Diário Científico

Categoria: Universidades


08:49 · 16.07.2013 / atualizado às 13:26 · 16.07.2013 por
Estudantes do IFCE-Juazeiro do Norte tiveram dois trabalhos na área da produção de biodiesel e um no da reutilização da água destacados em feira científica nacional; dois deles serão expostos no exterior Foto: IFCE/Divulgação
Estudantes do IFCE-Juazeiro do Norte tiveram dois trabalhos na área da produção de biodiesel e um no da reutilização da água destacados em feira científica nacional; dois deles serão expostos no exterior Foto: IFCE/Divulgação

Que o Ceará é uma referência na pesquisa do chamado biodiesel, combustível produzido a partir de fontes não-fósseis e renováveis, não é novidade. Um dos pioneiros nesse campo foi o pesquisador Expedito Parente, morto em 2011.

Mas dois projetos desenvolvidos pelo Instituto Federal do Ceará (IFCE), no campus Juazeiro do Norte, mostram que o Estado deve continuar na vanguarda dos combustíveis ecologicamente corretos.

O projeto “Reciclagem de óleo comestível usado para a produção de biodiesel, glicerina e sabão”, por exemplo, foi credenciado para participar de feira científica em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.

Os estudantes irão para a Milset (sigla inglesa que significa “Movimento para atividades de lazer em Ciência e Tecnologia”) Expo-Sciences International 2013, que acontecerá em setembro deste ano, custeados pela Petrobras e pelo próprio IFCE.

O trabalho, que apresenta alternativas para o reaproveitamento do óleo de cozinha, foi desenvolvido pelos alunos Cícero Paulo dos Santos, Alanna Lucena e Maria Jéssica da Silva e exposto na etapa nacional da prestigiada feira, que este ano aconteceu em Fortaleza.

Biodiesel de pequi

Outro projeto juazeirense ligado ao desenvolvimento de biodiesel e outros produtos também se destacou e representará o Ceará na Feira Nordestina de Ciência e Tecnologia (Fenecit), que acontecerá em Recife, no mês seguinte.

Os estudantes Jennifer Marques, Leonardo Lima e Thiago Tavares desenvolveram o projeto “Potencialidades do Pequi”, com o objetivo de mostrar a importância do fruto para a região e a possibilidade de utilizá-lo para fabricar biocombustível, glicerina, sabão e briquete.

Juazeiro também se destaca na reutilização da água

Mas não foi só na criação de alternativas combustíveis que os estudantes de Juazeiro do Norte se destacaram. A pesquisa sobre reutilização da água também foi qualificada para representar o Brasil no exterior. O projeto “Água Renovada” está apto a participar da Milset América-Latina 2014, na Colômbia.

Os alunos Júnior Nicácio, Laleska de Oliveira e Larissa Gonçalves criaram uma técnica que envolve o uso de energia solar, processos de evaporação e condensação. “Para um estado como o nosso, que enfrenta períodos de seca, a relevância é muito grande”, diz o professor Ricardo Ferreira da Fonseca, que orientou os três projetos-destaque na etapa nacional da Milset.

Com informações: Departamento de Comunicação Social do IFCE

11:37 · 20.05.2013 / atualizado às 12:05 · 20.05.2013 por
Vacina mostrou eficácia em roedores e porcos e deve ser testada em humanos voluntários ainda em 2013 Foto: USP / Divulgação
Vacina mostrou eficácia em roedores e porcos e deve ser testada em humanos voluntários ainda em 2013 Foto: USP / Divulgação

Pesquisadores do Instituto do Coração (InCor), da Universidade de São Paulo (USP), desenvolveram uma vacina contra a febre reumática – doença inflamatória que acomete pessoas geneticamente suscetíveis após uma infecção bacteriana. O medicamento deve começar a ser testado em seres humanos ainda este ano .

Experimentos feitos em roedores e em pequenos porcos sugerem que o imunizante é seguro e tem capacidade de induzir uma resposta imunológica específica contra a bactéria Streptococcus pyogenes. “Com esses resultados em mãos, estamos prontos para iniciar estudos de fase 1 em humanos. Apenas aguardamos a liberação do financiamento pré-aprovado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)”, projetou cientista. No primeiro momento, serão vacinados apenas indivíduos adultos saudáveis (voluntários). O objetivo é verificar se o imunizante consegue induzir a produção de anticorpos específicos.

