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Categoria: Paleontologia


17:49 · 04.01.2018 / atualizado às 17:50 · 04.01.2018 por
Foto: Ben Potter

A análise do DNA de um bebê que viveu há 11,5 mil anos no Alasca revelou a existência de uma antiga população da América do Norte que até agora permanecia desconhecida. De acordo com os autores do estudo, publicado na revista Nature, a descoberta levará a uma importante mudança nas teorias sobre como os humanos povoaram o continente americano.

A nova população foi batizada pelos cientistas de “antigos beringianos”, em alusão à Beríngia – a ponte terrestre coberta de gelo que, durante as glaciações, ligava o leste da Sibéria ao oeste do Alasca, onde hoje fica o estreito de Bering, que separa a Ásia da América do Norte.

“Nós não sabíamos que essa população existia. Esses dados também fornecem a primeira evidência direta da origem da população nativa americana, o que traz novas informações sobre como esses povos primitivos migraram e colonizaram a América do Norte”, disse um dos autores principais do estudo, Ben Potter, da Universidade do Alasca em Fairbanks.

De acordo com a análise genética e a modelagem demográfica feita pelos cientistas, um único grupo – que foi ancestral de todos os povos nativos das Américas – separou-se dos grupos asiáticos há cerca de 35 mil anos. Há cerca de 20 mil anos, esse grupo se dividiu novamente, dando origem aos antigos beringianos e aos ancestrais de todos os outros povos americanos.

O bebê fossilizado, uma menina que morreu seis semanas após o nascimento, foi batizado pela comunidade indígena local de “Xach’itee’aanenh T’eede Gaay”, que significa “menina do sol nascente”. Ela foi encontrada em 2013, no sítio arqueológico de Upward Sun River, junto a uma outra menina mais nova, que foi batizada de “Ye’kaanenh T’eede Gaay”, ou “menina da luz do amanhecer”.

“Seria difícil exagerar a importância da descoberta desse novo povo para o nosso conhecimento sobre como as antigas populações vieram habitar as Américas. Essa nova informação nos permite desenhar um quadro muito mais preciso da pré-história dos nativos americanos – que é muito mais complexa do que pensávamos”, afirmou Potter.

Cenários

A descoberta também sugere dois novos cenários para o povoamento das Américas.

Em um deles, um só grupo teria cruzado a ponte terrestre há cerca de 20 mil anos e então teria se dividido entre os antigos beringianos e os demais nativos americanos. O primeiro grupo teria permanecido no extremo norte do continente até o seu completo desaparecimento. O segundo grupo, após a retração das geleiras, teria migrado para o sul há 15,7 mil anos.

No outro cenário, dois grupos distintos de pessoas teriam cruzado a Beríngia. Os antigos beringianos teriam então se estabelecido ao norte, enquanto os ancestrais de todos os indígenas teriam migrado para o sul há 15,7 mil anos. Para Potter, o segundo cenário é mais plausível, porque para que houvesse uma só onda migratória a passagem pela Beríngia teria de ocorrer muito antes da divisão das duas populações. “O fundamento para esse cenário da migração de dois povos distintos é bastante forte. Não temos evidências de humanos na região da Beríngia há 20 mil anos.”

Segundo Potter, quando sua equipe começou a análise do material genético, esperava-se encontrar a conexão entre o perfil genômico dos fósseis encontrados no Alasca e o de outros povos nativos da América do Norte. Porém, o DNA dos fósseis não combinava com o de nenhuma outra população antiga.

Isso sugere, de acordo com o cientista, que os antigos beringianos permaneceram no extremo norte do continente por milhares de anos, enquanto os ancestrais dos povos indígenas se espalharam por todo o continente.

Travessia pelo litoral

Um dos autores do novo estudo, Eske Willerslev, da Universidade de Copenhague (Dinamarca), havia publicado em 2016 uma outra pesquisa que desmontava uma das principais teorias sobre a migração da Sibéria para o Alasca, que seria uma migração por terra pela Beríngia. Naquele trabalho, também publicado na Nature Willerslev mostrou que o corredor que tornaria o caminho possível entre as geleiras formou-se há 15 mil anos, mas só oferecia condições para a travessia há 12,6 mil anos. A presença humana no continente, porém, é confirmada por vestígios fósseis há pelo menos 13 mil anos.

