Diário Científico

Categoria: Desenvolvimento sustentável


09:57 · 08.09.2018 / atualizado às 09:57 · 08.09.2018 por
Parque eólico instalado no Marrocos (Áfica), um dos 11 países cujo território é atravessado pelo maior deserto do mundo Foto: Siemens Press Picture

A instalação de grandes parques eólicos e solares no deserto do Saara poderia diminuir o ritmo do aquecimento global e dar um pequeno mas valioso impulso às chuvas nesta região seca da África, indicaram pesquisadores.

O estudo publicado na revista Science foi baseado em simulações informáticas sobre o efeito que teria cobrir 20% do maior deserto do planeta com painéis solares e três milhões de turbinas de vento. Um parque solar e eólico de mais de 9 milhões de km² seria “nessa escala, suficiente para abastecer de energia o mundo inteiro”, diz o relatório.

Os pesquisadores descobriram que qualquer mudança no deserto africano resultante de instalações eólicas e solares seria positiva, já que mais plantas cresceriam perto desses parques. De acordo com as simulações do modelo, o efeito do parque eólico e do parque solar juntos provoca um aumento nas chuvas em todo o Saara, de 0,24 mm por dia a 0,59 mm.

O efeito não foi uniforme em todo o deserto. A zona com mais precipitações foi a do Sahel, uma região semiárida que se estende do Senegal ao Sudão, cujos habitantes veriam um aumento de entre 200 a 500 mm nas chuvas anuais, ou 1,12 mm por dia em zonas próximas ao parque.

Isto seria “grande o suficiente para ter um grande impacto ecológico, ambiental e social”, diz o relatório. “A maior parte do Saara permaneceria extremamente seca”, disse o coautor Daniel Kirk-Davidoff, professor associado adjunto da Universidade de Maryland.

Mas mais chuvas ao longo do extremo sul do Saara levariam a um maior crescimento das plantas, “o que permitiria uma maior pastagem”, disse Kirk-Davidoff à AFP por e-mail. “É difícil dizer que isto seria algo ruim para as comunidades da zona”.

Processo

O motivo da mudança tem a ver com a forma como os parques eólicos fornecem ar mais quente desde cima, particularmente à noite, o que pode aumentar a evaporação e o crescimento das plantas. Esta troca de ar quente também pode dobrar a quantidade de precipitação diária.

Além disso, os pesquisadores apontaram que a maior temperatura gerada nestes parques estaria limitada a uma área geográfica, diferentemente das emissões de combustíveis fósseis que continuamente se acumulam na atmosfera e aumentam o aquecimento. “O aumento da chuva e da vegetação, combinado com eletricidade limpa proveniente de fontes de energia solar e eólica, poderiam ajudar à agricultura, ao desenvolvimento econômico e ao bem-estar no Saara, Sahel, Oriente Médio e outras regiões próximas”, disse o coautor do estudo, Safa Motesharrei, pesquisador da Universidade de Maryland.

Com informações: AFP

11:37 · 24.03.2018 / atualizado às 11:39 · 24.03.2018 por
O Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, está entre os principais cartões-postais brasileiros que terá sua iluminação desligada neste sábado (24), das 20h30 às 21h30, na chamada Hora do Planeta Foto: Américo Vermelho/WWF Brasil

As luzes de diversos monumentos em várias partes do País ficarão apagadas por uma hora neste sábado (24), das 20h30 às 21h30, em celebração à Hora do Planeta, uma iniciativa mundial promovida pela organização não governamental (ONG) WWF.

O ato simbólico ocorre desde 2007, com o objetivo de chamar a atenção para a importância de se preservar o meio ambiente e conscientizar a sociedade sobre as mudanças climáticas. De acordo com o WWF, na campanha deste ano, mais de 600 monumentos terão suas luzes apagadas em 145 cidades brasileiras. A expectativa é que mais de 250 mil pessoas participem do movimento.

