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Categoria: Geografia


17:42 · 17.01.2017 / atualizado às 17:42 · 17.01.2017 por
Foto: CapHorniers
A região chilena é considerada o “centro mundial de diversidade de briófitas”, pequenas plantas que vivem em lugares úmidos Foto: CapHorniers

O Chile construirá o primeiro centro científico em Cabo Horn, o território mais meridional do continente americano, que esconde uma biodiversidade única de pequenas espécies de musgos, líquens e insetos.

Localizado dentro da Reserva da Biosfera Cabo de Horn, em Puerto Williams – a cidade mais meridional do mundo -, o Centro Subantártico Cabo Horn deve estar completamente operativo em 2018. O Cabo Horn é considerado o “centro mundial de diversidade de briófitas”, explicou nesta terça-feira, em coletiva de imprensa, o pesquisador Ricardo Rozzi sobre estas pequenas plantas que vivem em lugares úmidos.

A apenas cerca de 1.000 km de distância da Antártica, o Cabo Horn concentra 5% da diversidade mundial de briófitas em uma área que só representa 0,01% da superfície do planeta. Estas plantas e musgos são tão pequenas que só podem ser observadas com lupas, explica Rozzi, professor da Universidade de North Texas e da Universidade de Magallanes, no Chile, que destaca Cabo Horn como “a principal reserva da biosfera do continente para a pesquisa sobre as mudanças climáticas e a sustentabilidade da vida no planeta”.

Reserva da biosfera

A construção do centro faz parte de um plano de trabalho projetado na zona para os próximos 10 anos, que será apresentado pelo Estado do Chile à Unesco com o objetivo de ampliar o território que foi definido como reserva da biosfera em 2005.

O lugar abriga ecossistemas costeiros considerados essenciais para mitigar o aquecimento global: as florestas de kelp (algas), que por seus altos níveis de oxigênio, nutrientes e diversidade marinha conseguem capturar no processo de fotossíntese uma maior quantidade de dióxido de carbono da atmosfera.

Considerada a rota de comunicação mais ao sul entre o oceano Pacífico e o Atlântico, as águas de Cabo Horn, entre as mais tempestuosas do planeta, se tornaram cemitério de mais de 10.000 marinheiros e 800 navios desde o século XVII, de acordo com dados da Marinha Chilena.

Com informações: AFP

07:47 · 27.04.2016 / atualizado às 22:50 · 26.04.2016 por
Foto: Patricia Yager
Pesquisadores fizeram três expedições nos últimos seis anos e agora, pretendem estudar a composição dos organismos ainda não catalogados, como o da imagem acima
Foto: Patricia Yager

Pesquisadores brasileiros descobriram um imenso sistema de recifes na faixa do Oceano Atlântico que fica em frente à foz do rio Amazonas, da Guiana Francesa ao litoral do Maranhão. A área desse ecossistema foi calculada em 9.300 km², maior que a Região Metropolitana de Fortaleza (RMF).

A descoberta é inédita e contradiz o entendimento corrente de que não seria possível haver recifes em águas tão turvas e sedimentadas. Recifes são geralmente encontrados em águas cristalinas, com muita iluminação e baixa concentração de nutrientes, como aquelas do Caribe e de Abrolhos.

As águas do Amazonas são o oposto disso: escuras e ricas em matéria orgânica coletada ao longo do rio (esse é o segundo rio mais extenso do mundo e deságua 209 mil metros cúbicos por segundo no oceano). A pesquisa, fruto de uma parceria entre cientistas de onze universidades brasileiras e uma americana, foi publicada neste mês na revista “Science Advances”, com coordenação dos professores Carlos Rezende, da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), e Fabiano Thompson, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

“Enquanto um recife comum é repleto de peixes e algas, o que encontramos aqui são algas calcárias, esponjas e bactérias quimiossintetizantes, que se alimentam de minerais”, diz Thompson.

Busca antiga

Cientistas desconfiavam da presença de recifes na região desde a década de 1970, mas não puderam rastrear o local, que fica a até 100 metros de profundidade.

