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Categoria: Química


13:34 · 20.02.2018 / atualizado às 16:20 · 20.02.2018 por
Pesquisadores têm estudado os sistemas de manutenção e reparo do material genético de humanos e outros animais e algumas moléculas têm se mostrado promissoras para conseguir melhorias na redução de danos causados pelo processo de divisão celular Foto: FaderMex

Por Reinaldo José Lopes

Dá para levar a sério a ideia de estender a longevidade humana e, quem sabe, produzir pessoas potencialmente imortais? São raríssimos os cientistas dispostos a responder que sim na lata, mas um progresso (muito) modesto já tem acontecido.

Por enquanto, apareceram alguns candidatos interessantes a “alvo molecular” da longevidade. Ou seja, moléculas, ou conjuntos de moléculas, que poderiam ser manipuladas para alterar os sistemas celulares que acabam levando ao envelhecimento. Várias delas tem alguns pontos em comum: estão associadas à maneira como o organismo lida com o excesso de recursos e com o crescimento.

Outra via que está sendo explorada tem a ver com os sistemas de manutenção e reparo do material genético. Problemas no DNA frequentemente desencadeiam câncer, e também há uma importante relação entre a diminuição das estruturas chamadas telômeros (as “pontas de segurança” dos cromossomos, onde o DNA está armazenado) e o envelhecimento celular. Boa parte dos dados que apoiam esses dois ramos da pesquisa vem do estudo de animais de laboratório. Intervenções em espécies de vida relativamente curta, como vermes nematoides, camundongos e ratos, já obtiveram aumentos substanciais da expectativa de vida e da saúde mesmo em idade avançada.

E também há pistas intrigantes vindas do organismo de animais que vivem muito mais do que o esperado considerando seu tamanho e seus parentes -em geral, criaturas pequenas vivem pouco, são muito predadas e se reproduzem velozmente (caso dos roedores), enquanto animais de grande porte e relativamente livres de inimigos naturais (caso dos seres humanos) tendem a ser longevos.

Segredo do morcego

Considere, porém, o caso dos morcegos, e em especial o dos morceguinhos do gênero Myotis, que pesam apenas algumas dezenas de gramas. Eles “deveriam” viver apenas alguns anos, como os roedores, mas a capacidade de voar diminuiu muito a pressão que eles sofreriam por partes dos predadores e permitiu que eles tivessem um ciclo de vida bem mais relaxado, morrendo por volta dos 40 anos (outros morcegos morrem na casa dos 20 anos ou 30 anos).

Um estudo que acaba de ser publicado na revista científica “Science Advances” por Emma Teeling e seus colegas do University College de Dublin (Irlanda) investigou justamente os telômeros do Myotis e de outros morcegos. Teeling explicou à reportagem o resultado: “Não é exatamente que o Myotis tenha telômeros mais compridos, mas o de que eles não encurtam com o passar da idade, conforme o esperado. Seres humanos com mais de 60 anos e telômeros mais curtos têm probabilidade três vezes maior de morrer de alguma doença ligada ao envelhecimento”.

Essa estrutura dos cromossomos diminui com as sucessivas divisões das células. Quando esse encurtamento alcança um nível crítico, chega-se ao estado chamado de senescência celular. A célula não se divide mais, mas pode produzir uma série de substâncias (com capacidade inflamatória, por exemplo) que parecem contribuir para os efeitos negativos do envelhecimento. “Eles também reparam melhor o seu DNA, têm níveis mais altos de controle de tumores e mecanismos anti-inflamatórios rápidos e eficientes”, diz Teeling. A julgar pelos estudos com animais, porém, alguém poderia achar que a intervenção definitiva não poderia ser mais simples: fechar a boca. Os estudos com restrição calórica -às vezes cortando 40% das calorias consumidos pelos bichos- foram os mais bem-sucedidos com espécies pequenas. Resultados preliminares com macacos e humanos, porém, nem chegaram perto desse êxito.

O jeito, porém, talvez seja contornar isso com medicamentos que reproduzem parte dos efeitos moleculares da boca fechada sem fazer as pessoas passarem fome de verdade. Uma delas é a rapamicina, droga originalmente usada para controlar a rejeição de transplantes (veja infográfico). Ela afeta um circuito molecular da célula chamado mTOR que, quando ativado, leva ao crescimento e à divisão celular. Desligá-lo parece colocar a célula em “modo de segurança”, estendendo a longevidade.