Em Brasília, um dos monumentos que ficarão às escuras será o Congresso Nacional. O Cristo Redentor e o Pão de Açúcar, que estão entre os principais cartões-postais do Rio de Janeiro e do Brasil, também terão suas luzes apagadas. Em São Paulo, um dos monumentos a terem a luz desligada é a Fonte Multimídia, no Ibirapuera.

Estão previstas atividades como pedaladas, limpeza de praias, caminhadas, observação de estrelas e palestras e outras ações de conscientização sobre temas como o despejo adequado de lixo. Pessoas e empresas que queiram participar ou se informar sobre as atividades previstas para o evento podem fazê-lo por meio do site do WWF-Brasil. Segundo a ONG, mais de 3 mil monumentos de diversas partes do mundo já se inscreveram para participar do Hora do Planeta 2018, reforçando ainda mais a mensagem ambientalista proposta pela campanha.

Com informações: Agência Brasil

16:14 · 17.01.2018 / atualizado às 16:14 · 17.01.2018 por
O incremento deveu-se em grande parte à China, que superou seu próprio recorde de investimentos, com um total de US$ 132,6 bilhões (desses US$ 86,5 em energia solar), um aumento anual de 24% Foto: Inn Daily

Os investimentos em energias renováveis no mundo voltaram a crescer em 2017 graças aos montantes recordes investidos na China na energia solar.

Após uma queda em 2016, os investimentos cresceram 3% em 2017, atingindo 333 bilhões de dólares, segundo relatório da Bloomberg New Energy Finance (BNEF).

“É o segundo melhor resultado anual observado até agora”, aponta o relatório, que destaca o “boom extraordinário de instalações fotovoltaicas” na China. O gigante asiático superou seu próprio recorde de investimentos, com um total de 132,6 bilhões de dólares (desses 86,5 bilhões em energia solar), um aumento anual de 24%. No total, a China criou novas instalações com capacidade de 58 GW, 20 GW a mais do que previa a BNEF, consultora que faz parte do grupo Bloomberg.

A nível mundial, a energia solar representou 160,8 bilhões de dólares em investimentos em 2017, um aumento de 18% em relação a 2016.

Em contrapartida, os investimentos em energia eólica caíram 12% em relação a 2016, a 107,2 bilhões de dólares.

As demais energias renováveis (biomassa, geotérmica, hidroelétrica de pequena escala, etc.) representam menos de 5 bilhões em investimentos.

Com informações: AFP

10:21 · 09.11.2017 / atualizado às 10:25 · 09.11.2017 por
Segundo a Fundação SOS Mata Atlântica, é preciso recuperar os 12,4% de floresta original que restam desse bioma, onde vivem 72% da população brasileira, em 17 estados, incluindo o Ceará Foto: Fabiane de Paula

A Fundação SOS Mata Atlântica participa da 23ª Conferência das Partes de Mudanças Climáticas, em Bonn, na Alemanha, para apresentar o seu trabalho de restauração florestal, no Brasil.

A ONG será destaque nesta quinta-feira (9), às 14h (horário em Fortaleza), com a palestra “Iniciativas para a restauração florestal na Mata Atlântica e contribuição para o NDC (Contribuição Nacionalmente Determinada) Brasileira – além do acordo climático”. O diretor de políticas públicas da Fundação SOS Mata Atlântica, Mario Mantovani, e o gerente de restauração florestal da ONG, Rafael Bitante Fernandes, apresentarão a palestra. Nela, serão abordados os projetos desenvolvidos para colaborar com o cumprimento da meta ambiental definida para o Brasil no Acordo de Paris: restauração e reflorestamento de 12 milhões de hectares de florestas.

Em 30 anos de história, a Fundação SOS Mata Atlântica já viabilizou o plantio de 40 milhões de mudas nativas, em cerca de 550 municípios de nove estados do bioma. “Esse espaço que teremos na COP é uma ótima oportunidade para mostrar que é preciso recuperar os 12,4% de floresta original que restam da Mata Atlântica, onde vivem 72% da população brasileira, em 17 estados”, diz Mario Mantovani.

