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Categoria: Ecologia


16:25 · 01.02.2018 / atualizado às 16:25 · 01.02.2018 por
Mudanças climáticas estão reduzindo o habitat desses animais, forçando-os a ir cada vez mais longe para buscar comida durante o degelo, gastando mais energia que conseguem repor Foto: National Geographic

Os ursos polares têm taxas metabólicas mais altas do que se pensava e isso explica por eles têm sido incapazes de conseguir alimentos em quantidade suficiente para suas necessidades, de acordo com um novo estudo.

De acordo com os autores, publicada nesta quinta-feira (1), na revista Science, a pesquisa mostra quais são os mecanismos fisiológicos por trás do declínio já observado nas populações e nas taxas de sobrevivência dos ursos polares.

“Temos documentado, ao longo da última década, o declínio nas taxas de sobrevivência, nas condições de saúde e nos números populacionais do urso polar. Ao calcular as necessidades energéticas reais dos ursos polares e observar com que frequência eles são capazes de caçar focas, esse estudo identificou os mecanismos que estão levando a esses declínios”, disse o autor principal da pesquisa, Anthony Pagano, da Universidade da Califórnia em Santa Cruz.

Pagano explica que o declínio das populações de ursos já era associado às mudanças climáticas que estão reduzindo o habitat desses animais, forçando-os a ir cada vez mais longe para buscar comida durante o degelo. Mas a conta não fechava, porque não se sabia que os ursos precisavam de tanta energia – os estudos anteriores se baseavam em estimativas de uma taxa metabólica 50% mais baixa.

Monitoramento

Para realizar o novo estudo, os cientistas monitoraram o comportamento dos ursos, a frequência de sucesso na caça e as taxas metabólicas de fêmeas adultas sem filhotes quando elas buscavam presas no gelo do Mar de Beaufort durante a primavera.

O monitoramento foi feito com coleiras hi-tech, que registravam em vídeo as andanças dos animais, rastreando seu deslocamento, seu comportamento e os níveis de atividade em períodos de oito a 11 dias. Foram utilizados também sensores de atividade metabólica para determinar quanta energia os animais gastavam em suas atividades.

Com isso, os cientistas descobriram que as taxas metabólicas registradas eram, em média, 50% mais altas do que as estimadas por estudos anteriores. Cinco dos nove ursos estudados perderam muito peso e não conseguiram caçar focas em número suficiente para suprir seus gastos de energia.

“A pesquisa foi feita no início do período que vai de abril a julho, quando os ursos polares capturam a maior parte das suas presas e conseguem acumular a maior parte da gordura corporal que eles precisam para sustentá-los pelo resto do ano”, disse Pagano.

O cientista afirma que as mudanças climáticas têm efeitos dramáticos no gelo do mar do Ártico, forçando os ursos polares a percorrer distâncias maiores e dificultando a busca de presas.

No Mar de Beaufort, as geleiras marinhas começam a recuar a partir da plataforma continental em julho, quando a maioria dos ursos se move em direção ao norte à medida que o gelo se retrai.

Derretimento do gelo

Com o aquecimento do Ártico, mais gelo derrete nesse processo, obrigando os ursos a percorrer distâncias maiores que no passado. Isso faz com que eles gastem mais energia durante o verão, quando eles ficam em jejum até que o gelo volte, no outono, à plataforma continental. Em outras áreas, como na Baía de Hudson, a maior parte dos ursos vai para a terra quando o gelo marinho recua. Ali, o aquecimento do Ártico faz com que o gelo marinho se rompa mais cedo no verão e volte a se formar mais tarde no outono, forçando os ursos a ficarem mais tempo em terra.

“De qualquer maneira, a questão continua sendo quanta gordura eles podem acumular antes que o gelo comece a recuar e quanta energia eles terão que gastar. Nós descobrimos que os ursos polares têm uma necessidade de energia muito mais alta do que o estimado”, afirmou Pagano. Na primavera, os ursos polares caçam principalmente as focas que nasceram recentemente e que são mais suscetíveis que as focas adultas. No outono, quando as jovens focas já estão mais velhas e espertas, os ursos não conseguem tantas presas. “Calculamos que os ursos podem capturar até duas focas no outono. Na primavera e no começo do verão, eles caçam de cinco a 10 focas”, disse Pagano.

