Diário Científico

Categoria: Universidades


16:37 · 18.06.2018 / atualizado às 16:37 · 18.06.2018 por
Cientistas da UnB fizeram primeiro teste para desenvolver um balão geoestacionário de grande altitude, que poderá ter aplicações em ciência espacial, meteorologia e até em agricultura Foto: Projeto Kuaray/Reprodução do Facebook

O sucesso de uma missão internacional de divulgação científica que reuniu astrônomos amadores, estudantes de engenharia e cientistas brasileiros e norte-americanos mostrou o caminho para que um grupo de pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) aprimorasse seu principal projeto: desenvolver um balão geoestacionário de grande altitude, que poderá ter aplicações em georreferenciamento, agricultura, ciência espacial e meteorologia.

Em 2017, durante o eclipse total do Sol que cruzou a América do Norte, quatro astrônomos amadores do Clube de Astronomia de Brasília (CAsB) – o professor de Engenharia Elétrica Renato Borges e três alunos na UnB – viajaram para Rexburg, em Idaho (EUA), para registrar pela primeira vez o evento astronômico em 360 graus, tendo como base um balão estratosférico a 30 km de altitude. A missão foi realizada em parceria com as universidades norte-americanas de Montana e North Dakota e financiada por um programa da Nasa, a agência espacial dos EUA. Selecionados para o projeto, os brasileiros conseguiram recursos por meio de um crowdfunding, espécie de “vaquinha” virtual. A aventura rendeu um vídeo de divulgação científica que será exibido em planetários e abriu caminho para parcerias científicas.

“A ideia do projeto do eclipse era dar uma experiência internacional aos alunos, que é muito importante na área de pesquisa, e fazer divulgação científica. Mas acabamos consolidando uma nova parceria com a Universidade de Montana (EUA) para desenvolver nossa plataforma para um balão estacionário”, conta. “Enquanto isso, estamos aperfeiçoando um sistema inédito de pouso para esse tipo de balão”, disse. Agora, eles realizaram o primeiro teste. “O projeto começou a sair do papel para levantar voo de verdade”, diz Borges, que coordena o projeto LAICAnSat, do Laboratório de Aplicação e Inovação em Ciências Aeroespaciais (Laica).

Os resultados da missão também resultaram em um artigo científico que foi apresentado, nos Estados Unidos, na conferência do Instituto de Engenheiros Elétricos e Eletrônicos, a principal associação de engenharia do mundo. O presidente do CAsB, Augusto Ornella, destaca a importância da experiência.

“Nós, como astrônomos amadores, tivemos contato com a academia e pudemos acompanhar de perto o desenvolvimento da tecnologia, dos circuitos e dos softwares da plataforma.

Enquanto isso, o pessoal da academia teve a oportunidade de compreender melhor a parte prática da observação do eclipse, na qual temos muita experiência.”

Com informações: Estadão Conteúdo

18:13 · 23.03.2018 / atualizado às 18:13 · 23.03.2018 por
Ideia dos pesquisadores é fornecer a técnica de forma gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS) Foto: Ribamar Neto/UFC

Pesquisadores do grupo de pesquisa Biotecnologia Molecular do Látex Vegetal, da Universidade Federal do Ceará, encontraram uma alternativa para tratar lesões causadas pela hanseníase: uma biomembrana desenvolvida a partir de proteínas vegetais com alto poder de cicatrização.

Em alguns dos testes com voluntários com sequelas de hanseníase, ferimentos abertos há mais de 15 anos apresentaram cicatrização de aproximadamente 80% da lesão apenas três meses após o início do tratamento. Um dos fatores que dificultam a cura da lesão da hanseníase é seu constante estado de inflamação. Isso faz as bordas do ferimento adquirirem forma semelhante à de calos, impedindo o processo de cicatrização do tecido epitelial. A membrana produzida na pesquisa age como um princípio ativo quando aplicada diretamente na pele dos pacientes, quebrando essa barreira e estimulando o processo de recuperação.

O grupo é coordenado pelos professores Márcio V. Ramos, do Programa de Pós-Graduação em Bioquímica, responsável por todas as etapas relacionadas à obtenção da proteína; e Nylane Nunes de Alencar, do Programa de Pós-Graduação em Farmacologia, que acompanha todas as ações ligadas à área médica.

Essas ações são realizadas no Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos (NPDM), da UFC, em parceria com a médica Maria Araci Pontes Aires, do Centro Dermatológico Dona Libânia, referência em hanseníase no Estado do Ceará.

No Centro, os pacientes considerados pós-hansênicos (que se curaram, mas ainda apresentam lesões) recebem tratamento apenas para evitar infecções, uma vez que as feridas estão abertas. A rede pública, no entanto, não disponibiliza um tratamento que favorece a cicatrização. A ideia dos pesquisadores, portanto, é fornecer a biomembrana de forma gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS), algo que seria viabilizado pela criação de um laboratório totalmente destinado a essa produção. Esse laboratório seria voltado não apenas para tratamento da hanseníase, mas para outras doenças de sequelas semelhantes, como a diabetes.

