Diário Científico

Categoria: Paleoclimatologia


22:18 · 11.01.2017 / atualizado às 22:18 · 11.01.2017 por
Foto: WWF
Estudo indica que a Bacia Amazônica nunca foi seca o suficiente em nenhum momento nos últimos 45 mil anos a floresta se transformou em uma savana Foto: WWF

Uma investigação científica sobre a quantidade de chuva que caiu na Amazônia nos últimos 45 mil anos mostra que mesmo a porção que se acredita ser a mais propensa à savanização – o leste da região – nunca chegou realmente a secar nem durante o período mais seco da última era do gelo, entre 24 mil e 18 mil anos atrás.

A pesquisa, destacada na capa da revista Nature desta semana, sugere que a floresta pode igualmente ser resiliente a um futuro de aquecimento global. Mas isso só será possível se outras interferências humanas ao microclima, como desmatamento, queimadas e expansão da agricultura, sejam contidas, uma vez que elas têm o poder de reduzir a umidade do ar.

O estudo feito por pesquisadores de Cingapura, Brasil, China e Estados Unidos analisou dados geoquímicos de oxigênio na caverna Paraíso, no Pará, uma das poucas da região que tem estruturas como estalactites e estalagmites (formações que descem a partir do teto ou sobem a partir do chão), de onde é possível retirar amostras para análise.

Comparações

Os pesquisadores, liderados por Xianfeng Wang, do Observatório da Terra de Cingapura, trabalharam com isótopos de oxigênio (variantes do elemento químico com diferentes massas), que são sensíveis à variação climática, e compararam com dados do oeste da Amazônia, de clima mais estável.

Assim, foi possível fazer uma viagem no tempo e mapear quanto choveu em diferentes períodos. Já havia uma suspeita de que a última era do gelo poderia ter sido seca, mas a dúvida era quanto e se havia sido o suficiente para promover uma savanização da floresta – um dos temores que existe em relação ao aquecimento global.

Há cerca de 21 mil anos, com a temperatura 5°C inferior, a precipitação era de 58% dos níveis atuais e no período de aquecimento que se seguiu, no meio do Holoceno (há 6 mil anos), foi para 142% sobre hoje.

O trabalho indica “que a Bacia Amazônica nunca foi seca o suficiente na era do gelo nem em qualquer outro momento nos últimos 45 mil anos a floresta se transformou em uma savana”.

Segundo os autores, a floresta persistiu mesmo quando a quantidade de chuva era de apenas cerca de 60% da atual.

Com informações: Estadão Conteúdo

23:08 · 23.03.2015 / atualizado às 23:15 · 23.03.2015 por
Foto: Blog Vermelho
Cada um dos dois asteroides deve ter diâmetro de mais de 10 km e seus impactos devem ter causado a extinção de muitas espécies do planeta”, disse o principal autor do estudo, Andrew Glikson, do departamento de Arqueologia e Antropologia da Australian National University Foto: Portal Vermelho

Cientistas acreditam ter descoberto no centro da Austrália os rastros de crateras que juntas somam 400 km de diâmetro, as maiores já registradas, abandonados pelo impacto de um asteroide enorme centenas de milhões de anos atrás.

Segundo os pesquisadores, a descoberta de um antigo impacto tão violento pode levar a novas teorias sobre a história da Terra. Estas crateras foram apagadas da face do planeta há muito tempo. Elas estão nas profundezas da crosta terrestre, e que deixou duas “cicatrizes”, descobertos por estes geofísicos australianos, cujo trabalho foi publicado nesta segunda-feira (23) no jornal científico europeu Tectonophysics.

Eles explicam que o asteroide quebrou em duas partes pouco antes de cair no chão. Cada um dos dois asteroides deve ter diâmetro de mais de 10 km e seus impactos devem ter causado a extinção de muitas espécies do planeta”, disse o principal autor do estudo, Andrew Glikson, do departamento de Arqueologia e Antropologia da Australian National University (ANU).

