Diário Científico

Categoria: Evolução


10:22 · 08.11.2017 / atualizado às 10:22 · 08.11.2017 por
Concepção artística de mamíferos que conviveram com ancestrais das aves modernas e com dinossauros na era Mesozóica Imagem: Mark Witton

Um estudante universitário britânico encontrou dentes de mamíferos parecidos com ratos que viveram há 145 milhões de anos e possuem ligações distantes com os humanos. A descoberta foi feita na costa de Dorset, no sudoeste da Inglaterra, pelo estudante de graduação Grant Smith, quando ele examinava pedras na Universidade de Portsmouth.

“Inesperadamente, ele não encontrou um, mas dois dentes bastante notáveis ​​de um tipo nunca antes visto em rochas desta época”, disse Steve Sweetman, pesquisador da universidade. “Eu fui convidado a olhar para eles e dar uma opinião e, mesmo à primeira vista, fiquei de boca aberta!”, escreveu na revista científica Acta Palaeontologica Polonica.

Acredita-se que os dentes pertenceram a duas espécies diferentes de criaturas pequenas e peludas que provavelmente eram noturnas e se alimentavam de insetos e talvez plantas. “Os dentes são de um tipo altamente avançado que pode perfurar, cortar e esmagar alimentos”, disse Sweetman.

“Eles também estão muito desgastados, o que sugere que os animais aos quais eles pertenciam viveram até uma boa idade para suas espécies. Um grande feito quando você está compartilhando seu habitat com dinossauros predatórios!”.

Apesar desses animais serem significativamente diferentes dos humanos, Sweetman os descreveu como “sem dúvida os mais antigos conhecidos da linha de mamíferos que leva à nossa própria espécie”. As duas espécies foram nomeadas Durlstodon ensomi e Durlstotherium newmani, a segunda em homenagem ao proprietário de um pub local, Charlie Newman.

A descoberta foi feita na “Costa Jurássica” de Dorset, um Patrimônio Mundial da Unesco que carrega 185 milhões de anos de história.

Com informações: AFP

12:07 · 07.11.2017 / atualizado às 12:07 · 07.11.2017 por
Concepção artística de primatas do gênero Purgatorius, que surgiram há cerca de 65 milhões de anos. A ordem, que inclui os humanos, foi a primeira adotar hábitos diurnos, o que deve ter ocorrido há pelo menos 52 milhões de anos Imagem: Yale News

Os primeiros mamíferos eram criaturas noturnas que só emergiram da escuridão após o desaparecimento dos dinossauros, disseram pesquisadores israelenses.

Isso explicaria por que relativamente poucos mamíferos seguem um estilo de vida “diurno” hoje, e por que a maioria destes ainda tem olhos e ouvidos mais adequados para viver à noite.

“A maioria dos mamíferos hoje são noturnos e possuem adaptações para sobreviver em ambientes escuros”, disse o coautor do estudo Roi Maor, da Universidade de Tel Aviv. “Os macacos e os primatas (incluindo os humanos) são os únicos mamíferos diurnos com olhos evoluídos que são semelhantes aos outros animais diurnos, como pássaros ou répteis. Outros mamíferos diurnos não desenvolveram adaptações tão profundas”, acrescentou.

Maor e uma equipe de pesquisadores fornecem evidências que apoiam a teoria de longa data de que dezenas de milhões de anos fugindo dos dinossauros causaram um “gargalo” noturno na evolução dos mamíferos.

Por terem se escondido na escuridão por tanto tempo – possivelmente para evitar disputar comida e território com os dinossauros ou ser comidos por eles -, os mamíferos de hoje não estão no mesmo patamar dos peixes, répteis e pássaros quando se trata de visão diurna. Os mamíferos, exceto os primatas, não possuem uma parte do olho conhecida como fóvea, que muitos peixes, répteis e aves possuem e que está repleta de células “cone” fotorreceptoras para ver cores na luz forte.

Em vez disso, eles tendem a ter mais células em forma de bastão, que podem absorver luz escassa, mas proporcionam uma resolução relativamente baixa.

Os mamíferos modernos que são ativos principalmente de dia – incluindo alguns tipos de esquilo, musaranhos-arborícolas, alguns antílopes e muitos animais carnívoros – também tendem a ter olfato e audição aguçados, atributos necessários para viver no escuro.

