Diário Científico

Categoria: Pré-História


18:37 · 14.09.2018 / atualizado às 18:37 · 14.09.2018 por
Concepção artística de como deveria se locomover o Caipirascuhus mineirus, que tinha hábitos terrestres Imagem: Rodolfo Nogueira

Por Reinaldo José Lopes

Um esqueleto de 85 milhões de anos, preservado de modo quase perfeito em rochas do interior de Minas Gerais, corresponde a uma nova espécie de crocodilo pré-histórico, afirmam pesquisadores. Batizado de Caipirasuchus mineirus, o réptil de apenas 70 cm foi apresentado ao público nesta sexta (14).

Os detalhes anatômicos do fóssil, oriundo da Fazenda Três Antas, no município de Campina Verde (MG), deixam claro que ele era muito diferente dos crocodilos modernos. Para começar, era um bicho 100% terrestre -trata-se, na verdade, de uma característica comum da rica fauna desse grupo durante a Era dos Dinossauros.

Além disso, os diferentes formatos de seus dentes, o padrão de desgaste em alguns deles e a maneira como sua mandíbula se articulava indicam que ele deve ter incluído quantidades consideráveis de vegetais em sua dieta, algo impensável para jacarés e crocodilos de hoje. Para completar o rol de esquisitices, suas patas traseiras eram bem maiores que as dianteiras.

“A gente poderia pensar numa postura similar ao dos suricatos”, compara um dos responsáveis pela descoberta, o paleontólogo Thiago Marinho, referindo-se aos pequenos mamíferos africanos que se tornaram conhecidos graças ao personagem Timão, de “O Rei Leão”.

Os suricatos às vezes assumem a postura ereta, e talvez os membros do C. mineirus lhe permitissem fazê-lo também.

Pesquisa

Marinho, que trabalha no Centro de Pesquisas Paleontológicas L.I. Price, da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), assina a descrição formal da nova espécie em artigo na revista científica de acesso livre PeerJ.

O trabalho foi coordenado por Agustín Martinelli, do Museu Argentino de Ciências Naturais Bernardino Rivadavia, e conta ainda com a participação de Luiz Carlos Borges Ribeiro, também da UFTM, e Fabiano Iori, do Museu de Paleontologia Professor Antonio Celso de Arruda Campos (Monte Alto, interior paulista).

O nome latino mineirus é quase autoexplicativo: embora já fossem conhecidas três espécies do gênero extinto Caipirasuchus, todas achadas em rochas do interior de São Paulo, esta é a primeira vez que um animal do grupo aparece do lado mineiro da fronteira interestadual. Portanto, as quatro espécies são bichos com parentesco relativamente próximo entre si, embora uma série de detalhes anatômicos tenha sido suficiente para propor que o C. mineirus deveria ser classificado como uma espécie à parte.

Os pesquisadores ainda estão tentando entender como e por que essa diversidade dentro do gênero se estabeleceu. É possível que houvesse algum tipo de barreira entre as populações, levando-as a seguir caminhos evolutivos ligeiramente distintos durante mais ou menos a mesma época. Ou então, se houver diferença significativa de idade entre os espécimes paulistas e mineiros, pode ser que os paleontólogos estejam vendo o processo de diferenciação do grupo ao longo de alguns milhões de anos.

Para saber qual possibilidade é a mais provável, é preciso avançar nos estudos sobre a idade geológica das camadas de rocha em São Paulo e Minas. Alguns detalhes do esqueleto, como a falta de fusão entre determinados ossos, indicam que se tratava de um indivíduo que ainda não chegara à idade adulta, embora já estivesse quase com o tamanho “final” da espécie, segundo Marinho.

Expectativa por descobertas

Mais descobertas devem vir da região de Campina Verde: desde 2009, o grupo já achou por lá vários exemplares de outro crocodilo extinto, o Campinasuchus dinizi, ovos (de crocodilo), dentes e ossos de dinossauros carnívoros e diversos fósseis de peixes.

O grau de preservação do C. mineirus, mesmo em meio a uma colheita tão rica quanto essa, chama a atenção. “A gente tem o esqueleto da ponta do focinho à ponta da cauda. Certamente está no ‘top 3’ dos mais preservados entre os crocodilos fósseis do Brasil”, estima Marinho.

Com informações: Folhapress

19:52 · 16.08.2018 / atualizado às 19:52 · 16.08.2018 por
Relevos simbolizariam a fertilização da terra, pois as serpentes representam uma divindade vinculada à água que brota da terra e faz germinar à semente Foto: Agência Brasil

Uma nova parede com relevos com 3.800 anos de antiguidade foi descoberta nas ruínas de Vichama, uma das cidades da Civilização de Caral, considerada a mais antiga da América, anunciou a arqueóloga Ruth Shady, diretora das escavações e responsável por descobertas dessa cultura.

A imagem apresenta quatro cabeças humanas de olhos fechados, uma do lado da outra, e duas serpentes que se deslocam entre elas até chegarem em uma quinta cabeça não humana, que representaria uma semente antropomórfica, da qual saem cinco varinhas verticais fincadas na terra.