De acordo Willerslev a hipótese mais plausível é que os povos da Ásia tenham migrado para a América viajando ao longo da costa do Oceano Pacífico – pela orla, ou por mar – o que poderia ter ocorrido há mais de 15 mil anos.

Com informações: Estadão Conteúdo

17:55 · 12.12.2017 / atualizado às 17:55 · 12.12.2017 por
cientistas descobriram, em Myanmar, vários carrapatos aprisionados em diversos pedaços de âmbar (uma espécie de resina fóssil), associados a restos dos grandes répteis Foto: NPR

A partir da descoberta de um fóssil de carrapato preservado em âmbar, um grupo internacional de cientistas mostrou pela primeira vez que esses parasitas já se alimentavam do sangue de dinossauros há quase 100 milhões de anos.

O estudo, publicado nesta terça-feira (12), na revista Nature Communications, também revela uma nova espécie extinta de carrapato, batizada de Deinocroton draculi, em alusão ao vampiro Drácula. Os cientistas descobriram, em Mianmar, vários carrapatos aprisionados em diversos pedaços de âmbar – uma espécie de resina fóssil – datados em 99 milhões de anos.

Um deles estava agarrado a uma pena de dinossauro. Segundo os autores do estudo, raramente são encontrados parasitas associados aos fósseis de seus hospedeiros e a descoberta é a primeira evidência direta da relação entre carrapatos e dinossauros.

Sem ‘Jurassic Park’

Embora o contexto da pesquisa lembre bastante o filme Jurassic Park, os cientistas afirmam que é praticamente impossível reconstruir dinossauros a partir de eventuais restos de DNA desses animais no fóssil de um carrapato do período Cretáceo (145 milhões a 66 milhões de anos atrás).

Na obra ficcional, dirigida por Steven Spielberg em 1993, os cientistas extraem o DNA de dinossauros de fósseis de mosquitos preservados em âmbar e, a partir daí, conseguem clonar os lagartos gigantes e trazê-los de volta à Terra. Os pesquisadores porém, explicam que embora seja comum encontrar fósseis em âmbar, é praticamente inviável extrair dessas amostras DNA em condições de ser utilizado – e o processo de clonagem seria ainda mais difícil. Todas as tentativas feitas até hoje de extrair DNA de espécimes em âmbar foram um fracasso, por causa da curta vida útil dessa molécula.

“Os carrapatos são infames organismos parasitários sugadores de sangue, que têm um impacto tremendo na saúde de humanos, de gado de bichos de estimação e de animais selvagens. Mas até agora estava faltando uma clara evidência do papel desses parasitas no passado remoto”, disse o autor principal do estudo, Enrique Peñalver, do Instituto de Pesquisa de Geologia e Mineração da Espanha.

Penas de dinossauros

Segundo Peñalver, o âmbar do Cretáceo fornece aos cientistas uma janela para o mundo dos dinossauros emplumados. Parte desse grupo de dinossauros mais tarde evoluiria para dar origem às aves modernas. A pena de dinossauro encontrado no âmbar com o carrapato, segundo os cientistas, tem estrutura semelhante à das penas dos pássaros.

Com informações: Estadão Conteúdo

17:19 · 08.12.2017 / atualizado às 17:19 · 08.12.2017 por
Concepção artística das migrações humanas ocorridas entre 60 e 120 mil anos atrás, em um período anterior ao que se pensava Imagem: Ivan Heredia/CSIC

A tese de uma única migração humana fora da África há 60 mil anos não poderá mais ser considerada um dado correto da história da humanidade, argumenta uma revisão da literatura científica publicada na revista científica americana Science.

Ao contrário, várias migrações para fora da África, que começaram há 120 mil anos, deram origem à população moderna, demonstram os resultados da pesquisa. Avanços na análise de DNA e em outras técnicas de identificação de fósseis, principalmente em relação a descobertas na Ásia, estão ajudando a reescrever o que pensávamos saber sobre nossas origens.

Uma “abundância de novas descobertas” na última década mostrou que os humanos modernos, ou Homo sapiens, chegaram a partes do continente asiático muito antes do que se pensava, assinalou o informe. Vestígios de Homo sapiens datados de 70 mil a 120 mil anos foram encontrados em diferentes locais no sul e no centro da China. Outras descobertas de fósseis mostram que os humanos modernos chegaram ao sudeste de Ásia e à Austrália antes de 60 mil anos atrás.

