Diário Científico

Categoria: Genética


11:37 · 20.05.2013 / atualizado às 12:05 · 20.05.2013 por
Vacina mostrou eficácia em roedores e porcos e deve ser testada em humanos voluntários ainda em 2013 Foto: USP / Divulgação
Vacina mostrou eficácia em roedores e porcos e deve ser testada em humanos voluntários ainda em 2013 Foto: USP / Divulgação

Pesquisadores do Instituto do Coração (InCor), da Universidade de São Paulo (USP), desenvolveram uma vacina contra a febre reumática – doença inflamatória que acomete pessoas geneticamente suscetíveis após uma infecção bacteriana. O medicamento deve começar a ser testado em seres humanos ainda este ano .

Experimentos feitos em roedores e em pequenos porcos sugerem que o imunizante é seguro e tem capacidade de induzir uma resposta imunológica específica contra a bactéria Streptococcus pyogenes. “Com esses resultados em mãos, estamos prontos para iniciar estudos de fase 1 em humanos. Apenas aguardamos a liberação do financiamento pré-aprovado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)”, projetou cientista. No primeiro momento, serão vacinados apenas indivíduos adultos saudáveis (voluntários). O objetivo é verificar se o imunizante consegue induzir a produção de anticorpos específicos.

Como funciona a febre reumática

Na maioria dos infectados, esse patógeno causa apenas dor de garganta, mas em crianças predispostas, porém, o contato com ela pode desencadear um quadro autoimune.  Na tentativa de se defender da bactéria, o sistema imunológico começa a atacar tecidos do próprio organismo – o coração é o principal alvo. “Isso acontece porque partes da bactéria têm sequências de aminoácidos e a conformação de algumas proteínas muito parecidas com as existentes nas válvulas cardíacas”, explicou Luiza Guilherme, pesquisadora do InCor e coordenadora da pesquisa.

A doença também pode causar um quadro de dor nas articulações conhecido como poliartrite, que costuma melhorar com o tempo. Mas as lesões nas válvulas cardíacas são progressivas e permanentes – levando, cedo ou tarde, à necessidade de cirurgia. “Quando o paciente é operado pela primeira vez ainda criança, a chance de precisar passar por várias cirurgias ao longo da vida é grande. Por isso a febre reumática é uma das doenças com tratamento mais caro no Brasil e no mundo”, afirma a pesquisadora. Estima-se que de 3% ou 4% das pessoas sejam suscetíveis a desenvolver doença autoimune após a infecção pela S. pyogenes.

Ainda assim, o custo do tratamento da febre reumática para o Sistema Único de Saúde (SUS) fica atrás apenas do gasto com a Aids. No levantamento mais recente, feito em 2007 pelo Ministério da Saúde,  foram R$ 60 milhões para custear o tratamento clínico da doença e outros R$ 120 milhões para cirurgias cardíacas. No InCor, onde são atendidos cerca de 600 pacientes com a doença reumática cardíaca por mês, 2 mil pessoas estão na fila para fazer a cirurgia valvular. Quase 40% dos operados são crianças.

19:04 · 08.04.2013 / atualizado às 22:12 · 08.04.2013 por
Últimos botocudos devem ter vivido no início do século XX, no Espírito Santo Imagem: Walter Garbe, 1909
Últimos botocudos devem ter vivido no início do século XX, no Espírito Santo Imagem: Walter Garbe, 1909

Qualquer estudante de Ensino Médio sabe que houve pelo menos três “descobertas” da América.  A primeira ocorreu entre 20 e 15 mil anos atrás e ocorreu em até três correntes migratórias vindas da Ásia e do Ártico para a América do Norte e povoou quase todo o continente.

A segunda, não muito bem sucedida, aconteceu no século XI e trouxe um grupo de vikings nórdicos paraa Groenlândia e para o leste do  Canadá. A temporada mais famosa de “descobertas” trouxe espanhóis, portugueses e, posteriormente, holandeses, franceses e ingleses para cá entre os século XV e XVI.