Os cientistas da Universidade da Califórnia em Santa Cruz têm estudado os ursos polares no Mar de Beaufort desde a década de 1980. Segundo Pagano, a estimativa populacional mais recente indica que o número de ursos polares caiu cerca de 40% na última década. Mas, segundo Pagano, era difícil estudar a biologia fundamental e o comportamento dos ursos polares em um ambiente tão remoto e hostil. “Agora nós temos a tecnologia para descobrir como eles se movem no gelo, quais são seus padrões de atividades e suas necessidades energéticas, de forma que podemos entender melhor a implicações das mudanças que estamos observando no gelo marinho” afirmou Pagano.

Com informações: Estadão Conteúdo

10:25 · 27.01.2018 / atualizado às 10:25 · 27.01.2018 por
A chance de que os corais contraíam algum tipo de doença aumenta de 4% para 89% quando tais animais cnidários estão em contato com materiais desse tipo Foto: Hunger TV

Quando os recifes de coral entram em contato com lixo plástico no oceano, o risco desse conjunto de organismos ficar doente dispara, aponta um estudo internacional.

Os pesquisadores examinaram mais de 120.000 corais em 159 recifes – alguns poluídos com plástico, outros não – da Indonésia, Austrália, Mianmar e Tailândia para o estudo, publicado na revista Science.

“Descobrimos que a chance de doença aumenta de 4% para 89% quando os corais estão em contato com o plástico”, disse a autora principal, Joleah Lamb, do Centro de Excelência ARC para Estudos de Recifes de Coral na Universidade James Cook, na Austrália.

Lamb disse que os cientistas ainda estão tentando descobrir por que os plásticos são tão perigosos para os corais, organismos vivos que cobrem cerca de 0,2% do fundo do oceano e fornecem um habitat crucial para quase um milhão de espécies de peixes.

Pode ser que “os plásticos sejam canais ideais para colonizar organismos microscópicos que poderiam desencadear doenças se entrarem em contato com os corais”, afirmou.

“Por exemplo, itens de plástico como aqueles geralmente feitos de polipropileno, como tampas de garrafas e escovas de dentes, demonstraram estar fortemente habitados por bactérias que são associadas a um grupo globalmente devastador de doenças de corais, conhecido como síndrome branca”. O problema da poluição com plástico é generalizado nos oceanos e está piorando rapidamente.

“Nós estimamos que existem 11,1 bilhões de itens de plástico em recifes de coral em toda a Ásia-Pacífico e prevemos que isso aumentará 40% dentro de sete anos”, disse Lamb. “Isso equivale a 15,7 bilhões de itens de plástico em recifes de coral em toda a Ásia-Pacífico até 2025.”

Os recifes de coral já estão sob estresse devido ao aquecimento global, o que impulsiona as doenças e pode fazer com que os corais branqueiem e morram.

Com informações: AFP

17:33 · 22.01.2018 / atualizado às 17:33 · 22.01.2018 por
O incêndio na embarcação decorreu da colisão com um cargueiro chinês a 300 km ao leste de Xangai Foto: The Guardian

A maré negra provocada pelo naufrágio de um petroleiro no mar da China oriental triplicou seu tamanho em apenas quatro dias e cobre agora mais de 300 km² – informa Pequim.

Imagens feitas por satélite permitiram detectar três camadas de hidrocarbonetos que medem 332 km² no total, indicou no domingo (21) à noite a agência chinesa responsável pelos oceanos, em um comunicado. Na quarta-feira passada (17), essa agência havia informado que a maré negra se espalhava por 101 km².

O “Sanchi”, que transportava 136 mil toneladas de condensado – hidrocarbonetos leves -, afundou em 14 de janeiro após arder por uma semana. O incêndio na embarcação decorreu da colisão com um cargueiro chinês a 300 km ao leste da cidade de Xangai.

Perdas humanas e risco ambiental

No acidente, 32 marinheiros – 30 iranianos e dois bengalis – morreram na catástrofe. O barco está agora a 115 metros de profundidade no mar.

Ainda não se sabe a quantidade de agentes poluentes em seu interior. Além de sua carga, o “Sanchi”, de bandeira panamenha, pode levar a bordo até mil toneladas de diesel pesado para o funcionamento de suas máquinas.

A maré negra se desloca para o norte, devido aos ventos e às correntes marinhas e pode ameaçar o litoral de Coreia do Sul e Japão, anunciou a Administração de Oceanos na semana passada.

