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Categoria: História da Ciência


18:46 · 17.07.2018 / atualizado às 18:56 · 17.07.2018 por
Concepção artística dos novos corpos celestes descobertos orbitando o maior planeta do Sistema Solar Imagem: Earth.com

Uma dúzia de novas luas foram descobertas em volta de Júpiter, o que eleva seu número de luas conhecidas a 79, a maior quantidade entre os planetas de nosso sistema solar, anunciaram astrônomos nesta terça-feira (17).

Uma das novas luas foi descrita como uma “verdadeira extravagância” pelo pesquisador Scott Sheppard, do Carnegie Institution for Science, devido a seu pequeno tamanho, apenas um quilômetro de diâmetro, o equivalente a uma serra como a de Guaramiranga (CE), por exemplo.

Também “tem uma órbita como nenhuma outra lua joviana” descoberta e é “provavelmente a menor lua conhecida de Júpiter”, acrescentou. Esta lua rara demora cerca de um ano e meio para dar a volta em Júpiter, e orbita em um ângulo inclinado que faz com que cruze em seu caminho com uma série de luas que viajam de forma retrógrada, ou seja, na direção oposta à rotação de Júpiter. “Esta é uma situação instável”, disse Sheppard. “As colisões frontais poderiam desintegrar os objetos rapidamente e reduzi-los a pó”.

Esta lua, junto com outras duas descobertas, orbitam na direção da rotação do planeta. As luas internas demoram cerca de um ano para dar a volta em Júpiter, e as externas, o dobro do tempo.

Fragmentos

Todas as luas podem ser fragmentos que se separaram quando colidiram sendo corpos cósmicos maiores, dizem os astrônomos, que propuseram batizar a extravagante de “Valetudo”, como a bisneta do deus romano Júpiter, deusa da saúde e da higiene.

O astrônomo italiano Galileo Galilei descobriu as primeiras quatro luas de Júpiter em 1610. A equipe atual de astrônomos não estava buscando novas luas de Júpiter; estava explorando os céus em busca de planetas para além de Plutão, quando as luas cruzaram o caminho de seu telescópio.

As novas luas foram observadas pela primeira vez em 2017 graças a um telescópio situado no Chile e operado pelo Observatório Astronômico Óptico Nacional dos Estados Unidos. Os especialistas levaram um ano para confirmar suas órbitas com uma série de outros telescópios situados nos Estados Unidos e no Chile.

Com informações: AFP

11:34 · 14.07.2018 / atualizado às 11:40 · 14.07.2018 por
O radiotelescópio MeerKAT é composto por 64 antenas parabólicas instaladas ao redor de Carnarvon. Essas antenas serão conectadas a cerca de 3.000 instrumentos instalados em toda a África e na Austrália Foto: Morganoshell

A África do Sul inaugurou no deserto de Karoo o radiotelescópio MeerKAT, primeiro elemento de uma rede de antenas parabólicas instaladas em dois continentes que, uma vez em funcionamento, formarão o maior radiotelescópio do mundo, o Square Kilometre Array (SKA).

“Este telescópio será o maior de seu tipo no mundo, com uma qualidade de resolução 50 vezes superior à do telescópio espacial Hubble”, declarou o vice-presidente sul-africano, David Mabuza, na cerimônia em Carnarvon, pequena localidade do deserto de Karoo.

O radiotelescópio MeerKAT é composto por 64 antenas parabólicas instaladas ao redor de Carnarvon. Essas antenas serão conectadas a cerca de 3.000 instrumentos instalados em toda a África (Botsuana, Gana, Quênia, Madagascar, Maurício, Moçambique, Namíbia e Zâmbia), assim como na Austrália. O SKA deve estudar alguns fenômenos cósmicos violentos, como uma supernova, os buracos negros e todos os primeiros rastros do “big bang”. Mais de 200 cientistas, engenheiros e técnicos participaram no desenvolvimento do MeerKAT, que necessitou até agora cerca de 240 milhões de dólares, em sua maioria de fundos públicos.

O SKA, que poderia começar a funcionar em 2030, é o resultado de um acordo internacional que inclui, além dos países africanos e da Austrália, Canadá, China, Índia, Itália, Nova Zelândia, Suécia, Holanda e Grã-Bretanha.

