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Categoria: Engenharia Genética


13:34 · 20.02.2018 / atualizado às 16:20 · 20.02.2018 por
Pesquisadores têm estudado os sistemas de manutenção e reparo do material genético de humanos e outros animais e algumas moléculas têm se mostrado promissoras para conseguir melhorias na redução de danos causados pelo processo de divisão celular Foto: FaderMex

Por Reinaldo José Lopes

Dá para levar a sério a ideia de estender a longevidade humana e, quem sabe, produzir pessoas potencialmente imortais? São raríssimos os cientistas dispostos a responder que sim na lata, mas um progresso (muito) modesto já tem acontecido.

Por enquanto, apareceram alguns candidatos interessantes a “alvo molecular” da longevidade. Ou seja, moléculas, ou conjuntos de moléculas, que poderiam ser manipuladas para alterar os sistemas celulares que acabam levando ao envelhecimento. Várias delas tem alguns pontos em comum: estão associadas à maneira como o organismo lida com o excesso de recursos e com o crescimento.

Outra via que está sendo explorada tem a ver com os sistemas de manutenção e reparo do material genético. Problemas no DNA frequentemente desencadeiam câncer, e também há uma importante relação entre a diminuição das estruturas chamadas telômeros (as “pontas de segurança” dos cromossomos, onde o DNA está armazenado) e o envelhecimento celular. Boa parte dos dados que apoiam esses dois ramos da pesquisa vem do estudo de animais de laboratório. Intervenções em espécies de vida relativamente curta, como vermes nematoides, camundongos e ratos, já obtiveram aumentos substanciais da expectativa de vida e da saúde mesmo em idade avançada.

E também há pistas intrigantes vindas do organismo de animais que vivem muito mais do que o esperado considerando seu tamanho e seus parentes -em geral, criaturas pequenas vivem pouco, são muito predadas e se reproduzem velozmente (caso dos roedores), enquanto animais de grande porte e relativamente livres de inimigos naturais (caso dos seres humanos) tendem a ser longevos.

Segredo do morcego

Considere, porém, o caso dos morcegos, e em especial o dos morceguinhos do gênero Myotis, que pesam apenas algumas dezenas de gramas. Eles “deveriam” viver apenas alguns anos, como os roedores, mas a capacidade de voar diminuiu muito a pressão que eles sofreriam por partes dos predadores e permitiu que eles tivessem um ciclo de vida bem mais relaxado, morrendo por volta dos 40 anos (outros morcegos morrem na casa dos 20 anos ou 30 anos).

Um estudo que acaba de ser publicado na revista científica “Science Advances” por Emma Teeling e seus colegas do University College de Dublin (Irlanda) investigou justamente os telômeros do Myotis e de outros morcegos. Teeling explicou à reportagem o resultado: “Não é exatamente que o Myotis tenha telômeros mais compridos, mas o de que eles não encurtam com o passar da idade, conforme o esperado. Seres humanos com mais de 60 anos e telômeros mais curtos têm probabilidade três vezes maior de morrer de alguma doença ligada ao envelhecimento”.

Essa estrutura dos cromossomos diminui com as sucessivas divisões das células. Quando esse encurtamento alcança um nível crítico, chega-se ao estado chamado de senescência celular. A célula não se divide mais, mas pode produzir uma série de substâncias (com capacidade inflamatória, por exemplo) que parecem contribuir para os efeitos negativos do envelhecimento. “Eles também reparam melhor o seu DNA, têm níveis mais altos de controle de tumores e mecanismos anti-inflamatórios rápidos e eficientes”, diz Teeling. A julgar pelos estudos com animais, porém, alguém poderia achar que a intervenção definitiva não poderia ser mais simples: fechar a boca. Os estudos com restrição calórica -às vezes cortando 40% das calorias consumidos pelos bichos- foram os mais bem-sucedidos com espécies pequenas. Resultados preliminares com macacos e humanos, porém, nem chegaram perto desse êxito.

O jeito, porém, talvez seja contornar isso com medicamentos que reproduzem parte dos efeitos moleculares da boca fechada sem fazer as pessoas passarem fome de verdade. Uma delas é a rapamicina, droga originalmente usada para controlar a rejeição de transplantes (veja infográfico). Ela afeta um circuito molecular da célula chamado mTOR que, quando ativado, leva ao crescimento e à divisão celular. Desligá-lo parece colocar a célula em “modo de segurança”, estendendo a longevidade.

