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Categoria: Nutrição


13:34 · 20.02.2018 / atualizado às 16:20 · 20.02.2018 por
Pesquisadores têm estudado os sistemas de manutenção e reparo do material genético de humanos e outros animais e algumas moléculas têm se mostrado promissoras para conseguir melhorias na redução de danos causados pelo processo de divisão celular Foto: FaderMex

Por Reinaldo José Lopes

Dá para levar a sério a ideia de estender a longevidade humana e, quem sabe, produzir pessoas potencialmente imortais? São raríssimos os cientistas dispostos a responder que sim na lata, mas um progresso (muito) modesto já tem acontecido.

Por enquanto, apareceram alguns candidatos interessantes a “alvo molecular” da longevidade. Ou seja, moléculas, ou conjuntos de moléculas, que poderiam ser manipuladas para alterar os sistemas celulares que acabam levando ao envelhecimento. Várias delas tem alguns pontos em comum: estão associadas à maneira como o organismo lida com o excesso de recursos e com o crescimento.

Outra via que está sendo explorada tem a ver com os sistemas de manutenção e reparo do material genético. Problemas no DNA frequentemente desencadeiam câncer, e também há uma importante relação entre a diminuição das estruturas chamadas telômeros (as “pontas de segurança” dos cromossomos, onde o DNA está armazenado) e o envelhecimento celular. Boa parte dos dados que apoiam esses dois ramos da pesquisa vem do estudo de animais de laboratório. Intervenções em espécies de vida relativamente curta, como vermes nematoides, camundongos e ratos, já obtiveram aumentos substanciais da expectativa de vida e da saúde mesmo em idade avançada.

E também há pistas intrigantes vindas do organismo de animais que vivem muito mais do que o esperado considerando seu tamanho e seus parentes -em geral, criaturas pequenas vivem pouco, são muito predadas e se reproduzem velozmente (caso dos roedores), enquanto animais de grande porte e relativamente livres de inimigos naturais (caso dos seres humanos) tendem a ser longevos.

Segredo do morcego

Considere, porém, o caso dos morcegos, e em especial o dos morceguinhos do gênero Myotis, que pesam apenas algumas dezenas de gramas. Eles “deveriam” viver apenas alguns anos, como os roedores, mas a capacidade de voar diminuiu muito a pressão que eles sofreriam por partes dos predadores e permitiu que eles tivessem um ciclo de vida bem mais relaxado, morrendo por volta dos 40 anos (outros morcegos morrem na casa dos 20 anos ou 30 anos).

Um estudo que acaba de ser publicado na revista científica “Science Advances” por Emma Teeling e seus colegas do University College de Dublin (Irlanda) investigou justamente os telômeros do Myotis e de outros morcegos. Teeling explicou à reportagem o resultado: “Não é exatamente que o Myotis tenha telômeros mais compridos, mas o de que eles não encurtam com o passar da idade, conforme o esperado. Seres humanos com mais de 60 anos e telômeros mais curtos têm probabilidade três vezes maior de morrer de alguma doença ligada ao envelhecimento”.

Essa estrutura dos cromossomos diminui com as sucessivas divisões das células. Quando esse encurtamento alcança um nível crítico, chega-se ao estado chamado de senescência celular. A célula não se divide mais, mas pode produzir uma série de substâncias (com capacidade inflamatória, por exemplo) que parecem contribuir para os efeitos negativos do envelhecimento. “Eles também reparam melhor o seu DNA, têm níveis mais altos de controle de tumores e mecanismos anti-inflamatórios rápidos e eficientes”, diz Teeling. A julgar pelos estudos com animais, porém, alguém poderia achar que a intervenção definitiva não poderia ser mais simples: fechar a boca. Os estudos com restrição calórica -às vezes cortando 40% das calorias consumidos pelos bichos- foram os mais bem-sucedidos com espécies pequenas. Resultados preliminares com macacos e humanos, porém, nem chegaram perto desse êxito.

O jeito, porém, talvez seja contornar isso com medicamentos que reproduzem parte dos efeitos moleculares da boca fechada sem fazer as pessoas passarem fome de verdade. Uma delas é a rapamicina, droga originalmente usada para controlar a rejeição de transplantes (veja infográfico). Ela afeta um circuito molecular da célula chamado mTOR que, quando ativado, leva ao crescimento e à divisão celular. Desligá-lo parece colocar a célula em “modo de segurança”, estendendo a longevidade.

