Diário Científico

Categoria: Desenvolvimento Científico


18:07 · 10.07.2018 / atualizado às 18:07 · 10.07.2018 por
Concepção artística de módulo desenvolvido pelos engenheiros espaciais israelenses, com vistas a uma futura alunissagem Imagem: Google Lunar XPrize

Israel lançará sua primeira missão espacial à Lua em dezembro, anunciou nesta terça-feira (10) uma organização desse país, pequeno porém com grandes ambições. A nave espacial ainda sem nome, em forma de cápsula e peso de 585 quilos no momento do lançamento, pousará na Lua em 13 de fevereiro de 2019 se tudo correr segundo o previsto, disseram os organizadores da SpaceIL em um encontro com a imprensa.

Será lançada através de um foguete da empresa SpaceX, do empresário americano Elon Musk, e sua missão incluirá a pesquisa do campo magnético da Lua. Mas a primeira tarefa será fincar a bandeira israelense na Lua, disseram os organizadores. O projeto começou como parte do concurso de tecnologia Google Lunar XPrize, que ofereceu US$ 30 milhões para estimular cientistas e empresários a proporem missões à Lua por um custo relativamente baixo. Uma equipe israelense que depois ficou conhecida como SpaceIL decidiu abraçar este objetivo e se associou eventualmente com a estatal Israel Aerospace Industries (IAI).

O prêmio do Google expirou em março sem que ninguém tenha conseguido chegar à Lua, mas a equipe de Israel se comprometeu a seguir em frente. Esta iniciativa privada poderia custar cerca de US$ 95 milhões, financiados em grande medida pelo bilionário israelense Morris Kahn. “Isto mostrará ao resto do mundo a forma” de mandar uma nave espacial à Lua a um custo razoável, disse Ofer Doron em nome da IAI.

Com informações: AFP

16:37 · 18.06.2018 / atualizado às 16:37 · 18.06.2018 por
Cientistas da UnB fizeram primeiro teste para desenvolver um balão geoestacionário de grande altitude, que poderá ter aplicações em ciência espacial, meteorologia e até em agricultura Foto: Projeto Kuaray/Reprodução do Facebook

O sucesso de uma missão internacional de divulgação científica que reuniu astrônomos amadores, estudantes de engenharia e cientistas brasileiros e norte-americanos mostrou o caminho para que um grupo de pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) aprimorasse seu principal projeto: desenvolver um balão geoestacionário de grande altitude, que poderá ter aplicações em georreferenciamento, agricultura, ciência espacial e meteorologia.

Em 2017, durante o eclipse total do Sol que cruzou a América do Norte, quatro astrônomos amadores do Clube de Astronomia de Brasília (CAsB) – o professor de Engenharia Elétrica Renato Borges e três alunos na UnB – viajaram para Rexburg, em Idaho (EUA), para registrar pela primeira vez o evento astronômico em 360 graus, tendo como base um balão estratosférico a 30 km de altitude. A missão foi realizada em parceria com as universidades norte-americanas de Montana e North Dakota e financiada por um programa da Nasa, a agência espacial dos EUA. Selecionados para o projeto, os brasileiros conseguiram recursos por meio de um crowdfunding, espécie de “vaquinha” virtual. A aventura rendeu um vídeo de divulgação científica que será exibido em planetários e abriu caminho para parcerias científicas.

“A ideia do projeto do eclipse era dar uma experiência internacional aos alunos, que é muito importante na área de pesquisa, e fazer divulgação científica. Mas acabamos consolidando uma nova parceria com a Universidade de Montana (EUA) para desenvolver nossa plataforma para um balão estacionário”, conta. “Enquanto isso, estamos aperfeiçoando um sistema inédito de pouso para esse tipo de balão”, disse. Agora, eles realizaram o primeiro teste. “O projeto começou a sair do papel para levantar voo de verdade”, diz Borges, que coordena o projeto LAICAnSat, do Laboratório de Aplicação e Inovação em Ciências Aeroespaciais (Laica).

Os resultados da missão também resultaram em um artigo científico que foi apresentado, nos Estados Unidos, na conferência do Instituto de Engenheiros Elétricos e Eletrônicos, a principal associação de engenharia do mundo. O presidente do CAsB, Augusto Ornella, destaca a importância da experiência.