Primatas primeiro 

Maor e uma equipe analisaram os estilos de vida de 2.415 espécies de mamíferos vivos e usaram algoritmos de computador para reconstruir o comportamento provável de seus antepassados, chegando até os primeiros mamíferos.

O primeiro antepassado dos mamíferos surgiu entre 220 milhões e 160 milhões de anos atrás, evoluindo a partir de um ancestral réptil, que provavelmente era noturno, de acordo com o estudo publicado na revista científica Nature Ecology & Evolution.

Os dinossauros, por outro lado, provavelmente eram habitantes diurnos que procuravam a luz solar para aquecer seus corpos, como os répteis fazem hoje.

Os dados revelaram que os mamíferos permaneceram noturnos durante toda a Era Mesozoica, que terminou cerca de 66 milhões de anos atrás, quando uma calamidade maciça, possivelmente uma queda de asteroides, eliminou os dinossauros e cerca de três quartos da vida na Terra.

Os mamíferos, então principalmente animais pequenos e velozes, sobreviveram e prosperaram.

A maioria permaneceu noturna, enquanto alguns abraçaram o dia e outros – incluindo gatos, elefantes e vacas – são hoje um pouco das duas coisas.

Os ancestrais dos primatas estavam entre os primeiros mamíferos a se tornarem estritamente diurnos, há cerca de 52 milhões de anos, descobriram os pesquisadores.

Isso explica por que nossa família de primatas está melhor adaptada ao modo de vida iluminado pelo sol: tivemos mais tempo para evoluir e nos adaptarmos.

O motivo da mudança da noite para o dia não está claro, disse Maor, mas pode ter incluído um “risco reduzido de predação” para os primeiros mamíferos.

Embora o estudo mostre uma forte correlação entre a morte dos dinossauros e o surgimento de mamíferos diurnos, não pode concluir que houve uma relação de causa e efeito.

Com informações: AFP

22:17 · 24.09.2017 / atualizado às 22:24 · 24.09.2017 por
Mesmo sendo animais com sistema nervoso descentralizado, os cnidários ficavam muito mais lentos para responder a estímulos externos no período noturno Foto: ShutterStock

Pesquisadores demonstraram pela primeira vez que até mesmo organismos sem cérebro – no caso, uma espécie de água-viva – mostram um comportamento parecido com o ato de dormir, sugerindo que as origens do sono são muito mais primitivas do que se pensava.

Os pesquisadores observaram que a taxa na qual a água-viva Cassiopea , que pertence ao filo dos cnidários, pulsava seu corpo diminuía um terço durante a noite. Além disso, os animais ficavam muito mais lentos para responder a estímulos externos, como alimento ou movimentos, nesse período. Quando privadas de seu descanso noturno, as águas-vivas se mostravam menos ativas no dia seguinte.

“Todos com quem conversamos têm uma opinião quanto a se águas-vivas dormem ou não. Isso realmente nos empurra para lidar com a questão da natureza do sono”, diz Ravi Nath, principal autor do artigo e geneticista molecular no Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) em Pasadena. O estudo foi publicado em 21 de setembro na revista científica Current Biology. “Este trabalho fornece evidências convincentes do quão cedo na evolução um estado similar ao sono evoluiu”, diz Dion Dickman, neurocientista na Universidade do Sul da Califórnia em Los Angeles.

Sono sem sentido

Nath está estudando o sono no verme Caenorhabditis elegans, mas sempre que apresentava seu trabalho em conferências de pesquisa outros cientistas zombavam da ideia de que um animal tão simples poderia dormir.

A questão fez Nath pensar: o quão simples deve ser o sistema nervoso de um animal para que ele careça da habilidade de dormir? A obsessão de Nath logo contagiou Michael Abrams e Claire Bedbrook, seus amigos e colegas doutorandos na Caltech. Abrams trabalha com águas-vivas e sugeriu que uma dessas criaturas seria um organismo modelo adequado, pois elas possuem neurônios, mas não um sistema nervoso central. Em vez disso, os neurônios das águas-vivas se conectam em uma rede neural descentralizada.

