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Categoria: Microbiologia


18:03 · 03.01.2018 / atualizado às 18:06 · 03.01.2018 por
As novas substâncias regulamentadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) geram uma imunidade maior e requerem menos doses Foto: Tiny Step

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aprovou a primeira vacina contra a febre tifoide que pode ser ampliada em crianças maiores de 6 meses.

A informação foi divulgada pelo organismo nesta quarta-feira (3). As vacinas conjugadas contra a febre tifoide (TCV, na sigla em inglês) são inovadoras por gerarem uma imunidade maior do que as mais antigas, requerem menos doses e podem ser administradas em crianças pequenas por meio de programas rotineiros de imunização.

Outras vacinas também foram aprovadas internacionalmente para serem usadas em humanas, mas só a partir dos dois anos. O aval da OMS faz com que a vacina possa ser adquirida pelas demais agências da ONU, como o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e a Gavi, a Aliança Mundial para Vacinas.

A decisão foi tomada depois de o grupo de especialistas de assessoria estratégica sobre imunização, que aconselha a OMS, ter recomendado em outubro de 2017 a TCV para uso rotineiro em crianças maiores de seis meses em países onde a febre tifoide é endêmica.

O grupo de especialistas recomendou, além disso, a introdução da vacina conjugada de maneira prioritária em países com as taxas mais elevadas de febre tifoide ou de resistência antibiótica à bactéria Salmonella Typhi, que causa a doença.

O uso da vacina também deve ajudar a conter o uso frequente de antibióticos contra a doença e, portanto, auxiliar a reduzir o “alarmante aumento” da resistência da bactéria aos medicamentos.

Pouco depois da recomendação do grupo de especialistas, o conselho da Gavi aprovou um financiamento de US$ 85 milhões para adotar o uso da TCV a partir de 2019. A febre tifoide é uma infecção grave, às vezes mortal, contraída através da água ou alimentos contaminados. Entre os sintomas da doença estão febre, cansaço, dor de cabeça, de estômago, diarreia e resfriados.

Para milhões de pessoas em países pobres, a doença é uma realidade diária. A cada ano são registrados entre 11 milhões e 20 milhões de casos, além de cerca de 161 mil mortes.

Com informações: Agência Brasil

17:05 · 13.11.2017 / atualizado às 17:05 · 13.11.2017 por
Ambas as enfermidades são transmitidas pela mesma espécie de mosquito, o Aedes aegypti Foto: Alexandre Carvalho

A imunidade adquirida por uma infecção pelo vírus da dengue pode proteger contra o zika vírus. Ambas as enfermidades são transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti.

Em síntese esta foi a conclusão de um estudo realizado pelo Instituto de Arboviroses da Universidade de Wenzhow na China, em parceria com outras instituições. Além disso, a pesquisa não encontrou evidências de interações entre as duas doenças. As conclusões do estudo foram publicadas nesta segunda-feira (13) pela revista Nature Communications.

A revista é parte da Nature Research – um banco de dados internacional que reúne autores e trabalhos científicos de todo o mundo. Segundo o artigo, a pesquisa tem um valor importante na busca por vacinas contra os vírus dengue e zika. O estudo utilizou camundongos como cobaias e observou que os animais que tiveram dengue desenvolveram a chamada proteção cruzada – termo utilizado para referir-se à transferência de microrganismos. Além disso foram observadas a presença de linfócitos – T CD8 – células de defesa que se formaram após a combinação dos vírus da dengue e da zika. Os animais foram divididos em dois grupos: um que havia sido infectado inicialmente com o vírus da dengue, após recuperados foram infectados com o vírus da zika; e um segundo grupo foi infectado pelo zika sem ter tido uma infecção prévia de dengue.

Nos resultados, o grupo com infecção anterior de dengue apresentou uma carga reduzida de zika no organismo: sangue nos tecidos e no cérebro. A imunidade adquirida em cobaias que tiveram o vírus da dengue, e depois foram expostos ao vírus da zika, também mostrou que a dengue não seria potencializadora de infecções mais graves de zika. A tese de que a interação entre as duas doenças provocaria casos graves de zika foi levantada no início da epidemia de zika no Brasil, em 2015.

