Diário Científico

Categoria: História


18:40 · 18.09.2018 / atualizado às 18:42 · 18.09.2018 por
Concepção artística do barroco italiano Michelangelo Merisi, o Caravaggio, que morreu na Toscana, quatro anos após fugir de Roma por ter cometido um assassinato Imagem: Artble

O famoso pintor barroco Caravaggio, que morreu em 1610, sucumbiu a uma infecção de Staphylococcus aureus, revelaram nesta terça-feira (18) pesquisadores do Hospital Universitário Mediterrâneo de Marselha (IHU), quatro séculos depois.

Michelangelo Merisi, conhecido como Caravaggio, fugiu de Roma depois de cometer um assassinato em uma briga de rua, e morreu quatro anos depois na Toscana em condições inexplicadas. “Graças à cooperação com antropólogos italianos e com o microbiologista Giuseppe Cornaglia, as equipes do IHU de Marselha conseguiram extrair dentes do esqueleto de Caravaggio”, informou o instituto em um comunicado.

Os pesquisadores extraíram a polpa dentária, rica em vasos sanguíneos. Combinando três métodos de detecção de DNA, “o assassino foi identificado: um Staphylococcus aureus”, acrescentou o comunicado.

O instituto de pesquisa do IHU, liderado pelo professor Didier Raoult, é um centro de pesquisa, atendimento, treinamento e avaliação especializado na luta contra doenças infecciosas.

O resultado da pesquisa será publicado antes do final do ano em um artigo científico da revista “Lancet contagious diseases”, conforme detalhado pelo IHU.

Com informações: AFP

19:52 · 16.08.2018 / atualizado às 19:52 · 16.08.2018 por
Relevos simbolizariam a fertilização da terra, pois as serpentes representam uma divindade vinculada à água que brota da terra e faz germinar à semente Foto: Agência Brasil

Uma nova parede com relevos com 3.800 anos de antiguidade foi descoberta nas ruínas de Vichama, uma das cidades da Civilização de Caral, considerada a mais antiga da América, anunciou a arqueóloga Ruth Shady, diretora das escavações e responsável por descobertas dessa cultura.

A imagem apresenta quatro cabeças humanas de olhos fechados, uma do lado da outra, e duas serpentes que se deslocam entre elas até chegarem em uma quinta cabeça não humana, que representaria uma semente antropomórfica, da qual saem cinco varinhas verticais fincadas na terra.

Os relevos simbolizariam a fertilização da terra, pois as serpentes representam uma divindade vinculada à água que brota da terra e faz germinar à semente, segundo a hipótese de Shady. Além disso, marcariam o final de um período de seca e crise de fome que atravessou essa sociedade e que foi representada em outras paredes descobertas anteriormente na mesma cidade.

Mudança climática

Essa nova descoberta reforça o trabalho de mostrar para os humanos atuais as dificuldades que a sociedade enfrentou devido à mudança climática e à escassez da água, que causou graves problemas à produtividade agrícola.

O muro, feito de adobe, está em Vichama, a cidade pesqueira de Caral. Essa civilização surgiu há 5 mil anos no Vale de Supe, a 180 quilômetros ao norte de Lima. Ele fica na entrada do salão cerimonial, principal ambiente desse complexo público.

A construção chegou a ter uma área de 874 metros quadrados e foi remodelada continuamente com janelas escalonadas e uma praça circular funda, que foi enterrada. As escavações em Vichama começaram em 2007 e estão a cargo da Zona Arqueológica Caral (ZAC), que desenterrou 22 construções em de 25 hectares, conforme os cálculos erigidos entre os anos 1.800 a.C e 1.500 a.C.

Os novos relevos foram revelados no marco do décimo primeiro aniversário dos trabalhos feitos em Vichama, cujas celebrações serão nos dias 31 de agosto e 1º de setembro.

Contemporânea a outras civilizações

A Civilização de Caral se desenvolveu nos vales próximos a Lima praticamente ao mesmo tempo que outras grandes culturas antigas, como Mesopotâmia, Egito, China e Tiwanaku, e a sua descoberta mudou o paradigma da conformação das grandes civilizações do Antigo Peru.