A equipe chefiada por Thompson e Rezende fez três expedições nos últimos seis anos usando uma espécie de sonar para fazer o mapeamento. Agora, pretendem estudar a composição dos organismos e descrever espécies de esponjas ainda não catalogadas.

“Precisamos avaliar as ameaças a esse ecossistema. Atualmente, temos empresas americanas e europeias explorando a área para produção de petróleo, o que é um risco enorme para os recifes e para a biodiversidade da região”, diz Thompson.

Com informações: Juliana Cunha/Folhapress

22:46 · 23.02.2015 / atualizado às 23:35 · 23.02.2015 por
Foto: Alcadía de Samaná
Foco vulcânico está localizado na Selva de Florença, em um ambiente arborizado na jurisdição do município de Samaná Foto: Alcadía de Samaná

Um vulcão, “potencialmente perigoso” e batizado como El Escondido, foi descoberto por pesquisadores da Colômbia a cerca de 1.700 metros de altura sobre o nível do mar, no departamento de Caldas (centro), informou nesta segunda-feira (23) o Serviço Geológico Colombiano (SGC).

“Este vulcão está no flanco oriental da Cordilheira Central (uma das três principais partes em que a Cordilheira dos Andes se divide ao sul da Colômbia). É uma área em que normalmente não pensaríamos que fosse haver vulcões”, explicou à AFP a geóloga María Luisa Monsalve, que coordenou grupo de pesquisa.

Os estudos, iniciados em 2013, apontam que o vulcão teve sua última atividade há aproximadamente 30.000 anos, explicou a cientista. “É um vulcão que tem características que o tornam muito explosivo”, disse Monsalve. Por isso, o SGC o considera “potencialmente perigoso”.

Vegetação espessa

O foco vulcânico está localizado na Selva de Florença, em um ambiente arborizado na jurisdição do município de Samaná, com uma estrutura muito similar ao vulcão Cerro Machín, no departamento vizinho de Tolima.

A pesquisadora afirmou que esta estrutura não foi descoberta antes porque não está em uma área onde se encontravam outros vulcões e porque sua aparência é parecida a de qualquer montanha com vegetação espessa.

“Esta estrutura não corresponde a um grande edifício vulcânico, o que torna difícil distingui-lo na paisagem. Por isso se deu o nome de ‘El Escondido'”, explicou o SGC em comunicado.

A entidade informou que foi determinado que o Observatório Vulcanológico e Sismológico de Manizales, capital de Caldas, contemplará a verificação instrumental de algum tipo de atividade no El Escondido.

Junto com o Monsalve, participaram da descoberta os cientistas Iván Darío Ortíz, Gianluca Norini, Jesús Bernardo Rueda y Gina Rodríguez.

A Colômbia tem pelo menos 14 vulcões ativos, dos quais os Galeras, El Huila, Puracé, Cerro Machín e Ruiz, na região central e no sul do país, são os mais vigiados pelas autoridades.

Com informações: AFP

16:52 · 24.02.2014 / atualizado às 20:45 · 25.02.2014 por
Foto: Reuters
Fragmento de zircão australiano tem 4,4 bilhões de anos de idade Foto: Reuters

Cientistas descobriram a idade da crosta da Terra a partir de um pedaço minúsculo de zircão, encontrado nas terras do oeste australiano. O cristal tem 4,4 bilhões de anos, sendo mais antigo do que se imaginava, segundo informações do jornal The Guardian.

O geocientista da Universidade de Wisconsin e professor John Valley liderou a pesquisa sobre o zircão australiano e descobriu que a Terra não era tão “dura” quanto se imaginava e que, com 4,4 bilhões de anos, a crosta se desenvolveu relativamente rápido após o período de formação do planeta.

Para determinar a idade do fragmento de zircão, os cientistas utilizaram duas técnicas: a primeira determina o nível de radioatividade de urânio ao longo do tempo na amostra mineral; para confirmar, eles fizeram também a contagem por um método sofisticado que consiste em identificar átomos individuais de chumbo no cristal e determinar sua massa, o que confirmou que o zircão tinha 4,4 bilhões de anos.

