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Categoria: Zoologia


17:55 · 12.12.2017 / atualizado às 17:55 · 12.12.2017 por
cientistas descobriram, em Myanmar, vários carrapatos aprisionados em diversos pedaços de âmbar (uma espécie de resina fóssil), associados a restos dos grandes répteis Foto: NPR

A partir da descoberta de um fóssil de carrapato preservado em âmbar, um grupo internacional de cientistas mostrou pela primeira vez que esses parasitas já se alimentavam do sangue de dinossauros há quase 100 milhões de anos.

O estudo, publicado nesta terça-feira (12), na revista Nature Communications, também revela uma nova espécie extinta de carrapato, batizada de Deinocroton draculi, em alusão ao vampiro Drácula. Os cientistas descobriram, em Mianmar, vários carrapatos aprisionados em diversos pedaços de âmbar – uma espécie de resina fóssil – datados em 99 milhões de anos.

Um deles estava agarrado a uma pena de dinossauro. Segundo os autores do estudo, raramente são encontrados parasitas associados aos fósseis de seus hospedeiros e a descoberta é a primeira evidência direta da relação entre carrapatos e dinossauros.

Sem ‘Jurassic Park’

Embora o contexto da pesquisa lembre bastante o filme Jurassic Park, os cientistas afirmam que é praticamente impossível reconstruir dinossauros a partir de eventuais restos de DNA desses animais no fóssil de um carrapato do período Cretáceo (145 milhões a 66 milhões de anos atrás).

Na obra ficcional, dirigida por Steven Spielberg em 1993, os cientistas extraem o DNA de dinossauros de fósseis de mosquitos preservados em âmbar e, a partir daí, conseguem clonar os lagartos gigantes e trazê-los de volta à Terra. Os pesquisadores porém, explicam que embora seja comum encontrar fósseis em âmbar, é praticamente inviável extrair dessas amostras DNA em condições de ser utilizado – e o processo de clonagem seria ainda mais difícil. Todas as tentativas feitas até hoje de extrair DNA de espécimes em âmbar foram um fracasso, por causa da curta vida útil dessa molécula.

“Os carrapatos são infames organismos parasitários sugadores de sangue, que têm um impacto tremendo na saúde de humanos, de gado de bichos de estimação e de animais selvagens. Mas até agora estava faltando uma clara evidência do papel desses parasitas no passado remoto”, disse o autor principal do estudo, Enrique Peñalver, do Instituto de Pesquisa de Geologia e Mineração da Espanha.

Penas de dinossauros

Segundo Peñalver, o âmbar do Cretáceo fornece aos cientistas uma janela para o mundo dos dinossauros emplumados. Parte desse grupo de dinossauros mais tarde evoluiria para dar origem às aves modernas. A pena de dinossauro encontrado no âmbar com o carrapato, segundo os cientistas, tem estrutura semelhante à das penas dos pássaros.

Com informações: Estadão Conteúdo

17:19 · 08.12.2017 / atualizado às 17:19 · 08.12.2017 por
Concepção artística das migrações humanas ocorridas entre 60 e 120 mil anos atrás, em um período anterior ao que se pensava Imagem: Ivan Heredia/CSIC

A tese de uma única migração humana fora da África há 60 mil anos não poderá mais ser considerada um dado correto da história da humanidade, argumenta uma revisão da literatura científica publicada na revista científica americana Science.

Ao contrário, várias migrações para fora da África, que começaram há 120 mil anos, deram origem à população moderna, demonstram os resultados da pesquisa. Avanços na análise de DNA e em outras técnicas de identificação de fósseis, principalmente em relação a descobertas na Ásia, estão ajudando a reescrever o que pensávamos saber sobre nossas origens.

Uma “abundância de novas descobertas” na última década mostrou que os humanos modernos, ou Homo sapiens, chegaram a partes do continente asiático muito antes do que se pensava, assinalou o informe. Vestígios de Homo sapiens datados de 70 mil a 120 mil anos foram encontrados em diferentes locais no sul e no centro da China. Outras descobertas de fósseis mostram que os humanos modernos chegaram ao sudeste de Ásia e à Austrália antes de 60 mil anos atrás.