Outra possibilidade é a metformina, droga muito usada para controlar o diabetes. Ainda falta muito antes que haja evidências claras de que essas e outras abordagens similares funcionem, porém.

Com informações: Folhapress

17:54 · 16.11.2017 / atualizado às 17:55 · 16.11.2017 por
Pequena comunidade cristã tradicional, que vive nos Estados Unidos, rejeita qualquer tipo de avanço tecnológico Foto: NewsApi

Um grupo de cientistas descobriu uma mutação genética na comunidade Amish dos Estados Unidos, que explica porque alguns de seus membros vivem dez anos mais que a média, segundo um estudo publicado no jornal Science Advances.

Trata-se da última descoberta no estudo sobre a forma de envelhecer desta pequena comunidade cristã tradicional, que rejeita qualquer tipo de avanço tecnológico. Especialistas norte-americanos e japoneses estão testando um medicamento experimental que tenta recriar o efeito da mutação dos Amish, com a esperança de que proteja de doenças vinculadas ao envelhecimento e estimule a longevidade. “Não só vivem mais, vivem mais saudáveis”, explica Douglas Vaughan, presidente da Faculdade de Medicina Feinberg da Universidade Northwestern, autor principal da pesquisa. “É uma forma desejável de longevidade”, destacou.

Os cientistas estudaram 177 membros de 18 a 85 anos da comunidade Berne Amish de Indiana.

Deles, 43 eram portadores da mutação do gene Serpine1 – que provoca uma forte redução da produção da proteína PAI-1 -, estavam em melhor estado de saúde e viviam, em média, dez anos mais (cerca de 85) que o restante de membros Amish que não têm esta variação genética. A expectativa de vida nos Estados Unidos é de 78,8 anos.

Características no DNA

Seu perfil metabólico também era mais sadio e eles sofriam menos de diabetes e doenças cardiovasculares, segundo o estudo.

Os especialistas descobriram, por outro lado, que os telômeros de suas células imunológicas eram em média 10% mais longos. O telômero é um pedaço de DNA situado no extremo de cada cromossomo que o protege e que fica pequeno cada vez que ocorre uma divisão celular, o que contribui para o envelhecimento.

O remédio experimental superou os testes de segurança básicas e agora está em fase 2 no Japão para comprovação de sua eficácia em pessoas obesas com diabetes tipo 2.

A Universidade Northwestern tenta alcançar a permissão para iniciar os testes nos Estados Unidos no ano que vem.

Com informações: AFP

15:50 · 26.07.2017 / atualizado às 19:18 · 26.07.2017 por
Marcado em amarelo na ilustração acima, o hipotálamo é uma região do cérebro que regula processos, como o crescimento, o desenvolvimento, a reprodução e o metabolismo Imagem: EndocrineWeb

Um grupo de cientistas descobriu que a velocidade de envelhecimento do corpo é controlada por um conjunto de células-tronco do hipotálamo.

A pesquisa foi publicada nesta quarta-feira (25) na revista Nature. O hipotálamo é uma região do cérebro conhecida por regular importantes processos no organismo, como o crescimento, o desenvolvimento, a reprodução e o metabolismo.

De acordo com o autor principal do estudo, Dongsheng Cai, da Escola de Medicina Albert Einstein, em Nova York (Estados Unidos), a descoberta feita em camundongos poderá levar ao desenvolvimento de novas estratégias para tratar doenças relacionadas ao envelhecimento e para aumentar o tempo de vida.

Em um artigo anterior, publicado em 2013, também na revista Nature, a mesma equipe de cientistas revelou a surpreendente descoberta de que, além das funções já conhecidas, o hipotálamo também regula o envelhecimento do organismo. Na nova pesquisa, os cientistas identificaram as células do hipotálamo que controlam o processo de envelhecimento: uma pequena população de células-tronco neurais adultas, que também é responsável por formar novos neurônios.

“Nossa pesquisa mostra que o número das células-tronco neurais do hipotálamo é reduzido ao longo da vida do animal e esse declínio acelera o envelhecimento. Mas também descobrimos que os efeitos dessa perda não são irreversíveis. Com a reposição dessas células-tronco ou das moléculas que elas produzem, é possível desacelerar, ou até reverter vários aspectos do envelhecimento no organismo”, disse Cai.

