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Categoria: Curiosidades


17:16 · 16.01.2018 / atualizado às 17:16 · 16.01.2018 por
Para o jornalista Nicolas Chevassus-au-Louis, as “fake news”, procedem de uma mesma retórica apoiada em “versões alternativas” para explicar “inconsistências teóricas”. Um caso é a aparente imunidade da Antártida ao aquecimento global Foto: Marine Bio

A internet contribuiu também para propagar notícias científicas falsas, como dizer que a Terra é plana, que os americanos jamais pisaram na Lua e que o homem não é responsável pelas mudanças climáticas, alertam os cientistas.

O perigo destas teorias cientificamente invalidadas é que às vezes são aceitas por parte do grande público, como acontece com as “fake news” em geral. Um estudo recente na França mostrou que 79% dos cidadãos acreditam em ao menos uma teoria da conspiração. Por exemplo, 16% pensam que o homem não chegou à Lua e 9% acham “possível” que nosso planeta seja plano.

No âmbito climático, “enfrentamos uma vontade deliberada de manipular a opinião pública e os que decidem”, disse a climatologista Valérie Masson-Delmotte, convidada recentemente a participar de um colóquio em Paris.

Aqueles que Masson-Delmotte, membro do grupo de especialistas da ONU sobre o clima (IPCC), chama de “comerciantes da dúvida” buscam essencialmente, segundo ela, limitar a regulação ambiental. Mas as motivações dos propagadores das notícias falsas não são só econômicas: podem ser religiosas, ideológicas ou às vezes mais pessoais, como a busca de visibilidade.

Retórica comum

Para o jornalista especializado Nicolas Chevassus-au-Louis, as notícias falsas, científicas ou não, “procedem de uma mesma retórica”: “Se começa suscitando uma dúvida. O método mais eficaz consiste em ressaltar as supostas incoerências da versão oficial, aferrar-se a um detalhe e insistir ao máximo sobre ele”, explica.

Por exemplo, uma pergunta recorrente é: “Você não acha estranho que a Antártida não pareça estar derretendo?”. Depois se apresentam “versões alternativas”, como a ideia de que as mudanças climáticas poderiam estar ligadas à atividade solar e não à do homem, como foi estabelecido cientificamente. Com testemunhos de personalidades e publicações apresentadas como científicas, tenta-se convencer finalmente sobre a veracidade da versão alternativa, segundo Chevassus-au-Louis.

Fatos X opinião

Discernir entre uma informação rigorosa e verificável e uma opinião pode ser, além disso, mais difícil para o público quando se trata de temas científicos.

“Todos temos uma responsabilidade, o ensino, os meios, os pesquisadores e os organismos, por não termos conseguido mostrar essa diferença”, explica Masson-Delmotte.

Paralelamente, os especialistas ressaltam que a ciência esbarra em outras dificuldades para chegar ao grande público. No ano passado, “33% dos artigos sobre clima na imprensa anglo-saxã mais populares na internet continham informações falsas”, embora não fossem mal intencionadas, afirma o climatologista Emmanuel Vincent.

Masson-Delmotte explica que a internet aumentou a discrepância entre os ritmos da atualidade e o conhecimento científico. Por exemplo, quando vários furacões afetaram o Atlântico em setembro passado, os meios se perguntaram se estes fenômenos extremos estavam ligados ao aquecimento global, uma resposta impossível de se dar imediatamente, para os especialistas.

Estes resultados científicos estiveram disponíveis vários meses depois, “mas só obtiveram um lugar muito limitado nos meios”, lamenta Masson-Delmotte.

Com informações: AFP

17:53 · 08.01.2018 / atualizado às 17:53 · 08.01.2018 por
O termômetro baixou até os 2,6 °C em algumas zonas desse país do sul da Ásia, onde o inverno costuma ser suave, a temperatura mais baixa desde 1948, quando começaram as medições Foto: AFP

Mais acostumado às temperaturas subtropicais, Bangladesh sofre com uma onda de frio incomum, com os termômetros marcando valores mínimos.

O mercúrio baixou até os 2,6 °C em algumas zonas desse país do sul da Ásia, onde o inverno costuma ser suave. “É a temperatura mais baixa desde que começamos a fazer o registro, em 1948”, afirmou Shamsuddin Ahmed, diretor do departamento de meteorologia do país.

O recorde anterior registrado foi de 2,8 °C em 1968. A queda da temperatura levou as autoridades a distribuir 70.000 cobertores nos distritos mais afetados.