“Nós, como astrônomos amadores, tivemos contato com a academia e pudemos acompanhar de perto o desenvolvimento da tecnologia, dos circuitos e dos softwares da plataforma.

Enquanto isso, o pessoal da academia teve a oportunidade de compreender melhor a parte prática da observação do eclipse, na qual temos muita experiência.”

Com informações: Estadão Conteúdo

12:11 · 16.06.2018 / atualizado às 12:11 · 16.06.2018 por
O LHC, um imenso anel com 100 metros de profundidade, 27 km de circunferência, e situado sob os territórios suíço e francês, começou a operar em 2010 Foto: CERN

O CERN, organização europeia para a pesquisa nuclear, iniciou uma grande obra de engenharia civil para incrementar as capacidades do maior acelerador de partículas do mundo, o LHC.

“Até 2026, esta importante melhoria incrementará notavelmente a capacidade do LHC ao multiplicar o número de colisões, o que elevará a probabilidade de descobrir novos fenômenos”, explica o CERN em comunicado.

O LHC, um imenso anel com 100 metros de profundidade e situado sob os territórios suíço e francês, começou a colidir partículas em 2010. No interior do túnel de 27 km de circunferência, pacotes de prótons viajam a uma velocidade próxima da luz e entram em colisão em quatro pontos de interação.

Estas colisões engendram novas partículas, que os físicos do mundo inteiro analisam para aprofundar os conhecimentos sobre as leis da natureza.

Com informações: AFP

21:57 · 04.06.2018 / atualizado às 21:57 · 04.06.2018 por
Grande questão é preservar a soberania nacional brasileira, permitindo o acesso e conhecimento sobre os lançamentos, e, ao mesmo tempo, proteger a propriedade intelectual dos americanos Foto: Wikimedia

Os governos brasileiro e norte-americano retomaram as negociações para um acordo que permita o uso da base de lançamento de foguetes em Alcântara, no Maranhão. Ainda nesta semana, um representante do governo dos EUA deve ser apontado para iniciar as tratativas de um acordo de salvaguarda tecnológica com o Brasil. É a primeira vez em 16 anos que os países voltam a negociar o tema.

A informação foi adiantada pelo jornal O Globo, e confirmada nesta segunda (4) pelo ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, em entrevista a jornalistas em Washington. O objetivo é impulsionar o programa espacial brasileiro, de acordo com o ministro, e permitir o lançamento de foguetes e satélites a partir de Alcântara. Segundo o ministro, atualmente, a grande maioria dos foguetes e satélites no mundo carrega tecnologia norte-americana. Por isso, um acordo com o país é fundamental para viabilizar lançamentos no Maranhão.

A grande questão a ser resolvida é preservar a soberania nacional brasileira, permitindo o acesso e conhecimento sobre os lançamentos a serem feitos na base, e, ao mesmo tempo, proteger a propriedade intelectual dos americanos.”Eles querem a defesa dos seus segredos comerciais, o que é legítimo”, disse Nunes.

A primeira proposta dos EUA, em 2002, era usar a base de Alcântara com sigilo total sobre seus equipamentos, o que não foi aceito pelo Congresso brasileiro. O Brasil apresentou uma contraproposta aos EUA em meados do ano passado, que esteve sob análise do Departamento de Estado desde então. Neste mês, enfim, o governo americano deu o aval para que o tema volte à mesa de negociações. O ministro não deu detalhes sobre a nova proposta, cujos pormenores ainda precisam ser fechados. “Não há prazo, mas vamos começar rapidamente e há disposição política de se chegar a um acordo”, afirmou Nunes, que disse estar otimista com as negociações. Para ele, a localização “excepcional” da base de Alcântara, próxima à linha do Equador, é uma vantagem ao Brasil, que pode se beneficiar de recursos e capacitação de pessoal por meio da parceria com os norte-americanos.

Depois do fracasso da primeira tentativa, em 2002, o Brasil ainda conduziu negociações com o governo da Ucrânia para o lançamento de satélites, mas o acordo foi cancelado em 2015, sem sucesso.

Com informações: Folhapress

18:23 · 04.06.2018 / atualizado às 18:23 · 04.06.2018 por
A viagem seria feita a bordo da cápsula Dragon, levada ao Espaço no foguete mais potente da SpaceX, o Falcon Heavy, que fez o seu primeiro teste há quatro meses Imagem: SpaceX

A SpaceX não enviará turistas ao redor da Lua este ano, como havia anunciado previamente e, no mínimo, atrasará o projeto até meados de 2019, informou a imprensa norte-americana nesta segunda-feira (4).

