Diário Científico

Categoria: Oceanografia


12:09 · 29.07.2017 / atualizado às 12:10 · 29.07.2017 por
Imagem de satélite mostra a Nova Zelândia. País integraria, junto com a Nova Caledônia, cerca de 5% de um continente submerso, cujo nome remete à sua maior porção emersa Foto: National Geographic

Uma expedição científica zarpou na sexta-feira (28) da Austrália para explorar a Zelândia, uma gigantesca massa terrestre basicamente submersa e considerada por alguns especialistas como um novo continente.

Esta afirmação está longe de criar consenso, assim como o número de continentes existentes e o que os define. A Zelândia, que se desprendeu do supercontinente de Gondwana há 75 milhões de anos, tem uma superfície de 4,9 milhões de quilômetros quadrados, o equivalente à metade do Canadá. Quase 95% deste território está submerso, e suas duas terras principais em superfície são a Nova Zelândia e a Nova Caledônia. Pesquisadores australianos, neocaledônios e neozelandeses publicaram em fevereiro no GSA Today, o periódico da Sociedade Geológica dos Estados Unidos, um artigo que detalha as razões pelas quais a Zelândia, cuja existência é debatida ao menos desde 1995, deveria ser considerada um continente.

Para eles, a Zelândia preenche os quatro critérios fundamentais da definição de continente. No artigo, citam a elevação desta massa em comparação com os arredores, explicando que seus limites são o ponto onde as planícies profundas se encontram com o talude continental, a entre 2.500 e 4.000 metros de profundidade. O ponto mais alto do continente seria o monte Cook, na Nova Zelândia (3.754 m). Também falam da sua geologia, da sua forma bem delimitada e da estrutura e espessura da sua crosta.

‘Esvaziando os oceanos’

Só 25 km separam esta massa do continente australiano na parte mais estreita, mas, segundo os cientistas, a fossa oceânica se submerge a 3.600 metros de profundidade.

O Joides Resolution, um barco científico utilizado para perfurações no mar, zarpou na sexta-feira do porto australiano de Townsville, no Estado de Queensland (nordeste), para extrair amostras com o objetivo de compreender melhor a evolução geológica da zona.

As rochas e sedimentos extraídos serão estudados a bordo. Estas amostras irão supor um avanço no conhecimento da história oceanográfica da zona, ou inclusive dos seus fenômenos climáticos e tectônicos. Jerry Dickens, um dos responsáveis científicos da expedição, ressaltou especialmente a importância do lugar para os estudos climáticos. “À medida que a Austrália se desviou para o norte e que o mar de Tasman se estendeu, os esquemas de circulação variaram, assim como as profundidades da água ao redor da Nova Zelândia”, explicou este especialista da Universidade do Texas. “Esta zona teve uma grande influência nas mudanças globais”, acrescentou Dickens.

Neville Exon, da Universidade Nacional da Austrália, destaca que a expedição de dois meses esclarecerá também as mudanças tectônicas em ação desde a formação do Círculo de Fogo do Pacífico, uma zona de intensa atividade sísmica e vulcânica, há 53 milhões de anos. Um dos principais colaboradores do estudo, Nick Mortimer, explicou que os pesquisadores reúnem há 20 anos elementos que defendem a existência de um continente.

Seus esforços, no entanto, foram dificultados pelo fato de que a Zelândia se encontra submersa. “Se pudéssemos esvaziar os oceanos, as cadeias montanhosas e esta enorme massa continental saltariam aos olhos de todos”, disse Mortimer. “O interesse científico de classificar a Zelândia como um continente vai além do fato de acrescentar um nome à lista”, escreveram.

“Que um continente possa estar tão submerso mas sem se fragmentar é útil para compreender a coesão e a destruição da crosta continental”, concluem os especialistas.

Com informações: AFP

19:21 · 13.02.2017 / atualizado às 19:27 · 13.02.2017 por
Crustáceos capturados nas Kermadec e nas Marianas, em profundezas de entre 7.227 e 10.250 metros tinham níveis de poluição similares ou superiores aos presentes em uma das zonas mais castigadas pela poluição industrial Foto: Newcastle University

Cientistas no Reino Unido detectaram “níveis extraordinários” de poluição provocados pela atividade humana em duas das fossas oceânicas mais profundas do planeta, de acordo com um estudo publicado nesta segunda-feira (13) pela revista “Nature”.