Outra possibilidade é a metformina, droga muito usada para controlar o diabetes. Ainda falta muito antes que haja evidências claras de que essas e outras abordagens similares funcionem, porém.

Com informações: Folhapress

16:25 · 01.02.2018 / atualizado às 16:25 · 01.02.2018 por
Mudanças climáticas estão reduzindo o habitat desses animais, forçando-os a ir cada vez mais longe para buscar comida durante o degelo, gastando mais energia que conseguem repor Foto: National Geographic

Os ursos polares têm taxas metabólicas mais altas do que se pensava e isso explica por eles têm sido incapazes de conseguir alimentos em quantidade suficiente para suas necessidades, de acordo com um novo estudo.

De acordo com os autores, publicada nesta quinta-feira (1), na revista Science, a pesquisa mostra quais são os mecanismos fisiológicos por trás do declínio já observado nas populações e nas taxas de sobrevivência dos ursos polares.

“Temos documentado, ao longo da última década, o declínio nas taxas de sobrevivência, nas condições de saúde e nos números populacionais do urso polar. Ao calcular as necessidades energéticas reais dos ursos polares e observar com que frequência eles são capazes de caçar focas, esse estudo identificou os mecanismos que estão levando a esses declínios”, disse o autor principal da pesquisa, Anthony Pagano, da Universidade da Califórnia em Santa Cruz.

Pagano explica que o declínio das populações de ursos já era associado às mudanças climáticas que estão reduzindo o habitat desses animais, forçando-os a ir cada vez mais longe para buscar comida durante o degelo. Mas a conta não fechava, porque não se sabia que os ursos precisavam de tanta energia – os estudos anteriores se baseavam em estimativas de uma taxa metabólica 50% mais baixa.

Monitoramento

Para realizar o novo estudo, os cientistas monitoraram o comportamento dos ursos, a frequência de sucesso na caça e as taxas metabólicas de fêmeas adultas sem filhotes quando elas buscavam presas no gelo do Mar de Beaufort durante a primavera.

O monitoramento foi feito com coleiras hi-tech, que registravam em vídeo as andanças dos animais, rastreando seu deslocamento, seu comportamento e os níveis de atividade em períodos de oito a 11 dias. Foram utilizados também sensores de atividade metabólica para determinar quanta energia os animais gastavam em suas atividades.

Com isso, os cientistas descobriram que as taxas metabólicas registradas eram, em média, 50% mais altas do que as estimadas por estudos anteriores. Cinco dos nove ursos estudados perderam muito peso e não conseguiram caçar focas em número suficiente para suprir seus gastos de energia.

“A pesquisa foi feita no início do período que vai de abril a julho, quando os ursos polares capturam a maior parte das suas presas e conseguem acumular a maior parte da gordura corporal que eles precisam para sustentá-los pelo resto do ano”, disse Pagano.

O cientista afirma que as mudanças climáticas têm efeitos dramáticos no gelo do mar do Ártico, forçando os ursos polares a percorrer distâncias maiores e dificultando a busca de presas.

No Mar de Beaufort, as geleiras marinhas começam a recuar a partir da plataforma continental em julho, quando a maioria dos ursos se move em direção ao norte à medida que o gelo se retrai.

Derretimento do gelo

Com o aquecimento do Ártico, mais gelo derrete nesse processo, obrigando os ursos a percorrer distâncias maiores que no passado. Isso faz com que eles gastem mais energia durante o verão, quando eles ficam em jejum até que o gelo volte, no outono, à plataforma continental. Em outras áreas, como na Baía de Hudson, a maior parte dos ursos vai para a terra quando o gelo marinho recua. Ali, o aquecimento do Ártico faz com que o gelo marinho se rompa mais cedo no verão e volte a se formar mais tarde no outono, forçando os ursos a ficarem mais tempo em terra.

“De qualquer maneira, a questão continua sendo quanta gordura eles podem acumular antes que o gelo comece a recuar e quanta energia eles terão que gastar. Nós descobrimos que os ursos polares têm uma necessidade de energia muito mais alta do que o estimado”, afirmou Pagano. Na primavera, os ursos polares caçam principalmente as focas que nasceram recentemente e que são mais suscetíveis que as focas adultas. No outono, quando as jovens focas já estão mais velhas e espertas, os ursos não conseguem tantas presas. “Calculamos que os ursos podem capturar até duas focas no outono. Na primavera e no começo do verão, eles caçam de cinco a 10 focas”, disse Pagano.