“As primeiras dispersões fora da África antes de 60 mil anos atrás provavelmente eram feitas em pequenos grupos de pessoas que buscavam comida e, pelo menos, algumas dessas dispersões iniciais deixavam traços genéticos de baixo nível em populações modernas”, explicou Michael Petraglia, pesquisador do Instituto Max Planck para a Ciência da História Humana, na Alemanha.

Migração maior

“Um evento posterior e maior de [migração] ‘Fora da África’ muito provavelmente ocorreu por volta de 60 mil anos atrás ou depois disso”, informou. Pesquisas recentes confirmaram que esta migração em massa há 60 mil anos “contribuiu para a maior parte da composição genética dos não africanos atuais”, de acordo com o comunicado.

Estes primeiros viajantes se miscigenaram com outras espécies, incluindo Neandertais e Denisovanos, e uma população não identificada de homininis (primatas hominóideos) pré-modernos em muitos locais através da Eurásia. Os cientistas consideram que, entre os Homens modernos não africanos atuais, de 1% a 4% do DNA seria de origem dos Neandertais e até 5% podem ser de Denisovanos. “Agora está claro que humanos modernos, os Neandertais, Denisovanos e talvez outros grupos homininis provavelmente se sobrepuseram no tempo e no espaço na Ásia, e certamente tiveram muitos casos de interação”, destacou o estudo.

Com informações: AFP

10:22 · 08.11.2017 / atualizado às 10:22 · 08.11.2017 por
Concepção artística de mamíferos que conviveram com ancestrais das aves modernas e com dinossauros na era Mesozóica Imagem: Mark Witton

Um estudante universitário britânico encontrou dentes de mamíferos parecidos com ratos que viveram há 145 milhões de anos e possuem ligações distantes com os humanos. A descoberta foi feita na costa de Dorset, no sudoeste da Inglaterra, pelo estudante de graduação Grant Smith, quando ele examinava pedras na Universidade de Portsmouth.

“Inesperadamente, ele não encontrou um, mas dois dentes bastante notáveis ​​de um tipo nunca antes visto em rochas desta época”, disse Steve Sweetman, pesquisador da universidade. “Eu fui convidado a olhar para eles e dar uma opinião e, mesmo à primeira vista, fiquei de boca aberta!”, escreveu na revista científica Acta Palaeontologica Polonica.

Acredita-se que os dentes pertenceram a duas espécies diferentes de criaturas pequenas e peludas que provavelmente eram noturnas e se alimentavam de insetos e talvez plantas. “Os dentes são de um tipo altamente avançado que pode perfurar, cortar e esmagar alimentos”, disse Sweetman.

“Eles também estão muito desgastados, o que sugere que os animais aos quais eles pertenciam viveram até uma boa idade para suas espécies. Um grande feito quando você está compartilhando seu habitat com dinossauros predatórios!”.

Apesar desses animais serem significativamente diferentes dos humanos, Sweetman os descreveu como “sem dúvida os mais antigos conhecidos da linha de mamíferos que leva à nossa própria espécie”. As duas espécies foram nomeadas Durlstodon ensomi e Durlstotherium newmani, a segunda em homenagem ao proprietário de um pub local, Charlie Newman.

A descoberta foi feita na “Costa Jurássica” de Dorset, um Patrimônio Mundial da Unesco que carrega 185 milhões de anos de história.

Com informações: AFP

16:28 · 10.08.2017 / atualizado às 16:28 · 10.08.2017 por
Réplica do Patagotitan mayorum, que pode ter pesado até 70 toneladas, e vivido na Argentina há 100 milhões de anos Foto: France24h

Uma nova espécie de titanossauro descoberta na Patagônia argentina há três anos e talvez o maior dinossauro a caminhar sobre a Terra foi batizada formalmente nesta quarta-feira em Nova York, de Patagotitan mayorum.

O nome pode ser traduzido como “Gigante da Patagônia”, disse o paleontólogo Diego Pol em uma cerimônia no Museu de História Natural americano, onde desde 2016 se exibe uma réplica em tamanho real da criatura colossal, tão enorme que sua cabeça e pescoço se estendem até um saguão.

O nome “mayorum” foi escolhido em reconhecimento à família Mayo, em cujo rancho na Argentina foram encontrados, em 2014, os restos do gigante herbívoro que viveu há 100 milhões de anos.

Estima-se que o jovem adulto chegou a pesar até 70 toneladas, o mesmo que 10 elefantes africanos.