Como funciona a febre reumática

Na maioria dos infectados, esse patógeno causa apenas dor de garganta, mas em crianças predispostas, porém, o contato com ela pode desencadear um quadro autoimune.  Na tentativa de se defender da bactéria, o sistema imunológico começa a atacar tecidos do próprio organismo – o coração é o principal alvo. “Isso acontece porque partes da bactéria têm sequências de aminoácidos e a conformação de algumas proteínas muito parecidas com as existentes nas válvulas cardíacas”, explicou Luiza Guilherme, pesquisadora do InCor e coordenadora da pesquisa.

A doença também pode causar um quadro de dor nas articulações conhecido como poliartrite, que costuma melhorar com o tempo. Mas as lesões nas válvulas cardíacas são progressivas e permanentes – levando, cedo ou tarde, à necessidade de cirurgia. “Quando o paciente é operado pela primeira vez ainda criança, a chance de precisar passar por várias cirurgias ao longo da vida é grande. Por isso a febre reumática é uma das doenças com tratamento mais caro no Brasil e no mundo”, afirma a pesquisadora. Estima-se que de 3% ou 4% das pessoas sejam suscetíveis a desenvolver doença autoimune após a infecção pela S. pyogenes.

Ainda assim, o custo do tratamento da febre reumática para o Sistema Único de Saúde (SUS) fica atrás apenas do gasto com a Aids. No levantamento mais recente, feito em 2007 pelo Ministério da Saúde,  foram R$ 60 milhões para custear o tratamento clínico da doença e outros R$ 120 milhões para cirurgias cardíacas. No InCor, onde são atendidos cerca de 600 pacientes com a doença reumática cardíaca por mês, 2 mil pessoas estão na fila para fazer a cirurgia valvular. Quase 40% dos operados são crianças.

22:47 · 07.04.2013 / atualizado às 01:50 · 08.04.2013 por
Físico Harry Stanley recebe título de professor honoris causa das mãos do reitor da UFC, Jesualdo Farias Imagem: Coordenadoria de Comunicação Social e Marketing Institucional da UFC
Físico Harry Stanley recebe título de professor honoris causa das mãos do reitor da UFC, Jesualdo Farias Imagem: Coordenadoria de Comunicação Social e Marketing Institucional da UFC

O reconhecimento de cientistas brasileiros no exterior pode ser uma das formas mais claras de demonstração do crescimento da Ciência no País, mas o inverso também é um bom indicativo disso.

Um exemplo de que a Ciência não tem mesmo fronteiras foi o que aconteceu na última sexta-feira na Universidade Federal do Ceará (UFC). O Professor Harry Eugene Stanley, da Universidade de Boston, nos Estados Unidos recebeu da instituição cearense o título de professor honoris causa

Stanley trouxe contribuições essenciais para a Física Estatística e tendo trabalhos de destaque sobre transições de fase, teoria da percolação, sistemas desordenados, fenômenos de agregação, polímeros e Física Biológica. Já produziu contribuições na área de sistemas complexos, tais como quantificar as correlações entre os componentes do cérebro com a doença de Alzheimer. Hoje, sua pesquisa se concentra na compreensão do comportamento anômalo da água líquida.

Por suas contribuições científicas na Física das transições de fase e fenômenos críticos, recebeu em 2004 a Medalha Boltzmann, concedida pela União Internacional de Física Pura e Aplicada, a mais alta distinção acadêmica da Física Estatística. Também é detentor do Prêmio Julius Edgar Lilienfeld, da Sociedade Americana de Física. Até hoje, o físico tem 1.126 artigos científicos publicados em periódicos indexados, que contam com 57.230 citações, e orientou 106 alunos de doutorado, tendo colaborado com 131 pós-doutorandos e professores visitantes.

Stanley ocupa cargos simultâneos de professor honorário na Universidade de Ciência e Tecnologia do Leste da China, no Instituto de Estudos Avançados da Universidade de Xangai, bem como nas universidades de Pavia e de Eotvos Lorand, em Budapeste. Na UFC, o professor tem contribuído com o Departamento e da Pós-Graduação em Física Computacional, liderado pelo Prof. José Soares de Andrade Jr.

