Diário Científico

Categoria: Evolução


01:33 · 18.04.2012 / atualizado às 04:33 · 21.04.2012 por
Babuínos e humanos estão separados por 25 milhões de anos de evolução, mas ambos são capazes de reconhecer palavras escritas, embora eles não possam entender o sentido delas Imagem: Its Nature.org

Os babuínos (nome genérico que abrange cinco espécies de macacos africanos) são capazes de diferenciar palavras de letras embaralhadas sem sentido, desde que treinados. É o que aponta o estudo de cientistas da Universidade Aix-Marseille, na França.

Separados há mais 25 milhões de anos da nossa linhagem evolutiva (no fim do Oligoceno), os babuínos foram capazes de diferenciar com até 75% de precisão palavras reais, após serem apresentados a 25 palavras curtas de quatro palavras e a 50 sequências de letras que não formavam palavras.

Depois as palavras foram  repetidas e associadas a uma cruz, enquanto as letras embaralhadas também foram repetidas e associadas a um círculo. O passo seguinte foi submeter os babuínos ao teste de apertar numa tela de computador, estilo touch screen, a cruz na medida em que vissem as palavras existentes e o círculo quando vissem as sequências aleatórias de letras, em troca de uma recompensa em forma de comida.

Os pesquisadores concluíram que os princípios básicos que permitiram ao ser humano criar a escrita já estavam desenvolvidos em nossos ancestrais, pelo menos desde o surgimento dos cercopitecoideos, grupo de primatas que inclui os chamados “macacos do Velho Mundo”. “Nossos resultados demonstram que as aptidões básicas de processamento de ortografia podem ser adquiridas na ausência de representações linguísticas”, explicou o pesquisador Jonathan Grainger à tradicional revista Science.

Entender palavras envolve circuitos cerebrais que ajudam a diferenciar objetos 

O neurobiólogo norte-americano Michael Platt, comentando o estudo francês, sugeriu que os circuitos cerebrais envolvidos nessas habilidades de leitura devem ter evoluído nos primatas inicialmente apenas para aprimorar a diferenciação de objetos na natureza e que nos humanos acabou servindo, milhões de anos depois, para desenvolver a escrita (fato que ocorreu há cerca de 5500 anos e marca a divisão entre Pré-História e História).

“A ideia é que esses circuitos surgiram para apoiar o reconhecimento de objetosIsso significa saber que uma figueira não é um cafeeiro, por exemplo. Quando alguém aprende a escrever, um pedaço do circuito é cooptado para apoiar a função de leitura. Uma outra extensão dessa ideia é que os sistemas de escrita que melhor se conformam à maneira como o sistema visual remonta objetos têm mais chance de ser popularizados”, concluiu Platt.

16:44 · 05.04.2012 / atualizado às 04:40 · 21.04.2012 por
Homo erectus, provável ancestral direto da nossa espécie deve ter sido o descobridor do uso do fogo há cerca de 1 milhão de anos Ilustração: Golden Rule

Cientistas ligados a universidades de cinco países descobriram em uma caverna na África do Sul, fragmentos de ossos queimados de animais , de ferramentas de pedra e indícios de fogueiras datados de cerca de um milhão de anos atrás.

A descoberta indica que pelo menos 300 mil anos antes do que se imaginava, nossos ancestrais já sabiam como produzir fagulhas e acender fogueiras ou tochas. O estudo foi publicado no jornal científico Proceedings of the National Academy of Sciences.

A caverna Wonderwerk, onde foram encontradas as evidêncis arquelógicas (localizada na região norte-central da África do Sul), já havia sido alvo de escavações anteriores que indicavam registro considerável de ocupação humana.

Entre os vestígios mais antigos há cinzas de vegetais e restos que sugerem uma queima controlada e não um incêndio florestal natural, indicando que foram feitas fogueiras pequenas e próximas à entrada da caverna.

“Ancestrais humanos tão remotos quanto o Homo erectus podem ter começado a usar o fogo como parte de seu estilo de vida”, explicou o antropólogo Michel Chazan, da Universidade de Toronto (Canadá), co-diretor do projeto.

“O controle do fogo teria sido uma grande reviravolta na evolução humana. O impacto do cozimento da comida é bem documentado, mas o impacto do controle do fogo teria influenciado todos os elementos da sociedade humana. Socializar em torno de uma fogueira deve ter sido um aspecto essencial do que faz de nós humanos”, acrescentou o antropólogo.

Além de cientistas do Canadá participaram da pesquisa, especialistas da Universidade de Boston, nos Estados Unidos;  da Academia de Ciências e Humanidades de Heidelberg, na Alemanha; da Universidade Hebraica de Jerusalém, em Israel, e da Universidade de Witwatersrand, em Johannesburgo, na própria África do Sul.

Quem eram os “inventores” do fogo

O Homo erectus é um representante do nosso gênero que é provavelmente o ancestral direto da nossa espécie. No entanto, com várias subespécies espalhadas pela África, Ásia e Europa, na pré-história, ainda não se chegou a um consenso na comunidade científica sobre qual delas nos deu origem, sendo mais aceita a vertente africana.

Ele surgiu há cerca de 1,8 milhão de anos e pode ter sobrevivido na Indonésia até 50 mil anos atras, tendo coabitado o planeta com seu descendentes (nós) por até 350 mil anos, caso estejam corretos os novos estudos israelenses, que indicam a nossa origem há 400 mil anos e não há 200 mil como se pensava antes.

Sua anatomia de pernas e braços longos e cérebros bem desenvolvidos  lembram os dos humanos modernos. A espécie extinta também parece ter dado origem aos homens de Neandertal (possivelmente uma subespécie humana) e ao Homo florisiensis, ou hobbit (esse de posição mais controversa na árvore genealógica humana).

 

02:20 · 16.03.2012 / atualizado às 05:23 · 16.03.2012 por
Povo do cervo vermelho pode representar uma nova subespécie ou até mesmo uma nova espécie humana, anterior a nossa e que sobreviveu na China até 11 mil anos atrás Imagem: PLoS One

Cientistas australianos e chineses anunciaram que fósseis encontrados em duas cavernas em Mengzi e Longlin, no sudoeste da China, datados de até 14, 5 mil anos atrás, mostram traços mistos de formas humanas arcaicas e modernas nunca antes observadas. Ainda não se sabe se a descoberta se refere a uma nova espécie ou a uma nova subespécie.

A descoberta pode dar novas pistas sobre a evolução da nossa espécie (Homo sapiens) e como funcionava a dinâmica de migrações pelo continente asiático na pré-história, bem como sobre a convivência entre as diferentes espécies humanas. O estudo foi publicado na prestigiada revista científica norte-americana  “PLoS One”.

Antes dessa evidência, nunca havia sido encontrado fóssil humano não-moderno com menos de 100 mil anos no Leste Asiático e se acreditava que nessa região quando chegaram os humanos modernos já não havia mais nenhum remanescente de espécies antigas. “Esses novos fósseis podem ser de uma espécie antes desconhecida que sobreviveu até o final da Idade do Gelo, há 11 mil anos”, estimou o cientista australiano Darren Curnoe da Universidade de Nova Gales do Sul.

Outra possibilidade é que os fósseis estudados sejam de indivíduos remanescentes de uma  população de alguma subespécie desconhecida de Homo Sapiens que migrou da África para Ásia e que não tenha contribuição genética significativa para a nossa espécie atual. O possível novo “elo perdido” foi batizado de “povo dos cervos vermelhos” por ter sido encontrados restos desses animais com sinais de cozimento nas cavernas onde nossos parentes misteriosos viviam.

De acordo com Curnoe, “a descoberta do povo dos cervos vermelhos abre um novo capítulo na história da evolução humana – o asiático – e é uma história que só agora está começando a ser incluída”. De fato, pouco se sabe sobre a evolução humana no maior e mais populoso continente do mundo desde que nossos antepassados se fixaram por lá há 70 mil anos ou mais. As evidências fósseis humanas mais estudadas concentram-se na Europa e na África.

16:39 · 09.03.2012 / atualizado às 03:04 · 10.03.2012 por
Humanos têm 15% de genes mais parecidos com os dos gorilas que com os dos chimpanzés revela sequenciamento genético Imagem: The Prancing Papio

Os cientistas já sabiam que os gorilas só estavam mais afastados de nós na árvore  genealógica dos primatas que os chimpanzés e os bonobos (que na prática é outra espécie de chimpanzé), mas pesquisadores do Wellcome Trust Sanger Institute, no Reino Unido, descobriram essa semana que a proximidade entre nós e os maiores primatas vivos é ainda maior.

Na verdade, pelo menos 15% dos nossos genes parecem mais com os dos gorilas que com os dos chimpanzés, embora nos demais genes a nossa semelhança seja bem maior com estes que com aqueles. É o que revelam os sequenciamentos do DNA de três indivíduos da espécie gorila-do-ocidente (Gorilla gorilla) e um da subespécie gorila-do-oriente (Gorilla beringei).

O fato surpreende porque humanos e chimpanzés se separaram há 6 milhões de anos atrás na cadeia evolutiva, enquanto os gorilas se separaram dos dois há 10 milhões de anos e, em  tese, deveria apresentar mais diferenças de nós. Antes ainda, há 14 milhões de anos, o grupo de grandes primatas africanos se separou dos orangotangos asiáticos. O sequenciamento do DNA das duas espécies de gorila, encerra o mapeamento dos quatro grandes grupos de primatas vivos: humanos, chimpanzés (incluindo os bonobos), gorilas e orangotangos.

Os genes mais parecidos 

A maior parte dos genes comuns entre nós e gorilas não forma proteínas, ou seja estão inativos, mas entre os que estão ativos vale destacar alguns relacionados ao desenvolvimento cerebral e à audição. Quanto a esse último grupo de genes, a semelhança entre a velocidade da evolução nas duas espécies pode desmentir a teoria de que os “genes da audição” ajudaram a desenvolver a fala nos humanos, já que, evidentemente, gorilas não falam.