Com informações: Agência Brasil

18:09 · 22.05.2018 / atualizado às 18:09 · 22.05.2018 por
Dramatização de cena representando solenidade do Império Inca Foto: Escaped to Peru

Pesquisadores de Brasil, Bolívia e Peru vêm rastreando a origem da civilização inca, a maior população pré-colombiana, por meio de estudos genéticos realizados em descendentes contemporâneos dos imperadores incas.

É o primeiro “estudo genético sobre a família imperial inca”, que busca revelar se existiu uma relação patrilinear única, ou seja, somente um patriarca inca, ou se existiu mais de um. Além disso, busca-se comprovar se o império de Tahuantinsuyo, que se estendia do atual Equador até o Chile, se originou de descendentes de Puno ou Cusco, segundo narram duas lendas sobre sua fundação. “Depois de três anos de acompanhamento das marcas genéticas dos descendentes, confirmamos que as duas lendas que narram a origem da civilização inca (1200-1533 d.C.) estariam relacionadas”, assinalaram à AFP os peruanos Ricardo Fujita e José Sandoval, cientistas da Universidade San Martín de Porres, que participaram da pesquisa.

Os primeiros resultados do estudo foram publicados em abril pela revista Molecular Genetics and Genomics. O relatório diz que, a partir de um banco de amostras de DNA de mais de 3.000 nativos de Peru, Bolívia e Equador, compararam a informação genética dos descendentes dos incas que ainda vivem em Cusco e em populações próximas ao Lago Titicaca.

“Chegamos à conclusão que a nobreza de Tahuantinsuyo descende de duas linhagens, uma da região do Lago Titicaca, em Puno, e outra da montanha de Pacaritambo, em Cusco. Isso indica que as lendas sobre a fundação se mantêm e que poderiam ser somente um cenário”, assinalou Sandoval.

Uma das duas lendas que coletadas pelos historiadores após a conquista espanhola é a do casal Manco Capac e Mama Ocllo, que saem do Lago Titicaca (região Puno, língua aimara); e a outra é dos irmãos Ayar, que saem da montanha de Pacaritambo, em Cusco (língua quechua).

“Provavelmente do altiplano (Puno) saiu uma migração inicial que se estabeleceu em Pacaritambo por algumas décadas para, depois, se dirigirem a Cusco e fundar o Tahuantinsuyo”, disse Sandoval.

DNA de descendentes

Para a pesquisa foram usadas 12 famílias dos distritos de San Sebastián e San Jerónimo, em Cusco, “porque têm um contexto histórico de genealogia, existem documentos nos quais indica-se que desde 1570 essas famílias foram reportadas com linhagens dos incas”, explicou Fujita.

Também coletaram amostras de DNA de habitantes do Lago Titicaca e de Pacaritambo. “Foi comparado com a nossa base genética a de mais de 3.000 pessoas para reconstruir a árvore genealógica de todos os indivíduos”, acrescentou. “Ao final a reduzimos a cerca de 200 pessoas que compartilham semelhanças genéticas próximas à nobreza inca”.

Os resultados preliminares indicaram que 18 pessoas estão estreitamente relacionadas com as populações nativas que habitam o sul de Cusco, assim como o altiplano peruano e o norte da Bolívia.

“O que nos diz que os antepassados dos incas vieram do Lago Titicaca fazendo escala em Pacaritambo”.

Em busca de enterros

A investigação agora quer determinar com exatidão as origens dos incas. “Para isso é necessário pegar o DNA de vestígios como múmias que estejam registradas em crônicas ou documentos oficiais que são filhos ou netos dos incas para formar o panorama mais completo da origem da civilização mais importante pré-hispânica”, sustentou Fujita.

Esses restos ainda não foram encontrados porque no século XVI, quando os espanhóis invadiram Tahuantinsuyo, foi imposto o doutrinamento e a evangelização, destruindo e queimando as múmias de incas que os familiares veneravam e levavam em procissão.

Diante deste fato, os pesquisadores estão atrás da localização dos enterros dos descendentes diretos e, para isso, se baseiam nas crônicas e nos documentos oficiais da época.

O especialista assegurou que o DNA complementa a arqueologia, a antropologia e todos os tipos de estudos que compreendem a origem de uma espécie.

“Nesse caso, nós usamos a via da herança, que é o que a genética estuda, a transmissão de traços moleculares por gerações”.