Sua idade sugere que animais ainda maiores podem ter vivido na Patagônia nessa época, disse Pol, do Museu Paleontológico Egidio Feruglio de Trelew, na província argentina de Chubut (sul), que ajudou a dirigir a escavação.

Quando a réplica foi revelada em Nova York, em janeiro de 2016, especialistas disseram que a espécie era uma descoberta recente demais para ter um nome. Após 20 meses de intensa pesquisa e de comparar os ossos com outras descobertas em outros lugares do mundo, os pesquisadores concluíram que efetivamente o dinossauro pertencia a uma nova espécie que merecia um nome próprio.

“Acreditamos que este dinossauro era ligeiramente maior que os outros conhecidos até então”, disse Pol, embora tenha admitido que só há restos fragmentados de algumas espécies e que isso dificulta as estimativas. “Dar um nome científico é o símbolo de conduzir e finalizar um estudo científico no qual aprendemos algo de uma nova espécie”, acrescentou por Skype, na Patagônia.

“As novas espécies são importantes porque nos mostram como eram os animais no passado”, explicou. “Podem oferecer informação para responder perguntas sobre o passado do nosso planeta”. O pesquisador assegurou que “a pergunta de um milhão” é “o que aconteceu há 100 milhões de anos na Patagônia” que permitiu a estes animais “ser aspirantes ao campeonato de pesos pesados dos dinossauros”. No total, 223 ossos fósseis de seis criaturas foram descobertos no local perto do sítio La Flecha, 216 km ao oeste de Trelew. Todos eram adultos jovens. A espécie vivia nas florestas do que hoje é a Patagônia, durante o período Cretáceo Tardio.

Como os fósseis são muito pesados para montá-los, a réplica colossal de 37,2 metros é feita de impressões dos ossos em 3D em fibra de vidro.

Com informações: AFP

19:33 · 01.08.2017 / atualizado às 19:38 · 01.08.2017 por
Concepção artística e descrição (em inglês) de um provável ancestral das flores modernas Imagem: Nature Communications

A primeira flor a aparecer ao longo do caminho da evolução vegetal, durante a época dos dinossauros, era uma hermafrodita com órgãos em forma de pétala dispostos em círculos concêntricos, disseram pesquisadores nesta segunda-feira.

A flor tinha órgãos reprodutores masculinos e femininos no centro, cercados por múltiplas camadas de “espirais” ou partes semelhantes a pétalas chamadas tépalas, dispostas em conjuntos de três por camada, escreveram os cientistas na revista Nature Communications.

A reconstrução, baseada no maior conjunto de dados de características de flores já reunidos – de 792 espécies existentes – desafia os pressupostos científicos de que a flor ancestral teria seus órgãos sexuais e “pétalas” dispostas em uma espiral.

A maioria das flores hoje tem quatro “espirais” – as folhas exteriores ou sépalas, seguidas pelas pétalas, que encerram os órgãos masculinos chamados de estames, com os órgãos femininos ou carpelos no centro.

A flor ancestral provavelmente não tinha sépalas e pétalas separadas, em vez disso, uma mistura entre os dois – em torno dos órgãos sexuais no centro.

Flores modernas com tépalas em vez de pétalas incluem tulipas e lírios.

“Os resultados são realmente emocionantes”, disse Maria von Balthazar, especialista em morfologia floral da Universidade de Viena, que participou da pesquisa.

“Esta é a primeira vez que temos uma visão clara para a evolução precoce das flores em todas as angiospermas” – o termo científico para plantas floríferas. Os pesquisadores ainda não sabem a cor da flor, o seu cheiro, ou seu tamanho – que provavelmente era menor que um centímetro de diâmetro.

Evolução das plantas

Os especialistas acreditam que as plantas terrestres emergiram de plantas aquáticas ancestrais há cerca de 470 milhões de anos – mais de três bilhões de anos depois da primeira forma de vida ter surgido, quando a Terra tinha cerca de um bilhão de anos.

A primeira planta com sementes provavelmente surgiu cerca de 320 milhões de anos atrás, quando havia animais diversos na terra e no mar, mas ainda não havia dinossauros, mamíferos ou pássaros. Os fósseis mais antigos conhecidos de plantas com flores datam de cerca de 140 milhões de anos atrás – durante a era dos dinossauros, que foram extintos há cerca de 66 milhões de anos.