A pesquisa, desenvolvida pela Universidade de Aberdeen, na Escócia, sugere que os altíssimos registros de poluição encontrados em duas depressões marinhas, que estão localizadas a mais de 10 mil metros de profundidade e afastadas de áreas industriais, demonstram que a poluição antropogênica na superfície pode chegar até os cantos mais remotos do mundo.

“Os níveis de poluição eram consideravelmente mais altos que os medidos em regiões próximas a zonas fortemente industrializadas, o que coloca a existência de uma bioacumulação de poluição antropogênica e aponta que estes poluentes são onipresentes nos oceanos do mundo e em suas profundezas”, explica a equipe de pesquisa, liderado pelo especialista Alan Jamieson.

Para seu estudo, foram analisadas amostras de crustáceos recolhidas pelo submarino “Deep-sea Landers” na fossa das Marianas e das Kermadec, situadas no oceano Pacífico norte e sul, respectivamente, e separadas entre elas por cerca de 7 mil quilômetros de distância.

Os crustáceos capturados nas Kermadec e nas Marianas, em profundezas de entre 7.227 e 10 mil metros e 7.841 e 10.250 metros, respectivamente, tinham níveis de poluição similares ou superiores aos presentes na baía de Suruga, uma das zonas do noroeste do Pacífico mais castigadas por a poluição industrial.

Os pesquisadores encontraram “níveis extremamente altos” de poluentes orgânicos persistentes (POPs, pela sigla em inglês) nos tecidos gordurosos dos anfípodas. Entre os POPs figuram as bifenilas policloradas (PCBs) e difenil éteres prolibromados (PBDEs), utilizados habitualmente em fluidos dielétricos e em retardadores de chama, respectivamente.

Estas substâncias poluentes são altamente tóxicas e podem permanecem no meio ambiente durante longo tempo sem se descompor e ser levado a grandes distâncias através de água e do ar. Os autores deste estudo opinam que, provavelmente, os POPs chegaram até as fossas marinhas através de resíduos plásticos e da carniça que é depositada em suas profundezas, onde se transformam em alimento dos crustáceos anfípodas. Em artigo adjunto ao estudo da Universidade de Aberdeen, a especialista Katherine Dafforn aborda o impacto do ser humano sobre zonas do planeta distantes que, no entanto, não escapam da poluição.

“Jamieson e seus colegas apresentaram provas claras de que o oceano profundo, ao invés de ser remoto, está altamente conectado com a superfície marinha e está exposto a concentrações significativas de poluentes fabricados pelo homem”, destaca Dafforn, da Escola de Ciências Biológicas, Terrestres e Ambientais da Universidade de Nova Gales do Sul, em Sydney (Austrália).

Com informações: G1

07:47 · 27.04.2016 / atualizado às 22:50 · 26.04.2016 por
Foto: Patricia Yager
Pesquisadores fizeram três expedições nos últimos seis anos e agora, pretendem estudar a composição dos organismos ainda não catalogados, como o da imagem acima
Foto: Patricia Yager

Pesquisadores brasileiros descobriram um imenso sistema de recifes na faixa do Oceano Atlântico que fica em frente à foz do rio Amazonas, da Guiana Francesa ao litoral do Maranhão. A área desse ecossistema foi calculada em 9.300 km², maior que a Região Metropolitana de Fortaleza (RMF).

A descoberta é inédita e contradiz o entendimento corrente de que não seria possível haver recifes em águas tão turvas e sedimentadas. Recifes são geralmente encontrados em águas cristalinas, com muita iluminação e baixa concentração de nutrientes, como aquelas do Caribe e de Abrolhos.

As águas do Amazonas são o oposto disso: escuras e ricas em matéria orgânica coletada ao longo do rio (esse é o segundo rio mais extenso do mundo e deságua 209 mil metros cúbicos por segundo no oceano). A pesquisa, fruto de uma parceria entre cientistas de onze universidades brasileiras e uma americana, foi publicada neste mês na revista “Science Advances”, com coordenação dos professores Carlos Rezende, da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), e Fabiano Thompson, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

“Enquanto um recife comum é repleto de peixes e algas, o que encontramos aqui são algas calcárias, esponjas e bactérias quimiossintetizantes, que se alimentam de minerais”, diz Thompson.

