Diário Científico

Categoria: Veterinária


18:36 · 04.08.2014 / atualizado às 21:00 · 04.08.2014 por

 

Foto: Blog Planeta Sustentável
Entre as prováveis causas para o desaparecimento das abelhas estão os componentes químicos presentes nos defensivos agrícolas amplamente utilizados no mundo. Além de pesticidas, outros fatores, como as mudanças climáticas globais podem ser os responsáveis pelo fenômeno Foto: Blog Planeta Sustentável

A população de abelhas registra um expressivo declínio em vários países, inclusive no Brasil.

Em agosto do ano passado, a revista Time trazia na capa um alerta para o risco de desaparecimento das abelhas melíferas, com a chamada “O mundo sem abelhas” e o alerta: “O preço que pagaremos se não descobrirmos o que está matando as melíferas”

Entre as prováveis causas para o desaparecimento das abelhas estão os componentes químicos presentes nos neonicotinoides, classe de defensivos agrícolas amplamente utilizados no mundo. Além de pesticidas, outros fatores, como as mudanças climáticas globais podem ser responsáveis pelo fenômeno conhecido como distúrbio de colapso de colônias.

Na busca por respostas que ajudem a combater o problema, o Instituto Tecnológico Vale (ITV), em Belém, no Pará, desenvolveu em colaboração com a Organização de Pesquisa da Comunidade Científica e Industrial (CSIRO), na Austrália, microssensores – pequenos quadrados com 2,5 milímetros de cada lado e peso de 5,4 miligramas –, que são colados no tórax das abelhas da espécie Apis mellifera africanizada.

Uma parte do experimento está sendo conduzida na Austrália e a outra no Brasil. No estado australiano da Tasmânia, ilha ao sul do continente da Oceania, será feito um estudo comparativo com 10 mil abelhas para avaliar como elas reagem quando expostas a pesticidas. Para isso, duas colmeias foram colocadas em contato com pólen contaminado e outras duas não.

“Se for notada qualquer alteração no comportamento dos insetos expostos ao pesticida, como incapacidade de voltar para a colmeia, desorientação ou mesmo morte precoce, o produto passará a ser o principal suspeito do distúrbio de colapso de colônias”, diz o físico Paulo de Souza, coordenador da pesquisa e professor visitante do ITV.

Experimentos

O projeto foi iniciado em setembro do ano passado e seu término está previsto para abril de 2015, com a divulgação dos resultados no segundo semestre.

“A principal razão para a escolha da Tasmânia é que se trata de um ambiente distinto, onde não há poluição e metade do território é composta por florestas”, diz Souza, que também é professor da Universidade da Tasmânia.

Como as melíferas australianas pesam em torno de 105 miligramas, o sensor representa cerca de 5% do seu peso. Já as abelhas da mesma espécie que vivem no Brasil pesam cerca de 70 miligramas – o que levou os pesquisadores a fazerem testes em túneis de vento para avaliar se o sensor poderia ter influência sobre a sua capacidade de voo.

A parte do experimento que está sendo feita no Brasil tem como foco inicial o monitoramento de 400 abelhas durante três meses para avaliar em que medida as mudanças do clima, principalmente a alteração do regime de chuvas na Amazônia, afetam os insetos.

“Não sabemos como elas vão se comportar diante das projeções de aumento da temperatura e de alterações no clima devido ao aquecimento global”, diz Souza. Os estudos estão sendo feitos em um apiário no município de Santa Bárbara do Pará.

“Cada sensor tem um código gravado, que funciona como se fosse uma identidade de cada abelha”, diz Souza. Com ele é possível avaliar, em detalhes, todos os indivíduos da colmeia.

Concluída essa etapa da pesquisa, um segundo estudo terá início, desta vez com abelhas nativas sem ferrão do Pará, que parecem sofrer mais o impacto da alteração climática do que as europeias.

Embora não sejam grandes produtoras de mel, elas são excelentes polinizadores. Como as abelhas têm um ciclo de vida relativamente curto, de cerca de dois meses, será possível acompanhar várias gerações.