“Há drogas no mercado que promovem cicatrização, mas com preço inacessível aos pacientes. E quem tem hanseníase geralmente são pessoas pobres”, conta o Prof. Márcio Ramos, coordenador do Laboratório de Plantas Laticíferas, responsável pela extração e caracterização das proteínas ativas. Um fator que torna a membrana viável para o sistema público é justamente o barateamento da produção, uma vez que ela seria feita sem as margens de lucro da indústria convencional. Os pesquisadores estimam que, com isso, o custo do tratamento poderia ser reduzido de 50% a 70% em relação à terapia disponível no mercado. “Por isso a importância de criar um laboratório de produção”, defende a Profª Nylane Alencar.

A criação desse setor de produção ganha ainda outra justificativa considerando-se a gama de aplicações possíveis da membrana. Além do uso em pacientes pós-hansênicos e diabéticos, já há expectativa de utilização em enfermos com úlcera venosa, cuja cirurgia não tem cicatrização total. “Começamos com a hanseníase, mas temos potencial de ampliar o atendimento para outros problemas igualmente graves, mas negligenciados”, diz o Prof. Márcio Ramos.

Efeito cicatrizante

O estudo teve início ainda em 2013, quando os pesquisadores já haviam constatado o efeito cicatrizante dessas enzimas em modelos animais. Com o início das aplicações em humanos no ano passado, a biomembrana se mostrou igualmente eficiente, com resultados que variavam de acordo com o paciente.

As doutorandas do Programa de Pós-Graduação em Farmacologia da UFC responsáveis pelo trabalho experimental, Marília Nunes e Tamiris Goebel, explicam que a porcentagem de cura da lesão depende, por vezes, de fatores externos ou de apoio médico. “É preciso acompanhamento de neurologista, ortopedista e até uso de um calçado adequado, por exemplo. Às vezes há pacientes que não cicatrizaram por conta de fatores básicos”, explica Marília.

Naquelas pessoas tratadas que atendiam a necessidades simples, como o exemplo citado, o efeito acelerador da cicatrização ocorreu sem problemas, garantindo a recuperação das lesões nos três meses em que as doutorandas aplicaram a pesquisa.

Princípio ativo

As proteínas usadas na produção da biomembrana são extraídas do látex da planta Calotropis procera, conhecida popularmente como ciúme ou algodeiro-de-seda, típica de regiões áridas como o Nordeste brasileiro.

Após a extração, essas proteínas são separadas e purificadas. Na UFC, a equipe do grupo de pesquisa de Biotecnologia Molecular de Látex Vegetal já conseguiu aplicá-las em processos que vão da produção de um “queijo vegetariano” até a criação de um produto para depilar couro animal.

No processo de separação, materiais como borracha e compostos secundários são removidos, para que as proteínas possam ser recuperadas, desidratadas e transformadas em pó. Esse pó é homogeneizado em uma solução de álcool polivinílico (PVA) até a formação de um líquido branco, que, quando seca, se torna quase um filme transparente: a biomembrana.

Ao ser colocado na pele em ferida aberta, o filme é progressivamente absorvido e promove a ação cicatrizante. “É uma liberação controlada”, diz a Profª Nylane. “As proteínas vão saindo aos poucos. Quando são aplicados géis, às vezes a pele não absorve, mas isso não ocorre com a membrana.” A pesquisa foi financiada com recursos do Programa de Pesquisa para ao SUS (PPSUS) e da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap).

Com informações: Agência UFC

21:55 · 11.03.2018 / atualizado às 21:55 · 11.03.2018 por
Software desenvolvido por equipe da Universidade Federal do Rio de Janeiro possibilitará ao Cern fazer novas descobertas no campo da física quântica com menor custo financeiro Foto: CERN

O Atlas, maior detector de partículas da Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (Cern), vai adotar este ano um sistema atualizado de filtragem online de elétrons desenvolvido por pesquisadores do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

O Cern é o maior laboratório de física de partículas do mundo e investiga a origem do universo. Versão anterior do sistema denominado Neuralringer, da Coppe, foi aprovado pelo Cern em 2016 e utilizado no ano seguinte. A solução foi desenvolvida por um grupo de cientistas, sob a supervisão do professor do Programa de Engenharia Elétrica da Coppe, José Manoel de Seixas, que coordena a equipe brasileira no Atlas. “Foi feita uma nova atualização do sistema, e a gente vai começar a colidir durante 2018, antes que o Atlas pare para novos upgrades (avanços) e para retomar com a máquina colidindo mais forte do que está colidindo agora”, disse Seixas. O sistema da Coppe possibilitará ao Cern fazer novas descobertas com menor custo financeiro. A estimativa é que o Cern deixe de comprar até 10 mil computadores com quatro núcleos de processadores cada, o que significa economia em torno de US$ 80 mil, informou o professor da Coppe.

Choques

No momento, o Cern está aumentando o número de choques entre prótons para ampliar os eventos físicos, essenciais à investigação e à descoberta de possíveis novas partículas, a exemplo do que ocorreu com o bóson de Higgs, a chamada “partícula de Deus”, em 2012.

A comprovação da existência do bóson de Higgs rendeu aos cientistas Peter Higgs e François Englert o Prêmio Nobel de Física de 2013. O objetivo agora é descobrir se o bóson de Higgs é único ou se se desdobra em outros modelos. “A gente agora quer ver coisas que são ainda mais raras. Agora, eu faço uma colimação maior e aumento muito as chances de bater próton com próton”, explicou Seixas. A ideia é com menos tempo descobrir coisas mais complicadas.

