Diário Científico

Categoria: Exploração Espacial


15:49 · 30.08.2018 / atualizado às 15:51 · 30.08.2018 por
Incidente foi provavelmente causado pelo impacto de um micrometeorito, comunicou a agência Roskosmos Foto: Nasa

Um vazamento de oxigênio, devido a uma microfissura causada por um meteorito, ocorreu em uma espaçonave Soyuz acoplada à Estação Espacial Internacional (ISS), mas sem risco para a tripulação – anunciou a agência espacial russa Roskosmos nesta quinta-feira (30).

“Tivemos uma situação de emergência na ISS hoje à noite: um vazamento de oxigênio e uma queda na pressão. Medidas foram tomadas (…) e a tripulação americana se reuniu no segmento russo”, indicou o diretor da Roskosmos, Dmitri Rogozin, citado pela agência Ria Novosti. O vazamento foi provavelmente causado pelo impacto de um micrometeorito, de acordo com Rogozin. Rogozin acrescentou que “nada ameaça a vida e a segurança da tripulação”.

Estão a bordo da ISS desde 21 de março os astronautas americanos Drew Feustel e Richard Arnold e o cosmonauta russo Oleg Artemiev. A eles se juntaram em 8 de junho o russo Serguei Prokopiev, a norte-americana Serena Auñón-Chanceler e o alemão Alexander Gerst.

Com informações: AFP

09:26 · 25.08.2018 / atualizado às 09:28 · 25.08.2018 por
Concepção artística do satélite ICESat-2 sobrevoando a Groenlândia e a região ártica da Terra Imagem: Orbital Sciences

A Nasa, a agência espacial norte-americana, quer aprofundar os estudos sobre mecanismos que reduzam as incertezas dos prognósticos sobre o futuro aumento do nível do mar e ajudem a compreender as mudanças climáticas.

Para isso, será lançado ao espaço, no dia 15 de setembro, um satélite que vai medir, em detalhes, as mudanças de massa polar na Terra. O Satélite de Elevação de Terra e Gelo da Nasa-2 (ICESat-2) medirá a mudança média anual de elevação do gelo terrestre que cobre a Groenlândia e a Antártida, capturando 60 mil medições por segundo.

A expectativa dos pesquisadores é de que o ICESat-2 amplie e aperfeiçoe estudos anteriores da Nasa, que monitoraram a mudança nos movimentos dos picos polares em 2003, com a primeira missão ICESat e, depois em 2009, com a Operação IceBridge, que analisou a taxa de variação e aceleração.

Gelo

De acordo com a Nasa, bilhões de toneladas de gelo derretem anualmente, elevando o nível do mar no mundo.

Nos últimos anos, as contribuições do derretimento das camadas de gelo da Groenlândia e da Antártica aumentaram o nível do mar global em mais de um milímetro por ano. A taxa está aumentando, segundo os pesquisadores.

O ICESat-2 também fará as medições para verificação da altura do gelo marinho existente acima da superfície do mar, observando a espessura e o volume.

Pesquisas

A cobertura de gelo do Ártico reflete o calor do Sol de volta ao espaço. Quando esse gelo derrete, a água escura que há embaixo absorve o calor, alterando os padrões de circulação do vento e do oceano, afetando potencialmente o clima global da Terra.

Além dos pólos, o ICESat-2 medirá a altura das superfícies oceânicas e terrestres, incluindo as florestas. Um instrumento associado ao ICESat-2 medirá o topo das árvores, na tentativa de colaborar com as pesquisas sobre a quantidade de carbono armazenada nas florestas.

Os pesquisadores também analisarão os dados coletados sobre a altura da copa das árvores, sua densidade e estrutura, no esforço de realizar previsões sobre incêndios florestais.

Com informações:Agência Brasil

16:04 · 21.08.2018 / atualizado às 16:04 · 21.08.2018 por
Mapa produzido pela Nasa mostra localização de concentrações de água em estado sólido no pólo sul do nosso satélite natural Imagem: Nasa

A agência espacial dos Estados Unidos, a Nasa, informou que foram identificados dois polos na Lua que comprovam a existência de superfícies de gelo. São áreas mais escuras, distribuídas de forma irregular e que têm características de formações antigas e distintas.

