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Categoria: Geologia


12:09 · 29.07.2017 / atualizado às 12:10 · 29.07.2017 por
Imagem de satélite mostra a Nova Zelândia. País integraria, junto com a Nova Caledônia, cerca de 5% de um continente submerso, cujo nome remete à sua maior porção emersa Foto: National Geographic

Uma expedição científica zarpou na sexta-feira (28) da Austrália para explorar a Zelândia, uma gigantesca massa terrestre basicamente submersa e considerada por alguns especialistas como um novo continente.

Esta afirmação está longe de criar consenso, assim como o número de continentes existentes e o que os define. A Zelândia, que se desprendeu do supercontinente de Gondwana há 75 milhões de anos, tem uma superfície de 4,9 milhões de quilômetros quadrados, o equivalente à metade do Canadá. Quase 95% deste território está submerso, e suas duas terras principais em superfície são a Nova Zelândia e a Nova Caledônia. Pesquisadores australianos, neocaledônios e neozelandeses publicaram em fevereiro no GSA Today, o periódico da Sociedade Geológica dos Estados Unidos, um artigo que detalha as razões pelas quais a Zelândia, cuja existência é debatida ao menos desde 1995, deveria ser considerada um continente.

Para eles, a Zelândia preenche os quatro critérios fundamentais da definição de continente. No artigo, citam a elevação desta massa em comparação com os arredores, explicando que seus limites são o ponto onde as planícies profundas se encontram com o talude continental, a entre 2.500 e 4.000 metros de profundidade. O ponto mais alto do continente seria o monte Cook, na Nova Zelândia (3.754 m). Também falam da sua geologia, da sua forma bem delimitada e da estrutura e espessura da sua crosta.

‘Esvaziando os oceanos’

Só 25 km separam esta massa do continente australiano na parte mais estreita, mas, segundo os cientistas, a fossa oceânica se submerge a 3.600 metros de profundidade.

O Joides Resolution, um barco científico utilizado para perfurações no mar, zarpou na sexta-feira do porto australiano de Townsville, no Estado de Queensland (nordeste), para extrair amostras com o objetivo de compreender melhor a evolução geológica da zona.

As rochas e sedimentos extraídos serão estudados a bordo. Estas amostras irão supor um avanço no conhecimento da história oceanográfica da zona, ou inclusive dos seus fenômenos climáticos e tectônicos. Jerry Dickens, um dos responsáveis científicos da expedição, ressaltou especialmente a importância do lugar para os estudos climáticos. “À medida que a Austrália se desviou para o norte e que o mar de Tasman se estendeu, os esquemas de circulação variaram, assim como as profundidades da água ao redor da Nova Zelândia”, explicou este especialista da Universidade do Texas. “Esta zona teve uma grande influência nas mudanças globais”, acrescentou Dickens.

Neville Exon, da Universidade Nacional da Austrália, destaca que a expedição de dois meses esclarecerá também as mudanças tectônicas em ação desde a formação do Círculo de Fogo do Pacífico, uma zona de intensa atividade sísmica e vulcânica, há 53 milhões de anos. Um dos principais colaboradores do estudo, Nick Mortimer, explicou que os pesquisadores reúnem há 20 anos elementos que defendem a existência de um continente.

Seus esforços, no entanto, foram dificultados pelo fato de que a Zelândia se encontra submersa. “Se pudéssemos esvaziar os oceanos, as cadeias montanhosas e esta enorme massa continental saltariam aos olhos de todos”, disse Mortimer. “O interesse científico de classificar a Zelândia como um continente vai além do fato de acrescentar um nome à lista”, escreveram.

“Que um continente possa estar tão submerso mas sem se fragmentar é útil para compreender a coesão e a destruição da crosta continental”, concluem os especialistas.

Com informações: AFP

18:51 · 23.12.2016 / atualizado às 18:51 · 23.12.2016 por
Concepção artística de 'rio' de ferro líquido que 'corre' a 3 mil km de profundidade e foi detectado a partir de observações do campo magnético da Terra em satélites espaciais da ESA Imagem: ESA/BBC
Concepção artística de ‘rio’ de ferro líquido que ‘corre’ a 3 mil km de profundidade e foi detectado a partir de observações do campo magnético da Terra em satélites espaciais da ESA Imagem: ESA/BBC

Cientistas dizem ter descoberto um rio de ferro líquido no centro da Terra, correndo debaixo do Estado americano do Alasca e da região russa da Sibéria.