Segundo a pesquisa, a Terra teria se formado há 4,5 bilhões como uma “bola de rocha derretida”, desta maneira, a crosta terrestre se formou apenas 100 milhões de anos depois da formação do planeta e 160 milhões de anos depois da formação do sistema solar. Os cientistas acreditam que a descoberta também poderá ajudar nas pesquisas em relação ao período em que a Terra se tornou habitável, com o resfriamento após o período conhecido como Hadeano (em referência ao deus grego do inferno).

Com informações: Portal Terra

17:40 · 07.01.2014 / atualizado às 17:55 · 07.01.2014 por
Supervulcão de Yellowstone, localizado nos Estados Unidos, poderia desencadear um intenso inverno vulcânico, quase explodisse. Estima-se que a última vez em que isso ocorreu foi a 600 mil anos, pouco antes do surgimento do Homo sapiens Foto: Best Tour Reviews
Supervulcão de Yellowstone, localizado nos Estados Unidos, poderia desencadear um intenso inverno vulcânico, caso explodisse. Estima-se que a última vez em que isso ocorreu foi a 600 mil anos, pouco antes do surgimento do Homo sapiens Foto: Best Tour Reviews

A análise de uma rocha derretida dentro do supervulcão do Parque Nacional de Yellowstone, nos Estados Unidos, revelou que uma erupção é mais provável do que se imaginava e pode acontecer sem qualquer gatilho externo.

Os supervulcões são centenas de vezes mais poderosos do que os convencionais e, ao lado dos asteroides, representam a maior ameaça para a humanidade. Cientistas acreditavam até o momento que uma erupção só poderia acontecer após um terremoto que quebrasse a crosta da Terra, permitindo que o magma escapasse.

No entanto, de acordo com estudo publicado na revista “Nature Geoscience“, a erupção pode ser resultado apenas do acúmulo de pressão dentro do vulcão. No passado, supervulcões e asteroides foram responsáveis por extinções em massa e mudanças de longo e curto prazo no clima. A erupção de um supervulcão pode causar um evento chamado “inverno vulcânico”, que resfria a Terra devido ao bloqueio da luz do sol pelas cinzas.

Acredita-se que a última erupção supervulcânica aconteceu cerca de 70 mil anos atrás, no local que hoje se encontra o Lago Toba, em Sumatra, Indonésia. As suas cinzas bloquearam o sol entre seis e oito anos, o que causou um período de resfriamento global que durou cerca de mil anos.

A última vez que o vulcão de Yellowstone entrou em erupção foi cerca de 600 mil anos atrás, lançando na atmosfera mais de mil quilômetros de cinzas e lava – cerca de 100 vezes mais do que a erupção do Monte Pinatubo, nas Filipinas, em 1991, que causou um resfriamento global de 0,4º C por vários meses.

Segundo previsão dos cientistas, uma erupção supervulcânica baixaria as temperaturas médias globais em cerca de 10º C durante uma década, o que levaria a uma mudança no modo de vida na Terra.

Com informações: O Globo

17:20 · 03.01.2014 / atualizado às 17:30 · 03.01.2014 por
Vulcão Kilauea, localizado no estado do Havaí (EUA) é um dos mais ativos da Terra na atualidade e foi incluído na pesquisa anglo-brasileira Foto: USGS
Vulcão Kilauea, localizado no estado do Havaí (EUA) é um dos mais ativos da Terra na atualidade e foi incluído na pesquisa anglo-brasileira Foto: USGS

Das centenas de vulcões ativos na Terra (o número exato é alvo de debates entre os especialistas), poucos são monitorados por instrumentos fixos e pesquisadores no campo, que se arriscam a morrer asfixiados, soterrados ou incinerados.