“As primeiras dispersões fora da África antes de 60 mil anos atrás provavelmente eram feitas em pequenos grupos de pessoas que buscavam comida e, pelo menos, algumas dessas dispersões iniciais deixavam traços genéticos de baixo nível em populações modernas”, explicou Michael Petraglia, pesquisador do Instituto Max Planck para a Ciência da História Humana, na Alemanha.

Migração maior

“Um evento posterior e maior de [migração] ‘Fora da África’ muito provavelmente ocorreu por volta de 60 mil anos atrás ou depois disso”, informou. Pesquisas recentes confirmaram que esta migração em massa há 60 mil anos “contribuiu para a maior parte da composição genética dos não africanos atuais”, de acordo com o comunicado.

Estes primeiros viajantes se miscigenaram com outras espécies, incluindo Neandertais e Denisovanos, e uma população não identificada de homininis (primatas hominóideos) pré-modernos em muitos locais através da Eurásia. Os cientistas consideram que, entre os Homens modernos não africanos atuais, de 1% a 4% do DNA seria de origem dos Neandertais e até 5% podem ser de Denisovanos. “Agora está claro que humanos modernos, os Neandertais, Denisovanos e talvez outros grupos homininis provavelmente se sobrepuseram no tempo e no espaço na Ásia, e certamente tiveram muitos casos de interação”, destacou o estudo.

Com informações: AFP

10:22 · 08.11.2017 / atualizado às 10:22 · 08.11.2017 por
Concepção artística de mamíferos que conviveram com ancestrais das aves modernas e com dinossauros na era Mesozóica Imagem: Mark Witton

Um estudante universitário britânico encontrou dentes de mamíferos parecidos com ratos que viveram há 145 milhões de anos e possuem ligações distantes com os humanos. A descoberta foi feita na costa de Dorset, no sudoeste da Inglaterra, pelo estudante de graduação Grant Smith, quando ele examinava pedras na Universidade de Portsmouth.

“Inesperadamente, ele não encontrou um, mas dois dentes bastante notáveis ​​de um tipo nunca antes visto em rochas desta época”, disse Steve Sweetman, pesquisador da universidade. “Eu fui convidado a olhar para eles e dar uma opinião e, mesmo à primeira vista, fiquei de boca aberta!”, escreveu na revista científica Acta Palaeontologica Polonica.

Acredita-se que os dentes pertenceram a duas espécies diferentes de criaturas pequenas e peludas que provavelmente eram noturnas e se alimentavam de insetos e talvez plantas. “Os dentes são de um tipo altamente avançado que pode perfurar, cortar e esmagar alimentos”, disse Sweetman.

“Eles também estão muito desgastados, o que sugere que os animais aos quais eles pertenciam viveram até uma boa idade para suas espécies. Um grande feito quando você está compartilhando seu habitat com dinossauros predatórios!”.

Apesar desses animais serem significativamente diferentes dos humanos, Sweetman os descreveu como “sem dúvida os mais antigos conhecidos da linha de mamíferos que leva à nossa própria espécie”. As duas espécies foram nomeadas Durlstodon ensomi e Durlstotherium newmani, a segunda em homenagem ao proprietário de um pub local, Charlie Newman.

A descoberta foi feita na “Costa Jurássica” de Dorset, um Patrimônio Mundial da Unesco que carrega 185 milhões de anos de história.

Com informações: AFP

12:07 · 07.11.2017 / atualizado às 12:07 · 07.11.2017 por
Concepção artística de primatas do gênero Purgatorius, que surgiram há cerca de 65 milhões de anos. A ordem, que inclui os humanos, foi a primeira adotar hábitos diurnos, o que deve ter ocorrido há pelo menos 52 milhões de anos Imagem: Yale News

Os primeiros mamíferos eram criaturas noturnas que só emergiram da escuridão após o desaparecimento dos dinossauros, disseram pesquisadores israelenses.

Isso explicaria por que relativamente poucos mamíferos seguem um estilo de vida “diurno” hoje, e por que a maioria destes ainda tem olhos e ouvidos mais adequados para viver à noite.

