Diário Científico

Categoria: Tecnologia


09:57 · 08.09.2018 / atualizado às 09:57 · 08.09.2018 por
Parque eólico instalado no Marrocos (Áfica), um dos 11 países cujo território é atravessado pelo maior deserto do mundo Foto: Siemens Press Picture

A instalação de grandes parques eólicos e solares no deserto do Saara poderia diminuir o ritmo do aquecimento global e dar um pequeno mas valioso impulso às chuvas nesta região seca da África, indicaram pesquisadores.

O estudo publicado na revista Science foi baseado em simulações informáticas sobre o efeito que teria cobrir 20% do maior deserto do planeta com painéis solares e três milhões de turbinas de vento. Um parque solar e eólico de mais de 9 milhões de km² seria “nessa escala, suficiente para abastecer de energia o mundo inteiro”, diz o relatório.

Os pesquisadores descobriram que qualquer mudança no deserto africano resultante de instalações eólicas e solares seria positiva, já que mais plantas cresceriam perto desses parques. De acordo com as simulações do modelo, o efeito do parque eólico e do parque solar juntos provoca um aumento nas chuvas em todo o Saara, de 0,24 mm por dia a 0,59 mm.

O efeito não foi uniforme em todo o deserto. A zona com mais precipitações foi a do Sahel, uma região semiárida que se estende do Senegal ao Sudão, cujos habitantes veriam um aumento de entre 200 a 500 mm nas chuvas anuais, ou 1,12 mm por dia em zonas próximas ao parque.

Isto seria “grande o suficiente para ter um grande impacto ecológico, ambiental e social”, diz o relatório. “A maior parte do Saara permaneceria extremamente seca”, disse o coautor Daniel Kirk-Davidoff, professor associado adjunto da Universidade de Maryland.

Mas mais chuvas ao longo do extremo sul do Saara levariam a um maior crescimento das plantas, “o que permitiria uma maior pastagem”, disse Kirk-Davidoff à AFP por e-mail. “É difícil dizer que isto seria algo ruim para as comunidades da zona”.

Processo

O motivo da mudança tem a ver com a forma como os parques eólicos fornecem ar mais quente desde cima, particularmente à noite, o que pode aumentar a evaporação e o crescimento das plantas. Esta troca de ar quente também pode dobrar a quantidade de precipitação diária.

Além disso, os pesquisadores apontaram que a maior temperatura gerada nestes parques estaria limitada a uma área geográfica, diferentemente das emissões de combustíveis fósseis que continuamente se acumulam na atmosfera e aumentam o aquecimento. “O aumento da chuva e da vegetação, combinado com eletricidade limpa proveniente de fontes de energia solar e eólica, poderiam ajudar à agricultura, ao desenvolvimento econômico e ao bem-estar no Saara, Sahel, Oriente Médio e outras regiões próximas”, disse o coautor do estudo, Safa Motesharrei, pesquisador da Universidade de Maryland.

Com informações: AFP

09:26 · 25.08.2018 / atualizado às 09:28 · 25.08.2018 por
Concepção artística do satélite ICESat-2 sobrevoando a Groenlândia e a região ártica da Terra Imagem: Orbital Sciences

A Nasa, a agência espacial norte-americana, quer aprofundar os estudos sobre mecanismos que reduzam as incertezas dos prognósticos sobre o futuro aumento do nível do mar e ajudem a compreender as mudanças climáticas.

Para isso, será lançado ao espaço, no dia 15 de setembro, um satélite que vai medir, em detalhes, as mudanças de massa polar na Terra. O Satélite de Elevação de Terra e Gelo da Nasa-2 (ICESat-2) medirá a mudança média anual de elevação do gelo terrestre que cobre a Groenlândia e a Antártida, capturando 60 mil medições por segundo.

A expectativa dos pesquisadores é de que o ICESat-2 amplie e aperfeiçoe estudos anteriores da Nasa, que monitoraram a mudança nos movimentos dos picos polares em 2003, com a primeira missão ICESat e, depois em 2009, com a Operação IceBridge, que analisou a taxa de variação e aceleração.

Gelo

De acordo com a Nasa, bilhões de toneladas de gelo derretem anualmente, elevando o nível do mar no mundo.

Nos últimos anos, as contribuições do derretimento das camadas de gelo da Groenlândia e da Antártica aumentaram o nível do mar global em mais de um milímetro por ano. A taxa está aumentando, segundo os pesquisadores.

