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Categoria: Medicina


18:03 · 03.01.2018 / atualizado às 18:06 · 03.01.2018 por
As novas substâncias regulamentadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) geram uma imunidade maior e requerem menos doses Foto: Tiny Step

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aprovou a primeira vacina contra a febre tifoide que pode ser ampliada em crianças maiores de 6 meses.

A informação foi divulgada pelo organismo nesta quarta-feira (3). As vacinas conjugadas contra a febre tifoide (TCV, na sigla em inglês) são inovadoras por gerarem uma imunidade maior do que as mais antigas, requerem menos doses e podem ser administradas em crianças pequenas por meio de programas rotineiros de imunização.

Outras vacinas também foram aprovadas internacionalmente para serem usadas em humanas, mas só a partir dos dois anos. O aval da OMS faz com que a vacina possa ser adquirida pelas demais agências da ONU, como o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e a Gavi, a Aliança Mundial para Vacinas.

A decisão foi tomada depois de o grupo de especialistas de assessoria estratégica sobre imunização, que aconselha a OMS, ter recomendado em outubro de 2017 a TCV para uso rotineiro em crianças maiores de seis meses em países onde a febre tifoide é endêmica.

O grupo de especialistas recomendou, além disso, a introdução da vacina conjugada de maneira prioritária em países com as taxas mais elevadas de febre tifoide ou de resistência antibiótica à bactéria Salmonella Typhi, que causa a doença.

O uso da vacina também deve ajudar a conter o uso frequente de antibióticos contra a doença e, portanto, auxiliar a reduzir o “alarmante aumento” da resistência da bactéria aos medicamentos.

Pouco depois da recomendação do grupo de especialistas, o conselho da Gavi aprovou um financiamento de US$ 85 milhões para adotar o uso da TCV a partir de 2019. A febre tifoide é uma infecção grave, às vezes mortal, contraída através da água ou alimentos contaminados. Entre os sintomas da doença estão febre, cansaço, dor de cabeça, de estômago, diarreia e resfriados.

Para milhões de pessoas em países pobres, a doença é uma realidade diária. A cada ano são registrados entre 11 milhões e 20 milhões de casos, além de cerca de 161 mil mortes.

Com informações: Agência Brasil

17:05 · 13.11.2017 / atualizado às 17:05 · 13.11.2017 por
Ambas as enfermidades são transmitidas pela mesma espécie de mosquito, o Aedes aegypti Foto: Alexandre Carvalho

A imunidade adquirida por uma infecção pelo vírus da dengue pode proteger contra o zika vírus. Ambas as enfermidades são transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti.

Em síntese esta foi a conclusão de um estudo realizado pelo Instituto de Arboviroses da Universidade de Wenzhow na China, em parceria com outras instituições. Além disso, a pesquisa não encontrou evidências de interações entre as duas doenças. As conclusões do estudo foram publicadas nesta segunda-feira (13) pela revista Nature Communications.

A revista é parte da Nature Research – um banco de dados internacional que reúne autores e trabalhos científicos de todo o mundo. Segundo o artigo, a pesquisa tem um valor importante na busca por vacinas contra os vírus dengue e zika. O estudo utilizou camundongos como cobaias e observou que os animais que tiveram dengue desenvolveram a chamada proteção cruzada – termo utilizado para referir-se à transferência de microrganismos. Além disso foram observadas a presença de linfócitos – T CD8 – células de defesa que se formaram após a combinação dos vírus da dengue e da zika. Os animais foram divididos em dois grupos: um que havia sido infectado inicialmente com o vírus da dengue, após recuperados foram infectados com o vírus da zika; e um segundo grupo foi infectado pelo zika sem ter tido uma infecção prévia de dengue.

Nos resultados, o grupo com infecção anterior de dengue apresentou uma carga reduzida de zika no organismo: sangue nos tecidos e no cérebro. A imunidade adquirida em cobaias que tiveram o vírus da dengue, e depois foram expostos ao vírus da zika, também mostrou que a dengue não seria potencializadora de infecções mais graves de zika. A tese de que a interação entre as duas doenças provocaria casos graves de zika foi levantada no início da epidemia de zika no Brasil, em 2015.