Segundo um jornal local, nove pessoas morreram de frio no norte do país. As autoridades ainda não confirmaram a informação.

Extremos climáticos

O ano de 2018 começou com uma meteorologia diferenciada em diversas partes do planeta.

A América do Norte sofreu uma onda de frio polar que atingiu os -15 ºC no final de semana em Nova York.

Na Oceania, em compensação, a Austrália sofre com o calor e Sydney registrou no domingo o dia mais quente de seu verão desde 1939, com 47,3 °C.

Com informações: AFP

15:43 · 26.12.2017 / atualizado às 15:43 · 26.12.2017 por
Qin Shihuang construiu o imenso mausoléu subterrâneo de Xian, com seus 8 mil guerreiros de terracota. Acima, foto de estátua do monarca em frente à entrada do mausoléu Foto: Travel Coconut

O primeiro imperador da China, o temido Qin Shihuang, ordenou que sua administração encontrasse o elixir da imortalidade, segundo um texto milenar encontrado após escavações arqueológicas no sul do país, informou a agência de notícias Xinhua.

A obsessão de Qin Shihuang com a vida eterna era bem conhecida: foi ele quem construiu o imenso mausoléu subterrâneo de Xian, no norte do país, com seus 8 mil guerreiros de terracota, cuja missão era protegê-lo na outra vida. Este exército de vida após a morte foi descoberto em 1974.

Mas ao estudar os textos encontrados em 2002 no fundo de um poço na província de Hunan (centro), os arqueólogos também estabeleceram que o imperador havia ordenado a nação inteira para procurar o elixir para a vida eterna.

O texto inclui um decreto imperial que ordena essa busca, bem como as respostas – bastante ambíguas – das autoridades locais, que dificilmente poderiam satisfazer a ordem do temido monarca.

De acordo com a Xinhua, “uma localidade chamada Duxiang informou que nenhum remédio milagroso havia sido encontrado, mas insinuava que as buscas continuavam”.

Outra, chamada Langya, na atual província de Shandong (leste), “aludiu a uma erva colhida em uma montanha sagrada”.

Unificou o país

A poção, obviamente, não surtiu efeito porque, segundo os historiadores, Qin Shihuang morreu em 210 a.C, depois de 11 anos de domínio imperial.

Qin Shihuang, originalmente rei do estado de Qin, conquistou um após o outro os outros seis reinos que integravam a então China, unificando o país em 221 a.C e dando-lhe o nome pelo qual é conhecida hoje no Ocidente.

Cruel e despótico, é atribuída a ele a construção da Grande Muralha, a queima de livros e a execução de intelectuais.

Com informações: AFP

19:28 · 17.12.2017 / atualizado às 19:39 · 17.12.2017 por
Foram estudados incidentes apontados por militares dos EUA Foto: US Air Force

O Pentágono admitiu ter financiado um programa secreto bilionário para investigar aparições de objetos voadores não identificados (óvnis).

O programa foi encerrado em 2012, de acordo com o Departamento de Defesa, mas reportagem do jornal “The New York Times” relatou que ele ainda está em execução. Os funcionários continuam a estudar incidentes apontados por militares dos Estados Unidos, em paralelo às suas atividades regulares no Pentágono.

O chamado Programa de Identificação Avançada de Ameaças de Aviação operou de 2007 a 2012 e recebeu 12 milhões de dólares por ano de financiamento, escondido no gigantesco orçamento do Pentágono, disse o Times, citando participantes e registros do programa.

O programa forneceu documentos que descrevem as aparições de aparatos voadores não identificados que pareciam se mover rapidamente, sem sinais visíveis de propulsão, ou sem meios aparentes de se erguer, afirmou o Times.

Funcionários do programa também examinaram vídeos dos encontros de aeronaves militares norte-americanas com objetos desconhecidos. Um deles, divulgado em agosto, mostra um objeto oval branco do tamanho de um avião sendo seguido por dois jatos da Marinha de um porta-aviões da costa da Califórnia em 2004, acrescentou a reportagem. O Departamento de Defesa disse em nota que o programa foi encerrado.

“O Programa de Identificação Avançada de Ameaças de Aviação foi concluído em 2012. Determinou-se que havia outra questões mais prioritárias que mereciam financiamento e foi com a melhor das intenções que o Departamento fez essa mudança”, afirmou.

“O Departamento de Defesa leva muito a sério todas as ameaças e ameças em potencial ao nosso povo, nossos ativos e nossa missão, e toma ações quando qualquer informação verossímil aparece”.