Outra possibilidade é a metformina, droga muito usada para controlar o diabetes. Ainda falta muito antes que haja evidências claras de que essas e outras abordagens similares funcionem, porém.

Com informações: Folhapress

17:33 · 22.01.2018 / atualizado às 17:33 · 22.01.2018 por
O incêndio na embarcação decorreu da colisão com um cargueiro chinês a 300 km ao leste de Xangai Foto: The Guardian

A maré negra provocada pelo naufrágio de um petroleiro no mar da China oriental triplicou seu tamanho em apenas quatro dias e cobre agora mais de 300 km² – informa Pequim.

Imagens feitas por satélite permitiram detectar três camadas de hidrocarbonetos que medem 332 km² no total, indicou no domingo (21) à noite a agência chinesa responsável pelos oceanos, em um comunicado. Na quarta-feira passada (17), essa agência havia informado que a maré negra se espalhava por 101 km².

O “Sanchi”, que transportava 136 mil toneladas de condensado – hidrocarbonetos leves -, afundou em 14 de janeiro após arder por uma semana. O incêndio na embarcação decorreu da colisão com um cargueiro chinês a 300 km ao leste da cidade de Xangai.

Perdas humanas e risco ambiental

No acidente, 32 marinheiros – 30 iranianos e dois bengalis – morreram na catástrofe. O barco está agora a 115 metros de profundidade no mar.

Ainda não se sabe a quantidade de agentes poluentes em seu interior. Além de sua carga, o “Sanchi”, de bandeira panamenha, pode levar a bordo até mil toneladas de diesel pesado para o funcionamento de suas máquinas.

A maré negra se desloca para o norte, devido aos ventos e às correntes marinhas e pode ameaçar o litoral de Coreia do Sul e Japão, anunciou a Administração de Oceanos na semana passada.

Com informações: AFP

19:05 · 09.10.2017 / atualizado às 19:05 · 09.10.2017 por
Os cientistas utilizaram o 5-MeO-DMT, que está presente em drogas psicodélicas como o chá de ayahuasca – uma planta da Amazônia utilizada ritualmente por indígenas para produzir estados alterados de consciência Foto: Aya Healing Retreats

Com estudos feitos em organoides celulares conhecidos como “minicérebros”, um grupo de cientistas brasileiros mostrou como uma substância psicodélica produz alterações benéficas em circuitos cerebrais associados à neuroplasticidade, à inflamação e à neurodegeneração.

A pesquisa, publicada nesta segunda-feira (9), na revista científica Scientific Reports, é a primeira a revelar as alterações que drogas psicodélicas causam no funcionamento molecular do tecido neural humano. De acordo com os autores, os resultados ajudam a explicar os efeitos antidepressivos e anti-inflamatórios que as substâncias psicodélicas vêm mostrando em diversos outros estudos.

No experimento, os cientistas utilizaram o 5-MeO-DMT, um composto da família da dimetiltriptamina, que está presente em drogas psicodélicas como o MDMA, o LSD e o chá de ayahuasca – uma planta da Amazônia utilizada ritualmente por indígenas para produzir estados alterados de consciência.

“Pela primeira vez pudemos descrever mudanças relacionadas a psicodélicos no funcionamento do tecido neural humano”, disse o autor principal do estudo, Stevens Rehen, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino.

Ganho de espaço

As drogas psicodélicas estão cada vez mais ganhando espaço nos laboratórios de pesquisas. Diversos grupos internacionais têm feito estudos e experimentos com essas substâncias a fim de desenvolver terapias para problemas psiquiátricos como ansiedade, depressão, estresse pós-traumático e para a dependência de drogas como álcool, cocaína, heroína e crack.

Apesar dos resultados promissores em um número cada vez maior de pesquisas, a identificação dos circuitos moleculares envolvidos com a ação dos psicodélicos no cérebro era limitada pelas restrições para estudos com essas substâncias e pela falta de ferramentas biológicas apropriadas. Para estudar os efeitos do DMT, Vania Dakic, do Idor e Juliana Minardi Nascimento, do Idor e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) expuseram os organoides cerebrais – que são culturas de células neurais tridimensionais que imitam um cérebro em desenvolvimento – a uma única dose do psicodélico.