Com informações: Pesquisa Fapesp

12:09 · 10.02.2014 / atualizado às 22:28 · 09.02.2014 por
Instituição justificou morte por tentativa de evitar relacionamentos consanguíneos entre membros da mesma espécie e inviabilidade de alternativas como castração, reintrodução na natureza ou transferência para outro zoológico Foto: AFP
Instituição justificou morte por tentativa de evitar relacionamentos consanguíneos entre membros da mesma espécie e inviabilidade de alternativas como castração, reintrodução na natureza ou transferência para outro zoológico Foto: AFP

Um filhote de girafa de um ano e meio em perfeito estado de saúde foi sacrificado no domingo (9)  em um zoológico de Copenhague, apesar dos protestos dos defensores dos animais na Dinamarca.

O porta-voz do zoológico, Tobias Stenbaek Bro, indicou à AFP que o filhote, de nome Marius, foi abatido com uma pistola. Após a morte, o zoológico realizou uma necropsia à qual os visitantes estavam autorizados a assistir. O corpo despedaçado do filhote será utilizado para alimentar outros animais do parque.

Stenbaek Bro explicou que o zoológico não esperava a comoção provocada pelo destino do animal. “As pessoas têm o direito de protestar, mas é claro que nos surpreendeu”, disse. O zoológico explicou na quarta-feira (5) em seu site que não poderia deixar a girafa crescer para evitar a consanguinidade entre exemplares desta espécie.

As opções de castração ou reintrodução na natureza foram descartadas por seus possíveis efeitos adversos, assim como a transferência de Marius a outro centro da Associação Europeia de Zoológicos e Aquários (EAZA), por incompatibilidade genética.

As duas principais associações dinamarquesas de defesa dos animais ignoraram a campanha a favor do filhote de girafa, que recolheu milhares de assinaturas na internet. Um zoológico sueco informou ter solicitado sem sucesso a transferência de Marius.

O zoológico de Copenhague explicou que sua política é não vender seus animais, apesar de contar com ofertas de compra de milionários, informou o jornal dinamarquês Ekstrabladet.

Com informações: Portal UOL

13:50 · 22.11.2013 / atualizado às 13:46 · 22.11.2013 por
Foto: Monika Ward / University of Hawaii
Apenas dois genes do cromossomo Y foram adicionados a camundongos sem esse cromossomo e após essa modificação genética foram capazes de gerar descendentes Foto: Monika Ward / University of Hawaii

Um fato básico da biologia que todo adolescente aprende na escola -o de que fêmeas de mamíferos possuem dois cromossomos X em seu DNA, e machos, um cromossomo X e um Y- está se mostrando algo relativo.  Estudo liderado pela pesquisadora polonesa Monika Ward, da Universidade do Havaí, criou camundongos machos sem cromossomo Y, que tornaram-se pais com técnicas de reprodução in vitro.

Para conseguir o feito, descrito em artigo publicado na “Science”, Ward e seus colegas adicionaram só dois genes do cromossomo Y -dos 86 genes presentes nele normalmente- a camundongos geneticamente modificados para serem “X0”, ou seja, para possuírem só um dos cromossomos sexuais.  Um desses genes, conhecido pela sigla SRY, já era conhecido por levar à formação de testículos em camundongos “X0” mesmo sem o resto do cromossomo de origem.

Esses testículos até produziam as fases iniciais do desenvolvimento de espermatozoides, mas o processo não ia adiante, deixando os “pseudomachos” estéreis.  Ao adicionar um segundo gene à receita, o sistema de produção de espermatozoides dos bichos ficou um pouco mais eficiente. Mas a maioria das células sexuais masculinas era capenga, com excesso de cópias de DNA. Mesmo as melhores precisaram ser injetadas em óvulos para gerar os filhotes -muitos dos quais eram férteis.

No artigo, Ward diz que, no futuro, seria possível eliminar totalmente genes do cromossomo Y do processo. “Os mecanismos que operam durante a determinação do sexo e a geração de espermatozoide não são simples, não se trata de um gene fazendo tudo. Um gene pode iniciar uma cascata de processos, que envolve vários genes, e muitos têm funções redundantes”, explicou.

Com informações: Folhapress

14:16 · 24.09.2013 / atualizado às 14:27 · 24.09.2013 por
Toxoplasma gondii induz roedores e outras presas de felinos a perderem o medo de seus predadores Foto: PLoS ONE
Toxoplasma gondii induz roedores e outras presas de felinos a perderem o medo de seus predadores Foto: PLoS ONE

A infecção pelo protista Toxoplasma gondii pode ter um duplo efeito negativo sobre os ratos. Além de fazer o animal adoecer, o parasita pode atuar sobre o sistema nervoso dos roedores e fazê-los perder o medo do cheiro e da urina dos gatos.