Com informações: AFP

21:02 · 28.01.2018 / atualizado às 21:03 · 28.01.2018 por
O monumento de Ain Dara data da “era arameia” (1.300 a 700 anos a.C) e se encontra no enclave de Afrin. A foto acima foi feita antes do ataque aéreo deste fim de semana Foto: Hitite Monuments

Um templo neo-hitita de 3 mil anos de antiguidade foi danificado pelos bombardeios aéreos turcos no norte da Síria, indicou neste domingo (28) uma organização não governamental e um arqueólogo.

O templo de Ain Dara, que data da “era arameia” (1.300 a 700 anos a.C) se encontra no enclave de Afrin, na mira da aviação e da artilharia turca, detalhou a ONG Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH). “O alcance das destruições é de 60%”, estimou o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman.

O sítio de 50 hectares, descoberto em 1982, é famoso por seus “leões em basalto, imponentes e excepcionais, e afrescos esculpidos em pedra”, indicou o ex-diretor-geral de Antiguidades e Museus da Síria, Mamun Abdelkarim. “Três mil anos de civilização, destruídos em um bombardeio aéreo”, lamentou o especialista.

A Direção-Geral de Antiguidades e Museus síria condenou em um comunicado “os ataques turcos a sítios arqueológicos de Afrin” e confirmou “a destruição do templo de Ain Dara, um dos edifícios arqueológicos mais importantes construídos pelos arameus na Síria”. A Turquia começou em 20 de janeiro uma ofensiva militar no norte da Síria para expulsar as milícias curdas sírias da região.

Palmira

Abdelkarim comparou a destruição do templo de Ain Dara à destruição causada pelo grupo jihadista Estado Islâmico (EI) em 2015 na cidade de Palmira, sítio de 2.000 anos de antiguidade inscrito na lista do Patrimônio da Humanidade da Unesco.

“A destruição do templo de Ain Dara é do mesmo nível de atrocidade que a do templo de Bel”, em Palmira, lamentou Abdelkarim. Ele se preocupa com as consequências dos combates no setor de Jabal Saman, onde há localidades que datam do começo do cristianismo e que estão inscritas desde 2013 na lista em perigo do Patrimônio Mundial da Unesco.

Com informações: AFP

15:43 · 26.12.2017 / atualizado às 15:43 · 26.12.2017 por
Qin Shihuang construiu o imenso mausoléu subterrâneo de Xian, com seus 8 mil guerreiros de terracota. Acima, foto de estátua do monarca em frente à entrada do mausoléu Foto: Travel Coconut

O primeiro imperador da China, o temido Qin Shihuang, ordenou que sua administração encontrasse o elixir da imortalidade, segundo um texto milenar encontrado após escavações arqueológicas no sul do país, informou a agência de notícias Xinhua.

A obsessão de Qin Shihuang com a vida eterna era bem conhecida: foi ele quem construiu o imenso mausoléu subterrâneo de Xian, no norte do país, com seus 8 mil guerreiros de terracota, cuja missão era protegê-lo na outra vida. Este exército de vida após a morte foi descoberto em 1974.

Mas ao estudar os textos encontrados em 2002 no fundo de um poço na província de Hunan (centro), os arqueólogos também estabeleceram que o imperador havia ordenado a nação inteira para procurar o elixir para a vida eterna.

O texto inclui um decreto imperial que ordena essa busca, bem como as respostas – bastante ambíguas – das autoridades locais, que dificilmente poderiam satisfazer a ordem do temido monarca.

De acordo com a Xinhua, “uma localidade chamada Duxiang informou que nenhum remédio milagroso havia sido encontrado, mas insinuava que as buscas continuavam”.

Outra, chamada Langya, na atual província de Shandong (leste), “aludiu a uma erva colhida em uma montanha sagrada”.

Unificou o país

A poção, obviamente, não surtiu efeito porque, segundo os historiadores, Qin Shihuang morreu em 210 a.C, depois de 11 anos de domínio imperial.

Qin Shihuang, originalmente rei do estado de Qin, conquistou um após o outro os outros seis reinos que integravam a então China, unificando o país em 221 a.C e dando-lhe o nome pelo qual é conhecida hoje no Ocidente.

Cruel e despótico, é atribuída a ele a construção da Grande Muralha, a queima de livros e a execução de intelectuais.