Os relevos simbolizariam a fertilização da terra, pois as serpentes representam uma divindade vinculada à água que brota da terra e faz germinar à semente, segundo a hipótese de Shady. Além disso, marcariam o final de um período de seca e crise de fome que atravessou essa sociedade e que foi representada em outras paredes descobertas anteriormente na mesma cidade.

Mudança climática

Essa nova descoberta reforça o trabalho de mostrar para os humanos atuais as dificuldades que a sociedade enfrentou devido à mudança climática e à escassez da água, que causou graves problemas à produtividade agrícola.

O muro, feito de adobe, está em Vichama, a cidade pesqueira de Caral. Essa civilização surgiu há 5 mil anos no Vale de Supe, a 180 quilômetros ao norte de Lima. Ele fica na entrada do salão cerimonial, principal ambiente desse complexo público.

A construção chegou a ter uma área de 874 metros quadrados e foi remodelada continuamente com janelas escalonadas e uma praça circular funda, que foi enterrada. As escavações em Vichama começaram em 2007 e estão a cargo da Zona Arqueológica Caral (ZAC), que desenterrou 22 construções em de 25 hectares, conforme os cálculos erigidos entre os anos 1.800 a.C e 1.500 a.C.

Os novos relevos foram revelados no marco do décimo primeiro aniversário dos trabalhos feitos em Vichama, cujas celebrações serão nos dias 31 de agosto e 1º de setembro.

Contemporânea a outras civilizações

A Civilização de Caral se desenvolveu nos vales próximos a Lima praticamente ao mesmo tempo que outras grandes culturas antigas, como Mesopotâmia, Egito, China e Tiwanaku, e a sua descoberta mudou o paradigma da conformação das grandes civilizações do Antigo Peru.

Com informações: Agência Brasil

12:30 · 23.02.2018 / atualizado às 12:32 · 23.02.2018 por
O mais próximo parente extinto do Homo sapiens, foi também a primeira espécie a escolher cavernas para fazer pinturas, superando a nossa nesse quesito Foto: Haaretz

Os Neandertais – e não os humanos pré-históricos – foram os primeiros artistas da Europa, de acordo com uma nova pesquisa liderada por cientistas da Universidade de Southampton (Reino Unido) e do Instituto Max Planck (Alemanha).

Os pesquisadores estudaram pinturas em três cavernas da Espanha e, com um método especial de datação, descobriram que elas foram criadas há mais de 64 mil anos, quando os únicos hominídeos na Europa eram os Neandertais (Homo neanderthalensis). O Homo sapiens só chegou ao continente cerca de 20 mil anos mais tarde.

Os resultados da pesquisa foram publicados na revista Science. De acordo com os cientistas, a descoberta é importante por demonstrar que os Neandertais eram capazes de pensar simbolicamente, assim como os humanos modernos. Os desenhos, que foram feitos durante a Era do Gelo, incluem representações de animais, sinais geométricos e pontos.

Segundo os autores, os resultados do novo estudo reforçam uma série de descobertas que têm ajudado a “desconstruir” a tradicional imagem dos Neandertais como um brutal homem das cavernas com inteligência extremamente limitada. Dois estudos publicados em 2017, por exemplo, mostravam que os Neandertais eram capazes de lidar com problemas odontológicos e de utilizar plantas medicinais como antibióticos e analgésicos.

“Essa é uma descoberta incrivelmente emocionante e ela sugere que os Neandertais eram muito mais sofisticados do que se acredita popularmente”, disse o autor principal do estudo, o arqueólogo Chris Standish, da Universidade de Southampton.

“Nossos resultados mostram que essas pinturas são, de longe, o mais antigo registro de arte nas cavernas do mundo. E elas foram criadas pelo menos 20 mil anos antes da passagem dos humanos modernos da África para a Europa – e por isso só podem ter sido pintadas por Neandertais”, disse Standish.

Segundo Standish, até agora a arte das cavernas havia sido atribuída integralmente a humanos modernos e a imprecisão das técnicas de datação haviam impedido que se explorasse a hipótese de uma autoria Neandertal. Para realizar o novo estudo, os cientistas utilizaram uma técnica de datação de urânio-tório, que fornece resultados muito mais confiáveis que os métodos de datação por radiocarbono, com margem de erro muito menor.

O método de urânio-tório envolve a datação de minúsculos depósitos de carbonato que se acumulam na superfície as pinturas nas cavernas. Esses depósitos contêm traços dos elementos radioativos urânio e tório, que indicam quando os depósitos se formaram – e fornecendo assim uma idade mínima para qualquer coisa que esteja abaixo da superfície onde estavam as amostras.

Uma equipe de cientistas do Reino Unido, da Alemanha, da Espanha e da França analisou mais de 60 amostras de carbonato de três cavernas da Espanha: La Pasiega, no nordeste do país, Maltravieso, no oeste e Ardales, no sudoeste espanhol.