O ICESat-2 também fará as medições para verificação da altura do gelo marinho existente acima da superfície do mar, observando a espessura e o volume.

Pesquisas

A cobertura de gelo do Ártico reflete o calor do Sol de volta ao espaço. Quando esse gelo derrete, a água escura que há embaixo absorve o calor, alterando os padrões de circulação do vento e do oceano, afetando potencialmente o clima global da Terra.

Além dos pólos, o ICESat-2 medirá a altura das superfícies oceânicas e terrestres, incluindo as florestas. Um instrumento associado ao ICESat-2 medirá o topo das árvores, na tentativa de colaborar com as pesquisas sobre a quantidade de carbono armazenada nas florestas.

Os pesquisadores também analisarão os dados coletados sobre a altura da copa das árvores, sua densidade e estrutura, no esforço de realizar previsões sobre incêndios florestais.

Com informações:Agência Brasil

17:27 · 09.08.2018 / atualizado às 17:35 · 09.08.2018 por
A Parker passará 24 vezes a 6,2 milhões de km da sua superfície solar, durante os sete anos que a missão está prevista para durar Foto: Nasa

Dotada com um escudo de alta tecnologia para protegê-la do intenso calor, a sonda Parker será lançada no sábado com o objetivo de “tocar o Sol” e tentar responder a uma pergunta que instiga os cientistas: por que sua coroa é infinitamente mais quente que sua superfície?

A sonda, que decolará no sábado (11) de Cabo Canaveral, Flórida, será o primeiro objeto construído pelo homem para lidar com as condições infernais desta parte da atmosfera do Sol, e a passará 24 vezes a 6,2 milhões de km da sua superfície durante os sete anos que a missão está prevista para durar.

Parker, que se tornará a nave espacial mais rápida construída pelo homem, com uma velocidade máxima de 692 mil km/h, deve decolar em 11 de agosto da base espacial em Cabo Canaveral às 03h48 (04h48 em Brasília). O veículo, que tem o tamanho de um automóvel e custou US$ 1,5 bilhão, já está instalado na parte superior do foguete Delta IV-Heavy, que o levará ao espaço.

Para sobreviver, a nave está equipada com um escudo composto de carbono de 12 centímetros de espessura que deve protegê-la de uma temperatura de 1.400ºC – suficiente para fundir o silício – e manter funcionando os instrumentos científicos a cômodos 29°C.

Estes instrumentos devem permitir medir as partículas de alta energia, as flutuações magnéticas e fazer imagens para compreender melhor esta coroa, que é “um ambiente muito estranho, desconhecido para nós”, diz Alex Young, um especialista no Sol da Nasa.

De fato, a observação à distância chegou ao seu limite, diz Nicky Fox, membro do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins e responsável científica da missão.

“Temos que ir aonde isto ocorre, onde acontecem todas estas coisas misteriosas”, diz.

Quanto mais longe, mais quente

Diferentemente de uma fogueira, onde a parte mais quente está no centro, a temperatura aumenta à medida que você se afasta do Sol.

“Quando você passa da superfície do Sol, que está a 5.500 graus Celsius, para a coroa, nos encontramos rapidamente a milhões de graus”, explica Young.

O especialistas espera que Parker, a única nave da Nasa que leva o nome de um cientista ainda vivo – o famoso astrólogo de 91 anos Eugene Parker -, ajude a dar respostas ao que a Nasa chama de o “problema do aquecimento da coroa”.

O assunto também é importante para prever melhor o clima espacial. As tempestades solares chegam a ser sentidas até na Terra, onde podem perturbar o funcionamento da rede elétrica, mas também provocar falhas nos satélites que orbitam o planeta ou inclusive pôr em perigo a vida dos astronautas.

“É tão importante para nós sermos capazes de prever o clima espacial como de prever o clima na Terra”, afirma Young.

Com informações: AFP

11:34 · 14.07.2018 / atualizado às 11:40 · 14.07.2018 por
O radiotelescópio MeerKAT é composto por 64 antenas parabólicas instaladas ao redor de Carnarvon. Essas antenas serão conectadas a cerca de 3.000 instrumentos instalados em toda a África e na Austrália Foto: Morganoshell

A África do Sul inaugurou no deserto de Karoo o radiotelescópio MeerKAT, primeiro elemento de uma rede de antenas parabólicas instaladas em dois continentes que, uma vez em funcionamento, formarão o maior radiotelescópio do mundo, o Square Kilometre Array (SKA).