Apesar de vários satélites vasculharem constantemente a superfície terrestre, não há um sistema global capaz de alertar populações vizinhas a vulcões de que uma erupção está prestes a ocorrer. Esse objetivo ainda está longe de ser alcançado, mas alternativas têm sido propostas para o estudo de atividades vulcânicas em escala planetária.

Nesse contexto, pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade de Cambridge, Inglaterra, desenvolveram um método para analisar imagens de vulcões obtidas por diferentes sensores de radiação infravermelha a bordo de satélites e, assim, talvez antecipar a ocorrência de erupções.

Variação de energia térmica

A equipe de cientistas aplicou, em distintos estudos, a metodologia para estudar a atividade de cinco vulcões ativos ao longo da última década em diferentes partes do planeta. Os resultados indicam que é possível implementar um sistema automático para detectar, do espaço, mudanças sutis na atividade termal dos vulcões, que funcionam com um indicador de que esses sistemas estão prestes a entrar em erupção.

“A investigação dessas anomalias, a partir de algoritmos desenvolvidos em nossa pesquisa, permite a identificação de sinais que precedem fluxos de lava em determinados vulcões”, diz o inglês Samuel Murphy, que defendeu tese de doutorado sobre o tema no início deste ano na Unicamp, sob orientação de Carlos Roberto de Souza Filho, geólogo especialista em sensoriamento remoto da universidade paulista, e do vulcanólogo Clive Oppenheimer, da Universidade de Cambridge. Quanto mais quente for um objeto, mais radiação infravermelha ele emite.

“É possível observar do espaço a variação da energia térmica emitida por um vulcão ao longo do tempo”, explica Souza Filho. Depois de concluir em 2007 seu mestrado em geologia na Universidade de Bristol, no Reino Unido, Murphy decidiu conhecer uma parte da família de sua mãe brasileira, em Campinas, e acabou ingressando na Unicamp. Lá ele se tornou aluno de doutorado de Souza Filho, que foi colega de Oppenheimer durante seu doutorado na Inglaterra.

Satélites para prever erupções

Em um artigo recente, publicado em abril deste ano na Remote Sensing of Environment, a revista de maior fator de impacto da área, os geólogos e vulcanólogos ingleses e brasileiros mostraram o potencial da metodologia.

Compararam a atividade do Láscar, no norte do Chile, entre 2000 e 2012, com a de mais três vulcões: o etíope Erta ‘Ale, com seu lago de lava mais ou menos constante; o havaiano Kilauea, que vem expelindo lava quase sem parar desde 1983; e o explosivo Kliuchevskoi, o maior vulcão da península de Kamtachka, na Rússia.

As imagens térmicas usadas no trabalho foram geradas por dois sensores infravermelhos, o Aster e o Modis, ambos instalados no satélite Terra, lançado pela Nasa em 1999. Sua órbita de cerca de 700 quilômetros (km) de altura passa sobre os polos Norte e Sul e faz o satélite cruzar o equador sempre na mesma hora do dia e noite.

O Aster capta radiação infravermelha de vários comprimentos de onda e gera imagens com uma resolução espacial considerada relativamente alta, de 30 a 90 metros.

Embora sua resolução espacial de 1 quilômetro seja bem menor do que a do Aster, o Modis registra duas imagens de um mesmo local da Terra a cada 24 horas, enquanto o Aster, na média, faz isso apenas uma vez a cada 16 dias.

A ideia dos pesquisadores foi analisar conjuntamente as imagens de ambos os satélites.

Com informações: Pesquisa Fapesp

12:32 · 09.11.2013 / atualizado às 12:49 · 09.11.2013 por
O meteorito batiozado de angrito caiu no município fluminense de Angra dos Reis há cerca de 150 anos Foto: Meteoritos do Brasil
O meteorito batiozado de angrito caiu no município fluminense de Angra dos Reis há cerca de 150 anos Foto: Meteoritos do Brasil

Pesquisadores e estudantes de geologia e astronomia de diferentes países farão uma expedição em Angra dos Reis, na Costa Verde fluminense, neste fim de semana para buscar partes do mais raro meteorito do mundo e um dos mais valiosos. Chamado de Angra dos Reis ou Angrito, o meteorito caiu no mar de Angra há 150 anos.