No polo sul, a maior parte do gelo se concentra em crateras lunares, enquanto no norte é mais distribuído, embora em menor quantidade. O trabalho foi realizado por cientistas da Universidade do Havaí, Brown University e do Centro de Pesquisas da Nasa. A equipe é liderada pelos pesquisadores Shuai Li, da Universidade do Havaí e Brown University, e Richard Elphic, da Nasa.

Os pesquisadores utilizaram dados captados por um instrumento denominado Moon Mineralogy Mapper (M3), da Nasa, que identificou aspectos específicos sobre a existência de gelo, água e vapor. Disposto na nave não tripulada Chandrayaan-1, lançada em 2008, o M3 foi capaz de identificar a presença de gelo sólido na Lua, coletando informações que distinguem água líquida, vapor e gelo sólido.

Segundo a Nasa, a maior parte do gelo descoberto está nas crateras, do lado norte, pois ali as temperaturas são baixíssimas por causa da inclinação do eixo de rotação da Lua, uma vez que a luz não chega a essa região.

No caso do lado sul, a formação de gelo pode ser explicada por outros fenômenos, como o movimento do Sistema Solar.

Com informações: Agência Brasil

17:27 · 09.08.2018 / atualizado às 17:35 · 09.08.2018 por
A Parker passará 24 vezes a 6,2 milhões de km da sua superfície solar, durante os sete anos que a missão está prevista para durar Foto: Nasa

Dotada com um escudo de alta tecnologia para protegê-la do intenso calor, a sonda Parker será lançada no sábado com o objetivo de “tocar o Sol” e tentar responder a uma pergunta que instiga os cientistas: por que sua coroa é infinitamente mais quente que sua superfície?

A sonda, que decolará no sábado (11) de Cabo Canaveral, Flórida, será o primeiro objeto construído pelo homem para lidar com as condições infernais desta parte da atmosfera do Sol, e a passará 24 vezes a 6,2 milhões de km da sua superfície durante os sete anos que a missão está prevista para durar.

Parker, que se tornará a nave espacial mais rápida construída pelo homem, com uma velocidade máxima de 692 mil km/h, deve decolar em 11 de agosto da base espacial em Cabo Canaveral às 03h48 (04h48 em Brasília). O veículo, que tem o tamanho de um automóvel e custou US$ 1,5 bilhão, já está instalado na parte superior do foguete Delta IV-Heavy, que o levará ao espaço.

Para sobreviver, a nave está equipada com um escudo composto de carbono de 12 centímetros de espessura que deve protegê-la de uma temperatura de 1.400ºC – suficiente para fundir o silício – e manter funcionando os instrumentos científicos a cômodos 29°C.

Estes instrumentos devem permitir medir as partículas de alta energia, as flutuações magnéticas e fazer imagens para compreender melhor esta coroa, que é “um ambiente muito estranho, desconhecido para nós”, diz Alex Young, um especialista no Sol da Nasa.

De fato, a observação à distância chegou ao seu limite, diz Nicky Fox, membro do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins e responsável científica da missão.

“Temos que ir aonde isto ocorre, onde acontecem todas estas coisas misteriosas”, diz.

Quanto mais longe, mais quente

Diferentemente de uma fogueira, onde a parte mais quente está no centro, a temperatura aumenta à medida que você se afasta do Sol.

“Quando você passa da superfície do Sol, que está a 5.500 graus Celsius, para a coroa, nos encontramos rapidamente a milhões de graus”, explica Young.

O especialistas espera que Parker, a única nave da Nasa que leva o nome de um cientista ainda vivo – o famoso astrólogo de 91 anos Eugene Parker -, ajude a dar respostas ao que a Nasa chama de o “problema do aquecimento da coroa”.

O assunto também é importante para prever melhor o clima espacial. As tempestades solares chegam a ser sentidas até na Terra, onde podem perturbar o funcionamento da rede elétrica, mas também provocar falhas nos satélites que orbitam o planeta ou inclusive pôr em perigo a vida dos astronautas.

“É tão importante para nós sermos capazes de prever o clima espacial como de prever o clima na Terra”, afirma Young.

Com informações: AFP

16:55 · 25.07.2018 / atualizado às 16:55 · 25.07.2018 por
Foto: AFP

Por Salvador Nogueira

Pesquisadores europeus encontraram evidências de um lago com água em estado líquido sob a calota polar sul de Marte.

