Diário Científico

Categoria: Fisiologia


20:13 · 28.06.2018 / atualizado às 20:24 · 28.06.2018 por
Em 1997, a francesa Jeanne Calmant morreu com a idade recorde de 122 anos Foto: Gerontology

A expectativa de vida máxima de um ser humano já foi atingida? Talvez não, segundo um estudo com centenários italianos publicado nesta quinta-feira (28) que descobriu que a longevidade humana está aumentando lentamente.

Os cientistas debatem há muito tempo se a expectativa de vida máxima das pessoas foi atingida ou não. Um estudo de 2016 na revista Nature argumentou que sim, em 1997, quando a francesa Jeanne Calmant morreu com a idade recorde de 122 anos.

Mas as novas descobertas na revista Science apontam para a possibilidade de prolongar a longevidade humana, e que a expectativa de vida de nossa espécie pode aumentar com o tempo. Com base em dados de mais de 3.800 centenários na Itália, os pesquisadores descobriram que o risco de morte diminui, e até mesmo se estabiliza, acima dos 105 anos.

“À medida que envelhecemos, nossa saúde e riscos de morte pioram cada vez mais rápido. Mas em idades extremas, eles param de piorar”, disse o coautor Kenneth Wachter, professor de estatística da Universidade da Califórnia, em Berkeley. “Eles não melhoram, mas param de piorar. Eles se nivelam”, disse à AFP.

Os pesquisadores estudaram dados sobre todos os habitantes da Itália com 105 anos ou mais entre 2009 e 2015 – aqueles nascidos entre 1896 e 1910 -, um total de 3.836 casos documentados, disse o estudo.

Concentrando-se na mortalidade entre as pessoas nascidas nos mesmos anos, ao longo do tempo eles encontraram ligeiros declínios na taxa de mortalidade.

Isso sugere que, com o passar do tempo, as pessoas estavam vivendo um pouco mais do que as que nasceram nos anos anteriores.

“As melhorias lentas, mas distintas, ao longo do tempo que vemos no nível da estabilização além da idade de 105 anos, dão esperança de que um limite fixo para a expectativa de vida não está sendo observado atualmente”, explicou Wachter.

Fatores socioeconômicos e melhoria no atendimento médico podem ser fatores que aumentam a longevidade humana. Mas “padrões semelhantes de estabilização da mortalidade em idade extrema são observados em outras espécies, sugerindo explicações estruturais e evolutivas comuns”, disse o relatório.

Se a pesquisa for confirmada por outros estudos, isso poderia significar que o limite da expectativa de vida humana ainda não foi atingido. A expectativa de vida global aumentou quase continuamente desde o século XIX, mas se estabilizou nas últimas décadas. Os bebês nascidos nos Estados Unidos hoje, por exemplo, podem esperar viver quase 79 anos, em comparação com 47 anos para os americanos nascidos em 1900.

Mas as pessoas que vivem até a velhice extrema são raras. Desde a morte de Calmant, a tendência geral para a pessoa mais velha do mundo é atingir os 115 anos de idade. Wachter disse que as descobertas não apontam para um novo limite potencial da expectativa de vida. “Nossas descobertas não dizem nada sobre idades além de 113 anos”, disse.

“Mas eles fornecem alguma esperança de que o aumento da compreensão das interações entre variantes genéticas e fatores médicos e comportamentais pode contribuir para uma melhor saúde e sobrevivência para as pessoas na faixa dos 80 e 90 anos, 10 ou 15 anos a partir de agora.”

Com informações: AFP

11:24 · 07.04.2018 / atualizado às 11:24 · 07.04.2018 por
Atualmente, cerca de 34 mil brasileiros fazem uso do medicamento, que é um imunossupressor, ou seja, reduz a atividade do sistema imunológico para que não haja rejeição dos órgãos após o transplante Foto: Farmanguinhos/Fiocruz

O Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos) finalizou, nesta semana, a produção dos primeiros lotes do medicamento tacrolimo, utilizado continuamente por pacientes transplantados de rim e fígado.

