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Categoria: Física


20:30 · 29.01.2017 / atualizado às 20:34 · 29.01.2017 por
Foto: Canada Journal
No experimento, quando uma pressão de 495 gigapascais foi atingida, o hidrogênio ficou brilhante, completando sua transformação em metal Foto: Canada Journal

Cientistas da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, criaram uma amostra de metal de hidrogênio. É a primeira vez que o material, previsto em teoria pela primeira vez há cerca de 80 anos, foi desenvolvido em laboratório.

A primeira menção a ele foi feita em 1935 pelos cientistas Eugene Wigner e Hillard Bell Huntington, que sugeriram que, em uma pressão de 25 gigapascais, o hidrogênio sólido se transformaria em metal. Na época ainda não havia conhecimento suficiente do mundo quântico para criar essas condições.

Em estudo publicado no periódico Science, os pesquisadores Thomas D. Cabot, Isaac Silvera e Ranga Dias explicam que usaram dois tipos de diamantes sintéticos para encontrar o hidrogênios sólido. Eles poliram as superfícies dos diamantes até que elas não tivessem mais defeitos, os esquentaram para retirar resíduos internos e os cobriram com uma camada de óxido de alumínio, um composto que o hidrogênio não consegue filtrar.

Em seguida, o trio de Harvard foi comprimindo o hidrogênio sólido. No início do experimento, quando a pressão estava mais baixa, o elemento ficou transparente, conforme a pressão foi aumentando, ele ficou opaco e preto. Quando uma pressão de 495 gigapascais foi atingida, o hidrogênio ficou brilhante, completando sua transformação em metal — ainda não se sabe se foi em um estado sólido ou líquido. Ainda há muito o que ser pesquisado, mas se o metal de hidrogênio tiver pelo menos metade das aplicações previstas em teoria, ele poderia revolucionar a tecnologia como a conhecemos hoje. Segundo os cientistas, por ser um supercondutor, o material poderia trazer inovações para praticamente tudo que envolve eletricidade, como a possibilidade de trens de alta velocidade funcionarem por levitação magnética e a melhoria da performance desde dispositivos até outros tipos de veículos.

O material poderia ser utilizado como propulsor, o que mudaria (para melhor!) as viagens espaciais. “É necessário uma quantidade tremenda de energia para criar o metal de hidrogênio”, explicou Isaac Silvera no anúncio do estudo. “E se você o converter de volta para o hidrogênio molecular, toda a energia é liberada, o que poderia se transformar no tipo de propulsor mais potente já conhecido pelo homem.” Em termos de comparação, os propulsores utilizados hoje levam 450 segundos para serem acionados em um foguete — o propulsor de hidrogênio levaria 1,7 segundos para fazer a mesma coisa.

Com isso, seria possível colocar foguetes em órbita em apenas um passo em vez de dois. “Ele teria ainda cargas úteis maiores, o que seria muito importante”, ressaltou Silvera.

Com informações: Galileu

18:51 · 23.12.2016 / atualizado às 18:51 · 23.12.2016 por
Concepção artística de 'rio' de ferro líquido que 'corre' a 3 mil km de profundidade e foi detectado a partir de observações do campo magnético da Terra em satélites espaciais da ESA Imagem: ESA/BBC
Concepção artística de ‘rio’ de ferro líquido que ‘corre’ a 3 mil km de profundidade e foi detectado a partir de observações do campo magnético da Terra em satélites espaciais da ESA Imagem: ESA/BBC

Cientistas dizem ter descoberto um rio de ferro líquido no centro da Terra, correndo debaixo do Estado americano do Alasca e da região russa da Sibéria.

Essa massa ambulante de metal foi detectada graças aos satélites europeus Swarm –um trio que está mapeando o campo magnético da Terra para entender seu funcionamento. O campo protege toda a vida do planeta contra a radiação espacial.

Para os cientistas, a existência do rio de ferro líquido é a melhor explicação para uma concentração de forças no campo magnético terrestre que os satélites registraram no Hemisfério Norte.

