Diário Científico

Categoria: Genética


20:23 · 02.07.2018 / atualizado às 20:23 · 02.07.2018 por
O Mal de Parkinson é um transtorno neurodegenerativo que afeta o sistema nervoso de maneira crônica e progressiva Foto: The Health Site

Um remédio desenvolvido de forma experimental por pesquisadores da Universidade Johns Hopkins (Baltimore, nos Estados Unidos) conseguiu desacelerar a progressão e os sintomas do Mal de Parkinson, segundo informou o centro universitário.

Os cientistas, que em experiências com cultivos celulares do cérebro humano e um modelo pré-clínico da doença de Parkinson em ratos descobriram que o chamado NLY01 detém “a degeneração neuronal”, pretendem usar ainda este ano o medicamento em testes clínicos.

“O medicamento protege de uma forma realmente assombrosa as células-alvo do sistema nervoso”, explicou Ted Dawson, diretor do Instituto de Engenharia Celular e professor de Neurologia da Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins, com sede em Baltimore (Maryland).

Se os testes clínicos forem bem-sucedidos, o NLY01 seria um dos primeiros tratamentos farmacológicos cuja ação não só estaria encaminhada a melhorar a rigidez muscular, os tremores e a demência, entre outros sintomas do Parkinson, mas também deter a progressão da doença, destacou Dawson. Os resultados do estudo foram publicados na revista científica digital Nature Medique.

Contra o diabetes

Em comunicado, a Universidade Johns Hopkins informou que o NLY01 atua de forma similar aos compostos usados para aumentar os níveis de glicemia das pessoas que sofrem de diabetes.

Embora os resultados de pesquisas anteriores em animais tenham permitido conjecturar o potencial neuroprotetor deste tipo de medicamento contra o diabetes, não foi possível demonstrar concretamente como funcionava este mecanismo no cérebro.

Com o objetivo de descobri-lo, Dawson e sua equipe testaram o fármaco NLY01 em três tipos de células cerebrais de grande relevância: os astrócitos, a micróglia e os neurônios.

Células destruidoras

Os astrócitos, células que permitem a comunicação sináptica, quando se transformam em “reativos” devido a um sinal químico enviado pela micróglia, se “rebelam” e começam a “devorar os pontos de contato das células do cérebro, o que, por sua vez, causa a morte neuronal”. Em uma experiência preliminar com células do cérebro humano reproduzidas in vitro, a equipe de Dawson usou o NLY01 na micróglia humana e descobriu que o sinal de ativação não se produzia e que os astrócitos não se transformavam em células destruidoras e conseguiam conservar sua função neuroprotetora.

Depois testaram a eficácia do fármaco em ratos que, por modificação genética, sofriam de uma versão do Parkinson.

Primeiro experimento

Em um primeiro experimento, a equipe de Dawson injetou a proteína alfa-sinucleína, que, acredita-se, é a principal causa do Parkinson, em dez ratos que posteriormente receberam o NLY01. Além disso, os pesquisadores injetaram a alfa-sinucleína em outro grupo de ratos similares, que depois não receberam o fármaco.

Este segundo grupo de ratos apresentou uma deterioração motora significativa em testes de comportamento, enquanto os ratos tratados com o NLY01 conservaram tanto suas funções físicas normais como os neurônios dopaminérgicos, uma clara indicação do efeito protetor do medicamento em relação ao desenvolvimento da doença de Parkinson.

Segundo experimento

Em um segundo experimento, os cientistas estudaram um grupo de ratos que, por modificação genética, produzia, de forma natural, uma proteína alfa-sinucleína mais análoga à humana.

Em condições normais, os ratos transgênicos deveriam morrer em 387 dias, mas a equipe de Dawson observou que o tratamento com o NLY01 prolongou a sobrevivência dos 20 ratos tratados com o fármaco em mais de 120 dias. Após realizar uma análise mais exaustiva, os pesquisadores perceberam que o cérebro dos ratos tratados com o fármaco NLY01 apresentavam poucos indícios das caraterísticas neurodegenerativas do Parkinson.

O Mal de Parkinson é um transtorno neurodegenerativo que afeta o sistema nervoso de maneira crônica e progressiva. Segundo a Fundação contra o Parkinson, esta doença afeta aproximadamente 1 milhão de pessoas nos Estados Unidos.

Com informações:Agência Brasil

20:13 · 28.06.2018 / atualizado às 20:24 · 28.06.2018 por
Em 1997, a francesa Jeanne Calmant morreu com a idade recorde de 122 anos Foto: Gerontology

A expectativa de vida máxima de um ser humano já foi atingida? Talvez não, segundo um estudo com centenários italianos publicado nesta quinta-feira (28) que descobriu que a longevidade humana está aumentando lentamente.