Busca antiga

Cientistas desconfiavam da presença de recifes na região desde a década de 1970, mas não puderam rastrear o local, que fica a até 100 metros de profundidade.

A equipe chefiada por Thompson e Rezende fez três expedições nos últimos seis anos usando uma espécie de sonar para fazer o mapeamento. Agora, pretendem estudar a composição dos organismos e descrever espécies de esponjas ainda não catalogadas.

“Precisamos avaliar as ameaças a esse ecossistema. Atualmente, temos empresas americanas e europeias explorando a área para produção de petróleo, o que é um risco enorme para os recifes e para a biodiversidade da região”, diz Thompson.

Com informações: Juliana Cunha/Folhapress

23:29 · 12.02.2015 / atualizado às 23:34 · 12.02.2015 por
Foto: Blog Mar Sem Fim
Relatório indica que as expansões portuárias no interior das águas da barreira, que poderiam fazer escavar 51 milhões de m³ do fundo marinho, teriam “impactos devastadores” sobre esta maravilha natural Foto: Blog Mar Sem Fim

A Grande Barreira de Corais corre o risco de se tornar um lixão, se o governo australiano não proibir completamente o lançamento de resíduos de dragagem nas águas do parque marinho, inscrito no patrimônio da Humanidade, alertou o Fundo Mundial para a Natureza (WWF), em um relatório.

“Se nada for feito, a Grande Barreira de Corais, um dos habitats marinhos mais preciosos do planeta, pode se tornar um lixão e uma auto-estrada marítima”, advertiu a ONG ambientalista. Com o objetivo de evitar que se ponha este patrimônio em perigo, a Austrália determinou a interdição de lançamento de rejeitos de dragagem no local em janeiro.

Segundo os ecologistas, esta prática prejudica o local, pois asfixia os corais e as algas que integram o maior organismo vivo do mundo, expondo-os aos peixes. O relatório indica que as expansões portuárias no interior das águas da barreira de corais, que poderiam fazer escavar 51 milhões de metros cúbicos do fundo marinho, teriam “impactos devastadores” sobre esta maravilha natural.

Estas expansões poderiam aumentar a capacidade carbonífera dos portos da região, de 267 milhões de toneladas para 637 milhões de toneladas ao ano, e permitiriam ao complexo portuário se aproximar da capacidade total de Xangai, o maior porto do mundo, segundo o WWF.

Segundo os autores do informe, o projeto não é necessário, pois a capacidade portuária existente fica fora de uso a maior parte do tempo.

Lista de locais em perigo

Ameaçando inscrever a Grande Barreira na lista dos locais em perigo, a Unesco deu às autoridades australianas o prazo até 1º de fevereiro para preparar um relatório sobre os meios de protegê-lo.

A Austrália diz, por sua vez, já ter dado garantias à Unesco, ao banir particularmente a dragagem de novas áreas nos arredores dos portos, prioritárias durante 10 anos.   “Nós sabemos que a barreira de corais está confrontada com estes desafios, mas nós fazemos avanços significativos”, declarou o ministro australiano do Meio Ambiente, Greg Hunt.

Com informações: AFP

23:52 · 02.07.2014 / atualizado às 22:20 · 02.07.2014 por
Foto: Kip Evans
Fabien Cousteau e seu grupo de cientistas, engenheiros e cinegrafistas, fizeram saídas diárias para mergulhar, documentar a vida submarina e fazer experiências. Além dos experimentos, eles conseguiram documentar seu próprio comportamento vivendo debaixo d’água Foto: Kip Evans

O oceanógrafo francês Fabien Cousteau voltou nesta quarta-feira (2) à superfície depois de ter passado 31 dias em um laboratório submarino na Flórida fazendo experiências científicas e com o objetivo de dar vida nova ao legado do avô, o lendário explorador Jacques-Yves Cousteau.

Fabien Cousteau, de 46 anos, e sua equipe retornaram em um bote à costa de Islamorada, cidadezinha nos ‘keys’ do extremo-sul da Flórida (sudeste dos EUA) por volta das 10h00 locais (11h00 de Brasília). “Eu me sinto bem. Um pouco cansado. Senti falta dos amigos e da família”, disse Cousteau, que ainda vestia a parte de cima de sua roupa de mergulho.

