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Categoria: Desenvolvimento Científico


21:54 · 28.03.2018 / atualizado às 17:19 · 29.03.2018 por
Imagem destacada da NGC 1052-DF2, que misteriosamente não contém elemento presente em mais de 25% da composição do Universo Foto: How Stuff Works

Astrônomos ficaram surpresos ao descobrir a primeira galáxia desprovida de matéria escura, um elemento invisível e misterioso que age como uma espécie de “cola” das galáxias e ajuda a sua formação.

Essa observação “desafia as teorias habituais sobre a formação das galáxias”, assegura Pieter van Dokkum, da Universidade de Yale (Estados Unidos), autor principal do estudo publicado nesta quarta-feira (28) na revista científica Nature.

“Trata-se de uma descoberta excepcional, já que as galáxias contêm supostamente mais matéria escura que matéria comum”, indica o Instituto Dunlap para a Astronomia e a Astrofísica da Universidade de Toronto (Canadá), cujos pesquisadores participaram do estudo.

A galáxia NGC 1052-DF2, ou DF2 de forma abreviada, se encontra a 65 milhões de anos-luz da Terra. Os cientistas já sabiam de sua existência, e ela faz parte das galáxias ultra difusas, cuja densidade é extremamente baixa.

Embora seja maior que a nossa galáxia, a Via Láctea, contêm um número 250 vezes menor de estrelas. A matéria comum (os átomos), que compõe as estrelas, planetas, gases e poeira das galáxias, formam apenas 5% do universo. A matéria escura, que continua sendo um dos maiores enigmas da astrofísica contemporânea, formaria mais de 25% do universo. É invisível e só pode ser detectada através de seus efeitos gravitacionais sobre outros objetos do universo. Os cientistas acreditam que é a matéria escura que dá uma massa adicional às galáxias, produzindo uma maior gravidade que permite que as galáxias não se desagreguem. Uma galáxia gira tão rápido que só a gravidade produzida pela matéria observável nela não é suficiente para mantê-la unida.

“A matéria escura costuma ser considerada uma parte integrante das galáxias – é a cola que as mantém juntas e o andaime subjacente sobre o qual se constroem” -, resume a coautora do estudo Allison Merritt, da Universidade de Yale, citada em um comunicado do Observatório Europeu do Sul. Antes da descoberta, “pensava-se que todas as galáxias tinham matéria escura. Para uma galáxia deste tamanho, deveria haver 30 vezes mais matéria escura que matéria comum”, indica Roberto Abraham, da Universidade de Toronto. “Em vez disso, descobrimos que não havia nenhuma matéria escura. Isso não deveria ser possível”, assegura.

Merritt lembra que não existe nenhuma teoria que prediga este tipo de galáxias. “A maneira como se formam é totalmente desconhecida”. A existência de galáxias sem matéria escura do tipo da DF2 poderia, paradoxalmente, debilitar as teorias cosmológicas que propõem alternativas à matéria escura, explicam os pesquisadores.

A galáxia DF2 foi detectada por um telescópio óptico original chamado Dragonfly. Desde então, vários telescópios foram utilizados para estudá-la, entre eles o telescópio espacial Hubble.

Com informações: AFP

18:13 · 23.03.2018 / atualizado às 18:13 · 23.03.2018 por
Ideia dos pesquisadores é fornecer a técnica de forma gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS) Foto: Ribamar Neto/UFC

Pesquisadores do grupo de pesquisa Biotecnologia Molecular do Látex Vegetal, da Universidade Federal do Ceará, encontraram uma alternativa para tratar lesões causadas pela hanseníase: uma biomembrana desenvolvida a partir de proteínas vegetais com alto poder de cicatrização.

Em alguns dos testes com voluntários com sequelas de hanseníase, ferimentos abertos há mais de 15 anos apresentaram cicatrização de aproximadamente 80% da lesão apenas três meses após o início do tratamento. Um dos fatores que dificultam a cura da lesão da hanseníase é seu constante estado de inflamação. Isso faz as bordas do ferimento adquirirem forma semelhante à de calos, impedindo o processo de cicatrização do tecido epitelial. A membrana produzida na pesquisa age como um princípio ativo quando aplicada diretamente na pele dos pacientes, quebrando essa barreira e estimulando o processo de recuperação.

O grupo é coordenado pelos professores Márcio V. Ramos, do Programa de Pós-Graduação em Bioquímica, responsável por todas as etapas relacionadas à obtenção da proteína; e Nylane Nunes de Alencar, do Programa de Pós-Graduação em Farmacologia, que acompanha todas as ações ligadas à área médica.

Essas ações são realizadas no Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos (NPDM), da UFC, em parceria com a médica Maria Araci Pontes Aires, do Centro Dermatológico Dona Libânia, referência em hanseníase no Estado do Ceará.