Com informações: AFP

17:19 · 08.12.2017 / atualizado às 17:19 · 08.12.2017 por
Concepção artística das migrações humanas ocorridas entre 60 e 120 mil anos atrás, em um período anterior ao que se pensava Imagem: Ivan Heredia/CSIC

A tese de uma única migração humana fora da África há 60 mil anos não poderá mais ser considerada um dado correto da história da humanidade, argumenta uma revisão da literatura científica publicada na revista científica americana Science.

Ao contrário, várias migrações para fora da África, que começaram há 120 mil anos, deram origem à população moderna, demonstram os resultados da pesquisa. Avanços na análise de DNA e em outras técnicas de identificação de fósseis, principalmente em relação a descobertas na Ásia, estão ajudando a reescrever o que pensávamos saber sobre nossas origens.

Uma “abundância de novas descobertas” na última década mostrou que os humanos modernos, ou Homo sapiens, chegaram a partes do continente asiático muito antes do que se pensava, assinalou o informe. Vestígios de Homo sapiens datados de 70 mil a 120 mil anos foram encontrados em diferentes locais no sul e no centro da China. Outras descobertas de fósseis mostram que os humanos modernos chegaram ao sudeste de Ásia e à Austrália antes de 60 mil anos atrás.

“As primeiras dispersões fora da África antes de 60 mil anos atrás provavelmente eram feitas em pequenos grupos de pessoas que buscavam comida e, pelo menos, algumas dessas dispersões iniciais deixavam traços genéticos de baixo nível em populações modernas”, explicou Michael Petraglia, pesquisador do Instituto Max Planck para a Ciência da História Humana, na Alemanha.

Migração maior

“Um evento posterior e maior de [migração] ‘Fora da África’ muito provavelmente ocorreu por volta de 60 mil anos atrás ou depois disso”, informou. Pesquisas recentes confirmaram que esta migração em massa há 60 mil anos “contribuiu para a maior parte da composição genética dos não africanos atuais”, de acordo com o comunicado.

Estes primeiros viajantes se miscigenaram com outras espécies, incluindo Neandertais e Denisovanos, e uma população não identificada de homininis (primatas hominóideos) pré-modernos em muitos locais através da Eurásia. Os cientistas consideram que, entre os Homens modernos não africanos atuais, de 1% a 4% do DNA seria de origem dos Neandertais e até 5% podem ser de Denisovanos. “Agora está claro que humanos modernos, os Neandertais, Denisovanos e talvez outros grupos homininis provavelmente se sobrepuseram no tempo e no espaço na Ásia, e certamente tiveram muitos casos de interação”, destacou o estudo.

Com informações: AFP

21:44 · 04.08.2016 / atualizado às 21:44 · 04.08.2016 por
Foto: Wikipedia
Desastre ocorreu no Rio Amarelo e teria levado ao nascimento da dinastia Xia e da civilização chinesa moderna Foto: Wikipedia

Geólogos descobriram a primeira evidência da Grande Enchente da China, um desastre que ocorreu 4.000 anos atrás no Rio Amarelo e que levou ao nascimento da dinastia Xia e da civilização chinesa moderna, segundo um estudo publicado nesta quinta-feira (4) na revista Science.

As conclusões podem ajudar a reescrever a história, porque elas não só mostram que de fato houve uma inundação enorme, mas também que ela ocorreu em 1920 a.C., vários séculos depois do que se pensava. Isto significaria que a dinastia Xia, liderada pelo Imperador Yu, também pode ter começado mais tarde do que os historiadores chineses pensavam.

Yu ganhou fama como o homem que foi capaz de controlar a enchente ao orquestrar o trabalho de dragagem necessário para orientar as águas de volta para seus canais. Restaurar a ordem depois do caos garantiu a ele “o mandato divino para estabelecer a dinastia Xia, a primeira na história da China”, disse o estudo, liderado por Wu Qinglong, professor do departamento de geografia da Nanjing Normal University.

Histórias sobre o Imperador Yu estabeleceram as bases ideológicas para o sistema de governo de Confúcio. Nas gerações recentes, porém, alguns estudiosos têm questionado se elas de fato aconteceram. Talvez, dizem, tudo tenha sido um mito concebido para justificar a regra imperial.