Os efeitos colaterais bizarros permanecem por muito tempo depois que os parasitas desaparecerem, aponta o estudo da Universidade da Califórnia, em Berkeley (EUA). A justificativa bioquímica para tal mecanismo é que o protista só se reproduz no intestino de felinos e induzir os ratos a se aproximarem de gatos (hospedeiros definitivos) e serem devorados pelos mesmos é a estratégia evolutiva por trás.

Contudo, apenas as variedades menos agressivas do Toxoplasma gondii duram o tempo suficiente para conseguir o efeito desejado de levar ratos a esse comportamento quase suicida. As versões mais violentas do micro-organismo acabam matando seus hospedeiros intermediários e morrendo, por tabela.

O estudo foi publicado na revista PLoS ONE e liderado por Michael Eisen. Ele sugeriu que uma infecção transitória com o parasita altera permanentemente a forma como o cérebro dos roedores percebe as ameaças de predadores. Além de ratos e gatos, cerca de 200 espécies, incluindo a humana, podem ser contaminadas pelo agente infeccioso.

13:40 · 20.09.2013 / atualizado às 15:03 · 20.09.2013 por
Cachorro-vinagre habita nichos esparsos na América do Sul, incluindo a serra de Aratuba, no Ceará Foto: Divulgação
Cachorro-vinagre habita nichos esparsos na América do Sul, incluindo a serra de Aratuba, no Ceará Foto: Divulgação

Uma espécie rara e cuja presença no Ceará só foi constatada em 2012, o cachorro-vinagre (Speothos venaticus), vai passar por um programa de reprodução em cativeiro no Pará. A espécie corre risco de extinção, embora classificado pela IUCN (sigla inglesa para União Internacional para a Conservação da Natureza) como pequeno.

A iniciativa será realizada na floresta nacional de Carajás, no sudeste paraense, mais precisamente no Parque Zoobotânico de Parauapebas. Um casal, que chegou ao local há pouco mais de um ano, foi colocado em um ambiente especialmente destinado para a reprodução da espécie em cativeiro. O cachorro vinagre é um canídeo de médio porte que se alimenta basicamente de pequenos roedores.

A reprodução em cativeiro faz parte de um projeto nacional, desenvolvido pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). “O plano de ação nacional leva em conta várias ações para preservação da espécie, como proibição de caças e dominação da técnica de reprodução em cativeiro”, explica Frederico Drumond, Chefe da Floresta Nacional de Carajás. A iniciativa paraense já possibilitou o nascimento de outros animais ameaçados de extinção, como onças-pintadas,  urubus-reis e arara-jubas.

20:59 · 17.01.2013 / atualizado às 00:04 · 18.01.2013 por
Tartaruga-de-couro é uma das mais raras do planeta, mas população tem se recuperado bem no Brasil Imagem: Projeto Tamar

Uma vitória dos conservacionistas brasileiros!  O Projeto Tamar registrou recorde no país de tartarugas marinhas gigantes fêmeas (também conhecidas como tartarugas-de-couro, de nome científico Dermochelys coriacea).

Esses animais desovam regularmente nas praias de Regência, Povoação e Pontal do Ipiranga, no município de Linhares, norte do Espírito Santo, embora eventualmente sejam avistados desovando no litoral cearense.

Na atual temporada, foram marcadas 27 fêmeas da espécie gigante, 11 a mais do que na última temporada (2011/2012). “Há indícios de que os primeiros filhotes desta espécie, protegidos nas temporadas anteriores, já estão voltando para desovar. As fêmeas recém-encontradas são novas e não tinham sido marcadas. Esse número é o recorde dos recordes e estamos falando de uma espécie que está ameaçada de extinção, explica o oceanógrafo  Henrique Filgueiras.

De acordo com a International Union for Conservation of Nature (IUCN), que classifica o risco de extinção das espécies, esta é uma das espécies marinhas mais ameaçadas do mundo.

Trabalho começou há mais de 30 anos

O Tamar, que é patrocinado pela Petrobras desde 1983 (embora tenha sido iniciado três anos antes), monitora e protege os ninhos que são depositados nas praias de Regência e Povoação, em Linhares. Os registros mostram que há 30 anos foram marcadas 15 fêmeas de tartarugas, sendo apenas uma da espécie gigante, ou tartaruga de couro, e 14 da espécie cabeçuda.