Depois de receber o psicodélico, os “minicérebros” foram submetidos a uma análise proteômica – isto é, um mapeamento do conjunto de proteínas neles presentes – com uma técnica espectrometria de massas. Eles conseguiram assim observar alterações na expressão de cerca de mil proteínas – e conseguiram identificar qual o papel dessas proteínas no cérebro humano.

Proteínas

Os cientistas descobriram que proteínas importantes para a formação das sinapses tiveram uma regulação positiva – entre elas, proteínas relacionadas aos mecanismos celulares de aprendizado e memória, que são componentes centrais do funcionamento do cérebro. Por outro lado, proteínas envolvidas em inflamação, degeneração e lesão cerebral tiveram uma regulação negativa, sugerindo que a substância psicodélica tem um potencial papel de proteção neural. “Os resultados sugerem que os psicodélicos clássicos são poderosos indutores da neuroplasticidade – uma ferramenta de transformação psicobiológica sobre a qual sabemos muito pouco”, disse outro dos autores do novo estudo Sidarta Ribeiro, diretor do Instituto do Cérebro, ligado à UFRN.

“”O estudo sugere possíveis mecanismos pelos quais essas substâncias exercem seus efeitos antidepressivos, que temos observado em nossas pesquisas. Nosso estudo reforça o potencial clínico escondido dessas substâncias que estão hoje sob restrições legais, mas que merecem total atenção das comunidades médica e científica”, afirmou outro dos autores, Draulio Araújo, professor da UFRN.

Com informações: Estadão Conteúdo

19:58 · 04.10.2017 / atualizado às 19:58 · 04.10.2017 por
Após administração de três anticorpos, pesquisadores não encontraram um nível quantificável do vírus no sangue dos animais tratados Foto: New Scientist

Um coquetel de três anticorpos mostrou que é capaz de prevenir em primatas a infecção causada pelo zika vírus, e essa pesquisa pode passar a uma etapa seguinte de ensaios com humanos, anunciaram cientistas nesta quarta-feira (4).

“É uma intervenção promissora para prevenir e tratar uma infecção pelo zika vírus durante a gravidez”, comentou David Watkins, professor da faculdade de medicina Miller da Universidade de Miami. “Gostaríamos de desenvolver esta associação de anticorpos e submetê-los a ensaios clínicos o quanto antes”, acrescentou.

O zika vírus, transmitido principalmente por mosquitos, se propagou pela América Latina, o Caribe e o sul dos Estados Unidos em 2015 e 2016, provocando uma emergência mundial devido a sua associação com malformações em fetos, particularmente a microcefalia.

A ameaça acabou, sobretudo porque as pessoas não podem ser infectadas mais de uma vez, mas os pesquisadores continuaram realizando estudos para encontrar a primeira vacina contra o zika.

Experimento

Os cientistas identificaram três poderosos anticorpos – SMZAb1, SMZAb2 e SMZAb5 – no organismo de um paciente sul-americano.

“Administramos um coquetel desses três anticorpos aos primatas não humanos um dia antes do seu contato com o zika vírus que tinha sido recuperado de uma mulher grávida durante a epidemia de 2016 no Rio de Janeiro”, disse Watkins.

Os pesquisadores não encontraram um nível quantificável do vírus no sangue dos quatro animais tratados e não detectaram reação no sistema imunológico, o que indica que o vírus tinha sido completamente bloqueado, segundo o estudo, publicado na revista Science Translational Medicine.

Quatro macacos que não receberam esses anticorpos antes de ser expostos ao zika ficaram doentes durante uma semana. “Dado que esses anticorpos têm perfis excepcionais na segurança dos humanos e na placenta, esta combinação poderia ser desenvolvida rapidamente para proteger as mulheres grávidas não infectadas e seus fetos”, indicou Watkins.