A medicação era produzida pela indústria privada nacional Libbs Farmacêutica, mas por meio de um acordo de transferência de tecnologia passou a ser produzida por Farmanguinhos, que é vinculada à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Mesmo antes de iniciar a produção em Farmanguinhos, a Fiocruz e a Libbs já tinham desenvolvido uma parceria de desenvolvimento produtivo do medicamento que gerou, em cinco anos, uma economia de R$ 980 milhões para os cofres públicos, por tornar a medicação mais acessível aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).

A expectativa é de que a economia possa ser ainda maior com a continuidade da produção, após o credenciamento de Farmanguinhos na Anvisa como local de fabricação do remédio.

Beneficiados

Segundo a Fiocruz, atualmente cerca de 34 mil brasileiros fazem uso do medicamento, que é um imunossupressor, ou seja, reduz a atividade do sistema imunológico para que não haja rejeição dos órgãos após o transplante.

São realizados mais de 6 mil novos transplantes de rins e mais de mil de fígado anualmente no Brasil. O tacrolimo é usado por toda a vida de uma pessoa transplantada.

Outros medicamentos

Ainda de acordo com a Fiocruz, espera-se que outros medicamentos da mesma categoria terapêutica passem também a ser produzidos por Farmanguinhos.

Um deles é o everolimo, utilizado em pacientes com câncer renal e que, assim como o tracolimo, consta na lista de medicamentos estratégicos do SUS.

Com informações: Agência Brasil

15:48 · 09.03.2018 / atualizado às 15:48 · 09.03.2018 por
Aspectos relacionados à variabilidade da frequência cardíaca (VFC), como a arritmia sinusal respiratória (ASR), stão presentes em um animal, como a piramboia, que está em nossa base evolutiva Foto: Universidade Federal de São Carlos

Um estudo inédito realizado na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) revelou que características, anteriormente consideradas evolutivamente novas e presentes apenas em mamíferos, estão presentes em peixe primitivo pulmonado, a Piramboia, encontrado no Pantanal brasileiro.

O trabalho foi realizado por pesquisadores do Departamento de Ciências Fisiológicas (DCF) da UFSCar, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e da Birmingham University, além de pós-doutorandos do Programa Interinstitucional de Pós-Graduação em Ciências Fisiológicas (UFSCar/Unesp). O projeto contou com a coordenação de Cléo Costa Leite, docente do DCF da UFSCar, e com recursos do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Fisiologia Comparada (INCT FisComp). A principal descoberta do estudo foi a presença de mecanismos de interação cardiorrespiratória na Piramboia, comprovando que aspectos relacionados à variabilidade da frequência cardíaca (VFC), como a arritmia sinusal respiratória (ASR), são primitivos e estão presentes em um animal que está na base evolutiva dos tetrápodes (vertebrados com quatro membros e respiração pulmonar).

“A Piramboia foi importante para o nosso trabalho porque ela apresenta algumas características semelhantes às de espécies ancestrais que deram origem aos vertebrados de respiração aérea, anfíbios répteis, aves e mamíferos”, relata Leite. De acordo com o docente da UFSCar, a descoberta quebra um paradigma na investigação e nas tentativas de compreensão de fatores relacionados à ASR. A arritmia sinusal respiratória é um fenômeno de interações rápidas de comunicação entre pulmões e coração que geram uma variação da atividade cardíaca quando se inicia a respiração. Ou seja, a frequência cardíaca aumenta na inspiração e diminui na expiração, com o papel de melhorar a eficiência das trocas gasosas.

Mecanismo complexo

O pesquisador aponta que a presença desse tipo de arritmia é interessante por dois motivos: “O primeiro é que seu mecanismo é complexo e difícil de ser executado, exigindo uma série de requisitos para que o animal consiga fazer esse ajuste. O segundo é que a presença de VFC e ASR é observada em pessoas saudáveis, jovens e sem estresse, sendo reduzida quando esses fatores não estão presentes. Dessa forma, a arritmia se tornou um índice clínico importante de saúde e sua ausência é um indicador de certos problemas”, explica Leite.