As águas-vivas Cassiopea, em particular, chamaram a atenção do trio. Apelidada de água-viva de ponta cabeça devido ao hábito de sentar no fundo do mar com a parte superior de seu corpo, com seus tentáculos acenando para cima, a Cassiopea raramente se move por conta própria. Isso tornou mais fácil para os pesquisadores projetarem um sistema automatizado que utiliza imagens em vídeo para rastrear a atividade de pulsação do corpo. Para fornecer evidências do comportamento semelhante ao sono na Cassiopea (ou qualquer outro organismo), os pesquisadores precisavam mostrar um período rapidamente reversível de diminuição da atividade – ou quiescência – com menor responsividade a estímulos.

O comportamento também deveria ser conduzido por uma necessidade de dormir a que aumentasse tanto quanto fosse maior o tempo que o animal passasse acordado, para que um dia de sono reduzido fosse seguido de um aumento de repouso. Outros pesquisadores já haviam documentado uma queda noturna na atividade em outras espécies de águas-vivas, mas nenhum estudo prévio mostrou os demais aspectos associados ao comportamento do sono.

Em um tanque de 35 litros, Nath, Abrams e Bedbrook rastrearam os pulsos do corpo da Cassiopea ao longo de seis dias e noites e descobriram que a taxa – a qual possui uma média de um pulso por segundo por dia – caía quase um terço à noite. Também documentaram períodos noturnos de 10 a 15 segundos livres de pulsos, o que não acontecia durante o dia.

Noite agitada

Na ausência de um alarme para águas-vivas, os cientistas usaram um petisco de camarão e ostra para tentar despertar a Cassiopea de seu cochilo.

Quando derrubavam comida no tanque durante a noite, os animais respondiam voltando ao padrão de atividade diurno. A equipe utilizou a preferência das águas-vivas de sentarem em superfícies sólidas para testar se a Cassiopea em repouso tinha uma resposta atrasada aos estímulos externos.

Eles levantaram lentamente a água-viva do fundo do tanque usando uma tela, depois a tiraram debaixo do animal, deixando-a flutuando na água. Demorou mais tempo para a criatura começar a pulsar e se reorientar quando isso aconteceu à noite do que durante o dia. Se o experimento fosse imediatamente repetido à noite, a água-viva responderia como se fosse dia. Por fim, quando a equipe forçou a Cassiopea durante toda uma noite, mantendo-a acordada com repetidos pulsos de água, encontraram uma queda de 17% em sua atividade no dia seguinte.

“Este trabalho mostra que o sono é muito mais antigo do que pensávamos. A simplicidade desses organismos abre as portas para entender por que o sono evoluiu e o que ele faz”, diz Thomas Bisch, biólogo evolutivo da Universidade Kiel na Alemanha. “O sono pode ser retroceder até esses pequenos metazoários – o quão mais longe isso vai?”, ele pergunta.

É isso que Nath, Abrams e Bedbrook querem descobrir. Em meio ao desafio de terminar suas teses de doutorado, começaram a procurar por genes antigos que pudessem controlar o sono, na esperança de que isso talvez fornecesse pistas sobre o porquê de o sono ter surgido originalmente.

Com informações: Scientific American Brasil

19:33 · 01.08.2017 / atualizado às 19:38 · 01.08.2017 por
Concepção artística e descrição (em inglês) de um provável ancestral das flores modernas Imagem: Nature Communications

A primeira flor a aparecer ao longo do caminho da evolução vegetal, durante a época dos dinossauros, era uma hermafrodita com órgãos em forma de pétala dispostos em círculos concêntricos, disseram pesquisadores nesta segunda-feira.

A flor tinha órgãos reprodutores masculinos e femininos no centro, cercados por múltiplas camadas de “espirais” ou partes semelhantes a pétalas chamadas tépalas, dispostas em conjuntos de três por camada, escreveram os cientistas na revista Nature Communications.

A reconstrução, baseada no maior conjunto de dados de características de flores já reunidos – de 792 espécies existentes – desafia os pressupostos científicos de que a flor ancestral teria seus órgãos sexuais e “pétalas” dispostas em uma espiral.

A maioria das flores hoje tem quatro “espirais” – as folhas exteriores ou sépalas, seguidas pelas pétalas, que encerram os órgãos masculinos chamados de estames, com os órgãos femininos ou carpelos no centro.