As três cavernas contêm pinturas feitas com traços vermelhos ou pretos e representando grupos de animais, pontos e sinais geométricos, assim como desenhos de contornos de mãos, marcas de mãos “carimbadas” e gravações feitas na rocha.

Comportamento sofisticado

Segundo os cientistas, a criação de arte – por mais simples que ela seja – envolve comportamentos sofisticados como a própria escolha do local, o planejamento relacionado à fonte de luz e a mistura de pigmentos.

“Logo depois da descoberta do primeiro fóssil de Neanderthal no século 19, eles foram retratados como abrutalhados e desprovidos de cultura, incapazes de comportamentos artísticos e simbólicos. E algumas dessas visões ainda persistem até hoje”, disse outro dos coordenadores do estudo, Alistair Pike, arqueólogo da Universidade de Southampton. “A questão sobre até que ponto os Neandertais se comportavam como humanos é objeto de um debate acalorado. Nossas descobertas darão uma considerável contribuição a esse debate”, disse Pike.

De acordo com outro dos autores do artigo, Dirk Hoffmann, do Instituto Max Planck a cultura simbólica e material – uma coleção de feitos culturais e intelectuais passada de geração para geração – só havia sido atribuída até hoje à espécie humana. “A emergência da cultura simbólica e material representa um limiar fundamental na evolução da humanidade. Ela é um dos principais pilares daquilo que nos torna humanos. Artefatos cujo valor funcional não está em seu uso prático, mas em seu uso simbólico, remetem a aspectos fundamentais da cognição humana”, afirmou Hoffmann.

Artefatos simbólicos ainda mais antigos, com cerca de 70 mil anos, já haviam sido encontrados na África, mas acredita-se que eles foram produzidos por humanos, segundo os cientistas. Os desenhos Neandertais da Espanha, porém, podem ser considerados as mais antigas representações simbólicas em cavernas. Outros artefatos de cerca de 40 mil anos, incluindo arte em cavernas, figuras esculpidas, ferramentas de ossos decoradas e joias também já foram encontradas antes na Europa. Mas os cientistas concluíram que todos esses artefatos foram feitos por humanos modernos que nessa época já estavam se espalhando pela Europa, após a saída da África.

Também há evidências de que Neandertais da Europa utilizaram ornamentos corporais entre 40 mil e 45 mil anos atrás, mas vários pesquisadores sugeriam que eles teriam sido inspirados por humanos modernos que haviam acabado de chegar ao continente e conviveram com os Neandertais. “Os Neandertais criaram símbolos cheios de significados em locais igualmente cheios de significados. Não foi uma arte acidental”, disse outro dos autores do estudo, Paul Pettitt, da Universidade Durham (Reino Unido).

“Temos agora exemplos de três cavernas que ficam separadas por mais de 700 quilômetros e evidências de que essa arte era uma tradição que perdurou longamente. É bem possível que outras manifestações artísticas em cavernas semelhantes na Europa também tenham origem Neanderthal”, declarou Pettit.

Com informações: Estadão Conteúdo

17:55 · 12.12.2017 / atualizado às 17:55 · 12.12.2017 por
cientistas descobriram, em Myanmar, vários carrapatos aprisionados em diversos pedaços de âmbar (uma espécie de resina fóssil), associados a restos dos grandes répteis Foto: NPR

A partir da descoberta de um fóssil de carrapato preservado em âmbar, um grupo internacional de cientistas mostrou pela primeira vez que esses parasitas já se alimentavam do sangue de dinossauros há quase 100 milhões de anos.

O estudo, publicado nesta terça-feira (12), na revista Nature Communications, também revela uma nova espécie extinta de carrapato, batizada de Deinocroton draculi, em alusão ao vampiro Drácula. Os cientistas descobriram, em Mianmar, vários carrapatos aprisionados em diversos pedaços de âmbar – uma espécie de resina fóssil – datados em 99 milhões de anos.

Um deles estava agarrado a uma pena de dinossauro. Segundo os autores do estudo, raramente são encontrados parasitas associados aos fósseis de seus hospedeiros e a descoberta é a primeira evidência direta da relação entre carrapatos e dinossauros.

Sem ‘Jurassic Park’

Embora o contexto da pesquisa lembre bastante o filme Jurassic Park, os cientistas afirmam que é praticamente impossível reconstruir dinossauros a partir de eventuais restos de DNA desses animais no fóssil de um carrapato do período Cretáceo (145 milhões a 66 milhões de anos atrás).

Na obra ficcional, dirigida por Steven Spielberg em 1993, os cientistas extraem o DNA de dinossauros de fósseis de mosquitos preservados em âmbar e, a partir daí, conseguem clonar os lagartos gigantes e trazê-los de volta à Terra. Os pesquisadores porém, explicam que embora seja comum encontrar fósseis em âmbar, é praticamente inviável extrair dessas amostras DNA em condições de ser utilizado – e o processo de clonagem seria ainda mais difícil. Todas as tentativas feitas até hoje de extrair DNA de espécimes em âmbar foram um fracasso, por causa da curta vida útil dessa molécula.