A expedição é uma das atividades do 4° Encontro Internacional de Meteoritos e Vulcões 2013, no Instituto de Geologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Duas pedras, que tem cor violeta e crosta brilhante, foram encontradas e, pelo encaixe, estudiosos concluíram que falta uma terceira peça até hoje desaparecida, além de fragmentos.

Geóloga e uma das coordenadoras do evento, Elizabeth Zucolotto explicou que Angrito é quase tão antigo quanto o sistema solar, que tem 4,56 bilhões de anos. “Não há nada igual ao Angra dos Reis. Ele é quase uma pedra filosofal, pois ajudaria a explicar como o sistema solar se formou tão rápido. E quanto mais material encontrarmos melhor para os estudiosos. Se nós não encontrarmos (a parte desaparecida), pelo menos, faremos uma divulgação para que outras pessoas a procurem”, contou.

Um dos pedaços encontrados, de 70 gramas, foi doado ao Museu Nacional e o outro, com mais de 6 kg, avaliada em mais de US$ 1 milhão, desapareceu. A pesquisadora contou que a peça doada ao museu chegou a ser roubada em 1997, mas foi recuperada.“Tentaram vendê-la a colecionadores a US$ 10 mil dólares o grama, mas felizmente o meteorito foi interceptado no aeroporto antes de ser enviado para os Estados Unidos”, contou ela.

O Brasil possui 62 meteoritos reconhecidos por cientistas, número baixo se comparado aos Estados Unidos, onde caíram mais de 2 mil meteoritos. Elizabeth lembra que muitos nem chegam a ser reconhecidos, “caem muitos também no Brasil, mas as pessoas não sabem. O que não temos é um órgão oficial para reconhecer esses corpos”.

A pesquisadora lembrou do meteorito que caiu em Pernambuco, em setembro, e que foi vendido para um colecionador brasileiro por R$ 18 mil. “Ele deixou à disposição para a pesquisa até ser classificado, o que deve levar pouco mais de um mês”, explicou a geóloga.

Para um meteorito passar a existir oficialmente e ser avaliado ele deve ser submetido ao NomCom e aprovado e publicado no Meteoritical Bulletin.

Além disso, é necessária uma amostra de pelo menos 20 gramas sob a tutela de um museu credenciado e 30g destinada à pesquisa em laboratórios.

 Com informações: Agência Brasil

12:36 · 06.09.2013 / atualizado às 12:58 · 06.09.2013 por
Repesentação grafica do vulcão Tamu Massif, com área duas vezes maior que a do Ceará Foto: Texas A&M University / Divulgação
Repesentação grafica do vulcão Tamu Massif, com área duas vezes maior que a do Ceará Foto: Texas A&M University

Já imaginou um vulcão que tivesse uma área maior que a do Rio Grande do Sul e fosse quase do tamanho do Maranhão? Pois essa gigantesca estrutura passou milênios escondida de olhos humanos.

O colossal vulcão submarino, batizado de Tamu Massif por uma equipe da Texas A&M University (EUA), mede impressionantes 308 mil km², mais que o dobro do tamanho do Ceará. Localizado a cerca de 1600 km do litoral do Japão, no Oceano Pacífico, e submerso a aproximadamente 1980 metros de profundidade, o pico do vulcão tem cerca de 4400 metros de altura, não sendo o mais alto, mas o mais extenso da Terra e o segundo em área no Sistema Solar.

O “monstro geológico” tem 75% do volume do líder nesse ranking, o vulcão marciano Olympus Mons, que no entanto é muito mais alto e mede 19,3 km de altura. No entanto, ambos estão extintos. Estima-se que o Tamu (sigla da universidade que o descobriu) Massif não entra em erupção há 114 milhões de anos (período Cretáceo). Ou seja, os dinossauros podem ter visto (e sofrido) a fúria do gigante, que teria se formado há 145 milhões de anos, quase na mesma época do surgimento das aves.