Outro ponto de destaque do estudo, segundo Cléo Leite, é a forma como o fenômeno da ASR era investigado até então. “Por ser um ajuste complexo e rápido, a arritmia foi considerada algo recente evolutivamente, algo que estaria presente só em mamíferos e seria fruto de aprimoramentos na evolução do grupo. Foi sugerido que esse fenômeno seria importante para a melhoria de trocas gasosas nos pulmões, mas nada foi confirmado. Nós conseguimos comprovar esse papel de melhoria na Piramboia que tem arquitetura cardiovascular diferente dos humanos, por exemplo”, aponta o professor.

Ele acrescenta que a variabilidade da frequência cardíaca é um fenômeno com raízes evolutivas antigas, que tem claro papel funcional em um animal primitivo, como um peixe pulmonado, e que pode não ter mais nenhuma função no organismo dos humanos. “A ASR é uma relíquia evolutiva que teve seu papel funcional em um animal ancestral e pode ter permanecido na progressão do processo evolutivo sem ter mais sua função principal. Assim, não é em humanos que temos de investigar seu papel, sua relevância e compreender sua interação com outros ajustes”, complementa. Leite afirma, no entanto, que tal fato não muda o uso clínico da ASR, mas muda a forma como esse fenômeno deve ser investigado daqui para frente.

A pesquisa desenvolvida na UFSCar é inédita e tem uma abordagem diferente da usual por investigar a origem evolutiva do ajuste em um animal peculiar como o peixe pulmonado. Há teorias da psicobiologia, como a teoria polivagal, que entende que a ASR é um tipo de ajuste presente, exclusivamente, em humanos e utiliza suas características para explicar uma série de comportamentos.

“Contudo, agora sabemos que as raízes de tais características são antigas e potencialmente todos os vertebrados de respiração aérea as possuem. Portanto, as bases explicativas dessa teoria não estão corretas”, explica Leite.

Compreensão da evolução

A partir das revelações do estudo, as próximas etapas envolvem a descrição de alterações desse tipo de regulação em outros grupos de vertebrados e a compreensão das modificações que foram surgindo ao longo da evolução. Em paralelo, o grupo de pesquisadores pretende analisar um tipo de ajuste similar à ASR que ocorre em vertebrados de respiração aquática.

“A área de fisiologia comparada no Brasil tem enorme potencial para ações relevantes dada a enorme biodiversidade que possuímos. Além disso, o grupo de fisiologia comparada da UFSCar é referência nacional e internacional na área e, portanto, temos potencial para o desenvolvimento de testes e investigação de uma série de teorias que estão relacionadas à saúde humana, ao bem-estar animal, às ações antrópicas no meio, dentre diversas outras coisas. Precisamos ter financiamento consistente e seguro para proporcionar as condições de enfrentarmos os desafios e realizarmos as pesquisas”, finaliza Cléo Leite.

A pesquisa foi feita no Laboratório de Biologia Experimental da UFSCar (Grupo de Zoofisiologia e Bioquímica Comparativa), com algumas análises realizadas na UFBA. O estudo gerou um artigo publicado recentemente no periódico científico internacional Science Advances (AAAS).

Com informações: Universidade Federal de São Carlos

16:25 · 01.02.2018 / atualizado às 16:25 · 01.02.2018 por
Mudanças climáticas estão reduzindo o habitat desses animais, forçando-os a ir cada vez mais longe para buscar comida durante o degelo, gastando mais energia que conseguem repor Foto: National Geographic

Os ursos polares têm taxas metabólicas mais altas do que se pensava e isso explica por eles têm sido incapazes de conseguir alimentos em quantidade suficiente para suas necessidades, de acordo com um novo estudo.

De acordo com os autores, publicada nesta quinta-feira (1), na revista Science, a pesquisa mostra quais são os mecanismos fisiológicos por trás do declínio já observado nas populações e nas taxas de sobrevivência dos ursos polares.

“Temos documentado, ao longo da última década, o declínio nas taxas de sobrevivência, nas condições de saúde e nos números populacionais do urso polar. Ao calcular as necessidades energéticas reais dos ursos polares e observar com que frequência eles são capazes de caçar focas, esse estudo identificou os mecanismos que estão levando a esses declínios”, disse o autor principal da pesquisa, Anthony Pagano, da Universidade da Califórnia em Santa Cruz.