“Os carrapatos são infames organismos parasitários sugadores de sangue, que têm um impacto tremendo na saúde de humanos, de gado de bichos de estimação e de animais selvagens. Mas até agora estava faltando uma clara evidência do papel desses parasitas no passado remoto”, disse o autor principal do estudo, Enrique Peñalver, do Instituto de Pesquisa de Geologia e Mineração da Espanha.

Penas de dinossauros

Segundo Peñalver, o âmbar do Cretáceo fornece aos cientistas uma janela para o mundo dos dinossauros emplumados. Parte desse grupo de dinossauros mais tarde evoluiria para dar origem às aves modernas. A pena de dinossauro encontrado no âmbar com o carrapato, segundo os cientistas, tem estrutura semelhante à das penas dos pássaros.

Com informações: Estadão Conteúdo

21:39 · 18.10.2016 / atualizado às 21:39 · 18.10.2016 por
Foto: WWF
“Bisão de Higgs” foi o ancestral do bisão-europeu moderno, cuja origem até hoje era considerada incerta Foto: WWF

Uma misteriosa espécie pré-histórica de bisões intrigava os cientistas há anos: certos sinais genéticos de fósseis desses animais mostravam que eles eram totalmente diferentes de qualquer outra espécie de bisão – moderna ou extinta.

Um novo estudo finalmente desvendou o mistério da espécie que ficou conhecida pelos cientistas como “bisão de Higgs”, em alusão ao bóson de Higgs, partícula cuja existência era prevista pelos físicos desde a década de 1960, mas só foi confirmada em 2012.

A pesquisa revelou que o “bisão de Higgs” teve origem há 120 mil anos, a partir da hibridização entre duas espécies extintas: o auroque, ancestral dos bovinos modernos e o bisão da estepe, que viveu na Era do Gelo na Europa e na América do Norte. Além disso, o estudo concluiu que o “bisão de Higgs” foi o ancestral do bisão-europeu moderno, cuja origem até hoje era considerada incerta.

De acordo com os autores do estudo, as pinturas rupestres da Era do Gelo, que retratam bisões em inúmeras cavernas na Europa, são coerentes com a descoberta e mostram, ao longo do tempo, modificações na aparência dos animais que coincidem com o aparecimento do bisão-europeu. Em outras palavras, os artistas pré-históricos documentaram a evolução do bisão.

Liderado por cientistas da Universidade de Adelaide, na Austrália, o estudo foi publicado nesta terça-feira, 18, na revista Nature Communications. Para chegar a suas conclusões, os cientistas combinaram análises de DNA antigo e análises de pinturas rupestres. “Descobrir que a hibridização levou a uma espécie completamente nova foi uma verdadeira surpresa, já que isso não acontece normalmente com mamíferos”, disse o autor principal do estudo, Alan Cooper, diretor do Centro Australiano de DNA Antigo, da universidade australiana. “Os sinais genéticos encontrados em ossos de bisões antigos eram muito estranhos, mas ninguém tinha muita certeza se essa espécie existia de fato – então nos referíamos a ela como ‘bisão de Higgs'”, explicou Cooper.

Registros fósseis apontavam que na pré-história havia duas formas principais de bovinos na Europa: os auroques, extintos no século 17, e o bisão da estepe. Mas as origens do bisão-europeu – que têm história evolutiva bastante distinta do bisão-americano -, eram bastante obscuras graças à falta de registros fósseis. Até agora, a única certeza sobre o bisão-europeu era que ele surgiu subitamente há cerca de 11,7 mil anos, logo após o desaparecimento do bisão da estepe.

Alternância

Os cientistas liderados por Cooper analisaram o genoma antigo extraído dos ossos e dentes de 64 bisões em quatro cavernas na Europa, nos Urais e no Cáucaso, a fim de rastrear a história genética desses animais.

Os sinais genéticos encontrados nesses fósseis eram totalmente diferentes dos encontrados no bisão-europeu e em qualquer outra espécie conhecida. Fazendo datação dos fósseis com radiocarbono, os cientistas mostraram que o “bisão de Higgs” dominou a Europa por milhares de anos, mas essa predominância era alternada, ao longo do tempo com o bisão da estepe – que até agora era considerada a única espécie de bisão presente na Europa no fim da Era do Gelo.

“Os ossos datados revelaram que nossa nova espécie e o bisão da estepe revezaram a dominância na Europa por várias vezes, variando de acordo com alterações ambientais causadas por mudanças climáticas”, disse o autor principal do estudo, Julien Soubrier, da Universidade de Adelaide. “Quando fomos perguntar a opinião de pesquisadores que estudam a arte em cavernas na França, eles nos disseram que, de fato, havia duas formas distintas de representação de bisões nas cavernas, durante a Era do Gelo. A idade dessas pinturas se encaixa perfeitamente com a alternância das duas espécies. Nunca tínhamos imaginado que os artistas das cavernas tinham deixado para nós úteis retratos de ambas as espécies.”