No Centro, os pacientes considerados pós-hansênicos (que se curaram, mas ainda apresentam lesões) recebem tratamento apenas para evitar infecções, uma vez que as feridas estão abertas. A rede pública, no entanto, não disponibiliza um tratamento que favorece a cicatrização. A ideia dos pesquisadores, portanto, é fornecer a biomembrana de forma gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS), algo que seria viabilizado pela criação de um laboratório totalmente destinado a essa produção. Esse laboratório seria voltado não apenas para tratamento da hanseníase, mas para outras doenças de sequelas semelhantes, como a diabetes.

“Há drogas no mercado que promovem cicatrização, mas com preço inacessível aos pacientes. E quem tem hanseníase geralmente são pessoas pobres”, conta o Prof. Márcio Ramos, coordenador do Laboratório de Plantas Laticíferas, responsável pela extração e caracterização das proteínas ativas. Um fator que torna a membrana viável para o sistema público é justamente o barateamento da produção, uma vez que ela seria feita sem as margens de lucro da indústria convencional. Os pesquisadores estimam que, com isso, o custo do tratamento poderia ser reduzido de 50% a 70% em relação à terapia disponível no mercado. “Por isso a importância de criar um laboratório de produção”, defende a Profª Nylane Alencar.

A criação desse setor de produção ganha ainda outra justificativa considerando-se a gama de aplicações possíveis da membrana. Além do uso em pacientes pós-hansênicos e diabéticos, já há expectativa de utilização em enfermos com úlcera venosa, cuja cirurgia não tem cicatrização total. “Começamos com a hanseníase, mas temos potencial de ampliar o atendimento para outros problemas igualmente graves, mas negligenciados”, diz o Prof. Márcio Ramos.

Efeito cicatrizante

O estudo teve início ainda em 2013, quando os pesquisadores já haviam constatado o efeito cicatrizante dessas enzimas em modelos animais. Com o início das aplicações em humanos no ano passado, a biomembrana se mostrou igualmente eficiente, com resultados que variavam de acordo com o paciente.

As doutorandas do Programa de Pós-Graduação em Farmacologia da UFC responsáveis pelo trabalho experimental, Marília Nunes e Tamiris Goebel, explicam que a porcentagem de cura da lesão depende, por vezes, de fatores externos ou de apoio médico. “É preciso acompanhamento de neurologista, ortopedista e até uso de um calçado adequado, por exemplo. Às vezes há pacientes que não cicatrizaram por conta de fatores básicos”, explica Marília.

Naquelas pessoas tratadas que atendiam a necessidades simples, como o exemplo citado, o efeito acelerador da cicatrização ocorreu sem problemas, garantindo a recuperação das lesões nos três meses em que as doutorandas aplicaram a pesquisa.

Princípio ativo

As proteínas usadas na produção da biomembrana são extraídas do látex da planta Calotropis procera, conhecida popularmente como ciúme ou algodeiro-de-seda, típica de regiões áridas como o Nordeste brasileiro.

Após a extração, essas proteínas são separadas e purificadas. Na UFC, a equipe do grupo de pesquisa de Biotecnologia Molecular de Látex Vegetal já conseguiu aplicá-las em processos que vão da produção de um “queijo vegetariano” até a criação de um produto para depilar couro animal.

No processo de separação, materiais como borracha e compostos secundários são removidos, para que as proteínas possam ser recuperadas, desidratadas e transformadas em pó. Esse pó é homogeneizado em uma solução de álcool polivinílico (PVA) até a formação de um líquido branco, que, quando seca, se torna quase um filme transparente: a biomembrana.

Ao ser colocado na pele em ferida aberta, o filme é progressivamente absorvido e promove a ação cicatrizante. “É uma liberação controlada”, diz a Profª Nylane. “As proteínas vão saindo aos poucos. Quando são aplicados géis, às vezes a pele não absorve, mas isso não ocorre com a membrana.” A pesquisa foi financiada com recursos do Programa de Pesquisa para ao SUS (PPSUS) e da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap).

Com informações: Agência UFC

15:02 · 22.02.2018 / atualizado às 15:05 · 22.02.2018 por
Exame, baseado em algoritmos, pode ser realizado em poucos minutos e permite observar as diversas camadas da retina, identificar alterações causadas por doenças que podem causar perda de visão Foto: Healing The Eye

Por Gabriel Alves

É possível que, em breve, o leitor possa ser atendido por um androide médico, tal qual no filme “Star Wars”, ou ter seu tratamento decidido por um poderoso algoritmo na nuvem.

A “consulta” seria barata e rápida e estaria baseada em uma tecnologia que já deixou de ser embrionária -a inteligência artificial baseada em deep learning, uma espécie de aprendizado de programa de computador por conta própria.

Equipamentos médicos com finalidade diagnóstica já são vendidos com programas baseados em algoritmos que podem ajudar, por exemplo, um ortopedista a detectar alguma anormalidade em um raio-X ou e em outros exames de imagem, como aqueles que mapeiam a retina em busca de degenerações.

Foi justamente com exames como esses que cientistas dos EUA, China e Alemanha mostraram que a máquina -na verdade um programa de computador- pode se igualar e até superar o homem quando o assunto é saber quem é doente e quem não é. Um algoritmo desenvolvido pelos pesquisadores foi treinado com um gigantesco banco de imagens de exames -mais especificamente, tomografias de coerência óptica.