“A experiência pressupõe identificar eventos dessas colisões que são muito raros”, afirmou Seixas. Os pesquisadores do Cern querem aumentar o número de eventos por colisão de 25 para 88, este ano, elevando para 200, até 2024. Isso aumentaria exponencialmente o volume de dados gerados de interesse científico.

O Neuralringer permite encontrar eventos físicos de interesse nesse “palheiro” que não para de crescer. “A gente é capaz de rejeitar mais rapidamente os eventos que não têm chance de interessar ao Atlas e que antes dependiam de uma análise de processamento de imagens que era muito pesada”.

Intercâmbio

Em dezembro do ano passado, um projeto de pesquisa visando ao aperfeiçoamento do algoritmo do Neuralringer foi aprovado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e pelo Comitê Francês de Avaliação da Cooperação Universitária com o Brasil (Cofecub).

O edital prevê o intercâmbio de pesquisadores da Coppe, da Université Paris VI (Pierre e Marie Curie) e da Université Clermont-Ferrand (Blaise Pascal), com duração de quatro anos, até 2021. A parceria entre a Coppe e o Cern começou há cerca de 30 anos. Em 1988, um grupo formado por professores da Coppe visitou pela primeira vez as instalações do Cern, na Suíça.

A partir de então, ficou estabelecida parceria que é mantida até hoje com vários projetos comuns, informou a assessoria de imprensa da Coppe/UFRJ.

Com informações: Agência Brasil

15:48 · 09.03.2018 / atualizado às 15:48 · 09.03.2018 por
Aspectos relacionados à variabilidade da frequência cardíaca (VFC), como a arritmia sinusal respiratória (ASR), stão presentes em um animal, como a piramboia, que está em nossa base evolutiva Foto: Universidade Federal de São Carlos

Um estudo inédito realizado na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) revelou que características, anteriormente consideradas evolutivamente novas e presentes apenas em mamíferos, estão presentes em peixe primitivo pulmonado, a Piramboia, encontrado no Pantanal brasileiro.

O trabalho foi realizado por pesquisadores do Departamento de Ciências Fisiológicas (DCF) da UFSCar, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e da Birmingham University, além de pós-doutorandos do Programa Interinstitucional de Pós-Graduação em Ciências Fisiológicas (UFSCar/Unesp). O projeto contou com a coordenação de Cléo Costa Leite, docente do DCF da UFSCar, e com recursos do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Fisiologia Comparada (INCT FisComp). A principal descoberta do estudo foi a presença de mecanismos de interação cardiorrespiratória na Piramboia, comprovando que aspectos relacionados à variabilidade da frequência cardíaca (VFC), como a arritmia sinusal respiratória (ASR), são primitivos e estão presentes em um animal que está na base evolutiva dos tetrápodes (vertebrados com quatro membros e respiração pulmonar).

“A Piramboia foi importante para o nosso trabalho porque ela apresenta algumas características semelhantes às de espécies ancestrais que deram origem aos vertebrados de respiração aérea, anfíbios répteis, aves e mamíferos”, relata Leite. De acordo com o docente da UFSCar, a descoberta quebra um paradigma na investigação e nas tentativas de compreensão de fatores relacionados à ASR. A arritmia sinusal respiratória é um fenômeno de interações rápidas de comunicação entre pulmões e coração que geram uma variação da atividade cardíaca quando se inicia a respiração. Ou seja, a frequência cardíaca aumenta na inspiração e diminui na expiração, com o papel de melhorar a eficiência das trocas gasosas.

Mecanismo complexo

O pesquisador aponta que a presença desse tipo de arritmia é interessante por dois motivos: “O primeiro é que seu mecanismo é complexo e difícil de ser executado, exigindo uma série de requisitos para que o animal consiga fazer esse ajuste. O segundo é que a presença de VFC e ASR é observada em pessoas saudáveis, jovens e sem estresse, sendo reduzida quando esses fatores não estão presentes. Dessa forma, a arritmia se tornou um índice clínico importante de saúde e sua ausência é um indicador de certos problemas”, explica Leite.

Outro ponto de destaque do estudo, segundo Cléo Leite, é a forma como o fenômeno da ASR era investigado até então. “Por ser um ajuste complexo e rápido, a arritmia foi considerada algo recente evolutivamente, algo que estaria presente só em mamíferos e seria fruto de aprimoramentos na evolução do grupo. Foi sugerido que esse fenômeno seria importante para a melhoria de trocas gasosas nos pulmões, mas nada foi confirmado. Nós conseguimos comprovar esse papel de melhoria na Piramboia que tem arquitetura cardiovascular diferente dos humanos, por exemplo”, aponta o professor.

Ele acrescenta que a variabilidade da frequência cardíaca é um fenômeno com raízes evolutivas antigas, que tem claro papel funcional em um animal primitivo, como um peixe pulmonado, e que pode não ter mais nenhuma função no organismo dos humanos. “A ASR é uma relíquia evolutiva que teve seu papel funcional em um animal ancestral e pode ter permanecido na progressão do processo evolutivo sem ter mais sua função principal. Assim, não é em humanos que temos de investigar seu papel, sua relevância e compreender sua interação com outros ajustes”, complementa. Leite afirma, no entanto, que tal fato não muda o uso clínico da ASR, mas muda a forma como esse fenômeno deve ser investigado daqui para frente.