Ao investigar se as células-tronco no hipotálamo eram a chave para o envelhecimento, os cientistas estudaram primeiro o destino dessas células quando camundongos saudáveis envelheciam. O número de células-tronco do hipotálamo começou a diminuir quando os animais chegavam à idade de 10 meses, bem antes do aparecimento dos sinais normais de envelhecimento. “Na velhice, que chega aos dois anos de idade nos camundongos, a maior parte dessas células já havia desaparecido”, disse Cai. O próximo passo foi tentar descobrir se essa progressiva perda das células-tronco havia realmente causado o envelhecimento ou se estava apenas associada a ele. Para isso, os cientistas observaram o que acontecia quando as células-tronco do hipotálamo eram seletivamente destruídas em camundongos de meia idade.

“Essa destruição acelerou enormemente o envelhecimento, em comparação com os camundongos com células-tronco normais. Os animais com as células-tronco destruídas também morreram antes do tempo normal”, declarou Cai.

Velhice reversível

A próxima pergunta a fazer era se a reposição de células-tronco no hipotálamo seria capaz de neutralizar o envelhecimento.

Para obter a resposta, os cientistas injetaram células-tronco do hipotálamo nos cérebros de camundongos de meia idade, cujas células-tronco haviam sido destruídas e também nos cérebros de animais normais.

Nos dois grupos de animais, o tratamento retardou ou reverteu vários indicadores de envelhecimento. Os cientistas descobriram que as células-tronco do hipotálamo parecem exercer seus efeitos antienvelhecimento liberando moléculas conhecidas como microRNAs.

Os microRNAs, de acordo com Cai, não estão envolvidos na síntese de proteínas, mas têm um papel central na regulação da expressão dos genes. Os microRNAs ficam “embalados” em pequenas partículas chamadas exossomos, que são liberadas pelas células-tronco no fluido cérebro-espinhal dos camundongos.

Os cientistas, então, extraíram das células-tronco do hipotálamo exossomos carregados com microRNA e os injetaram no fluido cérebro-espinhal dos dois grupos de camundongos de meia-idade: aqueles com células-tronco do hipotálamo destruídas e os normais.

De acordo com Cai, o tratamento desacelerou consideravelmente o envelhecimento nos dois grupos de animais. A medição do envelhecimento foi feita a partir da análise dos tecidos do organismo dos animais e por testes comportamentais que envolviam a avaliação de transformações na resistência dos músculos, coordenação, comportamento social e capacidade cognitiva.

Agora, os pesquisadores estão tentando identificar as populações específicas de microRNAs e outros fatores secretados pelas células-tronco que são responsáveis por efeitos antienvelhecimento. Segundo eles, esse será o próximo passo para desacelerar o processo de envelhecimento e para tratar doenças ligadas à idade avançada.

Com informações: Estadão Conteúdo

15:50 · 25.07.2017 / atualizado às 15:50 · 25.07.2017 por
Equipe liderada pelo pesquisador Shibo Jiang identificou uma droga que inativou determinadas partículas do micro-organismo Foto: Icy Tales

Cientistas chineses desenvolveram um inibidor do vírus da zika que foi capaz de reduzir os níveis virais em camundongos gestantes e em seus fetos. Um artigo que descreve a descoberta foi publicado nesta terça-feira, 24, na revista científica Nature Communications.

De acordo com os autores da pesquisa, o inibidor se mostrou seguro para o uso em camundongos gestantes e os resultados do experimento indicam que a droga poderia ser considerada para futuros testes pré-clínicos. O vírus da zika pode ser passado de uma mulher grávida infectada para o feto durante a gestação, com potencial risco de desenvolvimento de defeitos congênitos. Até agora não há vacinas ou drogas disponíveis para tratar a infecção.

A equipe de cientistas liderada por Shibo Jiang, da Universidade Fudan, em Xangai (China), identificou uma droga que inativou determinadas partículas do vírus da zika e assim foi capaz de impedir sua entrada nas células. Os cientistas mostraram que a droga reduziu a transmissão do vírus da zika para o feto. A molécula não apresentou efeitos adversos no camundongo gestante, nem nos filhotes, quando foi administrada durante a gestação.

Os autores afirmam que será preciso realizar mais estudos para avaliar a segurança e a eficácia do inibidor em humanos. Mas, segundo eles, a abordagem por meio da inativação de partículas do vírus poderia ser utilizada para desenvolver novos tratamentos para a infecção por zika em populações em áreas de risco, especialmente em mulheres grávidas.