Essa massa ambulante de metal foi detectada graças aos satélites europeus Swarm –um trio que está mapeando o campo magnético da Terra para entender seu funcionamento. O campo protege toda a vida do planeta contra a radiação espacial.

Para os cientistas, a existência do rio de ferro líquido é a melhor explicação para uma concentração de forças no campo magnético terrestre que os satélites registraram no Hemisfério Norte.

“É uma corrente de ferro líquido que se move cerca de 50 km por ano”, explica Chris Finlay, da Universidade Técnica da Dinamarca.

“É um líquido metálico muito denso e é preciso uma quantidade enorme de energia para movê-lo. É provavelmente o movimento mais rápido que temos no manto terrestre” disse ele à BBC.

Finlay explica que a corrente de metal líquido é como o jet stream na atmosfera da Terra –a corrente de ar em altas altitudes usada por aviões para voar mais rápido. O rio de metal porém, está a 3 mil metros de profundidade.

Os cientistas acreditam que o rio tenha 420 km de largura e percorra quase metade da circunferência da Terra. O comportamento dessa massa metálica será crítico para a geração e manutenção do campo magnético terrestre.

“É possível que a corrente tenha funcionado por centenas de milhões de anos”, diz Phil Livermore, da Universidade de Leeds, no Reino Unido, e um dos autores do estudo detalhando a descoberta, publicado na revista científica Nature Geoscience.

Rainer Hollerbach, outro cientistas envolvido no projeto, acredita que o líquido se move graças à força da flutuabilidade ou por conta de mudanças no campo magnético do núcleo terrestre.

Vendo, do espaço, o interior terrestre

Lançados em novembro de 2013 pela ESA (Agência Espacial Europeia), o satélites Swarm estão fornecendo acesso sem precedentes à estrutura e ao comportamento do campo magnético terrestre.

Com instrumentos altamente sensíveis, os satélites estão gradualmente analisando os vários componentes do campo, do sinal dominante vindo do movimento do ferro no núcleo externo à quase imperceptível contribuição feita pelas correntes oceânicas.

Os cientistas esperam que os dados do satélite ajudem a explicar a razão pela qual o campo magnético da Terra tem enfraquecido nos últimos séculos. Alguns cientistas especulam que o planeta pode estar próximo de um inversão de polaridade, em que o sul se tornará norte e o norte se tornará sul. Isso ocorre a cada centenas de milhares de anos.

Com informações: BBC Brasil

21:44 · 04.08.2016 / atualizado às 21:44 · 04.08.2016 por
Foto: Wikipedia
Desastre ocorreu no Rio Amarelo e teria levado ao nascimento da dinastia Xia e da civilização chinesa moderna Foto: Wikipedia

Geólogos descobriram a primeira evidência da Grande Enchente da China, um desastre que ocorreu 4.000 anos atrás no Rio Amarelo e que levou ao nascimento da dinastia Xia e da civilização chinesa moderna, segundo um estudo publicado nesta quinta-feira (4) na revista Science.

As conclusões podem ajudar a reescrever a história, porque elas não só mostram que de fato houve uma inundação enorme, mas também que ela ocorreu em 1920 a.C., vários séculos depois do que se pensava. Isto significaria que a dinastia Xia, liderada pelo Imperador Yu, também pode ter começado mais tarde do que os historiadores chineses pensavam.

Yu ganhou fama como o homem que foi capaz de controlar a enchente ao orquestrar o trabalho de dragagem necessário para orientar as águas de volta para seus canais. Restaurar a ordem depois do caos garantiu a ele “o mandato divino para estabelecer a dinastia Xia, a primeira na história da China”, disse o estudo, liderado por Wu Qinglong, professor do departamento de geografia da Nanjing Normal University.

Histórias sobre o Imperador Yu estabeleceram as bases ideológicas para o sistema de governo de Confúcio. Nas gerações recentes, porém, alguns estudiosos têm questionado se elas de fato aconteceram. Talvez, dizem, tudo tenha sido um mito concebido para justificar a regra imperial.

Então os geólogos pesquisaram o Rio Amarelo, na província de Qinghai, examinando os restos de uma barragem e os sedimentos de um lago represado.

Entre as maiores do Holoceno

O que eles descobriram sugere uma inundação catastrófica que é uma das maiores enchentes conhecidas na Terra nos últimos 10.000 anos (período conhecido como Holoceno), disse o coautor Darryl Granger, da Universidade de Purdue.