Com 20 km de largura, o local é o equivalente marciano dos lagos que existem sob o gelo da Antártida, na Terra. Ao menos por aqui, esses ambientes -às vezes selados do contato com a atmosfera por muitos milhões de anos- estão cheios de formas de vida. A pergunta atual é se ocorre o mesmo por lá.

A descoberta foi feita com dados colhidos pela sonda europeia Mars Express. Um dos instrumentos embarcados nela é conhecido pela sigla Marsis. Trata-se de um sofisticado radar projetado por italianos e americanos, capaz de sondar o que há no subsolo do planeta vermelho.

A técnica é bastante conhecida aqui na Terra, e pesquisadores fazem todo tipo de observação com satélites para descobrir coisas no subsolo -desde lagos sob a calota polar antártica até petróleo.

Não é difícil entender como funciona. O satélite em órbita manda pulsos eletromagnéticos (em frequências de rádio) na direção do solo. A superfície, naturalmente, reflete boa parte deles de volta para o espaço, onde são captados pelo próprio satélite que os originou.

O tempo de viagem (ida e volta) do pulso indica exatamente a distância entre o satélite e o chão. Contudo, nem tudo é refletido da superfície. Boa parte do pulso original consegue penetrar mais profundamente, e vai ser refletida somente por camadas mais profundas do subsolo.

O tempo que cada um dos ecos leva para voltar até o satélite, além de sua intensidade, revela a estrutura nos primeiros quilômetros de profundidade do planeta. É como obter uma radiografia de uma faixa de terreno.

Longa busca

A Mars Express está em órbita de Marte desde 2003, mas o Marsis, que para funcionar exigia a abertura de duas antenas de 20 metros de comprimento e uma de 7 metros, só começou a operar em 2005.

Os dados que permitiram a descoberta foram colhidos pela espaçonave entre maio de 2012 e dezembro de 2015 -um total de 29 “perfis” de radar de uma região de cerca de 200 km de extensão em Planum Australe (o “plano austral”).

Numa área centrada nas coordenadas 193° Leste, 81° Sul -a apenas 9º do pólo geográfico Sul marciano-, o Marsis detectou um reflexo brilhante do radar vindo de uma profundidade de cerca de 1,5 km. Um sinal bastante familiar a quem já fez sondagens desse tipo na Antártida -um lago sob uma espessa camada de gelo, em plena calota polar Sul marciana.

A julgar pelos dados, o corpo d’água parecia ter cerca de 20 km de largura e pelo menos 1 metro de espessura (a profundidade é incerta, uma vez que o radar não consegue ir muito além, pois a água absorve o sinal todo). Essa detecção era o primeiro passo para mostrar que, a exemplo da Terra, Marte também tem lagos subglaciais. Mas não seria o último.

Analisando as possibilidades

O que parece óbvio na Terra deve ser tratado como duvidoso em Marte, por uma razão muito simples: não é tão fácil enviar alguém até lá (seja humano ou robô) para confirmar cada descoberta. E, bem ou mal, estamos falando de outro planeta, de forma que os cientistas que se arriscam a proclamar descobertas precisam avaliar à exaustão os dados e suas conclusões para se certificarem de que não há explicações alternativas escapando por entre os dedos.

Boa parte do trabalho da equipe liderada por Roberto Orosei, do Instituto Nacional de Astrofísica da Itália, em Bolonha, consistiu em demonstrar que provavelmente o sinal que se obteve em Marte é resultado do mesmo fenômeno que produz o mesmo sinal na Terra. “Esta condição na Terra acontece somente quando você observa água subglacial como na Antártida, sobre lugares como o lago Vostok, e nós passamos um longo tempo debatendo se esse também era o caso em Marte”, conta Orosei. “Foi uma longa investigação, que exigiu muito esforço, mas depois de vários anos pudemos demonstrar que esse era o caso.”

Os detalhes técnicos saem na edição desta semana da revista científica americana Science e envolvem explicar como seria possível essa água estar em estado líquido em Marte. O que não é nada fácil. O principal problema é que as regiões polares marcianas são ainda mais frias que as terrestres, de forma que é inviável que a água marciana detectada esteja acima de zero grau Celsius. Deve estar muito mais gelada que isso. Uma pista para a resposta está em nossos oceanos. Neles, a presença de sais diluídos na água quebra um galho, e a água não congela a 0° C, e sim a -2° C. Mas o caso de Marte teria de ser bem mais extremo que isso.