A droga é um peptídeo sintético, batizado de Z2, que é derivado de proteínas de uma região específica do envelope do vírus, que tem um papel importante na sua capacidade de infectar as células do hospedeiro.

“Mostramos que o Z2 interage com as proteínas da superfície do vírus da zika e perturba a integridade da membrana viral. O Z2 pode penetrar na barreira da placenta e entrar nos tecidos do feto”, escreveram os autores.

Melhor opção. De acordo com Jiang, nos últimos anos o desenvolvimento de drogas a partir de peptídeos tem chamado atenção por causa da sua segurança e do custo mais baixo de desenvolvimento, em comparação com drogas com base em moléculas pequenas e em anticorpos.

Segundo Jiang, alguns compostos de moléculas pequenas já mostraram capacidade para inibir a infecção por vírus, mas a segurança para mulheres grávidas não foi comprovada. Também já foram identificados em camundongos anticorpos capazes de neutralizar a infecção por zika, mas a eficácia foi relativamente baixa e esses anticorpos teriam que ser “humanizados”, o que é um obstáculo considerável para o desenvolvimento de uma droga anti-zika.

“Também já foi identificado um anticorpo monoclonal humano que neutraliza amplamente a infecção por algumas linhagens de zika, mas o alto custo pode limitar sua aplicação em países em desenvolvimento, como o Brasil”, disse Jiang.

Com informações: Estadão Conteúdo

17:40 · 11.05.2015 / atualizado às 17:40 · 11.05.2015 por
Foto: Instituto Salk
Cientistas as chamam células-tronco pluripotentes seletivas de região (rsPSCs, em inglês) Foto: Instituto Salk

Um tipo recém-descoberto de célula-tronco poderia ajudar a fornecer um modelo para o desenvolvimento humano incipiente e, algum dia, permitir que órgãos humanos fossem cultivados em animais de grande porte, como porcos ou vacas para fins de terapêuticos ou de pesquisa.

Juan Carlos Izpisua Belmonte, biólogo de desenvolvimento no Instituto Salk para Estudos Biológicos, em La Jolla, na Califórnia, e seus colegas descobriram por acaso uma variedade antes desconhecida de células pluripotentes. Essas células podem dar originar qualquer tipo de tecido.

A descoberta da equipe feita durante uma tentativa de enxertar células-tronco pluripotentes humanas em embriões de camundongos. Anteriormente, cientistas conheciam dois outros tipos de células-tronco pluripotentes, mas cultivá-las em grande quantidade ou orientá-las para amadurecerem como tipos específicos de células adultas tem se mostrado algo difícil.

Em artigo na revista Nature, Izpisua Belmonte e seus colegas relatam um tipo de célula pluripotente mais fácil de ser cultivada in vitro e que pode ser enxertada em um embrião quando injetada no lugar certo. Os cientistas as chamam células-tronco pluripotentes seletivas de região (rsPSCs, em inglês).

Como células seletivas de região crescem de forma mais rápida e estável que outras células pluripotentes, elas podem ser mais úteis para o desenvolvimento de novas terapias, explica Paul Tesar, um biólogo de desenvolvimento da Case Western Reserve University, em Cleveland, Ohio.

Micro preparado

Izpisua Belmonte e seus colegas procuraram transplantar os tipos conhecidos de células pluripotentes humanas em embriões de camundongos in vitro.

Para isso, eles prepararam essas células cultivando-as em um meio que continha diferentes combinações de fatores de crescimento e substâncias químicas. Uma dessas misturas foi mais eficaz para fazer as células crescerem e proliferarem.

Os pesquisadores constataram que as células que prosperaram nessa solução exibiam diferentes padrões de metabolismo e expressão gênica de outras células-tronco pluripotentes, mas eles não eram facilmente enxertáveis em embriões de camundongos.

Para identificar os fatores que poderiam estar impedindo essa integração, os pesquisadores injetaram as células humanas em três regiões distintas de um embrião de camundongo de 7,5 dias. Trinta e seis horas mais tarde, só as células enxertadas na cauda, ou parte posterior do embrião, tinham se integrado e diferenciado nos tecidos celulares esperados, formando um embrião quimérico, organismo com DNA de origens diferentes.

Como essas células pareciam preferir uma parte do embrião, os pesquisadores lhes deram o apelido “seletivas de região”. Izpisua Belmonte suspeita que embriões contenham múltiplos tipos de células-tronco pluripotentes, inclusive rsPSCs, durante seu desenvolvimento inicial.