Física cearense pode ser uma das melhores do mundo

Homenageado, Stanley afirmou que a honraria o deixou  “tocado e agradecido, principalmente pelo fato da distinção ter vindo de uma universidade do Nordeste, que criou um departamento de Física a partir do nada e é muito recente, se comparada a universidades centenárias, mas já pode ser considerada uma das melhores do País e será uma das melhores do mundo”. O Reitor da UFC, Jesualdo Farias, presidiu a solenidade de entrega do título. 

O Professor José Soares Andrade Jr. ressaltou a semelhança entre os estados do Ceará e de Oklahoma, onde o pesquisador homenageado nasceu. “Oklahoma é reconhecido como o verdadeiro representante da famosa hospitalidade e generosidade sulista da América, fama igualmente reputada aos nordestinos cearenses. Stanley pautou e vem pautando suas relações humanas, sejam elas pessoais ou profissionais, no respeito mútuo, na dignidade e, mais importante, em sua infinita compreensão da complexidade humana”.

16:00 · 12.03.2013 / atualizado às 16:17 · 12.03.2013 por
Nogo Receptor 1 é o gene responsável pela perda da plasticidade cerebral, mas pode ser "desligado", conforme demonstrou experimento em ratos. Processo ajudaria na aceleração da recuperação do órgão Imagem: Abcam
Nogo Receptor 1 é o gene responsável pela perda da plasticidade cerebral, mas pode ser “desligado”, conforme demonstrou experimento em ratos. Processo ajudaria na aceleração da recuperação do órgão Imagem: Abcam

Surgiu uma nova esperança para quem sofreu traumas cerebrais ou sofre de doenças que degeneram o órgão mais importante do corpo humano.

Um grupo de cientistas da Yale School of Medicine descobriu que um único gene pode ser responsável pela maturação das conexões neuronais do cérebro.

Esse gene sozinho pode controlar a plasticidade do órgão, diferenciando um cérebro adulto, relativamente estável, de um infantil/adolescente. Mas isso não é tudo. Na verdade, os estudiosos conseguiram ainda reverter o processo.

Ao alterar o gene denominado Nogo Receptor 1, os cientistas puderam devolver a plasticidade original ao cérebro de um rato adulto. O resultado foi um animal com maior capacidade de aprendizado e também com uma regeneração cerebral mais rápida.

Os pesquisadores da Yale School of Medicine identificaram ainda alguns ratos em que faltava o gene Nogo Receptor. Nesses casos, percebeu-se que a plasticidade típica da adolescência se manteve também na idade adulta. Por outro lado, ao bloquear o gene em ratos adultos normais, os cientistas puderam fazer uma espécie de reinicialização do órgão.

Recuperação cerebral pode ser acelerada

Conforme explicou um dos responsáveis pelo projeto, o Dr. Stephen Strittmatter, “essas são as moléculas que o cérebro precisa para a transição entre a adolescência e a idade adulta. Isso sugere que nós podemos voltar o relógio de um cérebro adulto, para que ele possa se recuperar de traumas tal como faz o cérebro de uma criança”.

Após danos severos no cérebro, alguns pacientes precisam reaprender movimentos básicos, tal como movimentar as mãos. Durante os testes realizados com ratos, os pesquisadores notaram que, naqueles em que faltava o Nogo Receptor, a recuperação de danos cerebrais era tão rápida quanto em um rato adolescente. Eles também puderam dominar tarefas motoras mais rápido do que ratos adultos normais.

“Isso eleva o potencial de que manipular o Nogo Receptor em seres humanos pode acelerar e ampliar a reabilitação do cérebro após injúrias”, disse Feras Akbik, coautor do projeto. Por fim, o grupo descobriu ainda que ratos sem o referido receptor conseguiam se esquecer de memórias estressantes mais rapidamente, sugerindo que a manipulação do Nogo Receptor poderia ajudar em questões de estresse pós-traumático

Diferenças entre cérebros de jovens e de adultos

As diferenças entre uma massa cinzenta jovem (de um adolescente ou de uma criança) e uma amadurecida são conhecidas já há algum tempo. Cérebros adolescentes, por exemplo, são muito mais maleáveis. Trata-se de um órgão mais rápido para aprender novas línguas e também para se recuperar de danos. Ocorre, entretanto, que a rigidez relativa de um cérebro maturado pode mesmo ser controlada por um único gene, o qual tornaria mais lentas as alterações nas conexões sinápticas.

