vida global aumentou quase continuamente desde o século XIX, mas se estabilizou nas últimas décadas. Os bebês nascidos nos Estados Unidos hoje, por exemplo, podem esperar viver quase 79 anos, em comparação com 47 anos para os americanos nascidos em 1900.

Mas as pessoas que vivem até a velhice extrema são raras. Desde a morte de Calmant, a tendência geral para a pessoa mais velha do mundo é atingir os 115 anos de idade. Wachter disse que as descobertas não apontam para um novo limite potencial da expectativa de vida. “Nossas descobertas não dizem nada sobre idades além de 113 anos”, disse.

“Mas eles fornecem alguma esperança de que o aumento da compreensão das interações entre variantes genéticas e fatores médicos e comportamentais pode contribuir para uma melhor saúde e sobrevivência para as pessoas na faixa dos 80 e 90 anos, 10 ou 15 anos a partir de agora.”

Com informações: AFP

18:34 · 15.06.2018 / atualizado às 18:34 · 15.06.2018 por
Transmissão do astrofísico britânico será direcionada ao 1A 0620-00, que está localizado a 3.500 anos-luz do nosso planeta Foto: Nasa

Uma mensagem do astrofísico britânico Stephen Hawking será transmitida para o buraco negro mais próximo da Terra durante o enterro de suas cinzas, nesta sexta-feira (15), na Abadia de Westminster, em Londres, junto ao túmulo de Isaac Newton.

A mensagem – com sua conhecida voz sintetizada e especialmente escrita para a ocasião – será transmitida pela Agência Espacial Europeia (ESA). “É um gesto bonito e simbólico que cria um vínculo entre a presença do nosso pai neste planeta, seu desejo de ir ao espaço e a exploração do universo em sua mente”, disse sua filha Lucy Hawking.

O professor, que dedicou sua vida a desvendar os mistérios do universo e lutou para vencer as deficiências, será enterrado ao lado de outros dois grandes cientistas: Isaac Newton e Charles Darwin. A mensagem de Hawking será enviada “ao buraco negro mais próximo, o 1A 0620-00, em um sistema binário com uma estrela anã laranja bastante ordinária”, revelou a filha de Hawking.

O sistema está a 3.500 anos-luz da Terra, o tempo que tardará para chegar a mensagem. “É uma mensagem de paz e esperança, sobre a unidade e a necessidade de vivermos juntos e em harmonia neste planeta”. Hawking, que capturou a imaginação de milhões de pessoas no mundo, faleceu em 14 de março, aos 76 anos. O cientista, que ganhou fama mundial com o livro de 1988 “Uma breve história do tempo”, um sucesso inesperado de vendas, conquistou admiradores muito além do complicado mundo da astrofísica.

Sua morte rendeu uma série de homenagens, da rainha Elizabeth II à Nasa, que demonstraram o impacto de Hawking como cientista, mas também como farol de esperança para as pessoas afetadas por enfermidades degenerativas. A cerimônia desta sexta, com a presença de parentes, amigos colegas, celebrará não apenas suas conquistas como cientista, mas também seu caráter e resistência à doença devastadora. “Estamos muito agradecidos à Abadia de Westminster por nos oferecer o privilégio de celebrar um serviço de ação de graças à extraordinária vida de nosso pai, e por ter reservado um local distinto para o repouso final”, afirmaram seus filhos Lucy, Robert e Tim.

Stephen Hawking desafiou as previsões dos médicos que, em 1964, afirmaram que ele teria poucos anos de vida após o diagnóstico de uma forma atípica de esclerose lateral amiotrófica (ELA), uma doença que ataca os neurônios motores responsáveis por controlar os movimentos voluntários e que o condenou durante décadas a uma cadeira de rodas.

18:23 · 04.06.2018 / atualizado às 18:23 · 04.06.2018 por
A viagem seria feita a bordo da cápsula Dragon, levada ao Espaço no foguete mais potente da SpaceX, o Falcon Heavy, que fez o seu primeiro teste há quatro meses Imagem: SpaceX

A SpaceX não enviará turistas ao redor da Lua este ano, como havia anunciado previamente e, no mínimo, atrasará o projeto até meados de 2019, informou a imprensa norte-americana nesta segunda-feira (4).