Retratos

Nas cavernas, as pinturas mais antigas, com mais de 18 mil anos, retratam os bisões com longos chifres e a parte dianteira proeminente – uma aparência semelhante à do bisão-americano, que descende do bisão da estepe. Em pinturas mais recentes – de 12 mil a 17 mil anos -, o animal é retratado com chifres curtos e costas pequenas, como o bisão-europeu moderno.

“Assim que se formou, a nova espécie híbrida parece ter sido bem-sucedida em encontrar um nicho na paisagem e conseguiu assim se manter geneticamente”, disse Cooper. Segundo ele, o “bisão de Higgs” predominou em períodos mais frios, em paisagens que se assemelhavam à tundra. Segundo Cooper, o “bisão de Higgs” é o ancestral do bisão-europeu, mas parece ser uma espécie totalmente nova, porque o animal moderno sofreu consideráveis modificações em tempos recentes. “No entanto, o bisão-europeu moderno parece bem distinto geneticamente, porque essa espécie passou por um gargalo genético muito estreito, que quase os levou à extinção: apenas 12 indivíduos existiam na década de 1920.”

Beth Shapiro, da Universidade da Califórnia em Santa Cruz – que também participou do novo estudo -, foi a primeira cientista a detectar o “bisão de Higgs”, em sua pesquisa de doutorado orientada por Cooper na Universidade de Oxford (Reino Unido), em 2001. “Quinze anos depois, é ótimo finalmente desvendar a história inteira. Foi com certeza um longo caminho, com um surpreendente número de reviravoltas”, afirmou Beth.

Com informações: Estadão Conteúdo

23:25 · 29.09.2016 / atualizado às 23:25 · 29.09.2016 por
Foto: The New York Times
A organização e a defesa de territórios são importantes motivos de conflitos. A combinação desses fatores leva, por exemplo, a uma forma embrionária de guerra entre chimpanzés, nossos “primos” Foto: The New York Times

Guerra, assassinato e outras formas de agressão letal são parte importante do legado evolutivo da espécie humana, numa proporção muito maior do que ocorre com outros animais planeta afora.

A conclusão, aparentemente desanimadora, vem de um monumental estudo comparativo conduzido por pesquisadores espanhóis, mas há também uma boa notícia: a taxa de mortes violentas pode variar muito de acordo com a época e a cultura, e os tempos atuais são os mais pacíficos de todos.

Publicado na “Nature”, o levantamento coordenado por José María Gómez, da Universidade de Granada, apresenta uma visão das “raízes filogenéticas da violência letal humana”, conforme diz o título do trabalho. Trocando em miúdos, os pesquisadores tentaram investigar até que ponto a filogenia do Homo sapiens -ou seja, o parentesco do homem com outros seres vivos- influenciou o padrão de interações violentas entre membros da nossa espécie que resultam em mortes.

Ou seja, estamos falando apenas da chamada violência letal intraespecífica: não contam, por exemplo, os casos de morte por predação nos quais um animal de determinada espécie mata um membro de outra para comê-lo, que caracteriza a chamada violência interespecífica.

Milhões de mortes

O primeiro passo foi criar um banco de dados gigantesco: informações sobre mais de 4 milhões de mortes em 1.024 diferentes espécies de mamíferos como o ser humano.

O primeiro resultado importante é que, embora mortes violentas tenham sido registradas em 40% dessas espécies, a taxa costuma ser relativamente baixa, numa média 3 para cada 1.000 mortes (0,3%). Baleias e morcegos são especialmente pacíficos, ao menos nesse sentido. O problema é que a taxa vai aumentando progressivamente conforme o parentesco fica mais próximo dos primatas, o subgrupo que inclui os macacos e a humanidade. Entre essas criaturas, a média da violência letal fica em torno de 2% -seis vezes superior à dos mamíferos como um todo.

De fato, embora existam exceções, espécies de parentesco mais próximo tendem a ter comportamento violento mais parecido, o que, segundo os cientistas, corrobora a ideia de que há um componente evolutivo influenciando esse fator. Dois elementos acabam colaborando para o aumento da violência letal em certos grupos de mamíferos ao longo de sua trajetória evolutiva: a vida em grandes grupos e a territorialidade (ou seja, o hábito de tomar posse de um território específico).

A organização em bandos, por um lado, facilita a agressão grupal contra inimigos, que é quase sempre mais mortífera do que brigas na base do mano a mano, enquanto a defesa de territórios é um importante motivo de conflitos. A combinação desses fatores leva a uma forma embrionária de guerra entre chimpanzés, nossos “primos”.

Guerra e paz

O passo seguinte foi examinar os dados sobre a espécie humana moderna, presentes em cerca de 600 estudos que vão do Paleolítico (a popular Idade da Pedra Lascada) aos dias de hoje.

Tais dados muitas vezes não têm a mesma qualidade: nos últimos séculos, basta compilar certidões de óbito mundo afora, enquanto no caso da Pré-história é preciso procurar marcas de violência em esqueletos antigos (e nem sempre um assassinato vai deixar vestígios no esqueleto do defunto).