A hipótese caiu por terra e agora os pesquisadores acreditam que uma infecção anterior por dengue pode impedir casos graves de contaminação pelo zika ou até mesmo a microcefalia em bebês gerados por mães que tiveram zika na gestação.

Conclusões

Uma das conclusões dos pesquisadores é que a presença de anticorpos por uma infecção de dengue, pode explicar por que nem toda mulher com zika transmite a doença para o bebê e também por que algumas pessoas podem ter sido infectadas com zika e nunca terem desenvolvido a doença.

A descoberta da ação dos linfócitos T CD8 presente na defesa das infecções pelos vírus dengue e zika pode dar novos rumos às pesquisas com vacinas em andamento. Até agora, segundo o artigo a maioria dos testes com vacinas, atuam somente contra os linfócitos B – que produzem anticorpos após o contato com uma infecção. As células do tipo T têm uma ação direta sobre o microrganismo, agindo antes da infecção.

O trabalho foi desenvolvido por um grupo de pesquisadores chefiado por Jinsheng Wen, da Universidade de Wenshou e teve parceria de outras universidades como o Instituto La Jolla de Alergia e Imunologia da Califórnia.

Com informações: Agência Brasil

19:05 · 09.10.2017 / atualizado às 19:05 · 09.10.2017 por
Os cientistas utilizaram o 5-MeO-DMT, que está presente em drogas psicodélicas como o chá de ayahuasca – uma planta da Amazônia utilizada ritualmente por indígenas para produzir estados alterados de consciência Foto: Aya Healing Retreats

Com estudos feitos em organoides celulares conhecidos como “minicérebros”, um grupo de cientistas brasileiros mostrou como uma substância psicodélica produz alterações benéficas em circuitos cerebrais associados à neuroplasticidade, à inflamação e à neurodegeneração.

A pesquisa, publicada nesta segunda-feira (9), na revista científica Scientific Reports, é a primeira a revelar as alterações que drogas psicodélicas causam no funcionamento molecular do tecido neural humano. De acordo com os autores, os resultados ajudam a explicar os efeitos antidepressivos e anti-inflamatórios que as substâncias psicodélicas vêm mostrando em diversos outros estudos.

No experimento, os cientistas utilizaram o 5-MeO-DMT, um composto da família da dimetiltriptamina, que está presente em drogas psicodélicas como o MDMA, o LSD e o chá de ayahuasca – uma planta da Amazônia utilizada ritualmente por indígenas para produzir estados alterados de consciência.

“Pela primeira vez pudemos descrever mudanças relacionadas a psicodélicos no funcionamento do tecido neural humano”, disse o autor principal do estudo, Stevens Rehen, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino.

Ganho de espaço

As drogas psicodélicas estão cada vez mais ganhando espaço nos laboratórios de pesquisas. Diversos grupos internacionais têm feito estudos e experimentos com essas substâncias a fim de desenvolver terapias para problemas psiquiátricos como ansiedade, depressão, estresse pós-traumático e para a dependência de drogas como álcool, cocaína, heroína e crack.

Apesar dos resultados promissores em um número cada vez maior de pesquisas, a identificação dos circuitos moleculares envolvidos com a ação dos psicodélicos no cérebro era limitada pelas restrições para estudos com essas substâncias e pela falta de ferramentas biológicas apropriadas. Para estudar os efeitos do DMT, Vania Dakic, do Idor e Juliana Minardi Nascimento, do Idor e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) expuseram os organoides cerebrais – que são culturas de células neurais tridimensionais que imitam um cérebro em desenvolvimento – a uma única dose do psicodélico.

Depois de receber o psicodélico, os “minicérebros” foram submetidos a uma análise proteômica – isto é, um mapeamento do conjunto de proteínas neles presentes – com uma técnica espectrometria de massas. Eles conseguiram assim observar alterações na expressão de cerca de mil proteínas – e conseguiram identificar qual o papel dessas proteínas no cérebro humano.