Contudo, a povoação do continente pode ter tido pelo menos mais um capítulo. Um grupo polinésio pode ter chegado à América (e mais precisamente ao Brasil) navegando a partir de Madagascar, na África. Análises de DNA estabeleceram uma conexão entre a antiga tribo brasileira  dos botocudos e povos que viviam na Polinésia, região insular da Oceania, há menos de 3 mil anos e que migraram para a ilha africana há dois mil anos.

Cientistas brasileiros descobriram uma conexão genética entre o grupo indígena extinto entre o fim do século 19 e o início do século XX  e a população polinésia. O artigo científico, assinado por uma equipe de diferentes universidades públicas brasileiras, foi publicado nas prestigiadas revistas PNAS e  Nature. O trabalho não contesta o caminho percorrido pelos primeiros homens rumo às Américas,  mas, segundo o pesquisador Hilton Pereira da Silva, “amplia potencialmente a variedade de pessoas que chegaram até o continente americano”.

Menina malgaxe, de Madagascar, com similaridade genética em relação aos povos botocudos do Sudeste brasileiro Imagem: Brocken Inaglory
Menina malgaxe, de Madagascar, com similaridade genética em relação aos povos botocudos do Sudeste brasileiro Imagem: Brocken Inaglory

Os pesquisadores escrevem que as análises para identificar a origem dos povos pré-colombianos eram feitas, tradicionalmente, a partir da morfologia craniana de ossadas. Algumas análises moleculares sugeriam que apenas uma onda migratória teria chegado à América do Sul na pré-história, mas a presença de traços polinésios coloca essa teoria em xeque. Para Silva, o que faz esse estudo singular é a descrição inédita desse conjunto genético no que ele define como “uma população homogênea do continente americano”.

Segundo ele, estudos sugerem que as populações mais antigas das Américas tinham pouco contato com outros humanos. “No caso dos botocudos, é interessante por que são considerados historicamente um grupo muito aguerrido e hostil ao contato exterior”. Essa peculiaridade dos botocudos torna ainda mais relevante o contato identificado pelo estudo. “É um fato histórico importante”, opina. A partir da descoberta, pesquisadores de outros povos ameríndios tendem a incluir essa marca genética em sua agenda de buscas.

Quem eram os botocudos e como podem ter se cruzado com povos de Madagascar

Os índios Botocudos, também chamados de Aimorés, viviam em áreas hoje correspondentes aos Estados de Minas Gerais, Espírito Santo e Bahia, divididos em diferentes comunidades. “Consideramos os botocudos culturalmente extintos. Não existem descendentes reconhecidos atualmente”, explica Hilton Pereira da Silva, que é também doutor em Antropologia e coordenador do Laboratório de Estudos em Bioantropologia, Saúde e Meio Ambiente da Universidade Federal do Pará (UFPA).

A análise genética foi feita a partir de DNA mitocondrial, extraído dos dentes de 14 crânios de botocudos que estão no Museu Nacional do Rio de Janeiro: “Como o material que analisamos é comprovadamente de populações indígenas, essa analise genética indica que essa população teve contato com um outro grupo ou indivíduo.” No entanto, o estudo não descarta a possibilidade de que essa troca genética entre os botocudos e o povo de origem malgaxe-polinésia pode ter ocorrido a partir de algum descendente de escravos trazidos para o continente americano, proveniente de Madagascar.

22:28 · 27.03.2013 / atualizado às 01:45 · 28.03.2013 por

Um conjunto de 13 artigos assinados por pesquisadores de mais de 160 grupos espalhados pelo mundo apresenta uma análise em larga escala de alterações genéticas ligadas ao câncer.

O resultado é a descoberta de mais de 70 novas alterações em regiões do genoma cuja presença indica uma probabilidade maior de desenvolver tumores de próstata, mama e ovário.