O Centro de Experimentos Florestais SOS Mata Atlântica – HEINEKEN Brasil é um bom exemplo do trabalho de recuperação florestal da ONG. A antiga fazenda de café, localizada em Itu, interior de São Paulo, tinha 49 hectares de floresta em 2007 e, hoje, conta com 386 hectares restaurados. O Centro completa 10 anos neste mês e comemora o retorno de duas nascentes de água, a volta de animais raros, além do aumento de 156,7% no número de espécies de aves avistadas no local. Além disso, o local possui um viveiro com capacidade para produzir em torno de 700 mil mudas de 110 espécies nativas da Mata Atlântica por ano.

Apoio empresarial

Para atingir a marca de 40 milhões de árvores plantadas, a Fundação SOS Mata Atlântica teve o importante apoio de cerca de 650 empresas de diversos setores e também contou com a mobilização pública.

Para o gerente de recuperação florestal da Fundação SOS Mata Atlântica, a conscientização de grandes empresas é essencial para uma sociedade mais atuante e que consiga amenizar os impactos ambientais causados ao longo dos anos. “Priorizamos o plantio em Áreas de Preservação Permanente, como topos de morro e matas ciliares, pois elas não poderão ser retiradas no futuro”, afirma Fernandes. O projeto de recuperação de matas ciliares às margens da usina hidrelétrica de Promissão é outra frente importante de restauração florestal em andamento. Até agora já foram plantadas 1,2 milhão de mudas, com o apoio de empresas como Via Fácil Sem Parar, Bradesco Seguros, Bradesco Cartões e AES Tietê – responsável pela usina de Promissão.

Esse total corresponde a uma área equivalente a 497 campos de futebol. A ação, iniciada em 2014, prevê o plantio de 3 milhões de árvores nativas na área em 8 anos.

Com informações: Fundação SOS Mata Atlântica

16:23 · 29.05.2017 / atualizado às 16:23 · 29.05.2017 por
Conhecidos como hidratos de metano, formam-se a temperaturas muito baixas, em condições de pressão elevada. São encontrados em sedimentos do fundo do mar e ou abaixo do permafrost, a camada de solo congelada dos polos Foto: The Japan Times

A China anunciou ter extraído do fundo do Mar da China Meridional uma quantidade considerável de hidrato de metano, também conhecido como gelo combustível, que é tido por muitos como o futuro do abastecimento de energia.

Num comunicado emitido na semana passada, autoridades do país asiático comemoraram o feito. Isso porque a tarefa é considerada altamente complexa, e já tinha sido alvo de tentativas pelo Japão e pelos Estados Unidos, sem muito sucesso.

Mas o que é exatamente esse composto e por que ele é considerado chave como uma promissora fonte de energia no mundo?

Reservas imensas

O gelo combustível ou gelo inflamável é uma mistura gelada de água e gás.

“Parecem cristais de gelo, mas quando se olha mais de perto, a nível molecular, veem-se as moléculas de metano dentro das moléculas de água”, explica à BBC Praven Linga, professor do Departamento de Engenharia Química e Biomolecular da Universidade Nacional de Cingapura.

Conhecidos como hidratos de metano, formam-se a temperaturas muito baixas, em condições de pressão elevada. São encontrados em sedimentos do fundo do mar e ou abaixo do permafrost, a camada de solo congelada dos polos. O gás encapsulado dentro do gelo torna os hidratos inflamáveis, mesmo a baixíssimas temperaturas. Essa combinação rendeu-lhe o apelido de “gelo de fogo”. Quando se reduz a pressão ou se eleva a temperatura, os hidratos se decompõem em água e metano. Um metro cúbico dessa substância libera cerca de 160 metros cúbicos de gás – ou seja, trata-se de um combustível de grande potencial energético.

O problema, no entanto, é que extrair esse gás é um processo que, por si só, consome muita energia.

Países pioneiros

Os hidratos de metano foram descobertos no norte da Rússia nos anos 1960, mas foi há apenas dez ou 15 anos que começou a pesquisa sobre como extrai-lo dos sedimentos marinhos.

O Japão foi pioneiro na exploração devido à sua carência de fontes de energia natural. Outros países líderes na prospecção de gelo combustível são Índia e Coreia do Sul, que tampouco têm reservas próprias de petróleo.