Com a enchente, o nível das água subiu até 38 metros acima do nível moderno do rio, tornando o desastre “aproximadamente equivalente à maior inundação do rio Amazonas já medida”, disse Granger a repórteres em uma teleconferência.

A enchente teria sido “mais de 500 vezes maior do que uma enchente no Rio Amarelo causada por um evento de precipitação atmosférica”, acrescentou. Uma vez que tais inundações lançaram detritos e sedimentos por todos os lados, misturando o solo antigo com o novo, a equipe científica utilizou restos humanos para definir o momento do desastre.

Esqueletos de três crianças foram encontrados nos escombros de um terremoto, que se acredita que tenha provocado um deslizamento de terra, disseram os pesquisadores.

Aquele deslizamento de terra criou uma barragem. A água se acumulou em volta da barragem e, eventualmente, rebentou, desencadeando a inundação.

Radiocarbono

A datação por radiocarbono nos ossos das crianças mostrou que eles morreram em 1920 a.C., coincidindo com uma grande transição cultural na China.

“A inundação (…) nos dá uma sugestão tentadora de que a dinastia Xia pode realmente ter existido”, disse David Cohen, professor assistente no departamento de antropologia da Universidade Nacional de Taiwan.

“Se a Grande Enchente realmente aconteceu, talvez também seja provável que a dinastia Xia realmente existiu. Os dois estão diretamente ligados um ao outro”, acrescentou. Agora que os pesquisadores têm provas para sustentar os contos de textos antigos, o início da dinastia Xia pode passar a ser considerado por volta de 1900 a.C., em vez de 2200 a.C., como se pensava anteriormente, argumentam os autores.

“As grandes inundações ocupam um lugar central em algumas das histórias mais antigas do mundo”, escreveu David Thompson, da Universidade de Washington, em Seattle, em um comentário sobre o estudo na revista Science.

“E a enchente do Imperador Yu é hoje considerada outra história dessas, potencialmente enraizada em eventos geológicos”, completou.

Com informações: AFP

23:13 · 19.07.2016 / atualizado às 23:21 · 20.07.2016 por
Foto: Oregon State University
Estudando o supervulcão de Toba, na Indonésia, que entrou em erupção pela última vez há 74 mil anos, os pesquisadores revelaram que ele é alimentado por um profundo sistema de bombeamento de magma Foto: Oregon State University

Um novo estudo feito por cientistas da Rússia desvendou o mecanismo que controla os supervulcões – classificação atribuída aos vulcões que causaram as erupções mais devastadoras na Terra. Os pesquisadores conseguiram explicar por que eles têm tanto magma, mas entram em atividade muito raramente.

Estudando o supervulcão de Toba, na Indonésia – que entrou em erupção pela última vez há 74 mil anos, produzindo uma catástrofe global -, os pesquisadores revelaram que esse tipo de vulcão é alimentado por um complexo e profundo sistema de bombeamento de magma.

A mais de 150 quilômetros de profundidade, sob as placas tectônicas sobrepostas, esse sistema envia gases e magma, que ficam armazenados em um imenso reservatório a 75 quilômetros da superfície. O mesmo tipo de sistema foi identificado também no supervulcão de Yellowstone, nos Estados Unidos.

Quando o reservatório de magma atinge um nível crítico e pressão por causa dos gases armazenados, o reservatório se esvazia, produzindo uma erupção de grande escala.

O estudo, publicado na revista científica Nature Communications, foi liderado por Ivan Koulakov, chefe do Laboratório de Sismologia do Instituto de Geologia e Geofísica de Petróleo da Rússia.

Efeito devastador

O supervulcão de Toba produziu um efeito devastador no clima global e na biosfera, quando literalmente explodiu pela última vez, há 74 mil anos, lançando pelos ares 2,8 mil km³ de material.

Para se ter uma ideia da escala, basta fazer uma comparação com os 4 km³de material ejetado pela conhecida erupção do Monte Vesúvio, no ano 79 – que destruiu as cidades de Pompeia e Herculano, matando cerca de 16 mil pessoas – que liberou uma energia térmica mil vezes maior que a da bomba de Hiroshima.