Membros da “Missão 31” de Cousteau o aplaudiram em sua chegada e o receberam com abraços, em um centro da Universidade Internacional da Flórida, à qual pertence o laboratório submarino Aquarius, que tem o tamanho de um ônibus (20 metros).

Os “aquanautas” ficaram 31 dias no Aquarius, a 20 metros de profundidade, na costa de Key Long, batendo o recorde de 30 dias, pertencente a Jacques Cousteau, em um ambiente muito úmido, mas com tecnologia que incluía até os capacetes usados pela Nasa.

Cousteau e seu grupo de cientistas, engenheiros e cinegrafistas, fizeram saídas diárias para mergulhar, documentar a vida submarina e fazer experiências, concentrados sobretudo nas mudanças climáticas e na acidificação dos oceanos.

Além dos experimentos, eles conseguiram documentar seu próprio comportamento vivendo debaixo d’água por mais de um mês.

Com informações: AFP

12:36 · 06.09.2013 / atualizado às 12:58 · 06.09.2013 por
Repesentação grafica do vulcão Tamu Massif, com área duas vezes maior que a do Ceará Foto: Texas A&M University / Divulgação
Repesentação grafica do vulcão Tamu Massif, com área duas vezes maior que a do Ceará Foto: Texas A&M University

Já imaginou um vulcão que tivesse uma área maior que a do Rio Grande do Sul e fosse quase do tamanho do Maranhão? Pois essa gigantesca estrutura passou milênios escondida de olhos humanos.

O colossal vulcão submarino, batizado de Tamu Massif por uma equipe da Texas A&M University (EUA), mede impressionantes 308 mil km², mais que o dobro do tamanho do Ceará. Localizado a cerca de 1600 km do litoral do Japão, no Oceano Pacífico, e submerso a aproximadamente 1980 metros de profundidade, o pico do vulcão tem cerca de 4400 metros de altura, não sendo o mais alto, mas o mais extenso da Terra e o segundo em área no Sistema Solar.

O “monstro geológico” tem 75% do volume do líder nesse ranking, o vulcão marciano Olympus Mons, que no entanto é muito mais alto e mede 19,3 km de altura. No entanto, ambos estão extintos. Estima-se que o Tamu (sigla da universidade que o descobriu) Massif não entra em erupção há 114 milhões de anos (período Cretáceo). Ou seja, os dinossauros podem ter visto (e sofrido) a fúria do gigante, que teria se formado há 145 milhões de anos, quase na mesma época do surgimento das aves.

A equipe estadunidense envolvida na descoberta já suspeitava da presença de uma sistema  de vulcões naquela região, mas com as medições descobriu se tratar de um só.

15:24 · 25.06.2012 / atualizado às 20:44 · 04.07.2012 por
George era o último representante da subespécie Chelonoidis nigra abingdoni Imagem: BBC

Seria irônico se não fosse trágico. Apenas dois dias após o encerramento da Rio+20, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a biodiversidade do planeta sofreu um duro golpe.

Veja cobertura completa da Rio+20 no blog Gestão Ambiental 

A subespécie  de tartaruga-gigante, Chelonoidis nigra abingdoni, foi extinta, no arquipélago de Galápagos, no Equador. O último exemplar do quelônio que vivia na ilha de Pinta, apelidado de George, o Solitário, foi encontrado morto no último domingo (24) no Parque Nacional de Galápagos, pelo seu tratador Fausto Llerena,  que cuidava dele há 40 anos.

George tinha aproximadamente cem anos, mas sua subespécie podia chegar até os 200 anos. A causa da morte ainda não foi identificada, mas o corpo do animal passará por uma necrópsia e depois deve ser embalsamado para lembrar a humanidade de seu crime contra a natureza. Desde 1972, ambientalistas (a parcela de nossa espécie que não compactuou com a extinção) buscavam salvar a subespécie tentando cruzar o último macho com fêmeas de outras subespécies.

Na teoria, o plano era viável, já que subespécies são capazes de gerar descendentes férteis, mas todas as tentativas com George falharam. Aliás, foi exatamente a observação dessas e de outras subespécies das ilhas Galápagos que ajudou o naturalista britânico Charles Darwin a descobrir os princípios da Evolução, em meados do século XIX. O arquipélago símbolo dessa nova era científica atrai 180 mil turistas por ano, interessados justamente em conhecer a rica biodiversidade local. Os números anuais do turismo são quase dez vezes maiores que os de sua população humana nativa .