Americanos e canadenses também são bastante atuantes neste sentido – o foco de suas explorações tem sido nos hidratos de metano abaixo do permafrost do norte do Alasca e Canadá.

Por que importa?

Pesquisadores acreditam que os hidratos de metano têm o potencial de se tornar uma fonte de energia revolucionária que poderia ser fundamental para suprir necessidades energéticas no futuro.

Existem grandes depósitos abaixo dos oceanos do globo, sobretudo nas extremidades dos continentes. Atualmente, vários países estão buscando maneiras de extraí-lo de forma segura e rentável.

A China descreveu a extração feita na semana passada como “um feito importante”. Praven Linga compartilha dessa visão: “Em comparação com os resultados que temos visto na pesquisa japonesa, os cientistas chineses conseguiram extrair uma quantidade muito maior de gás”.

“É certamente um passo importante em tornar viável a extração de gás dos hidratos de metano”, acrescentou. Estima-se que sejam encontradas dez vezes mais gás nos hidratos de metano do que no xisto, do qual pode ser extraído gás natural e óleo e também tem servido como alternativa energética.

“E essa é uma estimativa conservadora”, ressalva Linga.
A China descobriu o gelo combustível no Mar da China Meridional em 2007 – uma área cuja soberania tem sido disputada entre o país, o Vietnã e as Filipinas.

Pequim reclama domínio sobre a área, alegando ter o direito de exploração de todas as potenciais reservas naturais escondidas abaixo da superfície.

Futuro

Embora o êxito da China seja um avanço importante, esse é apenas um passo de um longo caminho.

“É a primeira vez que os índices de produção são realmente promissores”, disse Linga. “Mas acreditamos que só em 2025, na melhor das hipóteses, poderemos considerar realistas as opções comerciais”, acrescenta.

Segundo a imprensa chinesa, eles conseguiram extrair, da região de Shenhu, uma média de 16 mil metros cúbicos de gás de elevada pureza por dia. Linga ainda ressalta que as empresas que potencialmente operem na exploração do material devem seguir condutas bastante rígidas de controle para se evitar danos ambientais.

O perigo é que o metano escape, e isso teria consequências graves para o aquecimento global, já que se trata de um gás com um potencial de impacto sobre as mudanças climáticas muito maior do que o dióxido de carbono.

Com informações: AFP

22:18 · 11.01.2017 / atualizado às 22:18 · 11.01.2017 por
Foto: WWF
Estudo indica que a Bacia Amazônica nunca foi seca o suficiente em nenhum momento nos últimos 45 mil anos a floresta se transformou em uma savana Foto: WWF

Uma investigação científica sobre a quantidade de chuva que caiu na Amazônia nos últimos 45 mil anos mostra que mesmo a porção que se acredita ser a mais propensa à savanização – o leste da região – nunca chegou realmente a secar nem durante o período mais seco da última era do gelo, entre 24 mil e 18 mil anos atrás.

A pesquisa, destacada na capa da revista Nature desta semana, sugere que a floresta pode igualmente ser resiliente a um futuro de aquecimento global. Mas isso só será possível se outras interferências humanas ao microclima, como desmatamento, queimadas e expansão da agricultura, sejam contidas, uma vez que elas têm o poder de reduzir a umidade do ar.

O estudo feito por pesquisadores de Cingapura, Brasil, China e Estados Unidos analisou dados geoquímicos de oxigênio na caverna Paraíso, no Pará, uma das poucas da região que tem estruturas como estalactites e estalagmites (formações que descem a partir do teto ou sobem a partir do chão), de onde é possível retirar amostras para análise.

Comparações

Os pesquisadores, liderados por Xianfeng Wang, do Observatório da Terra de Cingapura, trabalharam com isótopos de oxigênio (variantes do elemento químico com diferentes massas), que são sensíveis à variação climática, e compararam com dados do oeste da Amazônia, de clima mais estável.