Com informações: AFP

17:52 · 15.12.2017 / atualizado às 17:52 · 15.12.2017 por
Concepção artística do Oumuamua, asteroide que tem formato compatível com o que uma nave precisaria ter para percorrer o espaço interestelar, segundo pesquisadores Foto: Los Angeles Times

O misterioso Oumuamua, um objeto em forma de cigarro vindo de outro sistema estelar e que foi detectado recentemente, “não emite sinais artificiais”, segundo as primeiras observações de cientistas à procura de vida inteligente fora da Terra, frustrando astrobiólogos.

O objeto rochoso, cujo nome significa “mensageiro” na língua havaiana, foi detectado em 19 de outubro com o telescópio Pan-STARRS1, situado no Havaí, que rastreia os objetos que se aproximam da Terra. Em um estudo publicado na revista científica Nature em 21 de novembro, uma equipe de pesquisadores considerou que se tratava de um asteroide de 400 metros de comprimento e 40 de largura.

Sua forma não tem precedentes na longa lista de asteroides e cometas que se formaram em nosso Sistema Solar, segundo esses pesquisadores, que concluíram que esse asteroide era de natureza interestelar. Pesquisadores chegaram a especular que pudesse se tratar de um objeto artificial, dado o seu formato, compatível com o que se espera de uma nave capaz de cruzar o espaço interestelar.

Segundo os astrônomos, esse objeto incomum cruzou a Via Láctea durante milhões de anos, antes de chegar ao nosso Sistema Solar. O programa Breakthrough Listen, destinado à busca de vida tecnológica extraterrestre no Universo, focou seu poderoso radiotelescópio de Green Bank (Virgínia Ocidental) sobre Oumuamua.

“Não descobriram sinais artificiais vindos desse objeto até agora (…), mas a vigilância e a análise de dados continua”, explicou Breakthrough Listen em comunicado.

Com informações: AFP

17:11 · 13.12.2017 / atualizado às 17:11 · 14.12.2017 por
A expectativa é que possam ser vistos até 120 meteoros por hora. As regiões Norte e Nordeste do Brasil terão melhores condições de visualização Foto: Daily Express

A chuva de meteoros Geminídeos – uma das mais intensas e brilhantes do ano – vai ocorrer durante a noite desta quarta-feira (13) e a madrugada de quinta-feira (14) e poderá ser observada de todo o país, com visão mais privilegiada para quem estiver nas regiões Norte e Nordeste, incluindo o Ceará.

O Calendário de Chuvas de Meteoros da Organização Meteorológica Internacional informa que o pico do fenômeno será na madrugada desta quinta. A expectativa é que possam ser vistos até 120 meteoros por hora. O fenômeno ocorre todos os anos no mês de dezembro, quando a Terra passa pelo rastro empoeirado de detritos rochosos deixado por um objeto chamado 3200 Faetonte.

Quando o pó e os grãos deixados pelo Faetonte encontram com a atmosfera da Terra a 126 mil km por hora e explodem, formando uma chuva de “estrelas cadentes”. A área do céu onde os meteoros vão surgir, chamada de radiante, está localizada na direção da constelação de Gêmeos, perto da estrela brilhante Castor ou alfa Geminorum.

A Organização Internacional de Meteoros informou que este ano o fenômeno poderá ser melhor observado devido ao fato de a lua estar minguante, deixando o céu mais escuro que no ano passado, quando a lua estava cheia. Os Geminídeos poderão ser vistos a olho nu até o dia 17 de dezembro. A recomendação é que as pessoas observem o céu a partir de locais escuros, de preferência longe da luminosidade das cidades.

Asteroide atípico

A natureza do 3200 Faetonte é muito debatida entre especialistas, por ser um asteroide com características incomuns, que indica ter sido um cometa no passado.

Geralmente, as chuvas de meteoros são causadas pela desintegração de cometas ao se aproximarem do Sol, e não de asteroides. “É um asteroide quase terrestre ou um cometa extinto, às vezes chamado de ‘cometa rochoso'”, disse Bill Cooke, do Escritório de Meteoroides da Agência Espacial Norte Americana (NASA), por meio de comunicado a imprensa.

A NASA informou também que os astrônomos terão a chance de estudar melhor o Faetonte este ano, quando o objeto vai passar o mais perto da Terra desde a sua descoberta em 1983.

De acordo com a Organização Internacional de Meteoros, a chuva de meteoros do 3200 Faetonte é uma das únicas chuvas importantes produzidas por asteroides e não por um cometa.