“A maioria dos mamíferos hoje são noturnos e possuem adaptações para sobreviver em ambientes escuros”, disse o coautor do estudo Roi Maor, da Universidade de Tel Aviv. “Os macacos e os primatas (incluindo os humanos) são os únicos mamíferos diurnos com olhos evoluídos que são semelhantes aos outros animais diurnos, como pássaros ou répteis. Outros mamíferos diurnos não desenvolveram adaptações tão profundas”, acrescentou.

Maor e uma equipe de pesquisadores fornecem evidências que apoiam a teoria de longa data de que dezenas de milhões de anos fugindo dos dinossauros causaram um “gargalo” noturno na evolução dos mamíferos.

Por terem se escondido na escuridão por tanto tempo – possivelmente para evitar disputar comida e território com os dinossauros ou ser comidos por eles -, os mamíferos de hoje não estão no mesmo patamar dos peixes, répteis e pássaros quando se trata de visão diurna. Os mamíferos, exceto os primatas, não possuem uma parte do olho conhecida como fóvea, que muitos peixes, répteis e aves possuem e que está repleta de células “cone” fotorreceptoras para ver cores na luz forte.

Em vez disso, eles tendem a ter mais células em forma de bastão, que podem absorver luz escassa, mas proporcionam uma resolução relativamente baixa.

Os mamíferos modernos que são ativos principalmente de dia – incluindo alguns tipos de esquilo, musaranhos-arborícolas, alguns antílopes e muitos animais carnívoros – também tendem a ter olfato e audição aguçados, atributos necessários para viver no escuro.

Primatas primeiro 

Maor e uma equipe analisaram os estilos de vida de 2.415 espécies de mamíferos vivos e usaram algoritmos de computador para reconstruir o comportamento provável de seus antepassados, chegando até os primeiros mamíferos.

O primeiro antepassado dos mamíferos surgiu entre 220 milhões e 160 milhões de anos atrás, evoluindo a partir de um ancestral réptil, que provavelmente era noturno, de acordo com o estudo publicado na revista científica Nature Ecology & Evolution.

Os dinossauros, por outro lado, provavelmente eram habitantes diurnos que procuravam a luz solar para aquecer seus corpos, como os répteis fazem hoje.

Os dados revelaram que os mamíferos permaneceram noturnos durante toda a Era Mesozoica, que terminou cerca de 66 milhões de anos atrás, quando uma calamidade maciça, possivelmente uma queda de asteroides, eliminou os dinossauros e cerca de três quartos da vida na Terra.

Os mamíferos, então principalmente animais pequenos e velozes, sobreviveram e prosperaram.

A maioria permaneceu noturna, enquanto alguns abraçaram o dia e outros – incluindo gatos, elefantes e vacas – são hoje um pouco das duas coisas.

Os ancestrais dos primatas estavam entre os primeiros mamíferos a se tornarem estritamente diurnos, há cerca de 52 milhões de anos, descobriram os pesquisadores.

Isso explica por que nossa família de primatas está melhor adaptada ao modo de vida iluminado pelo sol: tivemos mais tempo para evoluir e nos adaptarmos.

O motivo da mudança da noite para o dia não está claro, disse Maor, mas pode ter incluído um “risco reduzido de predação” para os primeiros mamíferos.

Embora o estudo mostre uma forte correlação entre a morte dos dinossauros e o surgimento de mamíferos diurnos, não pode concluir que houve uma relação de causa e efeito.

Com informações: AFP

16:08 · 27.09.2017 / atualizado às 16:11 · 27.09.2017 por
Mesmo faltando mais de três meses para o fim do ano, as 97 mortes desses animais nas praias do país já superam a marca anterior que era de 96 em 2010 Foto: Projeto Baleia Jubarte

Impulsionadas pelas mudanças climáticas e pelo crescimento na população, o total de baleias jubartes encalhadas na costa brasileira bateu recorde neste ano.

Dados do Instituto Baleia Jubarte (IBJ), em Caravelas (BA), apontam que o número de encalhes desses cetáceos em 2017 já é de 97, superando o recorde anterior, de 2010, com 96.