Alguns cientistas defendem a chamada Teoria da Catástrofe de Toba: a erupção devastadora há 74 mil anos teria obscurecido a luz solar, fazendo as temperaturas caírem mais de cinco graus Celsius por alguns ano – o que teria acabado com várias espécies quase extinguindo os ancestrais dos humanos. A catástrofe de Toba explicaria, portanto, um dos principais mistérios da genética.

Estudos genômicos mostram que os genes de todos os seres humanos atuais têm origem em apenas algumas milhares de pessoas que viveram há alguns milhares de anos, em vez de fazerem parte das linhagens humanas muito mais antigas, como seria coerente com os registros fósseis. Todos os seres humanos seriam descendentes dos sobreviventes da erupção do Toba.

O poder das erupções vulcânicas é medido com o Índice de Explosividade Vulcânica (VEI, na sigla em inglês). A escala vai de 1 a 8, sendo que cada ponto significa uma erupção 10 vezes maior que o precedente. Só os supervulcões, como o de Toba e o de Yellowstone, têm erupções de magnitude 8. Nenhum deles explodiu nos últimos 20 mil anos.

Com informações: Agência Estado

20:43 · 12.07.2016 / atualizado às 23:22 · 12.07.2016 por
Foto: Inquisitr
Infraestrutura antiga, riscos sobre o abastecimento de água e de incêndios destrutivos são alguns dos pontos fracos que precisam ser resolvidos na perspectiva de um terremoto de até oito graus de magnitude na escala Richter Foto: Inquisitr

Além do sol, das palmeiras e de Hollywood, há uma grande certeza na Califórnia: a de que um violento terremoto vai ocorrer em algum momento.

Um relatório recente afirma que este estado do sudoeste dos Estados Unidos não está preparado para o ‘Big One’ (o grande), e as autoridades locais e as principais empresas têm de enfrentar essa realidade para “evitar que o desastre inevitável se transforme em uma catástrofe”.

Infraestrutura antiga, riscos sobre o abastecimento de água e de incêndios destrutivos são alguns dos pontos fracos que devem ser resolvidos na perspectiva de um terremoto de até oito graus de magnitude na escala Richter ao que a Califórnia está exposta, indicou um grupo de empresários e políticos no relatório.

O calcanhar de Aquiles do estado, segundo o documento, é o Cajon Pass, uma estreita passagem montanhosa onde a impressionante falha geológica de San Andreas passa debaixo de vias vitais como estradas, trechos ferroviários, aquedutos, oleodutos, gasodutos e cabos de alta tensão da rede elétrica.

Um sismo provocado por movimentos de placas da falha de San Andreas cortaria quase toda a passagem para o sul do estado, impedindo o fornecimento de ajuda humanitária a cerca de 20 milhões de pessoas e complicando o trabalho de reconstrução, afirmam os especialistas. As rupturas de oleodutos poderiam gerar explosões e incêndios que seriam difíceis de controlar.

“Quando o terremoto ocorrer, todos os aquedutos se romperão ao mesmo tempo”, explicou a sismóloga Lucy Jones, assessora da comissão de Redução de Riscos de Desastres do sul da Califórnia, que produziu o relatório. A única maneira de remediar isto, segundo Jones, é buscar fontes de água alternativas, incluindo aquíferos poluídos debaixo da região de Los Angeles que poderiam ser tratados, embora a um custo muito alto. “A melhor defesa contra um aqueduto partido é não precisar de um aqueduto”, afirmou Jones.

Instalar válvulas automáticas de interrupção nos gasodutos e oleodutos próximos à falha de San Andreas também poderia evitar incêndios, indica o relatório. A energia solar poderia servir para manter a comunicação com o resto do mundo quando o ‘Big One’ tiver cortado o abastecimento de eletricidade.

‘Todos juntos nessa’

Muitos edifícios e casas no sul da Califórnia correm o risco de desabar.  Estas localidades deveriam seguir o exemplo de Los Angeles e exigir a modernização das suas estruturas, recomendam os especialistas.

Além disso, as normas de construção devem ser atualizadas para garantir também que as estruturas possam continuar funcionando após um grande terremoto. “Hoje estamos incorporando uma grande vulnerabilidade econômica nas construções”, comentou Jones. “Não vamos matar pessoas com estes edifícios, mas não poderemos usá-los depois, e isso é grave”.

“Por um custo 1-2% maior poderíamos, muito provavelmente, construir edifícios que continuem sendo utilizáveis”, garantiu. Segundo simulações da Agência geológica americana (USGS), um terremoto de 7,8 graus de magnitude na ponta sul da falha de San Andreas causaria um tremor de cerca de dois minutos, mataria ao menos 1.800 pessoas, deixaria cerca de 53.000 feridos e geraria danos materiais no valor de 213 bilhões de dólares.