Com informações: AFP

10:21 · 09.11.2017 / atualizado às 10:25 · 09.11.2017 por
Segundo a Fundação SOS Mata Atlântica, é preciso recuperar os 12,4% de floresta original que restam desse bioma, onde vivem 72% da população brasileira, em 17 estados, incluindo o Ceará Foto: Fabiane de Paula

A Fundação SOS Mata Atlântica participa da 23ª Conferência das Partes de Mudanças Climáticas, em Bonn, na Alemanha, para apresentar o seu trabalho de restauração florestal, no Brasil.

A ONG será destaque nesta quinta-feira (9), às 14h (horário em Fortaleza), com a palestra “Iniciativas para a restauração florestal na Mata Atlântica e contribuição para o NDC (Contribuição Nacionalmente Determinada) Brasileira – além do acordo climático”. O diretor de políticas públicas da Fundação SOS Mata Atlântica, Mario Mantovani, e o gerente de restauração florestal da ONG, Rafael Bitante Fernandes, apresentarão a palestra. Nela, serão abordados os projetos desenvolvidos para colaborar com o cumprimento da meta ambiental definida para o Brasil no Acordo de Paris: restauração e reflorestamento de 12 milhões de hectares de florestas.

Em 30 anos de história, a Fundação SOS Mata Atlântica já viabilizou o plantio de 40 milhões de mudas nativas, em cerca de 550 municípios de nove estados do bioma. “Esse espaço que teremos na COP é uma ótima oportunidade para mostrar que é preciso recuperar os 12,4% de floresta original que restam da Mata Atlântica, onde vivem 72% da população brasileira, em 17 estados”, diz Mario Mantovani.

O Centro de Experimentos Florestais SOS Mata Atlântica – HEINEKEN Brasil é um bom exemplo do trabalho de recuperação florestal da ONG. A antiga fazenda de café, localizada em Itu, interior de São Paulo, tinha 49 hectares de floresta em 2007 e, hoje, conta com 386 hectares restaurados. O Centro completa 10 anos neste mês e comemora o retorno de duas nascentes de água, a volta de animais raros, além do aumento de 156,7% no número de espécies de aves avistadas no local. Além disso, o local possui um viveiro com capacidade para produzir em torno de 700 mil mudas de 110 espécies nativas da Mata Atlântica por ano.

Apoio empresarial

Para atingir a marca de 40 milhões de árvores plantadas, a Fundação SOS Mata Atlântica teve o importante apoio de cerca de 650 empresas de diversos setores e também contou com a mobilização pública.

Para o gerente de recuperação florestal da Fundação SOS Mata Atlântica, a conscientização de grandes empresas é essencial para uma sociedade mais atuante e que consiga amenizar os impactos ambientais causados ao longo dos anos. “Priorizamos o plantio em Áreas de Preservação Permanente, como topos de morro e matas ciliares, pois elas não poderão ser retiradas no futuro”, afirma Fernandes. O projeto de recuperação de matas ciliares às margens da usina hidrelétrica de Promissão é outra frente importante de restauração florestal em andamento. Até agora já foram plantadas 1,2 milhão de mudas, com o apoio de empresas como Via Fácil Sem Parar, Bradesco Seguros, Bradesco Cartões e AES Tietê – responsável pela usina de Promissão.

Esse total corresponde a uma área equivalente a 497 campos de futebol. A ação, iniciada em 2014, prevê o plantio de 3 milhões de árvores nativas na área em 8 anos.

Com informações: Fundação SOS Mata Atlântica

16:08 · 27.09.2017 / atualizado às 16:11 · 27.09.2017 por
Mesmo faltando mais de três meses para o fim do ano, as 97 mortes desses animais nas praias do país já superam a marca anterior que era de 96 em 2010 Foto: Projeto Baleia Jubarte

Impulsionadas pelas mudanças climáticas e pelo crescimento na população, o total de baleias jubartes encalhadas na costa brasileira bateu recorde neste ano.

Dados do Instituto Baleia Jubarte (IBJ), em Caravelas (BA), apontam que o número de encalhes desses cetáceos em 2017 já é de 97, superando o recorde anterior, de 2010, com 96.

Os encalhes são normalmente observados no período de julho a novembro, quando as jubartes chegam ao atlântico sul para atividades reprodutivas. Bahia, com 39 encalhes, é o Estado com maior número de ocorrências, seguido de Espírito Santo (29), Rio de Janeiro (14), Alagoas (8), São Paulo (4), Sergipe (2) e Rio Grande do Sul (1). Entre as causas apontadas, segundo pesquisadores, a mais importante tem sido a influência das mudanças climáticas e o impacto disso na produção do krill (um pequeno crustáceo que é o alimento da espécie), na Antártica.