A empresa com sede na Califórnia “não publicou um novo calendário para o voo, adiado até meados no ano que vem, e, provavelmente, até mais tarde”, noticiou o Wall Steet Journal, que também disse que as razões do atraso não estão claras, embora aponte para problemas técnicos e as “dúvidas” que despertam o interesse do mercado nessas viagens.

Os turistas viajariam a bordo da cápsula Dragon, levada ao Espaço no foguete mais potente da SpaceX, o Falcon Heavy, que fez o seu primeiro teste há quatro meses.

James Gleeson, porta-voz da empresa, assegurou que ainda querem realizar esses voos e que “há um interesse crescente de muitos clientes”.

O fundador da SpaceX, Elon Musk, afirmou em fevereiro de 2017 que dois cidadãos haviam feito um “depósito importante” para voar ao redor da Lua.

Com informações: AFP

18:09 · 22.05.2018 / atualizado às 18:09 · 22.05.2018 por
Dramatização de cena representando solenidade do Império Inca Foto: Escaped to Peru

Pesquisadores de Brasil, Bolívia e Peru vêm rastreando a origem da civilização inca, a maior população pré-colombiana, por meio de estudos genéticos realizados em descendentes contemporâneos dos imperadores incas.

É o primeiro “estudo genético sobre a família imperial inca”, que busca revelar se existiu uma relação patrilinear única, ou seja, somente um patriarca inca, ou se existiu mais de um. Além disso, busca-se comprovar se o império de Tahuantinsuyo, que se estendia do atual Equador até o Chile, se originou de descendentes de Puno ou Cusco, segundo narram duas lendas sobre sua fundação. “Depois de três anos de acompanhamento das marcas genéticas dos descendentes, confirmamos que as duas lendas que narram a origem da civilização inca (1200-1533 d.C.) estariam relacionadas”, assinalaram à AFP os peruanos Ricardo Fujita e José Sandoval, cientistas da Universidade San Martín de Porres, que participaram da pesquisa.

Os primeiros resultados do estudo foram publicados em abril pela revista Molecular Genetics and Genomics. O relatório diz que, a partir de um banco de amostras de DNA de mais de 3.000 nativos de Peru, Bolívia e Equador, compararam a informação genética dos descendentes dos incas que ainda vivem em Cusco e em populações próximas ao Lago Titicaca.

“Chegamos à conclusão que a nobreza de Tahuantinsuyo descende de duas linhagens, uma da região do Lago Titicaca, em Puno, e outra da montanha de Pacaritambo, em Cusco. Isso indica que as lendas sobre a fundação se mantêm e que poderiam ser somente um cenário”, assinalou Sandoval.

Uma das duas lendas que coletadas pelos historiadores após a conquista espanhola é a do casal Manco Capac e Mama Ocllo, que saem do Lago Titicaca (região Puno, língua aimara); e a outra é dos irmãos Ayar, que saem da montanha de Pacaritambo, em Cusco (língua quechua).

“Provavelmente do altiplano (Puno) saiu uma migração inicial que se estabeleceu em Pacaritambo por algumas décadas para, depois, se dirigirem a Cusco e fundar o Tahuantinsuyo”, disse Sandoval.

DNA de descendentes

Para a pesquisa foram usadas 12 famílias dos distritos de San Sebastián e San Jerónimo, em Cusco, “porque têm um contexto histórico de genealogia, existem documentos nos quais indica-se que desde 1570 essas famílias foram reportadas com linhagens dos incas”, explicou Fujita.

Também coletaram amostras de DNA de habitantes do Lago Titicaca e de Pacaritambo. “Foi comparado com a nossa base genética a de mais de 3.000 pessoas para reconstruir a árvore genealógica de todos os indivíduos”, acrescentou. “Ao final a reduzimos a cerca de 200 pessoas que compartilham semelhanças genéticas próximas à nobreza inca”.