Esperanças de novas curas

Se as novas descobertas sobre os gorilas tornaram mais difícil a vida dos cientistas que pesquisam as origens da fala humana, pode ter tornado mais fácil a dos que pesquisam a cura de doenças cardíacas e da demência. Isso porque entre os nossos genes comuns aos gorilas, alguns que nos causam esses problemas de saúde estão inativos nos nossos parentes.  Descobrir porque isso ocorre pode ser metade (ou mais) do caminho para a cura dessas doenças.

 

17:48 · 16.02.2012 / atualizado às 17:54 · 16.02.2012 por
Imagem de arquivo da Nasa destaca localização do lago Vostok no continente da Antártida

A Rússia conseguiu uma proeza que pode ajudar na busca por vida extraterrestre nos próximos anos.

Uma equipe científica daquele país perfurou uma camada de gelo de quase 4 quilômetros e atingiu a parte líquida do lago Vostok, na Antártida. Essa é a  primeira vez que a humanidade conseguiu atingir uma fonte de água a essa profundidade abaixo de um manto de gelo.

O lago Vostok estava isolado do mundo exterior há 20 milhões de anos, quando o continente branco atingiu o extremo sul do planeta Terra a partir da movimentação das placas tectônicas. Mas ele deve ter se formado bem antes, segundo estudos: há 40 milhões de anos.

Mas o mais interessante e que está animando biólogos e astrobiólogos (que pesquisam vida alienígena) foi que há 3,6 quilômetros sob o gelo foram encontrado rastros de DNA de micróbios termófilos, seres que podem viver sob temperaturas extremas.

Além disso, encontrar formas de vida na região mais fria do mundo e abaixo de tanto gelo é por si só uma demonstração de como os seres vivos podem se adaptar a condições extremas. Vale lembrar que na estação russa de Vostok foi registrada a menor temperatura da história recente da Terra: -89,2 º C.

Essa temperatura recorde é comum em muitas regiões da superfície marciana. Por lá a máxima já registrada foi de 20º C (a máxima na Terra é de 59,9º C) e a mínima -140º C.  Além de Marte, alguns satélites naturais de Saturno e Júpiter podem abrigar lagos similares a Vostok, embora em condições ainda mais extremas.

Reconquista do orgulho russo? 

Para o cientista russo Valery Lukin, subdiretor do Instituto de Pesquisas Árticas e Antárticas, “os equipamentos usados para perfurar o gelo que cobria o lago e desenhados com esse único fim foram um sucesso, por isso essa tecnologia poderia ser utilizada agora para explorar outros planetas”.

O lago Vostok apelidado pelos pesquisadores de lago da vida, tem cerca de 15,6 mil km² (área equivalente a três regiões metropolitanas de Fortaleza) e quase mil metros de profundidade (só a parte líquida). A água de lá é provavelmente a mais pura do mundo e pode abrigar espécies de micróbios e até fósseis de seres desconhecidos.

Por enquanto, a honra de receber o primeiro frasco de água do Vostok  coube ao primeiro ministro russo Vladimir Putin. Aliás, a Rússia recebeu cumprimentos inclusive do Departamento de Defesa dos Estados Unidos.

Alguns dias antes desse anúncio, a Rússia comunicou a descoberta de outro lago  abaixo do gelo na Antártida, um pouco menor que o Vostok. As duas descobertas são um alento para comunidade científica daquele país que sofreu muitas críticas após o fracasso da sonda espacial Phobos-Grunt.

Nesse clima de volta da rivalidade com os norte-americanos, Lukin aproveitou para alfinetar os países ocidentais. “Nem tudo se faz com dinheiro. Sem conhecimento, entusiasmo e capacidade, é impossível. Tenho certeza de que nem a revista britânica Nature nem a americana Science publicarão nossas conquistas, mas isso não importa”, minimizou.

01:54 · 13.02.2012 / atualizado às 04:40 · 14.02.2012 por
Monosiga brevicollis, um coanoflagelado moderno, provavelmente similar aos primeiros ancestrais dos animais Imagem: Stephen Fairclough

Fechando nossa série sobre os animais ameaçados de extinção que vivem ou transitam pelo Ceará, hoje é dia de falar sobre os invertebrados.

Na divisão do reino animal, o grupo dos invertebrados é o mais numeroso tanto em número de espécies (que pode ir de 1 a 10 milhões) quanto de filos.

Aliás, mesmo no nosso filo, o dos Cordados, há alguns invertebrados. Eles também foram os primeiros animais a surgir em nosso planeta.

Embora haja mais dúvidas que certezas, alguns paleontólogos acreditam que os primeiros invertebrados tenham surgido há quase 1 bilhão de anos, compartilhando um ancestral comum com micro-organismos conhecidos como coanoflagelados.

Apesar desse possível passado tão distante, no registro fóssil só há indicações mais claras de animais semelhantes às esponjas há cerca de 665 milhões de anos.

Acredita-se que houve pouca diversificação dos invertebrados até mais ou menos os períodos Ediacarano e Cambriano (um intervalo entre 630 e 488 milhões de anos atrás).

Entre os diversos grupos de invertebrados, falaremos neste post de encerramento da série, dos equinodermos, insetos, crustáceos, moluscos e cnidários.

Equinodermos, surpreendentes parentes distantes

Fóssil de um crinóide pré-histórico, um dos primeiros equinodermos Imagem: Berengi

O  que nós e as estrelas-do-mar temos em comum? Se você pensou em responder “nada” ou” ambos somos animais”, saiba que há bem mais que isso.

Os equinodermos (estrelas-do-mar, os ouriços-do-mar e os pepinos-do-mar) são parentes distantes de todos os vertebrados. Eles surgiram no início do período Cambriano, entre 550 e 540 milhões de anos atrás.

Olhando à primeira vista as diferenças parecem muito grandes (e são), mas nas fases embrionárias surgem as semelhanças.

Assim como acontece com os humanos, os embriões dos equinodermos tem como primeira abertura o ânus e não  a boca, como acontece com a maioria dos outros invertebrados.

Outra semelhança curiosa é que tanto nos embriões deles quanto nos nossos, se forem separadas as quatro células iniciais, formadas após a fecundação, é possível formar quatro indivíduos diferentes! A grande diferença é que nos equinodermos, essa incrível capacidade de regeneração permanece por toda a vida.

Entre as principais características que diferenciam este grupo estão a presença de espinhos; a presença de um sistema nervoso radial simples (os neurônios não estão ligados a um cérebro) e o corpo pentarradial, ou seja,  dividido em cinco partes semelhantes.

Os equinodermos também são um grupo bastante diversificado. Há entre 7  mil e 70 mil espécies  vivas estimadas. Todas são marinhas.

No Ceará há onze espécies de equinodermos ameaçadas. Vamos conhecê-las!

Estrela do mar guianense (Echinaster  guyanensis)

Imagem: EOL.org

É uma estrela-do-mar que possui os braços moderadamente largos, com as extremidades arredondadas. Os espinhos são dispersos, afiados, curvos, especialmente nas placas marginais dos braços e alinhados de forma irregular

Quando vivo, esse animal possui coloração vermelho-escura. Já foram coletados espécimes desde a região litorânea até 106 m de profundidade. Não existem dados relacionados aos aspectos ecológicos e reprodutivos dessa espécie.

Está vulnerável à extinção devido à perda/degradação de seu habitat, caça/captura excessiva, poluição e perturbação humana.

Estrela-do-mar de espinho curto (Coscinasterias tenuispina)

Imagem: H2O Acquariofilia

É uma espécie de estrela-do-mar capaz de se reproduzir tanto sexualmente quanto assexuadamente, por  separação do disco central. Portanto, é comum encontrar indivíduos com braços assimétricos, variando de seis a nove.

Os espécimes brasileiros possuem uma coloração castanho-marrom-laranja. Este animal é encontrado desde a região entremarés até 165 m de profundidade, estando geralmente associado a fundos rochosos.

Possui uma distribuição geográfica ampla mas descontínua, em razão da marcante reprodução assexuada, que limita a capacidade de dispersão. O ciclo reprodutivo é anual, com um longo período de liberação de gametas.

Ocupa a posição de predador de topo, possuindo papel regulador nas comunidades litorâneas de invertebrados, principalmente mexilhões. Está vulnerável à extinção  por conta  da perda/degradação de habitat, poluição e perturbação humana.

Estrela-do-mar cingulada (Astropecten cingulatus)

Imagem: EOL.org

É uma estrela-do-mar que possui cinco braços estreitos e longos. As placas marginais superiores são cobertas por grânulos. Os espaços presentes entre as placas possuem espinhos nas bordas.

A espécie difere de outras do gênero por possuir 3 espinhos nas placas marginais inferiores. O espinho do meio é grande, robusto e curva-se levemente na direção do espaço entre as placas.

As placas em volta da boca são pequenas e estreitas, cobertas por espinhos. Ocorre em fundos arenosos ou lamosos da região litorânea até 50 m de profundidade

Está vulnerável  à extinção por conta da perda/degradação de habitat, poluição e perturbação humana.

Estrela-do-mar marginal (Astropecten marginatus)

Imagem: ICMBio

Possui corpo fino e achatado. A área do disco é relativamente maior do que nas outras espécies do mesmo gênero.

Difere delas também por possuir dois espinhos nas placas marginais inferiores.

São considerados predadores carnívoros.

A espécie possui braços curtos, triangulares e pontiagudos. As placas marginais superiores são bem desenvolvidas e cobertas por pequenos grânulos espaçados. A borda possui espinhos uniformes. Habitantes de fundos arenosos ou lamosos, podem ser encontrados em profundidades de 6 a 130 m.

Assim como as estrelas-do-mar  anteriores está vulnerável  por causa da caça/captura excessiva, perda/degradação de habitat, poluição, perturbação humana.

Estrela do mar gradeada ( Luidia clathrata)

Imagem: SMS.si

É uma estrela-do-mar com a superfície superior de cor cinza azulada, com uma faixa superior mediana mais escura. Alguns espécimes podem apresentar cor rosada ou marrom claro, ao invés de cinza. A superfície ventral é de cor creme.