A pesquisa desenvolvida na UFSCar é inédita e tem uma abordagem diferente da usual por investigar a origem evolutiva do ajuste em um animal peculiar como o peixe pulmonado. Há teorias da psicobiologia, como a teoria polivagal, que entende que a ASR é um tipo de ajuste presente, exclusivamente, em humanos e utiliza suas características para explicar uma série de comportamentos.

“Contudo, agora sabemos que as raízes de tais características são antigas e potencialmente todos os vertebrados de respiração aérea as possuem. Portanto, as bases explicativas dessa teoria não estão corretas”, explica Leite.

Compreensão da evolução

A partir das revelações do estudo, as próximas etapas envolvem a descrição de alterações desse tipo de regulação em outros grupos de vertebrados e a compreensão das modificações que foram surgindo ao longo da evolução. Em paralelo, o grupo de pesquisadores pretende analisar um tipo de ajuste similar à ASR que ocorre em vertebrados de respiração aquática.

“A área de fisiologia comparada no Brasil tem enorme potencial para ações relevantes dada a enorme biodiversidade que possuímos. Além disso, o grupo de fisiologia comparada da UFSCar é referência nacional e internacional na área e, portanto, temos potencial para o desenvolvimento de testes e investigação de uma série de teorias que estão relacionadas à saúde humana, ao bem-estar animal, às ações antrópicas no meio, dentre diversas outras coisas. Precisamos ter financiamento consistente e seguro para proporcionar as condições de enfrentarmos os desafios e realizarmos as pesquisas”, finaliza Cléo Leite.

A pesquisa foi feita no Laboratório de Biologia Experimental da UFSCar (Grupo de Zoofisiologia e Bioquímica Comparativa), com algumas análises realizadas na UFBA. O estudo gerou um artigo publicado recentemente no periódico científico internacional Science Advances (AAAS).

Com informações: Universidade Federal de São Carlos

19:05 · 09.10.2017 / atualizado às 19:05 · 09.10.2017 por
Os cientistas utilizaram o 5-MeO-DMT, que está presente em drogas psicodélicas como o chá de ayahuasca – uma planta da Amazônia utilizada ritualmente por indígenas para produzir estados alterados de consciência Foto: Aya Healing Retreats

Com estudos feitos em organoides celulares conhecidos como “minicérebros”, um grupo de cientistas brasileiros mostrou como uma substância psicodélica produz alterações benéficas em circuitos cerebrais associados à neuroplasticidade, à inflamação e à neurodegeneração.

A pesquisa, publicada nesta segunda-feira (9), na revista científica Scientific Reports, é a primeira a revelar as alterações que drogas psicodélicas causam no funcionamento molecular do tecido neural humano. De acordo com os autores, os resultados ajudam a explicar os efeitos antidepressivos e anti-inflamatórios que as substâncias psicodélicas vêm mostrando em diversos outros estudos.

No experimento, os cientistas utilizaram o 5-MeO-DMT, um composto da família da dimetiltriptamina, que está presente em drogas psicodélicas como o MDMA, o LSD e o chá de ayahuasca – uma planta da Amazônia utilizada ritualmente por indígenas para produzir estados alterados de consciência.

“Pela primeira vez pudemos descrever mudanças relacionadas a psicodélicos no funcionamento do tecido neural humano”, disse o autor principal do estudo, Stevens Rehen, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino.

Ganho de espaço

As drogas psicodélicas estão cada vez mais ganhando espaço nos laboratórios de pesquisas. Diversos grupos internacionais têm feito estudos e experimentos com essas substâncias a fim de desenvolver terapias para problemas psiquiátricos como ansiedade, depressão, estresse pós-traumático e para a dependência de drogas como álcool, cocaína, heroína e crack.

Apesar dos resultados promissores em um número cada vez maior de pesquisas, a identificação dos circuitos moleculares envolvidos com a ação dos psicodélicos no cérebro era limitada pelas restrições para estudos com essas substâncias e pela falta de ferramentas biológicas apropriadas. Para estudar os efeitos do DMT, Vania Dakic, do Idor e Juliana Minardi Nascimento, do Idor e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) expuseram os organoides cerebrais – que são culturas de células neurais tridimensionais que imitam um cérebro em desenvolvimento – a uma única dose do psicodélico.

Depois de receber o psicodélico, os “minicérebros” foram submetidos a uma análise proteômica – isto é, um mapeamento do conjunto de proteínas neles presentes – com uma técnica espectrometria de massas. Eles conseguiram assim observar alterações na expressão de cerca de mil proteínas – e conseguiram identificar qual o papel dessas proteínas no cérebro humano.

Proteínas

Os cientistas descobriram que proteínas importantes para a formação das sinapses tiveram uma regulação positiva – entre elas, proteínas relacionadas aos mecanismos celulares de aprendizado e memória, que são componentes centrais do funcionamento do cérebro. Por outro lado, proteínas envolvidas em inflamação, degeneração e lesão cerebral tiveram uma regulação negativa, sugerindo que a substância psicodélica tem um potencial papel de proteção neural. “Os resultados sugerem que os psicodélicos clássicos são poderosos indutores da neuroplasticidade – uma ferramenta de transformação psicobiológica sobre a qual sabemos muito pouco”, disse outro dos autores do novo estudo Sidarta Ribeiro, diretor do Instituto do Cérebro, ligado à UFRN.

“”O estudo sugere possíveis mecanismos pelos quais essas substâncias exercem seus efeitos antidepressivos, que temos observado em nossas pesquisas. Nosso estudo reforça o potencial clínico escondido dessas substâncias que estão hoje sob restrições legais, mas que merecem total atenção das comunidades médica e científica”, afirmou outro dos autores, Draulio Araújo, professor da UFRN.