Os encalhes são normalmente observados no período de julho a novembro, quando as jubartes chegam ao atlântico sul para atividades reprodutivas. Bahia, com 39 encalhes, é o Estado com maior número de ocorrências, seguido de Espírito Santo (29), Rio de Janeiro (14), Alagoas (8), São Paulo (4), Sergipe (2) e Rio Grande do Sul (1). Entre as causas apontadas, segundo pesquisadores, a mais importante tem sido a influência das mudanças climáticas e o impacto disso na produção do krill (um pequeno crustáceo que é o alimento da espécie), na Antártica.

O levantamento é produzido desde 2002 pelo IBJ, que faz parte da Rede de Monitoramento e Informação de Encalhes de Mamíferos Aquáticos do Brasil (Remab), coordenada nacionalmente pelo Instituto Chico Mendes para a Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

“Temos dados que apontam que a oferta de krill no hemisfério Sul na área de alimentação diminuiu nos últimos três anos, possivelmente influenciado pelo El Niño intenso que tivemos em 2015”, disse Milton Marcondes, coordenador de pesquisa do IBJ. O consenso dos pesquisadores é que o crustáceo também foi a razão para o alto índice de encalhes no ano de 2010, número que surpreendeu a todos. Em todo o ano passado, foram achadas 78 baleias jubartes encalhadas nas praias do litoral brasileiro, alguns dos quais no primeiro semestre. A avaliação é que o encalhe no primeiro semestre, raro, se deve a animais que permaneceram no Brasil e não fizeram o caminho de volta para as áreas polares.

As jubartes se alimentam durante o verão nas regiões polares e depois passam o resto do ano queimando a gordura que acumularam. De acordo com o pesquisador, se uma fêmea não conseguiu se alimentar direito, pode ter problemas na travessia até o atlântico sul. Para Marcondes, a influência climática sobre a oferta de alimentação das baleias é preocupante. “É importante entender como variações climáticas podem afetar o krill e como isso se reflete na população de jubartes, pois mudanças na oferta de alimento têm potencial para impactar toda a população.”

Além da questão nutricional, o aumento populacional tem sido outra causa discutida. A população de jubartes vem crescendo após ter sido quase dizimada pela caça comercial. A contagem é feita por amostragem, em sobrevoos no litoral brasileiro, na região do Banco de Abrolhos. Em 2002, durante sobrevoo no litoral da Bahia e Espírito Santo, o IBJ estimou a população em 3.400 baleias. Em 2015, a população já tinha crescido para 17 mil.

Em 2017, conforme projeções, essa população chegou a 20 mil indivíduos. “Com muito mais baleias no mar é esperado que tenhamos mais encalhes daquelas que morrem por causas naturais e das que morrem em função de atividades causadas pelo ser humano”, disse Marcondes. Entre essas causas estão poluição, atropelamento por navios e equipamento de pesca.

Não se sabe ao certo a quantidade de baleias que morrem na travessia. A maior parte morre no mar e algumas carcaças, dependendo do vento, vão parar nas praias. Apenas 15% encalham com vida, afirmam os pesquisadores.

Filhotes

O recorde de encalhes ainda não chega a afetar o ecossistema nem impactar na recuperação da população de baleias, mas os pesquisadores estão atentos à quantidade de filhotes que chegam às praias (52% do total).

Para Marcondes, entre as razões para isso estão o fato de estarem mais sujeitos à ação de predadores (tubarões e orcas), terem baixa imunidade e a necessidade de ficarem mais próximos da superfície e subir mais vezes para respirar.

Segundo ambientalistas, os filhotes só sobrevivem se estiverem com suas mães. “Se ele está aparentemente sadio, nós fazemos uma tentativa de devolvê-lo ao mar, mesmo sabendo que as chances de ele voltar a encontrar sua mãe são mínimas.” As baleias adultas representam 25% dos encalhes e 23% são considerados indivíduos juvenis.

Subestimados

Os números podem estar subestimados, já que as instituições necessitam do apoio da população para a localização dos encalhes.

Em Alagoas, o Instituto Biota de Conservação tem feito campanhas e treinado a população para a informação e cuidados com os animais ainda vivos, até a chegada do resgate.

“As redes sociais têm facilitado bastante, pois recebemos as informações de encalhes e denúncias quase em tempo real”, disse Luciana Medeiros, veterinária e diretora-executiva do Biota.