“É uma corrente de ferro líquido que se move cerca de 50 km por ano”, explica Chris Finlay, da Universidade Técnica da Dinamarca.

“É um líquido metálico muito denso e é preciso uma quantidade enorme de energia para movê-lo. É provavelmente o movimento mais rápido que temos no manto terrestre” disse ele à BBC.

Finlay explica que a corrente de metal líquido é como o jet stream na atmosfera da Terra –a corrente de ar em altas altitudes usada por aviões para voar mais rápido. O rio de metal porém, está a 3 mil metros de profundidade.

Os cientistas acreditam que o rio tenha 420 km de largura e percorra quase metade da circunferência da Terra. O comportamento dessa massa metálica será crítico para a geração e manutenção do campo magnético terrestre.

“É possível que a corrente tenha funcionado por centenas de milhões de anos”, diz Phil Livermore, da Universidade de Leeds, no Reino Unido, e um dos autores do estudo detalhando a descoberta, publicado na revista científica Nature Geoscience.

Rainer Hollerbach, outro cientistas envolvido no projeto, acredita que o líquido se move graças à força da flutuabilidade ou por conta de mudanças no campo magnético do núcleo terrestre.

Vendo, do espaço, o interior terrestre

Lançados em novembro de 2013 pela ESA (Agência Espacial Europeia), o satélites Swarm estão fornecendo acesso sem precedentes à estrutura e ao comportamento do campo magnético terrestre.

Com instrumentos altamente sensíveis, os satélites estão gradualmente analisando os vários componentes do campo, do sinal dominante vindo do movimento do ferro no núcleo externo à quase imperceptível contribuição feita pelas correntes oceânicas.

Os cientistas esperam que os dados do satélite ajudem a explicar a razão pela qual o campo magnético da Terra tem enfraquecido nos últimos séculos. Alguns cientistas especulam que o planeta pode estar próximo de um inversão de polaridade, em que o sul se tornará norte e o norte se tornará sul. Isso ocorre a cada centenas de milhares de anos.

Com informações: BBC Brasil

23:50 · 20.07.2016 / atualizado às 23:50 · 20.07.2016 por
Foto: DocPlayer
Atraso na produção de iodo e gálio-68 pode ter cancelado ou atrasado cerca de 300 exames Foto: DocPlayer

Responsável pela produção de 95% dos radiofármacos usados nos hospitais e clínicas do País, o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) suspendeu parcialmente a entrega desses produtos após funcionários do órgão decretarem greve, na última segunda-feira (18).

Cerca de 340 exames ou procedimentos que usam esse tipo de insumo, a maioria para diagnóstico ou monitoramento de câncer, foram cancelados ou adiados. O Ipen está localizado dentro da Universidade de São Paulo (USP) e é vinculado ao governo do Estado, mas gerido e financiado pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

Segundo o superintendente do instituto, José Carlos Bressiani, a paralisação teve como motivo um erro no projeto de lei que definia os reajustes salariais e demais regras de remuneração de servidores públicos. No texto, aprovado pelo Senado na semana passada, não foi incluído o reajuste e as gratificações para as carreiras de técnico e auxiliar técnico do Ipen.

“Temos cerca de 300 técnicos e parte deles está na área de produção, onde a maioria dos funcionários aderiu à paralisação. Estamos tentando honrar a entrega dos produtos convocando funcionários em férias ou servidores de outros setores, mas estamos tendo alguns atrasos”, diz Bressiani.

Sem a inclusão da previsão das gratificações no projeto de lei, os funcionários do Ipen teriam uma redução de cerca de 30% em suas remunerações, porcentual do salário correspondente a esse benefício.

Prejudicados

De acordo com o superintendente, uma das áreas mais prejudicadas pela greve foi a de produção do radiofármaco flúor-18, necessário para a realização do exame PET-CT, procedimento que faz um rastreamento completo do corpo do paciente com o objetivo de investigar o tamanho e o estágio de tumores, além de possíveis metástases.