Uma vez em funcionamento, o radiotelescópio gigante estará conectado a um telescópio óptico que foi inaugurado em maio a 200 km do MeerKAT.

Com informações: AFP

21:54 · 28.03.2018 / atualizado às 17:19 · 29.03.2018 por
Imagem destacada da NGC 1052-DF2, que misteriosamente não contém elemento presente em mais de 25% da composição do Universo Foto: How Stuff Works

Astrônomos ficaram surpresos ao descobrir a primeira galáxia desprovida de matéria escura, um elemento invisível e misterioso que age como uma espécie de “cola” das galáxias e ajuda a sua formação.

Essa observação “desafia as teorias habituais sobre a formação das galáxias”, assegura Pieter van Dokkum, da Universidade de Yale (Estados Unidos), autor principal do estudo publicado nesta quarta-feira (28) na revista científica Nature.

“Trata-se de uma descoberta excepcional, já que as galáxias contêm supostamente mais matéria escura que matéria comum”, indica o Instituto Dunlap para a Astronomia e a Astrofísica da Universidade de Toronto (Canadá), cujos pesquisadores participaram do estudo.

A galáxia NGC 1052-DF2, ou DF2 de forma abreviada, se encontra a 65 milhões de anos-luz da Terra. Os cientistas já sabiam de sua existência, e ela faz parte das galáxias ultra difusas, cuja densidade é extremamente baixa.

Embora seja maior que a nossa galáxia, a Via Láctea, contêm um número 250 vezes menor de estrelas. A matéria comum (os átomos), que compõe as estrelas, planetas, gases e poeira das galáxias, formam apenas 5% do universo. A matéria escura, que continua sendo um dos maiores enigmas da astrofísica contemporânea, formaria mais de 25% do universo. É invisível e só pode ser detectada através de seus efeitos gravitacionais sobre outros objetos do universo. Os cientistas acreditam que é a matéria escura que dá uma massa adicional às galáxias, produzindo uma maior gravidade que permite que as galáxias não se desagreguem. Uma galáxia gira tão rápido que só a gravidade produzida pela matéria observável nela não é suficiente para mantê-la unida.

“A matéria escura costuma ser considerada uma parte integrante das galáxias – é a cola que as mantém juntas e o andaime subjacente sobre o qual se constroem” -, resume a coautora do estudo Allison Merritt, da Universidade de Yale, citada em um comunicado do Observatório Europeu do Sul. Antes da descoberta, “pensava-se que todas as galáxias tinham matéria escura. Para uma galáxia deste tamanho, deveria haver 30 vezes mais matéria escura que matéria comum”, indica Roberto Abraham, da Universidade de Toronto. “Em vez disso, descobrimos que não havia nenhuma matéria escura. Isso não deveria ser possível”, assegura.

Merritt lembra que não existe nenhuma teoria que prediga este tipo de galáxias. “A maneira como se formam é totalmente desconhecida”. A existência de galáxias sem matéria escura do tipo da DF2 poderia, paradoxalmente, debilitar as teorias cosmológicas que propõem alternativas à matéria escura, explicam os pesquisadores.

A galáxia DF2 foi detectada por um telescópio óptico original chamado Dragonfly. Desde então, vários telescópios foram utilizados para estudá-la, entre eles o telescópio espacial Hubble.

Com informações: AFP

19:54 · 07.02.2018 / atualizado às 19:54 · 07.02.2018 por

Depois de lançar o Tesla Roadster vermelho de Elon Musk como carga de teste para o foguete Falcon Heavy na terça-feira (6), a SpaceX transmitiu as primeiras horas da viagem inédita.

No vídeo acima, é possível ver diversos ângulos do carro e do “motorista”, um boneco vestido de astronauta apelidado de Starman em homenagem à música de David Bowie, que estaria tocando no rádio se o som pudesse se propagar no espaço.

As imagens cobrem mais de quatro horas e foram transmitidas ao vivo. No lugar de uma tela multímidia há a frase: “Don’t panic” (não se desespere), citada no “Guia do mochileiro das galáxias”. Em uma das placas eletrônicas do carro, Musk mandou gravar “Feito na Terra por humanos”, caso algum alienígena trombe com o carro por aí.