Com informações: Agência Brasil

17:55 · 12.12.2017 / atualizado às 17:55 · 12.12.2017 por
cientistas descobriram, em Myanmar, vários carrapatos aprisionados em diversos pedaços de âmbar (uma espécie de resina fóssil), associados a restos dos grandes répteis Foto: NPR

A partir da descoberta de um fóssil de carrapato preservado em âmbar, um grupo internacional de cientistas mostrou pela primeira vez que esses parasitas já se alimentavam do sangue de dinossauros há quase 100 milhões de anos.

O estudo, publicado nesta terça-feira (12), na revista Nature Communications, também revela uma nova espécie extinta de carrapato, batizada de Deinocroton draculi, em alusão ao vampiro Drácula. Os cientistas descobriram, em Mianmar, vários carrapatos aprisionados em diversos pedaços de âmbar – uma espécie de resina fóssil – datados em 99 milhões de anos.

Um deles estava agarrado a uma pena de dinossauro. Segundo os autores do estudo, raramente são encontrados parasitas associados aos fósseis de seus hospedeiros e a descoberta é a primeira evidência direta da relação entre carrapatos e dinossauros.

Sem ‘Jurassic Park’

Embora o contexto da pesquisa lembre bastante o filme Jurassic Park, os cientistas afirmam que é praticamente impossível reconstruir dinossauros a partir de eventuais restos de DNA desses animais no fóssil de um carrapato do período Cretáceo (145 milhões a 66 milhões de anos atrás).

Na obra ficcional, dirigida por Steven Spielberg em 1993, os cientistas extraem o DNA de dinossauros de fósseis de mosquitos preservados em âmbar e, a partir daí, conseguem clonar os lagartos gigantes e trazê-los de volta à Terra. Os pesquisadores porém, explicam que embora seja comum encontrar fósseis em âmbar, é praticamente inviável extrair dessas amostras DNA em condições de ser utilizado – e o processo de clonagem seria ainda mais difícil. Todas as tentativas feitas até hoje de extrair DNA de espécimes em âmbar foram um fracasso, por causa da curta vida útil dessa molécula.

“Os carrapatos são infames organismos parasitários sugadores de sangue, que têm um impacto tremendo na saúde de humanos, de gado de bichos de estimação e de animais selvagens. Mas até agora estava faltando uma clara evidência do papel desses parasitas no passado remoto”, disse o autor principal do estudo, Enrique Peñalver, do Instituto de Pesquisa de Geologia e Mineração da Espanha.

Penas de dinossauros

Segundo Peñalver, o âmbar do Cretáceo fornece aos cientistas uma janela para o mundo dos dinossauros emplumados. Parte desse grupo de dinossauros mais tarde evoluiria para dar origem às aves modernas. A pena de dinossauro encontrado no âmbar com o carrapato, segundo os cientistas, tem estrutura semelhante à das penas dos pássaros.

Com informações: Estadão Conteúdo

22:33 · 21.11.2017 / atualizado às 22:36 · 21.11.2017 por
O Oumuamua tem 400m de comprimento, o que representa aproximadamente dez vezes a sua largura, uma forma nunca observada em corpos celestes do Sistema Solar Foto: Los Angeles Times

Um misterioso objeto rochoso e alongado detectado em outubro provém de outro sistema solar, uma observação sem precedentes que foi confirmada pelos astrônomos. Esta detecção abre uma nova janela sobre a formação de outros mundos estelares em nossa galáxia, a Via Láctea, segundo estes cientistas, cujo trabalho foi publicado pela revista britânica Nature.

O asteroide, batizado de Oumuamua (mensageiro em havaiano), tem 400 metros de comprimento, o que representa aproximadamente dez vezes a sua largura. Esta forma incomum não tem precedentes entre os cerca de 750.000 asteroides e cometas observados até agora em nosso sistema solar, onde se formaram, de acordo com estes pesquisadores.

Os cientistas concluíram com certeza a natureza extra estelar deste asteroide, porque a análise dos dados coletados mostra que sua órbita não pode ter origem dentro do nosso sistema solar.

Os astrônomos acreditam que um asteroide interestelar similar a Oumuamua passa dentro do sistema solar aproximadamente uma vez por ano.

Mas é algo difícil de rastrear, e não tinha sido detectado até agora. Faz relativamente pouco tempo que os telescópios que monitoram estes objetos são potentes o suficiente para poder descobri-los.