Proteínas

Os cientistas descobriram que proteínas importantes para a formação das sinapses tiveram uma regulação positiva – entre elas, proteínas relacionadas aos mecanismos celulares de aprendizado e memória, que são componentes centrais do funcionamento do cérebro. Por outro lado, proteínas envolvidas em inflamação, degeneração e lesão cerebral tiveram uma regulação negativa, sugerindo que a substância psicodélica tem um potencial papel de proteção neural. “Os resultados sugerem que os psicodélicos clássicos são poderosos indutores da neuroplasticidade – uma ferramenta de transformação psicobiológica sobre a qual sabemos muito pouco”, disse outro dos autores do novo estudo Sidarta Ribeiro, diretor do Instituto do Cérebro, ligado à UFRN.

“”O estudo sugere possíveis mecanismos pelos quais essas substâncias exercem seus efeitos antidepressivos, que temos observado em nossas pesquisas. Nosso estudo reforça o potencial clínico escondido dessas substâncias que estão hoje sob restrições legais, mas que merecem total atenção das comunidades médica e científica”, afirmou outro dos autores, Draulio Araújo, professor da UFRN.

Com informações: Estadão Conteúdo

17:36 · 22.09.2017 / atualizado às 17:36 · 22.09.2017 por
Foto: Icy Tales

Estudo conduzido pelo Instituto Evandro Chagas (IEC) do Pará em conjunto com a Universidade do Texas mostra que a vacina contra zika desenvolvida pelas duas instituições protege camundongos e macacos contra o vírus.

Publicado pela Revista Nature Communications, o trabalho constatou que a aplicação de uma dose da vacina nos animais foi suficiente para prevenir a transmissão do vírus da mãe para o filhote durante a gestação, além de proteger machos. Com a conclusão desta etapa, é dado sinal verde para preparativos em testes em humanos.

Apesar da boa notícia, um achado do estudo acende um alerta para uma eventual consequência da infecção pelo vírus: a redução da fertilidade masculina. Testes realizados em camundongos mostram que a infecção pode alterar a reprodução nesses animais. Machos não vacinados expostos ao zika tiveram uma redução significativa de espermatozoides. E os que foram produzidos perderam velocidade, o que dificulta a fecundação. Para completar, testículos dos camundongos atrofiaram.

“Sabemos da propensão do zika em infectar células do cérebro. O estudo agora indica que o vírus também age no testículo”, relata o diretor do IEC, Pedro Vasconcelos.”Não era esperado que isso ocorresse. Foi um achado ocasional”, completa o diretor. Não há ainda pistas sobre as causas que levam o vírus a atacar também a gônada masculina. Um dos caminhos a ser pesquisados, avalia, é a possibilidade de semelhanças entre receptores.

O diretor afirma que novos testes deverão ser feitos para verificar se o zika apresenta comportamento semelhante nos testículos de outras animais. Caso novos estudos indiquem resultados similares, Vasconcelos considera importante partir para uma investigação epidemiológica em regiões onde o vírus provocou epidemia, como cidades do Nordeste. “A epidemia pode ter provocado outras consequências, que serão sentidas numa outra fase, como a redução dos bebês nascidos em regiões afetadas. Isso precisa ser investigado.” A pesquisa não testou a capacidade de os camundongos engravidarem fêmeas após os danos constatados nos testículos. Isso impede afirmar neste momento que animais se tornaram estéreis. Um novo experimento agora será realizado. “O que se sabe é que há uma grande quantidade de vírus na excreção do esperma, que significa que o vírus tem bastante capacidade de se replicar, causando a destruição das células que resulta em diminuição dos testículos e, consequentemente, a esterilidade”, concluiu.

Este foi o quarto estudo publicado sobre a vacina desenvolvida em parceria pelo IEC e a Universidade do Texas. “Comprovada a eficácia da vacina em macacos e camundongos, terminamos nossa contribuição, abrindo caminho agora, para as pesquisas clínicas” afirma Vasconcelos. Todos os testes realizados mostraram até o momento o efeito protetor do imunizante desenvolvido pela parceria. Os testes clínicos serão feitos por Biomanguinhos, da Fundação Oswaldo Cruz, no Rio. A expectativa, de acordo com Vasconcelos, é de que os testes comecem a ser feitos em 2019.