Mais do que uma jogada do empresário Elon Musk, que criou a Tesla, colocar o esportivo elétrico dentro de um foguete serviu para mostrar a capacidade da sou outra empresa, a SpaceX, de fazer viagens espaciais. O teste real foi do foguete jumbo Falcon Heavy, que se tornou o veículo espacial mais poderoso a ser lançado dos Estados Unidos desde os foguetes Saturn 5, da Nasa, que transportaram astronautas para a lua 45 anos atrás.

No entanto, o mais impressionante é que dois dos três foguetes usados como propulsores voltaram ao solo e pousaram intactos, prontos para uma próxima. O terceiro deles errou o alvo e se desintegrou no mar.

O Tesla Roadster foi impulsionado uma última vez, para escapar da órbita de Marte e dar uma volta como previsto no esquema divulgado por Musk.

Trajetória

A SpaceX ainda não confirmou se a trajetória está correta e quais as chances de ele colidir com qualquer outro objeto no espaço no meio do caminho. A ideia inicial era deixar o carro na órbita de Marte por anos.

O Falcon Heavy é projetado para transportar cargas úteis de muito maior peso do que um carro esportivo, com a SpaceX vangloriando sua capacidade de colocar cerca de 70 toneladas em órbita terrestre por um custo de US$ 90 milhões por lançamento.

A expectativa é de que a SpaceX, com sede na Califórnia, vai ganhar vantagem em relação às companhias de foguetes comerciais rivais que buscam contratos importantes com a Nasa, as Forças Armadas dos EUA, empresas de satélites e até mesmo com turistas espaciais pagantes.

O esportivo foi o primeiro modelo da Tesla e ganhará um “upgrade” em 2020, que o colocará como o carro mais rápido do mundo em aceleração. De acordo com o anúncio feito em novembro passado, ele será capaz de ir de 0 a 96 km/h em 1,9 segundo.

Essa marca supera o próprio Tesla Model S P100D, o híbrido Porsche 918 Spyder e o Bugatti Chiron – todos com desempenho acima de 2 segundos.

O novo Tesla Roadster ainda é conversível e tem outra característica impressionante: uma carga de bateria dura cerca de 1.000 km.

Com informações: Auto Esporte/Globo.com

20:42 · 25.08.2017 / atualizado às 20:43 · 25.08.2017 por
A descoberta trata-se da mais antiga tábua trigonométrica, provavelmente utilizada pelos antigos matemáticos para realizar cálculos na construção de palácios, templos e canais Foto: Tech Times

Depois de quase um século de mistério, um grupo de cientistas descobriu para que servia uma antiga placa de argila da Babilônia que ostenta inscrições de mais de 3.700 anos: trata-se da mais antiga tábua trigonométrica, provavelmente utilizada pelos antigos matemáticos para realizar cálculos na construção de palácios, templos e canais.

O astrônomo grego Hiparco, que viveu no século 2 antes de Cristo é considerado o pai da Trigonometria – a área da Matemática que estuda as relações entre ângulos e lados dos triângulos -, mas o novo estudo revela que os babilônios já haviam desenvolvido uma sofisticada trigonometria cerca de 1.500 anos antes dos gregos. O estudo, liderado por Daniel Mansfield e Norman Wildberger, da Universidade de New South Wales (UNSW), da Austrália, foi publicado na quinta-feira, 24, na revista científica Historia Mathematica. De acordo com Mansfield, a placa revela uma sofisticação matemática surpreendente.

“Essa peça tem intrigado os matemáticos há mais de 70 anos, desde que se percebeu que ela contém um padrão especial de números, conhecido como trios pitagóricos. O grande mistério, até agora, era seu propósito – por que os antigos escribas realizaram a complexa tarefa de gerar e classificar os números na placa”, disse Mansfield.

Conhecida como Plimpton 322, a pequena placa foi descoberta em Senkereh, no sul do atual Iraque – onde ficava a antiga cidade suméria de Larsa – pelo arqueólogo, acadêmico, diplomata e negociante de antiguidades americano Edgar Banks – figura polêmica que inspirou o famoso personagem do cinema Indiana Jones.