O levantamento é produzido desde 2002 pelo IBJ, que faz parte da Rede de Monitoramento e Informação de Encalhes de Mamíferos Aquáticos do Brasil (Remab), coordenada nacionalmente pelo Instituto Chico Mendes para a Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

“Temos dados que apontam que a oferta de krill no hemisfério Sul na área de alimentação diminuiu nos últimos três anos, possivelmente influenciado pelo El Niño intenso que tivemos em 2015”, disse Milton Marcondes, coordenador de pesquisa do IBJ. O consenso dos pesquisadores é que o crustáceo também foi a razão para o alto índice de encalhes no ano de 2010, número que surpreendeu a todos. Em todo o ano passado, foram achadas 78 baleias jubartes encalhadas nas praias do litoral brasileiro, alguns dos quais no primeiro semestre. A avaliação é que o encalhe no primeiro semestre, raro, se deve a animais que permaneceram no Brasil e não fizeram o caminho de volta para as áreas polares.

As jubartes se alimentam durante o verão nas regiões polares e depois passam o resto do ano queimando a gordura que acumularam. De acordo com o pesquisador, se uma fêmea não conseguiu se alimentar direito, pode ter problemas na travessia até o atlântico sul. Para Marcondes, a influência climática sobre a oferta de alimentação das baleias é preocupante. “É importante entender como variações climáticas podem afetar o krill e como isso se reflete na população de jubartes, pois mudanças na oferta de alimento têm potencial para impactar toda a população.”

Além da questão nutricional, o aumento populacional tem sido outra causa discutida. A população de jubartes vem crescendo após ter sido quase dizimada pela caça comercial. A contagem é feita por amostragem, em sobrevoos no litoral brasileiro, na região do Banco de Abrolhos. Em 2002, durante sobrevoo no litoral da Bahia e Espírito Santo, o IBJ estimou a população em 3.400 baleias. Em 2015, a população já tinha crescido para 17 mil.

Em 2017, conforme projeções, essa população chegou a 20 mil indivíduos. “Com muito mais baleias no mar é esperado que tenhamos mais encalhes daquelas que morrem por causas naturais e das que morrem em função de atividades causadas pelo ser humano”, disse Marcondes. Entre essas causas estão poluição, atropelamento por navios e equipamento de pesca.

Não se sabe ao certo a quantidade de baleias que morrem na travessia. A maior parte morre no mar e algumas carcaças, dependendo do vento, vão parar nas praias. Apenas 15% encalham com vida, afirmam os pesquisadores.

Filhotes

O recorde de encalhes ainda não chega a afetar o ecossistema nem impactar na recuperação da população de baleias, mas os pesquisadores estão atentos à quantidade de filhotes que chegam às praias (52% do total).

Para Marcondes, entre as razões para isso estão o fato de estarem mais sujeitos à ação de predadores (tubarões e orcas), terem baixa imunidade e a necessidade de ficarem mais próximos da superfície e subir mais vezes para respirar.

Segundo ambientalistas, os filhotes só sobrevivem se estiverem com suas mães. “Se ele está aparentemente sadio, nós fazemos uma tentativa de devolvê-lo ao mar, mesmo sabendo que as chances de ele voltar a encontrar sua mãe são mínimas.” As baleias adultas representam 25% dos encalhes e 23% são considerados indivíduos juvenis.

Subestimados

Os números podem estar subestimados, já que as instituições necessitam do apoio da população para a localização dos encalhes.

Em Alagoas, o Instituto Biota de Conservação tem feito campanhas e treinado a população para a informação e cuidados com os animais ainda vivos, até a chegada do resgate.

“As redes sociais têm facilitado bastante, pois recebemos as informações de encalhes e denúncias quase em tempo real”, disse Luciana Medeiros, veterinária e diretora-executiva do Biota.

Em 2016 eles reforçaram o sistema de comunicação com o lançamento de um aplicativo para smartphone, o BiotaMar, pelo qual podem ser enviadas fotos e localização exata do achado. Neste ano, foram localizados oito encalhes, todos filhotes. Apenas uma foi reintroduzida no mar -as outras eram só carcaça-, mas em seguida morreu.