Mistério

A zona do impacto foi encontrada quando os cientistas realizavam a perfuração de mais de dois quilômetros de profundidade para a pesquisa geotérmica em uma região de fronteira entre o sul da Austrália, Queensland e os territórios do norte.

“Grandes áreas de impacto como esta podem ter tido um papel muito mais importante na evolução da Terra do que pensávamos”, disse Andrew Glikson. A data exata do evento é incerta, segundo os cientistas, que explicaram que as rochas ao redor das crateras datam de 300 a 600 milhões de anos.

No entanto, não há nenhuma indicação do impacto geológico, ao contrário do que foi observado, por exemplo, para o asteroide que atingiu o Golfo do México há 66 milhões de anos. Este último impacto parece ter causado a extinção dos dinossauros e muitas outras espécies animais. Ao bater no chão, este asteroide de mais de 10km de diâmetro enviou uma enorme nuvem de cinzas e poeira na atmosfera.

No entanto, nada disso foi encontrado nos sedimentos que datam de 300 milhões de anos, o que corresponderia ao duplo impacto de asteroides gigantes na Austrália, ressalta Andrew Glikson.

“É um mistério, porque não podemos encontrar uma extinção de animais correspondente a esta dupla colisão. Isto sugere que o impacto pode ser mais antigo”, conclui.

Com informações: AFP

15:05 · 19.09.2013 / atualizado às 15:44 · 19.09.2013 por
Mares começarão a evaporar quando o Sol começar sua fase expansiva, causando colapso da vida na Terra entre 1,75 e 3,25 bilhões de anos no futuro Foto: Arquivo
Mares começarão a evaporar quando o Sol começar sua fase expansiva, causando colapso da vida na Terra entre 1,75 e 3,25 bilhões de anos no futuro Foto: Arquivo

O fim do mundo não está próximo! Pelo menos no que depender dos novos cálculos feitos pela universidade de East Anglia, no Reino Unido. Eles levaram em conta o ciclo do Sol e o histórico de estrelas similares, bem como das condições do próprio planeta Terra e a capacidade evolutiva dos seres vivos.

De acordo com o estudo, as condições que fazem com que o planeta Terra seja habitável durarão, pelo menos, outro 1,75 bilhão de anos, podendo se estender até 3,25 bilhões de anos. A pesquisa foi divulgada nesta quinta-feira (19). O responsável pelo estudo, Andrew Rushby, explicou que foi utilizado “o conceito de zona habitável para fazer estimativas”, ou seja, “a distância de um planeta em relação a sua estrela que faz com que as temperaturas sejam propícias para ter água líquida na superfície”.

“Usamos os modelos de evolução estelar para calcular o final da vida habitável de um planeta, determinando quando deixará de estar na zona habitável. Passado este ponto, a Terra estará na zona quente do sol, com temperaturas tão altas que os mares se evaporarão. Acontece um evento de extinção catastrófica e terminal para toda a vida”, disse Rushby. O responsável pela pesquisa acrescentou que “certamente, as condições dos seres humanos e de outras formas de vida complexas se tornarão impossíveis muito antes”.

Ainda segundo o pesquisador, “os humanos teriam dificuldades inclusive com um pequeno aumento na temperatura e, perto do final, somente os micróbios em alguns nichos ambientais seriam capazes de suportar o calor”, explicou.

Vida inteligente leva muito tempo para se desenvolver

A quantidade de tempo habitável de um planeta é relevante pois revela dados sobre a possibilidade de evolução da vida complexa, “que é a que provavelmente mais requeira de um período de condições de habitabilidade. A medição de habitabilidade é útil porque nos permite investigar a possibilidade de que outros planetas abriguem vida e para entender que a etapa da vida pode estar em outro lugar da galáxia”, segundo explicou Rushby.