A placa, com 13 centímetros de largura , nove centímetros de altura e dois centímetros de espessura foi vendida por Banks, por volta de 1922, para o editor americano George Arthur Plimpton. Na metade da década de 1930, o objeto foi doado com toda a coleção de Plimpton para a Universidade Columbia, em Nova York, onde é estudada até hoje.

Segundo Mansfield, a placa apresenta quatro colunas e 15 linhas de números gravados na escrita cuneiforme – o sistema de escrita mais antigo que se conhece. Em vez de utilizar o atual sistema numérico decimal (de base 10), os babilônios utilizavam um sistema sexagesimal, (de base 60). “Nosso estudo mostra que a Plimpton 322 descreve os formatos de triângulos retângulos utilizando um novo tipo de trigonometria baseado em proporções, não em ângulos e círculos, como fazemos hoje. É um trabalho matemático fascinante que demonstra uma inegável genialidade”, afirmou Mansfield.

De acordo com Mansfield, a placa não apenas corresponde à mais antiga tábua trigonométrica do mundo, mas também é a única tábua trigonométrica totalmente precisa, por conta da abordagem babilônica extremamente original da aritmética e da geometria.

“Isso significa que a descoberta tem grande relevância para nosso mundo moderno. Os matemáticos babilônios podem ter ficado esquecidos por mais de 3 mil anos, mas sua trigonometria possivelmente tem aplicações práticas em levantamentos, computação gráfica e educação. Trata-se de um raro exemplo da antiguidade nos ensinando algo novo”, disse o cientista.

Coautor do estudo, o matemático canadense Norman Wildberger afirma que a placa babilônica abre novas possibilidades não apenas para a pesquisa em Matemática Moderna, mas também para a educação em Matemática. “Com a Plimpton 322, vemos uma trigonometria mais simples, mais precisa, que tem claras vantagens sobre a nossa”, disse Wildberger. “Existe um verdadeiro tesouro de placas babilônicas, mas apenas uma pequena fração delas já foi estudada. O mundo da Matemática só agora está acordando para o fato de que essa cultura matemática tão antiga, mas tão sofisticada, tem muito a nos ensinar”, afirmou.

Trigonometria racional

Mansfield conta que leu sobre a Plimpton 322 pela primeira vez, por acaso, quando estava preparando um material para alunos de primeiro ano do curso de Matemática na UNSW.

Ele logo percebeu que as inscrições tinham paralelos com a chamada “Trigonometria Racional”, proposta por Wildberger em 2005, em seu livro “Proporções divinas: trigonometria racional para uma geometria universal”.

Em parceria com Wildberger, Mansfield decidiu então estudar a matemática babilônica e examinar as diferentes interpretações históricas feitas sobre o significado da placa. As 15 linhas da placa descrevem uma sequência de 15 triângulos retângulos, cujas inclinações decrescem gradualmente. A borda esquerda da placa está quebrada e os cientistas se basearam em pesquisas anteriores para apresentar uma nova evidência matemática de que originalmente havia seis colunas e 38 linhas.

Eles também demonstraram como os antigos escribas – que usavam um sistema numérico de base 60, semelhante ao dos relógios, em vez do sistema numérico de base 10 atualmente utilizado – devem ter gerado os números na placa utilizando suas técnicas matemáticas. Os cientistas também derrubaram uma das principais hipóteses para explicar a utilidade da placa – de que ela serviria simplesmente para auxiliar um professor na correção de problemas quadráticos resolvidos pelos alunos.

“A Plimpton 322 era uma poderosa ferramenta que pode ter sido usada para realizar levantamentos em áreas de construção ou para realizar cálculos arquitetônicos na construção de palácios, templos, canais e pirâmides, por exemplo”, explicou Mansfield.

Com informações: Estadão Conteúdo

13:08 · 15.07.2017 / atualizado às 13:10 · 15.07.2017 por
Maryam Mirzakhani ganhou, em 2014, a Fields Medal, equivalente o Nobel da Matemática Imagem: Alchetron

Maryam Mirzakhani, uma matemática de origem iraniana que foi a primeira mulher a ganhar a ‘Fields Medal’, morreu aos 40 anos em um hospital americano em função de um câncer.