Com informações: Folhapress

16:15 · 14.09.2017 / atualizado às 16:15 · 14.09.2017 por
Os Estados Unidos podem ficar em pouco tempo sem os freixos, sua árvore emblemática, se não houver uma desaceleração no processo de extinção ao qual estão sujeitas cinco de suas seis variedades mais difundidas Foto: Youtube

A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês) atualizou nesta quinta-feira (14) de sua Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas, na qual os freixos da América do Norte e os antílopes africanos aparecem como os casos recentes mais graves.

A Lista Vermelha da IUCN inclui 87.967 espécies, das quais 25.062 estão em perigo de extinção. “As atividades humanas estão empurrando tão rapidamente as espécies à extinção que aos conservacionistas é impossível avaliar em tempo real”, disse a diretora da organização, Inger Andersen.

Os Estados Unidos podem ficar em pouco tempo sem os freixos, sua árvore emblemática, se não houver uma desaceleração no processo de extinção ao qual estão sujeitas cinco de suas seis variedades mais difundidas e valiosas, em um processo que está ganhando força por conta da mudança climática.

A situação de cinco dos seis freixos mais proeminentes de América do Norte está “a um passo da extinção, enquanto o sexto está em situação de “perigo”, porque um besouro invasor está dizimando suas populações.

Ataque de besouro invasor

Apenas três espécies dos freixos representam cerca de 9 bilhões de árvores nos estados do interior dos EUA, onde são um componente essencial das florestas e habitat e alimento para aves, esquilos e insetos, além de serem muito importante para as borboletas e traças.

O freixo branco americano, que no passado era abundante e uma das árvores mais valiosos dessa parte do mundo pela sua utilização na fabricação de móveis, bastões de beisebol e de hóquei, entre outros itens, está sofrendo pelos ataques do besouro invasor. Este inseto chegou aos EUA na década de 90, em um barco que continha paletas de madeira infestadas e chegou a causar grandes danos ao freixo – mas foi o aquecimento global, que aumentou a temperatura em áreas que antes eram muito frias, que permitiu esses escaravelhos sobreviverem.

O aumento da temperatura fez com que essas zonas sejam agora propícias para que eles sigam se reproduzindo, com um risco de destruição incalculável se pensar que pode destruir uma floresta inteira de freixos em seis anos.

Antílopes ameaçados

Também por causa da ação do homem, pela perda de áreas silvestres, a caça ilegal e a criação de gado, a população de cinco espécies de antílopes africanos está diminuindo drasticamente.

Esta situação faz parte de uma tendência maior de diminuição dos grandes mamíferos africanos, que devem competir com uma população humana em crescimento e que precisam de mais territórios e recursos. Uma causa adicional de maior vulnerabilidade desta e outras espécies é a maior frequência e duração das secas atribuídas à mudança climática.

Em muitos casos, como o do antílope “elande gigante”, que vive na República Centro-Africana, a instabilidade política e os conflitos se transformaram nos principais obstáculos para sua proteção.

Com informações: Agência Brasil

16:28 · 11.05.2017 / atualizado às 16:28 · 11.05.2017 por
A maior parte dos novos biomas “escondidos” são encontráveis na África e Oceania. Naqueles continentes, os números são muitas vezes dobrados em relação ao que se conhecia de área florestal Foto: MNN

Uma extensa equipe internacional de 31 pesquisadores em 13 países analisou dados de satélites e concluiu que a Terra tem 9% mais florestas do que se estimava. Estes 4.270.000 km² de floresta até agora “escondidos” têm metade da área territorial do Brasil e equivalem à toda a floresta amazônica.

É uma boa notícia para a ciência melhorar a compreensão da dinâmica e potencial dos sorvedouros de carbono terrestres como as florestas, apesar de o problema ambiental básico continuar o mesmo.

O planeta continua passando por uma mudança climática global, que é acelerada pela emissão de carbono por atividades industriais e agrícolas humanas.

O novo estudo procurou descobrir se as zonas áridas também abrigariam trechos de florestas. Essas regiões mais secas se caracterizam por apresentar uma precipitação (chuva) que é contrabalanceada pela evaporação de água das superfícies e pela transpiração das plantas.

“Os biomas das zonas secas cobrem cerca de 41,5% da superfície terrestre. Elas contêm alguns dos ecossistemas mais ameaçados, embora desconsiderados, incluindo sete dos 25 hotspots de biodiversidade, enquanto enfrentam a pressão das mudanças climáticas e da atividade humana”, escreveram os autores do estudo na revista científica americana “Science”.

Entre os “hotspots”, “pontos quentes” de diversidade animal e vegetal, está o semiárido brasileiro, caracterizado por regiões como o cerrado e a caatinga.