Com informações: Estadão Conteúdo

23:57 · 07.05.2016 / atualizado às 17:23 · 08.05.2016 por
Foto: Gabriel Militão Vinhas Lopes/Arquivo pessoal
Gabriel Militão Vinhas Lopes, 22 anos, nascido em Rio Claro (SP), mas tendo passado a maior parte de sua vida em Fortaleza, foi um dos dois únicos brasileiros selecionados para um programa de estágio na Nasa, em parceria com a AEB. Ele ficará dez semanas na agência espacial, a partir do dia 6 de junho Foto: Gabriel Militão Vinhas Lopes/Arquivo pessoal

Trinta dias! Essa é a contagem regressiva vivida pelo estudante radicado no Ceará, Gabriel Militão Vinhas Lopes, 22 anos, um dos dois únicos brasileiros selecionados para um programa de estágio na Nasa, em parceria com a Agência Espacial Brasileira (AEB).

Nascido em Rio Claro (SP), Gabriel mudou-se com a família para Fortaleza aos oito anos e aos 11 participou de sua primeira Olimpíada Brasileira de Matemática. Foi quando, nas palavras dele, tomou gosto por essa disciplina e também pela Informática. Ele também participara na infância e na adolescência de olimpíadas ligadas ao mundo da computação. Aos 11 anos, decidi participar da OBM (Olimpíada Brasileira de Matemática) e tomei gosto pela matemática. Participei de diversas olimpíadas de matemática e informatica por mais de 6 anos e posteriormente continuei meu estudos em Engenharia de Computação na Unicamp.

Após concluir o Ensino Médio, foi aprovado para cursar Engenharia de Computação na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no interior de São Paulo, e mais recentemente ingressou no programa “Ciências sem Fronteiras”, do governo federal, sendo aprovado pela Universidade de Cornell, no estado de Nova York (EUA). Foi justamente essa condição, que o possibilitou se inscrever no Estágio de Verão 2016 Nasa I-2; ofertado em parceria pela AEB e pela agência espacial norte-americana.

“Começo dia 6 de Junho e fico dez semanas lá. Tenho algumas opções de projetos, mas ainda não sei qual deles irei participar. Um dos me interessei é uma plataforma de desenvolvimento sobre terremotos, prevendo estes fenômenos e alertando a população”, antecipa Gabriel.

Atualização no site da AEB

O estudante ainda tem viva na lembrança os dias que antecederam a divulgação do resultado, no qual ele e um amigo de intercâmbio, Flávio Altinier Maximiano da Silva, foram selecionados, no último dia 20 de abril.

“Foi bem curioso. Alguns amigos que também estavam no processo precisavam dar uma resposta naquela semana para outros estágios que tinham sido aprovados. Então, resolvi ligar na AEB para saber se tinham alguma expectativa do resultado. Para minha surpresa, fui informado que o resultado sairia até o dia seguinte. Após avisar meus amigos, fui para minha aula e fiquei aguardando alguma atualização no site. Daí, menos de meia hora após minha ligação, descobri que tinha passado. Fiquei muito feliz, mas não podia comemorar muito por que estava na aula. Só dei um abraço nos meus amigos e tentei me concentrar”, relembra.

Orgulho familiar e brasileiro

Os pais de Gabriel, o engenheiro civil Lauro J. Vinhas Lopes Filho e a nutricionista Júlia Helena Militão Vinhas Lopes contam que ficaram extremamente emocionados ao saber da aprovação do filho na mais importante agência espacial do mundo. “Nossos corações se encheram de alegria e orgulho, enquanto os olhos marejavam em lágrimas, pois somente nós, os pais, sabemos quanta dedicação e quanto sacrifício o Gabriel dispensou para alcançar os seus objetivos”, recordam.

Os dois que são casados há 26 anos e tem outro filho, além do Gabriel, acrescentam que “a oportunidade de trabalhar no maior centro de pesquisa em tecnologia, não só nos emociona imensamente como nos traz uma profunda sensação de paz. É que vislumbramos que o Gabriel está construindo uma forte fundação na sua edificação profissional e está se aprimorando e se enriquecendo com o conhecimento tecnológico da mais alta qualidade nas instituições mais seletivas da Terra”.

O orgulho dos pais de Gabriel pode ser estendido a todo cearense, paulista ou brasileiro que seja amante da ciência. Você leitor que também pensa em participar de olimpíadas, programas, estágios ou intercâmbios científicos pode se inspirar um pouco mais a fazer a inscrição e estudar, ao conhecer mais do pensamento e da trajetória do estudante Gabriel.

Ping-pong

Blog Diário Científico – Você pretende voltar ao Brasil ou pretende seguir carreira nos EUA? Como a experiência na Nasa poderia ajudar na sua profissão em ambas as situações, voltando ao país ou ficando aí?

Gabriel Militão Vinhas Lopes – Após o estágio, voltarei ao Brasil para terminar minha graduação na Unicamp. Tenho como missão contribuir para o desenvolvimento do meu país por meio da tecnologia, então pretendo seguir minha carreira no Brasil, onde posso melhor contribuir para este objetivo. No estágio, espero aprender bastante com o time de desenvolvimento e ainda terei a oportunidade de trabalhar com um time internacional.