Desde então, a primeira flor evoluiu para ao menos 300.000 espécies, afirmou a equipe de pesquisa. As plantas com flores representam cerca de 90% de todas as plantas na Terra. Em 1879, o cientista Charles Darwin descreveu o rápido aumento e diversificação das flores durante a era geológica do Cretáceo como um “abominável mistério”.

A equipe combinou dados de DNA e uma vasta literatura sobre características de plantas para compilar uma árvore evolutiva detalhada que voltava até o último antepassado comum.

“A flor cresceu em apenas um tipo de planta, a espécie ancestral de todas as plantas floríferas vivas”, disse à AFP o coautor Herve Sauquet, da Universidade Paris-Sul.

“De acordo com trabalhos anteriores, provavelmente era uma pequena árvore ou arbusto”, acrescentou.

Com informações: AFP

20:52 · 18.07.2017 / atualizado às 21:06 · 18.07.2017 por
Análise de DNA mostra que os cachorros antigos se separaram de seus ancestrais pela primeira vez há cerca de 40 mil anos Foto: VetStreet

De patas curtas ou alongadas, com o pelo enrolado ou comprido, todos os cães do mundo vêm de uma mesma população de lobos domesticados há entre 20 mil e 40 mil anos – revela um estudo publicado na revista científica Nature Communications nesta terça-feira (18).

“Nossos dados mostram que todos os cães modernos espalhados pelo mundo foram domesticados de uma única população de lobos”, diz à AFP a coautora do estudo Krishna Veeramah, da Universidade do Estado de Nova York, em Stony Brook. Tomando indícios genéticos como base, esse novo estudo se soma a outras hipóteses sobre as controversas origens do melhor amigo do homem.

Segundo uma dessas hipóteses, os humanos domesticaram os cães pela primeira vez na Europa, há mais de 15 mil anos. Outros pesquisadores afirmam que essa domesticação teve início no leste da Ásia, pelo menos 12,5 mil anos atrás. Já um estudo publicado no ano passado na revista Science apontou que os cães foram domesticados em dois lugares distintos, partindo de matilhas de lobos na Europa e na Ásia.

Os autores do estudo publicado nesta terça-feira disseram que sua análise de DNA mostra que os cachorros antigos se separaram dos lobos pela primeira vez há cerca de 40 mil anos, em um processo provavelmente desencadeado pela presença de humanos. Os pesquisadores não sabem, porém, em que parte do mundo isso aconteceu.

Há 20 mil anos, disse a equipe, os primeiros cães se dividiram geograficamente entre os caninos do Oriente e os do Ocidente. O primeiro grupo deu origem aos cães do leste da Ásia, e o outro aos cães na Europa, no centro e no sul da Ásia e na África. “Há 7 mil anos, eles (os cachorros) estavam praticamente por toda parte”, disse Krishna Veeramah. O cão europeu desse período deu origem à maioria das raças de cães modernas encontradas hoje, concluíram os pesquisadores.

Krishna Veeramah e seus colegas analisaram amostras de DNA fossilizado de dois cães encontrados na Alemanha. Um deles, de 7 mil, é o cão mais velho a ter tido seu DNA sequenciado até hoje. O outro é de pelo menos 4,7 mil anos. Ambos remontam ao Neolítico, período que marca o início da agricultura e da pecuária. O genoma desses dois “senhores” europeus é parecido com o dos cachorros do presente, o que sugere uma origem geográfica única de cães domésticos.

O processo de domesticação desse animal – um carnívoro potencialmente perigoso ao homem – foi, certamente, “difícil”, afirma Krishna Veeramah, bem mais do que a de ovelhas, porcos, ou vacas. “A hipótese atual é que esse processo ocorreu passivamente a partir de uma população de lobos que vivia na periferia dos campos de caçadores-coletores, alimentando-se do lixo produzido pelos humanos”, relata a cientista.

Os menos agressivos teriam, então, desenvolvido uma relação particular com os homens. É essa população ancestral de cães, única, que teria se disseminado pelo planeta, provavelmente ao sabor dos deslocamentos humanos.

Com informações: AFP

20:09 · 24.03.2017 / atualizado às 20:27 · 24.03.2017 por
Ao contrário do que se pensava, o Tyrannosaurus rex (d) e o Triceratops (e) podem pertencer ao mesmo grupo. Já os grandes dinossauros herbívoros com pescoços semelhantes aos de uma  girafa pertenceriam a um grupo diferente Imagem: Scified

Parece não haver quase nada em comum entre dois ícones da série “Jurassic Park”, o Tyrannosaurus rex, monarca dos dinos carnívoros, e o chifrudo quadrúpede Triceratops, equivalente pré-histórico dos rinocerontes e búfalos de hoje.