“Este telescópio será o maior de seu tipo no mundo, com uma qualidade de resolução 50 vezes superior à do telescópio espacial Hubble”, declarou o vice-presidente sul-africano, David Mabuza, na cerimônia em Carnarvon, pequena localidade do deserto de Karoo.

O radiotelescópio MeerKAT é composto por 64 antenas parabólicas instaladas ao redor de Carnarvon. Essas antenas serão conectadas a cerca de 3.000 instrumentos instalados em toda a África (Botsuana, Gana, Quênia, Madagascar, Maurício, Moçambique, Namíbia e Zâmbia), assim como na Austrália. O SKA deve estudar alguns fenômenos cósmicos violentos, como uma supernova, os buracos negros e todos os primeiros rastros do “big bang”. Mais de 200 cientistas, engenheiros e técnicos participaram no desenvolvimento do MeerKAT, que necessitou até agora cerca de 240 milhões de dólares, em sua maioria de fundos públicos.

O SKA, que poderia começar a funcionar em 2030, é o resultado de um acordo internacional que inclui, além dos países africanos e da Austrália, Canadá, China, Índia, Itália, Nova Zelândia, Suécia, Holanda e Grã-Bretanha.

Uma vez em funcionamento, o radiotelescópio gigante estará conectado a um telescópio óptico que foi inaugurado em maio a 200 km do MeerKAT.

Com informações: AFP

18:47 · 12.07.2018 / atualizado às 18:47 · 12.07.2018 por
Em operação desde 2010, o telescópio IceCube consiste em um conjunto de mais de 5 mil detectores de luz, dispostos em uma grade e enterrados no gelo. Quando os neutrinos interagem com o gelo, o aparelho consegue detectá-los Foto: BBC News Brasil

Uma nova era de pesquisas especiais se inaugurou nesta quinta-feira (12). Isso porque uma equipe internacional de astrônomos descobriu a fonte de neutrinos de alta energia encontrados no Polo Sul – e esta partícula misteriosa abre uma oportunidade para contar a história e esclarecer enigmas do próprio Universo.

A descoberta está na edição desta quinta da revista Science e foi divulgada em coletiva de imprensa na sede da National Science Foundation, em Alexandria, Virginia (EUA). “Neutrinos de alta energia realmente nos fornecem uma nova janela para observar o Universo”, comenta o físico Darren Grant, da Universidade de Alberta, em entrevista à BBC News Brasil.

Grant é um dos mais de 300 pesquisadores de 49 instituições que integram o grupo IceCube Collaboration – responsável pela descoberta. “As propriedades dos neutrinos fazem deles um mensageiro astrofísico quase ideal. Como eles viajam de seu ponto de produção praticamente desimpedidos, quando são detectados, podemos analisar que eles transportaram informações de sua origem.”

Os neutrinos são partículas subatômicas elementares, ou seja, não há qualquer indício de que possam ser divididas em partes menores. São emitidos por explosões estelares e se deslocam praticamente à velocidade da luz.

Maior telescópio do mundo

Instalado no Polo Sul e em operação desde 2010, o IceCube é considerado o maior telescópio do mundo – mede um quilômetro cúbico. Levou dez anos para ser construído e fica sob o gelo antártico.

O IceCube consiste em um conjunto de mais de 5 mil detectores de luz, dispostos em uma grade e enterrados no gelo. É um macete científico. Quando os neutrinos interagem com o gelo, produzem partículas que geram uma luz azul – e, então, o aparelho consegue detectá-los. Ao mesmo tempo, o gelo tem a propriedade de funcionar como uma espécie de rede, isolando os neutrinos, facilitando sua observação. Desde a concepção do projeto, os cientistas tinham a intenção de monitorar tais partículas justamente para descobrir sua origem. A ideia é que isso dê pistas sobre a origem do próprio Universo. E é justamente isso que eles acabam de conseguir.

Os pesquisadores já sabem que a origem de neutrinos observados na Antártica são um blazar, ou seja, um corpo celeste altamente energético associado a um buraco negro no centro de uma galáxia.

Este corpo celeste está localizado a 3,7 bilhões de anos-luz da Terra, na Constelação de Órion.