A flor ancestral provavelmente não tinha sépalas e pétalas separadas, em vez disso, uma mistura entre os dois – em torno dos órgãos sexuais no centro.

Flores modernas com tépalas em vez de pétalas incluem tulipas e lírios.

“Os resultados são realmente emocionantes”, disse Maria von Balthazar, especialista em morfologia floral da Universidade de Viena, que participou da pesquisa.

“Esta é a primeira vez que temos uma visão clara para a evolução precoce das flores em todas as angiospermas” – o termo científico para plantas floríferas. Os pesquisadores ainda não sabem a cor da flor, o seu cheiro, ou seu tamanho – que provavelmente era menor que um centímetro de diâmetro.

Evolução das plantas

Os especialistas acreditam que as plantas terrestres emergiram de plantas aquáticas ancestrais há cerca de 470 milhões de anos – mais de três bilhões de anos depois da primeira forma de vida ter surgido, quando a Terra tinha cerca de um bilhão de anos.

A primeira planta com sementes provavelmente surgiu cerca de 320 milhões de anos atrás, quando havia animais diversos na terra e no mar, mas ainda não havia dinossauros, mamíferos ou pássaros. Os fósseis mais antigos conhecidos de plantas com flores datam de cerca de 140 milhões de anos atrás – durante a era dos dinossauros, que foram extintos há cerca de 66 milhões de anos.

Desde então, a primeira flor evoluiu para ao menos 300.000 espécies, afirmou a equipe de pesquisa. As plantas com flores representam cerca de 90% de todas as plantas na Terra. Em 1879, o cientista Charles Darwin descreveu o rápido aumento e diversificação das flores durante a era geológica do Cretáceo como um “abominável mistério”.

A equipe combinou dados de DNA e uma vasta literatura sobre características de plantas para compilar uma árvore evolutiva detalhada que voltava até o último antepassado comum.

“A flor cresceu em apenas um tipo de planta, a espécie ancestral de todas as plantas floríferas vivas”, disse à AFP o coautor Herve Sauquet, da Universidade Paris-Sul.

“De acordo com trabalhos anteriores, provavelmente era uma pequena árvore ou arbusto”, acrescentou.

Com informações: AFP

20:52 · 18.07.2017 / atualizado às 21:06 · 18.07.2017 por
Análise de DNA mostra que os cachorros antigos se separaram de seus ancestrais pela primeira vez há cerca de 40 mil anos Foto: VetStreet

De patas curtas ou alongadas, com o pelo enrolado ou comprido, todos os cães do mundo vêm de uma mesma população de lobos domesticados há entre 20 mil e 40 mil anos – revela um estudo publicado na revista científica Nature Communications nesta terça-feira (18).

“Nossos dados mostram que todos os cães modernos espalhados pelo mundo foram domesticados de uma única população de lobos”, diz à AFP a coautora do estudo Krishna Veeramah, da Universidade do Estado de Nova York, em Stony Brook. Tomando indícios genéticos como base, esse novo estudo se soma a outras hipóteses sobre as controversas origens do melhor amigo do homem.

Segundo uma dessas hipóteses, os humanos domesticaram os cães pela primeira vez na Europa, há mais de 15 mil anos. Outros pesquisadores afirmam que essa domesticação teve início no leste da Ásia, pelo menos 12,5 mil anos atrás. Já um estudo publicado no ano passado na revista Science apontou que os cães foram domesticados em dois lugares distintos, partindo de matilhas de lobos na Europa e na Ásia.

Os autores do estudo publicado nesta terça-feira disseram que sua análise de DNA mostra que os cachorros antigos se separaram dos lobos pela primeira vez há cerca de 40 mil anos, em um processo provavelmente desencadeado pela presença de humanos. Os pesquisadores não sabem, porém, em que parte do mundo isso aconteceu.

Há 20 mil anos, disse a equipe, os primeiros cães se dividiram geograficamente entre os caninos do Oriente e os do Ocidente. O primeiro grupo deu origem aos cães do leste da Ásia, e o outro aos cães na Europa, no centro e no sul da Ásia e na África. “Há 7 mil anos, eles (os cachorros) estavam praticamente por toda parte”, disse Krishna Veeramah. O cão europeu desse período deu origem à maioria das raças de cães modernas encontradas hoje, concluíram os pesquisadores.