A parceria para essa pesquisa foi feita em 2016 a partir de acordo internacional para o desenvolvimento de vacina contra o vírus zika. O Ministério da Saúde vai destinar um total de R$ 7 milhões nos próximos cinco anos (até 2021) para o desenvolvimento e produção da vacina. O imunobiológico em desenvolvimento utiliza a tecnologia de vírus vivo atenuado de apenas uma dose, já que vacinas com vírus vivo são altamente capazes de estimular o sistema imunológico e proteger o organismo da infecção.

Com informações: Estadão Conteúdo

15:50 · 25.07.2017 / atualizado às 15:50 · 25.07.2017 por
Equipe liderada pelo pesquisador Shibo Jiang identificou uma droga que inativou determinadas partículas do micro-organismo Foto: Icy Tales

Cientistas chineses desenvolveram um inibidor do vírus da zika que foi capaz de reduzir os níveis virais em camundongos gestantes e em seus fetos. Um artigo que descreve a descoberta foi publicado nesta terça-feira, 24, na revista científica Nature Communications.

De acordo com os autores da pesquisa, o inibidor se mostrou seguro para o uso em camundongos gestantes e os resultados do experimento indicam que a droga poderia ser considerada para futuros testes pré-clínicos. O vírus da zika pode ser passado de uma mulher grávida infectada para o feto durante a gestação, com potencial risco de desenvolvimento de defeitos congênitos. Até agora não há vacinas ou drogas disponíveis para tratar a infecção.

A equipe de cientistas liderada por Shibo Jiang, da Universidade Fudan, em Xangai (China), identificou uma droga que inativou determinadas partículas do vírus da zika e assim foi capaz de impedir sua entrada nas células. Os cientistas mostraram que a droga reduziu a transmissão do vírus da zika para o feto. A molécula não apresentou efeitos adversos no camundongo gestante, nem nos filhotes, quando foi administrada durante a gestação.

Os autores afirmam que será preciso realizar mais estudos para avaliar a segurança e a eficácia do inibidor em humanos. Mas, segundo eles, a abordagem por meio da inativação de partículas do vírus poderia ser utilizada para desenvolver novos tratamentos para a infecção por zika em populações em áreas de risco, especialmente em mulheres grávidas.

A droga é um peptídeo sintético, batizado de Z2, que é derivado de proteínas de uma região específica do envelope do vírus, que tem um papel importante na sua capacidade de infectar as células do hospedeiro.

“Mostramos que o Z2 interage com as proteínas da superfície do vírus da zika e perturba a integridade da membrana viral. O Z2 pode penetrar na barreira da placenta e entrar nos tecidos do feto”, escreveram os autores.

Melhor opção. De acordo com Jiang, nos últimos anos o desenvolvimento de drogas a partir de peptídeos tem chamado atenção por causa da sua segurança e do custo mais baixo de desenvolvimento, em comparação com drogas com base em moléculas pequenas e em anticorpos.

Segundo Jiang, alguns compostos de moléculas pequenas já mostraram capacidade para inibir a infecção por vírus, mas a segurança para mulheres grávidas não foi comprovada. Também já foram identificados em camundongos anticorpos capazes de neutralizar a infecção por zika, mas a eficácia foi relativamente baixa e esses anticorpos teriam que ser “humanizados”, o que é um obstáculo considerável para o desenvolvimento de uma droga anti-zika.

“Também já foi identificado um anticorpo monoclonal humano que neutraliza amplamente a infecção por algumas linhagens de zika, mas o alto custo pode limitar sua aplicação em países em desenvolvimento, como o Brasil”, disse Jiang.