Além de ajudar a desvendar como essas “trocas de letras” do DNA contribuem para o aparecimento da doença, o objetivo do trabalho é mudar a forma como o câncer é rastreado na população, personalizando a indicação de exames que procuram sinais precoces da doença, como mamografias.

Hoje já se sabe que 30% dos cânceres têm um componente hereditário. Quando os médicos suspeitam, pelo histórico familiar, por exemplo, que uma pessoa carrega uma predisposição ao câncer, é possível realizar testes genéticos para confirmar isso e tomar precauções.

Exames

Já há no mercado, na rede privada e em centros de pesquisa também de instituições públicas, testes que procuram no genoma dos pacientes essas alterações nas “letras químicas” que indicam doenças. No entanto, eles só buscam um pequeno número de mudanças bem conhecidas e associadas ao risco.

Entre elas estão as alterações nos genes BRCA1 e BRCA2, fortemente ligadas a câncer de mama e ovários. Segundo José Cláudio Casali, oncogeneticista do Hospital Erasto Gaertner e professor da PUC do Paraná, em 70% dos casos de câncer de mama em que há suspeita de componente hereditário não se consegue achar a mutação associada.

O conhecimento de mais indicadores deve reduzir essa incerteza. Com um resultado em mãos, o paciente pode tomar precauções. “Não é porque está escrito no DNA que o câncer está no seu destino”, diz Casali. Entre as possíveis providências estão o uso de remédios para prevenir um tumor, cirurgias, como a retirada de ovários ou mama, o aumento de frequência de exames de detecção precoce e mudanças no estilo de vida.

“Hoje já está estabelecido o conceito de tratamento personalizado para o câncer, mas fala-se pouco em prevenção personalizada”, completa Casali. As alterações genéticas mais procuradas nos testes disponíveis hoje na rede privada de saúde são raras. O que os pesquisadores estavam procurando eram trocas de letras mais comuns na população. Isoladamente, cada uma indica um risco só um pouco aumentado.

Em conjunto, segundo uma das pesquisas, assinada por Douglas Easton, da Universidade de Cambridge, e colegas, as alterações colocam 1% das mulheres com um risco até quatro vezes maior de ter câncer de mama do que a população em geral. Em um futuro próximo, essas informações podem melhorar a programação de mamografias e exames de próstata periódicos, por exemplo, de acordo com o perfil de risco de cada um.

“Mesmo com o rastreamento, hoje você pode, por um lado, deixar casos passarem e, por outro, fazer exames em excesso”, afirmou Vilma Regina Martins, diretora do Centro Internacional de Pesquisa do Hospital A.C. Camargo.

01:50 · 18.03.2013 / atualizado às 05:12 · 18.03.2013 por
Rã extinta em 1983 punha ovos, mas os engolia e os incubava no estômago para depois dar a luz pela boca Imagem: Universidade de Adelaide
Rã extinta em 1983 punha ovos, mas os engolia e os incubava no estômago, para depois dar a luz pela boca Imagem: Universidade de Adelaide

Ainda não foi dessa vez que “ressuscitaram” um “monstro” pré-histórico e nem sequer dá para dizer que o experimento foi totalmente bem sucedido, mas um grupo de cientistas australianos (ligados ao Projeto Lazarus) chegou muito perto de “ressuscitar” uma exótica espécie de rã daquele país, extinta há 30 anos.

A Rheobatrachus silus vivia no leste da Austrália até 1983 quando foi declarada extinta. Dois anos depois, seu parente mais próximo a rã Rheobatrachus vitellinus, que vivia mais ao norte, também desapareceu do planeta. As duas espécies tinham uma característica um tanto quanto bizarra de “dar a luz” pela boca, dias após a fêmea engolir os ovos e incubá-los no estômago.  O processo era possível porque a secreção dos sucos digestivos era interrompida, enquanto os ovos habitavam o estômago das fêmeas. Os girinos excretavam algum tipo de enzima que inibia a digestão gástrica.