A empresa com sede na Califórnia “não publicou um novo calendário para o voo, adiado até meados no ano que vem, e, provavelmente, até mais tarde”, noticiou o Wall Steet Journal, que também disse que as razões do atraso não estão claras, embora aponte para problemas técnicos e as “dúvidas” que despertam o interesse do mercado nessas viagens.

Os turistas viajariam a bordo da cápsula Dragon, levada ao Espaço no foguete mais potente da SpaceX, o Falcon Heavy, que fez o seu primeiro teste há quatro meses.

James Gleeson, porta-voz da empresa, assegurou que ainda querem realizar esses voos e que “há um interesse crescente de muitos clientes”.

O fundador da SpaceX, Elon Musk, afirmou em fevereiro de 2017 que dois cidadãos haviam feito um “depósito importante” para voar ao redor da Lua.

Com informações: AFP

16:31 · 28.05.2018 / atualizado às 16:36 · 28.05.2018 por
Concepção artística do vírus ebola se espalhando pela corrente sanguínea de uma pessoa infectada Imagem: Northumbria University

Um grupo de cientistas do Quênia garantiu ter descoberto duas vacinas contra o ebola, que estão sendo testadas em seres humanos para comprovar se há efeitos secundários, informou nesta segunda-feira (28) o jornal The Standard.

Os pesquisadores, que pertencem ao Instituto de Pesquisa Médica do Quênia (Kemri, na sigla em inglês), estão realizando testes no leste do país para avaliar a segurança das vacinas, que seriam utilizadas contra duas cepas diferentes do vírus ebola. “Queremos averiguar como o sistema imunológico do corpo responde às vacinas”, explicou um dos cientistas da equipe, Josephat Kosgei.

A segunda fase do estudo começou em março de 2017, com 122 participantes que receberam ambas as vacinas.

Agora, os cientistas vão aguardar outros seis meses para começar a analisar os dados coletados.

O diretor do laboratório onde estão sendo testadas as vacinas no condado ocidental de Kericho, Fredrick Sawe, afirmou que o estudo é uma “conquista” na busca de uma vacina contra o ebola. “Para saber que a vacina contra o ebola está funcionando, é necessário administrá-la a uma comunidade que tem ebola”, assinalou Sawe.

O ebola voltou a causar alarde nas últimas semanas no noroeste da República Democrática (RD) do Congo, onde um surto já causou 12 mortes confirmadas – um número que chega a 25 se forem levadas em conta todos as mortes com sintomas da doença – e 35 casos positivos. O surto de ebola, que foi detectado em princípio nas zonas rurais e depois alcançou a área urbana de Mbandaka, é o nono na RD do Congo desde a descoberta do vírus em 1976 nesse mesmo país, que então se chamava Zaire.

Na RD do Congo está acontecendo uma campanha de imunização na qual está sendo utilizada a vacina experimental rVSV-ZEBOV, que já foi testada em Guiné, após a epidemia de 2014 a 2016.

Com informações: Agência Brasil

21:54 · 28.03.2018 / atualizado às 17:19 · 29.03.2018 por
Imagem destacada da NGC 1052-DF2, que misteriosamente não contém elemento presente em mais de 25% da composição do Universo Foto: How Stuff Works

Astrônomos ficaram surpresos ao descobrir a primeira galáxia desprovida de matéria escura, um elemento invisível e misterioso que age como uma espécie de “cola” das galáxias e ajuda a sua formação.

Essa observação “desafia as teorias habituais sobre a formação das galáxias”, assegura Pieter van Dokkum, da Universidade de Yale (Estados Unidos), autor principal do estudo publicado nesta quarta-feira (28) na revista científica Nature.

“Trata-se de uma descoberta excepcional, já que as galáxias contêm supostamente mais matéria escura que matéria comum”, indica o Instituto Dunlap para a Astronomia e a Astrofísica da Universidade de Toronto (Canadá), cujos pesquisadores participaram do estudo.

A galáxia NGC 1052-DF2, ou DF2 de forma abreviada, se encontra a 65 milhões de anos-luz da Terra. Os cientistas já sabiam de sua existência, e ela faz parte das galáxias ultra difusas, cuja densidade é extremamente baixa.