Com informações: Estadão Conteúdo

11:48 · 03.12.2016 / atualizado às 12:00 · 03.12.2016 por
Foto: HealthiNation
Segundo a pesquisa, a falta de sono aumenta a pressão sanguínea e sobrecarrega o coração, aumentando a força dos batimentos (contratilidade) e sua frequência Foto: HealthiNation

Dormir pouco pode ser perigoso para o coração, de acordo com um novo estudo realizado por cientistas da Escola de Medicina da Universidade de Bonn (Alemanha).

Os pesquisadores avaliaram as condições cardíacas de médicos da própria equipe, que trabalham em turnos de 24 horas, e descobriram que a falta de sono aumenta a pressão sanguínea e sobrecarrega o coração, aumentando a força dos batimentos (contratilidade) e sua frequência.

“Pela primeira vez, mostramos que uma privação de sono de curto prazo, no contexto dos turnos de 24 horas, pode levar a considerável aumento da pressão sanguínea, da contratilidade e da frequência cardíaca”, disse o autor principal do estudo, Daniel Kuetting, do Departamento de Radiologia Diagnóstica da Universidade de Bonn.

Pessoas que trabalham em serviços de emergência, como médicos, policiais, bombeiros e outros, são convocados com frequência para atuar em turnos de 24 horas. Já se sabia que esse tipo de jornada estressante pode afetar diversos processos físicos, cognitivos e emocionais.

Mas, segundo Kuetting, o novo estudo é o primeiro a focar no impacto específico do turno de 24 horas sobre as funções cardíacas. Os resultados da pesquisa foram apresentados, na reunião anual da Sociedade Radiológica da América do Norte (RSNA).

Os estudos foram feitos com os próprios médicos da universidade. Foram selecionados 20 radiologistas saudáveis com idade média de 31,6 anos.

Cada um dos participantes foi avaliado com exames de ressonância magnética cardiovascular (RMC), com análise de deformação.

Exames

Os participantes foram submetidos aos exames antes e depois de seus turnos de 24 horas, nos quais tiveram em média três horas de sono. Os cientistas também coletaram amostras de sangue e de urina de todos eles e mediram a pressão sanguínea e a frequência cardíaca. “A função cardíaca no contexto da privação de sono não havia ainda sido investigada com análise de deformação em exames de RMC, que é o parâmetro mais minucioso de contratilidade cardíaca”, explicou Kuetting.

Após a privação de sono de curto prazo, além de apresentarem elevação considerável da pressão sanguínea e da frequência e contratilidade cardíaca, os participantes também tiveram um aumento importante dos níveis de hormônios da tireoide e do cortisol – um hormônio liberado pelo organismo em resposta ao estresse. Kuetting afirma que aumento da pressão sanguínea após a privação de sono não chegou a valores que caracterizam pressão alta, mas ainda assim revelam uma conexão inequívoca entre a privação de sono e o aumento da pressão. Ele afirma que será preciso realizar estudos com grupos maiores para determinar possíveis efeitos de longo prazo da falta de sono.

“O estudo foi desenhado para investigar um caso real de privação de sono relacionada ao trabalho. Não foi permitido que os participantes consumissem, durante o estudo, cafeína ou alimentos e bebidas que contivessem teobromina, como chocolate, castanhas ou chá. Porém, nós não levamos em conta fatores como estresse individual e estímulos ambientais”, explicou Kuetting.

Com informações: Estadão Conteúdo

22:21 · 16.05.2016 / atualizado às 16:09 · 23.05.2016 por
Foto: IndiaMart
Até o final deste ano, a Fiocruz deve pedir o registro do medicamento na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para, já no início de 2017, colocá-lo na rede pública de saúde Foto: IndiaMart

Um acordo de cooperação firmado entre a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o consórcio BMK, integrado pelas empresas Blanver Farmoquímica, Microbiológica Química e Farmacêutica e Karin Bruning vai permitir a produção no Brasil, a preço reduzido, de um remédio para tratamento da hepatite C, o Sofosbuvir, para distribuição no Sistema Único de Saúde (SUS).

Está prevista ainda a produção futura de outros medicamentos antivirais. A informação é do vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, Jorge Bermudez. Até o final deste ano, a Fiocruz deve pedir o registro do medicamento na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para, já no início de 2017, colocá-lo na rede pública de saúde.