Então os geólogos pesquisaram o Rio Amarelo, na província de Qinghai, examinando os restos de uma barragem e os sedimentos de um lago represado.

Entre as maiores do Holoceno

O que eles descobriram sugere uma inundação catastrófica que é uma das maiores enchentes conhecidas na Terra nos últimos 10.000 anos (período conhecido como Holoceno), disse o coautor Darryl Granger, da Universidade de Purdue.

Com a enchente, o nível das água subiu até 38 metros acima do nível moderno do rio, tornando o desastre “aproximadamente equivalente à maior inundação do rio Amazonas já medida”, disse Granger a repórteres em uma teleconferência.

A enchente teria sido “mais de 500 vezes maior do que uma enchente no Rio Amarelo causada por um evento de precipitação atmosférica”, acrescentou. Uma vez que tais inundações lançaram detritos e sedimentos por todos os lados, misturando o solo antigo com o novo, a equipe científica utilizou restos humanos para definir o momento do desastre.

Esqueletos de três crianças foram encontrados nos escombros de um terremoto, que se acredita que tenha provocado um deslizamento de terra, disseram os pesquisadores.

Aquele deslizamento de terra criou uma barragem. A água se acumulou em volta da barragem e, eventualmente, rebentou, desencadeando a inundação.

Radiocarbono

A datação por radiocarbono nos ossos das crianças mostrou que eles morreram em 1920 a.C., coincidindo com uma grande transição cultural na China.

“A inundação (…) nos dá uma sugestão tentadora de que a dinastia Xia pode realmente ter existido”, disse David Cohen, professor assistente no departamento de antropologia da Universidade Nacional de Taiwan.

“Se a Grande Enchente realmente aconteceu, talvez também seja provável que a dinastia Xia realmente existiu. Os dois estão diretamente ligados um ao outro”, acrescentou. Agora que os pesquisadores têm provas para sustentar os contos de textos antigos, o início da dinastia Xia pode passar a ser considerado por volta de 1900 a.C., em vez de 2200 a.C., como se pensava anteriormente, argumentam os autores.

“As grandes inundações ocupam um lugar central em algumas das histórias mais antigas do mundo”, escreveu David Thompson, da Universidade de Washington, em Seattle, em um comentário sobre o estudo na revista Science.

“E a enchente do Imperador Yu é hoje considerada outra história dessas, potencialmente enraizada em eventos geológicos”, completou.

Com informações: AFP

23:31 · 05.07.2016 / atualizado às 23:32 · 05.07.2016 por
Foto: Chinese Cultural Relics
Fragmento de osso repousa em um pequeno caixão de ouro Foto: Chinese Cultural Relics

Arqueólogos descobriram, no interior de uma urna de 1000 anos encontrada em um templo budista de Nanjing, na China, um pedaço de crânio que pode ser de Buda.

O fragmento de osso é tão precioso que repousa em um pequeno caixão de ouro, adornado com flores de lótus, uma fênix e deuses empunhando espadas. O valioso baú dourado estava selado no interior de uma urna de prata, que por sua vez repousava, lacrada, em um invólucro de ferro fundido. Esse caixão peso-pesado, foi, então, escondido em uma cripta de pedra.

Em outras palavras, os responsáveis por proteger o osso parietal mil anos atrás estavam muito, muito interessados em preservar o fragmento por toda a eternidade. Ao lado do crânio, três garrafas de cristal com restos mortais de santos budistas haviam sido abrigadas em uma caixinha de prata. Tudo acompanhado de inscrições feitas por Deming, que se intitulava “Mestre da Iluminação Perfeita, Abade do Monastério de Chengtian e Detentor do Manto Púrpura” e atribuia o osso à Buda.

Ele também relata a existência atribulada da caixa, que foi retirada do Templo de Bao’em, destruído em uma guerra, para ser velado na cripta de pedra em que foi achado.

Os arqueólogos não entraram na questão da autenticidade no artigo em que anunciam a descoberta, publicado na tradicional revista científica Chinese Cultural Relics. Não há provas de que o osso tenha realmente pertencido a Buda.

Com informações: Revista Galileu

23:02 · 14.06.2016 / atualizado às 23:02 · 14.06.2016 por

Um monumento de mais de 2.300 anos foi descoberto no sítio arqueológico de Petra, na Jordânia, por meio de imagens de satélite, fotos de drones (aeronaves não tripuladas) e pesquisas em solo.