“Os dados do radar nos dizem que esta água deve conter uma grande quantidade de sais”, explica Orosei. “Porque o gelo acima dela é muito transparente [ao radar], e isso não seria possível se ele estivesse muito quente, muito perto do ponto de derretimento.” Os pesquisadores estimam que a água em contato com o gelo deve estar a pelo menos -10° C e possivelmente bem mais fria. Orosei fala em uns -30° C. E pode ser ainda pior: o limite extremo para a redução do ponto de congelamento da água pela dissolução de sais é de cerca de -60° C.

A aposta razoável é que haja uma grande presença de percloratos (substâncias já detectadas em solo na região polar sul de Marte, pela sonda Phoenix) diluídos na água, reduzindo seu ponto de congelamento de maneira extrema. “Este certamente não é um ambiente muito confortável para a vida”, diz o pesquisador italiano.

Ou é?

“O problema nessa história é o perclorato”, diz Douglas Galante, astrobiólogo do LNLS (Laboratório Nacional de Luz Síncrotron), em Campinas, que não participou do estudo europeu. “Água com perclorato não parece legal para microrganismos terrestres. Ou, pelo menos, era o que achávamos. Mas essa visão parece estar mudando.”

O pesquisador brasileiro cita dois trabalhos científicos recentes que relatam a descoberta de algumas espécies de microrganismos capazes de lidar com concentrações de perclorato compatíveis com as encontradas em Marte. “Então temos exemplos aqui na Terra de extremófilos percloratorresistentes, que poderiam servir como modelo de vida que poderia estar presente nesse lago subglacial marciano”, completa Galante.

Ou seja, a resposta provisória que temos sobre se poderia ou não haver vida em um ambiente assim é um intrigante “talvez”. Seja como for, a descoberta é festejada pela comunidade dos astrobiólogos, ansiosos que estão por encontrar mais potenciais habitats espalhados pelo Sistema Solar e além. “Encontrar um bolsão de água líquida próximo à superfície é uma excelente notícia para o programa de busca de vida em Marte”, arremata o pesquisador brasileiro.

Infelizmente, ainda está além das tecnologias atuais das agências espaciais enviar uma sonda capaz de perfurar 1,5 km de gelo para explorar um lago marciano como esse. Mas o futuro transborda possibilidades.

Com informações: Folhapress

18:07 · 10.07.2018 / atualizado às 18:07 · 10.07.2018 por
Concepção artística de módulo desenvolvido pelos engenheiros espaciais israelenses, com vistas a uma futura alunissagem Imagem: Google Lunar XPrize

Israel lançará sua primeira missão espacial à Lua em dezembro, anunciou nesta terça-feira (10) uma organização desse país, pequeno porém com grandes ambições. A nave espacial ainda sem nome, em forma de cápsula e peso de 585 quilos no momento do lançamento, pousará na Lua em 13 de fevereiro de 2019 se tudo correr segundo o previsto, disseram os organizadores da SpaceIL em um encontro com a imprensa.

Será lançada através de um foguete da empresa SpaceX, do empresário americano Elon Musk, e sua missão incluirá a pesquisa do campo magnético da Lua. Mas a primeira tarefa será fincar a bandeira israelense na Lua, disseram os organizadores. O projeto começou como parte do concurso de tecnologia Google Lunar XPrize, que ofereceu US$ 30 milhões para estimular cientistas e empresários a proporem missões à Lua por um custo relativamente baixo. Uma equipe israelense que depois ficou conhecida como SpaceIL decidiu abraçar este objetivo e se associou eventualmente com a estatal Israel Aerospace Industries (IAI).

O prêmio do Google expirou em março sem que ninguém tenha conseguido chegar à Lua, mas a equipe de Israel se comprometeu a seguir em frente. Esta iniciativa privada poderia custar cerca de US$ 95 milhões, financiados em grande medida pelo bilionário israelense Morris Kahn. “Isto mostrará ao resto do mundo a forma” de mandar uma nave espacial à Lua a um custo razoável, disse Ofer Doron em nome da IAI.