Em dezembro de 2013, o novo antiviral Sofosbuvir, com indicação para hepatite C, foi registrado pela primeira vez no mundo, nos Estados Unidos, seguindo-se a Europa. Jorge Bermudez disse que a diferença em relação aos tratamentos anteriores é que “esse efetivamente curava. Foi um grande avanço no tratamento da hepatite C, evitando transplante de fígado, cirrose, câncer hepático e uma série de complicações, substituindo um tratamento muito menos eficaz que existia, porque constava de injeções, com efeitos colaterais”.

O novo tratamento é oral: um comprimido por dia, durante 12 semanas, ou 84 dias. O problema é o alto custo do medicamento, que foi lançado no mercado ao preço de US$ 84 mil o tratamento completo ou US$ 1 mil por comprimido. Bermudez disse que todos os países reclamaram, inclusive o Brasil, porque isso tornava o tratamento inacessível.

As reclamações no mundo levaram a companhia detentora da patente, a Gilead Sciences, a sublicenciar o medicamento para 11 empresas farmacêuticas indianas produtoras de genéricos, para que elas pudessem produzi-lo a um preço 100 vezes menor. Em vez de US$ 84 mil, o tratamento sairia por US$ 840, segundo Bermudez, porém, limitado a 91 países, conforme determinação da companhia americana, o que excluiu 50 países que têm hepatite, inclusive o Brasil, em um primeiro momento.

Isso deu início a várias iniciativas no mundo para conseguir desenvolver o produto mais barato, incluindo o Brasil, por meio da Fiocruz. Os estudos foram encaminhados para desenvolver um produto nacional, a preço mais baixo. As negociações efetuadas pelo Ministério da Saúde com a empresa farmacêutica reduziram o custo do tratamento completo de US$ 84 mil para US$ 7,5 mil, “que é muito menos, mas ainda é muito caro para o nosso SUS, que é gratuito, universal”, ponderou o vice-presidente da Fiocruz.

Medicamento disponível

Em nota oficial, a Gilead Sciences informou “que o medicamento Sovaldi® (Sofosbuvir), uma das maiores inovações no tratamento da hepatite C no mundo, já está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) desde o ano passado, garantindo acesso ao tratamento da doença para milhares de pacientes no Brasil”.

A companhia também ressalta que “negociou diretamente com o governo brasileiro, por meio de um acordo inédito no país com o Ministério da Saúde, um desconto de mais de 85% em relação ao preço aprovado pela própria CMED/Anvisa”.

Ainda segundo a companhia, “este acordo possibilitou ao Ministério da Saúde triplicar o número de pacientes com hepatite C tratados anualmente no País, passando de 10 mil pacientes tratados para mais de 30 mil pacientes”.

A nota da Gilead conclui reiterando “seu compromisso de parceria com o boverno brasileiro”.

Patentes

O acordo de cooperação técnico-científica com o consórcio BMK foi assinado na semana passada. Jorge Bermudez esclareceu que a distribuição do produto depende também da questão da patente, cujo pedido está pendente no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e para cuja análise o ministério pediu prioridade.

Informou que se a patente não for concedida à companhia farmacêutica multinacional, poderão ser fabricados diversos genéricos no Brasil. “Podemos entregar ao SUS o produto feito aqui. Se tiver patente, vamos ter que discutir se cabe alguma medida, como licença compulsória, para poder comercializar um produto desses no Brasil”. A patente já foi contestada na Índia, na China, em vários países da Europa. A decisão será tomada quando sair o resultado do exame do pedido de patente pelo INPI, informou Bermudez.

A expectativa do governo é que o preço para o tratamento completo da hepatite C possa ficar abaixo de US$ 840, “ou em torno disso”. Conforme Bermudez, é certo que o preço no Brasil vai ficar abaixo de US$ 2 mil ou US$ 3 mil o tratamento, “mas não sabemos ainda se podemos bater o preço que os indianos produzem, considerando as condições de produção lá e aqui, de impacto ambiental, de salários e outros custos”.