Ainda não está claro se as rsPSCs desempenham um papel na designação de que parte do embrião se tornará cabeça ou extremidade traseira.

Identificar vários tipos de células pluripotentes também poderia permitir que pesquisadores estudassem as fases iniciais do desenvolvimento embrionário humano ao transplantarem as células-tronco em embriões animais.

Com informações: Scientific American Brasil/Nature

18:09 · 07.05.2014 / atualizado às 11:44 · 10.05.2014 por

Pesquisadores da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, encontraram na bexiga do porco uma forma de regenerar a musculatura humana.

Ao implantar a matriz extracelular (material que dá coesão e flexibilidade às células) do órgão do animal em pacientes que perderam parte de músculos da perna, a equipe provocou a mobilização de células-tronco capazes de recuperar parte do tecido perdido.

Além disso, por ser semelhante à matriz humana, o material não foi rejeitado pelo sistema imunológico. Após testes bem-sucedidos em camundongos com lesões na musculatura dos quadris, a técnica foi aplicada em cinco homens que perderam parte de músculos da perna. Tais pacientes perderam entre 58% e 90% do músculo afetado.

O método consistiu em retirar o tecido cicatrizado ao redor da lesão e adicionar a matriz extracelular da bexiga do porco próximo a vasos sanguíneos que irrigam a área. Dois dias depois da cirurgia, os pacientes foram submetidos a uma rotina de exercícios físicos. Um semestre após a implantação do enxerto, três dos cinco pacientes recuperaram pelo menos 25% da função do músculo afetado.

Confira vídeo


Tratamento é inovador

De acordo com o médico e coautor da pesquisa Stephen Badylak, o material usado no enxerto é degradado após a implantação, liberando moléculas sinalizadoras que atraem células-tronco que circulam nos vasos sanguíneos próximos à lesão. “Os peptídeos liberados na degradação da matriz extracelular recrutam células-tronco do próprio paciente para o local da lesão que se diferenciam em células musculares”, explica.

Até então, os tratamentos disponíveis para quem sofria lesões musculares extensas eram limitados. Ainda que todos os participantes tenham relatado melhorias durante a realização de atividades cotidianas, como caminhar e subir escadas, os pesquisadores determinaram como bem-sucedidas apenas as cirurgias que recuperaram pelo menos 25% da função muscular.

Com informações: Ciência Hoje

17:36 · 30.04.2014 / atualizado às 17:38 · 30.04.2014 por
Foto: Veronica Muskheli
Enxerto de músculo cardíaco humano (contrastado em verde na imagem) regenerou tecido do coração de um macaco Foto: Veronica Muskheli

Cientistas transplantaram com sucesso em macacos células do músculos do coração desenvolvidas a partir de embriões humanos. O resultado do estudo conduzido na Universidade de Washington, publicado na revista Nature desta semana, é um importante passo para o desenvolvimento de tratamentos para falência cardíaca.

Pesquisas anteriores com roedores já haviam apontado o potencial terapêutico de células do músculo cardíaco (cardiomiócitos) derivadas de células-tronco humanas na regeneração de partes doentes do coração. Ainda não se sabia, no entanto, se a técnica traria resultados semelhantes nos corações maiores dos primatas, ou se seria viável produzir cardiomiócitos em escala suficiente para o tratamento animais maiores. O estudo da Universidade de Washington prova que sim.

O pesquisador Charles Murry e sua equipe produziram 1 bilhão de cardiomiócitos a partir de células-tronco e os implantaram no coração de macacos que sofriam de falência cardíaca. Eles observaram significativa regeneração do tecido cardíaco danificado e perfeita compatibilidade eletromecânica dos cardiomiócitos enxertados com o coração dos primatas.

No entanto, em contraste com os estudos envolvendo roedores, os macacos tiveram episódios de arritmia, que precisa de acompanhamento e pode ser fatal. Os autores do estudo também recomendaram a condução de estudos mais amplos, que examinem os efeitos da técnica em casos de infarto (áreas onde houve a morte do tecido cardíaco).

Com informações: UOL Ciência

17:20 · 03.04.2014 / atualizado às 17:32 · 03.04.2014 por
Foto: UFPE
De acordo com os pesquisadores, essa “é a primeira vez que um músculo desenvolvido em laboratório contrai tão fortemente quanto um músculo esquelético neonatal” Foto: UFPEL

Cientistas estadunidenses cultivaram um músculo em laboratório que não apenas parece e funciona como um músculo de verdade, como também se regenera – um passo significativo na engenharia de tecidos.