Os astrônomos identificaram quase mil planetas fora do sistema solar, alguns dos quais foram analisados por estes especialistas, que estudaram a natureza evolutiva da habitabilidade planetária sobre o tempo astronômico e geológico.   “Comparamos a Terra com oito planetas que estão atualmente em sua fase habitável, incluindo Marte. Descobrimos que os planetas que orbitam estrelas de massa menor tendem a ter zonas de vida mais habitáveis”, acrescentou.

Rushby disse que ao olhar para o passado se pode constatar que em 4,5 bilhões de anos de existência da Terra só  “tivemos insetos há 400 milhões de anos, dinossauros há 300 milhões e plantas com flor há 130 milhões de anos. Anatomicamente, os seres humanos só existiram durante os últimos 200 mil anos, por isso que se vê que é preciso muitíssimo tempo para que se desenvolva a vida inteligente”, disse.

13:47 · 10.09.2013 / atualizado às 14:05 · 10.09.2013 por
Ilustração mostra cenário que pode ter sido avistado pelo chamado Povo de Clovis, nos Estados Unidos, quando do (s) choque (s) de asteroide (s) contra a Terra, há 12.900 anos Imagem: Florida Frontier
Ilustração mostra cenário que pode ter sido avistado pelo chamado Povo de Clovis, nos Estados Unidos, quando do (s) choque (s) de asteroide (s) contra a Terra, há 12.900 anos Imagem: Florida Frontier

Mudanças climáticas e catástrofes naturais foram responsáveis por muitas das extinções em massa e transformações na história da evolução da vida na Terra. Mas o que poucos sabem é que eventos extremos como esses podem ter influenciado etapas do desenvolvimento da nossa espécie e até das primeiras civilizações.

Um dos momentos em que uma grande tragédia planetária pode ter mudado os rumos da humanidade aconteceu há cerca de 12.900 anos atrás. A novidade é que o chamado período Dryas recente, quando a temperatura global baixou muito rapidamente e provocou a extinção de grandes mamíferos, como mastodontes, camelos americanos, preguiças gigantes e tigres dentes-de-sabre, pode ter começado com o impacto de um asteroide no Canadá, mais precisamente na região de Quebec.

Os novos dados a favor dessa hipótese foram coletados pela equipe do pesquisador Mukul Sharma, do Dartmouth College (EUA). As alterações no clima do planeta podem ter forçado a humanidade, especialmente os povos que habitavam o Oriente Médio (cultura natufiana), a desenvolver a agricultura, já que o resfriamento do planeta afetou o desenvolvimento de algumas variedades vegetais, mas pode ter favorecido a cultura de cereais.

Sharma analisou gotículas de rochas, conhecidas como esférulas, encontradas em camadas depositadas naquele período na Pensilvânia e em Nova Jersey, nos Estados Unidos, e concluiu que elas são idênticas ao tipo de rocha encontrado em Quebec, no Canadá, o que sugere um impacto grande o suficiente para derreter o mineral e lançá-lo a milhares de quilômetros de distância.

O choque com o corpo celeste teria derretido, além de rocha, uma gigantesca camada de gelo e o afluxo repentino de água gelada no Atlântico Norte interrompeu as correntes oceânicas vindas dos trópicos e derrubou a temperatura global.

Frio matou grandes animais e “Povo de Clovis”

Estima-se que na Groenlândia houve queda de até 15ºC e, na Inglaterra, de até 5ºC, em pouco mais de dez anos e o clima manteve-se frio por quase 1400 anos.

“O interessante no nosso trabalho é que nós temos pela primeira vez uma evidência clara de uma região que sofreu um impacto que deve ter causado o Dryas recente , apesar de ainda não ter encontrado sua cratera. Contudo, as pessoas têm escrito sobre muitos impactos em diferentes partes do mundo, com base na presença de esférulas, e múltiplos impactos simultâneos podem ter trazido as grandes mudanças ambientais daquele período “, disse Sharma.