A espécie costuma enterrar-se no solo para fugir da luz. Sobrevive em águas com baixa salinidade, com valores de até 14%. São predadores muito ágeis, principalmente de moluscos, crustáceos e outros equinodermos, mas alimentam-se também de animais mortos e restos orgânicos.

A espécie possui um disco central pequeno e cinco braços longos e achatados. A distância entre o centro do disco e a ponta dos braços pode chegar a 16 cm. O comprimento do braço é de duas a três vezes maior do que o diâmetro do disco.

As populações vêm apresentando redução, sendo estimadas em menos de 1.000 indivíduos adultos, apesar disso estão classificadas apenas como vulneráveis à extinção. Os principais fatores de risco são a poluição e a mortalidade acidental.

Estrela do mar de Ludwigi (Luidia ludwigi)

É uma estrela-do-mar que tem a superfície superior do disco central com manchas na cor rosa escuro e bandas transversais do mesmo tom nos braços, por vezes unidas por uma faixa central contínua. A superfície ventral é de cor creme.

Pequena, a distância entre o centro do disco e a ponta dos braços pode chegar ano máximo 9  cm. Os pés ambulacrais terminam em ponta, sem ventosas.

São predadores, alimentando-se de moluscos, crustáceos e outros equinodermos. São encontrados tanto em fundos de areia grossa quanto de areia fina.

As populações vêm apresentando redução, sendo estimadas em menos de 1.000 indivíduos adultos, assim como sua parente acima., mas é bem mais difícil de ser avistada. Tanto que das 55 espécies que descrevemos na série foi a única que não conseguimos imagem.

Está vulnerável ao desaparecimento devido à poluição e mortalidade acidental.

Estrela-do-mar senegalense ( Luidia senegalensis)

Imagem: Jax Shells

É uma estrela-do-mar com a superfície superior de cor cinza azulada ou esverdeada, com as bordas dos braços esbranquiçadas. A superfície inferior é creme ou branca. O disco central é pequeno e arredondado.

A espécie possui 9 braços longos e achatados, raramente 8. A distância entre o centro do disco e a ponta dos braços pode chegar a 25 cm. Os pés ambulacrais são longos e terminam em ponta, sem ventosas.

É geralmente encontrada em locais de águas calmas. É uma predadora voraz de uma grande variedade de presas, especialmente dos moluscos. Pode predar outras espécies de equinodermos e pode ser predada por outras estrelas-do-mar e por aves marinhas, na maré baixa.

A poluição e a mortalidade acidental a colocam como vulnerável à sumir da face da Terra.

Estrela -do- mar espinhosa  ( Echinaster echinophorus )

Imagem: Tol Web

Possui coloração avermelhada. Pode ser encontrada desde a região entremarés até mais de 55 m de profundidade.

Apesar de ser comum em nosso litoral, a espécie está mal definida na literatura científica, havendo muita confusão a respeito da identificação das espécies do gênero.

É uma espécie pequena: a distância entre o meio do disco e a extremidade distal do braço alcança 5 cm.

Os braços são curtos e grossos e possuem, na superfície oposta à boca, 2 faixas irregulares de espinhos grandes e fortes (de 2 a 3 mm), pouco numerosos e espaçados entre si. Na região da boca, há 3 séries de espinhos. Possuem 5 braços, mas já foram coletados espécimes com 3 ou 6 braços.

Alimentam-se de organismos incrustantes e restos orgânicos depositados no fundo oceânico.

A perda/degradação de habitat, a  caça/captura excessiva e a  poluição a deixam vulnerável à extinção.

Estrela-do-mar reticulada ( Oreaster reticulatus)

Imagem: SMS.si

É a estrela-do-mar mais ameaçada de extinção entre as que habitam nosso litoral, sendo a única classificada como em perigo.  Os principais fatores por trás  dessa triste situação são a poluição e a caça/captura excessiva.

Tem cor variável, mesmo entre indivíduos da mesma população. Os jovens apresentam a superfície superior manchada de verde, marrom, marrom-amarelado e cinza. Nos adultos, a superfície superior é amarela, marrom ou laranja. A superfície inferior, tanto nos jovens como nos adultos, é bege ou creme.

A espécie possui disco central é grande, robusto e muito elevado no centro. Possui 5 braços curtos, contínuos com o disco central. A distância entre o centro do disco e a ponta dos braços pode chegar a 25 cm.

O esqueleto é reticulado. Possui pés ambulacrais são bem definidos, terminando em ventosas.

Alimenta-se de micro-organismos e matéria orgânica particulada, mas é capaz de predar esponjas e outros equinodermos. Os jovens podem ser predados por peixes.

Pepino-do-mar chocolate  (Isostichopus badionotus)

Imagem: Reef Guide

Os indivíduos adultos desta espécie podem atingir até 60 cm de comprimento. Possuem a boca situada na região ventral, sendo circundada por cerca de 20 tentáculos em forma de escudo.

É um animal robusto. Indivíduos de cor laranja, amarelo, vermelho, marrom ou púrpura são comuns.

A superfície dorsal apresenta diversas projeções, marrom-escuras. Apresentam um corpo longo e achatado, com uma sola ventral bem demarcada, na qual os pés ambulacrais se encontram dispostos em três faixas. A parede do corpo é espessa e rígida, liberando um muco viscoso quando o animal é perturbado.

Pode ser encontrada do nível da maré baixa até cerca de 65 m de profundidade.

As populações vêm apresentando redução, sendo hoje estimadas em menos de 10.000 indivíduos adultos.

Por essa razão está classificada como vulnerável à extinção, devido à caça/captura excessiva, poluição, perda/degradação de habitat.

Ouriço-satélite (Eucidaris tribuloides)

Imagem: Fins. Actwin

É um animal facilmente reconhecido pela carapaça globular. Tem espinhos compactos e cilíndricos arranjados em 10 séries verticais, terminando em uma pequena coroa de pequenos dentes. O diâmetro total, incluindo os espinhos, pode alcançar até 13 cm.

A cor da carapaça da espécie varia do castanho claro ao castanho avermelhado. Os pés ambulacrais apresentam tom castanho claro, sendo os da região próxima à boca bem desenvolvidos em discos brancos.

Essa espécie pode ser encontrada em profundidades entre 0 e 800 m, embora seja mais comum na zona até 50 m, em pequenos buracos nos recifes de corais, em áreas cobertas por algas e embaixo das rochas.

Onívora, essa espécie tem hábito alimentar que varia conforme a disponibilidade de alimento no ambiente.

A caça/captura excessiva, poluição, perturbação humana colocam esse animal na categoria de vulnerável ao desaparecimento.

Insetos, o grupo mais numeroso também tem espécies ameaçadas

Os insetos, assim como o grupo que falaremos a seguir, os crustáceos, pertencem ao filo dos artrópodes, talvez o grupo de invertebrados com espécies mais complexas e inteligentes. Aliás, os dois grupos tem um grau de parentesco comparável ao que há entre mamíferos e répteis, por exemplo.

O corpo dos insetos é dividido em cabeça, tórax e abdome. Possuem 3 pares de pernas, um ou dois pares de asas, um par de antenas e um par de olhos compostos.

A classe dos insetos é o grupo mais diversificado entre todos os animais com cerca de 750 mil espécies descritas e outras 5 a 10 milhões estimadas.

Surgiram no período Devoniano, há 396 milhões de anos atrás, quando os peixes dominavam os mares e os anfíbios ainda não tinham surgido na Terra. A relativa falta de predadores terrestres na época em que apareceram talvez seja exatamente a melhor explicação para serem tão numerosos.

Apesar disso existem espécies e subespécies de insetos ameaçadas de extinção, inclusive na sua ordem mais numerosa, a dos coleópteros (os besouros).  No Ceará, uma subespécie em particular pode sumir. Saiba mais sobre ela:

Besouro-de-chifre (Megasoma gyas rumbucheri)

Imagem: New World Scarable Beetles

É uma subespécie historicamente considerada rara, caracterizada por ter estruturas similares a pêlos  aveludados e pelo chifre do macho que é estreito e alongado.

Os machos dessa espécie medem de 5 a 9,2 cm de comprimento, e as fêmeas de 4,5 a 5,5 cm, já que não têm chifre. Está distribuído em áreas de caatinga e de transição para o cerrado.

Suas larvas devem se desenvolver em troncos em decomposição de grande calibre, associados a solos ricos em húmus. Os adultos são atraídos por luz à noite em determinadas épocas do ano.

A perda/degradação de habitat e alguns fatores característicos da própria subespécie a deixam vulnerável ao sumiço em nosso planeta.

Crustáceos, importância na alimentação humana põe grupo em risco

Como vimos acima, os crustáceos são parentes relativamente próximos dos insetos, sendo bem mais antigos. Surgiram no Cambriano há 511 milhões de anos.

Também são bem menos numerosos, sendo descritas cerca de 67 mil espécies marinhas, de água doce e até terrestres. Receberam este nome por causa da composição do seu exoesqueleto de carbonato de cálcio, que forma uma crosta. O corpo desses animais é dividido em cabeça, tórax e abdome, ou em cefalotórax e abdome. Possuem 5 pares de apêndices, 2 pares de antenas na região cefálica, que é característica distintiva destes animais.

Os crustáceos mais conhecidos são chamados popularmente de camarões, siris, caranguejos e lagostas e estão entre os invertebrados mais consumidos pelo homem, daí ser comum encontrar espécies ameaçadas de extinção devido à captura excessiva. No Ceará, apesar do famoso período de defeso da lagosta as espécies que correm mais risco de desaparecer são dois camarões e um caranguejo. Descubra mais sobre elas:

Coruca (Atya scabra)

Imagem: Selas.us

É um camarão de água doce cujos adultos ocorrem em rios com leito pedregoso, água de velocidade elevada, límpida, apresentando teor elevado de oxigênio dissolvido. As larvas se desenvolvem na água salobra dos estuários.