Com informações: AFP

16:37 · 18.06.2018 / atualizado às 16:37 · 18.06.2018 por
Cientistas da UnB fizeram primeiro teste para desenvolver um balão geoestacionário de grande altitude, que poderá ter aplicações em ciência espacial, meteorologia e até em agricultura Foto: Projeto Kuaray/Reprodução do Facebook

O sucesso de uma missão internacional de divulgação científica que reuniu astrônomos amadores, estudantes de engenharia e cientistas brasileiros e norte-americanos mostrou o caminho para que um grupo de pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) aprimorasse seu principal projeto: desenvolver um balão geoestacionário de grande altitude, que poderá ter aplicações em georreferenciamento, agricultura, ciência espacial e meteorologia.

Em 2017, durante o eclipse total do Sol que cruzou a América do Norte, quatro astrônomos amadores do Clube de Astronomia de Brasília (CAsB) – o professor de Engenharia Elétrica Renato Borges e três alunos na UnB – viajaram para Rexburg, em Idaho (EUA), para registrar pela primeira vez o evento astronômico em 360 graus, tendo como base um balão estratosférico a 30 km de altitude. A missão foi realizada em parceria com as universidades norte-americanas de Montana e North Dakota e financiada por um programa da Nasa, a agência espacial dos EUA. Selecionados para o projeto, os brasileiros conseguiram recursos por meio de um crowdfunding, espécie de “vaquinha” virtual. A aventura rendeu um vídeo de divulgação científica que será exibido em planetários e abriu caminho para parcerias científicas.

“A ideia do projeto do eclipse era dar uma experiência internacional aos alunos, que é muito importante na área de pesquisa, e fazer divulgação científica. Mas acabamos consolidando uma nova parceria com a Universidade de Montana (EUA) para desenvolver nossa plataforma para um balão estacionário”, conta. “Enquanto isso, estamos aperfeiçoando um sistema inédito de pouso para esse tipo de balão”, disse. Agora, eles realizaram o primeiro teste. “O projeto começou a sair do papel para levantar voo de verdade”, diz Borges, que coordena o projeto LAICAnSat, do Laboratório de Aplicação e Inovação em Ciências Aeroespaciais (Laica).

Os resultados da missão também resultaram em um artigo científico que foi apresentado, nos Estados Unidos, na conferência do Instituto de Engenheiros Elétricos e Eletrônicos, a principal associação de engenharia do mundo. O presidente do CAsB, Augusto Ornella, destaca a importância da experiência.

“Nós, como astrônomos amadores, tivemos contato com a academia e pudemos acompanhar de perto o desenvolvimento da tecnologia, dos circuitos e dos softwares da plataforma.

Enquanto isso, o pessoal da academia teve a oportunidade de compreender melhor a parte prática da observação do eclipse, na qual temos muita experiência.”

Com informações: Estadão Conteúdo

15:48 · 13.06.2018 / atualizado às 15:48 · 13.06.2018 por
Fotomontagem mostrando como jipe da Agência Espacial Norte-Americana deve ter sido atingido por fenômeno no ‘Planeta Vermelho’ Imagem: Canadian Home Steading

Por Salvador Nogueira

O jipe Opportunity pode estar enfrentando sua situação mais crítica desde que pousou em Marte, quase 15 anos atrás. Uma tempestade global de poeira se espalha pelo planeta vermelho, e a Nasa confirmou que perdeu contato com o rover.

Presume-se que as condições na região onde o veículo opera, o chamado Vale da Perseverança, se tornaram tão severas que a bateria interna caiu abaixo de 24 volts. Quando isso acontece, o computador de bordo entra num estado operacional de emergência, desligando todos os subsistemas menos um relógio interno.

Com isso, a única tarefa do jipe é se “acordar” de tempos em tempos para checar o nível da bateria, que é recarregada pelos painéis solares -mas só quando há luz solar disponível, o que no momento se torna uma virtual impossibilidade por conta da tempestade de areia.