Embora seja maior que a nossa galáxia, a Via Láctea, contêm um número 250 vezes menor de estrelas. A matéria comum (os átomos), que compõe as estrelas, planetas, gases e poeira das galáxias, formam apenas 5% do universo. A matéria escura, que continua sendo um dos maiores enigmas da astrofísica contemporânea, formaria mais de 25% do universo. É invisível e só pode ser detectada através de seus efeitos gravitacionais sobre outros objetos do universo. Os cientistas acreditam que é a matéria escura que dá uma massa adicional às galáxias, produzindo uma maior gravidade que permite que as galáxias não se desagreguem. Uma galáxia gira tão rápido que só a gravidade produzida pela matéria observável nela não é suficiente para mantê-la unida.

“A matéria escura costuma ser considerada uma parte integrante das galáxias – é a cola que as mantém juntas e o andaime subjacente sobre o qual se constroem” -, resume a coautora do estudo Allison Merritt, da Universidade de Yale, citada em um comunicado do Observatório Europeu do Sul. Antes da descoberta, “pensava-se que todas as galáxias tinham matéria escura. Para uma galáxia deste tamanho, deveria haver 30 vezes mais matéria escura que matéria comum”, indica Roberto Abraham, da Universidade de Toronto. “Em vez disso, descobrimos que não havia nenhuma matéria escura. Isso não deveria ser possível”, assegura.

Merritt lembra que não existe nenhuma teoria que prediga este tipo de galáxias. “A maneira como se formam é totalmente desconhecida”. A existência de galáxias sem matéria escura do tipo da DF2 poderia, paradoxalmente, debilitar as teorias cosmológicas que propõem alternativas à matéria escura, explicam os pesquisadores.

A galáxia DF2 foi detectada por um telescópio óptico original chamado Dragonfly. Desde então, vários telescópios foram utilizados para estudá-la, entre eles o telescópio espacial Hubble.

Com informações: AFP

18:13 · 23.03.2018 / atualizado às 18:13 · 23.03.2018 por
Ideia dos pesquisadores é fornecer a técnica de forma gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS) Foto: Ribamar Neto/UFC

Pesquisadores do grupo de pesquisa Biotecnologia Molecular do Látex Vegetal, da Universidade Federal do Ceará, encontraram uma alternativa para tratar lesões causadas pela hanseníase: uma biomembrana desenvolvida a partir de proteínas vegetais com alto poder de cicatrização.

Em alguns dos testes com voluntários com sequelas de hanseníase, ferimentos abertos há mais de 15 anos apresentaram cicatrização de aproximadamente 80% da lesão apenas três meses após o início do tratamento. Um dos fatores que dificultam a cura da lesão da hanseníase é seu constante estado de inflamação. Isso faz as bordas do ferimento adquirirem forma semelhante à de calos, impedindo o processo de cicatrização do tecido epitelial. A membrana produzida na pesquisa age como um princípio ativo quando aplicada diretamente na pele dos pacientes, quebrando essa barreira e estimulando o processo de recuperação.

O grupo é coordenado pelos professores Márcio V. Ramos, do Programa de Pós-Graduação em Bioquímica, responsável por todas as etapas relacionadas à obtenção da proteína; e Nylane Nunes de Alencar, do Programa de Pós-Graduação em Farmacologia, que acompanha todas as ações ligadas à área médica.

Essas ações são realizadas no Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos (NPDM), da UFC, em parceria com a médica Maria Araci Pontes Aires, do Centro Dermatológico Dona Libânia, referência em hanseníase no Estado do Ceará.

No Centro, os pacientes considerados pós-hansênicos (que se curaram, mas ainda apresentam lesões) recebem tratamento apenas para evitar infecções, uma vez que as feridas estão abertas. A rede pública, no entanto, não disponibiliza um tratamento que favorece a cicatrização. A ideia dos pesquisadores, portanto, é fornecer a biomembrana de forma gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS), algo que seria viabilizado pela criação de um laboratório totalmente destinado a essa produção. Esse laboratório seria voltado não apenas para tratamento da hanseníase, mas para outras doenças de sequelas semelhantes, como a diabetes.