“Entre os meses de outubro e dezembro, acontecem as desovas, e nosso trabalho é monitorar e marcar as fêmeas e os ninhos. Em janeiro e fevereiro, é o pico de nascimento das tartarugas, e nós as monitoramos e as protegemos”, explica Filgueiras.  Ele ressalta ainda que em Regência, quando há algum ninho em frente à base, com indícios de eclosão dos ovos, a comunidade é avisada e pode acompanhar de perto a abertura dos ninhos e a ida dos filhotes para o mar.

12:29 · 23.12.2012 / atualizado às 15:31 · 23.12.2012 por
Cliff, da raça beagle, foi capaz de detectar com 83% de eficácia uma superbactéria apenas cheirando as salas com pacientes infectados Imagem: VU University Medical Centre

O “melhor amigo do homem”, o cão (Canis lupus familiaris, uma subespécie de lobo-cinzento), pode estreitar ainda mais essa “amizade”.

Pelo menos no que depender de pesquisadores da Universidade VU (Amsterdã, Holanda) os cães podem passar a ser parte dos esforços no combate às temidas infecções hospitalares e o segredo disso está no apuradíssimo olfato da espécie.

No experimento, um cachorro da raça beagle, apelidado de Cliff, foi capaz de detectar a presença da superbactéria Clostridium difficile com 83% de sensibilidade e 98% de especificidade, apenas cheirando as salas onde pacientes infectados e sadios estavam.

Quando o mesmo cheirou as fezes de pacientes infectados em comparação com as de pacientes sadios, o índice subiu para 100% de sensibilidade e caiu para 94% de especificidade. A superbactéria identificada por Cliff geralmente afeta pacientes idosos que estão sendo tratados com antibióticos. Ela provoca diarreia e, em casos extremos, inflamação intestinal e a morte.

Os exames de laboratório usados atualmente são lentos, caros e podem atrasar o início do tratamento em até uma semana. Os cientistas envolvidos no estudo holandês afirmaram que usar um cachorro nos hospitais para detectar os pacientes infectados é uma forma “rápida, eficaz e popular” de evitar a propagação da bactéria.

A ideia de treinar um cachorro para detectar a Clostridium difficile surgiu quando os pesquisadores do Centro Médico da Universidade VU, de Amsterdã, notaram que as fezes contagiadas pela bactéria emitiam um odor específico. Cliff, que nunca tinha sido treinado para aprender a detectar a bactéria, passou por dois meses de instrução para farejar os odores da bactéria em amostras de fezes e em pacientes contagiados. Cliff tinha que se sentar ou deitar quando o micro-organismo estivesse presente.

“Cliff  demonstrou ser rápido e eficaz, rastreando uma sala completa do hospital para buscar os pacientes com as infecções da C. difficile em menos de dez minutos. Para os propósitos de detecção, o cão não precisou de uma amostra de fezes ou do contato físico com os pacientes”, afirmaram os autores da pesquisa. Tudo indica que os cães podem detectar a C. difficile no ar em volta dos pacientes”, afirmou a nota da equipe holandesa.

O método, no entanto, enfrenta resistência de parte da comunidade médica devido o temor de que cães em ambiente hospitalar possam trazer novas infecções ou propagar as já existentes. Além disso, o método não deve substituir exames mais específicos em pacientes infectados.

De todo modo, esse e outros estudos em que cachorros foram capazes de detectar tipos de cânceres, como o de pulmão, apontam para um novo degrau no conhecimento sobre as relações entre humanos e caninos, que podem já ter mais de cem mil anos.

17:40 · 21.11.2012 / atualizado às 20:49 · 21.11.2012 por

Essa pesquisa pode ser um alento para quem sofre de paraplegia ou tetraplegia, entre outras deficiências que envolvam lesões na coluna. Um experimento realizado por pesquisadores da Universidade de Cambridge mostrou que foi possível reverter a paralisia de cachorros, após a injeção de células retiradas dos focinho dos próprios animais.

Confira vídeo produzido pela BBC

As descobertas mostram, pela primeira vez, que o transplante deste tipo de células em uma medula muito lesionada pode trazer melhoras significativas. “Acreditamos que a técnica pode vir a ser usada para recuperar parte dos movimentos em pacientes humanos com lesões na medula vertebral, mas há um longo caminho a percorrer até podermos afirmar que eles serão capazes de recuperar todos os movimentos perdidos”, explicou o biólogo, Robin Franklin.