O maior terremoto já registrado na Califórnia foi o de Fort Tejon em 1857, que provocou uma ruptura de 360 km na falha de San Andreas. Os cientistas dizem que, desde então, a pressão e a energia sísmicas aumentaram de maneira dramática ao longo da falha, que marca o limite entre duas placas tectônicas, uma da América do Norte e outra do Pacífico.

“É inevitável que ocorra um grande terremoto porque a pressão tem que ser aliviada”, afirmou Robert Graves, sismólogo da USGS. Dada a certeza de que o desastre ocorrerá, a Califórnia deve agir em relação às suas vulnerabilidades para limitar os danos, indicou Graves.

“Se todos os edifícios do meu bairro desmoronam e os sistemas de abastecimento de água e eletricidade não funcionam, não importa se a minha casa está intacta. Estamos todos juntos nessa”, completou.

Com informações: AFP

17:02 · 28.04.2015 / atualizado às 17:07 · 28.04.2015 por
Foto: Trek Peru
Em um dia comum, no Parque Nacional Yanachaga, no Peru, cada animal era avistado de cinco a 15 vezes. Porém, em cinco dos sete dias imediatamente anteriores ao evento sísmico, nenhum movimento de animal foi registrado. Na imagem, um trio de mutuns Foto: Trek Peru

O dado de que alterações no comportamento dos animais sinalizam, com horas ou dias de antecedência, eventos como os terremotos já era conhecido. Especialmente noticiada foi a disparada dos elefantes asiáticos para terras altas por ocasião do terremoto seguido de tsunami de 26 de dezembro de 2004.

Muitas vidas humanas foram salvas graças a isso. Mas tais eventos ainda não haviam sido documentados de maneira rigorosa e conclusiva. Nem fora estabelecida uma correlação de causa e efeito entre essa modificação do comportamento animal e fenômenos físicos mensuráveis.

Isso ocorreu agora em pesquisa realizada por Rachel Grant, da Anglia Ruskin University (Reino Unido), Friedemann Freund, da agência espacial Nasa (Estados Unidos), e Jean-Pierre Raulin, do Centro de Radioastronomia e Astrofísica Mackenzie (Brasil). Artigo relatando o estudo, foi publicado na revista Physics and Chemistry of the Earth. O físico Jean-Pierre Raulin, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, participou do estudo no contexto do projeto de pesquisa “Monitoramento da atividade solar e da Anomalia Magnética do Atlântico Sul (AMAS) utilizando uma rede de receptores de ondas de muita baixa frequência (VLF) – SAVNET – South América VLF network”, apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) .

“Nosso estudo correlacionou alterações no comportamento de aves e pequenos mamíferos do Parque Nacional Yanachaga, no Peru, com distúrbios na ionosfera terrestre, ambos os fenômenos verificados vários dias antes do terremoto Contamana, de 7,0 graus de magnitude na escala Richter, que ocorreu nos Andes peruanos em 2011”, disse Raulin à Agência FAPESP. Os animais foram monitorados por um conjunto de câmeras.

“Para não interferir em seu comportamento, essas câmeras eram acionadas de forma automática no momento em que o animal passava na sua frente, registrando a passagem por meio de flash de luz infravermelha”, detalhou o pesquisador. Em um dia comum, cada animal era avistado de cinco a 15 vezes. Porém, no intervalo de 23 dias que antecedeu o terremoto, o número de avistamentos por animal caiu para cinco ou menos. E, em cinco dos sete dias imediatamente anteriores ao evento sísmico, nenhum movimento de animal foi registrado.

Nessa mesma época, por meio do monitoramento das propriedades de propagação de ondas de rádio de muito baixa frequência (VLF), os pesquisadores detectaram, duas semana antes do terremoto, perturbações na ionosfera sobre a área ao redor do epicentro. Um distúrbio especialmente grande da ionosfera foi registrado oito dias antes do terremoto, coincidindo com o segundo decréscimo no avistamento dos animais.

Explicação

Os pesquisadores propuseram uma explicação capaz de correlacionar os dois fenômenos. Segundo eles, a formação maciça de íons positivos, devido à fricção subterrânea das rochas durante o período anterior ao terremoto, teria provocado tanto as perturbações medidas na ionosfera quanto a alteração comportamental dos animais. A fricção é resultado da subducção ou deslizamento da placa tectônica de Nazca sob a placa tectônica continental.