Outro dado curioso é que também há mais tartarugas gigantes, cerca de 20 mil, que pessoas no arquipélago. A maioria dos quelônios de Galápagos é da mesma espécie de George, embora todas sejam de subespécies diferentes. O grupo animal era ainda mais numeroso até o início do século XIX, mas a caça, intensificada a partir de 1832 (quando o território foi anexado pelos equatorianos), levou à redução das populações de tartaruga e contribuiu com a extinção da subespécie Chelonoidis nigra abingdoni.

23:24 · 11.04.2012 / atualizado às 02:26 · 12.04.2012 por
Geleira Larsen B, da Península Antártica em imagem de satélite feita no mês passado pela Agência Espacial Europeia Imagem: ESA/Divulgação

A Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla inglesa) anunciou na semana passada um dado impressionante sobre o processo de derretimento do gelo polar. A geleira batizada como Larsen B( localizada no litoral da Península Antártica no Mar de Weddell) perdeu nada menos que 85% de sua calota em apenas 17 anos.

A geleira, que tinha 11.512 km² (cerca de duas vezes a área da Região Metropolitana de Fortaleza), em 1995, mede agora 1.670 km² (pouco maior que a área de Caucaia e Fortaleza somadas). Mas isso é apenas um dos aspectos dos efeitos do aquecimento global sobre essa região do continente gelado. Larsen B faz parte de uma geleira maior que se dividiu em duas exatamente há dezessete anos e que está novamente se dividindo, formando a Larsen C.

Contudo, o momento mais drástico na evolução do degelo de Larsen foi em 2002, quando metade da superfície de Larsen B derreteu. “Larsen C (o terceiro segmento) por ora segue presa (à Península), mas as observações do satélite mostram uma redução de sua espessura e um aumento da duração das fontes de água no verão”, informou a ESA. O norte da Península Antártica  foi uma das regiões do mundo onde o aumento da temperatura foi maior, nos últimos 50 anos: nada menos que 2,5° Celsius.

Contudo, apesar da preocupação com as geleiras do litoral antártico, os cientistas da ESA avaliam que ainda é cedo para se preocupar com a calota continental da Antártida, pois a cobertura de gelo no interior do continente branco vem se mantendo constante. O derretimento de parte desse bloco glacial continental colocaria em sério risco os países-ilha e as cidades e regiões litorâneas de todo o planeta, incluindo o litoral cearense.

03:56 · 28.03.2012 / atualizado às 05:19 · 28.03.2012 por
James Cameron logo após a chegada à superfície do Oceano Pacífico, por volta das 23h (no horário cearense) do domingo (25) Imagem: Associated Press

O termo ficção científica é usado comumente para designar a união entre ciência e arte, mas neste domingo (25) um dos mestres desse  gênero conseguiu trazer para a realidade um feito inédito no  campo da exploração científica.

O cineasta canadense James Cameron, que dirigiu  campeões de bilheteria como “Titanic” e “Avatar” foi o primeiro homem a atingir sozinho o ponto mais profundo da Terra, a Fossa das Marianas, 10898 metros abaixo da superfície do Pacífico e 500 quilômetros a sudoeste do território norte-americano de Guam. Ele atingiu o fundo por volta de 7h52 da manhã no horário local (18h52 no horário cearense)

Antes dele, a única visita humana a essa região foi realizada pela dupla de exploradores Don Walsh, dos Estados Unidos, e Jacques Piccard, da Suíça, em 1960, no veículo batizado de Trieste. Na época, eles passaram apenas 20 minutos àquela profundidade. Cameron passou três horas, mas teve um retorno à superfície considerado rápido de 1h10min.

A descida do cineasta aventureiro, de 57 anos, durou 2h36min. “Chegar ao fundo nunca foi tão bom. Não vejo a hora de compartilhar o que estou vendo com vocês”, disse em mensagem enviada ao Twitter, assim que chegou ao fundo. Ele fotografou, filmou e coletou amostras da biologia marinha, além de minerais para ajudar nas pesquisas da geologia e geofísica da região.