O fenômeno atmosférico começou em 30 de maio e já recobre um quarto da superfície de Marte. O último contato que o controle da missão teve com o Opportunity foi no último domingo, quando a situação já era crítica. A Nasa realiza nesta quarta uma teleconferência para detalhar a situação do Opportunity e contar como seus orbitadores em Marte estudam a tempestade e seus efeitos. O maior problema é que o jipe se mantenha sem energia e isso prejudique o aquecimento interno de seus circuitos. No domingo, a temperatura interna era de -29 °C. A tempestade de poeira tende a reduzir a amplitude da variação de temperatura na superfície marciana ao longo do dia, o que é uma boa notícia, mas talvez insuficiente para manter o jipe saudável.

O Opportunity e seu irmão gêmeo Spirit chegaram a Marte em 2004. A missão dos dois originalmente devia durar 90 dias. O Spirit operou até 2010. E o Opportunity, depois de percorrer mais que uma maratona em solo marciano, pode agora estar enfrentando seu ocaso.

Além deles, opera atualmente em Marte o jipe Curiosity, que é mais resiliente contra tempestades de areia, por ser alimentado por uma bateria de plutônio, em vez de energia solar.

Com informações: Folhapress

16:46 · 07.06.2018 / atualizado às 20:57 · 07.06.2018 por
Ao analisar amostras colhidas na cratera Gale com idade de cerca de 3 bilhões de anos, o robô Curiosity estabeleceu de forma conclusiva que havia abundância de compostos orgânicos no planeta Foto: Nasa

Por Salvador Nogueira

Já sabemos há algum tempo que Marte, em seu passado remoto, foi habitável -ou seja, tinha a capacidade de preservar água em estado líquido na superfície. Agora, graças ao jipe Curiosity, sabemos que ele tinha, na mesma época, os ingredientes necessários para a vida -moléculas orgânicas complexas.

Ao analisar amostras colhidas na cratera Gale com idade de cerca de 3 bilhões de anos, o robô da Nasa estabeleceu de forma conclusiva que havia abundância de compostos orgânicos no planeta. Com efeito, os resultados sugerem um conteúdo orgânico comparável ao de rochas sedimentares ricas nessas substâncias aqui da Terra. Ninguém está dizendo que houve vida em Marte, claro. Mas saber que os ingredientes estavam lá -água e moléculas orgânicas- é um passo importantíssimo em busca dessa resposta. Tanto que o principal objetivo do Curiosity, assim que chegou a Marte, em 2012, era achar esses benditos compostos. E a busca não foi nada fácil.

Nas primeiras tentativas de detecção, nos primeiros cem dias da missão, a melhor definição para o resultado era “fracasso”. A quantidade de compostor orgânicos simples era tão pequena que não se podia descartar contaminação da Terra enviada dentro do jipe ou mesmo que a fonte desses compostos fossem asteroides a colidir com Marte.

A ausência de compostos orgânicos no planeta vermelho era uma grande surpresa. Afinal, essas moléculas de carbono parecem estar em toda parte no espaço -em asteroides, cometas, planetas, luas e até nebulosas. Por que Marte seria estranhamente empobrecido nelas? Ocorre que a superfície marciana hoje é bem hostil a moléculas orgânicas. Raios ultravioletas do Sol encontram pouca filtragem na tênue atmosfera daquele mundo, quebrando com facilidade moléculas orgânicas maiores. E, para completar, o solo é rico em percloratos. São moléculas sem graça feitas de oxigênio e cloro, mas que, quando suficientemente aquecidas, se quebram e destroem qualquer molécula orgânica maior que esteja por perto.

Calor não é lá um grande problema em Marte. Mas é um grande problema quando o método de detecção de moléculas orgânicas do seu jipe envolve aquecer a amostra centenas de graus Celsius para ver que moléculas evaporam por lá. Você já começa com quase nada, graças ao ambiente hostil de Marte, e o que ainda restava é destruído pelos percloratos assim que você aquece a amostra. Voilà: um grande desapontamento. A equipe do Curiosity, no entanto, perseverou, procurando rochas mais adequadas para a busca. No fim de 2014, eles anunciaram um grande avanço: uma das amostras recolhidas mostrava uma quantidade de moléculas orgânicas simples tal que se podia descartar qualquer contaminação. Era química orgânica para valer no passado marciano.