Em 2016 eles reforçaram o sistema de comunicação com o lançamento de um aplicativo para smartphone, o BiotaMar, pelo qual podem ser enviadas fotos e localização exata do achado. Neste ano, foram localizados oito encalhes, todos filhotes. Apenas uma foi reintroduzida no mar -as outras eram só carcaça-, mas em seguida morreu.

Com informações: Folhapress

22:17 · 24.09.2017 / atualizado às 22:24 · 24.09.2017 por
Mesmo sendo animais com sistema nervoso descentralizado, os cnidários ficavam muito mais lentos para responder a estímulos externos no período noturno Foto: ShutterStock

Pesquisadores demonstraram pela primeira vez que até mesmo organismos sem cérebro – no caso, uma espécie de água-viva – mostram um comportamento parecido com o ato de dormir, sugerindo que as origens do sono são muito mais primitivas do que se pensava.

Os pesquisadores observaram que a taxa na qual a água-viva Cassiopea , que pertence ao filo dos cnidários, pulsava seu corpo diminuía um terço durante a noite. Além disso, os animais ficavam muito mais lentos para responder a estímulos externos, como alimento ou movimentos, nesse período. Quando privadas de seu descanso noturno, as águas-vivas se mostravam menos ativas no dia seguinte.

“Todos com quem conversamos têm uma opinião quanto a se águas-vivas dormem ou não. Isso realmente nos empurra para lidar com a questão da natureza do sono”, diz Ravi Nath, principal autor do artigo e geneticista molecular no Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) em Pasadena. O estudo foi publicado em 21 de setembro na revista científica Current Biology. “Este trabalho fornece evidências convincentes do quão cedo na evolução um estado similar ao sono evoluiu”, diz Dion Dickman, neurocientista na Universidade do Sul da Califórnia em Los Angeles.

Sono sem sentido

Nath está estudando o sono no verme Caenorhabditis elegans, mas sempre que apresentava seu trabalho em conferências de pesquisa outros cientistas zombavam da ideia de que um animal tão simples poderia dormir.

A questão fez Nath pensar: o quão simples deve ser o sistema nervoso de um animal para que ele careça da habilidade de dormir? A obsessão de Nath logo contagiou Michael Abrams e Claire Bedbrook, seus amigos e colegas doutorandos na Caltech. Abrams trabalha com águas-vivas e sugeriu que uma dessas criaturas seria um organismo modelo adequado, pois elas possuem neurônios, mas não um sistema nervoso central. Em vez disso, os neurônios das águas-vivas se conectam em uma rede neural descentralizada.

As águas-vivas Cassiopea, em particular, chamaram a atenção do trio. Apelidada de água-viva de ponta cabeça devido ao hábito de sentar no fundo do mar com a parte superior de seu corpo, com seus tentáculos acenando para cima, a Cassiopea raramente se move por conta própria. Isso tornou mais fácil para os pesquisadores projetarem um sistema automatizado que utiliza imagens em vídeo para rastrear a atividade de pulsação do corpo. Para fornecer evidências do comportamento semelhante ao sono na Cassiopea (ou qualquer outro organismo), os pesquisadores precisavam mostrar um período rapidamente reversível de diminuição da atividade – ou quiescência – com menor responsividade a estímulos.

O comportamento também deveria ser conduzido por uma necessidade de dormir a que aumentasse tanto quanto fosse maior o tempo que o animal passasse acordado, para que um dia de sono reduzido fosse seguido de um aumento de repouso. Outros pesquisadores já haviam documentado uma queda noturna na atividade em outras espécies de águas-vivas, mas nenhum estudo prévio mostrou os demais aspectos associados ao comportamento do sono.

Em um tanque de 35 litros, Nath, Abrams e Bedbrook rastrearam os pulsos do corpo da Cassiopea ao longo de seis dias e noites e descobriram que a taxa – a qual possui uma média de um pulso por segundo por dia – caía quase um terço à noite. Também documentaram períodos noturnos de 10 a 15 segundos livres de pulsos, o que não acontecia durante o dia.

Noite agitada

Na ausência de um alarme para águas-vivas, os cientistas usaram um petisco de camarão e ostra para tentar despertar a Cassiopea de seu cochilo.