Com informações: AFP

17:36 · 22.09.2017 / atualizado às 17:36 · 22.09.2017 por
Foto: Icy Tales

Estudo conduzido pelo Instituto Evandro Chagas (IEC) do Pará em conjunto com a Universidade do Texas mostra que a vacina contra zika desenvolvida pelas duas instituições protege camundongos e macacos contra o vírus.

Publicado pela Revista Nature Communications, o trabalho constatou que a aplicação de uma dose da vacina nos animais foi suficiente para prevenir a transmissão do vírus da mãe para o filhote durante a gestação, além de proteger machos. Com a conclusão desta etapa, é dado sinal verde para preparativos em testes em humanos.

Apesar da boa notícia, um achado do estudo acende um alerta para uma eventual consequência da infecção pelo vírus: a redução da fertilidade masculina. Testes realizados em camundongos mostram que a infecção pode alterar a reprodução nesses animais. Machos não vacinados expostos ao zika tiveram uma redução significativa de espermatozoides. E os que foram produzidos perderam velocidade, o que dificulta a fecundação. Para completar, testículos dos camundongos atrofiaram.

“Sabemos da propensão do zika em infectar células do cérebro. O estudo agora indica que o vírus também age no testículo”, relata o diretor do IEC, Pedro Vasconcelos.”Não era esperado que isso ocorresse. Foi um achado ocasional”, completa o diretor. Não há ainda pistas sobre as causas que levam o vírus a atacar também a gônada masculina. Um dos caminhos a ser pesquisados, avalia, é a possibilidade de semelhanças entre receptores.

O diretor afirma que novos testes deverão ser feitos para verificar se o zika apresenta comportamento semelhante nos testículos de outras animais. Caso novos estudos indiquem resultados similares, Vasconcelos considera importante partir para uma investigação epidemiológica em regiões onde o vírus provocou epidemia, como cidades do Nordeste. “A epidemia pode ter provocado outras consequências, que serão sentidas numa outra fase, como a redução dos bebês nascidos em regiões afetadas. Isso precisa ser investigado.” A pesquisa não testou a capacidade de os camundongos engravidarem fêmeas após os danos constatados nos testículos. Isso impede afirmar neste momento que animais se tornaram estéreis. Um novo experimento agora será realizado. “O que se sabe é que há uma grande quantidade de vírus na excreção do esperma, que significa que o vírus tem bastante capacidade de se replicar, causando a destruição das células que resulta em diminuição dos testículos e, consequentemente, a esterilidade”, concluiu.

Este foi o quarto estudo publicado sobre a vacina desenvolvida em parceria pelo IEC e a Universidade do Texas. “Comprovada a eficácia da vacina em macacos e camundongos, terminamos nossa contribuição, abrindo caminho agora, para as pesquisas clínicas” afirma Vasconcelos. Todos os testes realizados mostraram até o momento o efeito protetor do imunizante desenvolvido pela parceria. Os testes clínicos serão feitos por Biomanguinhos, da Fundação Oswaldo Cruz, no Rio. A expectativa, de acordo com Vasconcelos, é de que os testes comecem a ser feitos em 2019.

A parceria para essa pesquisa foi feita em 2016 a partir de acordo internacional para o desenvolvimento de vacina contra o vírus zika. O Ministério da Saúde vai destinar um total de R$ 7 milhões nos próximos cinco anos (até 2021) para o desenvolvimento e produção da vacina. O imunobiológico em desenvolvimento utiliza a tecnologia de vírus vivo atenuado de apenas uma dose, já que vacinas com vírus vivo são altamente capazes de estimular o sistema imunológico e proteger o organismo da infecção.

Com informações: Estadão Conteúdo

17:36 · 24.08.2017 / atualizado às 17:36 · 24.08.2017 por
Aditivo dióxido de titânio se apresentava em forma partículas 50 mil vezes menores que um fio de cabelo e gerou questionamentos sobre os efeitos na saúde dos consumidores do país Foto: Doctissimo

Alguns doces industrializados contêm aditivos em forma de nanopartículas sem que esta condição seja especificada nas embalagens, segundo um estudo francês, que questiona os efeitos para a saúde e lamenta a falta de transparência das empresas.

O estudo realizado pela revista francesa “60 millions de consommateurs” analisou a presença do aditivo E171 (dióxido de titânio), composto em parte de nanopartículas e utilizado frequentemente na indústria agroalimentar e cosmética para embranquecer doces, pratos preparados e pasta de dente.