Assim, foi possível fazer uma viagem no tempo e mapear quanto choveu em diferentes períodos. Já havia uma suspeita de que a última era do gelo poderia ter sido seca, mas a dúvida era quanto e se havia sido o suficiente para promover uma savanização da floresta – um dos temores que existe em relação ao aquecimento global.

Há cerca de 21 mil anos, com a temperatura 5°C inferior, a precipitação era de 58% dos níveis atuais e no período de aquecimento que se seguiu, no meio do Holoceno (há 6 mil anos), foi para 142% sobre hoje.

O trabalho indica “que a Bacia Amazônica nunca foi seca o suficiente na era do gelo nem em qualquer outro momento nos últimos 45 mil anos a floresta se transformou em uma savana”.

Segundo os autores, a floresta persistiu mesmo quando a quantidade de chuva era de apenas cerca de 60% da atual.

Com informações: Estadão Conteúdo

23:56 · 25.07.2016 / atualizado às 23:48 · 28.07.2016 por
Foto: AFP Solar Impulse 2 landed July 26 in the UAE, completing its epic journey to become the first sun-powered airplane to circle the globe without a drop of fuel to promote renewable energy. / AFP PHOTO / KARIM SAHIB
Com um peso de uma tonelada e meia, tão largo quanto um Boeing 747, o Solar Impulse 2 voa graças a baterias que armazenam a energia solar captada por 17.000 células fotovoltaicas em suas asas Foto: AFP

O avião Solar Impulse 2 pousou às 04h05 locais de terça-feira (26) em Abu Dabi (21h05 de segunda, em Brasília), concluindo a última etapa de sua inédita viagem de volta ao mundo, de mais de 42.000 km, usando o sol como única fonte de energia.

A aeronave tinha decolado no domingo do Cairo, no Egito, e no último trecho de seu voo histórico foi pilotada, durante 49 horas, pelo suíço Bertrand Piccard, reportou um jornalista da AFP no local. “O futuro é limpo. O futuro são vocês. O futuro é agora, vamos além”, disse Piccard, cujo avô foi o primeiro homem a chegar à estratosfera e o pai, o primeiro a atingir o ponto mais profundo dos oceanos.

“Lancei o projeto @solarimpulse em 2003 para transmitir a mensagem de que as tecnologias limpas podem conseguir o impossível”, declarou mais cedo no Twitter. O outro piloto, o também suíço André Borschberg, destacou no Twitter que o Solar Impulse 2 “é ao mesmo tempo o primeiro avião com resistência ilimitada e a única aeronave experimental autorizada a sobrevoar as cidades”.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, expressou sua “profunda admiração” por esta iniciativa. “É um dia histórico não só para vocês, mas também para a humanidade”, acrescentou Ban em uma conversa com Piccard transmitida ao vivo.

No domingo (24), entre aplausos e gritos de apoio da equipe de terra, o avião decolou do aeroporto do Cairo com destino a Abu Dabi, nos Emirados Árabes Unidos, de onde partiu no dia 9 de março de 2015 para iniciar a volta ao mundo.

“É um projeto para a energia e para um mundo melhor”, afirmou Piccard, de 58 anos, antes da decolagem, acrescentando que a viagem seria “difícil”.

“É uma região muito, muito quente (…). O voo será esgotante”, advertiu.

Tecnologia

Com um peso de uma tonelada e meia, tão largo quanto um Boeing 747, o Solar Impulse 2 voa graças a baterias que armazenam a energia solar captada por 17.000 células fotovoltaicas em suas asas.

Em geral, o avião voa a um velocidade de cerca de 50 km/h, que pode ser duplicada quando está plenamente exposto ao sol. O Solar Impulse 2 devia ter saído do Egito na semana passada, mas a decolagem foi adiada pelos fortes ventos e por uma doença do piloto.

O avião solar chegou ao Cairo em 13 de julho, depois de decolar de Sevilha (sul da Espanha), trajeto de 3.745 km, concluído em 48 horas e 50 minutos. Piccard realizou o primeiro voo transatlântico em um aeroplano capaz de voar sem combustível. Voou durante 71 horas e 8 minutos ininterruptos para percorrer os 6.765 km que separam Nova York, nos Estados Unidos, da cidade espanhola.