Descoberta-chave

“Eis a descoberta-chave”, explica Grant. “Trata-se das primeiras observações multimídia de neutrinos de alta energia coincidentes com uma fonte astrofísica, no caso, um blazar. Esta é a primeira evidência de uma fonte de neutrinos de alta energia. E fornece também a primeira evidência convincente de uma fonte identificada de raios cósmicos.”

Conforme afirma o físico, a novidade é a introdução, no campo da astronomia, de uma nova habilidade para “ver” o universo. “Este é o primeiro passo real para sermos capazes de utilizar os neutrinos como uma ferramenta para visualizar os processos astrofísicos mais extremos do universo”, completa Grant. “À medida que esse campo de pesquisa continua se desenvolvendo, também deveremos aprender sobre os mecanismos que impulsionam essa partículas. E, um dia, começaremos a estudar essa partícula fundamental da natureza em algumas das energias mais extremas imagináveis, muito além daquilo que podemos produzir na Terra.”

O IceCube conseguiu detectar pela primeira vez neutrinos do tipo em 2013. A partir de então, alertas eram disparados para a comunidade científica a cada nova descoberta. A partícula-chave, entretanto, só veio em 22 de setembro de 2017: o neutrino batizado de IceCube-170922A, com a impressionante energia de 300 trilhões de elétron-volts demonstrou aos cientistas uma trajetória.

Após concluir a origem do neutrino IceCube-170922A, os cientistas vasculharam os dados arquivados pelo detector de neutrinos e concluíram que outros 12 neutrinos identificados entre 2014 e 2015 também eram oriundos do mesmo blazar. Ou seja: há a possibilidade de comparar partículas com a mesma origem, aumentando assim a consistência da amostra.

De acordo com os cientistas do IceCube, essa detecção inaugura de forma incontestável a chamada “astronomia multimídia”, que combina a astronomia tradicional – em que os dados dependem da ação da luz – com novas ferramentas, como a análise dos neutrinos ou das ondas gravitacionais.

Com informações: BBC News Brasil

18:07 · 10.07.2018 / atualizado às 18:07 · 10.07.2018 por
Concepção artística de módulo desenvolvido pelos engenheiros espaciais israelenses, com vistas a uma futura alunissagem Imagem: Google Lunar XPrize

Israel lançará sua primeira missão espacial à Lua em dezembro, anunciou nesta terça-feira (10) uma organização desse país, pequeno porém com grandes ambições. A nave espacial ainda sem nome, em forma de cápsula e peso de 585 quilos no momento do lançamento, pousará na Lua em 13 de fevereiro de 2019 se tudo correr segundo o previsto, disseram os organizadores da SpaceIL em um encontro com a imprensa.

Será lançada através de um foguete da empresa SpaceX, do empresário americano Elon Musk, e sua missão incluirá a pesquisa do campo magnético da Lua. Mas a primeira tarefa será fincar a bandeira israelense na Lua, disseram os organizadores. O projeto começou como parte do concurso de tecnologia Google Lunar XPrize, que ofereceu US$ 30 milhões para estimular cientistas e empresários a proporem missões à Lua por um custo relativamente baixo. Uma equipe israelense que depois ficou conhecida como SpaceIL decidiu abraçar este objetivo e se associou eventualmente com a estatal Israel Aerospace Industries (IAI).

O prêmio do Google expirou em março sem que ninguém tenha conseguido chegar à Lua, mas a equipe de Israel se comprometeu a seguir em frente. Esta iniciativa privada poderia custar cerca de US$ 95 milhões, financiados em grande medida pelo bilionário israelense Morris Kahn. “Isto mostrará ao resto do mundo a forma” de mandar uma nave espacial à Lua a um custo razoável, disse Ofer Doron em nome da IAI.

Com informações: AFP

18:04 · 25.06.2018 / atualizado às 18:04 · 25.06.2018 por
Medicamento experimental coloca a insulina dentro de um líquido, contido em uma cápsula de polímero que resiste aos ácidos do estômago Foto: Bel Marra Health

Estudos com ratos abriram a possibilidade para a elaboração de um novo tipo de comprimido de insulina que poderia evitar que milhões de diabéticos se submetam às injeções diárias, informaram pesquisadores nesta segunda-feira (25).