Feitas essas ressalvas, os dados sugerem que durante dezenas de milhares de anos as mortes violentas ficaram estáveis, na casa dos 2% ou pouco acima dela -ou seja, nossa espécie estava se comportando mais ou menos da maneira esperada, como qualquer outro grande primata. A coisa, porém, encrespou para valer a partir da Idade do Ferro (pouco mais de 3.000 anos atrás), possivelmente por conta do surgimento de Estados e impérios que desenvolveram classes de guerreiros e conquistadores, cujo papel de elite dependia justamente da habilidade de cortar a cabeça alheia.

Nos últimos 500 anos, porém, fortaleceu-se uma tendência lenta, segura e gradual de queda da proporção de mortes violentas, em parte porque os Estados modernos passaram a controlar cada vez mais os conflitos entre cidadãos, em parte porque os conflitos entre Estados foram se tornando mais raros.

A taxa atual está abaixo da média dos mamíferos, aliás -apesar de conflitos étnicos e religiosos e do terrorismo. Em média, a paz está vencendo, ao menos por enquanto.

Com informações: Reinaldo José Lopes/Folhapress

22:38 · 25.04.2016 / atualizado às 22:53 · 25.04.2016 por
Imagem: Obvious
Segundo pesquisa britânica, diversidade de espécies de dinossauros já vinha sendo reduzida 40 milhões de anos antes do impacto de um asteroide, de cerca de 10 km de diâmetro contra a Terra Imagem: Obvious

Existe razoável consenso entre os cientistas de que foi o impacto de um asteroide que levou à extinção dos dinossauros há quase 66 milhões de anos atrás.

Há menos consenso sobre a possibilidade destes grandes animais já estarem em declínio quando o corpo celeste chegou para terminar o serviço. Pesquisadores do Reino Unido mostraram que os dinossauros de fato já estavam em declínio cerca de 40 milhões de anos antes do letal impacto na cratera Chicxulub, no México.

O estudo publicado na revista científica “PNAS” seria o primeiro a modelar a dinâmica evolucionária entre dinossauros – isto é, a relação entre a extinção de espécies e o processo de produção de outras novas, a “especiação”. O ritmo de extinção superou o de especiação 40 milhões de anos antes do impacto do meteoro.

Existe, ainda a dificuldade ligada aos diferentes ritmos de evolução entre os três principais grupos de dinos – os clados Ornithischia, Sauropodomorpha e Theropoda. Há uma grande diversidade entre esses animais. Por exemplo, os bípedes carnívoros terópodas, ou os mega-herbívoros e quadrúpedes saurópodas.

Os autores admitem que não é possível identificar uma causa para o declínio dos animais. Pode ser uma combinação delas. A separação dos continentes limitaria a movimentação e consequentemente a possibilidade de especiação.

Entre outros eventos deletérios, estão episódios frequentes de vulcanismo, mudança climática, flutuação do nível dos oceanos ou a interação ecológica com outros animais, como mamíferos primitivos.

Sobrevivência das aves

Águias, gaviões, flamingos, sabiás, andorinhas, periquitos; a enorme variedade de espécies de aves hoje existentes tornou-se possível porque os ancestrais delas conseguiram sobreviver comendo sementes depois de um evento catastrófico de extinção, 66 milhões de anos atrás, indica um estudo publicado na revista “Current Biology”.

Aves são os únicos dinossauros que sobreviveram ao letal meteoro que criou a cratera de Chicxulub na península de Iucatã, México. Apesar do nome “dinossauro” ter sido criado a partir do grego, significando algo como “lagarto terrível”, ou melhor, “assustadoramente grande lagarto”, os dinos não eram lagartos. Eles eram bem diversificados, e incluíam um grupo de animais emplumados, os ancestrais das aves modernas.

Segundo os autores do estudo liderado pelo paleontólogo canadense Derek Larson, logo depois do impacto do meteoro
que marca o fim do período geológico Cretáceo, as cadeias alimentares terrestres que contavam com a fotossíntese das plantas teriam entrado em colapso. Sem plantas, não sobrevivem os herbívoros que as comem; sem herbívoros, não há comida para os carnívoros. Os dinossauros aviários incluíam carnívoros com dentes nos bicos, que terminaram extintos também por conta da massiva mudança ecológica. Já seus colegas sem dentes foram capazes de sobreviver comendo sementes.

O estudo de Larson incluiu a análise de 3.104 dentes de dinossauros do clado chamada Maniraptora, que inclui tanto as aves como outros dinos não aviários. Os dentes pertencem a animais que viveram nos últimos 18 milhões de anos do Cretáceo.

Os cientistas concluíram que a extinção dos Maniraptora com dentes e a sobrevivência dos outros dinossauros aviários (ancestrais mais diretos das aves modernas) foi obra da capacidade destes de utilizar melhor a única comida abundante disponível, sementes.

Obstáculos contra a extinção

Sobreviver ao impacto do meteoro não foi fácil. Houve um grande pulso inicial de calor, literalmente cozinhando muitos animais e plantas, além de incêndios posteriores; chuva ácida, escuridão e inverno causado pelo bloqueio da luz solar ajudaram a extinguir ainda mais espécies.