A hipótese caiu por terra e agora os pesquisadores acreditam que uma infecção anterior por dengue pode impedir casos graves de contaminação pelo zika ou até mesmo a microcefalia em bebês gerados por mães que tiveram zika na gestação.

Conclusões

Uma das conclusões dos pesquisadores é que a presença de anticorpos por uma infecção de dengue, pode explicar por que nem toda mulher com zika transmite a doença para o bebê e também por que algumas pessoas podem ter sido infectadas com zika e nunca terem desenvolvido a doença.

A descoberta da ação dos linfócitos T CD8 presente na defesa das infecções pelos vírus dengue e zika pode dar novos rumos às pesquisas com vacinas em andamento. Até agora, segundo o artigo a maioria dos testes com vacinas, atuam somente contra os linfócitos B – que produzem anticorpos após o contato com uma infecção. As células do tipo T têm uma ação direta sobre o microrganismo, agindo antes da infecção.

O trabalho foi desenvolvido por um grupo de pesquisadores chefiado por Jinsheng Wen, da Universidade de Wenshou e teve parceria de outras universidades como o Instituto La Jolla de Alergia e Imunologia da Califórnia.

Com informações: Agência Brasil

19:58 · 04.10.2017 / atualizado às 19:58 · 04.10.2017 por
Após administração de três anticorpos, pesquisadores não encontraram um nível quantificável do vírus no sangue dos animais tratados Foto: New Scientist

Um coquetel de três anticorpos mostrou que é capaz de prevenir em primatas a infecção causada pelo zika vírus, e essa pesquisa pode passar a uma etapa seguinte de ensaios com humanos, anunciaram cientistas nesta quarta-feira (4).

“É uma intervenção promissora para prevenir e tratar uma infecção pelo zika vírus durante a gravidez”, comentou David Watkins, professor da faculdade de medicina Miller da Universidade de Miami. “Gostaríamos de desenvolver esta associação de anticorpos e submetê-los a ensaios clínicos o quanto antes”, acrescentou.

O zika vírus, transmitido principalmente por mosquitos, se propagou pela América Latina, o Caribe e o sul dos Estados Unidos em 2015 e 2016, provocando uma emergência mundial devido a sua associação com malformações em fetos, particularmente a microcefalia.

A ameaça acabou, sobretudo porque as pessoas não podem ser infectadas mais de uma vez, mas os pesquisadores continuaram realizando estudos para encontrar a primeira vacina contra o zika.

Experimento

Os cientistas identificaram três poderosos anticorpos – SMZAb1, SMZAb2 e SMZAb5 – no organismo de um paciente sul-americano.

“Administramos um coquetel desses três anticorpos aos primatas não humanos um dia antes do seu contato com o zika vírus que tinha sido recuperado de uma mulher grávida durante a epidemia de 2016 no Rio de Janeiro”, disse Watkins.

Os pesquisadores não encontraram um nível quantificável do vírus no sangue dos quatro animais tratados e não detectaram reação no sistema imunológico, o que indica que o vírus tinha sido completamente bloqueado, segundo o estudo, publicado na revista Science Translational Medicine.

Quatro macacos que não receberam esses anticorpos antes de ser expostos ao zika ficaram doentes durante uma semana. “Dado que esses anticorpos têm perfis excepcionais na segurança dos humanos e na placenta, esta combinação poderia ser desenvolvida rapidamente para proteger as mulheres grávidas não infectadas e seus fetos”, indicou Watkins.

Com informações: AFP

17:36 · 22.09.2017 / atualizado às 17:36 · 22.09.2017 por
Foto: Icy Tales

Estudo conduzido pelo Instituto Evandro Chagas (IEC) do Pará em conjunto com a Universidade do Texas mostra que a vacina contra zika desenvolvida pelas duas instituições protege camundongos e macacos contra o vírus.

Publicado pela Revista Nature Communications, o trabalho constatou que a aplicação de uma dose da vacina nos animais foi suficiente para prevenir a transmissão do vírus da mãe para o filhote durante a gestação, além de proteger machos. Com a conclusão desta etapa, é dado sinal verde para preparativos em testes em humanos.