É sabido que a maior concentração de íons positivos na atmosfera provoca, seja em animais, seja em humanos, um aumento dos níveis de serotonina na corrente sanguínea. Isso leva à chamada “síndrome da serotonina”, caracterizada por maior agitação, hiperatividade e confusão. O fenômeno é semelhante à inquietação, facilmente perceptível em humanos, que ocorre antes das tempestades, quando a concentração de elétrons nas bases das nuvens também provoca um acúmulo de íons positivos na camada da atmosfera próxima ao solo, gerando um intenso campo elétrico no espaço intermediário.

“No caso dos terremotos, cargas positivas formadas no subsolo devido ao estresse das rochas migram rapidamente para a superfície, resultando na ionização maciça de moléculas do ar. Em algumas horas, os íons positivos assim formados alcançam a base da ionosfera, localizada cerca de 70 quilômetros acima do solo. Esse aporte maciço de íons teria provocado as flutuações da densidade eletrônica na baixa ionosfera que detectamos. Por outro lado, durante o trânsito subterrâneo das cargas positivas, devido a uma espécie de ‘efeito de ponta’, a ionização tende a se acumular perto das elevações topográficas locais – exatamente onde estavam localizadas as câmeras. Nossa hipótese foi que, para se livrar dos sintomas indesejáveis da síndrome da serotonina, os animais fugiram para áreas mais baixas”, explicou Raulin.

“Acreditamos que ambas as anomalias surgiram a partir de uma única causa: a atividade sísmica causando estresse na crosta terrestre e levando, entre outras coisas, à enorme ionização na interface solo-ar. Esperamos que nosso trabalho possa estimular ainda mais a investigação na área, que tem o potencial de auxiliar as previsões de curto prazo de riscos sísmicos”, declarou Rachel Grant, principal autora do artigo.

Independentemente da observação do comportamento animal, os resultados obtidos mostram que a previsão de terremotos poderia ser feita também mediante a detecção da ionização do ar, com o monitoramento do campo elétrico atmosférico.

Com informações: José Tadeu Arantes/Pesquisa Fapesp

23:08 · 23.03.2015 / atualizado às 23:15 · 23.03.2015 por
Foto: Blog Vermelho
Cada um dos dois asteroides deve ter diâmetro de mais de 10 km e seus impactos devem ter causado a extinção de muitas espécies do planeta”, disse o principal autor do estudo, Andrew Glikson, do departamento de Arqueologia e Antropologia da Australian National University Foto: Portal Vermelho

Cientistas acreditam ter descoberto no centro da Austrália os rastros de crateras que juntas somam 400 km de diâmetro, as maiores já registradas, abandonados pelo impacto de um asteroide enorme centenas de milhões de anos atrás.

Segundo os pesquisadores, a descoberta de um antigo impacto tão violento pode levar a novas teorias sobre a história da Terra. Estas crateras foram apagadas da face do planeta há muito tempo. Elas estão nas profundezas da crosta terrestre, e que deixou duas “cicatrizes”, descobertos por estes geofísicos australianos, cujo trabalho foi publicado nesta segunda-feira (23) no jornal científico europeu Tectonophysics.

Eles explicam que o asteroide quebrou em duas partes pouco antes de cair no chão. Cada um dos dois asteroides deve ter diâmetro de mais de 10 km e seus impactos devem ter causado a extinção de muitas espécies do planeta”, disse o principal autor do estudo, Andrew Glikson, do departamento de Arqueologia e Antropologia da Australian National University (ANU).

Mistério

A zona do impacto foi encontrada quando os cientistas realizavam a perfuração de mais de dois quilômetros de profundidade para a pesquisa geotérmica em uma região de fronteira entre o sul da Austrália, Queensland e os territórios do norte.

“Grandes áreas de impacto como esta podem ter tido um papel muito mais importante na evolução da Terra do que pensávamos”, disse Andrew Glikson. A data exata do evento é incerta, segundo os cientistas, que explicaram que as rochas ao redor das crateras datam de 300 a 600 milhões de anos.