Além do impacto sobre os povos que viviam na África, Ásia e Europa, o Dryas recente também afetou alguns dos primeiros colonizadores das Américas, causando provavelmente o colapso do chamado Povo de Clovis, que viveu nos Estados Unidos e que teve de abandonar seus hábitos de caçar grandes animais para coletar raízes, frutos e caçar pequenos animais em um curto período de tempo.

11:59 · 04.09.2013 / atualizado às 12:39 · 03.09.2013 por
O Lipaugus vociferans, conhecido popularmente como cricrió, é um exemplo de ave que existe nas duas grandes florestas brasileiras Foto: Tomaz Melo / Universidade Federal do Acre
O Pipra rubrocapilla, conhecido popularmente como cabeça-encarnada, é um exemplo de ave que existe nas duas grandes florestas brasileiras Foto: Tomaz Melo / Universidade Federal do Acre

A análise do parentesco entre dezenas de espécies de aves da Mata Atlântica e da Floresta Amazônica levou o biólogo Henrique Batalha Filho a identificar dois períodos do passado distante em que esses dois ecossistemas, hoje separados por distâncias de até 1.500 quilômetros, estiveram conectados. O encontro remoto já tinha sido revelado por estudos anteriores com plantas e com mamíferos. Mas, até agora, não se sabia quando nem em quais trechos as florestas estiveram em contato.

Essas informações começaram a se tornar mais claras a partir de estudos que o biólogo desenvolveu com pássaros suboscíneos, cujos representantes mais ilustres são o bem-te-vi e o joão-de-barro. Batalha não trabalhou com essas duas espécies, mas com aves do mesmo grupo, como o tapaculo-pintado (Psilorhamphus guttatus), que vive na Mata Atlântica, o corneteiro-da-mata (Liosceles thoracicus), da Amazônia, e o cricrió (Lipaugus vociferans), encontrado nas duas florestas.

O mais antigo desses momentos aconteceu no Mioceno, há cerca de 23 milhões de anos, quando a placa tectônica do Pacífico chocou-se com a Sul- Americana e fez surgir a cordilheira dos Andes. As montanhas que se ergueram e formaram um paredão isolando a Amazônia do Pacífico também originaram canais elevados onde cresciam savanas inundadas, que podem ter atuado como pontes entre o sudoeste da Amazônia e o sudeste da Mata Atlântica, o que permitiu a circulação das aves.

As testemunhas dessa conexão mais antiga são o tapaculo-pintado, comum nos bambuzais da Mata Atlântica, e o corneteiro-da-mata, encontrado nas matas de várzea da Amazônia. Batalha explica que a existência de espécies muito aparentadas exclusivas de cada um dos biomas é evidência de uma conexão mais antiga, depois da qual houve tempo suficiente para que as aves se diferenciassem. Um exemplo ainda mais eloquente dessa divergência são os gêneros irmãos Mackenziaena e Frederickena. A existência de gêneros exclusivos de cada uma das florestas indica que, quando a rota sul se desfez, aves com um ancestral em comum permaneceram isoladas e acumularam diferenças o bastante para merecerem essa distinção taxonômica.

A segunda ligação deu-se mais recentemente, no Plioceno e no Pleistoceno, entre 5 milhões e 2 milhões de anos atrás, unindo a Mata Atlântica do litoral do Nordeste com a vegetação amazônica das Guianas e do estado do Pará, perto da ilha de Marajó, além das regiões dos rios Xingu e Tocantins-Araguaia. De acordo com Batalha, nessa região o principal fator que influenciou a diferenciação das espécies foram as glaciações. Para justificar a análise, ele recorre à Teoria dos Refúgios, formulada nos anos 1960 pelo biogeógrafo alemão Jurgen Haffer e aplicada à evolução da Amazônia no início dos anos 1970 pelo zoólogo brasileiro Paulo Vanzolinni.