O mapeamento da cobertura vegetal em áreas semiáridas no Brasil ficou a cargo de pessoal do Insa (Instituto Nacional do Semiárido) em parceria com a FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura).

A participação brasileira integrou o projeto Global Forest Survey (Pesquisa Florestal Global) da organização e foi coordenada no país pelo analista da FAO, o brasileiro Marcelo Rezende, um dos coautores do estudo na “Science”.

Ignacio Salcedo, do Insa, também está entre os autores, mas ele morreu no mês passado, antes da publicação do estudo. O projeto procura mapear as dinâmicas de florestas para entender mudanças no uso da terra.

“Para coletarmos dados sobre biomas tão diferentes nas terras áridas, trabalhamos com diversos institutos ao redor do mundo. O melhor formato para essa colaboração é a transferência de conhecimento técnico entre a FAO e o parceiro. Collect Earth, a ferramenta gratuita desenvolvida pela FAO e utilizada na coleta de dados foi apresentada para o Insa em um workshop em 2015”, declarou Rezende à reportagem.

Mais de vinte participantes foram selecionados pelo Insa e treinados no uso dessa nova ferramenta, na metodologia de avaliação e ao mesmo tempo auxiliaram no estudo das terras áridas. “Os participantes eram, em sua maioria, estudantes de graduação e pós-graduação da região, que conheciam bem as formações vegetais do cerrado e da caatinga. Alguns professores também participaram do treinamento”, afirma o consultor da FAO.

Segundo Rezende, “as informações geradas vão contribuir para a elaboração de medidas de conservação e proteção mais assertivas, levando em consideração a real extensão e condições das formações vegetais do cerrado e da caatinga”. As estimativas prévias de área florestal em regiões de semiárido variavam muito em função de diferentes graus de precisão das imagens de satélite – diferenças na sua “resolução espacial”-, enfoques de cartografia e mesmo a definição daquilo que constitui uma floresta.

“Dados anteriores a nível global eram baseados em imagens de satélites de média e baixa resolução, que nem sempre captavam as características da vegetação esparsa das formações vegetais do semiárido. Collect Earth faz uma ponte entre várias plataformas disponíveis gratuitamente pela Google e coloca a disposição do usuário imagens de altíssima resolução e acesso a um catálogo de imagens históricas para uma precisa avaliação da área”, afirma o pesquisador brasileiro.

Um hectare (ha) é uma unidade de medida de área que equivalente a 10.000 m² -um terreno na forma de um quadrado de cem metros de cada lado. Um campo de futebol típico tem em torno de 7.000 ou 8.000 m² -ou exatos 7.140 m², no caso dos campos padronizados para o Campeonato Brasileiro.

Para entender a extensão das florestas, a unidade usada é o Mha -isto é, um milhão de hectares.

“Nossa estimativa é 40 a 47% maior do que as estimativas anteriores da extensão da floresta em terras secas. Isto potencialmente aumenta em 9% a área global com mais de 10% cobertura de copas de árvore [5.055 Mha em vez de 4.628 Mha] e por 11% a área global de floresta [4.357 Mha em vez de 3.890 Mha]”, escreveu a equipe coordenada por Jean-Francois Bastin, da Universidade Livre de Bruxelas, Bélgica, e também da FAO.

A diferença destes 9% a mais -427 milhões de hectares ou 427.000.000.000.000 m² (427 trilhões de m²)- equivale a mais de 59,8 bilhões de campos de futebol.

Cada um dos 7,2 bilhões de habitantes da Terra teria direito a uma área de floresta “escondida” do tamanho de 8,3 campos de futebol.

“Você precisa entender que comparamos nossos resultados com diferentes mapas e relatórios existentes. Portanto, tivemos que adotar, para cada comparação, a mesma definição de ‘floresta’ do que esses relatórios”, afirmou Bastin.

“Alguns mapas estão usando apenas o limite de cobertura de árvores para definir a cobertura florestal. Este é o caso, por exemplo, dos dados de Matt Hansen. Usando o limite de 10%, ele estima uma área total de 4.628 Mha onde temos 5.055Mha. Isto corresponde a um aumento de 9%”, disse Bastin à reportagem.

“Alguns mapas estão usando o limiar de 10%, mas também estão certificando-se de que essas árvores não são parte de qualquer área de cultivo ou povoação. Este é o caso, por exemplo, dos dados do estudo Global FRA Remote Sensing. Eles relatam 3.890 Mha onde relatamos 4.357 Mha. Isso corresponde a um aumento de 11%”, continua o pesquisador da Bélgica.