O amigo de Mirzakhani, Firouz Naderi, anunciou sua morte no Instagram, e seus familiares confirmaram o falecimento à agência Mehr no Irã.

“Uma luz se apagou hoje. ‘Me doi o coração (…) se foi muito rápido”, escreveu Naderi, ex-diretor de Exploração de Sistemas Solares da Nasa.

Segundo a imprensa iraniana, Mirzakhani, professora da Universidade de Stanford, na Califórnia, morreu depois que o câncer que combateu por quatro anos se estendeu à medula óssea.

Em 2014, Mirzakhani ganhou a Fields Medal, equivalente o Nobel da Matemática, entregue pelo Congresso Internacional de Matemáticos. O prêmio reconheceu suas sofisticadas e muito originais contribuições aos campos da geometria e dos sistemas dinâmico, particularmente no entendimento da simetria das superfícies curvas.

Mirzakhani nasceu e cresceu em Teerã e ficou conhecida no cenário internacional da matemática ainda adolescente, ao ganhar medalhas de ouro nas Olimpíadas Internacionais da Matemática em 1994 e 1995.

Ela deixa marido e uma filha.

Com informações: AFP

22:59 · 08.03.2017 / atualizado às 22:59 · 08.03.2017 por
A física da UFRGS Márcia Barbosa, afirma que apesar do avanço, áreas como as das exatas ainda constituem um desafio para inserção das mulheres, que segundo ela, seriam desestimuladas desde a infância a enveredar em carreiras relacionadas a esse campo científico Foto: UFRGS

Por Everton Lopes Batista e Sabine Righetti (Folhapress)

A proporção de mulheres que publicam artigos científicos -principal forma de avaliação na carreira acadêmica- cresceu 11% no Brasil nos últimos 20 anos. Agora elas publicam quase a mesma quantidade que os pesquisadores homens (49%).

Os resultados são parte do relatório Gender in the Global Research Landscape (gênero no cenário global de pesquisa, em tradução livre), lançado nesta quarta (8) pela Elsevier, maior editora científica do mundo. O material traz um levantamento de dados da publicação acadêmica feita por mulheres em 11 países e na União Europeia em dois períodos: de 1996 a 2000 e de 2011 a 2015.

Os dados mostram que, dentre os países pesquisados, Brasil e Portugal são os que mais contam com autoras em trabalhos científicos (49% do total). Isso é percebido no cotidiano dos cientistas: “Eu não tinha as estatísticas, mas já diria que hoje nós mulheres somos metade da produção científica nacional”, diz Mayana Zatz, geneticista do Centro de Genoma Humano da USP.

Em outros seis países (Reino Unido, Canadá, Austrália, França e Dinamarca) o número de publicações por mulheres já atingiu pelo menos 40% do total, considerado patamar de igualdade.Nos dados entre os anos de 1996 e 2000, somente Portugal contava com taxas superiores a 40%.

A quantidade de pesquisadoras, no entanto, muda de acordo com a área do conhecimento, segundo o relatório.

Saúde

Hoje, são elas que dominam as publicações de medicina no país: uma em cada quatro estudos publicados na área por pesquisadores brasileiros tem uma cientista mulher como principal autora.

Nas chamadas ciências duras, no entanto, elas ainda estão em minoria. De acordo com o levantamento da Elsevier, publicações de áreas como ciências de computação e matemática têm mais do que 75% de homens na autoria dos trabalhos na maior parte dos países pesquisados. “Áreas de exatas são um problema porque desde a primeira infância as meninas vão sendo afastadas”, diz Márcia Barbosa, física da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e especialista em gênero. Fato: um estudo publicado na revista científica “Science” em fevereiro mostrou que a partir dos seis anos as meninas começam a se achar menos inteligentes do que os meninos na escola -que, acreditam elas, lideram e fazem grandes descobertas. “Temos uma cultura de que a menina tem de ser uma princesinha que, por exemplo, não pode se sujar”, diz Barbosa. “Ciências exigem experimentação.”