De acordo com esse modelo, nos períodos de clima mais frio e seco em boa parte do continente americano, sobreviveram fragmentos de florestas, onde aves buscaram abrigo e se encontraram. “Nas glaciações, as regiões áridas tendem a se expandir e as matas encolhem. Mas a precipitação aumentou durante o Pleistoceno em alguns trechos da caatinga, segundo indica a maior deposição de cálcio em estalactites e estalagmites de cavernas”, explica Batalha. O resultado desse aumento nas chuvas foi o surgimento de uma área onde as aves conseguiam sobreviver.

Um indício forte dessa ligação mais recente é a existência de espécies que vivem tanto na Amazônia como na Mata Atlântica, mas não na faixa árida que separa as duas florestas. É o caso do pardo ou cinzento cricrió, que tem 25 centímetros e funciona como um sentinela da mata, e do cabeça-encarnada (Pipra rubrocapilla), cujos machos se exibem em danças coordenadas para atrair as fêmeas no período de acasalamento.

Com informações: Pesquisa Fapesp

21:10 · 21.02.2013 / atualizado às 22:12 · 21.02.2013 por
Asteroide que caiu na Austrália, há 360 milhões de anos, tinha dimensões similares ao do 433 Eros, que tem como ponto de maior aproximação com a Terra a distância de 26,4 milhões de km Imagem: Nasa
Asteroide que caiu na Austrália, há 360 milhões de anos, tinha dimensões similares ao do 433 Eros, que tem como ponto de maior aproximação com a Terra a distância de 26,4 milhões de km Imagem: Nasa

Não tem jeito. O assunto asteroides-meteoroides é o que está em maior evidência na comunidade científica em fevereiro.

Menos de uma semana após a queda de um meteorito na Rússia e da passagem do asteroide DA 2014, cientistas de uma universidade australiana descobriram naquele país a terceira maior cratera de impacto de um asteroide com a Terra.

Medindo 200 km de diâmetro (cerca de 40 km a mais que a cratera formada pelo asteroide que matou os dinossauros), a cratera encontrada na bacia de East Warburton, no sul da Austrália, foi datada como tendo 360 milhões de anos.

A data coincide com a terceira maior extinção em massa conhecida pela ciência, a do Devoniano Superior. Estima-se que entre 70% e 83% das espécies marinhas foram extintas. Vale lembrar que naquele período poucos grupos vegetais  e animais (principalmente artrópodes e anfíbios) tinham se aventurado em terra firme. 

De acordo com o pesquisador Andrew Glikson, da Universidade Nacional da Austrália, o asteroide media entre 10 e 20 km de diâmetro. “É um achado. O que realmente impressiona é a extensão da zona de impacto. Passei meses em um laboratório fazendo testes com microscópio para medir as orientações dos cristais e constatei que as rochas encontradas no local apresentavam marcas de um impacto extraterrestre”, explicou.

Ainda segundo Glikson, “a queda desse asteroide sobre a Terra provocou um impacto não só regional como também mundial”. O asteroide provocou uma imensa cratera atualmente encoberta por uma camada de 3 km de sedimentos. Ao cair, com certeza provocou gigantescas nuvens de fumaça e vapor qu cobriram a Terra. Asteroides deste tamanho entram em colisão com o nosso planeta uma vez a cada dezenas ou até centenas de milhões de anos.

Fóssil do peixe placodermo Dunkleosteus, extinto possivelmente após impacto de asteroide na Auastrália e  das mudanças climáticas subsequentes Imagem: Blog Só Dinossauros
Fóssil do peixe placodermo Dunkleosteus, extinto possivelmente após impacto de asteroide na Auastrália e das mudanças climáticas subsequentes Imagem: Blog Só Dinossauros

Répteis, sementes e insetos modernos podem ter surgido graças ao choque

A extinção do Devoniano superior afetou principalmente grupos de invertebrados marinhos como moluscos amonóides, braquiópodes, briozoários, corais, trilobitas,  além de vertebrados conodontes, peixes placodermos (os primeiros com mandíbulas evoluídas) e micro-organismos foraminíferos.