Algumas regiões tiveram florestas “escondidas” de tamanho inesperado. “Você vai ver que a maior parte das diferenças são encontráveis na África e Oceania; os números são muitas vezes dobrados”, diz Bastin.

“Essas diferenças são como a área total de floresta úmida tropical na Amazônia”, conclui a equipe.

Segundo Bastin, as descobertas não mudam nada em relação ao acúmulo de dióxido de carbono na atmosfera.

“Mas muitos cientistas que trabalham no orçamento de carbono destacam que faltam alguns sumidouros de carbono que ainda precisam ser identificados e quantificados para equilibrar o ciclo do carbono. Nossos resultados estão, portanto, trazendo novos elementos aqui”, diz o pesquisador.

“Além disso, nossos resultados mostram que as terras secas são muito mais adequadas para a floresta do que aquilo que pensávamos anteriormente. Portanto, e como não há competição por outras atividades, como terras de cultivo intensivo, isso significa que essas áreas consistem em grandes oportunidades para a restauração florestal. Nossos dados ajudarão a avaliar áreas adequadas para a restauração florestal, para combater a desertificação e, portanto, para combater as mudanças climáticas”, afirma Bastin.

Com informações: Ricardo Bonalume Neto/Folhapress

19:25 · 16.02.2017 / atualizado às 19:27 · 16.02.2017 por
Temperaturas incomuns contribuíram para o derretimento de gelo no Ártico, onde a média na quantidade de gelo foi de 1,26 milhão de Km², 8,6% a menos que a média registrada entre 1981 e 2010 Foto: Blog Thinking About Change

Janeiro registrou um novo declínio recorde na quantidade de gelo nos polos da Terra, enquanto as temperaturas desse mês também foram consideradas as terceiras mais altas da era moderna, informou o governo norte-americano nesta quinta-feira (16). Analistas da Agência Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) determinaram que em janeiro a temperatura da Terra foi 0,88 grau superior ao esperado para a média do século XX, de acordo com o documento.

“É a maior temperatura registrada para um mês de janeiro” desde 1880, com exceção dos anos 2016 e 2007, quando ocorreram a mais alta e a segunda mais alta temperatura respectivamente. Essas temperaturas incomuns contribuíram para o derretimento de gelo no Ártico, onde a média na quantidade de gelo foi de 1,26 milhão de Km²: 8,6% a menos que a média registrada entre 1981 e 2010. “Trata-se da menor superfície existente nos polos em janeiro desde que começaram os registros em 1979: 258.998,81 km² a menos que o recorde anterior registrado em 2016”, ressaltou o informe.

Na Antártida, a extensão de gelo em janeiro foi de 1,1 milhões de km², 22,8% a menos que a média registrada entre 1981 e 2010. “Essa foi a menor extensão de gelo na Antártida em janeiro desde que a pesquisa começou em 1979, e aproximadamente 284.898 km² menor que o recorde de 2006”, acrescentou.

Apesar da redução do nível do gelo polar, houve uma ampla variedade pluviométrica no planeta em janeiro. A neve, por sua vez, tem sido mais intensa no hemisfério norte, com 2.305.089 Km² a mais que a média documentada entre os anos 1981–2010.

Com informações: AFP

19:21 · 13.02.2017 / atualizado às 19:27 · 13.02.2017 por
Crustáceos capturados nas Kermadec e nas Marianas, em profundezas de entre 7.227 e 10.250 metros tinham níveis de poluição similares ou superiores aos presentes em uma das zonas mais castigadas pela poluição industrial Foto: Newcastle University

Cientistas no Reino Unido detectaram “níveis extraordinários” de poluição provocados pela atividade humana em duas das fossas oceânicas mais profundas do planeta, de acordo com um estudo publicado nesta segunda-feira (13) pela revista “Nature”.

A pesquisa, desenvolvida pela Universidade de Aberdeen, na Escócia, sugere que os altíssimos registros de poluição encontrados em duas depressões marinhas, que estão localizadas a mais de 10 mil metros de profundidade e afastadas de áreas industriais, demonstram que a poluição antropogênica na superfície pode chegar até os cantos mais remotos do mundo.

“Os níveis de poluição eram consideravelmente mais altos que os medidos em regiões próximas a zonas fortemente industrializadas, o que coloca a existência de uma bioacumulação de poluição antropogênica e aponta que estes poluentes são onipresentes nos oceanos do mundo e em suas profundezas”, explica a equipe de pesquisa, liderado pelo especialista Alan Jamieson.