Com informações: Mega Curioso

15:50 · 08.02.2013 / atualizado às 19:51 · 08.02.2013 por
Paisagem da África do Sul, vista do espaço Imagem: Nasa/EarthKAM

A NASA enviou nesta quarta-feira (dia 7), ao pesquisador cearense Valmir Morais, 122 imagens da Terra feitas do espaço pela câmera do projeto EarthKAM, que está a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS).

O detalhe é que a câmera foi operada daqui mesmo do Ceará, mais precisamente da Estação Astronômica PieGise, de Juazeiro do Norte, a única instituição do Brasil que está participando desse programa. As imagens foram obtidas entre os dias 29 de janeiro e 01 de fevereiro.

Imagem áerea do interior do Brasil Imagem: EarthKAM / Nasa

Imagens serão legados para Urca

Todas as imagens comporão acervo que será doado para projetos do curso de Geografia da Universidade Regional do Cariri (Urca). Elas foram captadas a cerca de 406 a 420 km acima da superfície terrestre, diretamente da janela de observação dos laboratórios Destiny e WORF (Window Observational Research Facility) da ISS.

As imagens originais apresentam extensão de 56 km x 37 km. Podem ser ampliada em mais de 400% sem perder suas características identificáveis. A câmera digital utilizada no projeto ISS EarthKAM é uma Nikon D2Xs de 12.40 Megapixels de resolução, controlada pelo Laptop Lenovo (IBM) T61p .

Valmir Morais foi um dos únicos pesquisadores cearenses a integrar o projeto EarthKAM Imagem: Estação Piegise

As fotografias são usadas para apoio no ensino e pesquisas de ciências da Terra, ciência espacial, ciência ambiental, geografia, estudos sociais, matemática, comunicação e até mesmo arte. Na última edição do ISS EarthKAM, além das muitas escolas nos Estados Unidos, entidades de 12 países participaram do projeto.

Ao todo 382 instituições participam. No Brasil, apenas a Estação Astronômica PieGise, de Juazeiro do Norte, no Ceará, coordenada pelo pesquisador Valmir Martins de Morais, integrou o projeto.

De acordo com Morais “A Estação PieGise é uma entidade astronômica sem fins lucrativos, criada em 2005, cujas finalidades principais consistem na realização de pesquisas e observações astronômicas, em colaboração aos programas desenvolvidos por instituições do Brasil e exterior, e na divulgação da Astronomia e das ciências afins para população do Cariri.

Litoral da Nova Zelândia Imagem: EarthKAM / Nasa

O pesquisador, que batizou a estação usando as iniciais do nome das duas filhas, Pietra e Gisele, lembra que “as atividades da Estação PieGise foram paralisadas de 2010 a 2012, devido eu ter sido contratado por dois anos para gerir o projeto do Núcleo de Astronomia do IFCE de Juazeiro do Norte. Com o encerramento das atividades do Núcleo do IFCE em janeiro de 2013, as ações foram reiniciadas”. A propósito a equipe do IFCE também integrou outro projeto da Nasa, o MoonKAM.

Em 25 de janeiro de 2013, o controle da missão confirmou o ingresso da Estação PieGise no programa EarthKAM e enviou 200 códigos de acesso à câmera da Estação Espacial. Durante o período 29 de janeiro a 01 de fevereiro, em que a Estação Espacial realizou 61 voltas ao redor da Terra, o pesquisador acessou o sistema do controle da missão, acompanhou as órbitas, analisou imagens infravermelhas da Terra geradas por satélites, e enviou os dados dos locais escolhidos para o servidor de arquivos, na Universidade da Califórnia, em San Diego, na Califórnia”.