Apesar da boa notícia, um achado do estudo acende um alerta para uma eventual consequência da infecção pelo vírus: a redução da fertilidade masculina. Testes realizados em camundongos mostram que a infecção pode alterar a reprodução nesses animais. Machos não vacinados expostos ao zika tiveram uma redução significativa de espermatozoides. E os que foram produzidos perderam velocidade, o que dificulta a fecundação. Para completar, testículos dos camundongos atrofiaram.

“Sabemos da propensão do zika em infectar células do cérebro. O estudo agora indica que o vírus também age no testículo”, relata o diretor do IEC, Pedro Vasconcelos.”Não era esperado que isso ocorresse. Foi um achado ocasional”, completa o diretor. Não há ainda pistas sobre as causas que levam o vírus a atacar também a gônada masculina. Um dos caminhos a ser pesquisados, avalia, é a possibilidade de semelhanças entre receptores.

O diretor afirma que novos testes deverão ser feitos para verificar se o zika apresenta comportamento semelhante nos testículos de outras animais. Caso novos estudos indiquem resultados similares, Vasconcelos considera importante partir para uma investigação epidemiológica em regiões onde o vírus provocou epidemia, como cidades do Nordeste. “A epidemia pode ter provocado outras consequências, que serão sentidas numa outra fase, como a redução dos bebês nascidos em regiões afetadas. Isso precisa ser investigado.” A pesquisa não testou a capacidade de os camundongos engravidarem fêmeas após os danos constatados nos testículos. Isso impede afirmar neste momento que animais se tornaram estéreis. Um novo experimento agora será realizado. “O que se sabe é que há uma grande quantidade de vírus na excreção do esperma, que significa que o vírus tem bastante capacidade de se replicar, causando a destruição das células que resulta em diminuição dos testículos e, consequentemente, a esterilidade”, concluiu.

Este foi o quarto estudo publicado sobre a vacina desenvolvida em parceria pelo IEC e a Universidade do Texas. “Comprovada a eficácia da vacina em macacos e camundongos, terminamos nossa contribuição, abrindo caminho agora, para as pesquisas clínicas” afirma Vasconcelos. Todos os testes realizados mostraram até o momento o efeito protetor do imunizante desenvolvido pela parceria. Os testes clínicos serão feitos por Biomanguinhos, da Fundação Oswaldo Cruz, no Rio. A expectativa, de acordo com Vasconcelos, é de que os testes comecem a ser feitos em 2019.

A parceria para essa pesquisa foi feita em 2016 a partir de acordo internacional para o desenvolvimento de vacina contra o vírus zika. O Ministério da Saúde vai destinar um total de R$ 7 milhões nos próximos cinco anos (até 2021) para o desenvolvimento e produção da vacina. O imunobiológico em desenvolvimento utiliza a tecnologia de vírus vivo atenuado de apenas uma dose, já que vacinas com vírus vivo são altamente capazes de estimular o sistema imunológico e proteger o organismo da infecção.

Com informações: Estadão Conteúdo

16:12 · 03.08.2017 / atualizado às 16:12 · 03.08.2017 por
Bactéria causou a morte de 56% de chimpanzés cujos corpos foram estudados por pesquisadores, no período entre 1989 e 2014 Foto: Getty Images

O antraz, uma doença bacteriana grave geralmente associada a climas áridos, vem dizimando silenciosamente chimpanzés em uma floresta tropical da África Ocidental, e pode eliminá-los completamente, disseram pesquisadores.

Amostras tiradas de carcaças, ossos e moscas que se alimentam de carniça no Parque Nacional de Tai (TNP), na Costa do Marfim, entre 1989 a 2014, revelaram que o antraz causou 38% das mortes de animais – incluindo 31 dos 55 chimpanzés mortos analisados, ou seja, no caso da espécie a letalidade chega a 56%.

Outras baixas incluíram macacos, antílopes, mangustos e um porco-espinho. “Nossas simulações (…) sugerem que a mortalidade induzida pelo antraz resultará em declínios determinísticos de população e na possível extirpação de chimpanzés do TNP nos próximos 150 anos”, escreveu uma equipe na revista científica Nature.

Os chimpanzés são particularmente vulneráveis ​​devido à sua lenta taxa de reprodução, disseram os cientistas. Os pesquisadores não conseguiram determinar onde e como os animais estavam sendo infectados com um tipo de antraz identificado pela primeira vez no TNP em 2004. E eles advertiram que as infecções em macacos “são muitas vezes indicadoras de doenças que também podem afetar humanos”.