Pagano explica que o declínio das populações de ursos já era associado às mudanças climáticas que estão reduzindo o habitat desses animais, forçando-os a ir cada vez mais longe para buscar comida durante o degelo. Mas a conta não fechava, porque não se sabia que os ursos precisavam de tanta energia – os estudos anteriores se baseavam em estimativas de uma taxa metabólica 50% mais baixa.

Monitoramento

Para realizar o novo estudo, os cientistas monitoraram o comportamento dos ursos, a frequência de sucesso na caça e as taxas metabólicas de fêmeas adultas sem filhotes quando elas buscavam presas no gelo do Mar de Beaufort durante a primavera.

O monitoramento foi feito com coleiras hi-tech, que registravam em vídeo as andanças dos animais, rastreando seu deslocamento, seu comportamento e os níveis de atividade em períodos de oito a 11 dias. Foram utilizados também sensores de atividade metabólica para determinar quanta energia os animais gastavam em suas atividades.

Com isso, os cientistas descobriram que as taxas metabólicas registradas eram, em média, 50% mais altas do que as estimadas por estudos anteriores. Cinco dos nove ursos estudados perderam muito peso e não conseguiram caçar focas em número suficiente para suprir seus gastos de energia.

“A pesquisa foi feita no início do período que vai de abril a julho, quando os ursos polares capturam a maior parte das suas presas e conseguem acumular a maior parte da gordura corporal que eles precisam para sustentá-los pelo resto do ano”, disse Pagano.

O cientista afirma que as mudanças climáticas têm efeitos dramáticos no gelo do mar do Ártico, forçando os ursos polares a percorrer distâncias maiores e dificultando a busca de presas.

No Mar de Beaufort, as geleiras marinhas começam a recuar a partir da plataforma continental em julho, quando a maioria dos ursos se move em direção ao norte à medida que o gelo se retrai.

Derretimento do gelo

Com o aquecimento do Ártico, mais gelo derrete nesse processo, obrigando os ursos a percorrer distâncias maiores que no passado. Isso faz com que eles gastem mais energia durante o verão, quando eles ficam em jejum até que o gelo volte, no outono, à plataforma continental. Em outras áreas, como na Baía de Hudson, a maior parte dos ursos vai para a terra quando o gelo marinho recua. Ali, o aquecimento do Ártico faz com que o gelo marinho se rompa mais cedo no verão e volte a se formar mais tarde no outono, forçando os ursos a ficarem mais tempo em terra.

“De qualquer maneira, a questão continua sendo quanta gordura eles podem acumular antes que o gelo comece a recuar e quanta energia eles terão que gastar. Nós descobrimos que os ursos polares têm uma necessidade de energia muito mais alta do que o estimado”, afirmou Pagano. Na primavera, os ursos polares caçam principalmente as focas que nasceram recentemente e que são mais suscetíveis que as focas adultas. No outono, quando as jovens focas já estão mais velhas e espertas, os ursos não conseguem tantas presas. “Calculamos que os ursos podem capturar até duas focas no outono. Na primavera e no começo do verão, eles caçam de cinco a 10 focas”, disse Pagano.

Os cientistas da Universidade da Califórnia em Santa Cruz têm estudado os ursos polares no Mar de Beaufort desde a década de 1980. Segundo Pagano, a estimativa populacional mais recente indica que o número de ursos polares caiu cerca de 40% na última década. Mas, segundo Pagano, era difícil estudar a biologia fundamental e o comportamento dos ursos polares em um ambiente tão remoto e hostil. “Agora nós temos a tecnologia para descobrir como eles se movem no gelo, quais são seus padrões de atividades e suas necessidades energéticas, de forma que podemos entender melhor a implicações das mudanças que estamos observando no gelo marinho” afirmou Pagano.

Com informações: Estadão Conteúdo

17:15 · 05.01.2017 / atualizado às 17:15 · 05.01.2017 por
Imagem: Indian Express
Concepção artística ilustrando a ocorrência de sinapses, como são chamadas as ligações entre os neurônios Imagem: Indian Express

Cientistas da Faculdade de Medicina da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, fizeram uma descoberta inesperada ao comparar a região do cérebro relacionada ao reconhecimento de faces em crianças e adultos.