Para a revista, publicada pelo Instituto Nacional do Consumo, o fato de que o aditivo se apresente em forma de nanopartículas – 50.000 vezes menores que um fio de cabelo -, gera questionamentos sobre os efeitos na saúde porque estas traspassam com mais facilidade as barreiras fisiológicas.

“Quando uma substância estranha se mete em uma célula, podemos supor que pode haver danos ou uma desregulação de algumas destas células”, explicou à AFP Patricia Chairopoulos, coautora do estudo, que critica as indústrias por uma “falta de vigilância” e de “rigor”.

O E171 na forma de nanopartículas foi encontrado sistematicamente nos 18 produtos doces testados pela revista, em proporções diversas: representou 12% desse aditivo nos biscoitos Napolitain de Lu, 20% nos chocolates M&M’s e 100% nos bolos da marca francesa Monoprix Gourmet. A presença do E171 está indicada nas etiquetas, mas sem a menção “nanopartículas”.

Chairopoulos destacou que um estudo publicado em janeiro por um instituto francês levantou suspeitas sobre este aditivo na forma nano, ao concluir que uma exposição crônica ao E171 favorecia o crescimento de lesões pré-cancerosas em ratos, sem que os pesquisadores extrapolassem, porém, esse risco para os humanos.

Em junho de 2016, a ONG Agir pour l’environnement alertou sobre a presença de nanopartículas, entre elas de dióxido de titânio, em uma série de produtos alimentícios.

Com informações: AFP

15:50 · 25.07.2017 / atualizado às 15:50 · 25.07.2017 por
Equipe liderada pelo pesquisador Shibo Jiang identificou uma droga que inativou determinadas partículas do micro-organismo Foto: Icy Tales

Cientistas chineses desenvolveram um inibidor do vírus da zika que foi capaz de reduzir os níveis virais em camundongos gestantes e em seus fetos. Um artigo que descreve a descoberta foi publicado nesta terça-feira, 24, na revista científica Nature Communications.

De acordo com os autores da pesquisa, o inibidor se mostrou seguro para o uso em camundongos gestantes e os resultados do experimento indicam que a droga poderia ser considerada para futuros testes pré-clínicos. O vírus da zika pode ser passado de uma mulher grávida infectada para o feto durante a gestação, com potencial risco de desenvolvimento de defeitos congênitos. Até agora não há vacinas ou drogas disponíveis para tratar a infecção.

A equipe de cientistas liderada por Shibo Jiang, da Universidade Fudan, em Xangai (China), identificou uma droga que inativou determinadas partículas do vírus da zika e assim foi capaz de impedir sua entrada nas células. Os cientistas mostraram que a droga reduziu a transmissão do vírus da zika para o feto. A molécula não apresentou efeitos adversos no camundongo gestante, nem nos filhotes, quando foi administrada durante a gestação.

Os autores afirmam que será preciso realizar mais estudos para avaliar a segurança e a eficácia do inibidor em humanos. Mas, segundo eles, a abordagem por meio da inativação de partículas do vírus poderia ser utilizada para desenvolver novos tratamentos para a infecção por zika em populações em áreas de risco, especialmente em mulheres grávidas.

A droga é um peptídeo sintético, batizado de Z2, que é derivado de proteínas de uma região específica do envelope do vírus, que tem um papel importante na sua capacidade de infectar as células do hospedeiro.

“Mostramos que o Z2 interage com as proteínas da superfície do vírus da zika e perturba a integridade da membrana viral. O Z2 pode penetrar na barreira da placenta e entrar nos tecidos do feto”, escreveram os autores.

Melhor opção. De acordo com Jiang, nos últimos anos o desenvolvimento de drogas a partir de peptídeos tem chamado atenção por causa da sua segurança e do custo mais baixo de desenvolvimento, em comparação com drogas com base em moléculas pequenas e em anticorpos.