Temperaturas altas

Durante toda a aventura, André Borschberg e Bertrand Piccard se revezaram para pilotar o avião.

“Estávamos um pouco ansiosos com a questão das condições meteorológicas, principalmente as temperaturas nesta região do mundo, próximas aos limites que estabelecemos para o avião”, explicou Borschberg desde o centro de controle do Solar Impulse 2, em Mônaco. “Mas estamos bastante confiantes, as coisas devem sair bem”, acrescentou.

Piccard atravessou duas vezes o Atlântico em um balão, e seu pai o fez em um submarino. O piloto pertence a uma família de cientistas e inventores. Seu avô Auguste Piccard inspirou o desenhista belga Hergé a criar o personagem do professor Girassol na série de histórias em quadrinhos Aventuras de Tintim.

Percalços no percurso

Depois de decolar de Abu Dhabi, o Solar Impulse 2 fez escalas em Mascate (Omã), Ahmedabad e Varanasi (Índia), Mandalay (Mianmar), Chongqing e Nanjing (China), e depois Nagoya (Japão).

Após cruzar o Pacífico e fazer uma escala técnica imprevista de vários meses no Havaí, a aeronave continuou o seu voo pelos Estados Unidos, passando por San Francisco, Phoenix, Tulsa, Dayton, Lehigh Valley e Nova York.

A travessia do Pacífico, em duas etapas, era a parte mais perigosa da volta ao mundo, devido à grande distância entre os pontos de aterrizagem em caso de problemas. Na primeira parte desta grande travessia oceânica, entre Nagoya e Havaí, Borschberg percorreu 8.924 km durante cinco dias e cinco noites.

Com informações: AFP

23:42 · 03.05.2016 / atualizado às 23:42 · 03.05.2016 por
Consumo de peixes é o fator que mais expõe as pessoas ao mercúrio, devido o processo de bioacumulação e biomagnificação do metal. Isso faz com que os teores, mesmo na água, sendo baixos ao longo da cadeia alimentar, vão se ampliando e o homem, que está no topo da cadeia, é o que está mais exposto Foto: Photographer's Blog
Consumo de peixes é o fator que mais expõe as pessoas ao mercúrio, devido o processo de bioacumulação. Isso faz com que os teores do metal se ampliem ao longo da cadeia alimentar e o homem é o que está mais exposto Foto: Photographer’s Blog

Cientistas de várias universidades do país e do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) participam, em Manaus, do III Workshop do projeto “Biomarcadores de toxidade de mercúrio aplicados ao setor hidrelétrico na Amazônia”.

Os estudos começaram em 2013 para verificar a presença do metal em peixes e no leite materno. As amostras foram coletadas na bacia do Rio Madeira, em Rondônia, na bacia do Rio Tocantins, em Goiás e Maranhão, e no Rio Negro, no Amazonas.

Segundo o coordenador da pesquisa, professor Luiz Fabrício Zara, da Universidade de Brasília (UnB), o objetivo é identificar substâncias que possam funcionar como indicadores da toxicidade do mercúrio e que seja aplicado ao setor hidrelétrico.

“Como já é de conhecimento, a expansão do setor hidrelétrico para a Amazônia já é uma realidade brasileira. A Amazônia brasileira é rica em mercúrio natural. Por isso, demanda pesquisas e estudos associados a mecanismos de vigilância ambiental, de modo que se possa ter um real desenvolvimento socioambiental”, afirma Zara.

Considerado inovador no mundo, o projeto utiliza a técnica chamada de metaloma, que consiste na separação das proteínas, do pescado e do leite materno, por exemplo, para depois verificar a qual proteína o mercúrio está ligado.

Esse metal está presente naturalmente no meio ambiente. Na Amazônia, ele apresenta níveis superiores em relação a outras regiões. A exposição a altos níveis desse metal, que é tóxico, é prejudicial à saúde e ao meio ambiente.

Consumo de peixes

O pesquisador Luiz Fabrício Zara esclareceu que o consumo de peixes é o fator que mais expõe as pessoas ao mercúrio.