As populações vegetais terrestres (principalmente samambaias), bem como o fitoplâncton também sofreram grande redução. Mas o impacto parece ter favorecido de alguma forma a evolução dos anfíbios e artrópodes terrestres, especialmente os grupos ancestrais, respectivamente, de répteis e insetos. O primeiro grupo surgiu cerca de 40 milhões de anos depois, já o segundo grupo, embora já tivesse surgido cerca de 40 milhões de anos antes, ainda era pouco diversificado.

Para se ter uma ideia, há 360 milhões de anos não haviam insetos como besouros, moscas, mosquitos, mariposas, borboletas, formigas, abelhas e vespas. As formas mais comuns lembravam as libélulas (a maior delas tinha asas com até 70 centímetros de envergadura!), pulgas e traças.

Resfriamento do planeta causado pelo impacto do asteroide, há 360 milhões de anos, pode ter favorecido evolução de plantas com sementes, como os ancestrais dos atuais pinheiros Imagem: Marshmallow de Seattle
Resfriamento do planeta causado pelo impacto do asteroide, há 360 milhões de anos, pode ter favorecido evolução de plantas com sementes, como os ancestrais dos atuais pinheiros Imagem: Marshmallow de Seattle

A extinção em massa, causada pela queda de uma asteroide, pode ter acelerado as modificações em anfíbios e insetos primitivos para permitir a ascensão dos répteis e dos insetos modernos.

Além disso, pode ter acelerado a evolução dos vegetais com sementes (especialmente os ancestrais dos pinheiros), que surgiram pouco antes, há 370 milhões de anos. Esse tipo de vegetação marcaria o período seguinte, o Carbonífero, quando se formaram as maiores reservas de carvão do mundo.

Como os mamíferos descendem dos répteis e como a base da Revolução Industrial foi o carvão, também não é exagero afirmar que a nossa existência pode se dever não só a um (o que matou os dinossauros), mas a dois asteroides que se chocaram com o nosso planeta e mudaram o rumo da evolução da vida.

19:06 · 17.05.2012 / atualizado às 22:24 · 17.05.2012 por
Foto feita em 1927, em expedição realizada à região de Tugunska, na Rússia, quase vinte anos depois da queda de um grande asteroide que destruiu 8 milhões de árvores Imagem: H16free

Se o mundo não vai acabar pelas profecias maias, a Agência Espacial Norte-Americana (Nasa) apresentou outras 4.700 chances de isso (ou coisa parecida) acontecer no futuro. É que a sonda espacial Wise (Wide-field Infrared Survey Explore) identificou exatamente esse número de asteroides como capaz de resistir à entrada na nossa atmosfera e atingir o planeta.

Desse total, é bem verdade que “apenas” 107 são potencialmente perigosos, mas o que preocupa (mais) na pesquisa da Nasa é a estimativa de que apenas 20% a 30% deles foi devidamente catalogado e estudado. Para causar algum dano, um asteroide precisa medir mais de 100 metros de diâmetro. Asteroides menores raramente chegam ao solo sem sofrer desintegração na atmosfera.

Terra já sofreu com impactos de asteroides

Há 65 milhões de anos, um asteroide de aproximadamente 10km de diâmetro se chocou contra a Terra, no que hoje é o território do México. O evento causou extinção em massa, após desastre de proporções apocalípticas, equivalente à detonação de 1 milhão de bombas atômicas.

O choque com nosso planeta, àquela época, causou intensos terremotos, tsunamis e o lançamento de gigantescas quantidades de partículas de poeira na atmosfera.  Os grandes dinossauros, entre outras milhares de espécies animais, não resistiram ao caos climático que se seguiu. Por outro lado, foi graças à morte desses seres, que os mamíferos (incluindo nós) puderam evoluir.