Krishna Veeramah e seus colegas analisaram amostras de DNA fossilizado de dois cães encontrados na Alemanha. Um deles, de 7 mil, é o cão mais velho a ter tido seu DNA sequenciado até hoje. O outro é de pelo menos 4,7 mil anos. Ambos remontam ao Neolítico, período que marca o início da agricultura e da pecuária. O genoma desses dois “senhores” europeus é parecido com o dos cachorros do presente, o que sugere uma origem geográfica única de cães domésticos.

O processo de domesticação desse animal – um carnívoro potencialmente perigoso ao homem – foi, certamente, “difícil”, afirma Krishna Veeramah, bem mais do que a de ovelhas, porcos, ou vacas. “A hipótese atual é que esse processo ocorreu passivamente a partir de uma população de lobos que vivia na periferia dos campos de caçadores-coletores, alimentando-se do lixo produzido pelos humanos”, relata a cientista.

Os menos agressivos teriam, então, desenvolvido uma relação particular com os homens. É essa população ancestral de cães, única, que teria se disseminado pelo planeta, provavelmente ao sabor dos deslocamentos humanos.

Com informações: AFP

22:04 · 27.03.2017 / atualizado às 22:06 · 27.03.2017 por
De acordo com a pesquisa, os animais que se alimentam de frutas, como os chimpanzés e os humanos, por exemplo, têm cérebros cerca de 25% maiores do que aqueles que ingerem folhas Foto: Scientific American

Os humanos provavelmente desenvolveram cérebros grandes e poderosos com a ajuda das frutas, afirmaram pesquisadores nesta segunda-feira (27).

Comer frutas foi um passo-chave a partir dos alimentos mais básicos, como folhas, e forneceu a energia necessária para desenvolver cérebros mais volumosos, segundo os cientistas. “Foi assim que conseguimos esses cérebros enormes”, disse o autor correspondente do estudo Alex Decasien, pesquisador da Universidade de Nova York.

O estudo publicado na revista científica Nature Ecology & Evolution observou os alimentos básicos de mais de 140 espécies de primatas, e concluiu que suas dietas não mudaram muito ao longo da evolução recente.

Vantagem

De acordo com a pesquisa, os animais que se alimentam de frutas têm cérebros cerca de 25% maiores do que aqueles que ingerem principalmente folhas.

Os resultados questionam a teoria que prevaleceu desde meados dos anos 1990, segundo a qual os cérebros maiores se desenvolveram a partir da necessidade de sobreviver e se reproduzir em grupos sociais complexos.

Decasien disse que os desafios de viver em grupo podem ter contribuído para o desenvolvimento da inteligência, mas não encontrou nenhuma ligação entre a complexidade da vida social dos primatas e o tamanho dos seus cérebros.

Comer frutas, por outro lado, estava fortemente correlacionado com o tamanho dos cérebros. Alimentos como frutas contêm mais energia do que fontes básicas como folhas, criando assim o combustível adicional necessário para evoluir para um cérebro maior. Ao mesmo tempo, lembrar quais plantas produzem frutas, onde elas estão e como abri-las também poderia ajudar um primata a desenvolver um cérebro maior.

“Eu me sinto confiante de que o estudo deles vai reorientar e revigorar a pesquisa que procura explicar a complexidade cognitiva em primatas e outros mamíferos”, escreveu Chris Venditti, pesquisador da Universidade de Reading, no Reino Unido, em um comentário sobre o estudo, também publicado na Nature Ecology and Evolution”. “Mas muitas perguntas permanecem”, acrescentou.

20:09 · 24.03.2017 / atualizado às 20:27 · 24.03.2017 por
Ao contrário do que se pensava, o Tyrannosaurus rex (d) e o Triceratops (e) podem pertencer ao mesmo grupo. Já os grandes dinossauros herbívoros com pescoços semelhantes aos de uma  girafa pertenceriam a um grupo diferente Imagem: Scified

Parece não haver quase nada em comum entre dois ícones da série “Jurassic Park”, o Tyrannosaurus rex, monarca dos dinos carnívoros, e o chifrudo quadrúpede Triceratops, equivalente pré-histórico dos rinocerontes e búfalos de hoje.