A bactéria, Bacillus cereus biovar anthracis, também causou mortes de chimpanzés, gorilas e elefantes em Camarões e na República Centro-Africana, disse a equipe. Nenhum caso de humanos afetados foi registrado. Anteriormente, se acreditava que os surtos de antraz eram mais comuns em ecossistemas áridos, como a savana africana, onde matam animais de caça, gado e às vezes humanos.

Os humanos geralmente contraem a doença de animais infectados ou através da exposição a produtos animais contaminados. A bactéria pode ser contraída pela pele, boca ou inalação. Em sua forma mais comum, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, provoca feridas negras na pele. A bactéria não é transmitida de pessoa para pessoa. Embora potencialmente mortal, reage bem ao tratamento com antibióticos.

Com informações: AFP

15:50 · 25.07.2017 / atualizado às 15:50 · 25.07.2017 por
Equipe liderada pelo pesquisador Shibo Jiang identificou uma droga que inativou determinadas partículas do micro-organismo Foto: Icy Tales

Cientistas chineses desenvolveram um inibidor do vírus da zika que foi capaz de reduzir os níveis virais em camundongos gestantes e em seus fetos. Um artigo que descreve a descoberta foi publicado nesta terça-feira, 24, na revista científica Nature Communications.

De acordo com os autores da pesquisa, o inibidor se mostrou seguro para o uso em camundongos gestantes e os resultados do experimento indicam que a droga poderia ser considerada para futuros testes pré-clínicos. O vírus da zika pode ser passado de uma mulher grávida infectada para o feto durante a gestação, com potencial risco de desenvolvimento de defeitos congênitos. Até agora não há vacinas ou drogas disponíveis para tratar a infecção.

A equipe de cientistas liderada por Shibo Jiang, da Universidade Fudan, em Xangai (China), identificou uma droga que inativou determinadas partículas do vírus da zika e assim foi capaz de impedir sua entrada nas células. Os cientistas mostraram que a droga reduziu a transmissão do vírus da zika para o feto. A molécula não apresentou efeitos adversos no camundongo gestante, nem nos filhotes, quando foi administrada durante a gestação.

Os autores afirmam que será preciso realizar mais estudos para avaliar a segurança e a eficácia do inibidor em humanos. Mas, segundo eles, a abordagem por meio da inativação de partículas do vírus poderia ser utilizada para desenvolver novos tratamentos para a infecção por zika em populações em áreas de risco, especialmente em mulheres grávidas.

A droga é um peptídeo sintético, batizado de Z2, que é derivado de proteínas de uma região específica do envelope do vírus, que tem um papel importante na sua capacidade de infectar as células do hospedeiro.

“Mostramos que o Z2 interage com as proteínas da superfície do vírus da zika e perturba a integridade da membrana viral. O Z2 pode penetrar na barreira da placenta e entrar nos tecidos do feto”, escreveram os autores.

Melhor opção. De acordo com Jiang, nos últimos anos o desenvolvimento de drogas a partir de peptídeos tem chamado atenção por causa da sua segurança e do custo mais baixo de desenvolvimento, em comparação com drogas com base em moléculas pequenas e em anticorpos.

Segundo Jiang, alguns compostos de moléculas pequenas já mostraram capacidade para inibir a infecção por vírus, mas a segurança para mulheres grávidas não foi comprovada. Também já foram identificados em camundongos anticorpos capazes de neutralizar a infecção por zika, mas a eficácia foi relativamente baixa e esses anticorpos teriam que ser “humanizados”, o que é um obstáculo considerável para o desenvolvimento de uma droga anti-zika.

“Também já foi identificado um anticorpo monoclonal humano que neutraliza amplamente a infecção por algumas linhagens de zika, mas o alto custo pode limitar sua aplicação em países em desenvolvimento, como o Brasil”, disse Jiang.

Com informações: Estadão Conteúdo

16:47 · 01.03.2017 / atualizado às 16:48 · 01.03.2017 por
Os microfósseis foram encontrados no Cinturão de Nuvvuagittuq, no Canadá, onde está localizada a rocha mais antiga conhecida, e podem ter entre 3,77 e 4,29 bilhões de anos Foto: Matthew Dodd

Pesquisadores anunciaram a descoberta de micro-organismos fósseis que teriam entre 3,77 e 4,29 bilhões de anos, o que seria a mais antiga evidência de vida na Terra, de acordo com um estudo divulgado nesta quarta-feira (1º).

