Diário Científico

Categoria: Primatas


12:30 · 23.02.2018 / atualizado às 12:32 · 23.02.2018 por
O mais próximo parente extinto do Homo sapiens, foi também a primeira espécie a escolher cavernas para fazer pinturas, superando a nossa nesse quesito Foto: Haaretz

Os Neandertais – e não os humanos pré-históricos – foram os primeiros artistas da Europa, de acordo com uma nova pesquisa liderada por cientistas da Universidade de Southampton (Reino Unido) e do Instituto Max Planck (Alemanha).

Os pesquisadores estudaram pinturas em três cavernas da Espanha e, com um método especial de datação, descobriram que elas foram criadas há mais de 64 mil anos, quando os únicos hominídeos na Europa eram os Neandertais (Homo neanderthalensis). O Homo sapiens só chegou ao continente cerca de 20 mil anos mais tarde.

Os resultados da pesquisa foram publicados na revista Science. De acordo com os cientistas, a descoberta é importante por demonstrar que os Neandertais eram capazes de pensar simbolicamente, assim como os humanos modernos. Os desenhos, que foram feitos durante a Era do Gelo, incluem representações de animais, sinais geométricos e pontos.

Segundo os autores, os resultados do novo estudo reforçam uma série de descobertas que têm ajudado a “desconstruir” a tradicional imagem dos Neandertais como um brutal homem das cavernas com inteligência extremamente limitada. Dois estudos publicados em 2017, por exemplo, mostravam que os Neandertais eram capazes de lidar com problemas odontológicos e de utilizar plantas medicinais como antibióticos e analgésicos.

“Essa é uma descoberta incrivelmente emocionante e ela sugere que os Neandertais eram muito mais sofisticados do que se acredita popularmente”, disse o autor principal do estudo, o arqueólogo Chris Standish, da Universidade de Southampton.

“Nossos resultados mostram que essas pinturas são, de longe, o mais antigo registro de arte nas cavernas do mundo. E elas foram criadas pelo menos 20 mil anos antes da passagem dos humanos modernos da África para a Europa – e por isso só podem ter sido pintadas por Neandertais”, disse Standish.

Segundo Standish, até agora a arte das cavernas havia sido atribuída integralmente a humanos modernos e a imprecisão das técnicas de datação haviam impedido que se explorasse a hipótese de uma autoria Neandertal. Para realizar o novo estudo, os cientistas utilizaram uma técnica de datação de urânio-tório, que fornece resultados muito mais confiáveis que os métodos de datação por radiocarbono, com margem de erro muito menor.

O método de urânio-tório envolve a datação de minúsculos depósitos de carbonato que se acumulam na superfície as pinturas nas cavernas. Esses depósitos contêm traços dos elementos radioativos urânio e tório, que indicam quando os depósitos se formaram – e fornecendo assim uma idade mínima para qualquer coisa que esteja abaixo da superfície onde estavam as amostras.

Uma equipe de cientistas do Reino Unido, da Alemanha, da Espanha e da França analisou mais de 60 amostras de carbonato de três cavernas da Espanha: La Pasiega, no nordeste do país, Maltravieso, no oeste e Ardales, no sudoeste espanhol.

As três cavernas contêm pinturas feitas com traços vermelhos ou pretos e representando grupos de animais, pontos e sinais geométricos, assim como desenhos de contornos de mãos, marcas de mãos “carimbadas” e gravações feitas na rocha.

Comportamento sofisticado

Segundo os cientistas, a criação de arte – por mais simples que ela seja – envolve comportamentos sofisticados como a própria escolha do local, o planejamento relacionado à fonte de luz e a mistura de pigmentos.

“Logo depois da descoberta do primeiro fóssil de Neanderthal no século 19, eles foram retratados como abrutalhados e desprovidos de cultura, incapazes de comportamentos artísticos e simbólicos. E algumas dessas visões ainda persistem até hoje”, disse outro dos coordenadores do estudo, Alistair Pike, arqueólogo da Universidade de Southampton. “A questão sobre até que ponto os Neandertais se comportavam como humanos é objeto de um debate acalorado. Nossas descobertas darão uma considerável contribuição a esse debate”, disse Pike.