Um novo estudo, porém, propõe uma ideia que quase poderia ser descrita como herética: ambos os monstros pertenceriam ao mesmo grande subgrupo de dinossauros. A proposta acaba de ser publicada na revista científica britânica “Nature”, uma das mais tradicionais do mundo, e tem provocado fortes emoções (nem todas muito positivas) entre os cientistas que estudam a evolução dos dinos.

Afinal de contas, como fazem questão de ressaltar os autores da hipótese -um trio da Universidade de Cambridge (Reino Unido) encabeçado por Matthew Baron-, ela derrubaria mais de cem anos de consenso científico a respeito do “álbum de família” desses bichos. Segundo esse consenso, que até hoje parecia sólido feito rocha, os dinossauros se dividem em dois grandes grupos.

O primeiro seria o dos saurísquios, englobando o T. rex e os demais bípedes carnívoros, de um lado, conhecidos coletivamente como terópodes (as aves modernas estão nesse balaio); e, de outro, os grandes herbívoros pescoçudos, como os célebres brontossauros, que recebem o nome de sauropodomorfos.

O segundo grande subgrupo corresponderia aos ornitísquios -criaturas como o Triceratops e o bípede herbívoro Iguanodon. Mudar isso “é uma proposta completamente heterodoxa e radical”, resume o paleontólogo Max Cardoso Langer, da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto.

“Todo manual de paleontologia e todo livro sobre dinossauros feito para crianças que você pegar vão começar falando da divisão tradicional em dois grupos, e todas as análises feitas até hoje, por diferentes autores e com diferentes abordagens, deram o mesmo resultado.” Baron e seus colegas David Norman e Paul Barrett, porém, argumentam que muitos desses estudos não analisaram com o devido cuidado as formas mais primitivas dos grandes grupos de dinossauros, em especial os primeiros ornitísquios.

Rodem as máquinas

Para tentar sanar isso, os britânicos decidiram realizar uma grande análise filogenética -ou seja, sobre relações de parentesco evolutivo- envolvendo 74 tipos diferentes de dinossauros, com ênfase nos mais primitivos. Tais análises se baseiam em programas de computador que registram e comparam um grande conjunto de características dos fósseis -no caso do estudo, 457 detalhes do esqueleto. É por meio dessa coleção de semelhanças e diferenças que os cientistas tentam determinar como um grupo de animais vai se diversificando ao longo do tempo, como uma árvore com galhos que estão mais próximos ou mais distantes entre si.

A comparação computacional apontou um conjunto de 21 características que são compartilhadas apenas por terópodes (como o T. rex) e ornitísquios (como o Triceratops). Para os autores do novo estudo, isso seria suficiente para classificá-los como “grupos-irmãos”, que receberiam um novo nome conjunto, o de ornitoscélidos (termo que, na verdade, chegou a ser usado por naturalistas do século 19 até cair em desuso).

Os pescoçudos sauropodomorfos ficariam isolados num grupo à parte, que teria se separado antes do ancestral comum dos outros dois subgrupos. De quebra, a análise indicaria também que os primeiros dinos teriam sido, de fato, bípedes de pequeno porte com dieta onívora e patas da frente capazes de agarrar objetos; e, finalmente, que eles teriam surgido no hemisfério Norte e não na América do Sul, como muita gente defende hoje.

Com informações: Reinaldo José Lopes/Folhapress

16:47 · 01.03.2017 / atualizado às 16:48 · 01.03.2017 por
Os microfósseis foram encontrados no Cinturão de Nuvvuagittuq, no Canadá, onde está localizada a rocha mais antiga conhecida, e podem ter entre 3,77 e 4,29 bilhões de anos Foto: Matthew Dodd

Pesquisadores anunciaram a descoberta de micro-organismos fósseis que teriam entre 3,77 e 4,29 bilhões de anos, o que seria a mais antiga evidência de vida na Terra, de acordo com um estudo divulgado nesta quarta-feira (1º).

Eles descobriram esses microfósseis em camadas de quartzo no sítio geológico de Nuvvuagittuq, nordeste de Quebec (Canadá). “Graças a imagens a laser das amostras coletadas, nós identificamos micro-organismos fósseis, que são os mais antigos conhecidos no mundo”, declarou Matthew Dodd, da UCL (University College London), em um vídeo postado no site da revista Nature.