A pesquisa é a primeira a testar transplantes em animais com lesões sofridas na vida real, ao invés de usar cobaias de laboratório. Os cientistas retiraram amostras de células olfativas do focinho dos cães e as cultivaram em laboratório durante várias semanas. Os 34 cachorros que participaram da pesquisa haviam sofrido lesões na coluna que os impediam de usar as patas traseiras.

Em 23 dos cães foram injetadas células olfativas na coluna e nos outros 11 foi usada uma solução aquosa neutra, sem nenhum efeito, para ser usado como termo de comparação. Enquanto muitos dos cachorros que receberam o transplante de células apresentaram melhoras significativas e voltaram a andar, nenhum dos caninos do grupo de controle apresentou movimento nas patas traseiras.

O que há de especial nas células olfativas

Após chegar a idade adulta, o nariz é a única parte do corpo em que terminações nervosas continuam a crescer. As células foram retiradas da parte posterior da fossa nasal. São células especiais que rodeiam os neurônios receptores que nos permitem sentir cheiros e convergir estes sinais para o cérebro.

Os cientistas dizem que as células transplantadas regeneraram fibras na região lesionada da medula. Isto possibilitou que cachorros voltassem a usar as suas patas traseiras e coordenar o movimento com as patas da frente. Em humanos, o procedimento poderia ser usado em combinação com outras drogas para promover a regeneração da fibra nervosa e substituir tecidos lesionados.

Geoffrey Raisman, especialista em regeneração neurológica da University College London, descobriu em 1985 este tipo de célula olfativa, que foi usada na pesquisa de agora. Ele avalia que este foi o maior avanço dos últimos anos na área, mas diz que não é a cura para lesões de medula. “O procedimento permitiu que um cachorro lesionado voltasse a usar suas pernas traseiras, mas as diversas outras funções perdidas em uma lesão de medula são mais complicadas”, avalia.

18:12 · 01.11.2012 / atualizado às 21:17 · 01.11.2012 por
Elefante Kolshik aprendeu a imitar o som de cinco palavras em coreano; caso pode não ser o único no mundo Imagem: Current Biology

Dessa vez não se trata de nenhum truque. Um elefante asiático que vive no zoológico Everland, na Coreia do Sul, aprendeu a imitar a fala humana e reproduzir pelo menos cinco palavras em coreano: olá, sente, não, deite e bom.

O animal apelidado de Koshik  desenvolveu uma técnica em que usa a tromba e a boca de forma combinada para emitir os sons da voz humana. A notícia foi reproduzida pelo prestigiado periódico científico Current Biology.

De acordo com pesquisadores , com o tempo a linguagem de Koshik pode fornecer importantes descobertas à biologia e à evolução do aprendizado complexo da fala, uma habilidade, segundo pesquisadores, crítica para os humanos e a música.

Confira vídeo

“A fala humana basicamente possui dois aspectos: tom e timbre. Intrigantemente, o elefante Koshik é capaz de combinar o tom e o timbre e imitar a voz humana de seus treinadores. Isso é muito importante, considerando o tamanho do animal, sua extensão vocal e outras diferenças anatômicas entre um elefante e uma pessoa”, explicou a bióloga Angela Stoeger, da Universidade de Viena.

Ainda de acordo com a cientista, normalmente a laringe dos elefantes produz sons de tom mais baixo, mas a fala de Koshik imita o tom e outras características de seu treinador. Além disso, a fala do animal mostrou similaridades claras a uma voz humana e diferenças do chamado geral dos elefantes.

Esse não é o primeiro relato de imitação em elefantes, mas é o primeiro investigado cientificamente com detalhes. Antes já foram relatados casos de elefantes africanos que imitavam o som de motores de caminhão, e de que um macho asiático reproduziu palavras em russo e em cazaque, em um zoológico do Cazaquistão.

Porém, até onde os cientistas entendem, o elefante coreano não sabe exatamente o que está falando e pode ter adotado esse comportamento devido o seu convívio exclusivo com humanos até os cinco anos de idade.

“Achamos que Koshik começou a adaptar suas vocalizações às suas companhias humanas para fortalecer afiliações sociais – algo que também é visto em outras espécies capazes de aprender novos sons – ou em casos especiais, entre espécies cruzadas”, especulou Angela.