“O peixe tem um processo de bioacumulação e biomagnificação do mercúrio. Então, os teores, mesmo na água, sendo baixos ao longo da cadeia alimentar, esses valores vão se ampliando e logo o homem, que está no topo da cadeia, é o que está mais exposto”, afirmou o pesquisador.

Luiz Zara destacou os resultados já obtidos pela pesquisa com os peixes mais consumidos nas regiões das hidrelétricas. “Já identificamos várias metaloproteínas, que seriam essas proteínas ligadas ao mercúrio, forte candidatas a biomarcadores da toxicidade, ou seja, quando altera a concentração de mercúrio no ambiente, altera a concentração dessa substância no pescado. Isso nos cria um índice de vigilância”, explicou o pesquisador .

Leite materno

Outra vertente dos estudos é a presença de mercúrio no leite materno. Há um processo natural de excreção do metal na amamentação, que é nocivo para as crianças, de acordo com a pesquisadora Tânia Machado da Silva, também da Universidade de Brasília.

“Uma criança em desenvolvimento pode ser muito mais afetada que um adulto com o sistema nervoso desenvolvido. Essa era a importância de se estudar o leite materno e não apenas o peixe, porque o leite materno também é uma fonte de exposição para as crianças”, acrescentou Tânia.

A pesquisadora informou que não foram identificados níveis de mercúrio nas mulheres em período de amamentação acima do que determina a Organização Mundial de Saúde.

Prosseguimento dos estudos

O projeto é patrocinado pela Energia Sustentável do Brasil, concessionária da Usina Hidrelétrica de Jirau, em Rondônia.

O encerramento dos estudos está previsto para 2017. A ideia é que as conclusões sejam apresentadas em duas publicações: uma para o meio científico e outra para a sociedade, de modo que possa servir para adoção de políticas públicas de saúde.

Com informações: Agência Brasil

17:38 · 06.04.2015 / atualizado às 17:38 · 06.04.2015 por
Foto: Vince Smith
Pesquisadores monitoram refúgios de pinípedes no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, analisam a mortalidade e a dinâmica de ocupação dessas espécies e encampam ações de educação ambiental Foto: Vince Smith

O Projeto Pinípedes do Sul – Conservação de Leões e Lobos Marinhos na Costa Sul do Brasil, desenvolvido pelo Núcleo de Educação e Monitoramento Ambiental (Nema), inicia nova etapa a partir do próximo mês de maio, destinada à educação ambiental de pescadores.

Serão beneficiadas comunidades de cinco municípios do Sul brasileiro, sendo duas em Santa Catarina (Laguna e Passo de Torres) e três no Rio Grande do Sul (Torres, Rio Grande e São José do Norte). O coordenador do projeto, o oceanólogo Kleber Grübel da Silva, informou que está sendo produzido material específico para distribuição aos pescadores.

A ação é fruto de visitas de prospecção já efetuadas pelos organizadores do projeto, visando a conscientizar a categoria sobre sua corresponsabilidade no esforço de preservação desses animais. O projeto é recorte de um programa maior de conservação de mamíferos marinhos do litoral sul, iniciado em 1988. Iniciado em abril de 2014, o Projeto Pinípedes conta com patrocínio da Petrobras, dentro do Programa Socioambiental da estatal.

O cronograma engloba três frentes de trabalho: o monitoramento dos refúgios de pinípedes nos dois estados da Região Sul; monitoramento mensal de 360 quilômetros de praias, para análise da mortalidade e dinâmica de ocupação das espécies de pinípedes; e educação ambiental.

“Estamos trabalhando já com a questão das palestras para as comunidades costeiras. Já fizemos 75 palestras nos cinco municípios e distribuímos cerca de 5 mil cadernos do material programado”, disse Silva.

Mensalmente, o projeto efetua o manejo de animais encalhados nas praias e promove sua reintrodução no ecossistema.

Avanços

Foram feitas expedições científicas aos principais locais de reprodução dos pinípedes na Argentina e no Uruguai. Kleber Grübel da Silva vê avanços em relação à conscientização da população sobre a necessidade de preservar a vida e a segurança desses mamíferos.