Em diâmetro, medem metade de um fio de cabelo humano. Em comprimento, medem até meio milímetro, informou. “O mais interessante nessa descoberta” é constatar que a vida iniciou na Terra de maneira precoce – “isto levanta questões interessantes” sobre o que aconteceu em Marte e em outros lugares do universo”, considera Matthew Dodd.

“Se a vida começou tão rápido na Terra”, “poderia ter acontecido o mesmo em outros planetas?”, questiona ele.

Idade controversa

Estes microfósseis foram encontrados no Cinturão de Nuvvuagittuq, um afloramento localizado ao longo da costa do Quebec, onde está localizada a rocha mais antiga conhecida (4,29 bilhões de anos).

“Foi datada por um método bastante sólido, mas a questão da sua idade ainda é debatida”, disse Dominic Papineau, também da University College London (UCL) e principal autor do estudo. “Para se manterem conservadores”, os cientistas deram aos microrganismos “uma idade mínima de 3,77 bilhões de anos”, acrescenta.

O que já é 300 milhões de anos mais velho do que os microfósseis mais antigos conhecidos até agora, que foram encontrados na Austrália e que têm 3,4 bilhões de anos, segundo Dominic Papineau.

Com informações: AFP

22:46 · 31.01.2017 / atualizado às 22:46 · 31.01.2017 por
Imagem: Universidade de Cambridge
Imagem: Universidade de Cambridge

Pesquisadores de três países afirmam ter descoberto na China o ancestral mais antigo dos humanos, que viveu há 540 milhões de anos, no Cambriano, e cujos fósseis estão “estranhamente bem preservados”.

Segundo o estudo, realizado por um grupo de cientistas do Reino Unido, China e Alemanha e publicado na revista científica Nature, o animal aquático é microscópico e representa a fase mais primitiva da evolução que levou aos peixes e, eventualmente, aos humanos.

O Saccorhytus é um exemplar primitivo de uma categoria animal conhecida como deuterostômios, que são ancestrais comuns para várias espécies, entre elas as incluídas entre os animais vertebrados.

Os fósseis encontrados na província chinesa de Shaanxi são de um animal de cerca de um milímetro de tamanho e que vivia entre grãos de areia no fundo do mar. Os cientistas não encontraram indícios de que o Saccorhytus tinha ânus, o que sugere que o consumo de comida e as excreções eram feitos pelo mesmo orifício.

“A olho nu, os fósseis que estudamos possuíam pequenos pontos pretos, mas no microscópio o nível de detalhe se revelou surpreendente”, disse Simon Conway Morris, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, um dos responsáveis pela pesquisa.

“Acreditamos que, por se tratar de um deuterostômio primevo, ele pode representar a fase primitiva de diversas espécies, inclusive de nós, humanos. Todos os deuterostômios tinham um ancestral comum, e provavelmente seja desse animal que se trata.”

Para o pesquisador da Universidade de Northwest, na China, Degan Shu, “o Saccorhytus nos permite um olhar significativo sobre as primeiras fases da evolução de um grupo que levou aos peixes e até nós, humanos”.

Até a descoberta recente, os grupos de deuterostômios já conhecidos eram de 510 a 520 milhões de anos atrás. Eles já haviam se diversificado e transformado em vertebrados – um grupo a que nós e nossos ancestrais pertencemos, e animais como estrelas e ouriços do mar.

Os deuterostômios são muito diferentes entre si, o que dificulta a identificação, pelos cientistas, de como seria a aparência de um ancestral da espécie.

Segundo o estudo, o corpo é simétrico – uma característica herdada por muitos descendentes evolucionários, inclusive humanos.

O Saccorhytus também era coberto por uma pele final, relativamente flexível, e possuía músculos, o que levou cientistas a concluírem que ele se movimentava ao contraí-los, se retorcendo.

Para os pesquisadores, a característica mais marcante do animal é a boca grande em relação ao resto do corpo. Segundo o estudo, ele se alimentava engolindo partículas de alimentos e até de outras criaturas.

Outra característica são as estruturas cônicas do corpo, que poderiam permitir que a água engolida escapasse, o que poderia representar uma versão muito precoce das guelras, presentes hoje em peixes e outros animais aquáticos.

Com informações: G1