Segundo os astrônomos, este objeto viajou sozinho através da Via Láctea durante centenas de milhões de anos, antes de passar por nosso sistema solar e continuar seu caminho.

Visitante estranho

“Durante décadas pensamos que tais objetos de outro mundo poderiam se encontrar perto do nosso sistema solar, e agora, pela primeira vez, temos evidência direta de que existem”, disse Thomas Zurbuchen, responsável adjunto das missões científicas da Nasa, que financiou esta última pesquisa. “Esta descoberta abre uma nova janela para estudar a formação de sistemas solares além do nosso”, considerou.

“É um visitante estranho procedente de um sistema estelar muito distante que tem uma forma que nunca tínhamos visto em nossos arredores cósmicos”, acrescentou Paul Chodas, diretor do Centro para o Estudo de Objetos Próximos à Terra do Jet Propulsion Laboratory da Nasa, em Pasadena, Califórnia. Oumuamua foi descoberto em 19 de outubro com o telescópio Pan-STARRS1 situado no Havaí, que rastreia objetos próximos ao nosso planeta.

Imediatamente depois de sua descoberta, outros telescópios de todo o mundo, entre eles o Very Large Telescope (VLT) do Observatório Europeu Austral (ESO), no norte do Chile, começaram a observar o asteroide para determinar suas características.

Uma equipe de astrônomos dirigida por Karen Meech, do Instituto de Astronomia do Havaí, constatou que a potência do brilho do objeto varia até dez vezes na medida em que completa uma volta sobre si mesmo a cada 7,3 horas.

Nenhum asteroide ou cometa em nosso sistema solar experimenta essa magnitude na variação de seu brilho ou essa proporção entre o comprimento e a largura, ressaltam os especialistas.

Nem água nem gelo

Estas propriedades sugerem que o Oumuamua é denso e é formado por rochas e possivelmente também por metais.

Mas não tem nem água nem gelo, e sua superfície ficou avermelhada pelos efeitos das radiações cósmicas durante centenas de milhões de anos.

Telescópios terrestres de alta potência continuam monitorando o asteroide enquanto este desaparece rapidamente à medida que se afasta da Terra.

Dois telescópios espaciais da Nasa, o Hubble e o Spitzer, o seguem esta semana. Na segunda-feira (20), o objeto estava viajando a uma velocidade de 38,3 km por segundo e estava a cerca de 200 milhões de km da Terra.

O Oumuamua passou a órbita de Marte em 1 de novembro e passará perto de Júpiter em maio de 2018. Depois continuará sua rota além de Saturno, em janeiro de 2019, e sairá do nosso sistema solar para se dirigir à constelação de Pegasus.

As observações com os grandes telescópios terrestres continuarão até que o asteroide se torne praticamente indetectável, depois de meados de dezembro.

Com informações: AFP

17:54 · 16.11.2017 / atualizado às 17:55 · 16.11.2017 por
Pequena comunidade cristã tradicional, que vive nos Estados Unidos, rejeita qualquer tipo de avanço tecnológico Foto: NewsApi

Um grupo de cientistas descobriu uma mutação genética na comunidade Amish dos Estados Unidos, que explica porque alguns de seus membros vivem dez anos mais que a média, segundo um estudo publicado no jornal Science Advances.

Trata-se da última descoberta no estudo sobre a forma de envelhecer desta pequena comunidade cristã tradicional, que rejeita qualquer tipo de avanço tecnológico. Especialistas norte-americanos e japoneses estão testando um medicamento experimental que tenta recriar o efeito da mutação dos Amish, com a esperança de que proteja de doenças vinculadas ao envelhecimento e estimule a longevidade. “Não só vivem mais, vivem mais saudáveis”, explica Douglas Vaughan, presidente da Faculdade de Medicina Feinberg da Universidade Northwestern, autor principal da pesquisa. “É uma forma desejável de longevidade”, destacou.

Os cientistas estudaram 177 membros de 18 a 85 anos da comunidade Berne Amish de Indiana.

Deles, 43 eram portadores da mutação do gene Serpine1 – que provoca uma forte redução da produção da proteína PAI-1 -, estavam em melhor estado de saúde e viviam, em média, dez anos mais (cerca de 85) que o restante de membros Amish que não têm esta variação genética. A expectativa de vida nos Estados Unidos é de 78,8 anos.

Características no DNA

Seu perfil metabólico também era mais sadio e eles sofriam menos de diabetes e doenças cardiovasculares, segundo o estudo.