Os cientistas debatem há muito tempo se a expectativa de vida máxima das pessoas foi atingida ou não. Um estudo de 2016 na revista Nature argumentou que sim, em 1997, quando a francesa Jeanne Calmant morreu com a idade recorde de 122 anos.

Mas as novas descobertas na revista Science apontam para a possibilidade de prolongar a longevidade humana, e que a expectativa de vida de nossa espécie pode aumentar com o tempo. Com base em dados de mais de 3.800 centenários na Itália, os pesquisadores descobriram que o risco de morte diminui, e até mesmo se estabiliza, acima dos 105 anos.

“À medida que envelhecemos, nossa saúde e riscos de morte pioram cada vez mais rápido. Mas em idades extremas, eles param de piorar”, disse o coautor Kenneth Wachter, professor de estatística da Universidade da Califórnia, em Berkeley. “Eles não melhoram, mas param de piorar. Eles se nivelam”, disse à AFP.

Os pesquisadores estudaram dados sobre todos os habitantes da Itália com 105 anos ou mais entre 2009 e 2015 – aqueles nascidos entre 1896 e 1910 -, um total de 3.836 casos documentados, disse o estudo.

Concentrando-se na mortalidade entre as pessoas nascidas nos mesmos anos, ao longo do tempo eles encontraram ligeiros declínios na taxa de mortalidade.

Isso sugere que, com o passar do tempo, as pessoas estavam vivendo um pouco mais do que as que nasceram nos anos anteriores.

“As melhorias lentas, mas distintas, ao longo do tempo que vemos no nível da estabilização além da idade de 105 anos, dão esperança de que um limite fixo para a expectativa de vida não está sendo observado atualmente”, explicou Wachter.

Fatores socioeconômicos e melhoria no atendimento médico podem ser fatores que aumentam a longevidade humana. Mas “padrões semelhantes de estabilização da mortalidade em idade extrema são observados em outras espécies, sugerindo explicações estruturais e evolutivas comuns”, disse o relatório.

Se a pesquisa for confirmada por outros estudos, isso poderia significar que o limite da expectativa de vida humana ainda não foi atingido. A expectativa de vida global aumentou quase continuamente desde o século XIX, mas se estabilizou nas últimas décadas. Os bebês nascidos nos Estados Unidos hoje, por exemplo, podem esperar viver quase 79 anos, em comparação com 47 anos para os americanos nascidos em 1900.

Mas as pessoas que vivem até a velhice extrema são raras. Desde a morte de Calmant, a tendência geral para a pessoa mais velha do mundo é atingir os 115 anos de idade. Wachter disse que as descobertas não apontam para um novo limite potencial da expectativa de vida. “Nossas descobertas não dizem nada sobre idades além de 113 anos”, disse.

“Mas eles fornecem alguma esperança de que o aumento da compreensão das interações entre variantes genéticas e fatores médicos e comportamentais pode contribuir para uma melhor saúde e sobrevivência para as pessoas na faixa dos 80 e 90 anos, 10 ou 15 anos a partir de agora.”

Com informações: AFP

19:20 · 21.06.2018 / atualizado às 19:20 · 21.06.2018 por
Os insetos modificados geneticamente têm espermatozoides defeituosos Foto: Reuters

Uma nova variedade de mosquitos transgênicos deve começar a ser testada para combater o Aedes aegypti, transmissor da dengue, chikungunya, zika e febre amarela. A variedade foi desenvolvida pelo no Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP) e pode começar a ser produzido em fase de testes em setembro. Os insetos modificados geneticamente têm espermatozoides defeituosos que, após o acasalamento, resultam em ovos estéreis.

O mosquito é pensado para se integrar a outras estratégias de combate ao Aedes. Segundo a professora Margareth Capurro, principal responsável pela pesquisa, ao evitar sequer o aparecimento das larvas, o inseto transgênico se combina perfeitamente com o trabalho de identificação e destruição de focos em áreas urbanas. Porque os protocolos de ação dizem que, quando são encontrados mosquitos nesse estágio de desenvolvimento, deve ser feito o uso de produtos químicos para eliminação dos animais.

“Para não ter que mudar todas as medidas, todos os parâmetros do mundo inteiro de combate ao mosquito, a linhagem que é estéril é mais adaptável ao que é a medida do controle”, enfatiza Margareth, que já trabalhou no desenvolvimento de outras variedades de mosquitos modificados geneticamente. Um desses, produzido pela empresa Oxitec, por exemplo, tem machos que transmitem um gene que impede que os descendentes cheguem a fase adulta.