Mas os pássaros comedores de sementes resistiram. Hoje se sabe que sementes em florestas temperadas modernas podem permanecer viáveis por mais de 50 anos. E em casos de incêndios em habitats, os pássaros “granívoros” – comedores de sementes – estão entre os primeiros a reocupar o local.

Os mais de três mil dentes foram analisados em busca de padrões de diversidade. Se a variação ao longo do tempo diminuísse seria um sinal de que a perda de diversidade indicaria que o ecossistema estava em declínio. Mas se os dentes permanecessem diferentes durante o período seria a indicação de que o ecossistema esteve estável durante milhões de anos.

Ou seja, os dinossauros aviários com dentes estavam vivendo bem até receberem o abrupto golpe do meteoro. Os pesquisadores também estudaram pássaros atuais para ajudar e entender seu passado comum. E concluíram que o ancestral comum de todos – mesmo aqueles cuja dieta é de carne, insetos ou plantas – era um discreto comedor de sementes com um bico desdentado.

Fonte: Ricardo Bonalume Neto/Folhapress

19:22 · 30.01.2015 / atualizado às 22:14 · 30.01.2015 por
Foto: America Herald
Pesquisadores chegaram à conclusão, a partir de análise que envolveu o uso de tomografia computadorizada, para analisar os ossos das mãos de membros da nossa espécie, dos neandertais, de chimpanzés e dos australopitecos Foto: America Herald

A capacidade tipicamente humana de fazer movimentos complexos unindo o polegar aos demais dedos, como girar uma chave, já estava presente em ancestrais do homem com 3 milhões de anos de idade, diz um novo estudo. O dado vem da análise dos ossos das mãos do hominídeo Australopithecus africanus.

No artigo publicado na revista “Science”, cientistas tentam resolver uma polêmica antiga. Embora quase todos os especialistas concordem que o uso de ferramentas de pedra já era uma característica do primeiro membro do nosso gênero, o Homo habilis, que viveu há cerca de 2,5 milhões de anos, ancestrais mais antigos têm um mosaico de traços “primitivos” e “avançados” nas mãos, o que deixa os cientistas em dúvida.

Os pesquisadores então usaram tomografia computadorizada para analisar os ossos das mãos de membros da nossa espécie, dos neandertais, de chimpanzés e dos australopitecos.

A chave aqui é o chamado osso trabecular, um tipo esponjoso de tecido ósseo que é remodelado de acordo com o tipo de esforço realizado.

A “pegada” típica do polegar humano leva a uma maior densidade desse osso na base do polegar.

E foi isso que os pesquisadores viram no caso dos australopitecos.

Com informações: Reinaldo José Lopes/Folhapress

18:54 · 22.10.2014 / atualizado às 19:08 · 22.10.2014 por
Imagem: AVPH
Fêmur encontrado na Sibéria (Rússia) pertenceu a um homem que morreu há 45 mil anos Imagem: AVPH

Cientistas anunciaram nesta quarta-feira (22) ter decifrado o mais antigo DNA já recuperado do osso de um “Homo sapiens”, um feito que lança luz sobre a colonização dos humanos modernos no planeta.

O fêmur encontrado por acaso nas margens de um rio do oeste da Sibéria (Rússia) em 2008 pertenceu a um homem que morreu cerca de 45.000 anos atrás, afirmaram. Obtido a partir do colágeno contido no osso, o genoma contém rastros de neandertais: uma espécie próxima da nossa que viveu na Eurásia juntamente com o “Homo sapiens”, antes de desaparecer misteriosamente.

Estudos anteriores revelaram que “Homo sapiens” e Neandertais se miscigenaram e, como resultado, estes últimos teriam deixando uma pequena marca de apenas 2% nos humanos atuais, exceto os africanos. A descoberta tem impacto no chamado cenário “Fora da África”: a teoria segundo a qual o “Homo sapiens” evoluiu no leste da África há cerca de 200 mil anos e, então, se aventurou fora do continente.

Datar quando os Neandertais e os “Homo sapiens” se miscigenaram também indicaria quando o “Homo sapiens” iniciou uma etapa chave desta jornada, a saída da Eurásia rumo ao sul e ao sudeste da Ásia. O novo estudo, publicado na revista britânica Nature, foi chefiado por Svante Paabo, um geneticista renomado do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva em Leipzig, Alemanha, pioneiro nas pesquisas sobre os neandertais.

Cruzamento com neandertais

O osso encontrado no rio Irtyush, perto do assentamento de Ust’-Ishim, contém uma quantidade sutilmente maior de DNA neandertal do que os não africanos da atualidade, afirmaram os cientistas.

Mas assume a forma de tiras relativamente longas, enquanto o DNA neandertal no nosso genoma, hoje, foi retalhado e disperso em seções minúsculas, como consequência da reprodução ao longo das gerações.