Projeto levou sete anos para ser realizado

James Cameron desenvolveu em segredo (por sete anos) o supersubmarino Deepsea Challenger que tem 7 metros de altura e 8 metros de comprimento e pode descer na vertical  com velocidade de até 150 metros por minuto. O aparelho ainda é dotado de uma câmera estereoscópica feita para suportar as altíssimas pressões registradas naquela profundidade.

O cineasta, que se destacou também ao dirigir filmes como “O Segredo do Abismo”, “Alien 2” e “O Exterminador do Futuro 2”, é bacharel em física e já realizou outros 72 mergulhos submarinos, 12 dos quais durante a produção do clássico “Titanic” aos destroços do referido navio afundado exatamente há 100 anos.

A expedição atual foi registrada em 3D e vai ser lançado nos cinemas e no canal fechado National Geographic. “É muito lunar, muito desolado, muito isolado”, afirmou Cameron já na segunda-feira, durante entrevista coletiva por telefone. “Senti como se, no espaço de um dia, tivesse ido a outro planeta e voltado”, afirmou, ressaltando ainda que a expedição foi “a realização de um sonho de toda a vida”.

Confira vídeo dublado pela BBC Brasil com entrevista de James Cameron

 

O lugar mais inóspito da Terra dá esperança de vida fora dela

A Fossa das Marianas é considerado o lugar mais extremo do planeta. A pressão da água no ponto mais profundo chega a oito toneladas por polegada quadrada. O local é também muito frio, com água pouco acima de 0ºC, e não recebe a luz solar. Ainda assim, há criaturas (principalmente seres unicelulares gigantes conhecidos como xenofióforos) habitando a região, o que estimula a crença em existência de vida em regiões extremas fora da Terra.

15:38 · 21.03.2012 / atualizado às 18:50 · 21.03.2012 por
Área onde vai ser construído o Acquário é contestada por parte da comunidade científica e movimento ambientalista, mas acordo com Labomar pode minimizar polêmica Foto: Thiago Gaspar

Em meio à polêmica sobre a construção do Acquário, o governo Cid Gomes, através da Secretaria do Turismo (Setur) vai assinar nesta quinta-feira (22), às 10h, no Centro de Estudos da Aquicultura Costeira, no Eusébio, um acordo de cooperação técnica com o Instituto de Ciências do Mar (Labomar) da Universidade Federal do Ceará (UFC).

De acordo com nota oficial da Setur, o Labomar ” vai ser responsável pelo apoio ao Estado na parte científica, manutenção, tratamento dos animais e definição de espécies a serem expostas e estudadas no Acquário Ceará”. Ainda de acordo com a secretaria, a parceria “vai tornar o Estado um dos principais centros de estudos da biologia marinha, através do crescimento das atividades do Labomar”.

Na solenidade, além da presença do secretário do Turismo, Bismarck Maia, e do reitor da UFC, Jesualdo Farias, estarão presentes representantes do Ministério da Pesca e da Aquicultura (que recentemente foi assumido por Marcelo Crivella), da Rede de Aquicultura das Américas (ligada a FAO/ONU) e da comunidade científica cearense

A solenidade vai ocorrer às 10 horas, no Centro de Estudos da Aquicultura Costeira (Ceac), com a presença do secretário do Turismo, Bismarck Maia; do reitor da UFC, Jesualdo Farias; representantes do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) e da Rede de Aquicultura das Américas (FAO/ONU), além de outros representantes da comunidade acadêmica.

Os números do Acquário

-Orçado em US$ 150 milhões, com financiamento do Ex Im Bank

– Meta de dobrar o fluxo turístico do Ceará e inseri-lo tanto no circuito mundial de grande ícones arquitetônicos, quanto no de turismo científico.

– Obras de fundação começaram em meados de março

– 21,5 mil metros quadrados de área construída

– 38 tanques-recinto de exibição com capacidade para 15 milhões de litros

– Quatro pavimentos com áreas de lazer, dois cinemas 4D, simuladores de submarino, equipamentos que proporcionam interação e túneis submersos levando ao interior do tanque de animais marinhos.

– Previsão de receber, anualmente, 1,2 milhão de visitantes , gerando receita direta de R$ 22 milhões.

–  150 empregos diretos, 1,6 mil indiretos e 18 mil na cadeia produtiva

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