Quando derrubavam comida no tanque durante a noite, os animais respondiam voltando ao padrão de atividade diurno. A equipe utilizou a preferência das águas-vivas de sentarem em superfícies sólidas para testar se a Cassiopea em repouso tinha uma resposta atrasada aos estímulos externos.

Eles levantaram lentamente a água-viva do fundo do tanque usando uma tela, depois a tiraram debaixo do animal, deixando-a flutuando na água. Demorou mais tempo para a criatura começar a pulsar e se reorientar quando isso aconteceu à noite do que durante o dia. Se o experimento fosse imediatamente repetido à noite, a água-viva responderia como se fosse dia. Por fim, quando a equipe forçou a Cassiopea durante toda uma noite, mantendo-a acordada com repetidos pulsos de água, encontraram uma queda de 17% em sua atividade no dia seguinte.

“Este trabalho mostra que o sono é muito mais antigo do que pensávamos. A simplicidade desses organismos abre as portas para entender por que o sono evoluiu e o que ele faz”, diz Thomas Bisch, biólogo evolutivo da Universidade Kiel na Alemanha. “O sono pode ser retroceder até esses pequenos metazoários – o quão mais longe isso vai?”, ele pergunta.

É isso que Nath, Abrams e Bedbrook querem descobrir. Em meio ao desafio de terminar suas teses de doutorado, começaram a procurar por genes antigos que pudessem controlar o sono, na esperança de que isso talvez fornecesse pistas sobre o porquê de o sono ter surgido originalmente.

Com informações: Scientific American Brasil

16:15 · 14.09.2017 / atualizado às 16:15 · 14.09.2017 por
Os Estados Unidos podem ficar em pouco tempo sem os freixos, sua árvore emblemática, se não houver uma desaceleração no processo de extinção ao qual estão sujeitas cinco de suas seis variedades mais difundidas Foto: Youtube

A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês) atualizou nesta quinta-feira (14) de sua Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas, na qual os freixos da América do Norte e os antílopes africanos aparecem como os casos recentes mais graves.

A Lista Vermelha da IUCN inclui 87.967 espécies, das quais 25.062 estão em perigo de extinção. “As atividades humanas estão empurrando tão rapidamente as espécies à extinção que aos conservacionistas é impossível avaliar em tempo real”, disse a diretora da organização, Inger Andersen.

Os Estados Unidos podem ficar em pouco tempo sem os freixos, sua árvore emblemática, se não houver uma desaceleração no processo de extinção ao qual estão sujeitas cinco de suas seis variedades mais difundidas e valiosas, em um processo que está ganhando força por conta da mudança climática.

A situação de cinco dos seis freixos mais proeminentes de América do Norte está “a um passo da extinção, enquanto o sexto está em situação de “perigo”, porque um besouro invasor está dizimando suas populações.

Ataque de besouro invasor

Apenas três espécies dos freixos representam cerca de 9 bilhões de árvores nos estados do interior dos EUA, onde são um componente essencial das florestas e habitat e alimento para aves, esquilos e insetos, além de serem muito importante para as borboletas e traças.

O freixo branco americano, que no passado era abundante e uma das árvores mais valiosos dessa parte do mundo pela sua utilização na fabricação de móveis, bastões de beisebol e de hóquei, entre outros itens, está sofrendo pelos ataques do besouro invasor. Este inseto chegou aos EUA na década de 90, em um barco que continha paletas de madeira infestadas e chegou a causar grandes danos ao freixo – mas foi o aquecimento global, que aumentou a temperatura em áreas que antes eram muito frias, que permitiu esses escaravelhos sobreviverem.

O aumento da temperatura fez com que essas zonas sejam agora propícias para que eles sigam se reproduzindo, com um risco de destruição incalculável se pensar que pode destruir uma floresta inteira de freixos em seis anos.

Antílopes ameaçados

Também por causa da ação do homem, pela perda de áreas silvestres, a caça ilegal e a criação de gado, a população de cinco espécies de antílopes africanos está diminuindo drasticamente.

Esta situação faz parte de uma tendência maior de diminuição dos grandes mamíferos africanos, que devem competir com uma população humana em crescimento e que precisam de mais territórios e recursos. Uma causa adicional de maior vulnerabilidade desta e outras espécies é a maior frequência e duração das secas atribuídas à mudança climática.