De acordo com dados do Ministério da Saúde, cerca de 1,5 milhão de brasileiros têm o vírus da hepatite C, mas nem toda essa população necessita de tratamento imediato, explicou Bermudez. Um protocolo do Ministério da Saúde diz em quais casos o novo medicamento deve ser adotado.

Com informações: Agência Brasil

22:12 · 31.05.2015 / atualizado às 22:12 · 31.05.2015 por
Foto: Wright State Physicians
O melanoma é tumor maligno originário dos melanócitos (células que produzem pigmento) e ocorre em partes como pele, olhos, orelhas, trato gastrointestinal, membranas mucosas e genitais Foto: Wright State Physicians

A imunoterapia, que utiliza a energia do sistema imunológico para atacar o câncer, é mais potente contra o melanoma quando dois agentes são combinados, mas os efeitos colaterais são mais fortes em alguns pacientes – disseram cientistas neste domingo (31).

Os resultados de um ensaio clínico de fase III comparando a ação terapêutica da nivolumab (Opdivo), isoladamente ou em combinação com ipilimumab (Yervoy) mostram que a ação conjunta de ambas as terapias foi “significativamente mais eficaz do que o ipilimumab sozinho”, de acordo com resultados apresentado neste domingo durante a conferência da Sociedade Americana de Oncologia Clínica, em Chicago (Illinois, norte dos Estados Unidos). O Opdivo bloqueia uma proteína PD-1 que evita que o sistema imunológico localize e destrua as células cancerosas.

O Yervoy, a primeira imunoterapia desenvolvida contra o melanoma, desbloqueia a proteína CTL-4 encontrada nas células do sistema imunológico, o que lhes permite atacar o câncer. Ambas as moléculas são fabricadas pela farmacêutica norte americana Bristol-Meyers Squibb, que financiou o estudo.

Depois de nove meses de tratamento, o nivolumab mais do que duplicou o período médio sem progressão do melanoma em comparação com ipilimumab, para 6,9 meses versus 2,9 meses. Mas quando ambos os tratamentos são combinados, este período aumentou para cerca de 11,5 meses.

A taxa de resposta para o tratamento foi também mais alta entre os pacientes que receberam a imunoterapia combinada. O número de efeitos colaterais importantes foi mais alto entre os pacientes que receberam o tratamento nivolumab-ipilimumab combinado. Alguns tiveram parar o tratamento duplo.

Até agora, o ipilimumab e o nivolumab foram aprovados pela Food and Drug Administration (FDA , por sua sigla em inglês), apenas para tratar separadamente melanomas metastáticos inoperáveis ou avançados que não respondem aos tratamentos convencionais.

O que é o melanoma

O melanoma é tumor maligno originário dos melanócitos (células que produzem pigmento) e ocorre em partes como pele, olhos, orelhas, trato gastrointestinal e genitais.

Um dos tumores mais perigosos, o melanoma tem a capacidade de invadir qualquer órgão, criando metástases, inclusive no cérebro e coração.

É, portanto, um câncer com grande letalidade, entre 50% e 70%.

Com informações: AFP/Blog Minha Vida

23:38 · 18.05.2015 / atualizado às 23:47 · 18.05.2015 por
 Um dos medicamentos incluídos é o trastuzumab que está aprovado no SUS somente para o tratamento posterior à cirurgia, para prevenir que a doença volte Foto: Info Farmácia
Um dos medicamentos incluídos é o trastuzumab que está aprovado no SUS somente para o tratamento posterior à cirurgia, para prevenir que a doença volte Foto: Info Farmácia

A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou neste mês a inclusão de 16 novos medicamentos para tratar o câncer na Lista-Modelo de Medicamentos Essenciais para Adultos (EML) e Crianças (eMLC).

Agora a organização considera como prioritários para o tratamento oncológico um total 46 fármacos, que devem ser oferecidos no sistema público de todos os países. Os novos fármacos foram sugeridos à organização por um estudo feito por 90 médicos espalhados pelo mundo.