No entanto, não há nenhuma indicação do impacto geológico, ao contrário do que foi observado, por exemplo, para o asteroide que atingiu o Golfo do México há 66 milhões de anos. Este último impacto parece ter causado a extinção dos dinossauros e muitas outras espécies animais. Ao bater no chão, este asteroide de mais de 10km de diâmetro enviou uma enorme nuvem de cinzas e poeira na atmosfera.

No entanto, nada disso foi encontrado nos sedimentos que datam de 300 milhões de anos, o que corresponderia ao duplo impacto de asteroides gigantes na Austrália, ressalta Andrew Glikson.

“É um mistério, porque não podemos encontrar uma extinção de animais correspondente a esta dupla colisão. Isto sugere que o impacto pode ser mais antigo”, conclui.

Com informações: AFP

23:30 · 20.03.2015 / atualizado às 23:30 · 20.03.2015 por
Foto: SVT
Com 2,75 metros, o Carnufex carolinensis tinha a aparência de um crocodilo, mas andava sobre as patas traseiras Foto: SVT

Cientistas anunciaram a descoberta de um ancestral de jacarés e crocodilos que foi o grande predador da América do Norte, antes de os dinossauros aparecerem no continente. Com 2,75 metros, o animal tinha a aparência de um crocodilo, mas andava sobre as patas traseiras.

O novo réptil, que viveu há mais de 230 milhões de anos, foi descoberto no Estado da Carolina do Norte (EUA) e recebeu o nome de Carnufex carolinensis, que significa “carniceiro da Carolina”. De acordo com os autores do estudo, o Carnufex provavelmente era o predador de animais menores que viviam nos ecossistemas da região, como os primeiros ancestrais dos mamíferos e répteis dotados de carapaças.

A descoberta, feita por paleontologistas da Universidade Estadual da Carolina do Norte e do Museu de Ciências Naturais da Carolina do Norte, foi publicada na Scientific Reports, uma revista científica de acesso aberto mantida pelo grupo que edita a Nature. Os cientistas descobriram partes do crânio, da coluna vertebral e dos membros superiores do Carnufex na Formação Pekin, na Carolina do Norte.

Como o crânio estava em pedaços, era difícil visualizar como deveria ter sido sua aparência em vida. Os pesquisadores, portanto, escanearam cada osso com uma tecnologia de alta resolução. Com base nessa técnica de última geração e em crânios mais bem preservados de parentes do Carnufex, foi possível criar um modelo tridimensional do crânio reconstruído do réptil.

Começo do fim da Pangeia 

A Formação Pekin contém sedimentos depositados há 231 milhões de anos, no início do período Triássico Superior, que é conhecido como Idade Carniana. Na época, a Carolina do Norte era uma região úmida, quente e equatorial, que começava a se separar do supercontinente Pangeia.

“Os fósseis desse período são extremamente importantes para os cientistas, porque eles registram o mais primitivo aparecimento dos crocodilomorfos e dos dinossauros terópodes, os dois grupos que primeiro evoluíram no período Triássico e conseguiram sobreviver até os dias de hoje, na forma de crocodilos e aves”, disse a autora principal do estudo, Lindsay Zanno, professora da Universidade Estadual da Carolina do Norte.

“A descoberta do Carnufex, um dos maiores e mais primitivos crocodilomorfos, acrescenta informação inédita sobre a competição entre os grandes predadores da Pangeia”, declarou Zanno. Os típicos predadores que vagavam pela Pangeia incluíam os Rauisuchideos e os Poposaurideos, temidos parentes dos crocodilos primitivos que foram extintos no período Triássico.

Primeiras diferenças Norte-Sul

De acordo com Zanno, no Hemisfério Sul esses animais caçavam na companhia dos primeiros dinossauros, gerando uma sobreposição de predadores. A descoberta do Carnufex indica que no norte os grandes crocodilomorfos – e não os dinossauros – estavam no topo da cadeia de predadores.

“Já sabíamos que havia vários lutando pelo domínio no início do Triássico Superior. Mas, até decifrarmos a história por trás do Carnufex, não estava claro que os primeiros ancestrais dos crocodilos estavam competindo pelo topo da cadeia”, afirmou Zanno.

À medida que o Triássico se aproximava do fim, a extinção dizimou essa miríade de predadores e apenas crocodilomorfos pequenos e terópodes sobreviveram.