Esse exame, que é realizado em poucos minutos, permite observar as diversas camadas da retina e identificar alterações causadas por doenças que podem causar perda de visão, como a degeneração macular relacionada à idade (DMRI), e outras provocadas pelo diabetes, como a retinopatia diabética ou o edema macular diabético. De modo simplificado, o programa aprendeu, por conta própria, a “ler” alguns aspectos das imagens que julgou importantes para a definição do diagnóstico. Foi fundamental nesse processo a não interferência de um “raciocínio humano”, o que permitiu que o algoritmo encontrasse os melhores caminhos para chegar a um veredito sobre cada paciente.

O resultado do treinamento com mais de 200 mil imagens foi surpreendente: o programa chegou a superar experts em retina na taxa de diagnósticos corretos, errando apenas 6,6% dos casos em um dos testes.

Redução de custo de tratamento

Segundo estimativas, ao menos 1 milhão de pessoas no Brasil, entre diabéticos e idosos, têm risco elevado de apresentar doenças degenerativas da retina.

Em muitos casos, porém, por causa da distância dos centros de diagnóstico e pela desinformação, essas pessoas podem perder a visão. Hoje em dia, muitas desses casos seriam tratáveis com injeções intraoculares mensais, por exemplo, explica o professor titular de oftalmologia da UFG Marcos Ávila, que já foi presidente do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO).

Talvez a principal vantagem de ter uma inteligência artificial assinalando os diagnósticos é o custo do exame, que tende a cair. Provavelmente o paciente não precisaria mais passar por dois ou três especialistas até ter o diagnóstico final, argumentam os autores do estudo. Na opinião de Rubens Belfort Jr., professor titular de oftalmologia da Unifesp, é notório também o de qualidade.

“Mesmo em países ricos a qualidade da análise nem sempre é boa, seja por despreparo, falta de tempo ou até mesmo por desleixo. Assim, com um processo mais inteligente, não só haveria redução de custos do exame e da interpretação mas também de tratamentos ineficazes ou desnecessários dessas doenças de retina ou de qualquer outra que possa ser diagnosticadas via exame de imagem, como tomografia, ressonância magnética e raio-X.”

Máquina X Homem

Paulo Schor, que também é professor de oftalmologia da Unifesp, lembra que já houve outros avanços importantes na área.

Com uma simples imagem do fundo de olho, um outro programa consegue identificar inúmeros fatores de risco cardiovascular, como idade, se a pessoa fuma, se tem pressão arterial elevada e se a pessoa já sofreu algum evento cardiovascular grave. Tudo isso com razoável acurácia.

O professor afirma que é muito provável que cada vez mais as máquinas se encarreguem de selecionar aqueles que têm alguma chance de estarem doentes, deixando para os médicos a filtragem final, que descartariam os casos que não são graves e tratando os demais. Já Kang Zhang, autor do estudo e pesquisador na Universidade Médica de Guangzhou (China) e da Universidade da Califórnia em San Diego, é mais otimista.

Para ele, no futuro espera-se que a inteligência artificial seja capaz de fazer um diagnóstico completo, encaminhar pacientes e até mesmo decidir qual tratamento é o mais adequado. Seria necessário, porém, uma espécie de “período de adaptação”, com inteligência artificial e médicos humanos trabalhando lado a lado, diz o pesquisador à reportagem.

Acompanhamento automatizado

Para Ávila, um outro possível ganho é automatizar o acompanhamento de pacientes de alto risco ou que estão em tratamento.

O único trabalho para o paciente seria ter de ir até uma clínica e realizar o exame periodicamente, desafogando, assim, os consultórios médicos. Belfort explica que o Brasil ainda engatinha na área. “Precisamos ainda de uma base de dados confiável, de um número enorme de exames”. E esses exames de imagem têm de estar bem rotulados, ou seja, tanto a quantidade quanto a precisão de informações associadas a eles são fundamentais para um bom desempenho da inteligência artificial.

“É possível que, no futuro, médicos briguem com a máquina. Ambos vão ter que aprender onde estão errando; vai ter que haver ‘diálogo'”, diz Belfort. “Não pode haver competição. Todos estão buscando a inteligência artificial, mas a inteligência natural não pode ficar de lado.” Para Zhang, que também é oftalmologista, não dá para fugir do futuro: “Penso que a chegada dos sistemas de diagnósticos baseados em inteligência artificial é inevitável. A nós, médicos, resta trabalhar e interagir com a IA para fazer o futuro da medicina mais custo-efetivo e, além disso, prover um melhor cuidado.”

Com informações: Folhapress

19:54 · 07.02.2018 / atualizado às 19:54 · 07.02.2018 por

Depois de lançar o Tesla Roadster vermelho de Elon Musk como carga de teste para o foguete Falcon Heavy na terça-feira (6), a SpaceX transmitiu as primeiras horas da viagem inédita.

