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Categoria: Demografia


20:13 · 28.06.2018 / atualizado às 20:24 · 28.06.2018 por
Em 1997, a francesa Jeanne Calmant morreu com a idade recorde de 122 anos Foto: Gerontology

A expectativa de vida máxima de um ser humano já foi atingida? Talvez não, segundo um estudo com centenários italianos publicado nesta quinta-feira (28) que descobriu que a longevidade humana está aumentando lentamente.

Os cientistas debatem há muito tempo se a expectativa de vida máxima das pessoas foi atingida ou não. Um estudo de 2016 na revista Nature argumentou que sim, em 1997, quando a francesa Jeanne Calmant morreu com a idade recorde de 122 anos.

Mas as novas descobertas na revista Science apontam para a possibilidade de prolongar a longevidade humana, e que a expectativa de vida de nossa espécie pode aumentar com o tempo. Com base em dados de mais de 3.800 centenários na Itália, os pesquisadores descobriram que o risco de morte diminui, e até mesmo se estabiliza, acima dos 105 anos.

“À medida que envelhecemos, nossa saúde e riscos de morte pioram cada vez mais rápido. Mas em idades extremas, eles param de piorar”, disse o coautor Kenneth Wachter, professor de estatística da Universidade da Califórnia, em Berkeley. “Eles não melhoram, mas param de piorar. Eles se nivelam”, disse à AFP.

Os pesquisadores estudaram dados sobre todos os habitantes da Itália com 105 anos ou mais entre 2009 e 2015 – aqueles nascidos entre 1896 e 1910 -, um total de 3.836 casos documentados, disse o estudo.

Concentrando-se na mortalidade entre as pessoas nascidas nos mesmos anos, ao longo do tempo eles encontraram ligeiros declínios na taxa de mortalidade.

Isso sugere que, com o passar do tempo, as pessoas estavam vivendo um pouco mais do que as que nasceram nos anos anteriores.

“As melhorias lentas, mas distintas, ao longo do tempo que vemos no nível da estabilização além da idade de 105 anos, dão esperança de que um limite fixo para a expectativa de vida não está sendo observado atualmente”, explicou Wachter.

Fatores socioeconômicos e melhoria no atendimento médico podem ser fatores que aumentam a longevidade humana. Mas “padrões semelhantes de estabilização da mortalidade em idade extrema são observados em outras espécies, sugerindo explicações estruturais e evolutivas comuns”, disse o relatório.

Se a pesquisa for confirmada por outros estudos, isso poderia significar que o limite da expectativa de vida humana ainda não foi atingido. A expectativa de vida global aumentou quase continuamente desde o século XIX, mas se estabilizou nas últimas décadas. Os bebês nascidos nos Estados Unidos hoje, por exemplo, podem esperar viver quase 79 anos, em comparação com 47 anos para os americanos nascidos em 1900.

Mas as pessoas que vivem até a velhice extrema são raras. Desde a morte de Calmant, a tendência geral para a pessoa mais velha do mundo é atingir os 115 anos de idade. Wachter disse que as descobertas não apontam para um novo limite potencial da expectativa de vida. “Nossas descobertas não dizem nada sobre idades além de 113 anos”, disse.

“Mas eles fornecem alguma esperança de que o aumento da compreensão das interações entre variantes genéticas e fatores médicos e comportamentais pode contribuir para uma melhor saúde e sobrevivência para as pessoas na faixa dos 80 e 90 anos, 10 ou 15 anos a partir de agora.”

Com informações: AFP

19:01 · 07.04.2015 / atualizado às 19:07 · 07.04.2015 por
Foto: HNGN
Jeralean Talley, de 115 anos vive nos Estados Unidos. Ela nasceu na Geórgia em 23 de maio de 1899 e nesta terça-feira (7) completa 115 anos e 320 dias, segundo o Grupo de Investigação Gerontológica (GRG) Foto: HNGN

Uma norte-americana nascida no século XIX, Jeralean Talley, tornou-se a pessoa mais velha do mundo após a morte de sua compatriota Gertrude Weaver, que manteve o título por apenas uma semana.

Talley, de 115 anos vive no Michigan. Ela nasceu na Geórgia em 23 de maio de 1899 e nesta terça-feira (7) completa 115 anos e 320 dias, segundo o Grupo de Investigação Gerontológica (GRG), que registra os casos documentados daqueles que ultrapassaram os 110 anos de vida.

De acordo com o GRG, existem no mundo apenas três pessoas nascidas no século XIX, e as três são mulheres de 115 anos: as americanas Jeralean Talley (23/05/1899) e Susannah Mushatt Jones (06/07/1899) e a italiana Emma Morano-Martinuzzi (29/11/1899). O último homem nascido no século XIX (em 1896), o inglês Henry Allingham, faleceu em 2009, segundo o GRG.

No entanto, este registro pode deixar de fora super-centenários que vivem em áreas remotas ou pouco pesquisadas, como a camponesa peruana Filomena Taipe (1897), a mulher mais velha do Peru, que faleceu no último domingo (5) aos 117 anos e que não aparecia na lista do GRG depois de viver ao longo de três séculos. Taipe nasceu em 20 de dezembro de 1897, de acordo com seu registro de identidade.

Há um cearense, natural de Pedra Branca, José Aguinelo dos Santos, que seria ainda mais velho e teria nascido em 7 de julho de 1888, com 126 anos de idade.  E há alegações ainda sem comprovação de pessoas ainda mais velhas em países como México, Bolívia e Uzbequistão, entre outros.

As dificuldades de averiguação da veracidade desses registros é o maior empecilho para ratificar esses supostos recordes.

Segredo

Entrevistada pelo Detroit Free Press sobre o segredo de sua longevidade, Talley, que vive em Inkster, perto de Detroit, disse que isso não dependia de si mesmo. “Vem de cima (…) Não está em minhas mãos ou nas suas”.

Para a revista Time, que entrou em contato com uma de suas filhas de 77 anos, Thelma Holloway, a nova decana come muito porco, fica acordada até tarde e parou de jogar boliche aos 104 anos. A ex-decana da humanidade, Gertrude Weaver, morreu na segunda-feira aos 116 anos.

Gertrude Weaver, que completaria 117 anos em 4 de julho, morreu vítima das complicações provocadas por uma pneumonia em um asilo do estado de Arkansas. A americana, nascida em 1898, se tornou a pessoa mais velha do planeta em 1º de abril, após a morte da japonesa Misao Okawa, aos 117 anos.

“Sabia que era a decana da humanidade e estava muito feliz. Ela apreciava cada ligação, cada carta, cada comentário”, declarou ao jornal Washington Post Kathy Langley, uma das diretoras do centro Silver Oaks Health and Rehabilitation, onde Gertrude morava.

Ao ser questionada sobre o segredo de sua longevidade, Gertrude Weaver afirmou a um jornal de Arkansas que um dos motivos era “tratar bem todo mundo”. Filha de agricultores, Gertrude Weaver era a mais nova de seis irmãos.

Ela teve quatro filhos, dos quais o único ainda vivo completou 94 anos na semana passada, segundo o Washington Post. A japonesa Misao Okawa faleceu no dia 1º de abril, menos de um mês depois de completar 117 anos.

Com informações: AFP

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