Ocorre desde o nível do mar até 100 m de altitude. A região da cabeça tem espinhos antenais  proeminentes, mas possui espinhos em outras partes do corpo também.

A perda/degradação de habitat, poluição, perturbação humana, caça/captura excessiva o coloca como vulnerável à extinção.

Pitu (Macrobrachium carcinus)

Imagem: Acuaristas de Venezuela

Possui larvas que se desenvolvem em água salobra, nos estuários, enquanto os adultos vivem em água doce, de preferência em locais com correnteza, fundos rochosos ou arenosos.

A espécie durante o dia, procuram refúgio em qualquer tipo de abrigo que possa existir. Não costuma ocorrer em locais com altitude superior a 200 m.

Os adultos têm coloração escura, com faixas longitudinais cremes. Podem chegar a quase 50 cm de comprimento e pesar mais de 300 g. Porém, se reproduzem a partir do comprimento de 10 a 11 cm.

Assim como a espécie anterior está vulnerável ao desaparecimento por conta da perda/degradação de habitat, poluição e caça/captura excessiva.

Caranguejo-de-porcelana (Minyocerus angustus)

Imagem: Scielo.cl

É uma espécie marinha que se alimenta de restos de  comida deixados por estrelas-do-mar.

É encontrada desde a linha da baixa-mar até a profundidade de 59 m, em fundos arenosos.

As larvas se desenvolvem no plâncton marinho. Tem carapaça alongada, muito mais longa que larga.

Possui um forte espinho epibranquial. Os dedos têm cerca de 1/3 do comprimento da palma, tocando-se em toda a extensão.

Assim como as estrelas-do-mar em que se hospeda está vulnerável a desaparecer por conta da poluição e mortalidade acidental.

Moluscos: alimentação humana e ornamentação são ameaças

Como o próprio nome indica são animais de corpo mole (que pode ou não estar revestido por uma ou duas conchas). Exatamente por isso, é difícil determinar quando surgiram já que suas partes moles dificilmente fossilizam. As estimativas de seu surgimento ficam entre 555 e 530 milhões de anos atrás, entre o fim do Ediacarano e o início do período Cambriano. São parentes distantes dos anelídeos (minhocas, sanguessugas, dentre outros).

Mas já durante o Cambriano é certo que surgiram os principais grupos atuais incluindo os ancestrais dos modernos polvos (os mais inteligentes), caramujos e ostras. São bastante diversificados sendo descritas cerca de 85 mil espécies. Muitas delas são usadas na nossa alimentação e até mesmo na ornamentação, devido à beleza de muitas de suas conchas.

O corpo é dividido em cabeça, pé e massa visceral. A maioria dos representantes é marinha, mas existem muitas espécies de água doce e terrestres.

No Ceará, correm o risco de sumir três moluscos bivalves ( animais com duas conchas). Conheça-os melhor abaixo:

Prato (Anodontites trapesialis)

Imagem: Conchology Inc

É um dos maiores bivalves de água doce da América do Sul, alcançando em torno de 13 cm de comprimento, 6,5 cm de altura e é utilizado como adornos e enfeites e até mesmo na confecção de botões de madrepérola.

A espécie é encontrada em águas rasas com profundidade variando de 0,1 a 2,0 m, vive enterrado no solo argiloso, lodoso ou areno-lodoso, a uma profundidade de 15 a 20 cm. Não é encontrado em meio a cascalhos ou solos rochosos.

A concha é larga, trapezóide, de cor clara, castanha ou amarelada, brilhante e lisa. Internamente nacarada.

É hermafrodita e necessita de um hospedeiro intermediário para completar o ciclo reprodutivo. Sua larva, parasita peixes, fixando-se nas nadadeiras ou na epiderme, podendo provocar, inclusive, a morte do hospedeiro, dependendo do grau de parasitismo. Em ambiente natural, as infestações não comprometem as populações de peixes.

A espécie é utilizada para monitoramento biológico de pesticidas e metais pesados,  devido às características de ser um animal filtrador, sedentário, e ocupar os níveis mais baixos da cadeia alimentar, além de ter longevidade alta ( vive cerca de 15 anos).

A perturbação humana, e a introdução de espécie exótica (ou seja, que é original de outra região do mundo) em seus ambientes está colocando essa espécie em estado vulnerável à extinção.

Faquinha-truncada (Mycetopoda siliquosa)

Imagem: Galería Hispanoamericana

É uma das espécies mais amplamente distribuídas entre os bivalves de água doce da América do Sul.

Porém as populações vivem de forma um tanto isoladas, constituindo pequenos grupos de 10 a 12 indivíduos por m² e isso a deixa vulnerável a desaparecer.  Entre outros fatores de ameaça estão a introdução de espécie exótica, perda/degradação de habitat, poluição.

Distingue-se das demais espécies  de seu gênero pelo pé: uma vez distendido, forma um ângulo de 30 graus em relação ao eixo da concha.

A larva também é um parasita temporário de peixes. O animal apresenta vida séssil, passando a vida enterrado dentro de um orifício vertical, cavado em fundo argilo-arenoso compactado.

Fixa-se firmemente com o musculoso pé, que funciona como se fosse uma âncora. Sobrevive um tempo dentro de seu tubo, com a água armazenada. Tem concha alongada, fina, inflada, com as valvas entreabertas.

Búzio -de- chapéu (Lobatus goliath)

Imagem: Gastropods.com

É o maior representante da família dos estrombídeos, com a concha podendo apresentar até 40 cm de comprimento.

É espécie endêmica do Brasil, onde ocorre em águas rasas, do Nordeste, incluindo o Ceará, ao Espírito Santo. Sua concha é o símbolo utilizado pela Sociedade Brasileira de Malacologia (que estuda os moluscos).

Devido ao seu tamanho, o búzio-de-chapéu é bastante comercializado como peça decorativa e sua coleta predatória fez com que fosse proibido o seu comércio em todo o Nordeste do Brasil.

Anteriormente comum em feiras de artesanato nas praias cearenses, a espécie apresenta um declínio populacional, sendo incluída na lista de espécies ameaçadas de extinção, embora apenas como quase ameaçada.

Cnidários, um dos primeiros grupos animais ameaçado pelo aquecimento global

Estão entre os animais mais antigos, tendo surgido provavelmente há cerca de 580 milhões de anos, no Período Ediacarano, embora assim como os moluscos são de difícil fossilização e podem ser ainda mais antigos.

São animais muito simples. Possuem três camadas que constituem o corpo: epiderme (camada mais externa, com células sensoriais e cnidócitos), mesogleia  (camada gelatinosa que possui células nervosas formando um sistema nervoso difuso) e gastroderme (revestimento da cavidade digestiva).

Os tipos mais comuns de cnidários são as águas-vivas, os corais e as anêmonas. No total estão descritas cerca de 10 mil espécies. Todos esses grupos são bastante sensíveis às alterações ecológicas e podem ser afetados pelo aquecimento global e poluição dos mares. Algumas espécies também são exploradas comercialmente pelo aquarismo ou ornamentação.

No Ceará, há dois tipos de anêmonas ameaçadas. Saiba mais sobre elas:

Anêmona de tubo ceriantomorfa (Cerianthomorphe brasiliensis)

Imagem: ICMBio

São capazes de secretar, em minutos, novos tubos, quando deles se dissociam por alguma razão. O número de tentáculos marginais varia de 170 a 180 em espécimes maiores e 150 em espécimes menores, e atingem cerca de 4,5 cm de comprimento.

É uma anêmona solitária, que jamais se fixa solidamente ao fundo, já que, no estágio adulto, vive dentro de tubos, que se enterram em substratos lodosos. Estes tubos são secretados pelos pólipos e são resultantes da explosão de uma enorme quantidade de um tipo especial de célula conhecida como cnidócito.

Possui o comprimento da coluna que varia de 15 a 21 cm e a largura de 2,5 a 4,0 cm. A espécie é hermafrodita

Está bem ameaçada de extinção, sendo classificada como em perigo por conta da caça/captura excessiva.

Anêmona de tubo ceriantária (Cerianthus brasiliensis)

Imagem: Eol.org

O número de tentáculos marginais dessa espécie varia de 96 a 120 e estes podem atingir 6 cm de comprimento. Os tentáculos próximos à boca são menores, com cerca de 3 cm, dispostos em quatro ciclos irregulares, e são menos numerosos.

Assim como a espécie acima é uma anêmona solitária e apenas semi-fixa jamais se fixa solidamente ao fundo. A espécie tem coluna alongada, dilatando-se ligeira e gradualmente.

A coloração interna do tubo é grafite, azulada e brilhosa. Pequenos invertebrados podem viver também na parte interna dos tubos. Os tentáculos orais são esbranquiçados. A espécie é hermafrodita.

A caça/captura excessiva também a colocam em perigo de desaparecer.

Cabe então a nós evitar que essa e todas as outras 54 espécies não fiquem apenas na memória dos cearenses ou que sumam antes mesmo de as conhecermos!

 Com informações: ICMBio

05:37 · 10.02.2012 / atualizado às 01:51 · 11.02.2012 por

No terceiro post da série sobre as espécies animais ameaçadas de extinção que vivem ou transitam pelo território cearense. Chegou a vez de conhecermos melhor anfíbios e peixes, os ancestrais mais antigos dos vertebrados terrestres.

Há duas espécies de anfíbios e sete de peixes, sendo um peixe ósseo e seis peixes cartilaginosos, que correm risco de desaparecer da Terra, caso não sejam devidamente conhecidos e preservados.

Alguns tem localização muito restrita, vivendo apenas em um Estado ou município, mas outros viajam milhares de quilômetros pelo mundo todo. Em comum, no entanto, os grupos e espécies que mostraremos a seguir precisam da ajuda humana para sobreviver, nem que seja deixando-os viver em paz em seus respectivos territórios.