Um novo estudo, porém, propõe uma ideia que quase poderia ser descrita como herética: ambos os monstros pertenceriam ao mesmo grande subgrupo de dinossauros. A proposta acaba de ser publicada na revista científica britânica “Nature”, uma das mais tradicionais do mundo, e tem provocado fortes emoções (nem todas muito positivas) entre os cientistas que estudam a evolução dos dinos.

Afinal de contas, como fazem questão de ressaltar os autores da hipótese -um trio da Universidade de Cambridge (Reino Unido) encabeçado por Matthew Baron-, ela derrubaria mais de cem anos de consenso científico a respeito do “álbum de família” desses bichos. Segundo esse consenso, que até hoje parecia sólido feito rocha, os dinossauros se dividem em dois grandes grupos.

O primeiro seria o dos saurísquios, englobando o T. rex e os demais bípedes carnívoros, de um lado, conhecidos coletivamente como terópodes (as aves modernas estão nesse balaio); e, de outro, os grandes herbívoros pescoçudos, como os célebres brontossauros, que recebem o nome de sauropodomorfos.

O segundo grande subgrupo corresponderia aos ornitísquios -criaturas como o Triceratops e o bípede herbívoro Iguanodon. Mudar isso “é uma proposta completamente heterodoxa e radical”, resume o paleontólogo Max Cardoso Langer, da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto.

“Todo manual de paleontologia e todo livro sobre dinossauros feito para crianças que você pegar vão começar falando da divisão tradicional em dois grupos, e todas as análises feitas até hoje, por diferentes autores e com diferentes abordagens, deram o mesmo resultado.” Baron e seus colegas David Norman e Paul Barrett, porém, argumentam que muitos desses estudos não analisaram com o devido cuidado as formas mais primitivas dos grandes grupos de dinossauros, em especial os primeiros ornitísquios.

Rodem as máquinas

Para tentar sanar isso, os britânicos decidiram realizar uma grande análise filogenética -ou seja, sobre relações de parentesco evolutivo- envolvendo 74 tipos diferentes de dinossauros, com ênfase nos mais primitivos. Tais análises se baseiam em programas de computador que registram e comparam um grande conjunto de características dos fósseis -no caso do estudo, 457 detalhes do esqueleto. É por meio dessa coleção de semelhanças e diferenças que os cientistas tentam determinar como um grupo de animais vai se diversificando ao longo do tempo, como uma árvore com galhos que estão mais próximos ou mais distantes entre si.

A comparação computacional apontou um conjunto de 21 características que são compartilhadas apenas por terópodes (como o T. rex) e ornitísquios (como o Triceratops). Para os autores do novo estudo, isso seria suficiente para classificá-los como “grupos-irmãos”, que receberiam um novo nome conjunto, o de ornitoscélidos (termo que, na verdade, chegou a ser usado por naturalistas do século 19 até cair em desuso).

Os pescoçudos sauropodomorfos ficariam isolados num grupo à parte, que teria se separado antes do ancestral comum dos outros dois subgrupos. De quebra, a análise indicaria também que os primeiros dinos teriam sido, de fato, bípedes de pequeno porte com dieta onívora e patas da frente capazes de agarrar objetos; e, finalmente, que eles teriam surgido no hemisfério Norte e não na América do Sul, como muita gente defende hoje.

Com informações: Reinaldo José Lopes/Folhapress

16:47 · 01.03.2017 / atualizado às 16:48 · 01.03.2017 por
Os microfósseis foram encontrados no Cinturão de Nuvvuagittuq, no Canadá, onde está localizada a rocha mais antiga conhecida, e podem ter entre 3,77 e 4,29 bilhões de anos Foto: Matthew Dodd

Pesquisadores anunciaram a descoberta de micro-organismos fósseis que teriam entre 3,77 e 4,29 bilhões de anos, o que seria a mais antiga evidência de vida na Terra, de acordo com um estudo divulgado nesta quarta-feira (1º).

Eles descobriram esses microfósseis em camadas de quartzo no sítio geológico de Nuvvuagittuq, nordeste de Quebec (Canadá). “Graças a imagens a laser das amostras coletadas, nós identificamos micro-organismos fósseis, que são os mais antigos conhecidos no mundo”, declarou Matthew Dodd, da UCL (University College London), em um vídeo postado no site da revista Nature.