Os cientistas da Universidade da Califórnia em Santa Cruz têm estudado os ursos polares no Mar de Beaufort desde a década de 1980. Segundo Pagano, a estimativa populacional mais recente indica que o número de ursos polares caiu cerca de 40% na última década. Mas, segundo Pagano, era difícil estudar a biologia fundamental e o comportamento dos ursos polares em um ambiente tão remoto e hostil. “Agora nós temos a tecnologia para descobrir como eles se movem no gelo, quais são seus padrões de atividades e suas necessidades energéticas, de forma que podemos entender melhor a implicações das mudanças que estamos observando no gelo marinho” afirmou Pagano.

Com informações: Estadão Conteúdo

16:20 · 09.01.2018 / atualizado às 16:20 · 09.01.2018 por
Em decorrência do melhor descanso, os cientistas mostraram também que crianças com maior ingestão mensal desse tipo de alimento apresentaram melhor desempenho em testes de QI Foto:iStockphoto

Um artigo publicado no periódico científico “Scientific Reports” mostrou que se alimentar de peixes pode ser um dos fatores por trás de uma boa noite de sono.

O estudo de pesquisadores da Universidade da Pensilvânia, nos EUA, foi feito com crianças chinesas e apresentou uma correlação entre o consumo regular de peixes e um sono de boa qualidade, resultado atribuído à substância Ômega 3, presente nos peixes. Em decorrência do melhor descanso, os cientistas mostraram que essas crianças apresentaram melhor desempenho em testes de QI.

Já se conhecia a relação entre consumo de Ômega 3 e um bom desempenho cognitivo. O artigo mostra que essa associação seria mediada por boas noites de sono. Participaram do estudo 541 crianças chinesas de 9 a 11 anos. Os pesquisadores pediram a elas para descrever seus hábitos alimentares, incluindo a frequência com que consumiam peixes. Os pais das crianças, por sua vez, foram entrevistados acerca dos padrões de sono de seus filhos.

Os cientistas então aplicaram testes de QI quando os jovens completaram 12 anos. Eles encontraram uma ligação entre o consumo regular de peixe e uma melhor noite de sono e notas mais altas no teste de raciocínio. Segundo os pesquisadores, embora o estudo tenha sido feito com crianças, é razoável imaginar que as descobertas também valham para adultos.

De acordo com os autores do estudo, consumir peixe algumas vezes por mês já seria suficiente para melhorar as funções cerebrais.

Com informações: Folhapress

17:36 · 24.08.2017 / atualizado às 17:36 · 24.08.2017 por
Aditivo dióxido de titânio se apresentava em forma partículas 50 mil vezes menores que um fio de cabelo e gerou questionamentos sobre os efeitos na saúde dos consumidores do país Foto: Doctissimo

Alguns doces industrializados contêm aditivos em forma de nanopartículas sem que esta condição seja especificada nas embalagens, segundo um estudo francês, que questiona os efeitos para a saúde e lamenta a falta de transparência das empresas.

O estudo realizado pela revista francesa “60 millions de consommateurs” analisou a presença do aditivo E171 (dióxido de titânio), composto em parte de nanopartículas e utilizado frequentemente na indústria agroalimentar e cosmética para embranquecer doces, pratos preparados e pasta de dente.

Para a revista, publicada pelo Instituto Nacional do Consumo, o fato de que o aditivo se apresente em forma de nanopartículas – 50.000 vezes menores que um fio de cabelo -, gera questionamentos sobre os efeitos na saúde porque estas traspassam com mais facilidade as barreiras fisiológicas.

“Quando uma substância estranha se mete em uma célula, podemos supor que pode haver danos ou uma desregulação de algumas destas células”, explicou à AFP Patricia Chairopoulos, coautora do estudo, que critica as indústrias por uma “falta de vigilância” e de “rigor”.

O E171 na forma de nanopartículas foi encontrado sistematicamente nos 18 produtos doces testados pela revista, em proporções diversas: representou 12% desse aditivo nos biscoitos Napolitain de Lu, 20% nos chocolates M&M’s e 100% nos bolos da marca francesa Monoprix Gourmet. A presença do E171 está indicada nas etiquetas, mas sem a menção “nanopartículas”.