BDC – Já sonhou em ser astronauta? Toparia participar de uma missão espacial, caso a Nasa ou a AEB o selecionassem?

GMVL – Nunca pensei em ser astronauta. Com certeza! Por que não?

BDC – Estudar nos Estados Unidos te ajudou de alguma maneira no processo de seleção? Como foram suas experiências escolares e universitárias anteriores?

GMVL – Sim, na realidade, apenas os alunos do programa Ciência sem Fronteiras nos Estados Unidos puderam participar do edital da AEB. A AEB deveria selecionar até cinco alunos e encaminhá-los para que a NASA os avaliassem e os aprovassem para o estágio. Por causa da concorrência e do alto nível dos candidatos, a AEB acabou selecionando 15 candidatos e encaminhando para que a NASA aprovasse os cinco. Dentre os candidatos encaminhados, eu e meu amigo fomos aprovados. Além de várias atividades extracurriculares, acredito que meu trabalho de iniciação científica em Teoria de Grafos, na Unicamp, e meus resultados em olimpíadas de matemática foram determinantes na primeira fase da seleção. Na segunda fase, acredito que algumas experiências com programação foram determinantes, como uma competição de “futebol” com o robô Baxter, aqui em Cornell.

BDC – Como é a convivência com o outro brasileiro selecionado? Vocês participarão dos mesmos projetos?

GMVL – Flávio, o outro selecionado, divide apartamento comigo aqui em Ithaca, em Cornell. Somos da mesma turma na Unicamp e fizemos todo o processo juntos, desde a aplicação pro Ciência sem Fronteiras, a seleção para Cornell e para a NASA. Apesar de trabalharmos bastante juntos, estaremos em projetos diferentes durante o estágio.

BDC – No Nasa Space Apps Challenge 2016, outro programa da agência espacial norte-americana, um grupo de estudantes cearenses do ensino médio propôs um jogo de “quadribol” no espaço. O que você acha dessa ideia? Você acredita que o estudante cearense, de um modo geral, é criativo e preparado para os desafios que envolvem novas tecnologias, incluindo a área espacial?

GMVL – Achei uma ideia muito boa! Haha! Bem esperto, aproveitar a falta de gravidade pra se divertir com uma partida de “quadribol”. Com certeza, somos muito criativos e, com o devido preparo, conseguimos explorar este potencial e desenvolver o estado da arte na tecnologia. Entretanto, a educação é essencial para enfrentar estes desafios e, enquanto não valorizarmos a ciência e a tecnologia no país, todo esse potencial poderá ser desperdiçado.

23:42 · 03.05.2016 / atualizado às 23:42 · 03.05.2016 por
Consumo de peixes é o fator que mais expõe as pessoas ao mercúrio, devido o processo de bioacumulação e biomagnificação do metal. Isso faz com que os teores, mesmo na água, sendo baixos ao longo da cadeia alimentar, vão se ampliando e o homem, que está no topo da cadeia, é o que está mais exposto Foto: Photographer's Blog
Consumo de peixes é o fator que mais expõe as pessoas ao mercúrio, devido o processo de bioacumulação. Isso faz com que os teores do metal se ampliem ao longo da cadeia alimentar e o homem é o que está mais exposto Foto: Photographer’s Blog

Cientistas de várias universidades do país e do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) participam, em Manaus, do III Workshop do projeto “Biomarcadores de toxidade de mercúrio aplicados ao setor hidrelétrico na Amazônia”.

Os estudos começaram em 2013 para verificar a presença do metal em peixes e no leite materno. As amostras foram coletadas na bacia do Rio Madeira, em Rondônia, na bacia do Rio Tocantins, em Goiás e Maranhão, e no Rio Negro, no Amazonas.

Segundo o coordenador da pesquisa, professor Luiz Fabrício Zara, da Universidade de Brasília (UnB), o objetivo é identificar substâncias que possam funcionar como indicadores da toxicidade do mercúrio e que seja aplicado ao setor hidrelétrico.

“Como já é de conhecimento, a expansão do setor hidrelétrico para a Amazônia já é uma realidade brasileira. A Amazônia brasileira é rica em mercúrio natural. Por isso, demanda pesquisas e estudos associados a mecanismos de vigilância ambiental, de modo que se possa ter um real desenvolvimento socioambiental”, afirma Zara.

Considerado inovador no mundo, o projeto utiliza a técnica chamada de metaloma, que consiste na separação das proteínas, do pescado e do leite materno, por exemplo, para depois verificar a qual proteína o mercúrio está ligado.

Esse metal está presente naturalmente no meio ambiente. Na Amazônia, ele apresenta níveis superiores em relação a outras regiões. A exposição a altos níveis desse metal, que é tóxico, é prejudicial à saúde e ao meio ambiente.

Consumo de peixes

O pesquisador Luiz Fabrício Zara esclareceu que o consumo de peixes é o fator que mais expõe as pessoas ao mercúrio.

“O peixe tem um processo de bioacumulação e biomagnificação do mercúrio. Então, os teores, mesmo na água, sendo baixos ao longo da cadeia alimentar, esses valores vão se ampliando e logo o homem, que está no topo da cadeia, é o que está mais exposto”, afirmou o pesquisador.