No vídeo acima, é possível ver diversos ângulos do carro e do “motorista”, um boneco vestido de astronauta apelidado de Starman em homenagem à música de David Bowie, que estaria tocando no rádio se o som pudesse se propagar no espaço.

As imagens cobrem mais de quatro horas e foram transmitidas ao vivo. No lugar de uma tela multímidia há a frase: “Don’t panic” (não se desespere), citada no “Guia do mochileiro das galáxias”. Em uma das placas eletrônicas do carro, Musk mandou gravar “Feito na Terra por humanos”, caso algum alienígena trombe com o carro por aí.

Mais do que uma jogada do empresário Elon Musk, que criou a Tesla, colocar o esportivo elétrico dentro de um foguete serviu para mostrar a capacidade da sou outra empresa, a SpaceX, de fazer viagens espaciais. O teste real foi do foguete jumbo Falcon Heavy, que se tornou o veículo espacial mais poderoso a ser lançado dos Estados Unidos desde os foguetes Saturn 5, da Nasa, que transportaram astronautas para a lua 45 anos atrás.

No entanto, o mais impressionante é que dois dos três foguetes usados como propulsores voltaram ao solo e pousaram intactos, prontos para uma próxima. O terceiro deles errou o alvo e se desintegrou no mar.

O Tesla Roadster foi impulsionado uma última vez, para escapar da órbita de Marte e dar uma volta como previsto no esquema divulgado por Musk.

Trajetória

A SpaceX ainda não confirmou se a trajetória está correta e quais as chances de ele colidir com qualquer outro objeto no espaço no meio do caminho. A ideia inicial era deixar o carro na órbita de Marte por anos.

O Falcon Heavy é projetado para transportar cargas úteis de muito maior peso do que um carro esportivo, com a SpaceX vangloriando sua capacidade de colocar cerca de 70 toneladas em órbita terrestre por um custo de US$ 90 milhões por lançamento.

A expectativa é de que a SpaceX, com sede na Califórnia, vai ganhar vantagem em relação às companhias de foguetes comerciais rivais que buscam contratos importantes com a Nasa, as Forças Armadas dos EUA, empresas de satélites e até mesmo com turistas espaciais pagantes.

O esportivo foi o primeiro modelo da Tesla e ganhará um “upgrade” em 2020, que o colocará como o carro mais rápido do mundo em aceleração. De acordo com o anúncio feito em novembro passado, ele será capaz de ir de 0 a 96 km/h em 1,9 segundo.

Essa marca supera o próprio Tesla Model S P100D, o híbrido Porsche 918 Spyder e o Bugatti Chiron – todos com desempenho acima de 2 segundos.

O novo Tesla Roadster ainda é conversível e tem outra característica impressionante: uma carga de bateria dura cerca de 1.000 km.

Com informações: Auto Esporte/Globo.com

16:14 · 17.01.2018 / atualizado às 16:14 · 17.01.2018 por
O incremento deveu-se em grande parte à China, que superou seu próprio recorde de investimentos, com um total de US$ 132,6 bilhões (desses US$ 86,5 em energia solar), um aumento anual de 24% Foto: Inn Daily

Os investimentos em energias renováveis no mundo voltaram a crescer em 2017 graças aos montantes recordes investidos na China na energia solar.

Após uma queda em 2016, os investimentos cresceram 3% em 2017, atingindo 333 bilhões de dólares, segundo relatório da Bloomberg New Energy Finance (BNEF).

“É o segundo melhor resultado anual observado até agora”, aponta o relatório, que destaca o “boom extraordinário de instalações fotovoltaicas” na China. O gigante asiático superou seu próprio recorde de investimentos, com um total de 132,6 bilhões de dólares (desses 86,5 bilhões em energia solar), um aumento anual de 24%. No total, a China criou novas instalações com capacidade de 58 GW, 20 GW a mais do que previa a BNEF, consultora que faz parte do grupo Bloomberg.

A nível mundial, a energia solar representou 160,8 bilhões de dólares em investimentos em 2017, um aumento de 18% em relação a 2016.

Em contrapartida, os investimentos em energia eólica caíram 12% em relação a 2016, a 107,2 bilhões de dólares.

As demais energias renováveis (biomassa, geotérmica, hidroelétrica de pequena escala, etc.) representam menos de 5 bilhões em investimentos.

Com informações: AFP

17:36 · 22.09.2017 / atualizado às 17:36 · 22.09.2017 por
Foto: Icy Tales

Estudo conduzido pelo Instituto Evandro Chagas (IEC) do Pará em conjunto com a Universidade do Texas mostra que a vacina contra zika desenvolvida pelas duas instituições protege camundongos e macacos contra o vírus.

Publicado pela Revista Nature Communications, o trabalho constatou que a aplicação de uma dose da vacina nos animais foi suficiente para prevenir a transmissão do vírus da mãe para o filhote durante a gestação, além de proteger machos. Com a conclusão desta etapa, é dado sinal verde para preparativos em testes em humanos.