Ainda é necessário fazer mais pesquisas para que a pílula, criada por especialistas da Universidade de Harvard, possa ser testada em humanos, ou esteja disponível em escala mundial. Até agora, o principal desafio para a sua elaboração tem sido encontrar um modo de preservar a proteína da insulina uma vez que entre em contato com os ácidos no estômago.

O medicamento experimental coloca a insulina dentro de um líquido, contido em uma cápsula de polímero que resiste aos ácidos do estômago, segundo descrição da Academia de Ciências. Essa proteção se dissolve quando entra em contato com um ambiente alcalino no intestino delgado, permitindo que o líquido que contém a insulina seja liberado.

“Uma vez ingerida, a insulina deve atravessar uma corrida de obstáculos antes que seja efetivamente absorvida pela corrente sanguínea”, assinalou o autor do estudo Samir Mitragotri, professor de Bioengenharia em Harvard.

“Nossa abordagem é quase como um canivete suíço, já que o comprimido tem ferramentas para enfrentar cada um dos obstáculos que encontra”. A pílula é de “fácil produção e pode ser conservada por até dois meses à temperatura ambiente sem se degradar”, indicou o estudo. Os pesquisadores não detalharam quanto tempo levaria para iniciar os testes em humanos, mas podem ser anos. Ainda são necessários mais estudos em animais, além de análises sobre os possíveis efeitos tóxicos por seu uso em longo prazo.

Quarenta milhões de pessoas no mundo têm diabetes tipo 1, uma condição que requer a aplicação diária de injeções com insulina, uma substância que seu organismo não pode produzir por si só. Segundo Mark Prausnitz, chefe de Química e Engenharia Molecular no Georgia Institute of Technology, a busca por doses de insulina para ser ingerida tem sido considerada o “Santo Graal” nas pesquisas de diabetes. “As implicações deste trabalho na medicina podem ser enormes se as descobertas puderem ser transformadas em comprimidos que podem administrar segura e efetivamente a insulina e outras drogas nos humanos”.

Com informações: AFP

16:37 · 18.06.2018 / atualizado às 16:37 · 18.06.2018 por
Cientistas da UnB fizeram primeiro teste para desenvolver um balão geoestacionário de grande altitude, que poderá ter aplicações em ciência espacial, meteorologia e até em agricultura Foto: Projeto Kuaray/Reprodução do Facebook

O sucesso de uma missão internacional de divulgação científica que reuniu astrônomos amadores, estudantes de engenharia e cientistas brasileiros e norte-americanos mostrou o caminho para que um grupo de pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) aprimorasse seu principal projeto: desenvolver um balão geoestacionário de grande altitude, que poderá ter aplicações em georreferenciamento, agricultura, ciência espacial e meteorologia.

Em 2017, durante o eclipse total do Sol que cruzou a América do Norte, quatro astrônomos amadores do Clube de Astronomia de Brasília (CAsB) – o professor de Engenharia Elétrica Renato Borges e três alunos na UnB – viajaram para Rexburg, em Idaho (EUA), para registrar pela primeira vez o evento astronômico em 360 graus, tendo como base um balão estratosférico a 30 km de altitude. A missão foi realizada em parceria com as universidades norte-americanas de Montana e North Dakota e financiada por um programa da Nasa, a agência espacial dos EUA. Selecionados para o projeto, os brasileiros conseguiram recursos por meio de um crowdfunding, espécie de “vaquinha” virtual. A aventura rendeu um vídeo de divulgação científica que será exibido em planetários e abriu caminho para parcerias científicas.

“A ideia do projeto do eclipse era dar uma experiência internacional aos alunos, que é muito importante na área de pesquisa, e fazer divulgação científica. Mas acabamos consolidando uma nova parceria com a Universidade de Montana (EUA) para desenvolver nossa plataforma para um balão estacionário”, conta. “Enquanto isso, estamos aperfeiçoando um sistema inédito de pouso para esse tipo de balão”, disse. Agora, eles realizaram o primeiro teste. “O projeto começou a sair do papel para levantar voo de verdade”, diz Borges, que coordena o projeto LAICAnSat, do Laboratório de Aplicação e Inovação em Ciências Aeroespaciais (Laica).

Os resultados da missão também resultaram em um artigo científico que foi apresentado, nos Estados Unidos, na conferência do Instituto de Engenheiros Elétricos e Eletrônicos, a principal associação de engenharia do mundo. O presidente do CAsB, Augusto Ornella, destaca a importância da experiência.