Eles descobriram esses microfósseis em camadas de quartzo no sítio geológico de Nuvvuagittuq, nordeste de Quebec (Canadá). “Graças a imagens a laser das amostras coletadas, nós identificamos micro-organismos fósseis, que são os mais antigos conhecidos no mundo”, declarou Matthew Dodd, da UCL (University College London), em um vídeo postado no site da revista Nature.

Em diâmetro, medem metade de um fio de cabelo humano. Em comprimento, medem até meio milímetro, informou. “O mais interessante nessa descoberta” é constatar que a vida iniciou na Terra de maneira precoce – “isto levanta questões interessantes” sobre o que aconteceu em Marte e em outros lugares do universo”, considera Matthew Dodd.

“Se a vida começou tão rápido na Terra”, “poderia ter acontecido o mesmo em outros planetas?”, questiona ele.

Idade controversa

Estes microfósseis foram encontrados no Cinturão de Nuvvuagittuq, um afloramento localizado ao longo da costa do Quebec, onde está localizada a rocha mais antiga conhecida (4,29 bilhões de anos).

“Foi datada por um método bastante sólido, mas a questão da sua idade ainda é debatida”, disse Dominic Papineau, também da University College London (UCL) e principal autor do estudo. “Para se manterem conservadores”, os cientistas deram aos microrganismos “uma idade mínima de 3,77 bilhões de anos”, acrescenta.

O que já é 300 milhões de anos mais velho do que os microfósseis mais antigos conhecidos até agora, que foram encontrados na Austrália e que têm 3,4 bilhões de anos, segundo Dominic Papineau.

Com informações: AFP

19:18 · 20.02.2017 / atualizado às 20:26 · 20.02.2017 por
Foto: Nasa

Cientistas da Nasa descobriram micro-organismos vivos presos dentro de cristais por até 60.000 anos em uma mina no México.

Esses micróbios antigos aparentemente evoluíram para poder sobreviver com uma dieta à base de sulfito, manganês e óxido de cobre, disse Penelope Boston, do Instituto de Astrobiologia da Nasa, neste fim de semana em uma conferência da Associação Americana para o Avanço da Ciência.

“Isso tem efeitos profundos sobre como tentamos entender a história evolutiva da vida microbiana neste planeta”, disse. Os micro-organismos foram descobertos na mina de Naica, no estado de Chihuahua, no norte do México. A mina é famosa por seus enormes cristais, alguns com até 15 metros.

A descoberta ainda não foi publicada em uma revista científica revisada por pares, mas levou os cientistas a acreditarem que organismos vivos também podem ter sobrevivido em ambientes extremos de outros planetas e luas do nosso sistema solar.

Segundo Boston, cerca de 100 tipos diferentes de microrganismos – a maioria deles bactérias – foram encontrados presos em cristais de Naica por períodos que variam de 10.000 a 60.000 anos, e 90% deles nunca tinham sido observados antes.

Preocupação

A descoberta destes micro-organismos ultra-resistentes foi uma surpresa para os pesquisadores, mas também uma fonte de preocupação para os astrobiólogos que pensam em recolher amostras em missões espaciais no sistema solar.

As condições extremas sob as quais esses micróbios sobreviveram levantam a possibilidade de que naves espaciais de exploração tragam acidentalmente para a Terra organismos extraterrestres perigosos. Os astrobiólogos também se preocupam com o risco de que organismos da Terra possam contaminar outros planetas no curso de missões de exploração, por exemplo em Marte, onde já existem vários robôs dos Estados Unidos.

A Nasa esteriliza suas espaçonaves e equipamentos antes de lançá-los no espaço. Sempre há, porém, o risco de que micro-organismos ultrarresistentes sobrevivam. “Como podemos garantir que as missões de detecção de vida vão detectar a verdadeira vida de Marte, ou a vida de mundos gelados, em vez da nossa vida?”, perguntou Boston. As preocupações não são novas. Durante as missões Apollo dos anos 60 e 70, os astronautas que retornaram da lua foram colocados em quarentena.