Para tentar “reviver” a espécie extinta há mais tempo foram utilizadas técnicas de clonagem. Os pesquisadores conseguiram implantar de forma bem-sucedida núcleos retirados de células “mortas” do animal, que estavam congeladas há anos, em células de outra espécie aparentada, a Mixophyes fasciolatus (as três espécies citadas até aqui pertencem à ordem anura)Ao substituir o núcleo ativo das células da espécie “barriga de aluguel” pelo núcleo da rã extinta, os cientistas conseguiram que ocorresse espontaneamente a divisão celular e que novas células surgissem. Os embriões, no entanto, morreram após alguns dias.

Exemplar de Rheobatrachus silus foi criopreservada nos anos 1980 e agora suas células serviram de base para experimento que quase trouxe a espécie de volta à vida Imagem: National Geographic
Exemplar de Rheobatrachus silus foi criopreservada nos anos 1980 e agora suas células serviram de base para experimento que quase trouxe a espécie de volta à vida Imagem: National Geographic

Apesar disso, testes genéticos confirmaram que as novas células obtidas continham material genético da rã extinta. “Nós reativamos células mortas usando células vivas e ‘revivemos’ o genoma da rã extinta no processo. Agora nós temos células preservadas criogenicamente (congeladas) do animal extinto, para usar em futuros experimentos. Estamos confiantes que os obstáculos agora são tecnológicos e não biológicos, e que vamos ser bem-sucedidos”, previu o professor Mike Archer, da Universidade de New South Wales, em Sydney.

“Ressurreição” de espécies animais extintas ainda é feito inédito

O Ceará Científico já noticiou a “ressurreição” de uma espécie vegetal na Rússia, embora por um método diferente da clonagem. Na verdade, naquele caso foi feita a reativação de uma semente da espécie Silene stenophylla que estava congelada há 32 mil anos no permafrost siberiano. Alguns cientistas também dizem ter conseguido reativar esporos bacterianos inativos há milhões de anos, mas nunca um animal extinto havia sido ressuscitado.

Embora a experiência australiana ainda não tenha trazido de volta a rã exótica, o desenvolvimento de embriões já é o maior feito até hoje para aqueles que esperam fazer uma versão mais realista do Jurassic Park imaginado pelo cineasta Steven Spielberg, onde viveriam dinossauros ressuscitados por clonagem de seus DNAs. Na verdade, sabe-se que isso seria muito improvável já que o DNA é uma molécula que em condições normais não sobreviveria a 65 milhões de anos (ou mais) de transformações planetárias.

No entanto, animais pré-históricos extintos há menos tempo  ou aqueles que foram levados à extinção pelas mãos humanas como o tilacino, o dodo, entre outros, poderiam ser ressuscitados caso a técnica australiana ou outras técnicas paralelas experimentadas ao redor mundo avancem. O blog já noticiou a iniciativa russo-coreana para ressuscitar o mamute e a iniciativa estadunidense de “ressuscitar” o parente extinto mais próximo de nós: o neandertal. Assim, quem sabe os fãs da saga de animação “A Era do Gelo” venham a conhecer pessoalmente, num futuro próximo, os animais retratados no filme.

17:51 · 21.01.2013 / atualizado às 21:43 · 21.01.2013 por
Neanderthais desapareceram há cerca de 30 mil anos, possivelmente devido à competição com os humanos modernos, embora a teoria seja controversa Imagem: News.com.au

Os prováveis primos mais próximos da humanidade podem estar de volta…

Um dos maiores geneticistas do planeta, o norte-americano George Church, quer clonar um neandertal, a espécie (ou subespécie segundo alguns cientistas) que se acredita ser a mais próxima da nossa. 

Para conseguir tal feito, ele já está à procura de uma mulher disposta a ser “barriga de aluguel” nessa experiência polêmica, embora não tenha informado se e quanto pagará pela, digamos assim, colaboração científica.