De acordo com outro dos autores do artigo, Dirk Hoffmann, do Instituto Max Planck a cultura simbólica e material – uma coleção de feitos culturais e intelectuais passada de geração para geração – só havia sido atribuída até hoje à espécie humana. “A emergência da cultura simbólica e material representa um limiar fundamental na evolução da humanidade. Ela é um dos principais pilares daquilo que nos torna humanos. Artefatos cujo valor funcional não está em seu uso prático, mas em seu uso simbólico, remetem a aspectos fundamentais da cognição humana”, afirmou Hoffmann.

Artefatos simbólicos ainda mais antigos, com cerca de 70 mil anos, já haviam sido encontrados na África, mas acredita-se que eles foram produzidos por humanos, segundo os cientistas. Os desenhos Neandertais da Espanha, porém, podem ser considerados as mais antigas representações simbólicas em cavernas. Outros artefatos de cerca de 40 mil anos, incluindo arte em cavernas, figuras esculpidas, ferramentas de ossos decoradas e joias também já foram encontradas antes na Europa. Mas os cientistas concluíram que todos esses artefatos foram feitos por humanos modernos que nessa época já estavam se espalhando pela Europa, após a saída da África.

Também há evidências de que Neandertais da Europa utilizaram ornamentos corporais entre 40 mil e 45 mil anos atrás, mas vários pesquisadores sugeriam que eles teriam sido inspirados por humanos modernos que haviam acabado de chegar ao continente e conviveram com os Neandertais. “Os Neandertais criaram símbolos cheios de significados em locais igualmente cheios de significados. Não foi uma arte acidental”, disse outro dos autores do estudo, Paul Pettitt, da Universidade Durham (Reino Unido).

“Temos agora exemplos de três cavernas que ficam separadas por mais de 700 quilômetros e evidências de que essa arte era uma tradição que perdurou longamente. É bem possível que outras manifestações artísticas em cavernas semelhantes na Europa também tenham origem Neanderthal”, declarou Pettit.

Com informações: Estadão Conteúdo

16:12 · 03.08.2017 / atualizado às 16:12 · 03.08.2017 por
Bactéria causou a morte de 56% de chimpanzés cujos corpos foram estudados por pesquisadores, no período entre 1989 e 2014 Foto: Getty Images

O antraz, uma doença bacteriana grave geralmente associada a climas áridos, vem dizimando silenciosamente chimpanzés em uma floresta tropical da África Ocidental, e pode eliminá-los completamente, disseram pesquisadores.

Amostras tiradas de carcaças, ossos e moscas que se alimentam de carniça no Parque Nacional de Tai (TNP), na Costa do Marfim, entre 1989 a 2014, revelaram que o antraz causou 38% das mortes de animais – incluindo 31 dos 55 chimpanzés mortos analisados, ou seja, no caso da espécie a letalidade chega a 56%.

Outras baixas incluíram macacos, antílopes, mangustos e um porco-espinho. “Nossas simulações (…) sugerem que a mortalidade induzida pelo antraz resultará em declínios determinísticos de população e na possível extirpação de chimpanzés do TNP nos próximos 150 anos”, escreveu uma equipe na revista científica Nature.

Os chimpanzés são particularmente vulneráveis ​​devido à sua lenta taxa de reprodução, disseram os cientistas. Os pesquisadores não conseguiram determinar onde e como os animais estavam sendo infectados com um tipo de antraz identificado pela primeira vez no TNP em 2004. E eles advertiram que as infecções em macacos “são muitas vezes indicadoras de doenças que também podem afetar humanos”.

A bactéria, Bacillus cereus biovar anthracis, também causou mortes de chimpanzés, gorilas e elefantes em Camarões e na República Centro-Africana, disse a equipe. Nenhum caso de humanos afetados foi registrado. Anteriormente, se acreditava que os surtos de antraz eram mais comuns em ecossistemas áridos, como a savana africana, onde matam animais de caça, gado e às vezes humanos.