A equipe estadunidense envolvida na descoberta já suspeitava da presença de uma sistema  de vulcões naquela região, mas com as medições descobriu se tratar de um só.

03:29 · 06.03.2013 / atualizado às 04:05 · 06.03.2013 por
A espécie Bacillus infernus é um dos seres vivos a viver mais profundamente abaixo da superfície terrestre: até 2,7 km Imagem: Henry Aldrich
A espécie Bacillus infernus é um dos seres vivos a viver mais profundamente abaixo da superfície terrestre: até 2,7 km Imagem: Henry Aldrich

Não é todo dia que se noticia algo que pode mudar a História da Ciência e o nosso entendimento sobre a evolução da vida na Terra.

Uma equipe internacional de cientistas, reunida sobre a iniciativa Deep Carbon Observatory (DCO), fez descobertas surpreendentes ao pesquisar sobre o carbono, o elemento químico por trás de todas as principais moléculas presentes nos organismos vivos, notadamente nas cadeias de RNA e DNA.

Segundo um dos pesquisadores, John Baross, da Universidade de Washington, “a profundidade debaixo da superfície pode ter atuado como um laboratório natural da origem da vida no qual múltiplos experimentos naturais podem ter sido produzidos em dupla”. Um desses “experimentos” químicos que podem ter se processado há cerca de 4 bilhões de aos é o que a equipe científica está chamando de processo de “serpentinização”, uma teoria alternativa sobre a origem da vida na Terra.

Segundo essa teoria, a rocha basáltica expelida por vulcões subterrâneos reage quimicamente com a água de mar, o que produz hidrogênio e o mineral “serpentine”. De acordo com os cientistas do DCO, o hidrogênio gerado por este processo pode ter sido o alimento que permitiu a aparição dos primeiros micróbios na Terra. Mas não na superfície e sim em grandes profundidades.

O diretor-executivo do DCO e cientista da Instituição Carnegie, Robert Hazen afirma que “em qualquer lugar do mundo, se você perfura a vários quilômetros, encontrará vida em forma de micróbios”. A variedade de vida bacteriana que se encontra em grandes profundidades e com pressões extremas constitui um autêntico Galápagos das profundezas”.

Outro pesquisador ligado ao DCO, Steven D’Hondt, da Universidade de Rhode Island, afirmou que esses micróbios “levam pelo menos centenas de milhares de anos para se reproduzir, e é concebível que vivam sem se dividir durante dezenas de milhões de anos. São zumbis microbiais. Hazen vai mais além que Hondt e lembra que há alguns cientistas assegurando que há micróbios com centenas de milhões de anos de idade, que viveram em um estado estático, sem se dividir, em pequenos buracos nas rochas, e quando foram expostos a um ambiente mais dinâmico, começaram a se dividir”.

“É realmente extraordinário. Porque se a vida pode se manter passiva durante grandes períodos de tempo, é provável que meteoritos levem micróbios de um planeta a outro. Isso pode ser uma forma de movimentar vida entre planetas”, declarou Hazen. Não é preciso nem dizer que as novas descobertas animaram não só os estudiosos de micro-organismos ou da evolução da vida, como também os astrobiólogos de plantão, especialmente os que já trabalhavam com hipótese semelhante a essa.

A lignita é uma das formas do chamado carvão mineral, geralmente preservando algumas características físicas do vegetal de que se originou Imagem: Theodore Gray
O lignito é uma das formas do chamado carvão mineral, geralmente preservando algumas características físicas do vegetal de que se originou Imagem: Theodore Gray

O que é o DCO?

O Deep Carbon Observatory, ou DCO, amplo programa de pesquisa sobre o carbono, começou há três anos e culminou na terça-feira (5) com a publicação de um volume de 700 páginas que contém as principais descobertas feitas pelo grupo internacional, assim como as novas incógnitas geradas pelo trabalho de cerca de mil cientistas de 40 países.