Chairopoulos destacou que um estudo publicado em janeiro por um instituto francês levantou suspeitas sobre este aditivo na forma nano, ao concluir que uma exposição crônica ao E171 favorecia o crescimento de lesões pré-cancerosas em ratos, sem que os pesquisadores extrapolassem, porém, esse risco para os humanos.

Em junho de 2016, a ONG Agir pour l’environnement alertou sobre a presença de nanopartículas, entre elas de dióxido de titânio, em uma série de produtos alimentícios.

Com informações: AFP

23:42 · 03.05.2016 / atualizado às 23:42 · 03.05.2016 por
Consumo de peixes é o fator que mais expõe as pessoas ao mercúrio, devido o processo de bioacumulação e biomagnificação do metal. Isso faz com que os teores, mesmo na água, sendo baixos ao longo da cadeia alimentar, vão se ampliando e o homem, que está no topo da cadeia, é o que está mais exposto Foto: Photographer's Blog
Consumo de peixes é o fator que mais expõe as pessoas ao mercúrio, devido o processo de bioacumulação. Isso faz com que os teores do metal se ampliem ao longo da cadeia alimentar e o homem é o que está mais exposto Foto: Photographer’s Blog

Cientistas de várias universidades do país e do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) participam, em Manaus, do III Workshop do projeto “Biomarcadores de toxidade de mercúrio aplicados ao setor hidrelétrico na Amazônia”.

Os estudos começaram em 2013 para verificar a presença do metal em peixes e no leite materno. As amostras foram coletadas na bacia do Rio Madeira, em Rondônia, na bacia do Rio Tocantins, em Goiás e Maranhão, e no Rio Negro, no Amazonas.

Segundo o coordenador da pesquisa, professor Luiz Fabrício Zara, da Universidade de Brasília (UnB), o objetivo é identificar substâncias que possam funcionar como indicadores da toxicidade do mercúrio e que seja aplicado ao setor hidrelétrico.

“Como já é de conhecimento, a expansão do setor hidrelétrico para a Amazônia já é uma realidade brasileira. A Amazônia brasileira é rica em mercúrio natural. Por isso, demanda pesquisas e estudos associados a mecanismos de vigilância ambiental, de modo que se possa ter um real desenvolvimento socioambiental”, afirma Zara.

Considerado inovador no mundo, o projeto utiliza a técnica chamada de metaloma, que consiste na separação das proteínas, do pescado e do leite materno, por exemplo, para depois verificar a qual proteína o mercúrio está ligado.

Esse metal está presente naturalmente no meio ambiente. Na Amazônia, ele apresenta níveis superiores em relação a outras regiões. A exposição a altos níveis desse metal, que é tóxico, é prejudicial à saúde e ao meio ambiente.

Consumo de peixes

O pesquisador Luiz Fabrício Zara esclareceu que o consumo de peixes é o fator que mais expõe as pessoas ao mercúrio.

“O peixe tem um processo de bioacumulação e biomagnificação do mercúrio. Então, os teores, mesmo na água, sendo baixos ao longo da cadeia alimentar, esses valores vão se ampliando e logo o homem, que está no topo da cadeia, é o que está mais exposto”, afirmou o pesquisador.

Luiz Zara destacou os resultados já obtidos pela pesquisa com os peixes mais consumidos nas regiões das hidrelétricas. “Já identificamos várias metaloproteínas, que seriam essas proteínas ligadas ao mercúrio, forte candidatas a biomarcadores da toxicidade, ou seja, quando altera a concentração de mercúrio no ambiente, altera a concentração dessa substância no pescado. Isso nos cria um índice de vigilância”, explicou o pesquisador .

Leite materno

Outra vertente dos estudos é a presença de mercúrio no leite materno. Há um processo natural de excreção do metal na amamentação, que é nocivo para as crianças, de acordo com a pesquisadora Tânia Machado da Silva, também da Universidade de Brasília.

“Uma criança em desenvolvimento pode ser muito mais afetada que um adulto com o sistema nervoso desenvolvido. Essa era a importância de se estudar o leite materno e não apenas o peixe, porque o leite materno também é uma fonte de exposição para as crianças”, acrescentou Tânia.

A pesquisadora informou que não foram identificados níveis de mercúrio nas mulheres em período de amamentação acima do que determina a Organização Mundial de Saúde.

Prosseguimento dos estudos

O projeto é patrocinado pela Energia Sustentável do Brasil, concessionária da Usina Hidrelétrica de Jirau, em Rondônia.