Extintos há cerca de 30 mil anos, os neandertais teriam deixado quantidade suficiente de DNA em ossos fossilizados para a experiência, de acordo com Church. O geneticista vai mais além e diz que ele próprio já tem guardado o material genético neandertal necessário.
 
Professor da Escola de Medicina de Harvard, nos Estados Unidos, o geneticista começaria com a recriação, em laboratório, do DNA de Neandertal a partir do código genético encontrado nos fósseis. Esse material seria injetado em células de um embrião humano e, depois de crescer no laboratório por alguns dias, o embrião seria implantado no útero de uma mãe de aluguel.

Church disse que, ao contrário do que se imagina, o homem de Neandertal era  uma espécie muito inteligente. “Eles poderiam até mesmo ser mais inteligentes do que nós”, afirmou ao destacar que o seu modo de pensar diferenciado poderia ajudar a humanidade. 

 A técnica de Church é apontada como tecnicamente possível pela maioria dos outros geneticistas, embora esbarre em questões éticas, já que a clonagem humana é considerada crime na maioria dos países, incluindo os Estados Unidos.

No entanto, a brecha legal pode estar exatamente na definição do que é realmente  humano. Se o critério for estendido às espécies extintas do nosso gênero Homo,  Church terá grandes dificuldades em levar à frente seu experimento.

10:07 · 28.10.2012 / atualizado às 13:07 · 28.10.2012 por
Cútis laxa deixa a pele da menina chinesa Yuxin com pele similar a de uma pessoa idosa Imagem: Reprodução/ Daily Mail Online

Para quem é fã de cinema, o caso pode até lembrar o do filme “O Curioso Caso de Benjamin Button”, mas a história da menina chinesa Yuxin Xiaoli é bem mais triste. Com apenas um ano, ela já parece ter a pele de uma idosa.

O sintoma é causado por uma doença rara, a cútis laxa, que afeta o tecido conjuntivo e torna a pele inelástica e cheia de dobras, tanto no rosto quanto no corpo. O caso foi relatado no site do jornal britânico Daily Mail.

.A mãe da garota, Yang Xiaoli, de 23 anos, lembra que a condição já estava manifesta no nascimento da filha, mas não foi associada a nenhuma doença, inicialmente, e também não foi diagnosticada durante a gestação. “Nós não demos muita atenção, pensamos que todas as crianças eram assim.”

“Ela parece um velho”, descreve a avó da menina, Cao Niu. “A última vez que eu a levei ao médico, outra criança ficou com medo e chorou muito. Eu reluto em levá-la para fora, porque as pessoas pensam que ela é um alienígena. Mas ela é bastante ativa e esperta e imita expressões faciais rapidamente “.

Yuxin também sofre de uma doença cardíaca congênita, pneumonia e asma, passando a maior parte do tempo em um hospital infantil em Zhengzhou, capital da província de Henan. O cabelo da criança tem de ser mantido curto, para que os médicos possam administrar medicamentos através de tubos e injeções na cabeça.

18:56 · 21.09.2012 / atualizado às 14:35 · 22.09.2012 por
Crânio s de mamute expostos em museus pelo mundo dão uma dimensão do extraordinário tamanho que tinham estes animais na pré-história Imagem: Jornal Ciência

Ainda é apenas uma especulação, mas a descoberta do cadáver de um mamute-lanudo encontrado sob o permafrost siberiano, na Rússia, em ótimo estado de conservação, alimenta a esperança de geneticistas e paleontólogos em trazer de volta à vida esse animal extinto há pelo menos 3700 anos.

A descoberta inclui um tecido macio, pelos e medula óssea”, disse Grigoryev Semyon, líder da expedição à Yakutia, região situada no leste russo. As pesquisas agora se concentraram na busca de células-vivas, com núcleos genéticos bem preservados, o que pelo menos em tese permitiria a tentativa de clonar o animal.