Com informações: Agência Estado

22:46 · 23.02.2015 / atualizado às 23:35 · 23.02.2015 por
Foto: Alcadía de Samaná
Foco vulcânico está localizado na Selva de Florença, em um ambiente arborizado na jurisdição do município de Samaná Foto: Alcadía de Samaná

Um vulcão, “potencialmente perigoso” e batizado como El Escondido, foi descoberto por pesquisadores da Colômbia a cerca de 1.700 metros de altura sobre o nível do mar, no departamento de Caldas (centro), informou nesta segunda-feira (23) o Serviço Geológico Colombiano (SGC).

“Este vulcão está no flanco oriental da Cordilheira Central (uma das três principais partes em que a Cordilheira dos Andes se divide ao sul da Colômbia). É uma área em que normalmente não pensaríamos que fosse haver vulcões”, explicou à AFP a geóloga María Luisa Monsalve, que coordenou grupo de pesquisa.

Os estudos, iniciados em 2013, apontam que o vulcão teve sua última atividade há aproximadamente 30.000 anos, explicou a cientista. “É um vulcão que tem características que o tornam muito explosivo”, disse Monsalve. Por isso, o SGC o considera “potencialmente perigoso”.

Vegetação espessa

O foco vulcânico está localizado na Selva de Florença, em um ambiente arborizado na jurisdição do município de Samaná, com uma estrutura muito similar ao vulcão Cerro Machín, no departamento vizinho de Tolima.

A pesquisadora afirmou que esta estrutura não foi descoberta antes porque não está em uma área onde se encontravam outros vulcões e porque sua aparência é parecida a de qualquer montanha com vegetação espessa.

“Esta estrutura não corresponde a um grande edifício vulcânico, o que torna difícil distingui-lo na paisagem. Por isso se deu o nome de ‘El Escondido'”, explicou o SGC em comunicado.

A entidade informou que foi determinado que o Observatório Vulcanológico e Sismológico de Manizales, capital de Caldas, contemplará a verificação instrumental de algum tipo de atividade no El Escondido.

Junto com o Monsalve, participaram da descoberta os cientistas Iván Darío Ortíz, Gianluca Norini, Jesús Bernardo Rueda y Gina Rodríguez.

A Colômbia tem pelo menos 14 vulcões ativos, dos quais os Galeras, El Huila, Puracé, Cerro Machín e Ruiz, na região central e no sul do país, são os mais vigiados pelas autoridades.

Com informações: AFP

18:00 · 05.01.2015 / atualizado às 17:13 · 06.01.2015 por
Foto: Nasa
Imagens captadas pelo robô Curiosity fotografaram uma formação semelhante à deixada por colônias de bactérias na Terra Foto: Nasa

A geóloga norte-americana Nora Noffke, da Old Dominion University, afirmou num estudo publicado na revista Astrobiology que pode ter encontrado fósseis na superfície de Marte.

Segundo Noffke as imagens captadas pelo robô Curiosity fotografaram uma formação semelhante à deixada por colônias de bactérias na Terra.

Estes fósseis são conhecidos pela sigla em inglês Miss (estruturas sedimentares induzidas por micróbios). Para a pesquisadora esses fósseis indicam que pode ter havido vida microbiológica na água de Marte, que secou completamente em algum momento do passado.

O artigo deixa claro que a hipótese ainda precisa de ser provada ou refutada através de métodos científicos. As rochas que ela analisou foram fotografadas pelo Curiosity em dezembro de 2012 na Baía de Yellowknife, na Cratera Gale. No local existia um lago que durou até pelo menos 3,7 bilhões de anos.

Desde que começou a exploração científica em Marte, os cientistas verificam provas da existência de água no solo marciano no passado. No entanto, ainda não há consenso de como o planeta perdeu todo o líquido e adquiriu a paisagem inóspita que conhecemos.

O atual problema para comprovar a hipótese de Noffke é o fato de o Curiosity estar bem longe da Baía de Yellowknife, o que impede novos estudos nos supostos fósseis.

Evidências anteriores

Esta não é a primeira vez que supostos fósseis são verificados em Marte. Em 2010 investigadores encontraram rochas na região da fossa Nili que poderiam conter restos fossilizados da vida em Marte.

O Instituto para Busca de Inteligência Extraterrestre (Seti, na sigla em inglês), da Califórnia, disse que as formações rochosas com 4 bilhões de anos conservaram restos do que seriam estruturas biológicas.

Já em 2008 cientistas descobriram nestas rochas evidências de carbonatos, que são produzidos por decomposição de material orgânico sedimentado.

Com informações: Diário Digital / Sapo