“Há drogas no mercado que promovem cicatrização, mas com preço inacessível aos pacientes. E quem tem hanseníase geralmente são pessoas pobres”, conta o Prof. Márcio Ramos, coordenador do Laboratório de Plantas Laticíferas, responsável pela extração e caracterização das proteínas ativas. Um fator que torna a membrana viável para o sistema público é justamente o barateamento da produção, uma vez que ela seria feita sem as margens de lucro da indústria convencional. Os pesquisadores estimam que, com isso, o custo do tratamento poderia ser reduzido de 50% a 70% em relação à terapia disponível no mercado. “Por isso a importância de criar um laboratório de produção”, defende a Profª Nylane Alencar.

A criação desse setor de produção ganha ainda outra justificativa considerando-se a gama de aplicações possíveis da membrana. Além do uso em pacientes pós-hansênicos e diabéticos, já há expectativa de utilização em enfermos com úlcera venosa, cuja cirurgia não tem cicatrização total. “Começamos com a hanseníase, mas temos potencial de ampliar o atendimento para outros problemas igualmente graves, mas negligenciados”, diz o Prof. Márcio Ramos.

Efeito cicatrizante

O estudo teve início ainda em 2013, quando os pesquisadores já haviam constatado o efeito cicatrizante dessas enzimas em modelos animais. Com o início das aplicações em humanos no ano passado, a biomembrana se mostrou igualmente eficiente, com resultados que variavam de acordo com o paciente.

As doutorandas do Programa de Pós-Graduação em Farmacologia da UFC responsáveis pelo trabalho experimental, Marília Nunes e Tamiris Goebel, explicam que a porcentagem de cura da lesão depende, por vezes, de fatores externos ou de apoio médico. “É preciso acompanhamento de neurologista, ortopedista e até uso de um calçado adequado, por exemplo. Às vezes há pacientes que não cicatrizaram por conta de fatores básicos”, explica Marília.

Naquelas pessoas tratadas que atendiam a necessidades simples, como o exemplo citado, o efeito acelerador da cicatrização ocorreu sem problemas, garantindo a recuperação das lesões nos três meses em que as doutorandas aplicaram a pesquisa.

Princípio ativo

As proteínas usadas na produção da biomembrana são extraídas do látex da planta Calotropis procera, conhecida popularmente como ciúme ou algodeiro-de-seda, típica de regiões áridas como o Nordeste brasileiro.

Após a extração, essas proteínas são separadas e purificadas. Na UFC, a equipe do grupo de pesquisa de Biotecnologia Molecular de Látex Vegetal já conseguiu aplicá-las em processos que vão da produção de um “queijo vegetariano” até a criação de um produto para depilar couro animal.

No processo de separação, materiais como borracha e compostos secundários são removidos, para que as proteínas possam ser recuperadas, desidratadas e transformadas em pó. Esse pó é homogeneizado em uma solução de álcool polivinílico (PVA) até a formação de um líquido branco, que, quando seca, se torna quase um filme transparente: a biomembrana.

Ao ser colocado na pele em ferida aberta, o filme é progressivamente absorvido e promove a ação cicatrizante. “É uma liberação controlada”, diz a Profª Nylane. “As proteínas vão saindo aos poucos. Quando são aplicados géis, às vezes a pele não absorve, mas isso não ocorre com a membrana.” A pesquisa foi financiada com recursos do Programa de Pesquisa para ao SUS (PPSUS) e da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap).

Com informações: Agência UFC

15:02 · 22.02.2018 / atualizado às 15:05 · 22.02.2018 por
Exame, baseado em algoritmos, pode ser realizado em poucos minutos e permite observar as diversas camadas da retina, identificar alterações causadas por doenças que podem causar perda de visão Foto: Healing The Eye

Por Gabriel Alves

É possível que, em breve, o leitor possa ser atendido por um androide médico, tal qual no filme “Star Wars”, ou ter seu tratamento decidido por um poderoso algoritmo na nuvem.

A “consulta” seria barata e rápida e estaria baseada em uma tecnologia que já deixou de ser embrionária -a inteligência artificial baseada em deep learning, uma espécie de aprendizado de programa de computador por conta própria.

Equipamentos médicos com finalidade diagnóstica já são vendidos com programas baseados em algoritmos que podem ajudar, por exemplo, um ortopedista a detectar alguma anormalidade em um raio-X ou e em outros exames de imagem, como aqueles que mapeiam a retina em busca de degenerações.