Essa nova pesquisa, financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e pela Agência Internacional de Energia Atômica, atende a uma demanda colocada pela Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo, de acordo com a professora. Por isso, a preocupação de maximizar a integração com outras estratégias de combate ao mosquito.

A segunda fase do projeto, prevista para começar em setembro, será feita em parceria com a organização social Moscamed Brasil, em uma fábrica em Juazeiro, na Bahia. Os testes serão feitos em gaiolas de campo, de 3 metros quadrados, colocadas em ambiente natural. “O objetivo é saber se eles sobrevivem e são capazes de copular na presença de ventos ou de chuvas. Esse é um teste importante, pois, quando fazemos uma modificação genética, além das características de interesse, podemos induzir também características indesejáveis”, explica a pesquisadora.

Se o projeto correr como o esperado, a terceira fase pode ser iniciada ainda no final de 2019, com a produção piloto de 500 mil insetos por semana. A partir dos ajustes finais feitos nesta etapa, o mosquito estará pronto para ser reproduzido em grande escala. A biofábrica de Juazeiro tem capacidade instalada para produzir 14 milhões de mosquitos por semana. Margareth destaca que o Brasil fez, com a variedade da Oxitec, uma das maiores solturas de mosquitos no ambiente do mundo, com cerca de 1 milhão de animais por semana.

A ideia é que esse novo Aedes modificado possa ser usado também em outros países, sendo distribuído pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Com informações: Agência Brasil

16:44 · 30.05.2018 / atualizado às 16:44 · 30.05.2018 por
Concepção artística da espécie Megachirella wachtleri, que pode ter sido o primeiro réptil escamado do mundo Imagem: Davide Bonadonna

Por Reinaldo José Lopes

Há 240 milhões de anos, antes que os dinossauros iniciassem sua escalada rumo à dominação planetária, viveu um pequeno réptil que deixou uma herança de respeito: as cerca de 10 mil espécies atuais de lagartos, serpentes e anfisbenas (também conhecidas como cobras-de-duas-cabeças).

Um novo estudo mostra que o bicho, achado no norte da Itália, é o exemplar mais antigo desse grupo, o dos Squamata (“escamados”). O Megachirella wachtleri, como foi batizado pelos cientistas, ganhou esse status especial ao ser reexaminado por meio de uma técnica de tomografia computadorizada conhecida como micro-CT.

“O espécime foi preservado de forma que somente a parte dorsal do corpo ficou exposta, com toda a parte ventral embutida no pedaço de rocha”, explicou à reportagem o paleontólogo brasileiro Tiago Simões, coordenador do estudo. “A micro-CT nos permitiu ver pela primeira vez como era a anatomia do ventre do fóssil, incluindo dados que foram essenciais para reconhecer essa espécie como um lagarto.”

Simões, que trabalha na Universidade de Alberta, no Canadá, assina o artigo na revista científica “Nature” detalhando as descobertas, junto com colegas de instituições da Europa, da Austrália e dos EUA. Algumas das características exclusivas de lagartos que aparecem no bichinho italiano são a forma da clavícula, com uma curvatura secundária, e o fato de que um dos ossos do pulso se funde ao primeiro metacarpal (equivalente a um dos ossos da mão, logo abaixo dos dedos, em humanos).

Por outro lado, como o animal é muito primitivo, ele ainda retém traços que não existem em cobras e lagartos atuais, como a presença das chamadas gastrália, ou costelas na região da barriga.

Estudo comparativo

A descoberta da nova cara do fóssil foi só parte do trabalho, porém.

A equipe fez ainda um monumental estudo comparativo, cotejando as características do Megachirella wachtleri com uma grande variedade de répteis extintos e modernos. No caso das espécies atuais, eles também fizeram uma análise comparativa de variantes de DNA. Esse caminhão de dados foi usado para montar um mapa da diversificação dessas espécies ao longo de milhões de anos, confirmando a posição do bicho de 240 milhões de anos como o mais antigo dos Squamata.