O encerramento dos estudos está previsto para 2017. A ideia é que as conclusões sejam apresentadas em duas publicações: uma para o meio científico e outra para a sociedade, de modo que possa servir para adoção de políticas públicas de saúde.

Com informações: Agência Brasil

16:52 · 01.04.2015 / atualizado às 16:54 · 01.04.2015 por
Foto: Blog Dicas de Saúde
Espinafre é uma das hortaliças que apresenta alto teor de agrotóxicos. Toxicidade desses defensivos agrícolas, de acordo com pesquisa norte-americana, pode reduzir a qualidade do esperma humano  Foto: Blog Dicas de Saúde

Níveis mais altos de resíduos de pesticidas em frutas e hortaliças consumidas estão associados à qualidade inferior do esperma.

O estudo, conduzido em 155 homens com idades entre 18-55 anos, alunos de um centro de tratamento para infertilidade, foi publicado na revista especializada Human Reproduction. 338 amostras de sêmen destes homens foram analisadas entre 2007-2012.

O estudo descobriu que os homens que consomem mais frutas e vegetais carregadas de pesticidas têm uma contagem de esperma 49% mais baixa (86 milhões por ejaculação contra 171 milhões) em comparação aos homens que consumiam menores quantidades, assim como uma porcentagem de formas normais de espermatozoides 32% menor.

O consumo de frutas e vegetais dos participantes foi avaliado por questionário. O conteúdo de pesticidas não foi medido diretamente, mas estimado com base em dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos.

Teor de resíduos

Frutas e vegetais consumidos foram divididos em grupos de acordo com o teor de resíduos de pesticidas: baixo (ervilhas, feijão, uva e cebola), moderado ou alto (morangos, espinafre, pimentão, maçãs, peras, etc).

O fato de lavar e descascar os alimentos também foi levado em conta.
“Estes resultados sugerem que a exposição a pesticidas utilizados na produção agrícola para a alimentação pode ser suficiente para afetar a espermatogênese dos homens”, segundo os autores.

No entanto, eles admitem que o estudo tem algumas limitações e que “é necessário investigar mais”. Este tipo de estudo sobre casais que investigam infertilidade não permite chegar ao conjunto da população masculina sem observar se é possível fazer a mesma associação.

Além do pequeno número de participantes, a medida dos pesticidas não foi direta e a natureza dos produtos consumidos (“orgânica” ou “não orgânica”) não era conhecida, de acordo com os especialistas.

“Estes resultados não devem desencorajar o consumo de frutas e legumes”, alertou o professor de nutrição e epidemiologia da universidade de Harvard Jorge Chavarro, co-autor da pesquisa.

No entanto, o especialista sugere priorizar o consumo de produtos orgânicos ou evitar produtos conhecidos por conter grandes quantidades de resíduos, como o tomate.

Cautela com resultados

Estudos anteriores mostraram que profissionais expostos aos pesticidas tinham a qualidade do esperma afetada; mas até agora pouca pesquisa sobre os efeitos dos pesticidas nos alimentos foi feita.

“Este estudo pode gerar uma preocupação desnecessária”, afirmou Jackson Kirkman-Brown, do Centro de Fertilidade da Mulher em Birmingham, Inglaterra.

“Os homens que querem maximizar a qualidade do seu esperma deve continuar a ter uma dieta saudável e equilibrada” até que se saiba mais sobre o assunto, ressaltou o especialista ao centro Science e à imprensa britânica.

Com informações: AFP

22:08 · 12.01.2014 / atualizado às 22:54 · 12.01.2014 por
Foto: Nasa
Nave Cygnus foi lançada pelo foguete Antares levando a bordo materiais necessários para fabricação de cerveja. Método seria forma alternativa de purificar água no espaço Foto: Nasa

Chegou ontem à Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) a nave Cygnus, com os ingredientes para que os astronautas preparem cerveja no espaço. Curiosamente, o objetivo não é deixar ninguém bêbado. Pelo menos, não a princípio.

O experimento proposto por uma criança de 11 anos – o americano Michal Bodzianowski – visa criar uma alternativa para o caso de a água da estação precisar ser purificada. “Se toda a água da estação ficar contaminada, produzir cerveja a partir dessa água vai purificá-la, e o processo será relativamente mais barato do que purificá-la com tabletes especiais, que podem não durar muito tempo”, diz o projeto.