Seis hospitais que haviam feito encomendas do insumo para a realização do exame anteontem só receberam o material ontem. Pelo menos 37 exames tiveram de ser cancelados por causa do atraso. O atraso na produção de iodo e gálio-68 pode ter cancelado ou atrasado outros 300 exames. A principal dificuldade de substituição do fornecedor desses produtos é que quase a totalidade da produção no País é feita pelo Ipen, sem possibilidade de importação dos itens, pois os radiofármacos perdem eficácia rapidamente, tendo de ser utilizados poucas horas após a produção.

A suspensão do fornecimento do gálio-68 impediu que a gerente Luciana Souza, de 34 anos, passasse por um PET-CT ontem no Hospital Sírio-Libanês, outra unidade que confirmou ter cancelado exames por causa da greve do Ipen. No caso de Luciana, o resultado do teste é fundamental para a realização da cirurgia de retirada de um tumor, agendada para o próximo sábado. “Sem passar pelo exame, não posso fazer a operação. É uma angústia”, diz ela.

O superintendente do Ipen diz que a força-tarefa com servidores que não aderiram à greve continuará, mas que o fornecimento só deverá ser normalizado após o fim da paralisação. Na manhã de hoje, os funcionários do Ipen deverão fazer uma nova assembleia para decidir se mantêm a greve.

O Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações informou que detectou a ausência dos cargos de técnico e auxiliar técnico do Ipen no Projeto de Lei 33/2016 e que já solicitou ao Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão “a correção da matéria. Além disso, o MCTIC mantém diálogo com a categoria para solucionar o problema o quanto antes”, informou o órgão, em nota.

Crise

Além de enfrentar a greve dos técnicos, o Ipen passa por uma crise orçamentária que poderá levar à suspensão completa das atividades. O instituto só tem dinheiro para operar até o fim de agosto, de acordo com Bressiani. O orçamento do Ipen para 2016 é de aproximadamente R$ 100 milhões, R$ 50 milhões a menos do que o necessário. Cerca de 6 mil pessoas usam os produtos fabricados pelo órgão diariamente.

Com informações: Agência Estado

10:37 · 15.06.2016 / atualizado às 22:40 · 15.06.2016 por
Imagem: Henze/NASA
O achado dissipa qualquer dúvida sobre a natureza dessas observações que são mesmo o fenômeno descrito pela teoria da relatividade geral de Einstein. Imagem: Henze/NASA

As ondas gravitacionais vieram mesmo para ficar. Nesta quarta (15), um consórcio internacional de cientistas anunciou a segunda detecção feita dessas marolas no próprio tecido do espaço-tempo, previstas originalmente por Albert Einstein.

O achado dissipa dúvidas sobre a natureza dessas observações -são mesmo o fenômeno descrito pela teoria da relatividade. A apresentação dos resultados foi feita na 228ª Reunião da Sociedade Astronômica Americana, em San Diego (EUA), e publicada simultaneamente em artigo no periódico “Physical Review Letters”.

O evento que a gerou aconteceu cerca de 1,4 bilhão de anos atrás, quando dois buracos negros (a exemplo da primeira detecção, feita em setembro do ano passado e anunciada em fevereiro deste ano) espiralaram um ao redor do outro até se fundirem, numa monumental colisão. Quando objetos com muita massa se deslocam pelo espaço, eles produzem flutuações no próprio tecido do espaço-tempo -como se o espaço fosse a superfície de um lago, e os buracos negros fossem objetos se deslocando por ele e produzindo ondas em sua superfície.

Em geral, os movimentos dos corpos celestes são muito suaves para produzir marolas detectáveis. Mas quando dois objetos com muita massa se deslocam um ao redor do outro a velocidades comparáveis à da luz e terminam por colidir é como se uma pedra fosse subitamente atirada no lago do espaço-tempo, produzindo grandes oscilações que se propagam em todas as direções -e aí que as ondas gravitacionais se tornam detectáveis por nossos instrumentos mais sensíveis.