Os especialistas descobriram, por outro lado, que os telômeros de suas células imunológicas eram em média 10% mais longos. O telômero é um pedaço de DNA situado no extremo de cada cromossomo que o protege e que fica pequeno cada vez que ocorre uma divisão celular, o que contribui para o envelhecimento.

O remédio experimental superou os testes de segurança básicas e agora está em fase 2 no Japão para comprovação de sua eficácia em pessoas obesas com diabetes tipo 2.

A Universidade Northwestern tenta alcançar a permissão para iniciar os testes nos Estados Unidos no ano que vem.

Com informações: AFP

19:05 · 09.10.2017 / atualizado às 19:05 · 09.10.2017 por
Os cientistas utilizaram o 5-MeO-DMT, que está presente em drogas psicodélicas como o chá de ayahuasca – uma planta da Amazônia utilizada ritualmente por indígenas para produzir estados alterados de consciência Foto: Aya Healing Retreats

Com estudos feitos em organoides celulares conhecidos como “minicérebros”, um grupo de cientistas brasileiros mostrou como uma substância psicodélica produz alterações benéficas em circuitos cerebrais associados à neuroplasticidade, à inflamação e à neurodegeneração.

A pesquisa, publicada nesta segunda-feira (9), na revista científica Scientific Reports, é a primeira a revelar as alterações que drogas psicodélicas causam no funcionamento molecular do tecido neural humano. De acordo com os autores, os resultados ajudam a explicar os efeitos antidepressivos e anti-inflamatórios que as substâncias psicodélicas vêm mostrando em diversos outros estudos.

No experimento, os cientistas utilizaram o 5-MeO-DMT, um composto da família da dimetiltriptamina, que está presente em drogas psicodélicas como o MDMA, o LSD e o chá de ayahuasca – uma planta da Amazônia utilizada ritualmente por indígenas para produzir estados alterados de consciência.

“Pela primeira vez pudemos descrever mudanças relacionadas a psicodélicos no funcionamento do tecido neural humano”, disse o autor principal do estudo, Stevens Rehen, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino.

Ganho de espaço

As drogas psicodélicas estão cada vez mais ganhando espaço nos laboratórios de pesquisas. Diversos grupos internacionais têm feito estudos e experimentos com essas substâncias a fim de desenvolver terapias para problemas psiquiátricos como ansiedade, depressão, estresse pós-traumático e para a dependência de drogas como álcool, cocaína, heroína e crack.

Apesar dos resultados promissores em um número cada vez maior de pesquisas, a identificação dos circuitos moleculares envolvidos com a ação dos psicodélicos no cérebro era limitada pelas restrições para estudos com essas substâncias e pela falta de ferramentas biológicas apropriadas. Para estudar os efeitos do DMT, Vania Dakic, do Idor e Juliana Minardi Nascimento, do Idor e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) expuseram os organoides cerebrais – que são culturas de células neurais tridimensionais que imitam um cérebro em desenvolvimento – a uma única dose do psicodélico.

Depois de receber o psicodélico, os “minicérebros” foram submetidos a uma análise proteômica – isto é, um mapeamento do conjunto de proteínas neles presentes – com uma técnica espectrometria de massas. Eles conseguiram assim observar alterações na expressão de cerca de mil proteínas – e conseguiram identificar qual o papel dessas proteínas no cérebro humano.

Proteínas

Os cientistas descobriram que proteínas importantes para a formação das sinapses tiveram uma regulação positiva – entre elas, proteínas relacionadas aos mecanismos celulares de aprendizado e memória, que são componentes centrais do funcionamento do cérebro. Por outro lado, proteínas envolvidas em inflamação, degeneração e lesão cerebral tiveram uma regulação negativa, sugerindo que a substância psicodélica tem um potencial papel de proteção neural. “Os resultados sugerem que os psicodélicos clássicos são poderosos indutores da neuroplasticidade – uma ferramenta de transformação psicobiológica sobre a qual sabemos muito pouco”, disse outro dos autores do novo estudo Sidarta Ribeiro, diretor do Instituto do Cérebro, ligado à UFRN.

“”O estudo sugere possíveis mecanismos pelos quais essas substâncias exercem seus efeitos antidepressivos, que temos observado em nossas pesquisas. Nosso estudo reforça o potencial clínico escondido dessas substâncias que estão hoje sob restrições legais, mas que merecem total atenção das comunidades médica e científica”, afirmou outro dos autores, Draulio Araújo, professor da UFRN.

Com informações: Estadão Conteúdo