Segundo Jiang, alguns compostos de moléculas pequenas já mostraram capacidade para inibir a infecção por vírus, mas a segurança para mulheres grávidas não foi comprovada. Também já foram identificados em camundongos anticorpos capazes de neutralizar a infecção por zika, mas a eficácia foi relativamente baixa e esses anticorpos teriam que ser “humanizados”, o que é um obstáculo considerável para o desenvolvimento de uma droga anti-zika.

“Também já foi identificado um anticorpo monoclonal humano que neutraliza amplamente a infecção por algumas linhagens de zika, mas o alto custo pode limitar sua aplicação em países em desenvolvimento, como o Brasil”, disse Jiang.

Com informações: Estadão Conteúdo

16:23 · 29.05.2017 / atualizado às 16:23 · 29.05.2017 por
Conhecidos como hidratos de metano, formam-se a temperaturas muito baixas, em condições de pressão elevada. São encontrados em sedimentos do fundo do mar e ou abaixo do permafrost, a camada de solo congelada dos polos Foto: The Japan Times

A China anunciou ter extraído do fundo do Mar da China Meridional uma quantidade considerável de hidrato de metano, também conhecido como gelo combustível, que é tido por muitos como o futuro do abastecimento de energia.

Num comunicado emitido na semana passada, autoridades do país asiático comemoraram o feito. Isso porque a tarefa é considerada altamente complexa, e já tinha sido alvo de tentativas pelo Japão e pelos Estados Unidos, sem muito sucesso.

Mas o que é exatamente esse composto e por que ele é considerado chave como uma promissora fonte de energia no mundo?

Reservas imensas

O gelo combustível ou gelo inflamável é uma mistura gelada de água e gás.

“Parecem cristais de gelo, mas quando se olha mais de perto, a nível molecular, veem-se as moléculas de metano dentro das moléculas de água”, explica à BBC Praven Linga, professor do Departamento de Engenharia Química e Biomolecular da Universidade Nacional de Cingapura.

Conhecidos como hidratos de metano, formam-se a temperaturas muito baixas, em condições de pressão elevada. São encontrados em sedimentos do fundo do mar e ou abaixo do permafrost, a camada de solo congelada dos polos. O gás encapsulado dentro do gelo torna os hidratos inflamáveis, mesmo a baixíssimas temperaturas. Essa combinação rendeu-lhe o apelido de “gelo de fogo”. Quando se reduz a pressão ou se eleva a temperatura, os hidratos se decompõem em água e metano. Um metro cúbico dessa substância libera cerca de 160 metros cúbicos de gás – ou seja, trata-se de um combustível de grande potencial energético.

O problema, no entanto, é que extrair esse gás é um processo que, por si só, consome muita energia.

Países pioneiros

Os hidratos de metano foram descobertos no norte da Rússia nos anos 1960, mas foi há apenas dez ou 15 anos que começou a pesquisa sobre como extrai-lo dos sedimentos marinhos.

O Japão foi pioneiro na exploração devido à sua carência de fontes de energia natural. Outros países líderes na prospecção de gelo combustível são Índia e Coreia do Sul, que tampouco têm reservas próprias de petróleo.

Americanos e canadenses também são bastante atuantes neste sentido – o foco de suas explorações tem sido nos hidratos de metano abaixo do permafrost do norte do Alasca e Canadá.

Por que importa?

Pesquisadores acreditam que os hidratos de metano têm o potencial de se tornar uma fonte de energia revolucionária que poderia ser fundamental para suprir necessidades energéticas no futuro.

Existem grandes depósitos abaixo dos oceanos do globo, sobretudo nas extremidades dos continentes. Atualmente, vários países estão buscando maneiras de extraí-lo de forma segura e rentável.

A China descreveu a extração feita na semana passada como “um feito importante”. Praven Linga compartilha dessa visão: “Em comparação com os resultados que temos visto na pesquisa japonesa, os cientistas chineses conseguiram extrair uma quantidade muito maior de gás”.

“É certamente um passo importante em tornar viável a extração de gás dos hidratos de metano”, acrescentou. Estima-se que sejam encontradas dez vezes mais gás nos hidratos de metano do que no xisto, do qual pode ser extraído gás natural e óleo e também tem servido como alternativa energética.

“E essa é uma estimativa conservadora”, ressalva Linga.
A China descobriu o gelo combustível no Mar da China Meridional em 2007 – uma área cuja soberania tem sido disputada entre o país, o Vietnã e as Filipinas.