É isso que o Ligo (sigla inglesa para Observatório de Ondas Gravitacionais por Interferometria de Laser), com suas instalações gêmeas localizadas em lados opostos dos Estados Unidos, tem capacidade para “enxergar”.

E foi o que ele captou em 26 de dezembro de 2015, à 01h38 (de Brasília), quando as ondas gravitacionais produzidas 1,4 bilhão de anos atrás finalmente atingiram a Terra, viajando pelo espaço à velocidade da luz.

Novidades

A exemplo da detecção inaugural, essa também envolve a colisão de dois buracos negros. Mas dessa vez os objetos são bem menores, com 14 e 8 vezes a massa do Sol.

Ao se fundirem, produziram um buracão negro de 21 massas solares -o que significa dizer que o equivalente a um Sol inteiro foi dissipado na forma das ondas gravitacionais.

Na primeira detecção, os buracos negros em colisão tinham 29 e 36 massas solares -objetos tidos como atípicos pelos astrofísicos, pois as supernovas que observamos hoje (estrelas de alta massa que explodem suas camadas superiores após esgotarem seu combustível) não teriam massa suficiente para, após sua detonação, produzir buracos negros desse tamanho.

“Os modelos astrofísicos não preveem para essas estrelas massas maiores que 100 massas solares. Portanto, elas não conseguiriam formar buracos negros de 30 massas solares”, explica Odylio Aguiar, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e membro da Colaboração Ligo -o consórcio internacional de cientistas que analisa os dados do observatório norte-americano.

“Entretanto, existem fortes indícios de que a primeira geração de estrelas poderia ter um limite muito maior -algo como 500 massas solares. Para elas seria fácil produzir um buraco negro de 30 massas solares”, complementa. “Portanto, existe a hipótese de que os buracos negros do evento anterior teriam sido oriundos das primeiras estrelas formadas no Universo.”

Já a segunda detecção divulgada agora, envolve buracos negros “convencionais”, produzidos por restos de estrelas de gerações mais recentes. Mas não é por isso que o evento é menos interessante: ele permite pela primeira vez investigar a física de buracos negros a fundo, algo que evidentemente não se pode fazer com telescópios.

Os pesquisadores parecem ter conseguido identificar a rotação de um dos buracos negros envolvidos na colisão, e será possível confrontar o resultado com modelos para compreender melhor esses misteriosos objetos cósmicos.

“Esse evento consagra a astronomia de ondas gravitacionais, e o Ligo como um observatório de ondas gravitacionais”, festeja Aguiar.

Novas detecções

Agora que o sistema atingiu comprovadamente a sensibilidade necessária para fazer detecções desse tipo (graças a uma recente atualização, a coisa deve esquentar).

Aliás, houve uma “quase detecção” também em outubro de 2015 (entre as duas confirmadas), mas que não foi reportada por falta de confiabilidade suficiente -“apenas” 85% de chance de ser real. Os cientistas são bastante exigentes com essas coisas: as duas ocorrências efetivamente anunciadas têm um nível de confiança de 99,9999%.

E é importante notar que não é só de buracos negros que vive a geração de ondas gravitacionais -estrelas de nêutrons, que são um pouco menos densas, mas ainda assim reúnem muita massa, também podem gerá-las.

“Vamos torcer agora por um evento que envolva uma estrela de nêutrons”, diz Aguiar.

Manutenção

Neste momento, o Ligo está em manutenção, para o aumento de sua sensibilidade. As instalações devem voltar à ação no segundo semestre deste ano, inaugurando a segunda temporada de caça às ondas gravitacionais.

Com informações: Folhapress

17:02 · 28.04.2015 / atualizado às 17:07 · 28.04.2015 por
Foto: Trek Peru
Em um dia comum, no Parque Nacional Yanachaga, no Peru, cada animal era avistado de cinco a 15 vezes. Porém, em cinco dos sete dias imediatamente anteriores ao evento sísmico, nenhum movimento de animal foi registrado. Na imagem, um trio de mutuns Foto: Trek Peru

O dado de que alterações no comportamento dos animais sinalizam, com horas ou dias de antecedência, eventos como os terremotos já era conhecido. Especialmente noticiada foi a disparada dos elefantes asiáticos para terras altas por ocasião do terremoto seguido de tsunami de 26 de dezembro de 2004.