Os astronautas utilizarão um tubo de ensaio de 15 centímetros, que separa lúpulo, malte de cevada, levedura e água. Na Terra, o jovem que propôs o estudo fará o mesmo. A agência americana, contudo, não permite o uso de álcool no espaço – é a primeira vez que uma bebida alcóolica estará na estação.

“A Nasa é completamente contrária, por uma perspectiva de segurança. Muitos dos nossos parceiros internacionais gostariam de permitir algum álcool a bordo da ISS, mas os diretores da Nasa se mantêm contrários”, afirma Vickie Kloeris, gerente do Laboratório de Comidas Espaciais.

Com informações: Portal Terra

15:05 · 18.08.2013 / atualizado às 15:30 · 18.08.2013 por
Cerveja rica em eletrólitos e com baixo teor alcoólico foi eficaz na redução dos níveis de desidratação e da chamada ressaca Foto: Helosa Araújo
Cerveja rica em eletrólitos e com baixo teor alcoólico foi eficaz na redução dos níveis de desidratação e da chamada ressaca Foto: Helosa Araújo

Há até quem diga gostar dos efeitos da ressaca após uma noite de intenso consumo de cerveja, mas existe uma esperança para a maioria que gostaria de não sentir nada no dia seguinte a uma bebedeira.

É que uma equipe de pesquisadores australianos, mais precisamente do Instituto de Saúde da Universidade de Griffith, desenvolveu uma cerveja rica em eletrólitos e com baixo teor alcóolico, que evita a desidratação.

Eletrólitos são componentes presentes também em bebidas esportivas, consumidas exatamente com o objetivo de repor sais minerais perdidos durante intensa atividade física. A nova fórmula, segundo o professor Ben Desbrow,  não altera o sabor da cerveja, mas para quem gosta dos efeitos do álcool, a má notícia é que para a adição desses sais surtir os resultados de minimização da ressaca, o teor da substância tem de ser reduzido.

Nos testes realizados, cientistas acrescentaram o ingrediente em quatro cervejas com teores alcoólicos diferentes. Os resultados mostraram que  a cerveja mais leve, com a adição de eletrólitos, é 30% mais eficaz em evitar a desidratação que as demais. Vale lembrar que a ressaca é causada por diversos fatores, mas desidratação é principal deles, já que durante o processo o corpo perde eletrólitos. Isso explica por que nos sentimos mal quando bebemos na noite anterior.

 

15:06 · 29.04.2013 / atualizado às 18:10 · 29.04.2013 por
Soja transgênica pode ser nova aliada no combate à Aids Imagem: Embrapa
Soja transgênica pode ser nova aliada no combate à Aids Imagem: Embrapa

Um experimento feito na unidade de Recursos Genéticos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em Brasília, desenvolveu uma variedade de soja com um viricida ou microbicida, capaz de prevenir a contaminação pelo vírus causador da Aids, o HIV.

Com a ajuda da engenharia genética, essa leguminosa está produzindo sementes com a enzima cianovirina-N, que já teve comprovada sua eficácia contra o vírus em testes laboratoriais.  Ela foi isolada na década de 1990 de uma cianobactéria, que leva o nome científico de Nostoc ellipsosporum, em pesquisas do Instituto Nacional de Câncer (NCI) e dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos. 

O princípio ativo inibe a replicação do HIV ao se ligar aos oligossacarídeos (açúcares) do vírus. “A cionovirina-N está no estágio de desenvolvimento pré-clínico, portanto ainda não foi testada em seres humanos. Falta um meio comercialmente viável, de baixo custo, de produção em larga escala da cianovirina-N, e as plantas são um bom caminho para esse fim”, diz o pesquisador Barry O’Keefe, vice-chefe de biologia molecular do laboratório de alvos moleculares do NCI. 

A solução encontrada foi procurar o professor Elíbio Rech, da Embrapa, coordenador do grupo brasileiro que havia depositado uma patente no exterior, de uma técnica para inserção de genes em soja. “Os norte-americanos nos procuraram em 2007 e fizemos a parceria. Eles nos repassaram a sequencia genética codificadora do gene que inserimos no genoma de uma variedade de soja da Embrapa, a 10-16. E deu certo, já temos as sementes das plantas engenheiradas por nós produzindo a cianovirina”, diz Rech.