Anfíbios, os primeiros vertebrados a se aventurarem na terra firme

O Ictiostega deve ter sido um dos primeiros anfíbios, tendo vivido há cerca de 375 milhões de anos Imagem: Encyclopedia Britannica

Os anfíbios evoluíram no Período Devoniano (há cerca de 375 milhões de anos) e foram os predadores dominantes por pelo menos 100 milhões de anos até que começaram a perder espaço para seus descendentes os répteis.

Também foram muito afetados pela gigantesca extinção em massa que aconteceu no fim do Permiano (há 250 mihões de anos), quando a maioria das linhagens foi extinta.

Um pouco antes disso, há 290 milhões de anos, surgiram os ancestrais dos anfíbios modernos, tais como sapos e rãs, que sobreviveram a duas grandes extinções desde então.

Suas principais características incluem o fato de serem vertebrados pecilotérmicos (não mantém sozinhos sua própria temperatura) que não possuem bolsa amniótica e tem seu ciclo de vida dividido em duas fases: uma aquática e outra terrestre, apesar de haver exceções.

Na atualidade, estão identificadas cerca de seis mil espécies vivas de anfíbios, número aproximado ao de mamíferos e répteis, seus descendentes. Dessas, felizmente apenas duas espécies cearenses estão ameaçadas de extinção. Saiba mais sobre elas:

Rãzinha  (Adelophryne baturitensis )

Imagem: Arkive.org

É uma espécie endêmica do Ceará que habita folhiços em bromélias e beira de riachos. Foi catalogada apenas em 1994.

A espécie não é abundante na área de ocorrência, o que pode estar sendo afetado pelos longos períodos de ausência de chuva típicos do nosso clima.

Está classificada como vulnerável à extinção devido à perturbação humana, perda/degradação de habitat e por fatores naturais ligados aos próprios hábitos e características da espécie, bem como de seu habitat.

Rãzinha de Maranguape  (Adelophryne maranguapensis)

Imagem: Blog do Nurof

Assim como a espécie anterior, é observada no folhiço das bromélias, onde fazem posturas de 5 a6 ovos translúcidos. É comum observar os filhotes recém-eclodidos no local.

A espécie habita a Serra de Maranguape, onde grande parte da área foi substituída por plantio de bananeiras, porém o que traz esperança é que nos locais onde vive a espécie ela é registrada com frequência.

Apesar disso, sua situação é preocupante e está classificada como em perigo de extinção por conta de fatores como a perturbação humana e a perda/degradação de habitat.

PEIXES ÓSSEOS

Ilustração de um Cheiroleps, um dos primeiros peixes ósseos da Terra, que viveu há cerca de 400 milhões de anos Imagem: The Earth Through Time

Ao contrário do que acredita o senso comum, os peixes não formam um grupo único de animais, mas dois principais. O mais importante deles para a história da evolução humana é o grupo dos peixes ósseos, pois dele descendem anfíbios, répteis, aves e mamíferos como nós.

O grupo surgiu no período Siluriano (há 420 milhões de anos) e possui como diferencial de peixes mais primitivos, ossos, ou seja tecido ossificado internamente por substituição da cartilagem. Na linguagem popular, no entanto, os ossos desses peixes são conhecidos como espinhas.

Os peixes ósseos são os mais diversificados entre os vertebrados. São nada menos que 29 mil espécies. Nos mares cearenses há apenas uma espécie de peixe ósseo catalogada como em risco de extinção e ela é importante recurso na gastronomia local, a cioba. Saiba mais sobre ela:

Cioba (Lutjanus analis)

Imagem: Doug Perrine

É um peixe  presente no Atlântico Ocidental (incluindo mares cearenses) que pode chegar a 75 cm de comprimento. Tem coloração avermelhada com ventre mais claro e estrias escuras e douradas.

Em outras partes do Brasil, também é conhecido como areocó, ariocó, carapitanga, caraputanga, chioba, ciobinha, mulata, realito, vermelho-paramirim.

Em Portugal é conhecido simplesmente como pargo vermelho. É um peixe de carne muito saborosa e apreciada comercialmente.

Várias outras espécies do gênero Lutjanus são também conhecidas popularmente por cioba. Essa espécie está classificada apenas como “quase ameaçada”, devido principalmente à pesca excessiva.

PEIXES CARTILAGINOSOS

O Megalodon deve ter sido o maior peixe da Terra e um dos grandes rivais das baleias pré-históricas. Foi extinto há relativamente pouco tempo: 1,5 milhões de anos atrás Imagem: Wikipedia

Mais antigos que os peixes ósseos, surgiram há cerca de 461 milhões de anos. É o grupo que atinge as maiores dimensões na atualidade e compreende principalmente tubarões, raias e quimeras. O maior tubarão,o Megalodon, por exemplo, deve ter atingido perto de 25 metros e viveu entre 28 e 1,5 milhões de anos atrás.

São peixes geralmente oceânicos que possuem um esqueleto totalmente formado por cartilagem, mas coberta por um tecido específico, a cartilagem prismática calcificada.

Apresentam de 5a 7 fendas branquiais dos lados do corpo ou na região ventral da cabeça e gancho pélvico (também conhecido como clásper) um órgão de copulação dos machos. Podem ser ovíparos, ovovivíparos e até vivíparos (isso mesmo, alguns tubarões tem parto similar ao dos mamíferos).

Nas águas cearenses vivem  ou transitam seis espécies de peixes cartilaginosos, sendo cinco tubarões. Descubra mais sobre elas:

Tubarão-lixa (Ginglymostoma cirratum)

Imagem: Direct Sea Life

A espécie possui número de filhotes por parto varia entre 21 e 50. A alimentação é constituída basicamente de invertebrados bentônicos, como lagostas, camarões, caranguejos, ouriços-do-mar, polvos e moluscos.

É uma espécie caracterizada pelo corpo robusto,  cabeça achatada e barbilhões nasais que chegam até a boca. O comprimento máximo confirmado é de 3,08 metros e os filhotes nascem com 28 a 31 cm.

Ocorre em águas tropicais e subtropicais rasas, em habitat costeiro ou em plataformas insulares.

Os machos amadurecem com cerca de 2,25 m e entre 1 a 15 anos de idade, e as fêmeas entre 2,25 a 2,35 m e 15 a 20 anos de idade. A reprodução ocorre uma vez a cada 2 anos. São vivíparos.

É classificado como vulnerável à extinção devido à caça/captura excessiva e à perda/degradação de habitat.

Galha-branca-oceânico (Carcharhinus longimanus)

Imagem: MarineBio

Vive em zonas tropicais de águas quentes. Pode chegar a medir 4 metros e pesar até 168 quilos. É uma das três espécies que mais atacam seres humanos, daí serem mortos muitas vezes por pescadores.

O tubarão galha-branca-oceânico é relativamente corpulento. Seu focinho é curto e arredondado.  Seus dentes da maxila superior são triangulares com bordo serrilhados e os da inferior pontiagudos.

Em geral medem e pesam 2,5 m e 70 Kg, respectivamente. Os filhotes nascem com aproximadamente 60 e 65 cm. É classificado como vulnerável à extinção.

Tubarão-junteiro (Carcharhinus porosus)

Imagem: Florida Museum of Natural History

Há poucas informações sobre essa espécie, principalmente sobre seus hábitos em mares brasileiros.

Ela é classificada apenas como quase ameaçada, principalmente devido a esse relativo desconhecimento da comunidade científica.

Os machos podem medir cerca de 1,5 metros.

Ocorre do Golfo do México até o Brasil, incluindo o Ceará e também é observado no Oceano Pacífico do Golfo da Califórnia até o litoral do Peru.

Tubarão-toninha (Carcharhinus signatus)

Imagem: DiscoverLife

É uma espécie exclusiva do Oceano Atlântico, mas há poucas informações sobre seus hábitos e sua ocorrência no Ceará e no Brasil como um todo. Os machos podem medir até 2,8 metros.

Pode mergulhar até 600 m de profundidade em águas que oscilam entre 11 e 16 graus Celsius.

É observdo desde o litoral dos Estados Unidos, Caribes até a América do Sul e a costa da África.

É classificado como vulnerável à extinção.

Tubarão-baleia ( Rhincodon typus )

Imagem: Marine Bio

É a maior espécie de tubarão, identificada pelo corpo robusto, cabeça larga e achatada, boca em posição quase terminal e pela coloração, que inclui numerosas manchas e listras verticais.

O tamanho máximo reportado para esta espécie é de 20 m, pesando cerca de 35 toneladas. É encontrado em águas oceânicas. Apresenta comportamentos migratórios, incluindo passagens pela costa cearense.  Uma fêmea capturada em Taiwan continha 300 embriões medindo cerca de 55-60 cm.

A alimentação é constituída de grande variedade de organismos planctônicos e nectônicos, como crustáceos e pequenos peixes, os quais consome por uma estratégia de filtração e sucção.

É considerado como vulnerável à extinção.

Peixe-serra (Pristis pectinata)

Imagem: Critter Zone

É parente de tubarões e raias. Pode ser encontrado em estuários e ambientes costeiros e de manguezais, ocorrendo também em ambientes recifais.

O comprimento máximo observado na espécie é de 6 m. A espécie passou por um processo de redução de tamanho populacional muito rápido, sendo extirpado de grande parte de sua distribuição original no Atlântico.

É uma espécie caracterizada por uma expansão chamada de “serra” ou “catana”, que possui uma fileira de 23 a 30 dentes rostrais em cada um dos dois lados.

Possui o comprimento ao nascer de 75 a 85 cm; de maturidade, 2,7 m para machos e 3,6 m para fêmeas. A espécie é ovovivípara, com fecundidade variando em torno de 10 embriões

É classificado como em perigo de extinçã devido à caça/captura excessiva, perda/degradação de habitat.

Com Informações: ICMBio

05:26 · 09.02.2012 / atualizado às 01:09 · 23.02.2012 por
Archaeopteryx pode ter sido a primeira ave, sendo datada de 150 milhões de anos atrás. Mas restam dúvidas se não se tratava de um dinossauro de penas, ancestrais das chamadas aves verdadeiras. Imagem: Richard Owen

Dando continuidade a série, o Ceará Científico dedica um post inteiro às aves ameaçadas de extinção no Ceará. Sozinho, esse grupo animal responde por 27% de todas as espécies e subespécies cearenses (sejam endêmicas ou não) que correm risco de sumir da face da Terra.