A área surpreendentemente continua crescendo mesmo na fase adulta, o que contraria o que se pensava até então sobre o desenvolvimento cerebral. A ideia vigente até agora era que o desenvolvimento cerebral ocorria exclusivamente por um processo chamado de “poda sináptica”.

Trata-se de um mecanismo de destruição das sinapses – como são chamadas as ligações entre os neurônios – que são raramente usadas, abrindo o caminho para o desenvolvimento de sinapses mais fortes e eficazes. Para chegarem ao resultado, que está fazendo a ciência repensar o desenvolvimento anatômico do cérebro através dos anos, os pesquisadores recrutaram 22 crianças e 25 adultos. Eles foram submetidos a testes de memória de reconhecimento visual de faces e lugares e aos exames de ressonância magnética funcional e ressonância magnética quantitativa.

A ressonância magnética funcional serviu para identificar, em cada voluntário, as regiões do cérebro ativadas durante atividades de reconhecimento facial e durante atividades de reconhecimento de lugares. Já por meio da ressonância magnética quantitativa, os cientistas mediram a quantidade de tecido cerebral presente nessas regiões anteriormente identificadas como responsáveis pelo reconhecimento de faces e lugares.

Comparação entre crianças e adultos

Ao comparar os resultados obtidos em crianças e em adultos, foi possível verificar que a área responsável pelo reconhecimento de faces continua a crescer em tamanho nos adultos.

O mesmo não ocorre com a área responsável pelo reconhecimento de lugares. Segundo os cientistas, é possível que esse crescimento corresponda a um aumento do volume dos neurônios, tanto do corpo celular e dos dendritos, além da bainha de mielina, estrutura que envolve os axônios.

Os testes também mostraram que a habilidade de reconhecer faces aumenta proporcionalmente ao desenvolvimento do tecido cerebral relacionado a essa função. “Os achados sugerem que melhoras no comportamento são um produto de uma interação entre mudanças estruturais e funcionais no córtex”, diz o estudo.

Com informações: G1

17:40 · 11.05.2015 / atualizado às 17:40 · 11.05.2015 por
Foto: Instituto Salk
Cientistas as chamam células-tronco pluripotentes seletivas de região (rsPSCs, em inglês) Foto: Instituto Salk

Um tipo recém-descoberto de célula-tronco poderia ajudar a fornecer um modelo para o desenvolvimento humano incipiente e, algum dia, permitir que órgãos humanos fossem cultivados em animais de grande porte, como porcos ou vacas para fins de terapêuticos ou de pesquisa.

Juan Carlos Izpisua Belmonte, biólogo de desenvolvimento no Instituto Salk para Estudos Biológicos, em La Jolla, na Califórnia, e seus colegas descobriram por acaso uma variedade antes desconhecida de células pluripotentes. Essas células podem dar originar qualquer tipo de tecido.

A descoberta da equipe feita durante uma tentativa de enxertar células-tronco pluripotentes humanas em embriões de camundongos. Anteriormente, cientistas conheciam dois outros tipos de células-tronco pluripotentes, mas cultivá-las em grande quantidade ou orientá-las para amadurecerem como tipos específicos de células adultas tem se mostrado algo difícil.

Em artigo na revista Nature, Izpisua Belmonte e seus colegas relatam um tipo de célula pluripotente mais fácil de ser cultivada in vitro e que pode ser enxertada em um embrião quando injetada no lugar certo. Os cientistas as chamam células-tronco pluripotentes seletivas de região (rsPSCs, em inglês).

Como células seletivas de região crescem de forma mais rápida e estável que outras células pluripotentes, elas podem ser mais úteis para o desenvolvimento de novas terapias, explica Paul Tesar, um biólogo de desenvolvimento da Case Western Reserve University, em Cleveland, Ohio.

Micro preparado

Izpisua Belmonte e seus colegas procuraram transplantar os tipos conhecidos de células pluripotentes humanas em embriões de camundongos in vitro.