Câmera EartKAM durante uma sessão de tomada de imagens, montada sobre um suporte polivalente com uma braçadeira Imagem: EarthKAM / Nasa

Projeto EarthKAM aproxima Ensino e Ciência

O projeto EarthKAM foi iniciado pela primeira astronauta mulher norte-americana, Dra. Sally Ride em 1995, e era chamado KidSat.  A câmera KidSat voou no ônibus espacial três vezes para testar sua viabilidade. Em 1998, o programa foi considerado bem-sucedido e recebeu o novo nome. A câmera EarthKAM voou em duas missões adicionais do ônibus espacial antes de ser levada para a Estação Espacial Internacional em 2001.

A câmera apoia aproximadamente quatro missões.O programa ISS EarthKAM – Earth Knowledge Acquired by Middle school students é direcionado a estudantes, professores e pesquisadores que através da internet controlam uma câmera digital especial para fotografar e estudar a Terra a partir do espaço.

14:00 · 25.01.2013 / atualizado às 00:20 · 25.01.2013 por
Entrega dos certificados do projeto Grail MoonKAM, da NASA e da Sally Ride Science, aos estudantes Jennifer Marques e Moézyo de Lima, do IFCE de Juazeiro do Norte, pelo professor Valmir Morais Imagem: IFCE/Divulgação

Onze estudantes do Instituto Federal do Ceará (IFCE), sob a coordenação do Núcleo de Astronomia , do campus de Juazeiro do Norte, brilharam em um dos mais importantes projetos da Agência Espacial Norte-Americana (Nasa, na sigla em inglês) e da Sally Ride Science.

Eles integraram o projeto GRAIL MOONKAM, focado em estudantes do Ensino Médio, sendo os únicos no mundo que participaram do projeto fora dos Estados Unidos. O trabalho em terras cearenses foi coordenado por Gonçalo Queiroz e Valmir Martins de Morais, ambos bolsistas da Funcap.

Utilizando 738 códigos de acesso, eles operaram as câmeras de duas sondas gêmeas (da missão GRAIL) que estavam em órbita da Lua. De acordo com o professor Valmir Morais, que é também o coordenador do Núcleo de Astronomia do IFCE-Juazeiro do Norte, “os estudantes fizeram o rastreamento dessas naves,  acessaram mapas  topográficos da Lua, que mostraram as diferentes regiões  e suas  características, selecionaram alvos de interesse científico, reuniram informações de latitude e longitude e as enviaram de forma online para o centro de controle da missão no Jet Propulsion Laboratory da Nasa”.

Usando computadores comuns e 768 senhas de acesso estudantes de Ensino Médio, do IFCE-Juazeiro do Norte, controlaram câmeras e outras funções das sondas gêmeas GRAIL Imagem: Valmir Morais

Morais explica ainda que  o GRAIL MOONKAM “é um projeto educacional e científico da Nasa coordenado por Sally Ride, a primeira astronauta dos Estados Unidos  a ir ao espaço, falecida em 2012. O projeto era voltado exclusivamente para a comunidade estudantil norte-americana de Ensino Médio”.

Duas  sondas da missão GRAIL  foram lançadas no dia 10 de setembro de 2011, a bordo de um foguete Delta II, com o propósito de estudar a gravidade lunar, e levaram, cada uma, quatro câmeras fotográficas especiais com o único objetivo de serem controladas pelos estudantes, para captarem imagens da superfície da Lua”.

Estudantes ressaltam experiência

Os estudantes do IFCE de Juazeiro do Norte que participaram do projeto foram: Yade Farias Nunes, Rayanne Sales Alcantara Primo, Emília Aymê da Cruz, Victon Vinicius Ribeiro Barbosa, Jennifer de Oliveira Marques, Richelle Moreira Marques, Moézyo de Lima Pereira, Wendell Soares Martins, Jamilly Temoteo da Silva, Rebbeca Meier Muniz Vieira e José Roberto dos Santos Júnior.

Dez dos onze estudantes cearenses certificados pela Nasa, no campus do IFCE-Juazeiro do Norte Imagem: Valmir Morais

Para Jamilly Temoteo, de 16 anos, “o projeto nos proporcionou um conhecimento científico notável e a responsabilidade por estarmos à sua frente como únicos representantes do Brasil e do mundo, sem contarmos os Estados Unidos. Cada imagem proporcionou  um conhecimento indispensável. Nós pudemos, como alunos brasileiros, ser apresentados ao incrível universo que nos rodeia!”