A estrutura retangular, que arqueólogos estimam que tenha o tamanho de uma piscina olímpica, está soterrada em um local muito próximo aos monumentos mais visitados da cidade antiga. O estudo que levou a essa descoberta foi coordenado pela professora Sarah Parcak, da Universidade do Alabama em Birmingham, e por Christopher Tuttle, diretor-executivo do Conselho de Centros de Pesquisas Americanas no Exterior.

O trabalho foi publicado na prestigiada revista científica “The American Schools of Oriental Research”.

Espaço para cerimônias

Pelo seu formato, especula-se que o monumento encontrado tenha sido um espaço para cerimônias.

A estrutura mede 56 metros por 49 metros e é formada por uma plataforma interior que possuía colunas de um lado e uma “escada gigante” para o lado leste.

Os pesquisadores disseram que é difícil haver alguma outra estrutura soterrada no parque arqueológico.

História

A região de Petra começou a ser povoada no século 4º a.C, quando foi fundada pelos nabateus, que habitavam regiões onde estão hoje Jordânia, Iraque, Síria e Líbano. Todas as construções de Petra foram feitas a partir do entalhe de colinas de pedra rosada no sul jordaniano.

Petra foi conquistada pelos romanos no século 2º. Depois de ter sido abandonada, só foi redescoberta em 1812, pelo viajante suíço Johann Ludwig Burckhardt. Vasos encontrados na região sugerem que a plataforma descoberta tenha sido construída por volta da metade do século 2º a.C., quando a cidade de Petra se encontrava no seu auge.

“Esta plataforma monumental não tem paralelos em Petra ou em seus arredores hoje”, escreveram os pesquisadores, destacando que, estranhamente, a estrutura fica perto do centro da cidade de Petra, mas mesmo assim permaneceu “escondida” e é de difícil acesso.

Tuttle disse que, ao longo de décadas de escavação, algum arqueólogo pode ter tido conhecimento sobre a estrutura. “Trabalhei em Petra por 20 anos, e eu sabia que havia algo lá, mas é certamente legítimo chamar isso de uma descoberta”, afirmou.

Em 2007, Petra foi eleita uma das sete maravilhas do mundo moderno, junto com o Coliseu, na Itália; a cidade maia de Chichén Itzá, no México; Machu Picchu, no Peru; a Muralha da China; o Cristo Redentor, no Brasil; e o Taj Mahal, na Índia.

Com informações: Folhapress

21:55 · 25.08.2014 / atualizado às 20:16 · 25.08.2014 por
Foto: Reuters
Povoações alcançaram seu apogeu nos períodos Clássico Tardio e Clássico Terminal, entre os anos 600 e 900 depois de Cristo Foto: Reuters

Arqueólogos encontraram duas cidades maias que estavam escondidas na floresta tropical do sudeste do México, uma região onde, segundo o chefe dos pesquisadores, poderia conter outras “dezenas” a desvendar.

O professor associado da Academia de Ciências e Artes da Eslovênia, Ivan Sprajc, disse que sua equipe encontrou em abril as antigas cidades de Lagunita e Tamchen, na península de Yucatán, mediante a análise de fotografias aéreas da região.

Sprajc comentou que ambas as cidades alcançaram seu apogeu nos períodos Clássico Tardio e Clássico Terminal, entre os anos 600 e 900 depois de Cristo. Em cada local, os cientistas encontraram edificações parecidas a um palácio, praças e pirâmides, uma delas de quase 20 metros de altura.

Os arqueólogos também descobriram a fachada de uma construção com uma porta que se assemelha às garras de um monstro que provavelmente marcava uma das principais entradas do centro da cidade. As fotografias dos lugares mostram pirâmides de pedra que se sobressaem na densa folhagem.

“A entrada, pelo que parece, simboliza a entrada a uma caverna e ao submundo… alguém que entra através deste portal teria entrado em recintos sagrados”, disse Sprajc.

Ele explicou que sua equipe traçou um mapa de 10 a 12 hectares para cada lugar, mas que as cidades provavelmente eram maiores. As escavações ainda não começaram.

Sprajc descobriu no ano passado outra antiga cidade maia na região, a qual batizou de Chactun.

Com informações: Reuters / Exame

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