Os micro-organismos encontrados na mina de Naica não são os mais antigos já descobertos. Alguns anos atrás, cientistas encontraram micróbios vivos presos em gelo e sal havia 500.000 anos.

Com informações: AFP

23:09 · 05.10.2016 / atualizado às 23:42 · 05.10.2016 por
Foto: Melanie Maxwell/AnnArbor.com
A síndrome é um distúrbio raro do sistema nervoso, que aparece dias após a infecção por vírus ou bactérias. O paciente sente dores, pode ter deficiências sensoriais e até paralisia Foto: Melanie Maxwell/AnnArbor.com

Um grupo de cientistas anunciou a mais forte evidência até agora de que a infecção pelo vírus da zika está mesmo ligada à síndrome de Guillain-Barré.

A pesquisa foi feita por cientistas de seis hospitais da Colômbia, em parceria com pesquisadores da Johns Hopkins Medicine (EUA). O estudo foi publicado nesta quarta-feira (5), na revista científica britânica The New England Journal of Medicine.

Os dados epidemiológicos já apontavam para uma relação entre a síndrome e a zika, mas no novo estudo os cientistas apresentam evidências virais e imunológicas em um número substancial de pessoas com Guillain-Barré, confirmando a correlação. A síndrome de Guillain-Barré é um distúrbio raro do sistema nervoso, que aparece dias após a infecção por vírus ou bactérias.

Ela ocorre quando o próprio sistema imune do paciente ataca a bainha de mielina – espécie de “capa” que recobre as fibras nervosas -, fazendo com que os músculos se enfraqueçam e provocando dor, deficiências sensoriais e, em casos muito agudos paralisia.

A síndrome é diagnosticada com testes neurológicos que medem a atividade e a velocidade de condução de impulsos nervosos.

Os cientistas não sabem por que o problema ocorre em algumas pessoas e não em outras.

Parceria

“No início da epidemia de zika na América do Sul, meus colegas da Colômbia entraram em contato, preocupados com o número cada vez maior de pacientes com complicações neurológicas em seus hospitais”, disse um dos autores do estudo, Carlos Pardo, da Universidade Johns Hopkins.

Para o novo estudo, a equipe de Pardo desenvolveu estratégias, em parceria com os colegas colombianos, para avaliar pacientes com suspeita de problemas neurológicos associados à zika e forneceram ferramentas testes virais para amostras de sangue, fluido cerebroespinhal e urina de 68 pessoas com sintomas de Guillain-Barré.

Dos 68 pacientes inicialmente avaliados na Colômbia, estudos virais e imunológicos foram conduzidos em 42. Depois de algumas análises, os cientistas descobriram que a urina é o fluido mais confiável para o diagnóstico de zika em pacientes com Guillain-Barré. Os testes revelaram resultados positivos para zika na urina de 17 pacientes. Outros 18 não tinham evidências do vírus na urina, mas apresentaram sinais imunológicos da infecção por zika, pela presença de anticorpos específicos para o vírus na corrente sanguínea, ou no líquido cerebroespinhal.

Os pacientes eram adultos, sendo 38 homens e 30 mulheres com média de idade de 47 anos. Quase todos os pacientes apresentaram dois ou mais sintomas clínicos de infecção por zika, que incluem febre, dor de cabeça, vermelhidão e conjuntivite. Os pesquisadores dizem que quase metade dos participantes tinha queixas de sintomas neurológicos no período de até quatro dias após o aparecimento dos sintomas da zika.

Os testes também revelaram que a maior parte dos 46 pacientes que tiveram a síndrome confirmada por testes de electrodiagnose neurológica apresentavam uma variante de Guillain-Barré que ataca a bainha de mielina.

Maior estudo

Segundo Pardo, o estudo é o maior já realizado para documentar o papel da infecção da zika no aumento das taxas de Guillain-Barré.

Mas ele adverte que, embora o estudo demonstre associações biológicas e virais entre a infecção viral e a síndrome, ele não revela os mecanismos biológicos pelos quais o zika pode iniciar um ataque imunológico aos nervos.