Pequim reclama domínio sobre a área, alegando ter o direito de exploração de todas as potenciais reservas naturais escondidas abaixo da superfície.

Futuro

Embora o êxito da China seja um avanço importante, esse é apenas um passo de um longo caminho.

“É a primeira vez que os índices de produção são realmente promissores”, disse Linga. “Mas acreditamos que só em 2025, na melhor das hipóteses, poderemos considerar realistas as opções comerciais”, acrescenta.

Segundo a imprensa chinesa, eles conseguiram extrair, da região de Shenhu, uma média de 16 mil metros cúbicos de gás de elevada pureza por dia. Linga ainda ressalta que as empresas que potencialmente operem na exploração do material devem seguir condutas bastante rígidas de controle para se evitar danos ambientais.

O perigo é que o metano escape, e isso teria consequências graves para o aquecimento global, já que se trata de um gás com um potencial de impacto sobre as mudanças climáticas muito maior do que o dióxido de carbono.

Com informações: AFP

20:30 · 29.01.2017 / atualizado às 20:34 · 29.01.2017 por
Foto: Canada Journal
No experimento, quando uma pressão de 495 gigapascais foi atingida, o hidrogênio ficou brilhante, completando sua transformação em metal Foto: Canada Journal

Cientistas da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, criaram uma amostra de metal de hidrogênio. É a primeira vez que o material, previsto em teoria pela primeira vez há cerca de 80 anos, foi desenvolvido em laboratório.

A primeira menção a ele foi feita em 1935 pelos cientistas Eugene Wigner e Hillard Bell Huntington, que sugeriram que, em uma pressão de 25 gigapascais, o hidrogênio sólido se transformaria em metal. Na época ainda não havia conhecimento suficiente do mundo quântico para criar essas condições.

Em estudo publicado no periódico Science, os pesquisadores Thomas D. Cabot, Isaac Silvera e Ranga Dias explicam que usaram dois tipos de diamantes sintéticos para encontrar o hidrogênios sólido. Eles poliram as superfícies dos diamantes até que elas não tivessem mais defeitos, os esquentaram para retirar resíduos internos e os cobriram com uma camada de óxido de alumínio, um composto que o hidrogênio não consegue filtrar.

Em seguida, o trio de Harvard foi comprimindo o hidrogênio sólido. No início do experimento, quando a pressão estava mais baixa, o elemento ficou transparente, conforme a pressão foi aumentando, ele ficou opaco e preto. Quando uma pressão de 495 gigapascais foi atingida, o hidrogênio ficou brilhante, completando sua transformação em metal — ainda não se sabe se foi em um estado sólido ou líquido. Ainda há muito o que ser pesquisado, mas se o metal de hidrogênio tiver pelo menos metade das aplicações previstas em teoria, ele poderia revolucionar a tecnologia como a conhecemos hoje. Segundo os cientistas, por ser um supercondutor, o material poderia trazer inovações para praticamente tudo que envolve eletricidade, como a possibilidade de trens de alta velocidade funcionarem por levitação magnética e a melhoria da performance desde dispositivos até outros tipos de veículos.

O material poderia ser utilizado como propulsor, o que mudaria (para melhor!) as viagens espaciais. “É necessário uma quantidade tremenda de energia para criar o metal de hidrogênio”, explicou Isaac Silvera no anúncio do estudo. “E se você o converter de volta para o hidrogênio molecular, toda a energia é liberada, o que poderia se transformar no tipo de propulsor mais potente já conhecido pelo homem.” Em termos de comparação, os propulsores utilizados hoje levam 450 segundos para serem acionados em um foguete — o propulsor de hidrogênio levaria 1,7 segundos para fazer a mesma coisa.

Com isso, seria possível colocar foguetes em órbita em apenas um passo em vez de dois. “Ele teria ainda cargas úteis maiores, o que seria muito importante”, ressaltou Silvera.