“A população, ao longo dos anos, evoluiu, aprendendo uma relação muito importante, tema da nossa campanha de educação ambiental, que é Nossa Vida, Nossos Mares. A ideia não é só a valorização das espécies de pinípedes, como leões e lobos marinhos, mas dos ecossistemas costeiros.

Para isso, a gente trabalha a questão da valorização das unidades de conservação e da biodiversidade”, disse ele, e completou que é muito importante também respeitar os mares, os ciclos e os processos envolvidos, que englobam a relação com pescadores e o problema do lixo, porque “não adianta trabalhar só na unidade de conservação, se não trabalhar no entorno”.

A ação, reforçou, tem de ser integrada, para que se obtenha resultados na conservação de pinípedes de maneira mais abrangente, buscando a qualidade de vida. O oceanólogo chamou atenção para o fato de os estoques pesqueiros da região estarem cada vez menores, em contraposição ao poder de pesca do homem, que se elevou, com o uso de embarcações maiores e tecnologia avançada, com sonares e redes de monofilamento.

“Isso gera escassez, e essa escassez provoca conflitos”, enfatizou. Os leões marinhos são competidores naturais pelos mesmos pescados e áreas de pesca do homem. Com isso, muitos animais morrem afogados ou são agredidos pelos pescadores dentro do processo de escassez. “Anualmente, entre 80 e 100 animais acabam morrendo na nossa costa”, informou Silva.

Daí a importância de levar a mensagem de preservação ambiental aos pescadores. “Os mares têm que ser protegidos como um todo para evitar escassez e ter peixes, tanto para o pescador quanto para a biodiversidade. Não só para os leões e lobos marinhos, mas também para outras espécies de mamíferos marinhos que dependem do pescado”, destacou.

Kleber Grübel da Silva salientou que a situação de escassez do pescado não é um problema apenas local, e disse que 75% dos estoques mundiais estão sendo superexplorados.

Com informações: Agência Brasil

 

22:41 · 30.03.2015 / atualizado às 17:10 · 31.03.2015 por
Foto: Rezo.ch
Avião Solar Impulse 2 aterrissou na China, completando a quinta etapa da primeira volta ao mundo de um avião alimentado apenas por energia solar Foto: Rezo.ch

O avião Solar Impulse 2 aterrissou na China na madrugada desta terça-feira (31), completando a quinta etapa da primeira volta ao mundo de um avião alimentado apenas por energia solar.

Com o piloto Bertrand Piccard no comando, o avião de apenas um lugar pousou no aeroporto de Chongqing à 01h35 local de terça (14h35 de segunda-feira, horário de Brasília), após um voo de 20 horas e meia a partir de Mianmar.

Originalmente, o Solar Impulse deveria fazer apenas uma breve escala nesta cidade e continuar o voo para Nanquim – cerca de 270 km de Xangai – mas a parada foi prolongada devido ao mau tempo. Por isso, o piloto deve aguardar até que o tempo melhore para retomar a viagem.

Piccard, um dos dois pilotos suíços do Solar Impulse 2, teve que enfrentar um frio extremo, com temperaturas abaixo de 20 graus no cockpit, assim como os altos picos das províncias de Yunnan e Sichuan na China. Ele também sobrevoou uma área isolada da região na fronteira entre Mianmar e China, onde são registados violentos combates entre os rebeldes chineses da maioria étnica Kokang e o exército birmanês.

Mensagem

O SI2, que saiu de Abu Dhabi em 9 de março, tem a intenção de viajar 35.000 quilômetros ao total movido apenas por energia solar.

Esta volta ao mundo deve levar cinco meses, dos quais 25 dias são de voo efetivo, antes de retornar ao local de saída no final de junho ou início de julho.

Prevista para ser completada em 12 etapas, a volta ao redor do mundo é o resultado de 12 anos de pesquisa realizada por André Borschberg e Bertrand Piccard que, além da parte científica, tentam transmitir uma mensagem política.

Com informações: AFP

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