Com informações: Estadão Conteúdo

20:14 · 12.09.2016 / atualizado às 20:14 · 12.09.2016 por
Foto: Tom Stephenson/DiscoverLife
Os cientistas infectaram uma macaca da espécie Macaca nemestrina com o vírus da zika no segundo trimestre de gravidez. Embora o animal não tenha apresentado sintomas da doença, o feto desenvolveu anomalias cerebrais Foto: Tom Stephenson/DiscoverLife

Cientistas detectaram pela primeira vez lesões e má-formação cerebral produzidas pelo vírus da zika no feto de uma macaca grávida. O estudo, publicado nesta segunda-feira, 12, na revista Nature Medicine, foi liderado por cientistas da Universidade de Washington (UW), em Seattle (Estados Unidos).

Segundo os autores, outros pesquisadores já haviam desenvolvido modelos de estudos da infecção por zika em macacos, mas até agora as anomalias cerebrais, como a microcefalia, observadas em fetos de mulheres infectadas pela zika, ainda não haviam sido registradas em primatas não-humanos.

“Nossos resultados descartam qualquer dúvida que pudesse restar sobre o fato do vírus da zika ser incrivelmente perigoso para os fetos em desenvolvimento, fornecendo detalhes minuciosos sobre como os danos cerebrais se desenvolvem”, afirmou a autora principal da pesquisa, Kristina Adams Waldorf, médica e pesquisadora da UW.

Os cientistas infectaram uma macaca da espécie Macaca nemestrina com o vírus da zika no segundo trimestre de gravidez. Embora o animal não tenha apresentado sintomas da doença – como acontece com a maioria dos pacientes humanos -, o feto desenvolveu anomalias cerebrais e, nos primeiros 10 dias após a infecção, apresentou evidências de retardamento do desenvolvimento cerebral.

Embora os resultados do estudo estejam limitados a um só animal, os autores afirmam que o Macaca nemestrina poderá ser um modelo útil para estudar a progressão da infecção por zika em humanos e para testar candidatas a vacinas ou terapias.

“Esse estudo nos deixa mais próximos de determinar se uma vacina ou terapia para a zika serão capazes de impedir os danos cerebrais no feto, mas também se elas serão seguras para serem administradas durante a gravidez”, declarou Kristina.

De acordo com outro dos autores, Michael Gale, professor de imunologia da UW, o estudo seguiu o chamado Postulado de Koch, que estabelece critérios para determinar se um microrganismo é ou não o agente causador de uma doença ou síndrome.

“Essa é a única evidência direta mostrando que o vírus da zika pode cruzar a placenta na fase tardia da gravidez e afetar o cérebro do feto desativando alguns aspectos do desenvolvimento cerebral”, afirmou Gale. Outra das autoras, Lakshmi Rajagopal, professora de Pediatria da UW, afirma ter ficado “chocada” quando viu a primeira imagem de ressonância magnética do cérebro do feto 10 dias após a inoculação do vírus. “Não havíamos previsto que uma área tão grande do cérebro do feto sofreria danos tão rapidamente”, afirmou.

Segundo Lakshmi, os resultados da pesquisa sugerem que uma terapia para impedir danos no cérebro dos fetos deveria ser uma vacina, ou um medicamento profilático aplicado no momento da picada do mosquito, para neutralizar o vírus. “No momento em que uma mulher grávida desenvolve os sintomas, o cérebro do feto já pode ter sido afetado e sofrido danos graves.”

Placenta

O novo estudo revela de forma conclusiva que o vírus zika realmente cruza a placenta da mãe e penetra no cérebro do feto. De acordo com ele, o nível de infecção viral detectado no cérebro do feto foi mais alto que o do organismo da mãe.

Saber quanto tempo o vírus permanece no sistema durante a gravidez e o desenvolvimento do feto era uma questão fundamental segundo Gale. O cientista explicou que a presença do vírus da zika, de certa forma, perturba o equilíbrio normal do desenvolvimento do cérebro, levando-o a construir estruturas de apoio em demasia, fazendo-o, ao mesmo tempo, produzir uma quantidade insuficiente de estruturas de células nervosas.

Isso altera o formato, o tamanho e a função do cérebro, segundo Gale. O vírus da zika utilizado no estudo é de uma linhagem isolada em 2010 no Camboja e que, segundo os autores, é geneticamente praticamente idêntica à linhagem encontrada atualmente no Brasil.

Com informações: Estadão Conteúdo