Ainda assim, eram moléculas bem pequenas, muito longe do que seria necessário para a vida. A hipótese de trabalho era a de que, na origem, havia moléculas orgânicas mais complexas, que no entanto foram destruídas por percloratos e tiveram seus átomos recombinados nos compostos simples detectados. Não havia, contudo, como descartar a noção de que, desde o início, fossem só aquelas pequenas porcarias mesmo. Quase quatro anos depois, chega a resposta definitiva: analisando amostras ainda melhores, e se concentrando apenas nos gases evaporados delas a temperaturas bem altas (assim descartando o que pudesse ser ação de percloratos ou qualquer outro contaminante vindo da Terra), os pesquisadores encontraram moléculas orgânicas relativamente grandes e que provavelmente compunham cadeias de moléculas ainda maiores. O proverbial filé orgânico marciano.

O artigo científico reportando a descoberta, que tem como primeira autora Jennifer L. Eigenbrode, da Nasa, sai na edição desta sexta-feira (8) da revista Science. E, na mesma publicação, outro artigo relata outra descoberta feita pelo Curiosity em Marte.

A temporada do metano

Sim, é mais química orgânica. Desta vez na atmosfera. Além de procurar compostos complexos em rochas, o Curiosity tinha como uma de suas metas primordiais fazer a primeira detecção de gás metano na atmosfera, estando ele envolto nela. Resultados anteriores obtidos por telescópios e missões orbitais sugeriam a presença de uma quantidade significativa dele, ainda que medido em partes por bilhão. No início, o Curiosity detectou quantidades tão baixas que esbarravam no limite de precisão do equipamento.

Os pesquisadores então começaram a trabalhar num novo método para diminuir a margem de erro, “enriquecendo” a amostra da atmosfera em metano antes de tomar a medição. E ajudou o fato de que, em 2013, o jipe foi engolfado por uma pluma de metano emanando do solo, que fez saltar a detecção de 0,69 parte por bilhão para 7,2 partes por bilhão. Certo, mas por que essa neura com metano? São dois os motivos: primeiro, trata-se de uma molécula que não dura muito na atmosfera, exposta aos famigerados raios ultravioletas solares. O que significa que, se ela existe no ar marciano, mesmo em quantidades pentelhesimais, algo está constantemente lançando mais dela na atmosfera.

E o segundo motivo é ainda mais interessante: ao menos na Terra, a imensa maioria do metano atmosférico é produzido por formas de vida. Pois é. Manja a sua flora intestinal? De vez em quando ela te força a lançar uma pluma de metano no ar que, em Marte, deixaria os cientistas num frenesi nerd. Por outro lado, há outros meios de gerar metano que não envolvem vida, como um processo químico conhecido como serpentinização. Afinal, o que gera as plumas de metano em Marte? Desde essa detecção inicial em 2013 os cientistas responsáveis pelo Curiosity permaneceram tomando medidas periódicas do metano na atmosfera. E agora, com dados colhidos ao longo de quase cinco anos (terrestres, três marcianos), eles encontraram uma pista intrigante: a emissão de metano é sazonal. Os dados revelam que, noves fora os picos gerados por plumas repentinas locais, a quantidade média de metano na baixa atmosfera flutua entre 0,24 e 0,65 parte por bilhão. O pico se dá próximo ao fim do verão no hemisfério norte marciano (inverno no sul). O jipe em si está na região equatorial do planeta, apenas 4,5 graus Sul.

Com esse resultado, os pesquisadores podem descartar várias possíveis fontes para o metano que não apresentariam esse padrão. A aposta deles é que haja grandes quantidades do gás presas no subsolo marciano no interior de cristais baseados em água chamados de clatratos. Para eles, as mudanças sazonais de temperatura poderiam explicar as flutuações na liberação do gás observadas pelo jipe. Ainda resta a pergunta mais importante: o que teria produzido o metano aprisionado nesses clatratos? Pode ser vida, pode ser outro processo abiótico. A resposta terá de esperar -talvez por novos resultados, mais provavelmente por novas missões. Com efeito, o Trace Gas Orbiter, da ESA (Agência Espacial Europeia), acabou de começar sua missão científica em órbita marciana, e seu objetivo é estudar a distribuição e os padrões de emissão do metano em escala global. Ele poderá corroborar ou colocar em dúvida os atuais resultados do Curiosity, mas certamente agregará mais peças ao quebra-cabeça.

