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Categoria: Ginecologia


12:22 · 13.02.2014 / atualizado às 17:47 · 12.02.2014 por
Foto: Folhapress
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Há cerca de 7 anos a médica Ana Claudia Latronico atendeu no ambulatório de endocrinologia pediátrica do Hospital das Clínicas (HC) de São Paulo um caso que lhe chamou a atenção e acabou por conduzir à identificação, em meados de 2013, do primeiro gene associado à puberdade precoce de origem hereditária.

Era uma menina de 5 anos que já apresentava os primeiros sinais da puberdade. As mamas começavam a se formar e os pelos cresciam mais espessos nas axilas e na região pubiana, dois sinais de que os hormônios sexuais, produzidos em maior quantidade só no final da infância, já circulavam em níveis elevados no corpo da garota.

O que despertou o interesse de Ana Claudia, no entanto, foi outro motivo. A menina havia chegado ao hospital por iniciativa da avó paterna, então uma senhora de 69 anos, que tinha entrado na puberdade cedo e menstruado pela primeira vez aos 9 anos. Semanas mais tarde a avó retornou com uma segunda neta, filha de outro filho, e anos depois com uma terceira, nascida do segundo casamento do primeiro filho.

Essa sequência de casos na mesma família – mais tarde chegariam a seis – levou Ana Claudia a desconfiar de uma origem genética para o problema, algo em que poucos especialistas pensavam na época, e a iniciar uma procura ativa entre os parentes das crianças atendidas por ela e sua equipe no HC. “Passamos a conversar com as mães, que em geral são quem leva as crianças às consultas, sobre a puberdade do pai, dos tios e dos avós”, lembra a endocrinologista.

Exames clínicos e testes hormonais confirmaram que nessas 12 famílias brasileiras e em outras 3 estrangeiras havia 32 pessoas que tinham entrado na puberdade muito cedo, em média aos 6 anos. Em todos esses casos, apresentados em junho de 2013 em um artigo no New England Journal of Medicine (NEJM), o desenvolvimento acelerado do corpo que marca a transição da infância para a idade adulta havia começado antes do tempo por causa do aumento prematuro na produção do hormônio liberador das gonadotrofinas: o GnRH, que comanda o amadurecimento sexual do organismo.

Produzido no cérebro por um pequeno grupo de neurônios do hipotálamo, o GnRH funciona como o acelerador de um carro. Esse hormônio é liberado em pulsos mais rápidos na puberdade, induzindo a glândula hipófise a produzir dois outros hormônios sexuais: o hormônio luteinizante (LH) e o hormônio folículo estimulante (FSH). Esses hormônios são lançados na corrente sanguínea e viajam até os ovários e os testículos, onde ativam a liberação de outros hormônios sexuais que fazem o corpo crescer e amadurecer do ponto de vista reprodutivo.

Com os dados daquelas 32 pessoas em mãos, faltava descobrir o que havia levado o corpo delas a secretar mais GnRH antes da hora. O grupo de Ana Claudia, em parceria com pesquisadores da Santa Casa de São Paulo, da Universidade Federal de Minas Gerais, da Universidade de Leuven, na Bélgica, e da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, decidiu sequenciar o material genético desses participantes em busca de alterações que pudessem explicar o início antecipado da puberdade. Um terço deles (oito pessoas) apresentou defeitos em um mesmo gene: o MKRN3, hoje considerado o primeiro gene responsável por uma forma hereditária de puberdade precoce.

“Esse resultado é importante porque os determinantes do início da puberdade permanecem um dos mistérios não resolvidos da biologia”, comenta o endocrinologista Jean-Claude Carel, da Universidade Paris Diderot e do Centro de Referência em Doenças Endócrinas Raras do Crescimento, na França.

Especialista de renome internacional que investiga a puberdade precoce central, Carel observa: “a puberdade está associada a uma série de desfechos físicos e psicológicos de longo prazo, e compreender melhor o que define seu início cria a oportunidade de contribuir para questões de saúde”.