E bota mais antigo nisso, aliás -ele é 70 milhões de anos mais velho que os fósseis antes apontados como os primeiros representantes do grupo. Há, portanto, um buraco grande a ser preenchido na história evolutiva de lagartos, serpentes e companhia, o que na verdade seria de se esperar mesmo, segundo Simões.”Pequenos vertebrados são mais difíceis de serem preservados como fósseis do que os grandes”, explica. “Além disso, há muito menos pesquisadores trabalhando com Squamata fósseis do que com dinossauros ou mamíferos. Também pode ser que existam lagartos fósseis que ninguém notou até agora em coleções de museus mundo afora.”A idade do Megachirella wachtleri também sugere que os ancestrais de lagartos surgiram um pouco antes da maior extinção em massa da história da Terra, a do Permiano-Triássico.

Na época, outros grupos de vertebrados terrestres dominavam o planeta, mas extinções em massa costumam deixar uma grande quantidade de nichos ecológicos vagos -ou seja, fazem com que diferentes estilos de vida fiquem disponíveis para os poucos sobreviventes da catástrofe.

Como eram de pequeno porte e comedores de insetos, que estão sempre disponíveis mesmo em ambientes mais pobres, os ancestrais dos Squamata conseguiram passar pelo gargalo da megaextinção e se diversificar paulatinamente nos períodos seguintes.

Com informações: Folhapress

18:09 · 22.05.2018 / atualizado às 18:09 · 22.05.2018 por
Dramatização de cena representando solenidade do Império Inca Foto: Escaped to Peru

Pesquisadores de Brasil, Bolívia e Peru vêm rastreando a origem da civilização inca, a maior população pré-colombiana, por meio de estudos genéticos realizados em descendentes contemporâneos dos imperadores incas.

É o primeiro “estudo genético sobre a família imperial inca”, que busca revelar se existiu uma relação patrilinear única, ou seja, somente um patriarca inca, ou se existiu mais de um. Além disso, busca-se comprovar se o império de Tahuantinsuyo, que se estendia do atual Equador até o Chile, se originou de descendentes de Puno ou Cusco, segundo narram duas lendas sobre sua fundação. “Depois de três anos de acompanhamento das marcas genéticas dos descendentes, confirmamos que as duas lendas que narram a origem da civilização inca (1200-1533 d.C.) estariam relacionadas”, assinalaram à AFP os peruanos Ricardo Fujita e José Sandoval, cientistas da Universidade San Martín de Porres, que participaram da pesquisa.

Os primeiros resultados do estudo foram publicados em abril pela revista Molecular Genetics and Genomics. O relatório diz que, a partir de um banco de amostras de DNA de mais de 3.000 nativos de Peru, Bolívia e Equador, compararam a informação genética dos descendentes dos incas que ainda vivem em Cusco e em populações próximas ao Lago Titicaca.

“Chegamos à conclusão que a nobreza de Tahuantinsuyo descende de duas linhagens, uma da região do Lago Titicaca, em Puno, e outra da montanha de Pacaritambo, em Cusco. Isso indica que as lendas sobre a fundação se mantêm e que poderiam ser somente um cenário”, assinalou Sandoval.

Uma das duas lendas que coletadas pelos historiadores após a conquista espanhola é a do casal Manco Capac e Mama Ocllo, que saem do Lago Titicaca (região Puno, língua aimara); e a outra é dos irmãos Ayar, que saem da montanha de Pacaritambo, em Cusco (língua quechua).

“Provavelmente do altiplano (Puno) saiu uma migração inicial que se estabeleceu em Pacaritambo por algumas décadas para, depois, se dirigirem a Cusco e fundar o Tahuantinsuyo”, disse Sandoval.

DNA de descendentes

Para a pesquisa foram usadas 12 famílias dos distritos de San Sebastián e San Jerónimo, em Cusco, “porque têm um contexto histórico de genealogia, existem documentos nos quais indica-se que desde 1570 essas famílias foram reportadas com linhagens dos incas”, explicou Fujita.

Também coletaram amostras de DNA de habitantes do Lago Titicaca e de Pacaritambo. “Foi comparado com a nossa base genética a de mais de 3.000 pessoas para reconstruir a árvore genealógica de todos os indivíduos”, acrescentou. “Ao final a reduzimos a cerca de 200 pessoas que compartilham semelhanças genéticas próximas à nobreza inca”.

Os resultados preliminares indicaram que 18 pessoas estão estreitamente relacionadas com as populações nativas que habitam o sul de Cusco, assim como o altiplano peruano e o norte da Bolívia.

“O que nos diz que os antepassados dos incas vieram do Lago Titicaca fazendo escala em Pacaritambo”.

Em busca de enterros

A investigação agora quer determinar com exatidão as origens dos incas. “Para isso é necessário pegar o DNA de vestígios como múmias que estejam registradas em crônicas ou documentos oficiais que são filhos ou netos dos incas para formar o panorama mais completo da origem da civilização mais importante pré-hispânica”, sustentou Fujita.