Muitas vidas humanas foram salvas graças a isso. Mas tais eventos ainda não haviam sido documentados de maneira rigorosa e conclusiva. Nem fora estabelecida uma correlação de causa e efeito entre essa modificação do comportamento animal e fenômenos físicos mensuráveis.

Isso ocorreu agora em pesquisa realizada por Rachel Grant, da Anglia Ruskin University (Reino Unido), Friedemann Freund, da agência espacial Nasa (Estados Unidos), e Jean-Pierre Raulin, do Centro de Radioastronomia e Astrofísica Mackenzie (Brasil). Artigo relatando o estudo, foi publicado na revista Physics and Chemistry of the Earth. O físico Jean-Pierre Raulin, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, participou do estudo no contexto do projeto de pesquisa “Monitoramento da atividade solar e da Anomalia Magnética do Atlântico Sul (AMAS) utilizando uma rede de receptores de ondas de muita baixa frequência (VLF) – SAVNET – South América VLF network”, apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) .

“Nosso estudo correlacionou alterações no comportamento de aves e pequenos mamíferos do Parque Nacional Yanachaga, no Peru, com distúrbios na ionosfera terrestre, ambos os fenômenos verificados vários dias antes do terremoto Contamana, de 7,0 graus de magnitude na escala Richter, que ocorreu nos Andes peruanos em 2011”, disse Raulin à Agência FAPESP. Os animais foram monitorados por um conjunto de câmeras.

“Para não interferir em seu comportamento, essas câmeras eram acionadas de forma automática no momento em que o animal passava na sua frente, registrando a passagem por meio de flash de luz infravermelha”, detalhou o pesquisador. Em um dia comum, cada animal era avistado de cinco a 15 vezes. Porém, no intervalo de 23 dias que antecedeu o terremoto, o número de avistamentos por animal caiu para cinco ou menos. E, em cinco dos sete dias imediatamente anteriores ao evento sísmico, nenhum movimento de animal foi registrado.

Nessa mesma época, por meio do monitoramento das propriedades de propagação de ondas de rádio de muito baixa frequência (VLF), os pesquisadores detectaram, duas semana antes do terremoto, perturbações na ionosfera sobre a área ao redor do epicentro. Um distúrbio especialmente grande da ionosfera foi registrado oito dias antes do terremoto, coincidindo com o segundo decréscimo no avistamento dos animais.

Explicação

Os pesquisadores propuseram uma explicação capaz de correlacionar os dois fenômenos. Segundo eles, a formação maciça de íons positivos, devido à fricção subterrânea das rochas durante o período anterior ao terremoto, teria provocado tanto as perturbações medidas na ionosfera quanto a alteração comportamental dos animais. A fricção é resultado da subducção ou deslizamento da placa tectônica de Nazca sob a placa tectônica continental.

É sabido que a maior concentração de íons positivos na atmosfera provoca, seja em animais, seja em humanos, um aumento dos níveis de serotonina na corrente sanguínea. Isso leva à chamada “síndrome da serotonina”, caracterizada por maior agitação, hiperatividade e confusão. O fenômeno é semelhante à inquietação, facilmente perceptível em humanos, que ocorre antes das tempestades, quando a concentração de elétrons nas bases das nuvens também provoca um acúmulo de íons positivos na camada da atmosfera próxima ao solo, gerando um intenso campo elétrico no espaço intermediário.