Em diâmetro, medem metade de um fio de cabelo humano. Em comprimento, medem até meio milímetro, informou. “O mais interessante nessa descoberta” é constatar que a vida iniciou na Terra de maneira precoce – “isto levanta questões interessantes” sobre o que aconteceu em Marte e em outros lugares do universo”, considera Matthew Dodd.

“Se a vida começou tão rápido na Terra”, “poderia ter acontecido o mesmo em outros planetas?”, questiona ele.

Idade controversa

Estes microfósseis foram encontrados no Cinturão de Nuvvuagittuq, um afloramento localizado ao longo da costa do Quebec, onde está localizada a rocha mais antiga conhecida (4,29 bilhões de anos).

“Foi datada por um método bastante sólido, mas a questão da sua idade ainda é debatida”, disse Dominic Papineau, também da University College London (UCL) e principal autor do estudo. “Para se manterem conservadores”, os cientistas deram aos microrganismos “uma idade mínima de 3,77 bilhões de anos”, acrescenta.

O que já é 300 milhões de anos mais velho do que os microfósseis mais antigos conhecidos até agora, que foram encontrados na Austrália e que têm 3,4 bilhões de anos, segundo Dominic Papineau.

Com informações: AFP

22:46 · 31.01.2017 / atualizado às 22:46 · 31.01.2017 por
Imagem: Universidade de Cambridge
Imagem: Universidade de Cambridge

Pesquisadores de três países afirmam ter descoberto na China o ancestral mais antigo dos humanos, que viveu há 540 milhões de anos, no Cambriano, e cujos fósseis estão “estranhamente bem preservados”.

Segundo o estudo, realizado por um grupo de cientistas do Reino Unido, China e Alemanha e publicado na revista científica Nature, o animal aquático é microscópico e representa a fase mais primitiva da evolução que levou aos peixes e, eventualmente, aos humanos.

O Saccorhytus é um exemplar primitivo de uma categoria animal conhecida como deuterostômios, que são ancestrais comuns para várias espécies, entre elas as incluídas entre os animais vertebrados.

Os fósseis encontrados na província chinesa de Shaanxi são de um animal de cerca de um milímetro de tamanho e que vivia entre grãos de areia no fundo do mar. Os cientistas não encontraram indícios de que o Saccorhytus tinha ânus, o que sugere que o consumo de comida e as excreções eram feitos pelo mesmo orifício.

“A olho nu, os fósseis que estudamos possuíam pequenos pontos pretos, mas no microscópio o nível de detalhe se revelou surpreendente”, disse Simon Conway Morris, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, um dos responsáveis pela pesquisa.

“Acreditamos que, por se tratar de um deuterostômio primevo, ele pode representar a fase primitiva de diversas espécies, inclusive de nós, humanos. Todos os deuterostômios tinham um ancestral comum, e provavelmente seja desse animal que se trata.”

Para o pesquisador da Universidade de Northwest, na China, Degan Shu, “o Saccorhytus nos permite um olhar significativo sobre as primeiras fases da evolução de um grupo que levou aos peixes e até nós, humanos”.

Até a descoberta recente, os grupos de deuterostômios já conhecidos eram de 510 a 520 milhões de anos atrás. Eles já haviam se diversificado e transformado em vertebrados – um grupo a que nós e nossos ancestrais pertencemos, e animais como estrelas e ouriços do mar.

Os deuterostômios são muito diferentes entre si, o que dificulta a identificação, pelos cientistas, de como seria a aparência de um ancestral da espécie.

Segundo o estudo, o corpo é simétrico – uma característica herdada por muitos descendentes evolucionários, inclusive humanos.

O Saccorhytus também era coberto por uma pele final, relativamente flexível, e possuía músculos, o que levou cientistas a concluírem que ele se movimentava ao contraí-los, se retorcendo.

Para os pesquisadores, a característica mais marcante do animal é a boca grande em relação ao resto do corpo. Segundo o estudo, ele se alimentava engolindo partículas de alimentos e até de outras criaturas.