Um dos principais objetivos do programa, que tem um orçamento de US$ 500 milhões, é saber com exatidão quanto carbono está armazenado nas profundezas da Terra e onde. “Estamos interessados em saber quanto carbono há, onde está, como se movimenta de uma parte a outra do planeta, quais são suas formas, estamos muito interessados no fenômeno da vida microbial em grandes profundidades e como afeta o ciclo do carbono”, declarou Hazen.

“É realmente um esforço para entender o carbono em escala global, da superfície ao centro da Terra, não só o ciclo do carbono mais superficial e do qual a maioria das pessoas fala, mas um ciclo mais profundo que representa 90%, ou mais, do carbono em nosso planeta”. Esse é o elemento químico mais importante. É o elemento da vida, o que deu origem à vida. É um dos aspectos que estamos tentando entender, de onde veio a vida”, acrescentou o pesquisador.

Algumas das descobertas mais fascinantes que foram reveladas pelo DCO são precisamente as que dizem respeito à relação entre a vida e carbono. As conclusões dos primeiros anos do programa e detalhes dos próximos sete anos de atuações previstos  estão sendo discutidos em uma conferência internacional na Academia Nacional de Ciências em Washington. Por exemplo, a de que há 4 bilhões de anos os processos biológicos produzidos por micróbios começaram a alterar a mineralogia da Terra, criando minerais que nunca teriam existido no planeta sem a presença da vida.

Outra descoberta paralela do DCO foi a de que há vírus em grandes profundidades no interior da Terra atuando de forma diferente dos vírus da superfície: seu material genético é transferido de forma passiva ao genoma de bactérias e pode permanecer durante uma infinidade de anos sem se manifestar.

01:34 · 02.06.2012 / atualizado às 22:42 · 02.06.2012 por
Jesus Cristo teria morrido no ano 33 d.C. Talvez daí tenha surgido o mito de que ele morreu aos 33 anos, já que a data do nascimento ainda é bastante controversa sendo situada entre 6 a.C e 8 d.C por diferentes pesquisadores. A data mais aceita é 4 a.C. Imagem: Blingcheese

Um estudo geológico realizado por cientistas norte-americanos e alemães teria revelado um dos grandes mistérios da história judaico-cristã: a morte de Jesus Cristo.

Cruzando informações geológicas e astronômicas com textos biblícos e históricos, além de diferentes calendários, eles teriam encontrado a data 3 de abril do ano 33, como a mais provável para esse importante evento.

O pontapé inicial da pesquisa foi a revisão de dados do International Geology sobre as atividades sísmicas em um raio de 13 km de distância do Centro de Jerusalém, nas imediações do Mar Morto. A análise sísmica deve-se ao fato de ser citada a ocorrência de um terremoto após a crucificação do líder cristão no livro Evangelho de Mateus, capítulo 27.

Quem coordena os estudos é o geólogo Jefferson Williams do Supersonic Geophysical, em parceria com  pesquisadores do German Research Center of Geosciences. Eles também analisaram amostras de solo da praia Ein Gedi e detectaram indícios de dois terremotos nos primórdios da Era Cristã, sendo que um deles teria ocorrido entre os anos 26 a.C e 36 d.C.

Analisando também textos como os próprios evangelhos e as anotações do governador Tácito, além do calendário judaico e dados astronômicos, os pesquisadores acharam a data de 3 de abril de 33 d.C, como a mais provável para a morte de Cristo.

Um detalhe interessante e que já era conhecido há mais tempo é que ao contrário do que acredita no senso comum Jesus não teria nascido no ano 1 e sim no ano 4 a.C (embora haja pesquisadores que coloquem esse evento em datas situadas entre 6 a.C e  8 d.C) .  Isso significa dizer que, provavelmente, Jesus teria morrido aos 37 e não aos 33 anos.

A discrepância na data de nascimento de Cristo se deve ao fato de ter havido uma falha no cálculo de seu nascimento feito pelo monge Dionísio Exíguo,  no século VI, que situou o nascimento de Jesus em data diferente dos fatos históricos concomitantes citados nos evangelhos, tais como o reinado de Herodes.