“No caso dos terremotos, cargas positivas formadas no subsolo devido ao estresse das rochas migram rapidamente para a superfície, resultando na ionização maciça de moléculas do ar. Em algumas horas, os íons positivos assim formados alcançam a base da ionosfera, localizada cerca de 70 quilômetros acima do solo. Esse aporte maciço de íons teria provocado as flutuações da densidade eletrônica na baixa ionosfera que detectamos. Por outro lado, durante o trânsito subterrâneo das cargas positivas, devido a uma espécie de ‘efeito de ponta’, a ionização tende a se acumular perto das elevações topográficas locais – exatamente onde estavam localizadas as câmeras. Nossa hipótese foi que, para se livrar dos sintomas indesejáveis da síndrome da serotonina, os animais fugiram para áreas mais baixas”, explicou Raulin.

“Acreditamos que ambas as anomalias surgiram a partir de uma única causa: a atividade sísmica causando estresse na crosta terrestre e levando, entre outras coisas, à enorme ionização na interface solo-ar. Esperamos que nosso trabalho possa estimular ainda mais a investigação na área, que tem o potencial de auxiliar as previsões de curto prazo de riscos sísmicos”, declarou Rachel Grant, principal autora do artigo.

Independentemente da observação do comportamento animal, os resultados obtidos mostram que a previsão de terremotos poderia ser feita também mediante a detecção da ionização do ar, com o monitoramento do campo elétrico atmosférico.

Com informações: José Tadeu Arantes/Pesquisa Fapesp

18:12 · 26.01.2015 / atualizado às 18:25 · 26.01.2015 por
Foto: Reuters
O balão voará a uma altitude de pelo menos 4.500 metros exigindo que os pilotos usem máscaras de oxigênio. Eles ficarão em uma espécie de cápsula cuja temperatura será de cerca de 10°C Foto: Reuters

Uma equipe internacional de balonismo alçou voo na manhã de domingo (25), no Japão, com o objetivo de quebrar recordes.

O balão cheio de gás hélio partiu da localidade de Saga após adiamento no início do ano causado por condições climáticas desfavoráveis.

O voo está sendo monitorado por pesquisadores da Universidade do Estado do Arizona que estão estudando os efeitos da fadiga sobre a capacidade cognitiva. Os pilotos tiveram de estar fisicamente aptos para aguentar os dias dentro de uma espécie de cápsula, dormindo pouco e com oxigênio limitado.

Troy Bradley, de Albuquerque, nos Estados Unidos, e Leonid Tiukhtyaev, da Rússia, pretendem chegar à América do Norte e quebrar o recorde de 8.381 quilômetros percorridos.

Eles também pretendem ultrapassar a barreira de 137 horas de duração de voo, alcançada em 1978, quando Ben Abruzzo, Maxie Anderson e Larry Newman fizeram a primeira viagem transatlântica de balão.

A previsão é que a equipe volte ao solo em pouco mais de seis dias, mas ainda não se sabe onde a dupla pousará. O tempo limite de voo são dez dias. “Isso vai nos manter na beirada de nossos assentos para esta missão”, disse Letitia Hill, diretora de mídias sociais para o controle da equipe, explicando que a indefinição exige atenção da equipe.

Ela assistiu ao lançamento no Museu Internacional de Balões Anderson-Abruzzo, de Albuquerque, no estado norte-americano do Novo México.

Condições hostis

O balão de Bradley e Tiukhtyaev – batizado de Two Eagles – é equipado com um sistema de navegação de alta tecnologia e itens de necessidades básicas, como um kit de primeiros socorros e equipamentos para se comunicar com o centro de comando.

Ele voará a uma altitude de pelo menos 4.500 metros, na troposfera, exigindo que os pilotos usem máscaras de oxigênio. Eles ficarão em uma espécie de cápsula cuja temperatura será de cerca de 10 graus Celsius.

Com informações: Reuters/Agência O Globo/Yahoo

22:12 · 12.01.2015 / atualizado às 22:21 · 12.01.2015 por
Relógio Atômico
Serviço constatou ser necessária a introdução deste “segundo intercalar” para coordenar a escala do Tempo Atômico Internacional com a rotação da Terra Foto: Folhapress

O ano de 2015 vai ser ligeiramente maior do que o ano passado: no dia 30 de junho, às 2o horas, 59 minutos e 59 segundos, 2015 vai ganhar um segundo extra.