Estas diferenças fornecem uma pista para um “calendário molecular” ou datação do DNA, segundo mutações ao longo de milhares de anos. Usando este método, a equipe de Paabo estima que a miscigenação entre os neandertais e os “Homo sapiens” tenha acontecido entre 7.000 e 13.000 anos antes de quando o indivíduo siberiano viveu, portanto, não mais de 60.000 anos atrás.

Isto fornece um esboço de datação para estimar quando os “Homo sapiens” partiram rumo ao Sul da Ásia, destacou em um comentário do estudo Chris Stringer, professor do Museu Britânico de História Natural. Se os australasiáticos atuais têm DNA neandertal, isto se deve a que seus antepassados atravessaram um território ocupado por Neandertais e se misturaram com os locais.

“Os ancestrais dos australasiáticos, com ‘input’ similar de DNA neandertal ao dos eurasiáticos, devem ter participado de uma dispersão tardia, e não precoce, no território neandertal”, afirmou Stringer. “Embora ainda seja possível que os humanos modernos tenham atravessado o sul da Ásia antes de 60.000 anos atrás, estes grupos podem não ter dado uma contribuição significativa às populações modernas remanescentes”, prosseguiu.

Antropólogos sugerem que um ramo de Eurasiáticos do norte fez a travessia para onde hoje fica o Alasca mais de 15.000 anos atrás, através de uma “ponte de gelo”, que conectava as ilhas d Estreito de Bering, habilitando o “Homo sapiens” a colonizar as Américas.

Com informações: AFP

16:58 · 01.09.2014 / atualizado às 17:39 · 01.09.2014 por
Foto: Reuters
Foram feitos dois tipos de análises: o estudo da composição dos minerais que cobrem a gravura, que concluiu ter sido ela criada antes da deposição dos sedimentos, e a comparação de microfotografias das marcas presentes na representação, com outras reconstruídas experimentalmente Foto: Reuters

Uma equipe internacional de cientistas revela ter encontrado, pela primeira vez, uma gravura rupestre da autoria de um humano que não pertencia à nossa espécie – mais precisamente, de um neandertal.

Para os autores, que publicaram os seus resultados nesta segunda-feira (01/09) na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, trata-se da primeira prova concreta de que os neandertais possuíam capacidades de raciocínio e de expressão abstratos que até agora eram considerados exclusividade dos humanos modernos.

Clive Finlayson, do Museu de Gibraltar, juntamente com colegas de Gibraltar, Espanha, França, Reino Unido e Noruega, descobriram uma gravura que, ao que tudo indica, foi feita de forma intencional, mas não com fins utilitários, na gruta de Gorham, na costa oriental de Gibraltar, pequeno promontório rochoso situado na extremidade sul da Península Ibérica.

Desde a década de 1950 é sabido que aquela gruta foi habitada pelos nossos “primos” humanos mais próximos, os neandertais, uma espécie de homem arcaico euroasiático que se extinguiu na Europa há uns 30.000 anos. Este não é o primeiro indício sugerindo que as capacidades cognitivas dos neandertais têm sido subestimadas, mas derruba argumentos que afirmam serem os neandertais menos “sofisticados” do que os Homo sapiens.

Artista metódico

Também não é o primeiro indício a sugerir que os neandertais podiam ser artistas. Mas é a primeira vez, salientam os autores, que é possível excluir as explicações alternativas para uma peça de arte rupestre.

“A gravura da gruta de Gorham representa a primeira instância diretamente demonstrável em que um padrão abstrato gravado, realizado com muito cuidado e sem fins utilitários e cuja produção requereu ações prolongadas e focadas, é observado na rocha de uma gruta”, escrevem os pesquisadores.

Até aqui, a arte das cavernas tem sido atribuída exclusivamente à nossa espécie, a dos humanos modernos, que chegou à Europa, vinda de África, há cerca de 40.000 anos. Mas no caso da gravura de Gorham, uma eventual autoria da nossa espécie parece muito improvável.

A gravura encontrava-se coberta por sedimentos onde já tinham sido desenterrados artefatos neandertais (em particular, ferramentas de pedra). E, mais importante ainda, explicam os autores, estes sedimentos permaneceram intocados, sem se misturarem com camadas mais recentes, durante 39.000 anos.

A gravura propriamente dita, com uma área de uns 300 centímetros quadrados (15×20), encontra-se na parte mais funda da gruta, no centro de uma plataforma rochosa natural de um metro quadrado, a 40 centímetros do chão. É composta por várias linhas profundas entrecruzadas.

Os cientistas fizeram dois tipos de análises. Por um lado, estudaram a composição geoquímica dos minerais que cobrem a gravura e concluíram que a representação abstrata tinha sido criada antes da deposição desses sedimentos.

Por outro, fizeram microfotografias das marcas de ferramenta presentes na gravura e compararam-nas com marcas que reconstruíram experimentalmente com várias ferramentas utilizadas pelos neandertais.

E constataram, por exemplo, que as marcas não poderiam nunca ter sido produzidas acidentalmente quando de atividades da vida quotidiana dos neandertais, tais como cortar a pele de porcos.

Com informações: Público

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