“Nós, como astrônomos amadores, tivemos contato com a academia e pudemos acompanhar de perto o desenvolvimento da tecnologia, dos circuitos e dos softwares da plataforma.

Enquanto isso, o pessoal da academia teve a oportunidade de compreender melhor a parte prática da observação do eclipse, na qual temos muita experiência.”

Com informações: Estadão Conteúdo

12:11 · 16.06.2018 / atualizado às 12:11 · 16.06.2018 por
O LHC, um imenso anel com 100 metros de profundidade, 27 km de circunferência, e situado sob os territórios suíço e francês, começou a operar em 2010 Foto: CERN

O CERN, organização europeia para a pesquisa nuclear, iniciou uma grande obra de engenharia civil para incrementar as capacidades do maior acelerador de partículas do mundo, o LHC.

“Até 2026, esta importante melhoria incrementará notavelmente a capacidade do LHC ao multiplicar o número de colisões, o que elevará a probabilidade de descobrir novos fenômenos”, explica o CERN em comunicado.

O LHC, um imenso anel com 100 metros de profundidade e situado sob os territórios suíço e francês, começou a colidir partículas em 2010. No interior do túnel de 27 km de circunferência, pacotes de prótons viajam a uma velocidade próxima da luz e entram em colisão em quatro pontos de interação.

Estas colisões engendram novas partículas, que os físicos do mundo inteiro analisam para aprofundar os conhecimentos sobre as leis da natureza.

Com informações: AFP

18:34 · 15.06.2018 / atualizado às 18:34 · 15.06.2018 por
Transmissão do astrofísico britânico será direcionada ao 1A 0620-00, que está localizado a 3.500 anos-luz do nosso planeta Foto: Nasa

Uma mensagem do astrofísico britânico Stephen Hawking será transmitida para o buraco negro mais próximo da Terra durante o enterro de suas cinzas, nesta sexta-feira (15), na Abadia de Westminster, em Londres, junto ao túmulo de Isaac Newton.

A mensagem – com sua conhecida voz sintetizada e especialmente escrita para a ocasião – será transmitida pela Agência Espacial Europeia (ESA). “É um gesto bonito e simbólico que cria um vínculo entre a presença do nosso pai neste planeta, seu desejo de ir ao espaço e a exploração do universo em sua mente”, disse sua filha Lucy Hawking.

O professor, que dedicou sua vida a desvendar os mistérios do universo e lutou para vencer as deficiências, será enterrado ao lado de outros dois grandes cientistas: Isaac Newton e Charles Darwin. A mensagem de Hawking será enviada “ao buraco negro mais próximo, o 1A 0620-00, em um sistema binário com uma estrela anã laranja bastante ordinária”, revelou a filha de Hawking.

O sistema está a 3.500 anos-luz da Terra, o tempo que tardará para chegar a mensagem. “É uma mensagem de paz e esperança, sobre a unidade e a necessidade de vivermos juntos e em harmonia neste planeta”. Hawking, que capturou a imaginação de milhões de pessoas no mundo, faleceu em 14 de março, aos 76 anos. O cientista, que ganhou fama mundial com o livro de 1988 “Uma breve história do tempo”, um sucesso inesperado de vendas, conquistou admiradores muito além do complicado mundo da astrofísica.

Sua morte rendeu uma série de homenagens, da rainha Elizabeth II à Nasa, que demonstraram o impacto de Hawking como cientista, mas também como farol de esperança para as pessoas afetadas por enfermidades degenerativas. A cerimônia desta sexta, com a presença de parentes, amigos colegas, celebrará não apenas suas conquistas como cientista, mas também seu caráter e resistência à doença devastadora. “Estamos muito agradecidos à Abadia de Westminster por nos oferecer o privilégio de celebrar um serviço de ação de graças à extraordinária vida de nosso pai, e por ter reservado um local distinto para o repouso final”, afirmaram seus filhos Lucy, Robert e Tim.

Stephen Hawking desafiou as previsões dos médicos que, em 1964, afirmaram que ele teria poucos anos de vida após o diagnóstico de uma forma atípica de esclerose lateral amiotrófica (ELA), uma doença que ataca os neurônios motores responsáveis por controlar os movimentos voluntários e que o condenou durante décadas a uma cadeira de rodas.

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