Contudo, cientistas da Academia Russa de Ciências se apressaram em colocar um freio às especulações afirmando que as chances de achar DNA intacto são pequenas. Se são os entusiastas da clonagem ou os cientistas cautelosos que têm razão, a resposta deve sair bem longe da Rússia, mas precisamente no laboratório Sooam Biotech Research Foundation, coordenado pelo cientista Hwang Woo-Suk , na Coreia do Sul.

Confira vídeo produzido pela BBC Brasil

O problema é que a reputação do sul-coreano não é das melhores. Em 2006, ele chegou a anunciar a clonagem humana, mas logo desmentiu. Um ano antes, Woo-Suk havia conseguido clonar com êxito um cão e no ano passado clonou um coiote. Nesse meio tempo, o polêmico geneticista tem se destacado pela defesa da clonagem de mamutes e outros animais pré-históricos, o que até o momento só foi realizado em obras de ficção científica…

O material encontrado estava a uma profundidade de 100 metros e é estimado com idade de cerca de 10.000 anos. Adrian Lister, do Museu de História Natural de Londres, disse que a descoberta é fantástica por possuir a mais completa carcaça dessa espécie já encontrada. Estima-se que, embora a maioria dos mamutes tenha sido extinta na época em que viveu o mamute encontrado em Yakutia, há evidências de que um pequeno grupo sobreviveu isolado na ilha de Wrangel, situada no Oceano Ártico, até o ano de 1.650 a.C.

Para se ter uma ideia do que isso representa, basta dizer que mamutes estavam vivos quando os egípcios ergueram as grandes pirâmides, quando Hamurabi formulou seu código famoso (olho por olho dente por dente), quando o povo hebraico começou a formular suas primeiras tradições  e quando os gregos começavam a colonizar ilhas no Mediterrâneo.

 

14:45 · 21.08.2012 / atualizado às 01:51 · 22.08.2012 por
Borboletas de Fukushima sofreram graves mutações em asas, antenas e abdômen, após o acidente nuclear de 2011 Imagem: Jornal Ciência

Borboletas da espécie Zizeeria maha apresentaram graves mutações, após o acidente nuclear ocorrido na usina de Fukushima, em decorrência do terremoto de 9.0 graus que atingiu o Nordeste do Japão. Uma equipe de pesquisadores japoneses coletou 144 borboletas adultas da espécie, em dez locais no Japão, incluindo a área de Fukushima.

Cientistas observaram diferenças nas proporções entre pernas, abdômen e antenas, além de mutações na forma da asa, entre as borboletas recolhidas. A ligação entre as mutações e o material radioativo liberado no meio-ambiente foi demonstrada por experimentos em laboratório.

Ao comparar as mutações encontradas nas borboletas coletadas, a equipe descobriu que, nas áreas com maiores quantidades de radiação no ambiente, as borboletas apresentaram asas muito pequenas e olhos irregularmente desenvolvidos.

Além das já citadas, também foi observada a má formação das antenas, que os insetos usam para explorar seu ambiente e procurar parceiros. Seis meses depois, eles coletaram novamente adultos dos mesmo locais e constataram que as borboletas da área de Fukushima mostraram uma taxa de mutação maior que o dobro da encontrada, logo após o acidente. “Acreditava-se que os insetos eram muito resistentes à radiação. Nesse sentido, nossos resultados foram inesperados”, disse o pesquisador Joji Otaki, da Universidade do Ryukyus, em Okinawa.

A equipe concluiu que essa maior taxa de mutação veio de ingestão de alimentos contaminados, mas também de mutações no material genético das borboletas da geração anterior que as passaram para a próxima geração, mesmo que essas mutações não fossem evidentes nas gerações anteriores de borboletas adultas. Os pesquisadores japoneses têm estudado a espécie há mais de uma década. Eles já estavam pensando em usá-la como “indicador ambiental” antes do acidente de Fukushima, uma vez que pesquisas anteriores já haviam demonstrado que a espécie é muito sensível às mudanças ambientais.