Para seu estudo, foram analisadas amostras de crustáceos recolhidas pelo submarino “Deep-sea Landers” na fossa das Marianas e das Kermadec, situadas no oceano Pacífico norte e sul, respectivamente, e separadas entre elas por cerca de 7 mil quilômetros de distância.

Os crustáceos capturados nas Kermadec e nas Marianas, em profundezas de entre 7.227 e 10 mil metros e 7.841 e 10.250 metros, respectivamente, tinham níveis de poluição similares ou superiores aos presentes na baía de Suruga, uma das zonas do noroeste do Pacífico mais castigadas por a poluição industrial.

Os pesquisadores encontraram “níveis extremamente altos” de poluentes orgânicos persistentes (POPs, pela sigla em inglês) nos tecidos gordurosos dos anfípodas. Entre os POPs figuram as bifenilas policloradas (PCBs) e difenil éteres prolibromados (PBDEs), utilizados habitualmente em fluidos dielétricos e em retardadores de chama, respectivamente.

Estas substâncias poluentes são altamente tóxicas e podem permanecem no meio ambiente durante longo tempo sem se descompor e ser levado a grandes distâncias através de água e do ar. Os autores deste estudo opinam que, provavelmente, os POPs chegaram até as fossas marinhas através de resíduos plásticos e da carniça que é depositada em suas profundezas, onde se transformam em alimento dos crustáceos anfípodas. Em artigo adjunto ao estudo da Universidade de Aberdeen, a especialista Katherine Dafforn aborda o impacto do ser humano sobre zonas do planeta distantes que, no entanto, não escapam da poluição.

“Jamieson e seus colegas apresentaram provas claras de que o oceano profundo, ao invés de ser remoto, está altamente conectado com a superfície marinha e está exposto a concentrações significativas de poluentes fabricados pelo homem”, destaca Dafforn, da Escola de Ciências Biológicas, Terrestres e Ambientais da Universidade de Nova Gales do Sul, em Sydney (Austrália).

Com informações: G1

17:42 · 17.01.2017 / atualizado às 17:42 · 17.01.2017 por
Foto: CapHorniers
A região chilena é considerada o “centro mundial de diversidade de briófitas”, pequenas plantas que vivem em lugares úmidos Foto: CapHorniers

O Chile construirá o primeiro centro científico em Cabo Horn, o território mais meridional do continente americano, que esconde uma biodiversidade única de pequenas espécies de musgos, líquens e insetos.

Localizado dentro da Reserva da Biosfera Cabo de Horn, em Puerto Williams – a cidade mais meridional do mundo -, o Centro Subantártico Cabo Horn deve estar completamente operativo em 2018. O Cabo Horn é considerado o “centro mundial de diversidade de briófitas”, explicou nesta terça-feira, em coletiva de imprensa, o pesquisador Ricardo Rozzi sobre estas pequenas plantas que vivem em lugares úmidos.

A apenas cerca de 1.000 km de distância da Antártica, o Cabo Horn concentra 5% da diversidade mundial de briófitas em uma área que só representa 0,01% da superfície do planeta. Estas plantas e musgos são tão pequenas que só podem ser observadas com lupas, explica Rozzi, professor da Universidade de North Texas e da Universidade de Magallanes, no Chile, que destaca Cabo Horn como “a principal reserva da biosfera do continente para a pesquisa sobre as mudanças climáticas e a sustentabilidade da vida no planeta”.

Reserva da biosfera

A construção do centro faz parte de um plano de trabalho projetado na zona para os próximos 10 anos, que será apresentado pelo Estado do Chile à Unesco com o objetivo de ampliar o território que foi definido como reserva da biosfera em 2005.

O lugar abriga ecossistemas costeiros considerados essenciais para mitigar o aquecimento global: as florestas de kelp (algas), que por seus altos níveis de oxigênio, nutrientes e diversidade marinha conseguem capturar no processo de fotossíntese uma maior quantidade de dióxido de carbono da atmosfera.

Considerada a rota de comunicação mais ao sul entre o oceano Pacífico e o Atlântico, as águas de Cabo Horn, entre as mais tempestuosas do planeta, se tornaram cemitério de mais de 10.000 marinheiros e 800 navios desde o século XVII, de acordo com dados da Marinha Chilena.

Com informações: AFP