Os humanos geralmente contraem a doença de animais infectados ou através da exposição a produtos animais contaminados. A bactéria pode ser contraída pela pele, boca ou inalação. Em sua forma mais comum, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, provoca feridas negras na pele. A bactéria não é transmitida de pessoa para pessoa. Embora potencialmente mortal, reage bem ao tratamento com antibióticos.

Com informações: AFP

16:01 · 23.12.2014 / atualizado às 17:07 · 23.12.2014 por
Foto: Associated Press
Animal, chamado Sandra, poderá viver em regime de semiliberdade e ser transferido para o Brasil. Tribunal considerou que a fêmea tem sentimentos e capacidades de tomar decisões e não pode ser tratado como um objeto Foto: Associated Press

A Justiça da Argentina concedeu um habeas corpus em favor de um orangotango fêmea que vive em um zoológico de Buenos Aires.

Com isso, o animal, chamado Sandra, poderá viver em regime de semiliberdade e ser transferido para o Brasil. O fato inédito no mundo foi tomado pelo tribunal por considerar que ela é um “sujeito não-humano”, que tem sentimentos e capacidades de tomar decisões, e não um objeto.

Porém, apesar do benefício, a medida não será extensiva para todos os animais julgados. “Isso só se aplica no caso de Sandra e de grandes primatas, que tem 96% da identidade genética igual a dos seres humanos”, disse Andrés Gil Domínguez, advogado da associação que pediu a transferência do orangotango para um ambiente natural.

A Câmara Federal de Cassação Penal tomou a decisão a favor do primata, originário da ilha de Sumatra, “a partir de uma interpretação jurídica dinâmica e não estática que reconhece que os sujeitos não-humanos são titulares de direito e que é preciso uma proteção em âmbito correspondente”. Segundo especialistas, a decisão dos juízes Alejandro Slokar, Angela Ledesma e Pedro David é inédita no mundo.

Direitos animais

O presidente da Associação de Funcionários e Advogados dos Direitos dos Animais (Afada), Pablo Bompadre, destacou que essa decisão “amplia a base da racionalidade e dos sentimentos da jurisprudência argentina que até o momento considerava os animais como coisas”.

A Afada também foi responsável por outra ação semelhante, com o chimpanzé Toti. Mas, não teve o mesmo sucesso em dezembro de 2013. O animal ainda precisa viver em cativeiro em um zoo argentino.

Com informações: Ansa Brasil

17:28 · 16.12.2014 / atualizado às 17:41 · 16.12.2014 por
Foto: Unemat
Foram avistados três macacos do gênero Pithecia, conhecido popularmente como ‘parauacus’. Estes macacos não eram conhecidos cientificamente para esta região e, além disso, como estes grupos observados apresentaram características diferentes das espécies já conhecidas Foto: Unemat

Pesquisadores do Laboratório de Mastozoologia, da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), descobriram o que pode ser uma nova espécie de macaco na região de transição entre Amazônia e Pantanal.

O mestrando Almério Gusmão, orientado pelo professor Manoel dos Santos Filho, observou no final de novembro deste ano, durante atividades de campo, três macacos do gênero Pithecia, conhecido popularmente como ‘parauacus’.

Estes macacos não eram conhecidos cientificamente para esta região e, além disso, como estes grupos observados apresentaram características diferentes das espécies já conhecidas, os pesquisadores ainda não os agruparam em nível de espécie.

O próximo passo agora é analisar mais detalhadamente os animais e verificar se se trata de uma nova espécie ou uma variação geográfica de alguma já descrita.

Diversidade pouco conhecida

O Brasil possui a maior diversidade de primatas do planeta e, mesmo assim, ainda é pouco conhecida cientificamente.

No Estado de Mato Grosso existem três biomas e várias localidades com poucos conhecimentos sobre sua diversidade.

A preocupação dos pesquisadores é que estes animais estão em uma região onde a vegetação nativa foi quase totalmente removida para a implantação da agricultura e da pecuária.

Com essa preocupação, o Laboratório de Mastozoologia, coordenado pelo professor Manoel, vem desenvolvendo projetos para investigar a ecologia nesses fragmentos. Atualmente, trabalham com primatas na região sul da Amazônia e no Pantanal mato-grossense.