21:32 · 25.09.2012 / atualizado às 00:51 · 26.09.2012 por
Carne artificial em escala comercial é questão de tempo dizem pesquisadores norte-americanos e holandeses que trabalham em projetos paralelos, como o do hambúrguer artificial Imagem: Intercambia

A pesquisa com células-tronco pode resultar em mais que cura de doenças ou substituição de órgãos defeituosos. Pode também ajudar a tornar inútil a discussão ética entre onívoros e vegetarianos, incluindo vegan0s, pessoas que não consomem, além da carne, nem ovos, nem leites, nem quaisquer produtos de origem animal.

De quebra essas pesquisas ainda podem servir como aliada do meio-ambiente, principalmente no c0mbate ao aquecimento global. Como? É simples: o mesmo princípio que permite, através do uso de células-tronco, produzir células de quaisquer tecidos para o emprego na medicina, pode e já está sendo usado para produzir células musculares (carne) de animais usados na alimentação humana.

Ou seja, matar um animal para alimentar pessoas parece ser algo que está com os dias contados, independente ou não do crescimento da ideologia vegetariana-vegana. A própria indústria, com uma mãozinha da Ciência, pode oferecer, em poucos anos, carne a partir de células-tronco de bois, carneiros, porcos, frangos, peixes que continuarão vivos depois do processo!  Aliás, essa tecnologia já existe há mais de uma década.

Carne artificial e ecológica

Além da questão ética, a carne “artificial” pode ajudar a solucionar um problema ambiental.  É que um dos grandes geradores de gases de efeito estufa (cerca de 18% segundo a ONU) é justamente a criação de animais (questão muito grave em um país com mais gado que pessoas, como o Brasil).  

A problemática se dá quer pela derrubada das vegetações nativas para dar lugar a pastagens, quer pela produção de gases dos próprios animais, que chegam, artificialmente, a populações maiores do que teriam caso estivessem na condição selvagem. Para piorar, estimativas apontam para um aumento de 100% no consumo de carnes, nos próximos 40 anos.

Outro estudo, dessa vez publicado pela Universidade de Oxford (EUA), indica que a carne de laboratório produz entre 78% e 96% menos gases estufa, além de consumir 99% menos terras e entre 82% e 96% menos água do que a carne produzida de modo convencional. O problema é que ainda não há “carne de laboratório”  produzida em escala comercial.

Pesquisas nos EUA e Holanda

Entre os pesquisadores que estão tentando melhorar a técnica e resolver essa questão está Gabor Forgacs, da Universidade do Missouri (EUA). Gabor trabalha com desenvolvimento de tecidos e órgãos para transplante a partir do cultivo de células e viu que poderia usar técnicas similares para criar carne para consumo humano. Em 2011, ele foi o primeiro cientista dos Estados Unidos a produzir e consumir publicamente uma amostra de carne artificial.

Na Holanda, há outro grupo trabalhando para desenvolver carne artificial. O professor de medicina vascular Mark Post, da Universidade de Maastricht e sua equipe pretendem lançar um hambúrguer sintético no final deste ano. Mas, o primeiro produto que ele pretende desenvolver para produzir comercialmente não é carne, mas couro, que “é um produto similar de certa forma, mas não tão controverso e que não demanda a mesma legislação que a carne”, explica.

Dificuldades e preço salgado

Forgacs diz que é muito difícil criar um tecido similar a carne de verdade, tanto em aparência como em textura e sabor. “Uma ideia é criar algo como um ingrediente para produtos baseados em proteína animal – por exemplo, podemos criar algo que tenha a consistência de carne moída e que possa ser usado para fazer patês, almôndegas”, sugere.

Mas a priori, a carne de laboratório terá um preço elevado (entre R$ 250 e R$ 800 o quilo, em valores atuais), o que fará dela um produto de nicho. “Este não será um produto para o grande público no início, será para pessoas ecologicamente conscientes e também para aquelas que não comem carne por razões éticas”, aponta Forgacs.

Contudo, se a ideia pegar e acontecer o que alguns chamam de “libertação animal”, surge um novo problema que ainda foi pouco debatido, mesmo pelos defensores dessa corrente ideológica. O que fazer com a grande quantidade de animais criados para abate?

Devolvê-los ao ambiente natural? Mas qual se a maioria dos rebanhos se encontram longe das terras em que viviam as primeiras populações e estão espalhados pelo mundo? Fica a dúvida…

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