Foi justamente com exames como esses que cientistas dos EUA, China e Alemanha mostraram que a máquina -na verdade um programa de computador- pode se igualar e até superar o homem quando o assunto é saber quem é doente e quem não é. Um algoritmo desenvolvido pelos pesquisadores foi treinado com um gigantesco banco de imagens de exames -mais especificamente, tomografias de coerência óptica.

Esse exame, que é realizado em poucos minutos, permite observar as diversas camadas da retina e identificar alterações causadas por doenças que podem causar perda de visão, como a degeneração macular relacionada à idade (DMRI), e outras provocadas pelo diabetes, como a retinopatia diabética ou o edema macular diabético. De modo simplificado, o programa aprendeu, por conta própria, a “ler” alguns aspectos das imagens que julgou importantes para a definição do diagnóstico. Foi fundamental nesse processo a não interferência de um “raciocínio humano”, o que permitiu que o algoritmo encontrasse os melhores caminhos para chegar a um veredito sobre cada paciente.

O resultado do treinamento com mais de 200 mil imagens foi surpreendente: o programa chegou a superar experts em retina na taxa de diagnósticos corretos, errando apenas 6,6% dos casos em um dos testes.

Redução de custo de tratamento

Segundo estimativas, ao menos 1 milhão de pessoas no Brasil, entre diabéticos e idosos, têm risco elevado de apresentar doenças degenerativas da retina.

Em muitos casos, porém, por causa da distância dos centros de diagnóstico e pela desinformação, essas pessoas podem perder a visão. Hoje em dia, muitas desses casos seriam tratáveis com injeções intraoculares mensais, por exemplo, explica o professor titular de oftalmologia da UFG Marcos Ávila, que já foi presidente do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO).

Talvez a principal vantagem de ter uma inteligência artificial assinalando os diagnósticos é o custo do exame, que tende a cair. Provavelmente o paciente não precisaria mais passar por dois ou três especialistas até ter o diagnóstico final, argumentam os autores do estudo. Na opinião de Rubens Belfort Jr., professor titular de oftalmologia da Unifesp, é notório também o de qualidade.

“Mesmo em países ricos a qualidade da análise nem sempre é boa, seja por despreparo, falta de tempo ou até mesmo por desleixo. Assim, com um processo mais inteligente, não só haveria redução de custos do exame e da interpretação mas também de tratamentos ineficazes ou desnecessários dessas doenças de retina ou de qualquer outra que possa ser diagnosticadas via exame de imagem, como tomografia, ressonância magnética e raio-X.”

Máquina X Homem

Paulo Schor, que também é professor de oftalmologia da Unifesp, lembra que já houve outros avanços importantes na área.

Com uma simples imagem do fundo de olho, um outro programa consegue identificar inúmeros fatores de risco cardiovascular, como idade, se a pessoa fuma, se tem pressão arterial elevada e se a pessoa já sofreu algum evento cardiovascular grave. Tudo isso com razoável acurácia.

O professor afirma que é muito provável que cada vez mais as máquinas se encarreguem de selecionar aqueles que têm alguma chance de estarem doentes, deixando para os médicos a filtragem final, que descartariam os casos que não são graves e tratando os demais. Já Kang Zhang, autor do estudo e pesquisador na Universidade Médica de Guangzhou (China) e da Universidade da Califórnia em San Diego, é mais otimista.

Para ele, no futuro espera-se que a inteligência artificial seja capaz de fazer um diagnóstico completo, encaminhar pacientes e até mesmo decidir qual tratamento é o mais adequado. Seria necessário, porém, uma espécie de “período de adaptação”, com inteligência artificial e médicos humanos trabalhando lado a lado, diz o pesquisador à reportagem.

Acompanhamento automatizado

Para Ávila, um outro possível ganho é automatizar o acompanhamento de pacientes de alto risco ou que estão em tratamento.

O único trabalho para o paciente seria ter de ir até uma clínica e realizar o exame periodicamente, desafogando, assim, os consultórios médicos. Belfort explica que o Brasil ainda engatinha na área. “Precisamos ainda de uma base de dados confiável, de um número enorme de exames”. E esses exames de imagem têm de estar bem rotulados, ou seja, tanto a quantidade quanto a precisão de informações associadas a eles são fundamentais para um bom desempenho da inteligência artificial.