As aves são animais vertebrados, bípedes, homeotérmicos, ovíparos, caracterizados principalmente por possuírem penas, asas, bico e ossos pneumáticos. Assim como os mamíferos, descendem dos répteis, mas de uma linhagem diferente: a dos diapsídeos, a mesma que deu origem também aos crocodilos e aos dinossauros. Aliás, são tidos como descendentes diretos de um grupo de dinossauros terópodes.

A primeira ave deve ter surgido no Jurássico Superior,  por volta de 150 milhões de anos atrás (bem depois do primeiro mamífero). Durante quase um século e meio se considerou o Archaeopteryx como o elo perdido entre répteis e aves, mas a descoberta de uma série de espécies de dinossauros com penas trouxe mais dúvidas que certezas sobre quando houve de fato a separação entre os dois grupos.

O fato é que as aves, ao contrário de seus primos gigantes, sobreviveram à grande extinção em massa do Cretáceo (ocorrida há 65 milhões de anos e hoje se diversificaram em mais de dez mil espécies. Quinze delas vivem ou transitam pelo nosso Estado e estão ameaçadas não mais por asteroides gigantes, mas pelo homem. Conheça mais sobre elas:

Soldadinho-do-araripe (Antilophia bokermanni)

Imagem: Aquasis / Divulgação

É uma das aves mais ameaçadas de extinção do planeta. Está classificado como criticamente em perigo devido à perda/degradação de habitat e o tráfico ilegal. A estimativa do tamanho populacional era de menos de 50 aves em 2008 (a mais recente feita).

A espécie habita as matas ciliares, que hoje em dia, são praticamente restritas às nascentes dos córregos situadas entre 300 e 600 m de altitude. É territorialista e majoritariamente frugívora (alimenta-se de frutos).

Seu sistema de acasalamento é não-promíscuo (tem parceiro fixo). Os ninhos são construídos pela fêmea, a pouca altura (cerca de 1 m), onde são postos 2 ovos.

Entre os predadores na região, destacam-se o sagüi, o gambá e as cobras, havendo parasitismo dos filhotes por larvas de insetos.

Periquito-cara-suja (Pyrrhura griseipectus)

Imagem: Aquasis / Divulgação

Assim como a espécie anterior está criticamente em perigo de extinção devido à perda/degradação de habitat e, principalmente, pelo tráfico ilegal.

Também é uma das três espécies priorizadas pelo trabalho de preservação da ONG Aquasis, ao lado do soldadinho-do-araripe e do peixe-boi-marinho, sendo considerado o periquito mais ameaçado das Américas.

Ao contrário do que se imaginava antes seu hábitat não é restrito às matas mais úmidas. Esta ave ocupa áreas com culturas agrícolas de impacto equivalente ao dos cafezais sombreados por floresta.

Em 2008, um casal foi observado nesse ambiente, no município de Guaramiranga, havendo o registro do nascimento de 4 filhotes em uma estação reprodutiva.

Trinta-réis real  (Thalasseus maximus )

Imagem: Biodiversity Nevis

É o maior dos trinta-réis que ocorrem no Brasil. Os trinta-réis “com crista” fazem freqüentemente a troca de locais de reprodução e agrupam os filhotes em “creches”, onde são cuidados por alguns adultos.

O período reprodutivo vai de junho a dezembro. A espécie não constrói ninhos elaborados, depositando um único ovo em pequenas depressões rasas na areia ou diretamente na rocha. Ambos os adultos defendem o ninho, incubam o ovo e cuidam do filhote, até mesmo por algum tempo depois que ele consegue voar.

Consomem pequenos peixes, lulas, camarões, caranguejos e insetos. Alimentam-se em águas rasas. Vivem prioritariamente no Rio Grande do Sul, mas, como aves migratórias que são, também transitam pelo território cearense, entre outros estados.

É classificado como vulnerável à extinção devido a predação, o turismo e o treinamento da Marinha em alguns locais onde se reproduzem.

Pica-pau-anão-da-caatinga – (Picumnus limae)

Imagem: Arthur Grosset / The Internet Bird Collection

A área de ocorrência dessa espécie deve corresponder a aproximadamente 10 milhões de hectares, o equivalente ao Estado de Pernambuco.

Habita também áreas de sertão e de serras. Mas apesar da  ser relativamente adaptável a diferentes ambientes está classificado como em perigo de extinção devido a perda/degradação de habitat e à distribuição restrita.

Este pica-pau não necessita de árvores espessas para construir seu ninho e pode ser observado em áreas degradadas, inclusive na zona urbana de Fortaleza.

Uru-do-nordeste (Odontophorus capueira plumbeicollis)

Imagem: Josep del Oyo

Essa subespécie também está classificada como em perigo de desaparecer devido principalmente pela perda/degradação de seu habitat. Procriam nos primeiros meses do ano, no período seco.

Ocorre em altitudes que variam de 16 m até 700 m acima do nível do mar. A espécie habita áreas de florestas primárias ou em bom estado de conservação.

Vive no solo das florestas mais densas e escuras, onde é vista aos pares ou em grupos familiares.  Alimenta-se de frutos e insetos.

“Cantam” em duetos, pela manhã, perto de seus poleiros,  demonstrando territorialidade.

Cuspidor-do-nordeste (Conopophaga lineata cearae)

Imagem: World Wildlife Images

Esta ave foi descrita em 1913, no Ceará, como sendo uma espécie plena, mas atualmente é considerada como uma subespécie de Conopophaga lineata.

Habita as florestas úmidas buscando insetos e frutos. Tolera áreas degradadas em regeneração, chegando a construir ninhos nessas regiões.

Apresentam grande diferença física entre macho e fêmea, mas ambos cuidam da criação dos filhotes, que são geralmente dois. Os ninhos são construídos em uma altura máxima de 2 m, mas são encontrados próximos ao solo.

Durante o acasalamento, os machos exibem-se produzindo ruídos nas penas modificadas das asas e são mais ouvidos no crepúsculo. Nesse horário, o macho exibe um supercílio branco, que se destaca no escuro da vegetação.

Está classificado como vulnerável à extinção por conta da perda/degradação de seu habitat.

Araponga-do-nordeste (Procnias averano averano)

Imagem: Sinopinion

Esta subespécie de araponga é endêmica do Brasil, sendo encontrada desde o Maranhão e norte de Tocantins até Alagoas e também no Ceará.

A espécie apresenta uma notável diferença sexual na plumagem, sendo os machos brancos, com a cabeça marrom, apresentando também, expansões carnosas que lembram uma barba. As fêmeas e os jovens possuem plumagem discreta, sendo esverdeadas com estrias negras amarronzadas.

Habita as copas das árvores altas, de onde os machos demarcam os seus territórios emitindo um canto típico, semelhante a uma forte martelada metálica, que pode se estender por alguns minutos.

Engole pequenos frutos inteiros, dispersando as sementes pela regurgitação ou pelas fezes. Parece ser pouco tolerante a ambientes alterados e, por conta disso, e do tráfico ilegal está vulnerável à extinção.

Arapaçu-do-nordeste (Xiphocolaptes falcirostris)

Imagem: Tree of life

Endêmico do interior do Brasil, habitando principalmente porções não litorâneas do Nordeste (incluindo o Ceará) e do Brasil Central. A espécie habita as matas secas.

É um pássaro que mede pouco menos de 30 cm. Apresenta coloração ferruginosa, com várias faixas  nas costas e no ventre, sob fundo marrom-claro, um pouco mais escuro no peito.

O bico é longo e forte.  Vive aos pares, solitariamente ou formando pequenos grupos familiares, percorrendo o interior das matas, escalando as árvores à procura de seu alimento, que é localizado por debaixo das cascas. Alimenta-se de insetos, larvas, caramujos, aranhas e outros itens.

Também está classificado como vulnerável à extinção dada a perda/degradação de seu habitat.

Arapaçu-de-garganta-amarela-do-nordeste (Xiphorhynchus fuscus atlanticus)

Imagem: Josep del Hoyo

É um pássaro que ocorre em florestas úmidas da Mata Atlântica do Nordeste, incluindo o Ceará. Sua presença em fragmentos florestais está mais associada às condições da vegetação do que simplesmente ao seu tamanho.

Um estudo feito em Alagoas mostrou que essa subespécie esteve presente em apenas dois de 15 fragmentos amostrados, que são os maiores e com a vegetação em melhor estado de conservação.

Pode viver em companhia de outras espécies integrando bandos mistos de aves. Constrói seus ninhos em cavidades com entrada próxima ao solo, colocando entre 2 e 3 ovos, que medem em média 25 x 18 mm. Aparentemente, os machos não participam da incubação

Assim como a maioria das aves ameaçadas de extinção no Ceará é classificado como vulnerável, por conta da  perda/degradação de seu habitat.

Furriel-do-nordeste (Caryothraustes canadensis frontalis)

Imagem: The Internet Bird Collection

É onívoro, alimenta-se tanto de insetos quanto de frutos, sementes e folhas. Geralmente, a subespécie forma grupos de 4 até 15 indivíduos, associando-se pouco a bandos mistos.

É um pássaro de hábitos ainda pouco  conhecidos.

Freqüenta as copas das árvores e bordas mais densas, onde é comum ser observado a pequena altura do solo.  Foi encontrado desde próximo ao nível do mar até 590 m.

É outra ave que está classificada como vulnerável à ameaça de extinção através da perda/degradação de habitat e também pelo tráfico ilegal.

Pintor-da-serra-de-baturité (Tangara cyanocephala cearensis)

Imagem: Arthur Grosset

É uma ave restrita ao Ceará, normalmente observada acima dos 500 m de altitude, onde existe maior oferta de frutos e temperatura amena.