Os resultados preliminares indicaram que 18 pessoas estão estreitamente relacionadas com as populações nativas que habitam o sul de Cusco, assim como o altiplano peruano e o norte da Bolívia.

“O que nos diz que os antepassados dos incas vieram do Lago Titicaca fazendo escala em Pacaritambo”.

Em busca de enterros

A investigação agora quer determinar com exatidão as origens dos incas. “Para isso é necessário pegar o DNA de vestígios como múmias que estejam registradas em crônicas ou documentos oficiais que são filhos ou netos dos incas para formar o panorama mais completo da origem da civilização mais importante pré-hispânica”, sustentou Fujita.

Esses restos ainda não foram encontrados porque no século XVI, quando os espanhóis invadiram Tahuantinsuyo, foi imposto o doutrinamento e a evangelização, destruindo e queimando as múmias de incas que os familiares veneravam e levavam em procissão.

Diante deste fato, os pesquisadores estão atrás da localização dos enterros dos descendentes diretos e, para isso, se baseiam nas crônicas e nos documentos oficiais da época.

O especialista assegurou que o DNA complementa a arqueologia, a antropologia e todos os tipos de estudos que compreendem a origem de uma espécie.

“Nesse caso, nós usamos a via da herança, que é o que a genética estuda, a transmissão de traços moleculares por gerações”.

Com informações: AFP

16:29 · 16.05.2018 / atualizado às 16:29 · 16.05.2018 por
Atualmente, a identificação do sexo do bebê pode ser feita pela análise de sangue, coletado a partir da punção das veias da gestante Foto: ShutterStock

Estudo coordenado pelo pesquisador Gustavo Barra publicado na revista Prenatal Diagnosis mostra ser possível identificar o sexo do bebê a partir de algumas gotas de sangue retirada da ponta de dedo da gestante.

Com o resultado do trabalho, realizado pelo Setor de Pesquisa e Desenvolvimento do Sabin Medicina Diagnóstica, em Brasília, a equipe parte agora para a construção de kits de coleta que permitam o uso da descoberta na rotina dos laboratórios, semelhantes àqueles que são usados para identificação de taxas de glicose no sangue. “Será um conforto para as gestantes. Além de permitir que a amostra seja obtida mesmo em locais onde não haja profissionais especializados para fazer a coleta de sangue”, afirmou o coordenador.

Atualmente, a identificação do sexo do bebê pode ser feita pela análise de sangue, coletado a partir da punção das veias da gestante. Isso é possível porque o DNA da porção fetal da placenta percorre a circulação sanguínea da gestante antes de ser eliminado pelos rins, fígado e enzimas presentes no sangue. Quando é encontrado o cromossomo Y, há a indicação de que o feto é masculino.

O estudo mostrou que a identificação também é possível quando o sangue é retirado de vasos sanguíneos de diâmetros reduzidos, os capilares. Assim como ocorre com o teste tradicional, a punção no dedo pode ser feita a partir da 8ª semana de gestação. A pesquisa foi feita com 101 voluntárias.

O estudo revelou, no entanto, que o sucesso da técnica depende do preparo na área onde a punção será feita. “Em algumas análises, o cromossomo Y era encontrado, mas constatávamos depois que se tratava de um feto feminino.” Pesquisadores então identificaram que o erro ocorria porque na ponta dos dedos das gestantes havia também o DNA de outras pessoas. “A contaminação poderia ocorrer de diversas formas. Seja num aperto de mão, seja pegando objetos que acabaram de ser tocados por um outro homem”, conta Barra.

A solução encontrada foi limpar a área onde seria feita a punção com hipoclorito de sódio, mesma substância usada para fazer a higienização de água. Barra conta que, depois da publicação do trabalho, a equipe já foi procurada por empresas dos Estados Unidos e da América Latina interessadas em parcerias para o desenvolvimento de kits de diagnóstico.

Não há ainda prazo para que o produto entre no mercado. Mas Barra estima que o processo não deverá ser demorado.

Com informações: Estadão Conteúdo