Já Aymê da Cruz, de 17 anos, destaca que “foi notável a nossa inclusão, tendo em vista a importância do projeto perante a comunidade estudantil do Brasil e do mundo. Para mim, o projeto teve um interessante papel de despertar a curiosidade em desvendar a imensidão do universo que nos rodeia e no qual somos tão pequenos considerando uma escala infinita”.

Curiosidades da missão GRAIL e da participação cearense

As sondas gêmeas voaram em formação, a uma altitude que variava de 17 a 34 quilômetros acima da superfície lunar. Em 17 de dezembro de 2012, elas colidiram em uma montanha no polo norte lunar.

A versão cearense do projeto foi desenvolvida no Núcleo de Astronomia do IFCE-Juazeiro do Norte, entre os dias 22 a 30 de novembro, mas somente na quarta-feira (23), os estudantes receberão os certificados, enviados pela Sally Ride Science/ NASA.

Todas as atividades do Núcleo de Astronomia do IFCE são realizadas com o apoio da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico – FUNCAP. 

21:47 · 18.01.2013 / atualizado às 01:45 · 19.01.2013 por
Nova espécie pré-histórica de camarão descoberta em Missão Velha é a primeira forma fóssil tridimensional, cretácea, desse tipo de animal encontrada no mundo Imagem: Divulgação/ Arquivo

Anunciada na última quarta-feira (16), a descoberta de paleontólogos cearenses, no município de Missão Velha, de um fóssil de camarão (mais precisamente a espécie recém-batizada Kellnerius jamacaruensis) foi destaque na imprensa nacional.

Grandes portais, jornais e programas telejornalísticos deram repercussão ao feito. O anúncio aconteceu na sede do Geopark Araripe. Esse é o único fóssil tridimensional de camarão do período Cretáceo, da Era Mesozóica (nesse caso específico de 100 milhões de anos atrás), já descoberto no mundo.

Os fósseis de camarões anteriores ou eram bidimensionais (semelhante a uma figura ou quadro), ou estavam associados a fósseis de animais que os devorararam, tais como peixes pré-históricos, ou eram da era geológica mais recente, a Cenozóica.  Essa era, que é também a atual, começou há 65 milhões de anos, embora seja subdividida em vários períodos, sendo o mais recente o Holoceno, que iniciou há 10 mil anos. 

Feito homenageia paleontólogo brasileiro

O novo crustáceo fossilizado recebeu o nome de Kellnerius jamacaruensis, em homenagem ao paleontólogo Alexandre Kellner, e ao local onde foi localizado o fóssil, no distrito de Jamacaru, na cidade de Missão Velha, no sul do Ceará.

O material foi apresentado pelo coordenador da maior escavação controlada do Nordeste, iniciada em 2011, o Paleontólogo Álamo Feitosa, e a aluna do curso de Biologia da Urca, Caroline Mayara da Silva. Com base na caracterização da espécie, foi possível descrever um novo gênero da família carídea.

Medindo 1,8 cm de comprimento, o material foi encontrado depois de 11 dias de escavações, a 9,5 metros, em maio do ano passado. O fóssil custou aos pesquisadores um trabalho detalhado e bastante cuidadoso na preparação da rocha, para revelar a forma do camarão. Foram utilizados equipamentos como uma lupa, para aumentar em até mais de 60 vezes o tamanho do crustáceo e instrumentos delicados como uma agulha para a aplicação de insulina.

Kellner, o homenageado, destacou a importância desse trabalho, desenvolvido por meio de estudiosos da própria região. Ele tem sido um dos incentivadores desse processo de formação de um núcleo de pesquisadores do Cariri.  “Isso revela a autonomia da pesquisa na região e um grande passo que está sendo dado nesse sentido”, destacou o cientista.

Alex Kellner afirma que seria muito difícil conceber uma descoberta desse nível, sem que houvesse uma escavação controlada. Nos primeiros meses de escavações, foram encontrados dois fósseis também raros: uma asa de um pterossauro, do tamanho de uma asa delta, e uma tartaruga, que ainda está sendo descrita.