Outra característica são as estruturas cônicas do corpo, que poderiam permitir que a água engolida escapasse, o que poderia representar uma versão muito precoce das guelras, presentes hoje em peixes e outros animais aquáticos.

Com informações: G1

17:45 · 30.12.2016 / atualizado às 17:48 · 30.12.2016 por
Foto: DR/Público
Comportamento fica demonstrado pelos corpos despedaçados ou pelos ossos fraturados para que a medula fosse retirada encontrados na região Foto: DR/Público

Os homens de Neandertal que viviam nas cavernas de Goyet, no que hoje é território belga, não comiam apenas cavalos e renas para se alimentar, mas também carne humana, indica um novo estudo internacional.

Isso fica demonstrado pelos corpos despedaçados ou pelos ossos fraturados para que a medula fosse retirada encontrados na região. “É irrefutável, o canibalismo era praticado aqui”, explica o arqueólogo belga Christian Casseyas enquanto percorre a chamada terceira caverna de Goyet, situada em um pequeno vale perto das Ardenas belgas (sul).

Os restos datam de cerca de 40.000 anos atrás, quando a presença na terra dos neandertais estava chegando ao fim. Faltava pouco para que dessem lugar ao homem de Cro-Magnon, nosso ancestral direto, com o qual haviam coabitado. Durante anos, os homens de Neandertal, com um cérebro um pouco maior que o do homem moderno, foram considerados seres selvagens, apesar de cuidarem dos corpos dos mortos, como demonstram algumas sepulturas da época.

Agora sabemos que eles também comiam seus pares. Já haviam sido detectados alguns casos de canibalismo em populações de neandertais estabelecidas na Espanha (El Sidrón e Zafarraya) e na França (Moula-Guercy e Les Pradelles), mas nunca antes em um país do norte da Europa. As cavernas de Goyet, ocupadas desde o Paleolítico, são galerias de calcário de cerca de 250 metros de comprimento, esculpidas naturalmente pelo Samson, um pequeno riacho que atualmente está localizado a poucos metros das cavernas. O lugar começou a revelar seus segredos em meados do século XIX graças a um dos precursores da paleontologia, Edouard Dupont (1841-1911). Dupont, geólogo e diretor do Museu Real de História Natural da Bélgica, escavou cuidadosamente várias cavernas, incluindo a de Goyet, em 1867, onde encontrou vários ossos e ferramentas.

Em uma época na qual Darwin acabava de formular sua teoria da evolução, Dupont publicou os resultados de suas pesquisas no livro “L`homme Pendant Les Ages de La Pierre”.

Comida e ferramentas

Por mais de um século, as descobertas de Dupont foram esquecidas no museu, atualmente convertido em Instituto de Ciências Naturais de Bruxelas.

Até que em 2004 Patrick Semal, diretor da seção de antropologia do Instituto, encontrou entre os ossos achados por Dupont um fragmento de mandíbula de um neandertal.

Os cientistas começaram, então, um longo trabalho para reexaminar todos estes ossos, incluindo os que Dupont considerou na época que pertenciam a animais. A equipe internacional liderada pela antropóloga francesa Hélène Rougier, da California State University Northridge (EUA), conseguiu demonstrar que em Goyet o homem de Neandertal era antropófago.

Vários ossos humanos que pertenceram a seis indivíduos (um recém-nascido, uma criança e quatro adultos ou adolescentes) têm sinais de que foram cortados “para serem desarticulados e para que a carne fosse retirada”, explica Christian Casseyas. “Da mesma forma que quebravam os ossos de renas e cavalos que encontramos na entrada da caverna, eles quebraram ossos humanos para extrair a medula”, acrescenta o arqueólogo, que acompanha os turistas que visitam Goyet.

Hélène Rougier confirmou à AFP que “alguns neandertais morreram e foram comidos aqui”, a primeira constatação deste fenômeno no norte da Europa. Seu estudo sobre a caverna belga foi publicado em julho pela Scientific Reports, uma publicação do grupo Nature. “Alguns dos ossos também serviram como ferramentas”, explicou Rougier.

No entanto, as razões deste canibalismo e até que ponto ele estava disseminado continuam sendo um mistério. “Talvez fosse apenas para alimentação, mas também poderia ser simbólico. As hipóteses estão abertas”, diz Rougier.

Com informações: AFP

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