Para isso, eles prepararam essas células cultivando-as em um meio que continha diferentes combinações de fatores de crescimento e substâncias químicas. Uma dessas misturas foi mais eficaz para fazer as células crescerem e proliferarem.

Os pesquisadores constataram que as células que prosperaram nessa solução exibiam diferentes padrões de metabolismo e expressão gênica de outras células-tronco pluripotentes, mas eles não eram facilmente enxertáveis em embriões de camundongos.

Para identificar os fatores que poderiam estar impedindo essa integração, os pesquisadores injetaram as células humanas em três regiões distintas de um embrião de camundongo de 7,5 dias. Trinta e seis horas mais tarde, só as células enxertadas na cauda, ou parte posterior do embrião, tinham se integrado e diferenciado nos tecidos celulares esperados, formando um embrião quimérico, organismo com DNA de origens diferentes.

Como essas células pareciam preferir uma parte do embrião, os pesquisadores lhes deram o apelido “seletivas de região”. Izpisua Belmonte suspeita que embriões contenham múltiplos tipos de células-tronco pluripotentes, inclusive rsPSCs, durante seu desenvolvimento inicial.

Ainda não está claro se as rsPSCs desempenham um papel na designação de que parte do embrião se tornará cabeça ou extremidade traseira.

Identificar vários tipos de células pluripotentes também poderia permitir que pesquisadores estudassem as fases iniciais do desenvolvimento embrionário humano ao transplantarem as células-tronco em embriões animais.

Com informações: Scientific American Brasil/Nature

19:01 · 07.04.2015 / atualizado às 19:07 · 07.04.2015 por
Foto: HNGN
Jeralean Talley, de 115 anos vive nos Estados Unidos. Ela nasceu na Geórgia em 23 de maio de 1899 e nesta terça-feira (7) completa 115 anos e 320 dias, segundo o Grupo de Investigação Gerontológica (GRG) Foto: HNGN

Uma norte-americana nascida no século XIX, Jeralean Talley, tornou-se a pessoa mais velha do mundo após a morte de sua compatriota Gertrude Weaver, que manteve o título por apenas uma semana.

Talley, de 115 anos vive no Michigan. Ela nasceu na Geórgia em 23 de maio de 1899 e nesta terça-feira (7) completa 115 anos e 320 dias, segundo o Grupo de Investigação Gerontológica (GRG), que registra os casos documentados daqueles que ultrapassaram os 110 anos de vida.

De acordo com o GRG, existem no mundo apenas três pessoas nascidas no século XIX, e as três são mulheres de 115 anos: as americanas Jeralean Talley (23/05/1899) e Susannah Mushatt Jones (06/07/1899) e a italiana Emma Morano-Martinuzzi (29/11/1899). O último homem nascido no século XIX (em 1896), o inglês Henry Allingham, faleceu em 2009, segundo o GRG.

No entanto, este registro pode deixar de fora super-centenários que vivem em áreas remotas ou pouco pesquisadas, como a camponesa peruana Filomena Taipe (1897), a mulher mais velha do Peru, que faleceu no último domingo (5) aos 117 anos e que não aparecia na lista do GRG depois de viver ao longo de três séculos. Taipe nasceu em 20 de dezembro de 1897, de acordo com seu registro de identidade.

Há um cearense, natural de Pedra Branca, José Aguinelo dos Santos, que seria ainda mais velho e teria nascido em 7 de julho de 1888, com 126 anos de idade.  E há alegações ainda sem comprovação de pessoas ainda mais velhas em países como México, Bolívia e Uzbequistão, entre outros.

As dificuldades de averiguação da veracidade desses registros é o maior empecilho para ratificar esses supostos recordes.

Segredo

Entrevistada pelo Detroit Free Press sobre o segredo de sua longevidade, Talley, que vive em Inkster, perto de Detroit, disse que isso não dependia de si mesmo. “Vem de cima (…) Não está em minhas mãos ou nas suas”.

Para a revista Time, que entrou em contato com uma de suas filhas de 77 anos, Thelma Holloway, a nova decana come muito porco, fica acordada até tarde e parou de jogar boliche aos 104 anos. A ex-decana da humanidade, Gertrude Weaver, morreu na segunda-feira aos 116 anos.