Esses restos ainda não foram encontrados porque no século XVI, quando os espanhóis invadiram Tahuantinsuyo, foi imposto o doutrinamento e a evangelização, destruindo e queimando as múmias de incas que os familiares veneravam e levavam em procissão.

Diante deste fato, os pesquisadores estão atrás da localização dos enterros dos descendentes diretos e, para isso, se baseiam nas crônicas e nos documentos oficiais da época.

O especialista assegurou que o DNA complementa a arqueologia, a antropologia e todos os tipos de estudos que compreendem a origem de uma espécie.

“Nesse caso, nós usamos a via da herança, que é o que a genética estuda, a transmissão de traços moleculares por gerações”.

Com informações: AFP

16:29 · 16.05.2018 / atualizado às 16:29 · 16.05.2018 por
Atualmente, a identificação do sexo do bebê pode ser feita pela análise de sangue, coletado a partir da punção das veias da gestante Foto: ShutterStock

Estudo coordenado pelo pesquisador Gustavo Barra publicado na revista Prenatal Diagnosis mostra ser possível identificar o sexo do bebê a partir de algumas gotas de sangue retirada da ponta de dedo da gestante.

Com o resultado do trabalho, realizado pelo Setor de Pesquisa e Desenvolvimento do Sabin Medicina Diagnóstica, em Brasília, a equipe parte agora para a construção de kits de coleta que permitam o uso da descoberta na rotina dos laboratórios, semelhantes àqueles que são usados para identificação de taxas de glicose no sangue. “Será um conforto para as gestantes. Além de permitir que a amostra seja obtida mesmo em locais onde não haja profissionais especializados para fazer a coleta de sangue”, afirmou o coordenador.

Atualmente, a identificação do sexo do bebê pode ser feita pela análise de sangue, coletado a partir da punção das veias da gestante. Isso é possível porque o DNA da porção fetal da placenta percorre a circulação sanguínea da gestante antes de ser eliminado pelos rins, fígado e enzimas presentes no sangue. Quando é encontrado o cromossomo Y, há a indicação de que o feto é masculino.

O estudo mostrou que a identificação também é possível quando o sangue é retirado de vasos sanguíneos de diâmetros reduzidos, os capilares. Assim como ocorre com o teste tradicional, a punção no dedo pode ser feita a partir da 8ª semana de gestação. A pesquisa foi feita com 101 voluntárias.

O estudo revelou, no entanto, que o sucesso da técnica depende do preparo na área onde a punção será feita. “Em algumas análises, o cromossomo Y era encontrado, mas constatávamos depois que se tratava de um feto feminino.” Pesquisadores então identificaram que o erro ocorria porque na ponta dos dedos das gestantes havia também o DNA de outras pessoas. “A contaminação poderia ocorrer de diversas formas. Seja num aperto de mão, seja pegando objetos que acabaram de ser tocados por um outro homem”, conta Barra.

A solução encontrada foi limpar a área onde seria feita a punção com hipoclorito de sódio, mesma substância usada para fazer a higienização de água. Barra conta que, depois da publicação do trabalho, a equipe já foi procurada por empresas dos Estados Unidos e da América Latina interessadas em parcerias para o desenvolvimento de kits de diagnóstico.

Não há ainda prazo para que o produto entre no mercado. Mas Barra estima que o processo não deverá ser demorado.

Com informações: Estadão Conteúdo

16:33 · 27.02.2018 / atualizado às 16:33 · 27.02.2018 por
Foto: Sciences et Avenir

Por Reinaldo José Lopes

Os maiores vírus descobertos até hoje no mundo vêm de dois ambientes extremos do Brasil: lagos de água muito salgada e alcalina do Pantanal e as profundezas do litoral do Rio de Janeiro, cerca de 3 km abaixo da superfície do mar.

Para os padrões do mundo microscópico, os dois Tupanvírus, como foram apelidados, são imensos, chegando a superar diversos tipos de bactérias. O nível de sofisticação de seu DNA também está muito além do que os cientistas esperavam encontrar no universo viral até agora, o que pode ajudar a transformá-los em fábricas biotecnológicas no futuro.