Apesar da boa notícia, um achado do estudo acende um alerta para uma eventual consequência da infecção pelo vírus: a redução da fertilidade masculina. Testes realizados em camundongos mostram que a infecção pode alterar a reprodução nesses animais. Machos não vacinados expostos ao zika tiveram uma redução significativa de espermatozoides. E os que foram produzidos perderam velocidade, o que dificulta a fecundação. Para completar, testículos dos camundongos atrofiaram.

“Sabemos da propensão do zika em infectar células do cérebro. O estudo agora indica que o vírus também age no testículo”, relata o diretor do IEC, Pedro Vasconcelos.”Não era esperado que isso ocorresse. Foi um achado ocasional”, completa o diretor. Não há ainda pistas sobre as causas que levam o vírus a atacar também a gônada masculina. Um dos caminhos a ser pesquisados, avalia, é a possibilidade de semelhanças entre receptores.

O diretor afirma que novos testes deverão ser feitos para verificar se o zika apresenta comportamento semelhante nos testículos de outras animais. Caso novos estudos indiquem resultados similares, Vasconcelos considera importante partir para uma investigação epidemiológica em regiões onde o vírus provocou epidemia, como cidades do Nordeste. “A epidemia pode ter provocado outras consequências, que serão sentidas numa outra fase, como a redução dos bebês nascidos em regiões afetadas. Isso precisa ser investigado.” A pesquisa não testou a capacidade de os camundongos engravidarem fêmeas após os danos constatados nos testículos. Isso impede afirmar neste momento que animais se tornaram estéreis. Um novo experimento agora será realizado. “O que se sabe é que há uma grande quantidade de vírus na excreção do esperma, que significa que o vírus tem bastante capacidade de se replicar, causando a destruição das células que resulta em diminuição dos testículos e, consequentemente, a esterilidade”, concluiu.

Este foi o quarto estudo publicado sobre a vacina desenvolvida em parceria pelo IEC e a Universidade do Texas. “Comprovada a eficácia da vacina em macacos e camundongos, terminamos nossa contribuição, abrindo caminho agora, para as pesquisas clínicas” afirma Vasconcelos. Todos os testes realizados mostraram até o momento o efeito protetor do imunizante desenvolvido pela parceria. Os testes clínicos serão feitos por Biomanguinhos, da Fundação Oswaldo Cruz, no Rio. A expectativa, de acordo com Vasconcelos, é de que os testes comecem a ser feitos em 2019.

A parceria para essa pesquisa foi feita em 2016 a partir de acordo internacional para o desenvolvimento de vacina contra o vírus zika. O Ministério da Saúde vai destinar um total de R$ 7 milhões nos próximos cinco anos (até 2021) para o desenvolvimento e produção da vacina. O imunobiológico em desenvolvimento utiliza a tecnologia de vírus vivo atenuado de apenas uma dose, já que vacinas com vírus vivo são altamente capazes de estimular o sistema imunológico e proteger o organismo da infecção.

Com informações: Estadão Conteúdo

16:23 · 29.05.2017 / atualizado às 16:23 · 29.05.2017 por
Conhecidos como hidratos de metano, formam-se a temperaturas muito baixas, em condições de pressão elevada. São encontrados em sedimentos do fundo do mar e ou abaixo do permafrost, a camada de solo congelada dos polos Foto: The Japan Times

A China anunciou ter extraído do fundo do Mar da China Meridional uma quantidade considerável de hidrato de metano, também conhecido como gelo combustível, que é tido por muitos como o futuro do abastecimento de energia.

Num comunicado emitido na semana passada, autoridades do país asiático comemoraram o feito. Isso porque a tarefa é considerada altamente complexa, e já tinha sido alvo de tentativas pelo Japão e pelos Estados Unidos, sem muito sucesso.

Mas o que é exatamente esse composto e por que ele é considerado chave como uma promissora fonte de energia no mundo?

Reservas imensas

O gelo combustível ou gelo inflamável é uma mistura gelada de água e gás.

“Parecem cristais de gelo, mas quando se olha mais de perto, a nível molecular, veem-se as moléculas de metano dentro das moléculas de água”, explica à BBC Praven Linga, professor do Departamento de Engenharia Química e Biomolecular da Universidade Nacional de Cingapura.

Conhecidos como hidratos de metano, formam-se a temperaturas muito baixas, em condições de pressão elevada. São encontrados em sedimentos do fundo do mar e ou abaixo do permafrost, a camada de solo congelada dos polos. O gás encapsulado dentro do gelo torna os hidratos inflamáveis, mesmo a baixíssimas temperaturas. Essa combinação rendeu-lhe o apelido de “gelo de fogo”. Quando se reduz a pressão ou se eleva a temperatura, os hidratos se decompõem em água e metano. Um metro cúbico dessa substância libera cerca de 160 metros cúbicos de gás – ou seja, trata-se de um combustível de grande potencial energético.

O problema, no entanto, é que extrair esse gás é um processo que, por si só, consome muita energia.

Países pioneiros

Os hidratos de metano foram descobertos no norte da Rússia nos anos 1960, mas foi há apenas dez ou 15 anos que começou a pesquisa sobre como extrai-lo dos sedimentos marinhos.