Teto de vidro

A igualdade na distribuição de autoria dos trabalhos científicos observada no Brasil não se reflete, no entanto, nos cargos científicos de liderança. Reitores de universidade, chefes de departamentos e coordenadores de linhas de pesquisa ainda são, em sua maioria, homens. É isso que os estudiosos de gênero chamam de “teto de vidro”: um bloqueio invisível que as mulheres não conseguem quebrar para chegar ao topo. “As mulheres vão sumindo ao longo da carreira. É como se houvesse um vazamento de mulheres pelo caminho”, diz Márcia. Para a especialista, é preciso ter políticas que entendam e trabalhem o fenômeno. “Não podemos ver isso como algo dado e natural.” Tamara Naiz, historiadora e presidente da ANPG (Associação Nacional de Pós-Graduandos) afirma que a mulher precisa lidar com diversos entraves ao longo da carreira científica. Um deles, diz ela, é a falta de proteção com relação a maternidade. “Quando uma mulher é aprovada em um curso de pós-graduação, é comum ela ouvir de orientadores que não poderá engravidar para que a pesquisa não seja interrompida”, conta.

“Se somos cientistas tão capazes quanto os homens, por que isso não se reflete em igualdade de salários e de oportunidades?”, questiona Naiz. “O resultado do levantamento mostra que, mesmo partindo de condições desiguais, a mulher consegue desenvolver uma pesquisa tão boa quanto a de um homem.”

Impacto

Isso pode ser observado nos números. No Brasil, a qualidade dos trabalhos publicados por homens e por mulheres -medido pela quantidade de vezes em que um estudo é citado em outros trabalhos, que é chamado de “impacto”- também é semelhante.

As brasileiras recebem 0,74 citação por estudo publicado, enquanto os cientistas homens do país têm 0,81 citação em seus trabalhos. O impacto dos artigos científicos publicados por homens e por mulheres é semelhante até nos países em que a produção de ciência é bastante desigual.

No Japão, por exemplo, as mulheres são autoras de apenas dois em cada dez trabalhos científicos. Os artigos delas, no entanto, recebem 0,94 citação -número bem próximo do impacto dos trabalhos dos homens daquele país (0,96). O levantamento foi feito com a base de dados da Elsevier, a Scopus, que lista autores de mais de 62 milhões de documentos em cerca de 21,5 mil revistas acadêmicas. Como a identificação de gênero não é necessária em publicações científicas, um segundo processo atribui gênero aos nomes contando com conjuntos de informações de cada país que relacionam nome e sexo com pelo menos 80% de certeza.

23:05 · 19.03.2015 / atualizado às 23:16 · 19.03.2015 por
Foto: Dinopedia
A macrauquênia, de compleição leve, tinha pernas longas, um pescoço comprido e um tronco aparentemente pequeno, lembrando um camelo sem corcova e com tromba similar a de um de seus parentes mais próximos, a anta Foto: Dinopedia

Para o naturalista britânico do século 19 Charles Darwin, eles eram os animais mais estranhos já descobertos, um parecido com uma mistura de hipopótamo, rinoceronte e roedor e outro lembrando um camelo sem corcova com uma tromba de elefante.

Desde que Darwin coletou seus fósseis cerca de 180 anos atrás, os cientistas viviam se perguntando onde estas estranhas criaturas sul-americanas, extintas 10 mil anos atrás, se encaixavam na árvore genealógica dos mamíferos. Agora, o mistério foi solucionado.

Nesta quarta-feira, pesquisadores disseram que uma análise bioquímica sofisticada de colágeno de osso extraída de fósseis dos dois mamíferos, o toxodonte e a macrauquênia, demonstraram que eles tinham relação com o grupo que inclui cavalos, antas e rinocerontes, os perissodáctilos,  que são ungulados (animais com casco) com número ímpar de dedos nas patas.

Alguns cientistas acreditavam que os dois mamíferos herbívoros, os últimos de um grupo bem-sucedido chamado de ungulados sul-americanos (ou meridiungulados), tinham relação com mamíferos de origem africana como os elefantes e os porcos-da-terra, ou outros mamíferos sul-americanos como os tatus e as preguiças.

“Desvendamos um dos últimos grandes problemas ainda sem solução da evolução mamífera: as origens dos ungulados sul-americanos nativos”, disse o biólogo de evolução molecular Ian Barnes, do Museu de História Natural de Londres, cuja pesquisa está na revista Nature.