Gertrude Weaver, que completaria 117 anos em 4 de julho, morreu vítima das complicações provocadas por uma pneumonia em um asilo do estado de Arkansas. A americana, nascida em 1898, se tornou a pessoa mais velha do planeta em 1º de abril, após a morte da japonesa Misao Okawa, aos 117 anos.

“Sabia que era a decana da humanidade e estava muito feliz. Ela apreciava cada ligação, cada carta, cada comentário”, declarou ao jornal Washington Post Kathy Langley, uma das diretoras do centro Silver Oaks Health and Rehabilitation, onde Gertrude morava.

Ao ser questionada sobre o segredo de sua longevidade, Gertrude Weaver afirmou a um jornal de Arkansas que um dos motivos era “tratar bem todo mundo”. Filha de agricultores, Gertrude Weaver era a mais nova de seis irmãos.

Ela teve quatro filhos, dos quais o único ainda vivo completou 94 anos na semana passada, segundo o Washington Post. A japonesa Misao Okawa faleceu no dia 1º de abril, menos de um mês depois de completar 117 anos.

Com informações: AFP

06:51 · 26.08.2014 / atualizado às 11:29 · 26.08.2014 por
Foto: Parents Country
Estudantes do ensino fundamental e médio dos Estados Unidos não têm a quantidade recomendada de horas de sono, entre oito horas e meia e nove horas e meia Foto: Parents Country

Um estudo divulgado nesta segunda-feira (25) pela Associação Americana de Pediatria (AAP) recomenda que as escolas iniciem o dia letivo depois das 8h30, para que crianças e adolescentes possam ter uma noite adequada de sono.

Atrasar o início do dia na escola, pelo menos até 8h30 ajudaria a conter a falta de sono dos alunos, que tem sido associada com a saúde debilitada, notas ruins, acidentes de carro e outros problemas, segundo a AAP. Também conforme a academia, os adolescentes têm regularmente sofrido com a falta de sono.

A pesquisa publicada na revista Pediatrics mostra que os estudantes do ensino fundamental e médio dos Estados Unidos não têm a quantidade recomendada de horas de sono, entre oito horas e meia e nove horas e meia. A maioria, segundo a pesquisa, dorme em média sete horas por noite.

Mais de 40% das escolas públicas do país iniciam as aulas antes das 8h, o que significa que para entrar a tempo do sinal soar, o estudante precisa acordar ainda de madrugada para se preparar para ir à escola.

Quem usa o transporte escolar, ainda fica muito tempo no veículo esperando as outras crianças serem recolhidas para irem à escola.

Perigos para adolescentes

Além do início muito cedo das aulas, atividades extra-classes contribuem para a perda de sono dos estudantes, segundo a AAP.

Os alunos fazem esportes na escola e passam horas à frente do computador para fazer trabalhos escolares e ainda se envolver nas redes sociais.

“Os pais, pediatras e educadores devem concentrar esforços para que os alunos tenham um sono saudável e promovam um ‘toque de recolher digital'”, indica a AAP.

“Entre os perigos para os adolescentes que dormem pouco estão depressão, pensamentos suicidas, obesidade, mau desempenho na escola e riscos de acidentes de carro por dirigir com sono”, disse Judith Owens, diretor de medicina do sono do Centro Médico Nacional Infantil, em Washington.

A pesquisa aponta ainda experiências de escolas que decidiram começar a aula mais tarde e melhoraram a motivação e o humor dos alunos. Mas ressalta que ainda é necessário um estudo mais aprofundado sobre este tema.

Com informações: Associated Press / G1

17:20 · 03.04.2014 / atualizado às 17:32 · 03.04.2014 por
Foto: UFPE
De acordo com os pesquisadores, essa “é a primeira vez que um músculo desenvolvido em laboratório contrai tão fortemente quanto um músculo esquelético neonatal” Foto: UFPEL

Cientistas estadunidenses cultivaram um músculo em laboratório que não apenas parece e funciona como um músculo de verdade, como também se regenera – um passo significativo na engenharia de tecidos.