Luiz Zara destacou os resultados já obtidos pela pesquisa com os peixes mais consumidos nas regiões das hidrelétricas. “Já identificamos várias metaloproteínas, que seriam essas proteínas ligadas ao mercúrio, forte candidatas a biomarcadores da toxicidade, ou seja, quando altera a concentração de mercúrio no ambiente, altera a concentração dessa substância no pescado. Isso nos cria um índice de vigilância”, explicou o pesquisador .

Leite materno

Outra vertente dos estudos é a presença de mercúrio no leite materno. Há um processo natural de excreção do metal na amamentação, que é nocivo para as crianças, de acordo com a pesquisadora Tânia Machado da Silva, também da Universidade de Brasília.

“Uma criança em desenvolvimento pode ser muito mais afetada que um adulto com o sistema nervoso desenvolvido. Essa era a importância de se estudar o leite materno e não apenas o peixe, porque o leite materno também é uma fonte de exposição para as crianças”, acrescentou Tânia.

A pesquisadora informou que não foram identificados níveis de mercúrio nas mulheres em período de amamentação acima do que determina a Organização Mundial de Saúde.

Prosseguimento dos estudos

O projeto é patrocinado pela Energia Sustentável do Brasil, concessionária da Usina Hidrelétrica de Jirau, em Rondônia.

O encerramento dos estudos está previsto para 2017. A ideia é que as conclusões sejam apresentadas em duas publicações: uma para o meio científico e outra para a sociedade, de modo que possa servir para adoção de políticas públicas de saúde.

Com informações: Agência Brasil

22:37 · 13.03.2015 / atualizado às 22:49 · 13.03.2015 por
Foto: Blog Quimicalzheimer
Roedores que sonharam logo depois de ter brincado com objetos que nunca tinham visto antes tiveram áreas-chave de seu cérebro remodeladas pela ativação de certos genes Foto: Blog Quimicalzheimer

Os sonhos podem não ser mensagens divinas, como se acreditava, mas sua função real é igualmente importante: “esculpir” memórias nas conexões entre as células do cérebro.

Essa é a conclusão de um estudo com ratos feito por pesquisadores brasileiros, no qual os roedores que sonharam logo depois de ter brincado com objetos que nunca tinham visto antes tiveram áreas-chave de seu cérebro remodeladas pela ativação de certos genes. Era como se os cientistas enxergassem as memórias se formando.

A pesquisa, publicada na revista “Neurobiology of Learning and Memory”, tem entre seus autores Sidarta Ribeiro, do Instituto do Cérebro da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte), e Koichi Sameshima, do Hospital Sírio-Libanês e da USP. Para Ribeiro, o melhor termo para designar o que acontece no cérebro dos ratos durante os sonhos é “entalhamento”.

“Isso dá a noção de alto e baixo relevo”, como uma figura esculpida, diz. Durante essa fase do sono, as sinapses (conexões entre neurônios) passam tanto por um fortalecimento de longa duração quanto por um enfraquecimento duradouro. O resultado é a formação das memórias e a consolidação do aprendizado no cérebro.

Parque de diversões

Para chegar a essas conclusões, Ribeiro e seus colegas expuseram seus ratos de laboratório a uma espécie de parque de diversões – um conjunto de objetos projetados para maximizar os estímulos que os bichos acham interessantes.

Os animais nunca tinham tido contato com nada parecido, o que favoreceria a formação de novas memórias sobre a experiência. Após uma hora, os pesquisadores permitiram que os bichos caíssem no sono e sonhassem – o que foi possível monitorar porque eles tinham instalado eletrodos no cérebro dos animais.

Com isso, Ribeiro e seus colegas flagraram o início do sono REM, caracterizado por rápidos movimentos involuntários dos olhos em humanos e correspondente aos sonhos. Acabou aí a alegria dos ratos, porém. Após 30 minutos de sonhos, eles foram anestesiados e sacrificados. Os pesquisadores, então, analisaram o padrão de ativação dos genes no cérebro deles.

O resultado é que havia dois principais grupos de genes “ligados”. O primeiro envolvia processos que comandam a liberação de neurotransmissores (mensageiros químicos do sistema nervoso) pelas sinapses, bem como o crescimento de “pontes” entre um neurônio e o outro. Já o outro grupo de genes está ligado ao desligamento desses processos  tudo de acordo, portanto, com a hipótese de “entalhamento”.

Isso indicaria que sonhar bastante é uma receita para ampliar a inteligência? Do ponto de vista evolutivo, isso parece fazer sentido – mamíferos com fases longas de sono REM tendem a ser mais inteligentes, diz o pesquisador.

“Além da questão cognitiva, é preciso considerar o nicho ecológico. Os campeões de sono REM são animais do topo da cadeia alimentar – felinos, cães, cetáceos e símios, que têm muito tempo livre e segurança para dormir”, afirma.

Com informações: Reinaldo José Lopes/Folhapress

17:23 · 06.01.2015 / atualizado às 17:32 · 06.01.2015 por
Foto: Alberto Salguero Quiles
A espécie escolhida para ser germinada no”Planeta Vermelho” pela equipe Seed é a Arabidopsis thaliana, parente da mostarda e uma planta muito bem estudada na área aeroespacial Foto: Alberto Salguero Quiles

A equipe universitária portuguesa Seed ganhou a competição da Mars One e o direito a enviar para Marte os primeiros seres vivos, neste caso sementes de plantas, segundo os resultados divulgados hoje por aquela fundação holandesa.