Primeiras ideias sobre evolução

O toxodonte, que tinha cerca de 2,75 metros, possuía um corpo semelhante ao do rinoceronte, a cabeça como a de um hipopótamo e molares sempre em crescimento, como os de um roedor. A macrauquênia, do mesmo tamanho, mas de compleição mais leve, tinha pernas longas, um pescoço comprido e um tronco aparentemente pequeno.

“Algumas das primeiras ideias de Darwin sobre a evolução por meio da seleção natural foram concebidas contemplando os restos de toxodonte e macrauquênia, que lembravam de maneira tão confusa os traços de uma série de outros grupos, mas que tinham desaparecido muito recentemente”, explicou o paleomamiferologista Ross MacPhee, do Museu de História Natural de Nova York.

Os pesquisadores tentaram sem sucesso obter DNA dos fósseis, mas conseguiram obter o colágeno, que é mais resistente, dos restos mortais. O colágeno é a principal proteína estrutural de vários tipos de tecido, incluindo ossos e pele.

Os cientistas compararam o colágeno com uma ampla variedade de mamíferos vivos e alguns extintos para posicionar as criaturas corretamente na árvore genealógica dos mamíferos.

Origem geográfica dos meridiungulados

MacPhee afirmou que este grupo provavelmente chegou à América do Sul pela América do Norte aproximadamente 65 milhões de anos atrás, época em que os dinossauros foram exterminados em uma calamidade que permitiu aos mamíferos se tornarem os maiores e mais prevalentes animais terrestres.

Uma gama eclética de mamíferos, como preguiças do tamanho de elefantes e marsupiais de grandes presas, surgiu na América do Sul.

Com informações: Reuters

 

20:53 · 14.11.2014 / atualizado às 21:09 · 14.11.2014 por
Foto: ESA
O Philae está estacionado à sombra de um penhasco a 1km do local planejado e recebe cerca de 90 minutos de iluminação a cada rotação de 12 horas do cometa Foto: ESA

O veículo Philae, estabilizado na superfície de um cometa, está recebendo pouca luz em seus painéis solares, o que pode comprometer a duração da sua bateria – e afetar a missão da Agência Espacial Europeia (ESA).

Cientistas que trabalham no projeto espacial analisam como movimentar o robô para que receba mais luz. O Philae – que fez duas tentativas de aterrissar no cometa antes de lograr a missão – está estacionado à sombra de um penhasco a 1km do local planejado e recebe cerca de 90 minutos de iluminação a cada rotação de 12 horas do cometa.

Isto é insuficiente para recarregar o sistema de baterias a partir do momento em que a carga principal do veículo se esgote. O Philae se destacou da sonda Rosetta na terça-feira (11). O chefe de operações da Agência Espacial Europeia em Damstadt (Alemanha), Paolo Ferri, disse que o descarregamento pode ocorrer até a  tarde de sábado (15).

“Depende das atividades, claro. Quanto mais atividades fizermos com o módulo, mais energia consumiremos, e menos tempo teremos”, disse Ferri. O Philae fez o pouso inédito na superfície do cometa 67P na quarta-feira (12) após uma viagem de dez anos. O módulo saltou duas vezes ao aterrissar – o primeiro dos saltos atingiu 1km de altura.

Sobre dois pés

As primeiras imagens enviadas mostram o terreno irregular do cometa. Fotos tiradas pelo Philae mostram o veículo pressionado contra o que parece ser um muro.

A telemetria indica que ele está em um declive ou talvez até mesmo de lado. O que se sabe com certeza é que um dos seus três pés não está em contato com a superfície.

Os cientistas estudam opções como usar algumas das peças móveis do robô para executar um novo salto e tirar o aparelho das sombras. Mas provavelmente não há tempo suficiente para planejar e executar essa estratégia.

A prioridade, agora, é usar o Philae para obter o maior número de informações possíveis sobre o cometa. Neste quesito, pesquisadores estão muito satisfeitos com o desempenho da missão. A decepção seria não poder usar a broca da sonda para recolher material sob a superfície do cometa a fim de fazer análises químicas em laboratórios.