Os pesquisadores esperam que esse músculo possa ser usado para reparar danos em humanos. Até então, a técnica só havia sido testada em ratos. Os resultados desse trabalho estão descritos na publicação científica Proceedings of the National Academy of Sciences.

Os cientistas da Universidade de Duke, na Carolina do Norte, nos Estados Unidos, dizem que seu sucesso se deve à criação do ambiente perfeito para o crescimento de um músculo – fibras musculares contráteis bem desenvolvidas e um conjunto de células-tronco imaturas, conhecidas como células satélites, que podem evoluir para um tecido muscular.

Durante os testes, o músculo cultivado em laboratório contraía bem e se mostrou forte, capaz de reparar-se usando as células satélites depois que os pesquisadores usaram uma toxina para danificá-lo. Quando foi enxertado em ratos, o músculo pareceu se integrar bem ao resto do tecido circundante e começou a fazer o trabalho que lhe é exigido.

Os pesquisadores dizem que mais testes são necessários antes que eles possam transferir a pesquisa para seres humanos. “O músculo que fizemos representa um importante avanço para o campo de pesquisa”, disse o chefe da pesquisa, Nenad Bursac.

“É a primeira vez que um músculo desenvolvido em laboratório contrai tão fortemente quanto um músculo esquelético neonatal (recém-nascido) nativo.”

Medicina regenerativa

“Vários pesquisadores que têm ‘cultivado’ músculos em laboratório mostraram que estes podem se comportar de maneiras similares às observadas no corpo humano”, opina o especialista britânico em engenharia de tecidos musculares esqueléticos, Mark Lewis, da Universidade de Loughborough (Grã-Bretanha).

“No entanto, o transplante destes músculos para uma criatura viva, continuando a funcionar como se fossem músculos nativos, subiu de nível com o trabalho atual.” Há uma grande esperança na comunidade científica de que as células-tronco, que podem se transformar em qualquer tipo de tecido, transformarão a medicina regenerativa.

Com informações: Portal Terra

23:14 · 25.02.2014 / atualizado às 23:14 · 25.02.2014 por
Foto: Fanpage Citologia Clínica
Façanha consistiu em mudar o genoma do linfócito T, célula de defesa do corpo, para que ele reconhecesse uma proteína que aparece na superfície da célula cancerosa e a distingue das demais Foto: Fanpage Citologia Clínica

A imunoterapia (técnica que ativa o sistema imune contra doenças)  é um artifício promissor na luta contra o câncer.

Agora, a estratégia deu um salto com um estudo, ainda em fase inicial, que a combinou com a terapia gênica para tratar a leucemia.

Em pesquisa publicada na “Science Translational Medicine”, cientistas conseguiram a remissão completa de uma forma avançada da leucemia resistente à quimioterapia em 14 dos 16 indivíduos (88%) recrutados. É o maior estudo realizado com essa estratégia.

“Alguns tinham a forma genética da doença, que tem o pior prognóstico possível”, disse à Folha Michel Sadelain, diretor do Centro de Engenharia Genética do Centro de Câncer Sloan Kettering, nos Estados Unidos, e um dos autores da pesquisa.

Genoma modificado

A façanha consistiu em mudar o genoma do linfócito T, célula de defesa do corpo, para que ele reconhecesse uma proteína que aparece na superfície da célula cancerosa e a distingue das demais.

Os pacientes então receberam uma injeção dessas células de defesa modificadas. Os participantes tinham a leucemia linfoblástica aguda do tipo B. A doença leva ao aumento da produção de linfócitos imaturos, os linfoblastos, que são malignos.

Essas células bloqueiam a produção de glóbulos vermelhos, plaquetas e glóbulos brancos. Após a terapia, 14 pacientes não apresentaram sinais da doença. Desses, quatro também ficaram com os níveis de glóbulos brancos e vermelhos normalizados.

“Fazer com que um linfócito reconheça uma célula doente e, com isso, obter uma remissão de 88% é impressionante”, diz Antonio Buzaid, diretor do Centro de Oncologia do Hospital São José.

“Todos os centros de tratamento e a indústria farmacêutica estão de olho nessa terapia, mas é apenas mais uma arma”, pondera Nelson Hamerschlak, coordenador do Centro de Hematologia e de Transplante de Medula do hospital Albert Einstein.