Um dos colíderes da força-tarefa do estudo, Gilberto Lopes, do Centro Paulista de Oncologia do Grupo Oncoclínicas do Brasil, ressaltou que esta foi a maior inclusão de medicamentos desde a criação da lista, em 1977. “Ficamos muito contentes que a OMS aprovou 16 das 22 drogas que sugerimos. Elas têm impacto significativo na sobrevida e, muitas vezes, na qualidade de vida dos pacientes”, informou Lopes.

“Ela inclui alguns medicamentos que já são genéricos, mas também de alguns de alto custo, como o trastuzumab, o imatinib e o rituximab, que são usados para tratamento de câncer de mama, mieloide crônica e linfoma, respectivamente”, disse.

SUS

O oncologista lembrou que o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece vários dos medicamentos recém incluídos na lista, mas alguns são restritos a tratamentos específicos.

Ele citou, como exemplo, o trastuzumab que está aprovado no SUS somente para o tratamento adjuvante, que é posterior à cirurgia, para prevenir que a doença volte. “A lista da OMS agora também inclui a droga para o tratamento de pacientes com a doença mais avançada, metastática, para que elas vivam melhor e por mais tempo. Essa é uma das novidades da lista deste ano”, declarou.

Lopes comemorou também o fato de a OMS ter sinalizado que a atualização da lista-modelo passará a ser anual ou bienal. “A última revisão ocorreu há mais de uma década, mas conseguimos chegar a um acordo de que essas revisões devem ser periódicas e não só quando há pressão muito grande de pacientes e médicos”, disse.

Com informações: Agência Brasil

08:27 · 09.05.2015 / atualizado às 08:28 · 09.05.2015 por
Foto: Emory Eye Center
Olho do médico Ian Crozier, 43 anos, ficou totalmente alterado por causa do ebola, tendo mudado a cor da íris de azul para verde Foto: Emory Eye Center

Um norte-americano que havia se “curado” do ebola ficou surpreso ao descobrir que o vírus reapareceu em seu olho esquerdo e, inclusive, alterou a cor de sua íris, de azul para verde.

A imagem ao lado, divulgada pelo Hospital Universitário Emory, mostra o olho do médico Ian Crozier, 43 anos, totalmente alterado por causa do ebola. Segundo reportagem do “The New York Times”, Crozier contraiu o ebola em setembro de 2014 e foi declarado curado em outubro, após diversos exames constatarem a ausência da doença.

Dois meses depois, ele teve uma inflamação no olho esquerdo, chamada de uveíte, onde foi relatada uma pressão intraocular elevada, que provocou inchaço e dificuldades para enxergar.

A equipe que o atendeu sabia que o vírus havia invadido seu olho no auge da infecção, no entanto, não esperava encontrar resquícios da doença por ali.

Síndrome pós-ebola

O “NYT” afirma que além da inflamação no olho, outros problemas foram relatados no que a reportagem chamou de “síndrome pós-ebola”.

Ian teve ainda dores nas articulações, fadiga e perda auditiva profunda, sintomas similares que têm sido relatados por moradores da África Ocidental que foram diagnosticados e tratados após a infecção.

Dez dias depois da inflamação, o olho do médico estadunidense voltou ao normal graças a um tratamento experimental com uma droga, que não teve o nome divulgado. O uso do medicamento teve permissão especial da FDA, órgão que controla medicamentos nos EUA.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, o balanço da epidemia da febre hemorrágica ebola na África Ocidental ultrapassou a marca de 11 mil mortes. No total, nos três países mais atingidos pela epidemia – Libéria (declarada livre da epidemia neste sábado, 9 de maio), Guiné e Serra Leoa – 26.593 pessoas foram afetadas pelo vírus. De acordo com o relatório da OMS, 11.005 morreram em decorrência da febre.

O surto de ebola na África Ocidental, o mais grave desde a identificação do vírus na África Central em 1976, começou em dezembro de 2013 no sul da Guiné antes de chegar a Libéria e Serra Leoa. A OMS declarou tratar-se de uma “emergência de saúde pública global” apenas em agosto de 2014.

Com informações: G1/The New York Times