A pesquisa que vem sendo realizada no Cariri, por meio da Urca e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico Nacional (CNPq), com apoio do Geopark Araripe, é responsável pela extração de mais de 6 mil peças. Uma das evidências, com a nova peça encontrada, é que na região deveria ter pelo menos lagos com certo nível de salinidade.

“Digo sempre que, se a história da vida na Terra fosse um livro, a Bacia do Araripe seria um capítulo inteiro. Há documentação sobre a história da vida na região desde 400 milhões até 1 milhão de anos”, disse Professor Álamo, em notícia de destaque no jornal O Globo.

O fóssil de camarão também fará parte de uma publicação na revista científica ‘Zootaxa’, da Nova Zelândia, cujos editores destacaram o caráter inédito do material encontrado. Vale lembrar que o Brasil é um dos maiores exportadores de camarão do mundo e a pesquisa sobre a evolução desse tipo de crustáceo.

14:35 · 27.12.2012 / atualizado às 17:35 · 27.12.2012 por
Fósseis têm cerca de 225 milhões de anos e pertencem a espécie ainda não identificada de dinossauros sauropodomorfos, ancestrais de gigantes como o brontossauro, o braquiossauro e o titanossauro, dentre outros Imagem: Unipampa

A descoberta do ano, em termos de paleontologia brasileira, foi feita por dois exploradores inusitados. Um pedreiro e um agricultor gaúchos encontraram alguns dos fósseis mais completos de dinossauros na história científica do País.

A confirmação do achado foi feita pelo Laboratório de Paleobiologia da Universidade Federal do Pampa. Os ossos fossilizados foram achados pela dupla em uma obra no município de Agudo (RS), mais precisamente em um bloco de rocha de aproximadamente 2 toneladas.

Os ossos seriam de pelo menos três dinossauros primitivos sauropodomorfos. Eles se alimentavam de plantas e chegavam a um tamanho parecido com o de uma avestruz. embora tenham dado origem aos grandes saurópodes, que chegavam a 30 metros e 12 toneladas.

Um dos fósseis, afirma o pesquisador Sérgio Dias da Silva, está com praticamente todos os ossos articulados, o que é muito difícil de acontecer, em se tratando de um animal morto há tanto tempo (provavelmente no período Triássico, há 225 milhões de anos). Segundo ele, ainda não é possível afirmam se os fósseis são de uma espécie desconhecida.

Silva afirma que o laboratório terá muito trabalho pela frente. Mais detalhes dos ossos só poderão ser descobertos após a retirada da camada de rocha que recobre o fóssil. O estudo deve durar entre cinco e sete anos.

12:29 · 23.12.2012 / atualizado às 15:31 · 23.12.2012 por
Cliff, da raça beagle, foi capaz de detectar com 83% de eficácia uma superbactéria apenas cheirando as salas com pacientes infectados Imagem: VU University Medical Centre

O “melhor amigo do homem”, o cão (Canis lupus familiaris, uma subespécie de lobo-cinzento), pode estreitar ainda mais essa “amizade”.

Pelo menos no que depender de pesquisadores da Universidade VU (Amsterdã, Holanda) os cães podem passar a ser parte dos esforços no combate às temidas infecções hospitalares e o segredo disso está no apuradíssimo olfato da espécie.

No experimento, um cachorro da raça beagle, apelidado de Cliff, foi capaz de detectar a presença da superbactéria Clostridium difficile com 83% de sensibilidade e 98% de especificidade, apenas cheirando as salas onde pacientes infectados e sadios estavam.

Quando o mesmo cheirou as fezes de pacientes infectados em comparação com as de pacientes sadios, o índice subiu para 100% de sensibilidade e caiu para 94% de especificidade. A superbactéria identificada por Cliff geralmente afeta pacientes idosos que estão sendo tratados com antibióticos. Ela provoca diarreia e, em casos extremos, inflamação intestinal e a morte.

Os exames de laboratório usados atualmente são lentos, caros e podem atrasar o início do tratamento em até uma semana. Os cientistas envolvidos no estudo holandês afirmaram que usar um cachorro nos hospitais para detectar os pacientes infectados é uma forma “rápida, eficaz e popular” de evitar a propagação da bactéria.