Ainda não se sabe exatamente que tipo de hospedeiro os supervírus brasileiros costumam invadir na natureza, mas os estudos em laboratório mostram que eles conseguem se multiplicar dentro de amebas, a exemplo do que acontece com outros vírus gigantes que têm sido identificados nas últimas décadas. “A diferença é que os Tupanvírus infectam várias espécies diferentes de amebas, são generalistas se comparados aos seus parentes”, conta o biólogo virologista Jônatas Abrahão, do Laboratório de Vírus da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Seja como for, essa predileção por amebas indica que não há motivos para se preocupar com possíveis doenças causadas por eles em humanos. Abrahão é o primeiro autor da pesquisa que descreveu as características dos parasitas, publicada na revista científica de acesso livre “Nature Communications”.

Aspectos virais

Vistas pelo microscópio, as partículas virais parecem pequenos microfones peludos.

As maiores medem 2,3 micrômetros ou mícrons (cada mícron tem um milésimo de milímetro), e grande parte desse comprimento corresponde à cauda cilíndrica do vírus -algo que, por si só, já é inusitado, já que a grande maioria das partículas virais é formada apenas por uma espécie de carapaça, dentro da qual fica armazenado o material genético.

“Tentamos de todos os jeitos separar a cauda do resto do vírus, inclusive com ultrassom, mas não conseguimos”, conta o pesquisador da UFMG. De qualquer modo, faz sentido imaginar que os genes dos Tupanvírus também estejam armazenados apenas na tal carapaça, o chamado capsídeo.

Elo perdido

As lagoas alcalinas da região de Nhecolândia, estudadas por outro coautor do estudo, Ivan Bergier, da Embrapa Pantanal, lembram em parte as condições extremas onde as primeiras formas de vida da Terra teriam surgido.

E, de fato, os vírus recém-descobertos e seus parentes têm algumas características de “elo perdido” entre os organismos formados por células (basicamente todas as formas de vida) e os demais vírus, que não são considerados propriamente vivos pela maioria dos cientistas. Essa aparente confusão vem do fato de que as partículas virais dependem das células que invadem para todos os aspectos de seu ciclo de vida, do uso de energia à reprodução. Para isso, elas contrabandeiam seu material genético para dentro da célula hospedeira e deixam que as máquinas moleculares da vítima façam todo o serviço sujo com base no “manual de instruções” dos genes. Vírus não possuem metabolismo, ou seja, não comem nem digerem nada, nem realizam fotossíntese como a das plantas.

Os Tupanvírus se destacam, em primeiro lugar, porque seu manual de instruções é enorme. O genoma deles tem cerca de 1,5 milhão de pares de “letras” químicas de DNA -mais uma vez, acima do que têm algumas bactérias, e em quarto lugar entre os vírus gigantes. Além disso, tal manual contém instruções completíssimas para o processo de produção de proteínas a partir de suas unidades básicas, os aminoácidos, algo que ainda não havia sido visto em nenhum outro vírus.

Ao invadir as amebas, as partículas montam uma espécie de fábrica viral, cooptando mecanismos do hospedeiro para produzir mais cópias de si mesmo, as quais arrebentam as células e partem para invadir mais amebas.

“É um processo ativo, o vírus orquestra tudo isso”, diz Abrahão.

Utilidade futura

Tamanha versatilidade nas instruções para produção de proteínas pode acabar sendo muito útil para aplicações biotecnológicas. Em projeto financiado pela Fapemig, fundação mineira de fomento à pesquisa, os pesquisadores da UFMG vão tentar usar Tupanvírus modificados para produzir substâncias de interesse humano.

É comum que isso seja feito com a ajuda de bactérias, mas a bioquímica viral consegue fazer pequenos ajustes na molécula “finalizada” que as bactérias não são capazes de realizar, o que levaria a produtos com propriedades mais adequadas.

Com informações: Folhapress

13:34 · 20.02.2018 / atualizado às 16:20 · 20.02.2018 por
Pesquisadores têm estudado os sistemas de manutenção e reparo do material genético de humanos e outros animais e algumas moléculas têm se mostrado promissoras para conseguir melhorias na redução de danos causados pelo processo de divisão celular Foto: FaderMex

Por Reinaldo José Lopes

Dá para levar a sério a ideia de estender a longevidade humana e, quem sabe, produzir pessoas potencialmente imortais? São raríssimos os cientistas dispostos a responder que sim na lata, mas um progresso (muito) modesto já tem acontecido.

Por enquanto, apareceram alguns candidatos interessantes a “alvo molecular” da longevidade. Ou seja, moléculas, ou conjuntos de moléculas, que poderiam ser manipuladas para alterar os sistemas celulares que acabam levando ao envelhecimento. Várias delas tem alguns pontos em comum: estão associadas à maneira como o organismo lida com o excesso de recursos e com o crescimento.