O Japão foi pioneiro na exploração devido à sua carência de fontes de energia natural. Outros países líderes na prospecção de gelo combustível são Índia e Coreia do Sul, que tampouco têm reservas próprias de petróleo.

Americanos e canadenses também são bastante atuantes neste sentido – o foco de suas explorações tem sido nos hidratos de metano abaixo do permafrost do norte do Alasca e Canadá.

Por que importa?

Pesquisadores acreditam que os hidratos de metano têm o potencial de se tornar uma fonte de energia revolucionária que poderia ser fundamental para suprir necessidades energéticas no futuro.

Existem grandes depósitos abaixo dos oceanos do globo, sobretudo nas extremidades dos continentes. Atualmente, vários países estão buscando maneiras de extraí-lo de forma segura e rentável.

A China descreveu a extração feita na semana passada como “um feito importante”. Praven Linga compartilha dessa visão: “Em comparação com os resultados que temos visto na pesquisa japonesa, os cientistas chineses conseguiram extrair uma quantidade muito maior de gás”.

“É certamente um passo importante em tornar viável a extração de gás dos hidratos de metano”, acrescentou. Estima-se que sejam encontradas dez vezes mais gás nos hidratos de metano do que no xisto, do qual pode ser extraído gás natural e óleo e também tem servido como alternativa energética.

“E essa é uma estimativa conservadora”, ressalva Linga.
A China descobriu o gelo combustível no Mar da China Meridional em 2007 – uma área cuja soberania tem sido disputada entre o país, o Vietnã e as Filipinas.

Pequim reclama domínio sobre a área, alegando ter o direito de exploração de todas as potenciais reservas naturais escondidas abaixo da superfície.

Futuro

Embora o êxito da China seja um avanço importante, esse é apenas um passo de um longo caminho.

“É a primeira vez que os índices de produção são realmente promissores”, disse Linga. “Mas acreditamos que só em 2025, na melhor das hipóteses, poderemos considerar realistas as opções comerciais”, acrescenta.

Segundo a imprensa chinesa, eles conseguiram extrair, da região de Shenhu, uma média de 16 mil metros cúbicos de gás de elevada pureza por dia. Linga ainda ressalta que as empresas que potencialmente operem na exploração do material devem seguir condutas bastante rígidas de controle para se evitar danos ambientais.

O perigo é que o metano escape, e isso teria consequências graves para o aquecimento global, já que se trata de um gás com um potencial de impacto sobre as mudanças climáticas muito maior do que o dióxido de carbono.

Com informações: AFP

22:59 · 08.03.2017 / atualizado às 22:59 · 08.03.2017 por
A física da UFRGS Márcia Barbosa, afirma que apesar do avanço, áreas como as das exatas ainda constituem um desafio para inserção das mulheres, que segundo ela, seriam desestimuladas desde a infância a enveredar em carreiras relacionadas a esse campo científico Foto: UFRGS

Por Everton Lopes Batista e Sabine Righetti (Folhapress)

A proporção de mulheres que publicam artigos científicos -principal forma de avaliação na carreira acadêmica- cresceu 11% no Brasil nos últimos 20 anos. Agora elas publicam quase a mesma quantidade que os pesquisadores homens (49%).

Os resultados são parte do relatório Gender in the Global Research Landscape (gênero no cenário global de pesquisa, em tradução livre), lançado nesta quarta (8) pela Elsevier, maior editora científica do mundo. O material traz um levantamento de dados da publicação acadêmica feita por mulheres em 11 países e na União Europeia em dois períodos: de 1996 a 2000 e de 2011 a 2015.

Os dados mostram que, dentre os países pesquisados, Brasil e Portugal são os que mais contam com autoras em trabalhos científicos (49% do total). Isso é percebido no cotidiano dos cientistas: “Eu não tinha as estatísticas, mas já diria que hoje nós mulheres somos metade da produção científica nacional”, diz Mayana Zatz, geneticista do Centro de Genoma Humano da USP.

Em outros seis países (Reino Unido, Canadá, Austrália, França e Dinamarca) o número de publicações por mulheres já atingiu pelo menos 40% do total, considerado patamar de igualdade.Nos dados entre os anos de 1996 e 2000, somente Portugal contava com taxas superiores a 40%.

A quantidade de pesquisadoras, no entanto, muda de acordo com a área do conhecimento, segundo o relatório.

Saúde

Hoje, são elas que dominam as publicações de medicina no país: uma em cada quatro estudos publicados na área por pesquisadores brasileiros tem uma cientista mulher como principal autora.

Nas chamadas ciências duras, no entanto, elas ainda estão em minoria. De acordo com o levantamento da Elsevier, publicações de áreas como ciências de computação e matemática têm mais do que 75% de homens na autoria dos trabalhos na maior parte dos países pesquisados. “Áreas de exatas são um problema porque desde a primeira infância as meninas vão sendo afastadas”, diz Márcia Barbosa, física da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e especialista em gênero. Fato: um estudo publicado na revista científica “Science” em fevereiro mostrou que a partir dos seis anos as meninas começam a se achar menos inteligentes do que os meninos na escola -que, acreditam elas, lideram e fazem grandes descobertas. “Temos uma cultura de que a menina tem de ser uma princesinha que, por exemplo, não pode se sujar”, diz Barbosa. “Ciências exigem experimentação.”