“É possível que, no futuro, médicos briguem com a máquina. Ambos vão ter que aprender onde estão errando; vai ter que haver ‘diálogo'”, diz Belfort. “Não pode haver competição. Todos estão buscando a inteligência artificial, mas a inteligência natural não pode ficar de lado.” Para Zhang, que também é oftalmologista, não dá para fugir do futuro: “Penso que a chegada dos sistemas de diagnósticos baseados em inteligência artificial é inevitável. A nós, médicos, resta trabalhar e interagir com a IA para fazer o futuro da medicina mais custo-efetivo e, além disso, prover um melhor cuidado.”

Com informações: Folhapress

19:54 · 07.02.2018 / atualizado às 19:54 · 07.02.2018 por

Depois de lançar o Tesla Roadster vermelho de Elon Musk como carga de teste para o foguete Falcon Heavy na terça-feira (6), a SpaceX transmitiu as primeiras horas da viagem inédita.

No vídeo acima, é possível ver diversos ângulos do carro e do “motorista”, um boneco vestido de astronauta apelidado de Starman em homenagem à música de David Bowie, que estaria tocando no rádio se o som pudesse se propagar no espaço.

As imagens cobrem mais de quatro horas e foram transmitidas ao vivo. No lugar de uma tela multímidia há a frase: “Don’t panic” (não se desespere), citada no “Guia do mochileiro das galáxias”. Em uma das placas eletrônicas do carro, Musk mandou gravar “Feito na Terra por humanos”, caso algum alienígena trombe com o carro por aí.

Mais do que uma jogada do empresário Elon Musk, que criou a Tesla, colocar o esportivo elétrico dentro de um foguete serviu para mostrar a capacidade da sou outra empresa, a SpaceX, de fazer viagens espaciais. O teste real foi do foguete jumbo Falcon Heavy, que se tornou o veículo espacial mais poderoso a ser lançado dos Estados Unidos desde os foguetes Saturn 5, da Nasa, que transportaram astronautas para a lua 45 anos atrás.

No entanto, o mais impressionante é que dois dos três foguetes usados como propulsores voltaram ao solo e pousaram intactos, prontos para uma próxima. O terceiro deles errou o alvo e se desintegrou no mar.

O Tesla Roadster foi impulsionado uma última vez, para escapar da órbita de Marte e dar uma volta como previsto no esquema divulgado por Musk.

Trajetória

A SpaceX ainda não confirmou se a trajetória está correta e quais as chances de ele colidir com qualquer outro objeto no espaço no meio do caminho. A ideia inicial era deixar o carro na órbita de Marte por anos.

O Falcon Heavy é projetado para transportar cargas úteis de muito maior peso do que um carro esportivo, com a SpaceX vangloriando sua capacidade de colocar cerca de 70 toneladas em órbita terrestre por um custo de US$ 90 milhões por lançamento.

A expectativa é de que a SpaceX, com sede na Califórnia, vai ganhar vantagem em relação às companhias de foguetes comerciais rivais que buscam contratos importantes com a Nasa, as Forças Armadas dos EUA, empresas de satélites e até mesmo com turistas espaciais pagantes.

O esportivo foi o primeiro modelo da Tesla e ganhará um “upgrade” em 2020, que o colocará como o carro mais rápido do mundo em aceleração. De acordo com o anúncio feito em novembro passado, ele será capaz de ir de 0 a 96 km/h em 1,9 segundo.

Essa marca supera o próprio Tesla Model S P100D, o híbrido Porsche 918 Spyder e o Bugatti Chiron – todos com desempenho acima de 2 segundos.

O novo Tesla Roadster ainda é conversível e tem outra característica impressionante: uma carga de bateria dura cerca de 1.000 km.

Com informações: Auto Esporte/Globo.com

Pesquisar

Diário Científico

Jornalismo científico produzido no Ceará de olho nas grandes descobertas que a Ciência faz em qualquer lugar do mundo.
Posts Recentes

06h09mEstudo mostra que pintor Caravaggio morreu de infecção bacteriana por Staphylococcus

06h09mEquipe brasileira identifica fóssil de crocodilo que viveu há 85 milhões de anos, em MG

05h09mArarinha-azul, espécie que inspirou animação, está provavelmente extinta na natureza, revela estudo

09h09mEstudo aponta que instalar parques eólicos e solares poderia aumentar quantidade de chuva no Saara

05h09mBotsuana registra matança de 90 elefantes em menos de dois meses

Ver mais

Tags

Categorias
Blogs