Outra via que está sendo explorada tem a ver com os sistemas de manutenção e reparo do material genético. Problemas no DNA frequentemente desencadeiam câncer, e também há uma importante relação entre a diminuição das estruturas chamadas telômeros (as “pontas de segurança” dos cromossomos, onde o DNA está armazenado) e o envelhecimento celular. Boa parte dos dados que apoiam esses dois ramos da pesquisa vem do estudo de animais de laboratório. Intervenções em espécies de vida relativamente curta, como vermes nematoides, camundongos e ratos, já obtiveram aumentos substanciais da expectativa de vida e da saúde mesmo em idade avançada.

E também há pistas intrigantes vindas do organismo de animais que vivem muito mais do que o esperado considerando seu tamanho e seus parentes -em geral, criaturas pequenas vivem pouco, são muito predadas e se reproduzem velozmente (caso dos roedores), enquanto animais de grande porte e relativamente livres de inimigos naturais (caso dos seres humanos) tendem a ser longevos.

Segredo do morcego

Considere, porém, o caso dos morcegos, e em especial o dos morceguinhos do gênero Myotis, que pesam apenas algumas dezenas de gramas. Eles “deveriam” viver apenas alguns anos, como os roedores, mas a capacidade de voar diminuiu muito a pressão que eles sofreriam por partes dos predadores e permitiu que eles tivessem um ciclo de vida bem mais relaxado, morrendo por volta dos 40 anos (outros morcegos morrem na casa dos 20 anos ou 30 anos).

Um estudo que acaba de ser publicado na revista científica “Science Advances” por Emma Teeling e seus colegas do University College de Dublin (Irlanda) investigou justamente os telômeros do Myotis e de outros morcegos. Teeling explicou à reportagem o resultado: “Não é exatamente que o Myotis tenha telômeros mais compridos, mas o de que eles não encurtam com o passar da idade, conforme o esperado. Seres humanos com mais de 60 anos e telômeros mais curtos têm probabilidade três vezes maior de morrer de alguma doença ligada ao envelhecimento”.

Essa estrutura dos cromossomos diminui com as sucessivas divisões das células. Quando esse encurtamento alcança um nível crítico, chega-se ao estado chamado de senescência celular. A célula não se divide mais, mas pode produzir uma série de substâncias (com capacidade inflamatória, por exemplo) que parecem contribuir para os efeitos negativos do envelhecimento. “Eles também reparam melhor o seu DNA, têm níveis mais altos de controle de tumores e mecanismos anti-inflamatórios rápidos e eficientes”, diz Teeling. A julgar pelos estudos com animais, porém, alguém poderia achar que a intervenção definitiva não poderia ser mais simples: fechar a boca. Os estudos com restrição calórica -às vezes cortando 40% das calorias consumidos pelos bichos- foram os mais bem-sucedidos com espécies pequenas. Resultados preliminares com macacos e humanos, porém, nem chegaram perto desse êxito.

O jeito, porém, talvez seja contornar isso com medicamentos que reproduzem parte dos efeitos moleculares da boca fechada sem fazer as pessoas passarem fome de verdade. Uma delas é a rapamicina, droga originalmente usada para controlar a rejeição de transplantes (veja infográfico). Ela afeta um circuito molecular da célula chamado mTOR que, quando ativado, leva ao crescimento e à divisão celular. Desligá-lo parece colocar a célula em “modo de segurança”, estendendo a longevidade.

Outra possibilidade é a metformina, droga muito usada para controlar o diabetes. Ainda falta muito antes que haja evidências claras de que essas e outras abordagens similares funcionem, porém.

Com informações: Folhapress

17:54 · 16.11.2017 / atualizado às 17:55 · 16.11.2017 por
Pequena comunidade cristã tradicional, que vive nos Estados Unidos, rejeita qualquer tipo de avanço tecnológico Foto: NewsApi

Um grupo de cientistas descobriu uma mutação genética na comunidade Amish dos Estados Unidos, que explica porque alguns de seus membros vivem dez anos mais que a média, segundo um estudo publicado no jornal Science Advances.

Trata-se da última descoberta no estudo sobre a forma de envelhecer desta pequena comunidade cristã tradicional, que rejeita qualquer tipo de avanço tecnológico. Especialistas norte-americanos e japoneses estão testando um medicamento experimental que tenta recriar o efeito da mutação dos Amish, com a esperança de que proteja de doenças vinculadas ao envelhecimento e estimule a longevidade. “Não só vivem mais, vivem mais saudáveis”, explica Douglas Vaughan, presidente da Faculdade de Medicina Feinberg da Universidade Northwestern, autor principal da pesquisa. “É uma forma desejável de longevidade”, destacou.