Teto de vidro

A igualdade na distribuição de autoria dos trabalhos científicos observada no Brasil não se reflete, no entanto, nos cargos científicos de liderança. Reitores de universidade, chefes de departamentos e coordenadores de linhas de pesquisa ainda são, em sua maioria, homens. É isso que os estudiosos de gênero chamam de “teto de vidro”: um bloqueio invisível que as mulheres não conseguem quebrar para chegar ao topo. “As mulheres vão sumindo ao longo da carreira. É como se houvesse um vazamento de mulheres pelo caminho”, diz Márcia. Para a especialista, é preciso ter políticas que entendam e trabalhem o fenômeno. “Não podemos ver isso como algo dado e natural.” Tamara Naiz, historiadora e presidente da ANPG (Associação Nacional de Pós-Graduandos) afirma que a mulher precisa lidar com diversos entraves ao longo da carreira científica. Um deles, diz ela, é a falta de proteção com relação a maternidade. “Quando uma mulher é aprovada em um curso de pós-graduação, é comum ela ouvir de orientadores que não poderá engravidar para que a pesquisa não seja interrompida”, conta.

“Se somos cientistas tão capazes quanto os homens, por que isso não se reflete em igualdade de salários e de oportunidades?”, questiona Naiz. “O resultado do levantamento mostra que, mesmo partindo de condições desiguais, a mulher consegue desenvolver uma pesquisa tão boa quanto a de um homem.”

Impacto

Isso pode ser observado nos números. No Brasil, a qualidade dos trabalhos publicados por homens e por mulheres -medido pela quantidade de vezes em que um estudo é citado em outros trabalhos, que é chamado de “impacto”- também é semelhante.

As brasileiras recebem 0,74 citação por estudo publicado, enquanto os cientistas homens do país têm 0,81 citação em seus trabalhos. O impacto dos artigos científicos publicados por homens e por mulheres é semelhante até nos países em que a produção de ciência é bastante desigual.

No Japão, por exemplo, as mulheres são autoras de apenas dois em cada dez trabalhos científicos. Os artigos delas, no entanto, recebem 0,94 citação -número bem próximo do impacto dos trabalhos dos homens daquele país (0,96). O levantamento foi feito com a base de dados da Elsevier, a Scopus, que lista autores de mais de 62 milhões de documentos em cerca de 21,5 mil revistas acadêmicas. Como a identificação de gênero não é necessária em publicações científicas, um segundo processo atribui gênero aos nomes contando com conjuntos de informações de cada país que relacionam nome e sexo com pelo menos 80% de certeza.

07:46 · 29.11.2016 / atualizado às 20:04 · 28.11.2016 por
Foto: Nasa
Grupo pretende enviar pelo menos dois experimentos para avaliar os danos causados a colônias de bactérias no ambiente inóspito do espaço na órbita da Lua Foto: Nasa

Um time de cientistas de instituições de ponta do Brasil, com parceria da iniciativa privada, pretende lançar até 2020 a primeira missão do país à Lua: um nanossatélite com experimentos científicos. Batizado de Garatéa-L, ele terá o objetivo de realizar pesquisas para estudar características da vida no espaço.

Os brasileiros pretendem aproveitar um dos nichos mais promissores da exploração espacial. Enquanto os dispositivos tradicionais são geringonças que ultrapassam as três toneladas, os nanossatélites chamados cubesats são mais compactos, mais baratos e têm menos de 8 kg. “O fato de eles serem pequenos não os torna menos poderosos. Muitas empresas eram céticas sobre essa ideia, mas hoje a área recebe bastante investimento. Os bons resultados atraíram as maiores fabricantes do mundo”, diz Lucas Fonseca, engenheiro espacial da empresa privada Airvantis, parceira do projeto, e gerente do Garatéa-L.

O projeto reúne pesquisadores dos centros de excelência em espaço do Brasil: o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), o ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), a USP, o LNLS (Laboratório Nacional de Luz Síncrotron), o Instituto Mauá de Tecnologia e a PUC-RS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul). A missão custará R$ 35 milhões e a captação de verbas ainda não teve início. O financiamento é o principal obstáculo. “É mais fácil fazer ciência de ponta na Lua do que conseguir as verbas necessárias”, diz o líder da missão.

Nos mais de 50 anos do programa espacial brasileiro, não faltaram planos para explorar o espaço profundo, mas as iniciativas geralmente esbarravam na falta de recursos. A equipe decidiu então buscar fontes alternativas de financiamento, além de pleitear verbas de agências de fomento.

A ideia é criar uma combinação com investimentos privados, tanto através de patrocínio como também de negociação de royalties e direitos de uso do conhecimento gerado e até de eventuais patentes.