Chama-se “segundo intercalar” e a sua introdução nos relógios foi anunciada pelo International Earth Rotation Service (IERS). O serviço constatou ser necessária a introdução deste “segundo intercalar” para coordenar a escala do Tempo Atômico Internacional com a rotação do planeta Terra.

Ou seja, o segundo intercalar vai permitir que os nossos relógios não se adiantem em relação à rotação do planeta. Isto porque a duração do “segundo” na escala do Tempo Atômico é constante e atualmente é mais curta do que a do “segundo” da rotação da Terra, uma vez que a rotação completa do planeta dura cada vez mais tempo – está desacelerando muito muito lentamente, a um ritmo de dois milésimos de segundo por século.

A mudança pode causar alguns problemas. Quando foi adicionado um segundo extra em 2012, várias empresas de software tiveram problemas, como a Mozilla e o LinkedIn, já que não estão preparadas para incluir segundos adicionais. O primeiro “segundo intercalar” foi adicionado em 1972.

Com informações: Diário de Notícias

 

22:14 · 27.10.2014 / atualizado às 22:31 · 27.10.2014 por
Foto: HypeScience
Página do cosmólogo possui mais de 1,6 milhão de seguidores e seu post inaugural, mais de dez mil compartilhamentos e 100 mil curtidas Foto: HypeScience

No dia 7 de outubro, o astrofísico teórico e cosmólogo britânico Stephen Hawking, de 72 anos, abriu uma conta no Facebook.

Ninguém sabia, porém, o real objetivo de sua página até a última sexta-feira (24), quando o professor da Universidade de Cambridge publicou o seu primeiro comentário: “Eu sempre me perguntei sobre o que faz o Universo existir. Tempo e espaço podem ser um eterno mistério, mas isso não impediu minha busca. Nossas conexões entre um e outro cresceram infinitamente e agora que tenho a chance, estou ansioso para compartilhar essa jornada com você. Seja curioso, sei que sempre serei. Bem-vindo e obrigada por visitar minha página no Facebook”.

A vontade de explicar sobre seus trabalhos, pesquisas e questionamentos na rede social parece ter agradado o público: a página possui mais de 1,6 milhão de seguidores e seu post inaugural, mais de dez mil compartilhamentos e 100 mil curtidas.

Por enquanto, a conta não teve muitas atualizações – só duas, além da de estreia. Mas para quem é fã do intelectual, vale a pena ficar de olho nas novidades que seus posts tem a revelar.

Com informações: Isabella Carrera / Portal Revista Época

22:42 · 15.10.2014 / atualizado às 23:00 · 15.10.2014 por
Foto: George Joch/ Argonne National Laboratory
Cientistas do projeto NOvA acreditam que uma melhor compreensão dessas partículas, abundantes e de difícil estudo, pode levar a um quadro mais claro do funcionamento do universo Foto: George Joch/ Argonne National Laboratory

O maior experimento já feito com neutrinos, partículas sem carga elétrica e que interagem com outras partículas por meio de interação gravitacional, pode ser a chave para a compreensão do universo.

Eles podem dar aos pesquisadores pistas sobre a misteriosa matéria escura do espaço e outros fenômenos astrofísicos pouco conhecidos pelos estudiosos. Uma máquina chamada NOvA (assim mesmo, com apenas uma letra minúscula) e constituída por dois enormes detectores, posicionados a 800 quilômetros de distância, um em Batavia, perto de Chicago, e outro em Ash River, Minnesota, pretende estudar essas esquivas partículas subatômicas da natureza.

Os cientistas acreditam que uma melhor compreensão dessas partículas, abundantes e de difícil estudo, pode levar a um quadro mais claro do funcionamento do universo. Usando o feixe de neutrinos mais poderoso do mundo, gerado no Fermi National Accelerator Laboratory, perto de Chicago, a máquina pode gravar os vestígios de neutrinos de forma precisa.