O ensaio viral para a confirmação da ação da cianovirina produzida pela Embrapa foi feito pelo professor Amilcar Tanuri, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e também no laboratório de O’Keefe, nos Estados Unidos. E o resultado foi positivo. O desafio atual é melhorar o processo de extração da proteína, purificando quantidades maiores da cianovirina das sementes de soja.

“Nossos resultados apontaram a presença de 10 gramas (g) da proteína por quilo de sementes frescas. Sabemos que não podemos tirar os 100% de fármaco do grão da leguminosa porque é normal que ocorram perdas no processo de purificação. Até agora já atingimos os 20%, ou 2 g, e nossa meta é atingir 50%”, diz Rech.

Primeiros testes devem ser feitos em macacas

De acordo com Elíbio Rech, a “intenção é produzir uma quantidade suficiente da proteína para testar o princípio ativo em macacas nos Estados Unidos, e posteriormente em seres humanos”.  A produção da cianovirina também está sendo testada em plantas de tabaco na Inglaterra, na Universidade de Londres, e nos Estados Unidos.

Entre as vantagens da geração de fármacos em plantas estão os custos mais baixos, com produção de larga escala e também com a segurança se comparada com células humanas, fungos, bactérias e animais. “A vantagem da soja ou de outro vegetal é que podemos colher e estocar”, conclui Rech.

16:15 · 28.01.2013 / atualizado às 19:33 · 28.01.2013 por
Enterobacter cloacae pode ser um dos maiores responsáveis pela retenção de gordura no intestino humano Imagem: Centers for Disease Control and Prevention

A quantidade de calorias consumida por uma pessoa ou a falta de atividade física podem não ser os únicos vilões do que a Organização Mundial da Saúde (OMS) chama de “epidemia global de obesidade”.

Ironicamente, a “epidemia” pode ter entre outros fatores um fator realmente patogênico. De acordo com um estudo chinês. A cepa bacteriana Enterobacter cloacae B 29 pode ser um dos maiores responsáveis pelo ganho constante de peso.

O trabalho dos pesquisadores chineses envolveu humanos e camundongos e um dos experimentos conseguiu levar um obeso de 26 anos a perder 51,4 kg em cerca de cinco meses. O voluntário nessa experiência tinha 1,72 m de altura e começou o tratamento com 174,8 kg.

Ele se alimentava quatro vezes ao dia, com uma média de 1.344 calorias diárias. Mas, além da restrição calórica, a alimentação foi planejada para cortar a multiplicação de bactérias Enterobacter em seu intestino. Exames mostraram que ela representava 35% das bactérias no intestino dele, antes do estudo.

Após nove semanas com o mingau especialmente preparado para o experimento, essa proporção caiu para 1,8%. Em 23 semanas, a bactéria passou a níveis indetectáveis. Até aí, no entanto, havia apenas uma correlação entre a “B29” e a perda de peso. Para tirar a prova, os cientistas usaram camundongos. Em alguns, eles introduziram a bactéria no paciente, em outros, não. Então, passaram a alimentar os animais com uma dieta de alta caloria. Os que tinham a bactéria logo desenvolveram obesidade e resistência à insulina. Os que estavam livres dela, não.

Outras bactérias intestinais também podem influir na obesidade

O resultado vem a corroborar estudos recentes, conduzidos inclusive no Brasil, que já indicavam que a composição da flora intestinal é determinante no desenvolvimento da obesidade. De acordo com o cientista Liping Zhao, da Universidade Jiao Tong de Xangai, um dos autores do estudo, “a B29 não é a única com esse efeito na obesidade. Nosso trabalho estabeleceu um protocolo para descobrir mais delas.”

Espera-se que o conhecimento das bactérias maléficas à digestão ajude a moldar as dietas. Além disso, o resultado pode explicar por que há pessoas que comem bastante mas engordam muito menos que outras. “A dieta é a ferramenta mais poderosa para moldar a saúde, parcialmente pela forma como muda a composição da microbiota intestinal”, destacou Zhao.

Curiosidades sobre a “Epidemia Global de Obesidade”

– O número de obesos no mundo mais que dobrou desde 1980.
– Em 2008, mais de 1,4 bilhões de adultos, acima de 20 anos de idade estavam acima do peso. Desse total, cerca de 200 milhões de homens e 300 milhões de mulheres sofriam de obesidade. 
– 65% da população mundial vive em países onde o excesso de peso mata mais que a desnutrição.
– Mais de 40 milhões de crianças com menos de cinco anos de idade estavam acima do peso, em 2010.