Alimenta-se de frutos,  em pequenos grupos, às vezes em bandos mistos. Não é muito exigente quanto à qualidade do habitat, ocupando áreas de cultura de café sombreadas por floresta, lavouras similares e sítios, aonde chega a construir ninhos.

Os machos apresentam um manto negro nas costas, que nas fêmeas tem pintas verdes. Sua capacidade de deslocamento entre fragmentos é considerável e pode ser reproduzida em cativeiro.

Apesar disso, está classificado como em perigo de extinção, principalmente pelo tráfico ilegal.

Pintassilgo-baiano (Carduelis yarrellii)

Imagem: Les Tarins Americains

Apesar do nome popular também ocorre no Ceará. É um pássaro com cerca de 10 cm de comprimento, o macho se distingue do pintassilgo comum por possuir um “boné” negro (que não está presente nas fêmeas) tendo quase todo o restante do corpo na cor amarela.

Habita capoeiras e bordas de mata da Caatinga e Mata Atlântica. Alimenta-se basicamente de grãos. Está classificado como vulnerável  à extinção devido à perda/degradação de habitat e o tráfico ilegal.

Machos das duas espécies brasileiras de pintassilgo são cruzados com fêmeas do canário-do-reino (Serinus canaria) e o híbrido obtido, chamado pintagol, é muito apreciado por causa do seu canto.

Vira-folhas-cearense (Sclerurus scansor cearensis)

Imagem: Nich Athanas

A subespécie é relativamente comum nas florestas serranas cearenses.

Vive no solo, tanto nas matas secas quanto nas matas úmidas, revirando folhas em busca de artrópodes (insetos, aranhas, centopeias, etc).

Essas aves são encontradas aos pares e não apresentam diferença considerável entre machos e fêmeas, reproduzindo-se em barrancos, onde escavam seus ninhos.

Está  vulnerável à extinção basicamente devido à perda/degradação de seu habitat.

Choca-da-mata-de-Baturité (Thamnophilus caerulescens cearensis)

Imagem: Nick Athanas

Esta subespécie está classificada como em perigo de desaparecer por conta da perda/degradação de seu habitat.

Há ainda pouco conhecimento sobre seus hábitos.

Sabe-se, no entanto, que este pássaro habita a mata úmida, na serra de Baturité, acima dos 600 m.

Alimenta-se de insetos e desce às partes rasteiras da mata em menor freqüência.

 

Maria-do-nordeste (Hemitriccus mirandae)

Imagem: Arthur Grosset

Essa é outra ave bastante ameaçada de extinção, sendo classificada como estando em perigo por conta da perda/degradação de seu habitat.

A espécie habita altitudes entre 58 m até 980 m acima do nível do mar. É um pequeno pássaro de plumagem predominantemente esverdeada nas costas e bege levemente amarelado na barriga.

Mede cerca de 10 cm e é um típico representante do sub-bosque das florestas densas e bem preservadas do Nordeste brasileiro, incluindo o Ceará.

Pode “cantar” durante muito tempo, ficando completamente imóvel em um galho, interrompendo apenas para capturar insetos, por meio de vôos rápidos de assalto.

Com Informações: ICMBio

 

07:52 · 08.02.2012 / atualizado às 23:05 · 12.02.2012 por

“Conhecer para preservar; preservar para conhecer”.

O antigo ditado ambientalista serviu de inspiração para a primeira sequência de reportagens do Ceará Científico.

Trata-se da série “Fauna: o  Ceará (ainda) tem disso sim!”, que tem como base de partida a matéria Ceará tem 55 espécies animais ameaçadas de extinção, publicada, também nesta quarta-feira (08), na versão online do caderno Regional.

Nos próximos quatro dias, nosso blog apresentará 55 espécies animais listadas como ameaçadas de extinção pelo Ministério do Meio Ambiente e que têm ocorrência observada ou prevista em nosso Estado.

São sete espécies de mamíferos, quinze de aves, quatro de répteis, duas de anfíbios, sete de peixes, uma de inseto, três de crustáceos, três de moluscos, duas de cnidários e onze de equinodermos. A cada dia vamos trazer informações sobre um ou mais grupos de animais e as espécies ameaçadas que vivem em terras alencarinas.

Hoje, vamos conhecer mamíferos e répteis ameaçados de extinção.  Quinta-feira é a vez das aves. Já na sexta-feira, mostraremos os anfíbios e os peixes. E para fechar, na segunda-feira (13), conheceremos os invertebrados que correm mais risco de desaparecer no Ceará.

Mamíferos, nossos parentes mais próximos

A espécie Hadrocodium wui, pode ser um dos mais antigos mamíferos; fósseis foram datados como sendo de 195 milhões de anos atrás. Imagem: American Association for the Advancement of Science

Os mamíferos são animais vertebrados, que se caracterizam pela presença de glândulas mamárias e pêlos. Já foram catalogadas pouco mais de 5,5 mil espécies.

Os mamíferos atuais descendem dos sinapsídeos, répteis que surgiram no Carbonífero Superior (há aproximadamente 300 milhões de anos). Mas os primeiros mamíferos verdadeiros apareceram no período Triássico (há 220 milhões de anos atrás).

No entanto, foi só após a extinção em massa de dinossauros (ocorrida há 65 milhões de anos) e outros grandes grupos que os mamíferos puderam alcançar seu auge.

Apesar disso, um pouco antes (há 70 milhões de anos) já existiam os primeiros primatas, nossos ancestrais mais proximos.

O homem moderno surgiu entre 200 e 400 mil anos atrás, mas os primeiros hominídeos podem ter surgido perto de 4 milhões de anos no passado.

No Ceará, vivem (ou transitam em nosso território) sete mamíferos ameaçados de extinção. Há um canídeo (recém-descoberto), três felídeos,  um sirênio, um quiróptero e um cetáceo.

Vamos conhecê-los um pouco melhor:

Cachorro-vinagre (Speothos venaticus)

Foto: UFPB/Divulgação

É o mais recentemente descoberto em terras cearenses, mais precisamente no município de Aratuba. Trata-se de um canídeo com corpo atarracado, orelhas, pernas e cauda bem curtas.

Seu comprimento médio é de 86,6 cm e o peso fica entre 5 e 7 kg. A coloração varia entre o marrom claro e o escuro. A gestação é de 67 dias, após a qual nascem de 3 a 4  filhotes.  A espécie é encontrada  até 1.500 m de altitude.  A dieta é altamente carnívora.

Está ameaçado pelo desmatamento, pela fragmentação e alteração de habitats, por doenças e pela caça. A espécie é classificada como vulnerável quanto ao risco de extinção, mas as populações no Ceará devem ser extremamente raras.

Gato-maracajá  (Leopardus tigrinus)

Imagem: Animal Earth

É a menor espécie de felino (ou felídeo) encontrada no Brasil e também uma das menos conhecidas. Tem porte semelhante ao do gato doméstico, podendo atingir  de 60, 4 cm até 82, 9 cm de comprimento e pesar de 1,5 a 3,5 kg.

A cor de fundo da espécie varia entre o amarelo-claro e o castanho-amarelado, sendo que não é incomum encontrar indivíduos completamente negros. As manchas são encontradas com grandes variações em suas formas e tamanhos, assim como na coloração de fundo.

Os filhotes nascem após uma gestação de 73 a 78 dias, podendo chegar a até 4. Ocorre desde o nível do mar a até 3.353 m de altitude. A dieta inclui pequenos mamíferos e lagartos.

Está ameaçado principalmente pela perda/fragmentação do habitat e tráfico ilegal e está em situação vulnerável, quanto ao grau de risco de desaparecer.

Jaguatirica (Leopardus pardalis mitis)

Imagem: Feline Conservation Trust

A jaguatirica tende a ser a espécie de felino dominante nas áreas de cobertura vegetal mais densa, especialmente nas matas úmidas que ocorrem desde o nível do mar até 3.800 m.

Tem corpo esbelto, cabeça e patas grandes e cauda pouco curta, caracterizada pela presença de manchas, numa pelagem de fundo amarelo-ocráceo. O comprimento pode atingir até 1,46 metros e o peso até 15,1 kg.

O período de gestação varia entre 70 e 85 dias, após o qual nascem de 1 a 4 filhotes. O potencial reprodutivo máximo de uma fêmea de sete anos, em vida livre, é de 5 a 7 filhotes. São solitários e noturnos.  Carnívora, come em média cerca de 700 g por dia.

Assim como as duas espécies anteriores é classificada como vulnerável ao risco de extinção e está ameaçada principalmente pela erda/alteração de habitat e pela caça.

Onça parda (Puma concolor greeni)

Imagem: ICMBio

É um felino de grande porte com coloração variando do marrom-acinzentado mais claro ao marrom-avermelhado mais escuro, com a ponta da cauda preta, podendo também apresentar uma linha escura na extremidade dorsal (costas).

O comprimento total para a espécie pode chegar até 2,30 metros, sendo que a cauda representa cerca de 35% deste total. O peso para animais adultos varia entre 34 a 48 kg para fêmeas e de 53 a 72 kg para machos.

Tem hábito crepuscular /noturno e é um dos carnívoros mais generalistas, apresentando uma dieta variada. Come desde pequenos mamíferos, répteis e aves, até presas maiores, como a capivara, e animais domésticos, como eqüinos, ovinos, bovinos e suínos.

A espécie ocorre em grande diversidade de biomas, do nível do mar até 5.800 m de altitude, em quase toda a América. Mas essa subespécie que ocorre no Ceará e em outras partes do Brasil também está vulnerável à extinção e é ameaçada pela perda/degradação de habitat e caça.

Morcego do nariz-achatado (Platyrrhinus recifinus)

Imagem: BoldSystems

São morcegos pequenos, têm coloração marrom-clara, sendo que o dorso é, mais escuro do que a parte ventral (barriga).  Possuem um par de listras no rosto e uma listra nas costas, todas brancas.

Há ainda poucas informações sobre os hábitos dessa espécie, mas sabe-se que ela ocorre nos biomas de caatinga, cerrado e Mata Atlântica.