O evento mais recente envolvendo destruição por asteroide ocorreu em 1908, na Rússia, no episódio conhecido como Evento de Tugunska. Oito milhões de árvores foram derrubadas numa área florestal sete vezes maior que a cidade de Fortaleza. O impacto, equivalente a 1 mil bombas atômicas, causou um terremoto de 5º na escala Richter.

No Brasil, fenômeno similar, embora de menor proporção, atingiu o Amazonas, em 13 de agosto de 1930, deixando uma cratera de até 1km de diâmetro no meio da Floresta Amazônica.

Infravermelho ajuda a localizar corpos celestes perigosos

A sonda WISE usa a luz infravermelha como técnica para vasculhar o espaço. “Fizemos um bom começo na busca dos objetos que realmente representam um risco de impacto. Temos de encontrar muitos e será necessário um grande esforço para localizar todos os que podem causar graves danos”, afirmou o coordenador do Programa de Observação de Objetos Próximos à Terra, Lindley Johnson.

13:25 · 24.11.2011 / atualizado às 01:09 · 25.11.2011 por
Criogeniano, período geológico em que a maior parte da Terra estava coberta por gelo. Ilustração: AIB

Quem já assistiu a tetralogia de animação “A Era do Gelo” (produzida dentre outros talentos pelo brasileiro Carlos Saldanha) ou quem já leu sobre o último período glacial, ocorrido entre 110 mil e 10 mil anos atrás, pode ter a impressão de que aquele foi o maior “inverno” já enfrentado pelos seres vivos na Terra.

Mas o que poucos leigos sabem é que o “Planeta Azul” já teria sido praticamente branco, ou seja, coberto quase inteiramente por neve, pelo menos duas vezes, entre 550 e 800 milhões de anos atrás (período Criogeniano), em um episódio conhecido na Paleoclimatologia (ciência que estuda o clima na Pré-História) como “Terra Bola de Neve”.

Os episódios, segundo revelam as ainda controversas pesquisas sobre o Criogeniano, teriam durado até 10 milhões de anos, o que representa um período maior que o da passagem do homem pelo globo terrestre. Porém, o que nem os cientistas ainda tinham conseguido entender com precisão é como a vida no planeta não só não se extinguiu nessa “mega-Era do Gelo” como em alguns casos até se sofisticou.

Uma nova pesquisa publicada no periódico Geophysical Research Letters, conduzida por Adam Campbell, da Universidade de Washington, revela que as principais estruturas vivas responsáveis pela manutenção das condições necessárias à sobrevivência das demais foram as algas fotossintéticas. Isso porque foram encontrados fósseis desses ancestrais dos vegetais contemporâneos antes e depois do Criogeniano.

Além disso, e talvez o fator mais importante, pelo menos um estreito e vasto canal ligado aos oceanos (similar ao Mar Vermelho) deve não ter sido completamente congelado, o que permitiu a sobrevivência desses micro-organismos autotróficos (que produzem o próprio alimento a partir de reações químicas e da luz). “Os resultados iniciais da pesquisa mostram que esses canais ficaram relativamente livres do espesso gelo glacial durante o evento Terra Bola de Neve”, afirmou Campbell.

A razão pela qual um ou mais estreitos permaneceram em estado líquido em uma glaciação de proporções globais,  teria sido o processo tectônico, que formou fissuras continentais e permitiu a ligação das regiões de terra firme com os oceanos.  Mesmo com essas brechas aproveitadas pela vida, a “Terra Bola de Neve” pode ter extinguido até 90% das espécies vivas, mas exerceu ao mesmo tempo uma pressão evolucionária positiva.

Essa pressão culminaria com a chamada “explosão Cambriana”, que ocorreu há cerca de 530 milhões de anos atrás.  Foi durante o Cambriano que surgiram a maioria dos grupos animais vivos ainda hoje, incluindo vermes, moluscos, artrópodes e os primeiros ancestrais dos peixes.

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