O artigo reportando a sazonalidade do metano em Marte tem como primeiro autor Christopher Webster, também da Nasa, e sai ao lado do texto de Eigenbrode, nesta sexta. “Ambos os resultados são avanços revolucionários para a astrobiologia”, avalia Inge Loes ten Kate, pesquisadora da Universidade de Utrecht que não participou das pesquisas, mas escreveu um artigo de comentário para a Science. “A detecção de moléculas orgânicas e metano em Marte tem vasta implicações à luz de potencial vida passada marciana. O Curiosity mostrou que a cratera Gale foi habitável há 3,5 bilhões de anos, com condições comparáveis às da Terra primitiva, onde a vida evoluiu mais ou menos na mesma época. A questão de se a vida pode ter se originado ou existido em Marte é muito mais oportuna agora que sabemos que moléculas orgânicas estavam presentes na superfície naquela época.”

Em 2020, tanto europeus quanto americanos prometem enviar jipes capazes de dar o próximo passo e procurar evidências diretas de vida marciana.

Com informações: Folhapress

21:57 · 04.06.2018 / atualizado às 21:57 · 04.06.2018 por
Grande questão é preservar a soberania nacional brasileira, permitindo o acesso e conhecimento sobre os lançamentos, e, ao mesmo tempo, proteger a propriedade intelectual dos americanos Foto: Wikimedia

Os governos brasileiro e norte-americano retomaram as negociações para um acordo que permita o uso da base de lançamento de foguetes em Alcântara, no Maranhão. Ainda nesta semana, um representante do governo dos EUA deve ser apontado para iniciar as tratativas de um acordo de salvaguarda tecnológica com o Brasil. É a primeira vez em 16 anos que os países voltam a negociar o tema.

A informação foi adiantada pelo jornal O Globo, e confirmada nesta segunda (4) pelo ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, em entrevista a jornalistas em Washington. O objetivo é impulsionar o programa espacial brasileiro, de acordo com o ministro, e permitir o lançamento de foguetes e satélites a partir de Alcântara. Segundo o ministro, atualmente, a grande maioria dos foguetes e satélites no mundo carrega tecnologia norte-americana. Por isso, um acordo com o país é fundamental para viabilizar lançamentos no Maranhão.

A grande questão a ser resolvida é preservar a soberania nacional brasileira, permitindo o acesso e conhecimento sobre os lançamentos a serem feitos na base, e, ao mesmo tempo, proteger a propriedade intelectual dos americanos.”Eles querem a defesa dos seus segredos comerciais, o que é legítimo”, disse Nunes.

A primeira proposta dos EUA, em 2002, era usar a base de Alcântara com sigilo total sobre seus equipamentos, o que não foi aceito pelo Congresso brasileiro. O Brasil apresentou uma contraproposta aos EUA em meados do ano passado, que esteve sob análise do Departamento de Estado desde então. Neste mês, enfim, o governo americano deu o aval para que o tema volte à mesa de negociações. O ministro não deu detalhes sobre a nova proposta, cujos pormenores ainda precisam ser fechados. “Não há prazo, mas vamos começar rapidamente e há disposição política de se chegar a um acordo”, afirmou Nunes, que disse estar otimista com as negociações. Para ele, a localização “excepcional” da base de Alcântara, próxima à linha do Equador, é uma vantagem ao Brasil, que pode se beneficiar de recursos e capacitação de pessoal por meio da parceria com os norte-americanos.

Depois do fracasso da primeira tentativa, em 2002, o Brasil ainda conduziu negociações com o governo da Ucrânia para o lançamento de satélites, mas o acordo foi cancelado em 2015, sem sucesso.

Com informações: Folhapress

Pesquisar

Diário Científico

Jornalismo científico produzido no Ceará de olho nas grandes descobertas que a Ciência faz em qualquer lugar do mundo.
Posts Recentes

06h09mEstudo mostra que pintor Caravaggio morreu de infecção bacteriana por Staphylococcus

06h09mEquipe brasileira identifica fóssil de crocodilo que viveu há 85 milhões de anos, em MG

05h09mArarinha-azul, espécie que inspirou animação, está provavelmente extinta na natureza, revela estudo

09h09mEstudo aponta que instalar parques eólicos e solares poderia aumentar quantidade de chuva no Saara

05h09mBotsuana registra matança de 90 elefantes em menos de dois meses

Ver mais

Tags

Categorias
Blogs