Pode ser considerada como vulnerável à extinção e ameaçada pela perda/fragmentação de habitat e pela própria falta de conhecimento da comunidade científica sobre ela.

Peixe-boi marinho (Trichechus manatus)

Imagem: Aquasis / Divulgação

É de longe entre as espécies de mamíferos que ocorrem no Ceará, a que está mais ameaçada de extinção, sendo classificada como criticamente em perigo. Os principais fatores de ameaça são a caça, as capturas acidentais, a perda do hábitat, o assoreamento, o desmatamento e o trânsito de embarcações.

Pode medir, quando adulto, entre 2,5 e 4 m e pesar de 200 a 600 kg. É a espécie mais conhecida entre os sirênios. Estudo de determinação da idade do peixe-boi marinho, feito com base na contagem de crescimento do osso tímpano-periótico, indica que o animal mais velho tem idade superior a 50 anos.

A coloração do corpo é acinzentada e o couro é áspero. Apresenta unhas nas nadadeiras peitorais e alimenta-se de algas, capim marinho, folhas de mangue entre outros. Os animais passam de 6 a 8 horas diárias se alimentando.

O intervalo médio entre o nascimento de filhotes é de três anos, que medem entre 0,80 e 1,60 m ao nascer. A fêmea permanece com o filhote por até dois anos.

Cachalote (Physeter macrocephalus )

Imagem: MarineBio

É uma espécie que pouco aparece no Ceará (principalmente no verão e no outuno) e tem distribuição geográfica muito ampla nos oceanos do planeta. Apesar disso está vulnerável à extinção, devido a fatores como caça, captura em redes de deriva e atropelamentos por embarcações.

É a maior baleia com dentes e apresenta grande diferença física entre os sexos. Os machos podem chegar a 18 m e pesar 57 toneladas, enquanto as fêmeas não ultrapassam os 12 m.

A espécie possui o espiráculo (equivalente às narinas por onde respiram) voltado para a parte anterior do corpo e desviado para a esquerda, assim o seu borrifo é diagonal. A cabeça é retangular e grande, podendo representar 1/3 do total do corpo.

A nadadeira dorsal é pequena e triangular. Sua coloração varia de preta a marrom, com regiões brancas ao redor da boca. A pele é enrugada a partir da cabeça para a região posterior do corpo.

Répteis, ancestrais um pouco mais distantes

O Hylonomus é talvez o fóssil de réptil mais antigo, sendo datado de 315 milhões de anos atrás. Imagem: Karen Carr

Os répteis também são animais vertebrados e deram origem a outros dois grandes grupos, os mamíferos (como vimos acima) e também as aves (que compartilham parentesco com dinossauros e crocodilos).

Surgiram pela primeira vez na Terra há cerca de 315 milhões de anos (o ramo que deu origem aos mamíferos surgiu pouco depois disso).

Foram os primeiros amniotas, ou seja, seus embriões são protegidos pela membrana amniótica (assim como nós), o que permitiu deixar de vez a necessidade de retornar à água ou aos ambientes úmidos para colocar seus ovos e os diferencia de seus ancestrais, os anfíbios.

Ao contrário de seus descendentes são ectotérmicos, ou seja não regulam a temperatura do corpo de forma autônoma. Apesar disso, são um pouco mais diversificados que os mamíferos, sendo registradas pouco mais de 6 mil espécies.

Mas a maior diversificação ocorreu na Era Mesozóica (entre 250 e 65 milhões de anos atrás), quando atingiram seu auge. Muitos dos grupos que viveram naquela era foram extintos após o provável choque da Terra com um asteroide.

Em nosso Estado, existem quatro espécies de répteis ameaçadas pela extinção, dessa vez por culpa do homem. Todas elas são tartarugas, répteis que são considerados por alguns pesquisadores como os descendentes da linhagem mais antiga, a dos anapsídeos.

Vamos conhecê-las mais:

Tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea)

Imagem: SyMBiosIS

É a espécie mais ameaçada de extinção entre os répteis que vivem no Ceará. Está classificado como criticamente em perigo devido a fatores como mortalidade acidental, poluição e perturbação humana.

O número anual de fêmeas que reproduzem no litoral brasileiro, é de no máximo 19 indivíduos. É a maior das espécies de tartarugas marinhas, atingindo de 500 kg até 1.000 kg.  Sua carapaça não é ossificada como em outras tartarugas, sendo revestida por um tecido coriáceo, que deu origem ao nome da espécie.

As fêmeas que desovam no Brasil apresentam um comprimento curvilíneo médio da carapaça de 1,6 metros.  Em cada desova são depositados entre 70 e 90 ovos. A incubação dura cerca de 60 dias, e o sexo das ninhadas é influenciado pela temperatura de incubação.

Alimenta-se de invertebrados marinhos tais como cnidários, ctenóforos e tunicados. É capaz de mergulhos profundos, atingindo mais de 1.000 m de profundidade, embora a maior parte dos mergulhos não ultrapasse 200 m.

Tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta )

Imagem: Trek Earth

Tem cabeça proporcionalmente grande em relação a seu comprimento total. Onívora, se alimenta de crustáceos, moluscos, peixes, cnidários e vegetais marinhos.

A reprodução ocorre entre os meses de setembro e março. As fêmeas botam ovos a cada dois ou três anos, com postura de 120 ovos em média. O período de incubação é de 50 a 60 dias. Os filhotes eclodem, à noite, rumando para o mar. Assim como a espécie citada anteriormente, o sexo dos filhotes é determinado pela temperatura de incubação dos ovos.

Entre as tartarugas ameaçadas de extinção no Ceará é a que corre menos risco, sendo classificada como vulnerável pela mortalidade acidental, perturbação humana e poluição.

Tartaruga-verde (Chelonia mydas)

Imagem: Starfish.ch

Também conhecida como aruanã, é uma tartaruga marinha distribuída por todos os oceanos, nas zonas de águas tropicais e subtropicais, com duas populações distintas no Oceano Atlântico e no Oceano Pacífico.

Apesar disso  está classificada como em perigo de extinção pela mortalidade acidental, perturbação humana e poluição. O nome tartaruga-verde deve-se à coloração esverdeada da sua gordura corporal.

Tem corpo achatado coberto por uma grande carapaça em forma de lágrima e um grande par de nadadeiras. É de cor clara, exceto em sua carapaça onde os tons variam do oliva-marrom a preta.

É principalmente herbívora. Os adultos geralmente habitam lagoas rasas, sendo raramente avistadas em alto-mar. Alimentam-se principalmente de ervas marinhas. Vivem até 80 anos em liberdade.

Tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea )

Imagem: California Herps

Também classificada como em perigo devido à mortalidade acidental, perda/degradação de habitat e poluição, é uma das menores tartarugas marinhas do mundo, com peso entre 35 e 50 kg.

O comprimento curvilíneo médio da carapaça é de 73 cm. Alimenta-se de crustáceos, moluscos, peixes e algas. Apresenta três tipos de comportamento de desova: solitário, em pequenos grupos e em arribada.

Apresenta ciclo reprodutivo anual de 2 a 3 anos. O tempo necessário para atingir a maturidade sexual é de 7 a 30 anos. Desova no máximo três vezes a cada ciclo, com uma média de 100 ovos a cada desova registrada. Os picos de desova ocorrem entre outubro e fevereiro.

O sexo dos filhotes é influenciado pela temperatura de incubação dos ovos, com temperaturas mais altas gerando mais fêmeas, e temperaturas mais baixas gerando mais machos.

Com informações: ICMBio

17:49 · 18.12.2011 / atualizado às 19:26 · 19.12.2011 por
Escavações na caverna de Qesem, em Israel, sugerem uma origem há 400 mil anos da espécie humana

A história das origens humanas está ganhando a cada dia mais páginas. Há dezesseis dias o Ceará Científico publicou a notícia de que foram encontrados artefatos fabricados pela nossa espécie (Homo sapiens) há 106 mil anos na Península Arábica, confirmando nossa presença na Ásia 26 mil anos antes do que se supunha. Mas um estudo israelense pode causar um impacto ainda mais revolucionário em tudo o que se pensava saber sobre nosso surgimento na face da Terra.

Pesquisadores da Universidade de Tel Aviv publicaram um estudo indicando que nós aparecemos pela primeira vez no planeta, na região do Levante (região que compreende Síria, Jordânia, Israel, Palestina e Líbano ), há 400 mil anos, provavelmente a partir de uma pressão evolucionária causada sobre a espécie que nos antecedeu o Homo erectus, após a extinção dos elefantes naquele canto do mundo. De acordo com o arqueólogo Ran Barkai, “quando os elefantes desapareceram, o Homo erectus foi obrigado a buscar outros alimentos e teve que desenvolver uma agilidade mental e instrumentos que não tinha antes”.

A hipótese está apoiada nas descobertas feitas sucessivamente a partir de escavações iniciadas no ano 2000 na caverna de Qesem, na cidade de Rosh Haain, em Israel. Mas foi só no ano passado que a equipe do departamento de Arqueologia daquela universidade anunciou ter encontrado indícios de que o Homo sapiens já existia há 400 mil anos (o que representa 200 mil anos antes do que se supunha), e de que surgiu na Ásia e não na África, conforme se imaginava.

“Desde a descoberta, há um ano, fizemos um trabalho de integração de todos os dados e chegamos à conclusão que a nutrição é a chave do enigma. O Homo erectus comeu elefantes durante 1 milhão de anos. Instrumentos mais sofisticados e menores são associados ao Homo sapiens“, explica Barkai.

Na caverna de Qesem foram encontrados artefatos sofisticados como pequenas facas, restos de dentes humanos e partes de outros animais em camadas nas quais já não era possível encontrar restos de elefantes. O Homo erectus não desenvolveu, até onde se sabe, ferramentas sofisticadas como as encontradas em Israel.

Outro fator que corrobora com as hipóteses levantadas pelos arqueólogos israelenses é o fato de que se observou esse mesmo padrão de desenvolvimento do Homo sapiens na África, em regiões onde os elefantes também se tornaram extintos.

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