Os pesquisadores esperam que esse músculo possa ser usado para reparar danos em humanos. Até então, a técnica só havia sido testada em ratos. Os resultados desse trabalho estão descritos na publicação científica Proceedings of the National Academy of Sciences.

Os cientistas da Universidade de Duke, na Carolina do Norte, nos Estados Unidos, dizem que seu sucesso se deve à criação do ambiente perfeito para o crescimento de um músculo – fibras musculares contráteis bem desenvolvidas e um conjunto de células-tronco imaturas, conhecidas como células satélites, que podem evoluir para um tecido muscular.

Durante os testes, o músculo cultivado em laboratório contraía bem e se mostrou forte, capaz de reparar-se usando as células satélites depois que os pesquisadores usaram uma toxina para danificá-lo. Quando foi enxertado em ratos, o músculo pareceu se integrar bem ao resto do tecido circundante e começou a fazer o trabalho que lhe é exigido.

Os pesquisadores dizem que mais testes são necessários antes que eles possam transferir a pesquisa para seres humanos. “O músculo que fizemos representa um importante avanço para o campo de pesquisa”, disse o chefe da pesquisa, Nenad Bursac.

“É a primeira vez que um músculo desenvolvido em laboratório contrai tão fortemente quanto um músculo esquelético neonatal (recém-nascido) nativo.”

Medicina regenerativa

“Vários pesquisadores que têm ‘cultivado’ músculos em laboratório mostraram que estes podem se comportar de maneiras similares às observadas no corpo humano”, opina o especialista britânico em engenharia de tecidos musculares esqueléticos, Mark Lewis, da Universidade de Loughborough (Grã-Bretanha).

“No entanto, o transplante destes músculos para uma criatura viva, continuando a funcionar como se fossem músculos nativos, subiu de nível com o trabalho atual.” Há uma grande esperança na comunidade científica de que as células-tronco, que podem se transformar em qualquer tipo de tecido, transformarão a medicina regenerativa.

Com informações: Portal Terra

17:18 · 28.03.2014 / atualizado às 17:23 · 28.03.2014 por
91% das crianças autistas pesquisadas apresentam 25 genes específicos Foto: Asid Brasil
91% das crianças autistas pesquisadas apresentam ausência de 25 genes marcadores para certos tipos de estruturas cerebrais que formam o córtex Foto: Asid Brasil

O autismo resulta de anomalias no desenvolvimento de certas estruturas cerebrais do feto, revelaram  neurologistas americanos. A descoberta faz parte de estudo que mostra uma desorganização na estrutura cerebral das crianças autistas.

“Se for confirmada por outras investigações, poderemos deduzir que isso reflete um processo que se produz bem antes do nascimento”, explicou Thomas Insel, diretor do Instituto Americano da Saúde Mental (Iasm), que financiou o trabalho publicado na revista New England Journal of Medicine.

“Esses resultados mostram a importância de uma intervenção precoce para tratar o autismo, que atinge uma em cada 88 crianças nos Estados Unidos”, acrescentou. O autismo é “geralmente considerado um problema do desenvolvimento do cérebro, mas as investigações não permitiram ainda identificar a lesão responsável”, disse Insel.

“O desenvolvimento do cérebro de um feto durante a gravidez inclui a criação do córtex – ou córtex cerebral – composto por seis camadas distintas de neurônios”, precisou Eric Courchesne, diretor do Centro de Excelência em Autismo da Universidade da Califórnia (San Diego), principal coautor da pesquisa.

“Nós descobrimos anomalias no desenvolvimento dessas camadas corticais na maioria das crianças autistas”, acrescentou. Os médicos analisaram amostras de tecido cerebral de 11 crianças autistas, com idade entre 2 e 15 anos, no momento da sua morte, e compararam com amostras de um grupo de 11 crianças não autistas.

Os investigadores analisaram uma série de 25 genes que servem de marcadores para certos tipos de células cerebrais que formam as seis camadas do córtex e constataram que esses marcadores estavam ausentes em 91% dos cérebros de crianças autistas, contra 9% no grupo de controle (crianças não autistas).

Com informações: Agência Brasil

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