Os cientistas estudaram 177 membros de 18 a 85 anos da comunidade Berne Amish de Indiana.

Deles, 43 eram portadores da mutação do gene Serpine1 – que provoca uma forte redução da produção da proteína PAI-1 -, estavam em melhor estado de saúde e viviam, em média, dez anos mais (cerca de 85) que o restante de membros Amish que não têm esta variação genética. A expectativa de vida nos Estados Unidos é de 78,8 anos.

Características no DNA

Seu perfil metabólico também era mais sadio e eles sofriam menos de diabetes e doenças cardiovasculares, segundo o estudo.

Os especialistas descobriram, por outro lado, que os telômeros de suas células imunológicas eram em média 10% mais longos. O telômero é um pedaço de DNA situado no extremo de cada cromossomo que o protege e que fica pequeno cada vez que ocorre uma divisão celular, o que contribui para o envelhecimento.

O remédio experimental superou os testes de segurança básicas e agora está em fase 2 no Japão para comprovação de sua eficácia em pessoas obesas com diabetes tipo 2.

A Universidade Northwestern tenta alcançar a permissão para iniciar os testes nos Estados Unidos no ano que vem.

Com informações: AFP

20:52 · 18.07.2017 / atualizado às 21:06 · 18.07.2017 por
Análise de DNA mostra que os cachorros antigos se separaram de seus ancestrais pela primeira vez há cerca de 40 mil anos Foto: VetStreet

De patas curtas ou alongadas, com o pelo enrolado ou comprido, todos os cães do mundo vêm de uma mesma população de lobos domesticados há entre 20 mil e 40 mil anos – revela um estudo publicado na revista científica Nature Communications nesta terça-feira (18).

“Nossos dados mostram que todos os cães modernos espalhados pelo mundo foram domesticados de uma única população de lobos”, diz à AFP a coautora do estudo Krishna Veeramah, da Universidade do Estado de Nova York, em Stony Brook. Tomando indícios genéticos como base, esse novo estudo se soma a outras hipóteses sobre as controversas origens do melhor amigo do homem.

Segundo uma dessas hipóteses, os humanos domesticaram os cães pela primeira vez na Europa, há mais de 15 mil anos. Outros pesquisadores afirmam que essa domesticação teve início no leste da Ásia, pelo menos 12,5 mil anos atrás. Já um estudo publicado no ano passado na revista Science apontou que os cães foram domesticados em dois lugares distintos, partindo de matilhas de lobos na Europa e na Ásia.

Os autores do estudo publicado nesta terça-feira disseram que sua análise de DNA mostra que os cachorros antigos se separaram dos lobos pela primeira vez há cerca de 40 mil anos, em um processo provavelmente desencadeado pela presença de humanos. Os pesquisadores não sabem, porém, em que parte do mundo isso aconteceu.

Há 20 mil anos, disse a equipe, os primeiros cães se dividiram geograficamente entre os caninos do Oriente e os do Ocidente. O primeiro grupo deu origem aos cães do leste da Ásia, e o outro aos cães na Europa, no centro e no sul da Ásia e na África. “Há 7 mil anos, eles (os cachorros) estavam praticamente por toda parte”, disse Krishna Veeramah. O cão europeu desse período deu origem à maioria das raças de cães modernas encontradas hoje, concluíram os pesquisadores.

Krishna Veeramah e seus colegas analisaram amostras de DNA fossilizado de dois cães encontrados na Alemanha. Um deles, de 7 mil, é o cão mais velho a ter tido seu DNA sequenciado até hoje. O outro é de pelo menos 4,7 mil anos. Ambos remontam ao Neolítico, período que marca o início da agricultura e da pecuária. O genoma desses dois “senhores” europeus é parecido com o dos cachorros do presente, o que sugere uma origem geográfica única de cães domésticos.

O processo de domesticação desse animal – um carnívoro potencialmente perigoso ao homem – foi, certamente, “difícil”, afirma Krishna Veeramah, bem mais do que a de ovelhas, porcos, ou vacas. “A hipótese atual é que esse processo ocorreu passivamente a partir de uma população de lobos que vivia na periferia dos campos de caçadores-coletores, alimentando-se do lixo produzido pelos humanos”, relata a cientista.

Os menos agressivos teriam, então, desenvolvido uma relação particular com os homens. É essa população ancestral de cães, única, que teria se disseminado pelo planeta, provavelmente ao sabor dos deslocamentos humanos.

Com informações: AFP

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