Leves e pequeninos, os neutrinos estão por toda parte. Cerca de 100 trilhões deles passam por nós a cada segundo, sem nos causar nenhum dano. Criados pelo Big Bang, eles dificilmente são detectados pelos cientistas pelo fato de se moverem rapidamente.

Partículas excêntricas

“Das partículas conhecidas, os neutrinos são as mais excêntricas “, disse Steven Ritz, da Universidade da Califórnia. Há três tipos de neutrinos: eles podem mudar de um tipo para outro, mas os cientistas não sabem muito bem o porquê.

Um dos detectores, instalado no subsolo do laboratório, observa os neutrinos ao passo em que eles embarcam em sua jornada através da Terra a quase à velocidade da luz. O outro detecta esses neutrinos e permite que os cientistas analisem como eles mudam ao longo da sua viagem.

O Fermi National Accelerator Laboratory planeja enviar dezenas de milhares de milhões de neutrinos por segundo em um feixe destinado aos detectores. Assim, os cientistas esperam aprender mais sobre a forma como eles mudam de um tipo para o outro.

Com informações: Daily Mail / Portal Terra

23:25 · 17.09.2014 / atualizado às 23:40 · 17.09.2014 por
Foto: Reprodução da web
O projeto “Física Marginal” tem como maiores canais de divulgação: um blog homônimo que permite ao estudante, acessar conteúdos da disciplina; além de um canal de vídeo-aulas na rede social YouTube Foto: Reprodução da web

O cearense Idelfranio Moreira foi um dos 40 educadores brasileiros selecionados para participar do workshop YouTube EDU Academy, relacionado à plataforma online YouTube EDU, que traz vídeo-aulas de diversas disciplinas, em língua portuguesa. Ele participará do evento nesta quinta-feira (18), na sede do Google, em São Paulo.

Moreira é professor de Física há 20 anos e desde 2009 criou o projeto “Física Marginal”, cujos maiores canais de divulgação são: um blog homônimo que permite ao estudante, mediante cadastro gratuito, acessar conteúdos da disciplina; além de um canal de vídeo-aulas na rede social YouTube. Em ambos os meios, a iniciativa privilegia a elaboração de questões inspiradas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), incluindo plantões ao vivo nos últimos finais de semana que antecedem as provas.

Além do foco no Enem, outro diferencial do projeto “Física Marginal” é uma metodologia que traz nos enunciados de cada questão, temas que instiguem um maior interesse dos estudantes na resolução do problema apresentado. Segundo o educador, “celebridades, eventos, curiosidades, tudo pode se tornar uma questão de Física. Assim, vamos atraindo o público, fazendo com que resolver problemas passe a ser um momento privilegiado de estudo.”

Ele próprio relembra que o interesse pela disciplina surgiu aos 12 anos, na década de 1980, justamente assistindo ao seriado norte-americano MacGyver, ou “Profissão Perigo”, onde o protagonista era um agente secreto que combatia o crime, justamente utilizando de seus conhecimentos científicos, notadamente das leis da Física.

Canais de educação fazem sucesso na web

O sucesso de canais de educação no YouTube, tais como o “Física Marginal”, fez com que o gigante do compartilhamento de vídeos na web, com curadoria da Fundação Lemann, lançasse no Brasil, em 2013, a plataforma YouTube EDU, que hoje inclui cerca de 12 mil vídeos-aulas de diferentes disciplinas.

O evento desta quinta-feira (18) será restrito a quarenta educadores, previamente selecionados, em todo o País. O workshop YouTube EDU Academy tem como objetivo preparar professores para o uso de tecnologias e inovação capazes de acelerar o aprendizado e gerar impacto na educação brasileira.

A seleção levou em conta o número de visualizações de seus respectivos vídeos (canais mais populares) e consistiu em uma curadoria com quatro etapas e duração total de seis meses.

Agora, eles vão conhecer detalhes da nova plataforma e receber capacitação para aprimorar o uso da YouTube EDU, além de servir como multiplicadores da educação online no Brasil.