“Estas observações de mutações e anormalidades morfológicas só podem ser explicadas como sendo resultado da exposição a contaminantes radioativos”, explicou o biólogo da universidade da Carolina do Sul, Tim Mousseau, que, embora não tenha participado diretamente da pesquisa sobre as borboletas japonesas ,vem estudando os impactos da radiação sobre a fauna e a flora em Chernobyl, na Ucrânia (onde ocorreu um grave acidente nuclear em 1986), e também em Fukushima.

23:45 · 11.07.2012 / atualizado às 02:47 · 12.07.2012 por
Novo estudo sugere que houve três grandes correntes migratórias da Ásia para a América na pré-história, no entanto, as populações indígenas brasileiras parecem ter origem na migração principal, que ocorreu há cerca de 15 mil anos Ilustração: Emiliano Bellini / Pesquisa Fapesp

O povoamento inicial das Américas acaba de ganhar um retrato mais detalhado. Segundo estudo publicado na Nature, os ameríndios descendem sobretudo de uma população que entrou no continente há 15 mil anos a partir da Beríngia, a ponte gelada que ligava a Ásia ao norte da América, mas também de grupos menores que chegaram depois.

Em meio a uma equipe internacional de 64 pesquisadores, coordenada por Andrés Ruiz-Linares, do University College London, estão os geneticistas brasileiros Tábita Hünemeier, Maria Cátira Bortolini e Francisco Salzano, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), e Maria Luiza Petzl-Erler, da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Antes do povoamento da América, outros estudos já tinham indicado que uma população de origem asiática se instalou na Beríngia entre 20 mil e 18 mil anos atrás, e ficou lá tempo suficiente para acumular diferenças genéticas que se tornaram exclusivas dos americanos. Há cerca de 15 mil anos, esses seres humanos começaram a se espalhar rumo a leste e sul.

Mas não foi, segundo sugere o estudo recém-publicado, a única origem das populações do continente. Um tempo depois, os pesquisadores ainda não estimaram quanto, dois outros grupos menores chegaram da Ásia e contribuíram para a formação dos esquimós na Groenlândia e dos Chipewyan, também conhecidos como Na-Dene pela língua que falam, no norte do Canadá.

“O processo é muito mais dinâmico do que se costuma pensar”, ressalta a geneticista gaúcha. “Essas pessoas andaram 5 mil quilômetros pelo gelo para chegar ali, não iam ficar parados!” Os dados indicam que essa migração secundária é responsável por apenas 50% dos genes dos esquimós, com a outra metade originária da onda principal, os beringianos.

Já os Chipewyan descendem em 90% dos beringianos, com uma contribuição genética modesta dos que vieram depois. “Muitos pesquisadores não consideravam os esquimós como parte dos nativos americanos, por serem tão diferentes do ponto de vista anatômico e linguístico”, comenta Tábita. De acordo com os novos resultados, essa interpretação é no mínimo incompleta.

“A genética deveria ser vista como uma ferramenta que permite resgatar muitos dados do passado. Há 6 anos, não existia a tecnologia para realizar o que fizemos agora”, conta Tábita. Era inimaginável reunir num banco de dados um número tão grande de trechos do material genético provenientes de tantas populações: foram quase 365 mil fragmentos de DNA, de 52 populações nativas americanas e 17 grupos siberianos.

Além da capacidade inédita de analisar um conjunto tão grande de dados genéticos, o grande feito técnico do trabalho foi a análise estatística, que permitiu eliminar a influência da miscigenação com europeus e africanos nos últimos 500 anos, e recuperar a história original dos ameríndios. Para Tábita, a publicação marca na verdade o início de um trabalho muito maior.

De posse desse precioso conjunto de dados, todos os grupos de pesquisa envolvidos no estudo poderão atacar perguntas que até agora não se tinha recursos para responder. Para o grupo brasileiro, destaca-se a possibilidade de entender a povoação da Amazônia, que parece ter acontecido de forma peculiar em relação às outras populações ameríndias.

Com Informações: Pesquisa Fapesp 

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