Os locais onde foram observados os animais são pequenos fragmentos de floresta isolados entre si e não existem unidades de conservação próximas. Isso implica problemas para a conservação, uma vez que decorrente da perda de habitat e do isolamento das poucas populações ainda existentes na região, já há o risco de extinção desta espécie de parauacu.

Com informações: Fotos Públicas

21:48 · 09.02.2014 / atualizado às 22:00 · 09.02.2014 por
Espécie tinha o canibalismo como prática comum Foto: Wikipedia
Espécie tinha o canibalismo como prática comum Foto: Wikipedia

As pegadas, descobertas nas margens de Happisburgh, na costa de Norfolk, têm mais de 800 mil anos e são evidências diretas dos primeiros hominídeos que viveram no norte da Europa.

O achado é de pesquisadores do Museu Britânico, do Museu de História Natural de Londres e da Universidade Queen Mary, que publicaram a descoberta no último número da revista científica “Plos One”.

Entre as pegadas, há rastros de crianças e adultos, e uma delas corresponde a um pé com um tamanho europeu de sapato do número 42, o que sugere que poderia corresponder a um homem de cerca de 1,70 de altura.

As marcas descobertas pela primeira vez em maio do ano passado durante a maré baixa graças as ondas que retiraram os sedimentos que as recobriam, são as únicas pegadas desta idade na Europa. Há apenas outros três conjuntos que são mais antigos e estão na África. Nick Ashton, arqueólogo do Museu Britânico, relatou que ele e seus colegas se apressaram para fazer fotografias e modelos em 3D das pegadas, antes que as ondas constantes as destruíssem.

Ainda não se sabe ao certo de quem são as pegadas, mas, de acordo com especialistas, há a possibilidade de elas serem de uma espécie chamada Homo antecessor, que viveu no sul da Europa. Acredita-se que este grupo tenha chegado a Norfolk através de uma faixa de terra que ligava o Reino Unido ao resto da Europa há um milhão de anos.

Eles surgiram por volta de 1,6 milhão de anos (época pleistocênica ou idade paleolítica) atrás e teriam desaparecido há cerca de 800 mil anos em decorrência de mudanças climáticas.

Embora bastante similar à espécie humana atual, o Homo antecessor não teria relação direta com os seres humanos modernos.

Com informações: Portal Terra

21:28 · 22.12.2013 / atualizado às 21:45 · 22.12.2013 por
Embora não haja consenso entre cientistas se humanos modernos e neandertais pertencem à mesma espécie (constituindo, no entanto, duas subespécies diversas), pelo menos a fala parece certo ser uma característica em comum Foto: Neanderthal Museum
Embora não haja consenso entre cientistas se humanos modernos e neandertais pertencem à mesma espécie (constituindo, no entanto, duas subespécies diversas), pelo menos a fala parece ser uma característica em comum Foto: Neanderthal Museum

Um osso no pescoço dos neandertais dá indícios de que eles eram capazes de falar, de acordo com um estudo publicado nesta semana na revista científica PLoS One.

O osso hioide, que fica na parte superior do pescoço, logo acima do maxilar, suporta a musculatura na base da língua, e sem ele a fala articulada seria impossível. O osso hioide que os pesquisadores estudaram provém de uma caverna em Israel, e foi o primeiro do tipo a ser descoberto. As informações são do site iScience Times.

A descoberta desse osso, em 1989, imediatamente levou à especulação sobre a capacidade dos neandertais de falar. A ideia, porém, foi recebida com cautela e gerou controvérsia no meio acadêmico. Cientistas do Canadá, Austrália, Estados Unidos e outros países voltaram a analisar o osso, desta vez com simulações feitas em computador.

Com o uso de microtomografia em raio-x, eles verificaram como o osso hioide interagia com os músculos ao redor. Os cientistas descobriram que a estrutura do osso mostrava sinais de “intensa e constante atividade metabólica”, que pode ser fruto da linguagem.

Para um dos autores do estudo, Stephen Wroe, pesquisador na Austrália, a análise mostra que o osso hioide não apenas parece com o que os humanos têm atualmente, mas também era usado de maneira bastante similar.

Com informações: Portal Terra

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