Para Erica Eugster, da Universidade da Saúde de Indiana, Estados Unidos, “esse achado representa um avanço importante na determinação da base genética da puberdade precoce central”, em especial por envolver uma forma até então desconhecida de controle da produção do GnRH.

Com informações: Pesquisa Fapesp

14:38 · 07.06.2013 / atualizado às 15:12 · 07.06.2013 por
Câncer de mama pode ter como principal causa o tamanho reduzido dos telômeros (extremidades dos cromossomos) das células do dutos que conduzem o leite, o que favorece a chance de mutações nas divisões celulares Foto: Radio UAS
Câncer de mama pode ter como principal causa o tamanho reduzido dos telômeros (extremidades dos cromossomos) das células do dutos que conduzem o leite, o que favorece a chance de mutações nas divisões celulares Foto: Radio UAS

Um novo estudo, envolvendo pesquisadores do Canadá, Estados Unidos e Holanda, conseguiu identificar mais um dos vários mecanismos ligados ao câncer de mama.

Nas mulheres, um subtipo de células do tecido mamário tem as extremidades dos cromossomos –os chamados telômeros -bem mais curtas do que o normal, sendo assim mais propenso a mutações e ao surgimento do câncer.

Um artigo publicado na edição de estreia do periódico Stem Cell Reports mostrou que, na hora da divisão celular, essa alteração estrutural favoreceria a ocorrência de “erros” que poderiam culminar em um câncer.

Um dos diferenciais do trabalho é que, diferentemente de muitas das pesquisas sobre câncer, os pesquisadores usaram amostras de tecido doadas por 37 mulheres que não tinham a doença, mas que diminuíram os seios por questões estéticas.

O mastologista brasileiro Fábio Laginha ressalta a importância de estudar também as células saudáveis e afirma que a descoberta pode ser um ponto importante para a prevenção. “Identificar as células mais predispostas a sofrer mutações é um passo muito importante”, afirma o médico.

Recentemente, estudos indicaram a relação dos telômeros com o surgimento dos tumores. Mas esses mecanismos não haviam sido desvendados com o detalhamento da nova pesquisa. Por enquanto, o trabalho ainda não tem impactos práticos, como a possibilidade de desenvolvimento de um remédio oncológico, mas os cientistas afirmam que ele pode abrir caminho para novas formas de diagnóstico.

“O câncer é formado por um conjunto de alterações, e esse é um entre os vários mecanismos. Não se pode dizer se ele é o principal”, explica Ricardo Caponero, oncologista e presidente do Conselho Técnico Científico da Femama (Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama).

“O trabalho se restringe ao tumor ductal [no canal que leva o leite ao mamilo]. São necessários mais estudos para ver se isso se repete em outros tipos de câncer.”

Com Informações: Folhapress

23:29 · 17.07.2012 / atualizado às 02:45 · 18.07.2012 por
Maternidade Escola Assis Chateaubriand, vinculada à Universidade Federal do Ceará ficou com o 2º lugar no Prêmio Galba Araújo de Obstetrícia, Imagem: Lucas de Menezes

O Programa de Analgesia de Parto, implantado em 2011 na Maternidade-Escola Assis Chateaubriand (MEAC), da Universidade Federal do Ceará, foi vice-campeão do Prêmio Galba Araújo de Obstetrícia, do Ministério da Saúde, atribuído durante o II Congresso Cearense de Ginecologia e Obstetrícia, realizado em Fortaleza no final de junho.

O trabalho, cujo título é “Construção e implantação de um programa de analgesia de parto em uma Maternidade-Escola no Ceará”, foi desenvolvido pela Supervisora da Residência em Anestesiologia do Complexo Hospitalar da UFC, Profª Cláudia Regina Fernandes. Também foi concedida ao projeto menção honrosa por sua relevância social.

O objetivo do programa é estimular o ensino da técnica e a vivência de uma assistência ao parto sem dor pelos médicos residentes de Obstetrícia e estudantes dos últimos anos de graduação em Medicina, em período de Internato. A visão dos envolvidos é de que o alívio da dor é parte fundamental do contexto da humanização da assistência ao parto.

Com Informações: Divisão de Imprensa e Marketing do Complexo Hospitalar da UFC

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