Este foi um dos principais objetivos da missão. Mas a operação fica dificultada com a sonda tão delicadamente posicionada em apenas dois pés. Forças rotacionais de perfuração poderiam desestabilizar o Philae. “Queremos perfurar, mas não queremos perfurar e perceber que, como consequência, a missão acabou”, disse um dos pesquisadores da missão, Jean-Pierre Bibring.

Controladores vão analisar o que pode ser feito para apoiar o terceiro pé na superfície. Se isso não for possível, a perfuração poderia ser realizada no fim da janela da bateria primária. Neste momento, cientistas terão pouco a perder.

“Esta é uma decisão operacional muito típica”, disse Paolo Ferri. “Primeiro, você obtém tudo o que puder. As coisas arriscadas ficam apenas para o final.”

Missão histórica

Independente do que acontecer nas próximas horas, a missão Rosetta/Philae, da ESA, já tem lugar garantido na história.

Os dados do Philae – e aqueles enviados pela Rosetta, que continua a observá-lo à distância – podem transformar o que sabemos sobre os cometas e permitir aos pesquisadores testar várias hipóteses sobre a formação do Sistema Solar e as origens da vida.

Uma teoria sustenta que os cometas foram responsáveis pela distribuição de água aos planetas. Outra ideia é que eles poderiam ter “semeado” a Terra com a química necessária para dar o pontapé inicial na biologia.

“Estes dois dias têm sido absolutamente magníficos”, disse o gerente de missão da agência europeia, Fred Jansen. “Quando assumi esse trabalho, há um ano e meio, nunca imaginei que este seria o impacto.”

Com informações: BBC Brasil

22:42 · 15.10.2014 / atualizado às 23:00 · 15.10.2014 por
Foto: George Joch/ Argonne National Laboratory
Cientistas do projeto NOvA acreditam que uma melhor compreensão dessas partículas, abundantes e de difícil estudo, pode levar a um quadro mais claro do funcionamento do universo Foto: George Joch/ Argonne National Laboratory

O maior experimento já feito com neutrinos, partículas sem carga elétrica e que interagem com outras partículas por meio de interação gravitacional, pode ser a chave para a compreensão do universo.

Eles podem dar aos pesquisadores pistas sobre a misteriosa matéria escura do espaço e outros fenômenos astrofísicos pouco conhecidos pelos estudiosos. Uma máquina chamada NOvA (assim mesmo, com apenas uma letra minúscula) e constituída por dois enormes detectores, posicionados a 800 quilômetros de distância, um em Batavia, perto de Chicago, e outro em Ash River, Minnesota, pretende estudar essas esquivas partículas subatômicas da natureza.

Os cientistas acreditam que uma melhor compreensão dessas partículas, abundantes e de difícil estudo, pode levar a um quadro mais claro do funcionamento do universo. Usando o feixe de neutrinos mais poderoso do mundo, gerado no Fermi National Accelerator Laboratory, perto de Chicago, a máquina pode gravar os vestígios de neutrinos de forma precisa.

Leves e pequeninos, os neutrinos estão por toda parte. Cerca de 100 trilhões deles passam por nós a cada segundo, sem nos causar nenhum dano. Criados pelo Big Bang, eles dificilmente são detectados pelos cientistas pelo fato de se moverem rapidamente.

Partículas excêntricas

“Das partículas conhecidas, os neutrinos são as mais excêntricas “, disse Steven Ritz, da Universidade da Califórnia. Há três tipos de neutrinos: eles podem mudar de um tipo para outro, mas os cientistas não sabem muito bem o porquê.

Um dos detectores, instalado no subsolo do laboratório, observa os neutrinos ao passo em que eles embarcam em sua jornada através da Terra a quase à velocidade da luz. O outro detecta esses neutrinos e permite que os cientistas analisem como eles mudam ao longo da sua viagem.

O Fermi National Accelerator Laboratory planeja enviar dezenas de milhares de milhões de neutrinos por segundo em um feixe destinado aos detectores. Assim, os cientistas esperam aprender mais sobre a forma como eles mudam de um tipo para o outro.

Com informações: Daily Mail / Portal Terra