A taxa de remissão no tratamento padrão, que inclui quimioterapia seguida de transplante de medula, para evitar que a doença volte, é de 30%, e o tempo médio de sobrevida chega a ser inferior a seis meses.

Transplante pode não ser necessário

No estudo, sete participantes foram encaminhados ao transplante após a injeção das células de defesa, dois não quiseram realizar o procedimento, três eram inelegíveis e outros três não puderam por razões diversas. Um outro está sob avaliação.

“Não sabemos se o transplante é necessário nessa fase, mas oferecemos a possibilidade”, disse Sadelain. “Queremos oferecer a terapia como opção definitiva.” Há anos, cientistas do Sloan Kettering estudam a técnica. Em 2003, comprovaram sua eficácia em ratos. Em 2013, atingiram o mesmo feito em cinco pacientes.

Entre os efeitos colaterais, está o aumento da produção das citocinas, substâncias derivadas da ação dos linfócitos em contato com o tumor que podem causar graves reações inflamatórias.

“Mas os cientistas conseguiram prever quais pacientes tinham mais tendência a essa reação e os acompanharam”, diz Daniel Tabak, diretor do Centron, especializado em câncer de sangue.

Agora, o Centro de Câncer Sloan Kettering prepara um estudo de fase 2, com mais pacientes.

Com informações: Folhapress

15:15 · 29.01.2014 / atualizado às 15:40 · 29.01.2014 por
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Em experimentos que podem iniciar uma nova era na biologia das células-tronco, cientistas descobriram uma forma barata e fácil de reprogramar células maduras de um rato de volta a um estado similar ao embrionário, o que os permitiu gerar vários tipos de tecidos.

A pesquisa sugere que células humanas poderiam no futuro ser reprogramadas com a mesma técnica, oferecendo assim uma maneira mais simples para substituir células danificadas ou desenvolver novos órgãos para pessoas doentes ou feridas.

Chris Mason, do setor de bioprocessamento médico regenerativo do University College London, disse que o método era “o mais simples, barato e rápido” para gerar as chamadas células pluripotentes (as capazes de se desenvolver em vários tipos diferentes de células) a partir de células maduras, as células normais do corpo, chamadas de somáticas.

“Se isso funcionar com humanos, isso pode mudar todo o cenário, pode tornar possível terapias usando as células do próprio paciente como material inicial. A era da medicina personalizada iria finalmente chegar”, afirmou. Os experimentos, relatados em dois artigos no periódico Nature nesta quarta-feira (29), contaram com cientistas do centro Riken de biologia, no Japão, e da Escola de Medicina de Harvard, nos Estados Unidos.

As chamadas células STAP (Aquisição de Pluripotência Desencadeada por Estímulo) têm algumas características que se assemelham a células-tronco embrionárias, mas com uma capacidade limitada de auto-renovação.  Elas representam um estado único de pluripotência, que, em condições de cultura de células-tronco pluripotentes, podem se transformar em células-tronco semelhantes às embrionárias.

Método

A partir de células maduras, adultas, os pesquisadores deixaram que elas se multiplicassem e depois as submeteram a estresse quase ao ponto de matá-las, explicaram eles.

Depois de dias, os cientistas descobriram que as células sobreviveram e se recuperaram, ao naturalmente retrocederem a um estado similar ao de uma célula-tronco embrionária.

Essas células se diferenciaram e se desenvolveram em diferentes tipo de células e tecidos, dependendo dos ambientes aos quais elas foram submetidas. “Se nós pudermos descobrir os mecanismos pelos quais os diferentes estados se mantêm ou se perdem, isso poderia abrir várias possibilidades para novas pesquisas e aplicações usando células vivas”, afirmou Haruko Obokata, que comandou a pesquisa no Riken.

Esse novo processo de reprogramação não precisa da habitual manipulação nuclear ou da introdução dos chamados fatores de transcrição -proteínas que regulam a transcrição do DNA-, necessários até agora para induzir a “pluripotência”.

Por isso, os cientistas acham que seu trabalho poderia ter “importantes implicações” na medicina regenerativa. Concretamente foi descoberto que as células somáticas dos mamíferos podem se reprogramar em condições de acidez.

A reprogramação como resposta ao estresse meio ambiental foi observada anteriormente em plantas, onde as células maduras podem se transformar em células imaturas capazes de formar uma nova estrutura da planta.

Com informações: Reuters