Com informações: Galileu

22:48 · 14.09.2016 / atualizado às 22:48 · 14.09.2016 por
Foto: Rhainer Guillermo Ferreira/Divulgação
Substância é produzida pela espécie Erythrodiplax ana, recém-descoberta e batizada em homenagem à esposa de um dos pesquisadores Foto: Rhainer Guillermo Ferreira/Divulgação

É possível criar um filtro solar que não só protege a pele da radiação ultravioleta como também impede que você se molhe e ainda não deixa a areia da praia grudar na sua pele?

Uma espécie recém-descoberta de libélula produz uma cera bastante parecida com esse superprotetor solar hipotético, mostram estudos de pesquisadores brasileiros.

O trabalho com a Erythrodiplax ana, encontrada no cerrado perto de Uberlândia (MG) e na chapada dos Guimarães (MT), está começando, mas as primeiras análises do material que recobre o corpo dos machos indicam que ele tem potencial para inspirar tecnologias inovadoras.

“Imagine voar naquele sol do meio-dia típico de Cuiabá, com temperaturas de 40 graus Celsius. É natural que o bicho tenha criado maneiras de refletir os raios ultravioleta”, diz o biólogo Rhainer Guillermo-Ferreira, da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos). “Dá para pensar em maneiras de aplicar essas propriedades em instrumentos ópticos ou até em automóveis.”

A descrição da espécie está em artigo na revista científica “Zootaxa”. Outra libélula brasileira, a Zenithoptera lanei, também foi estudada pelo pesquisador e seus colegas. Os machos das duas espécies possuem uma coloração azul iridescente que deriva, entre outras coisas, da estrutura complexa de cristais de cera microscópicos presentes na superfície do bicho.

Saga familiar

O nome científico da espécie homenageia Ana, mulher de Guillermo-Ferreira, que passou por uma gravidez de risco na época em que os pesquisadores concluíam a descrição do inseto.

“A Ana começou a apresentar sinais de hipertensão. Após os exames, a gente descobriu que a quantidade do líquido amniótico estava muito baixa e que havia uma restrição de fluxo de sangue para o feto”, conta o biólogo.

Ana passou dois meses internada e, após parto difícil, deu à luz a filha do casal, Giovana, hoje com um ano e meio de vida. “Ela nasceu de 27 semanas, pesando só 1 kg, mas está tudo bem com ela hoje”, diz o pai, que falou com a reportagem por telefone com a pequena no colo. A E. ana foi descoberta no ambiente imortalizado pelo escritor mineiro Guimarães Rosa em Grande Sertão: Veredas. Com efeito, as chamadas veredas -áreas de terreno pantanoso e vegetação aberta- são áreas de biodiversidade pouco conhecida.

“A gente primeiro coleta os exemplares em campo e então os compara com guias de identificação ou com exemplares de museus, por exemplo”. Além dos insetos adultos, a equipe também obteve larvas e as criou em laboratório, podendo observar boa parte do ciclo da vida da espécie. “As larvas de libélula são predadoras vorazes que chegam até a comer pequenos peixes -na verdade, a gente brinca que elas comem praticamente qualquer coisa que se mexa, então não foi difícil alimentá-las”, diz Diogo Vilela, outro autor do estudo.

As libélulas E. ana vivem no entorno de pequenos corpos d’água das veredas. Os machos, bastante agressivos, defendem os locais de pouso e as fêmeas com quem acasalam. São só eles que possuem a coloração azulada, que vai ficando cada vez mais marcante conforme o bicho amadurece. No caso da outra espécie brasileira, a Z. lanei, testes mostraram que a cor serve de aviso contra rivais.

Junto com colegas da Universidade de Kiel (Alemanha) e com o químico Marcelo Gehlen, da USP de São Carlos, Guillermo-Ferreira vai investigar a cera e a viabilidade de produção em laboratório. Além da proteção contra o sol, ela também impede que os insetos se molhem. “E ela é autolimpante: mesmo com a poeira do cerrado, você vê que o bicho não se suja”, diz.

A análise das camadas de cera também pode ajudar na conservação das libélulas e de outras espécies. Tudo indica que ela é capaz de absorver poluentes com facilidade, servindo como indicador da qualidade ambiental das regiões onde o inseto vive. “Seria possível fazer essa análise de forma não invasiva, sem sacrificar o animal”, diz Guillermo-Ferreira.

Com informações: Reinaldo José Lopes/Folhapress