“A Mars One tem o prazer de anunciar que o vencedor do concurso universitário Mars One é a equipe Seed. A experiência desta equipe universitária será enviada para Marte em 2018 e a sua escolha foi decidida por votação pública ‘online’, entre 35 projetos universitários”, pode ler-se no comunicado divulgado pela fundação holandesa sem fins lucrativos.

A equipe, formada majoritariamente por jovens cientistas do Grande Porto, ganhou a votação, concluída no dia 31 de dezembro de 2014, batendo nove outros finalistas, de diferentes nacionalidades, e terá agora a oportunidade de provar que é possível haver vida em Marte, através da germinação de plantas em condições controladas.

“É ótimo e uma oportunidade única, na medida em que será a primeira vez que se vai levar vida a Marte, mas, também por isso, a responsabilidade e preocupação serão maiores”, disse Daniel Carvalho, um dos participantes no projeto.

Dez meses de viagem

A experiência da equipe universitária portuguesa será enviada na missão Lander, da Mars One, em 2018, numa viagem até Marte com a duração de 10 meses, e antecipa em pelo menos dois anos o projeto da agência espacial norte-americana (Nasa) de enviar plantas para o planeta, no âmbito do projeto Mars Plant Experiment (MPX).

“Vamos reunir com toda a equipe, conselheiros e entidades que nos apoiaram, juntamente com a Mars One, para começar a avaliar o nosso projeto e seguir para a construção do protótipo e, posteriormente, a sua validação”, sublinhou. A ideia do projeto consiste em enviar sementes congeladas para Marte.

“Quando aterrissar em Marte, o sistema vai ser ativado, e tanto a energia térmica como a água vão ser fornecidas às sementes de forma a possibilitar a germinação. Todo o processo de crescimento da planta será monitorizado por fotografias enviadas para a Terra via satélite”, explicou o jovem investigador, de 20 anos.

O mais novo dos oito elementos da equipe (inclui ainda um holandês e um espanhol, e o apoio estratégico de investigadores e entidades portuguesas e estrangeiras especializadas em diferentes áreas) adianta que os resultados obtidos podem “contribuir para o desenvolvimento de sistemas de suporte de vida para futuras missões espaciais baseadas na produção de oxigênio e alimento por via das plantas”. E, além disso, “contribuir para o estudo do comportamento da planta em ambientes de gravidade parcial (0.38g)”.

Parente da mostarda

A espécie escolhida pela equipe Seed é a Arabidopsis thaliana, parente da mostarda e  “uma planta muito bem estudada, até na área aeroespacial, a bordo da Estação Espacial Internacional”, e tem “uma taxa de crescimento rápido, apesar das suas sementes de reduzido tamanho”.

“No entanto, podíamos usar outras sementes, como a Brassica rapa ou a mais conhecida rúcula”, acrescentou Daniel Carvalho, confirmando que o nome da planta será escolhido entre as sugestões avançadas por quem optou por votar pelo Twitter.

O prazo previsto no calendário de compromissos definido para a construção, desenvolvimento e validação do protótipo é de dois anos e exigirá “muito trabalho” à equipe portuguesa.

O concurso da Mars One foi aberto em finais de agosto e contou com a participação de 35 equipes universitárias.

Com informações: Diário Digital / Sapo / Agência Lusa

17:28 · 16.12.2014 / atualizado às 17:41 · 16.12.2014 por
Foto: Unemat
Foram avistados três macacos do gênero Pithecia, conhecido popularmente como ‘parauacus’. Estes macacos não eram conhecidos cientificamente para esta região e, além disso, como estes grupos observados apresentaram características diferentes das espécies já conhecidas Foto: Unemat

Pesquisadores do Laboratório de Mastozoologia, da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), descobriram o que pode ser uma nova espécie de macaco na região de transição entre Amazônia e Pantanal.

O mestrando Almério Gusmão, orientado pelo professor Manoel dos Santos Filho, observou no final de novembro deste ano, durante atividades de campo, três macacos do gênero Pithecia, conhecido popularmente como ‘parauacus’.

Estes macacos não eram conhecidos cientificamente para esta região e, além disso, como estes grupos observados apresentaram características diferentes das espécies já conhecidas, os pesquisadores ainda não os agruparam em nível de espécie.

O próximo passo agora é analisar mais detalhadamente os animais e verificar se se trata de uma nova espécie ou uma variação geográfica de alguma já descrita.

Diversidade pouco conhecida

O Brasil possui a maior diversidade de primatas do planeta e, mesmo assim, ainda é pouco conhecida cientificamente.

No Estado de Mato Grosso existem três biomas e várias localidades com poucos conhecimentos sobre sua diversidade.

A preocupação dos pesquisadores é que estes animais estão em uma região onde a vegetação nativa foi quase totalmente removida para a implantação da agricultura e da pecuária.

Com essa preocupação, o Laboratório de Mastozoologia, coordenado pelo professor Manoel, vem desenvolvendo projetos para investigar a ecologia nesses fragmentos. Atualmente, trabalham com primatas na região sul da Amazônia e no Pantanal mato-grossense.

Os locais onde foram observados os animais são pequenos fragmentos de floresta isolados entre si e não existem unidades de conservação próximas. Isso implica problemas para a conservação, uma vez que decorrente da perda de habitat e do isolamento das poucas populações ainda existentes na região, já há o risco de extinção desta espécie de parauacu.

Com informações: Fotos Públicas

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