A ideia de treinar um cachorro para detectar a Clostridium difficile surgiu quando os pesquisadores do Centro Médico da Universidade VU, de Amsterdã, notaram que as fezes contagiadas pela bactéria emitiam um odor específico. Cliff, que nunca tinha sido treinado para aprender a detectar a bactéria, passou por dois meses de instrução para farejar os odores da bactéria em amostras de fezes e em pacientes contagiados. Cliff tinha que se sentar ou deitar quando o micro-organismo estivesse presente.

“Cliff  demonstrou ser rápido e eficaz, rastreando uma sala completa do hospital para buscar os pacientes com as infecções da C. difficile em menos de dez minutos. Para os propósitos de detecção, o cão não precisou de uma amostra de fezes ou do contato físico com os pacientes”, afirmaram os autores da pesquisa. Tudo indica que os cães podem detectar a C. difficile no ar em volta dos pacientes”, afirmou a nota da equipe holandesa.

O método, no entanto, enfrenta resistência de parte da comunidade médica devido o temor de que cães em ambiente hospitalar possam trazer novas infecções ou propagar as já existentes. Além disso, o método não deve substituir exames mais específicos em pacientes infectados.

De todo modo, esse e outros estudos em que cachorros foram capazes de detectar tipos de cânceres, como o de pulmão, apontam para um novo degrau no conhecimento sobre as relações entre humanos e caninos, que podem já ter mais de cem mil anos.

16:17 · 06.12.2012 / atualizado às 19:35 · 06.12.2012 por
Tecnologias relacionadas ao aço são objeto do Virtual Steelmaking Challenge, cuja etapa latino-americana foi conquistada por estudantes e profissionais cearenses, nas categorias "Estudantil" e "Industrial", respectivamente Imagem: Voest Alpine

Alunos do Curso de Engenharia Metalúrgica da Universidade Federal do Ceará (UFC) venceram a edição regional do 7º torneio Virtual Steelmaking Challenge, desafio de siderurgia promovido pela World Steel Association.

Os destaques vão para os três primeiros lugares da categoria “Estudantil”, da América Latina, todos conquistados por equipes da UFC. Os campeões latino-americanos são Lucas Lopes de Castro e Francisco Leonardo Martins de Sousa, ambos membros do PET-Engenharia Metalúrgica.

Além deles, os campeões na categoria “Industrial” são Francisco Diego Araruna da Silva e Alex Maia do Nascimento, aluno egresso e ex-professor do curso de Engenharia Metalúrgica da UFC, respectivamente. Ambos trabalham na Gerdau Aços Brasil.

A dupla norte-americana campeã também inclui um aluno da UFC, Thiago Ivo de Sousa Menezes, que participa, atualmente, do programa de intercâmbio “Ciência Sem Fronteiras”, no Canadá.

Como funciona o desafio

O Steelmaking Challenge é dividido em duas etapas e consiste em simular a produção de aço, atendendo às especificações do torneio, ao menor custo total.

Durante a primeira etapa do desafio são selecionados os campeões das categorias “Estudantil” e “Industrial” das regiões: América do Norte, América Latina, Europa-Comunidade dos Estados Independentes, Oriente Médio-Índia-África e Leste Asiático-Oceania.

Os campeões regionais participarão da grande final em fevereiro de 2013, na Bélgica.

Com Informações: Universidade Federal do Ceará

Pesquisar

Diário Científico

Jornalismo científico produzido no Ceará de olho nas grandes descobertas que a Ciência faz em qualquer lugar do mundo.
Posts Recentes

06h09mEstudo mostra que pintor Caravaggio morreu de infecção bacteriana por Staphylococcus

06h09mEquipe brasileira identifica fóssil de crocodilo que viveu há 85 milhões de anos, em MG

05h09mArarinha-azul, espécie que inspirou animação, está provavelmente extinta na natureza, revela estudo

09h09mEstudo aponta que instalar parques eólicos e solares poderia aumentar quantidade de chuva no Saara

05h09mBotsuana registra matança de 90 elefantes em menos de dois meses

Ver mais

Tags

Categorias
Blogs