Busca vida

O nome da missão vem do tupi-guarani –garatéa significa busca vida. O “L” foi acrescentado para indicar a missão lunar.

O cientista principal da missão, Douglas Galante, apressa-se em explicar que não se trata de uma tentativa de buscar vida no satélite.

“Já sabemos que a Lua é um ambiente muito hostil à vida. O que nós tentamos fazer agora é usar um satélite na Lua para testar os limites da vida em ambiente hostil”, diz o pesquisador do LNLS (Laboratório Nacional de Luz Síncroton) em Campinas.

Quando estamos na Terra, seu campo magnético serve como um escudo contra a perigosa radiação que vem do espaço. Fora do planeta, essa defesa contra os efeitos nocivos dos raios cósmicos já não existe. E são precisamente os efeitos disso que os pesquisadores querem analisar.

Embora os detalhes das atribuições do Garatéa-L ainda não estejam fechados, o grupo pretende enviar pelo menos dois experimentos para avaliar os danos causados a colônias de bactérias no ambiente inóspito do espaço.

Estão previstos também experimentos com tecidos humanos. É possível que os dados coletados sejam úteis para auxiliar na preparação de missões tripuladas de longa duração, como uma eventual viagem a Marte.

Previsto para ocorrer até 2020, o lançamento será uma parceria das agências espaciais europeia e do Reino Unido com duas empresas britânicas, dentro de sua primeira missão comercial de espaço profundo –a Pathfinder.

O material será posto em órbita pelo foguete indiano PSLV-C11, o mesmo que enviou a missão Chandrayaan-1 para a Lua, em 2008.

Com informações: Giuliana Miranda/ Folhapress

18:48 · 06.07.2016 / atualizado às 18:49 · 06.07.2016 por
Meta do ministério, segundo o secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações(MCTIC), Jailson de Andrade, é que até 2019, o volume de recursos destinado para ciência, tecnologia e inovação seja de 2% do PIB Foto: ASCOM -MCTIC
Meta do ministério, segundo o secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento
do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações(MCTIC), Jailson de Andrade, é que
até 2019, o volume de recursos destinado para ciência, tecnologia e inovação seja de 2% do PIB
Foto: ASCOM -MCTIC

O secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Jailson de Andrade, disse nesta quarta-feira (6) que o Brasil precisará aumentar o investimento em ciência se quiser se destacar internacionalmente nessa área.

“O atual orçamento do MCTIC está no mesmo nível de 2001”, disse Andrade durante debate na 68ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Porto Seguro (BA). A meta do ministério, estabelecida na Estratégia Nacional de Ciência e Tecnologia, é que até 2019, o volume de recursos destinado para ciência, tecnologia e inovação seja de 2% do Produto Interno Bruto (PIB). O valor é o mínimo necessário para que o Brasil possa competir com os grandes players mundiais, segundo o ministério.

Dados da pasta relativos a 2013 mostram que o Brasil investe o equivalente a 1,66% do PIB em ciência e tecnologia, o que coloca o país em 70º lugar no Global Innovation Index(Índice Global de Inovação). Lançada em maio, a Estratégia Nacional de Ciência e Tecnologia foca em 11 áreas: aeroespacial e defesa; água; alimentos; biomas e bioeconomia; ciências e tecnologias sociais; clima; economia e sociedade digital; energia; nuclear; saúde; e tecnologias convergentes e habilitadoras.

Doutores

O número de títulos de mestrado e doutorado cresceu 379% e 486%, respectivamente, entre 1996 e 2014, no Brasíl, revela estudo divulgado pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) na 68ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Porto Seguro, na Bahia.

O estudo revela ainda que os títulos de pós-graduação triplicaram no mesmo período com a criação de novos cursos. Segundo o diretor do CGEE, Antônio Galvão, a pulverização dos programas de mestrado e doutorado criou as condições necessárias para o desenvolvimento de outras regiões do país. Quanto maior o conhecimento, maior o potencial de geração de riquezas para o país, afirmou Galvão, ao detalhar o estudo.

“Quando se muda isso, muda-se a qualidade dos empregos das pessoas, porque eles [pós-graduados, mestres e doutores] vão fazer tarefas mais complexas, ter atividades e empreendimentos de maior densidade técnico-científica, que remuneram melhor, que pagam melhores salários. Todo o processo de desenvolvimento real é baseado em conhecimento. Este é o grande segredo, e é o que a pesquisa está mostrando”, afirmou.

O estudo mostra o mercado de trabalho de mestres e doutores em um período de seis anos. De acordo com os dados da pesquisa, de 2009 a 2014, o total de mestres empregados foi 66% e o de doutores, 75%, bem acima da taxa de ocupação da população, que está em 53%, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Mesmo com o avanço, o Brasil aparece como antepenúltimo em um ranking de 37 países. De acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, no Brasil são apenas 7,6 doutores para cada grupo de 100 mil habitantes. Apenas o México (4,2) e o Chile (3,4) tiveram desempenho inferior ao do Brasil nesta lista.

Com informações: Agência Brasil