Em muitos casos, como o do antílope “elande gigante”, que vive na República Centro-Africana, a instabilidade política e os conflitos se transformaram nos principais obstáculos para sua proteção.

Com informações: Agência Brasil

16:12 · 03.08.2017 / atualizado às 16:12 · 03.08.2017 por
Bactéria causou a morte de 56% de chimpanzés cujos corpos foram estudados por pesquisadores, no período entre 1989 e 2014 Foto: Getty Images

O antraz, uma doença bacteriana grave geralmente associada a climas áridos, vem dizimando silenciosamente chimpanzés em uma floresta tropical da África Ocidental, e pode eliminá-los completamente, disseram pesquisadores.

Amostras tiradas de carcaças, ossos e moscas que se alimentam de carniça no Parque Nacional de Tai (TNP), na Costa do Marfim, entre 1989 a 2014, revelaram que o antraz causou 38% das mortes de animais – incluindo 31 dos 55 chimpanzés mortos analisados, ou seja, no caso da espécie a letalidade chega a 56%.

Outras baixas incluíram macacos, antílopes, mangustos e um porco-espinho. “Nossas simulações (…) sugerem que a mortalidade induzida pelo antraz resultará em declínios determinísticos de população e na possível extirpação de chimpanzés do TNP nos próximos 150 anos”, escreveu uma equipe na revista científica Nature.

Os chimpanzés são particularmente vulneráveis ​​devido à sua lenta taxa de reprodução, disseram os cientistas. Os pesquisadores não conseguiram determinar onde e como os animais estavam sendo infectados com um tipo de antraz identificado pela primeira vez no TNP em 2004. E eles advertiram que as infecções em macacos “são muitas vezes indicadoras de doenças que também podem afetar humanos”.

A bactéria, Bacillus cereus biovar anthracis, também causou mortes de chimpanzés, gorilas e elefantes em Camarões e na República Centro-Africana, disse a equipe. Nenhum caso de humanos afetados foi registrado. Anteriormente, se acreditava que os surtos de antraz eram mais comuns em ecossistemas áridos, como a savana africana, onde matam animais de caça, gado e às vezes humanos.

Os humanos geralmente contraem a doença de animais infectados ou através da exposição a produtos animais contaminados. A bactéria pode ser contraída pela pele, boca ou inalação. Em sua forma mais comum, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, provoca feridas negras na pele. A bactéria não é transmitida de pessoa para pessoa. Embora potencialmente mortal, reage bem ao tratamento com antibióticos.

Com informações: AFP

20:52 · 18.07.2017 / atualizado às 21:06 · 18.07.2017 por
Análise de DNA mostra que os cachorros antigos se separaram de seus ancestrais pela primeira vez há cerca de 40 mil anos Foto: VetStreet

De patas curtas ou alongadas, com o pelo enrolado ou comprido, todos os cães do mundo vêm de uma mesma população de lobos domesticados há entre 20 mil e 40 mil anos – revela um estudo publicado na revista científica Nature Communications nesta terça-feira (18).

“Nossos dados mostram que todos os cães modernos espalhados pelo mundo foram domesticados de uma única população de lobos”, diz à AFP a coautora do estudo Krishna Veeramah, da Universidade do Estado de Nova York, em Stony Brook. Tomando indícios genéticos como base, esse novo estudo se soma a outras hipóteses sobre as controversas origens do melhor amigo do homem.

Segundo uma dessas hipóteses, os humanos domesticaram os cães pela primeira vez na Europa, há mais de 15 mil anos. Outros pesquisadores afirmam que essa domesticação teve início no leste da Ásia, pelo menos 12,5 mil anos atrás. Já um estudo publicado no ano passado na revista Science apontou que os cães foram domesticados em dois lugares distintos, partindo de matilhas de lobos na Europa e na Ásia.

Os autores do estudo publicado nesta terça-feira disseram que sua análise de DNA mostra que os cachorros antigos se separaram dos lobos pela primeira vez há cerca de 40 mil anos, em um processo provavelmente desencadeado pela presença de humanos. Os pesquisadores não sabem, porém, em que parte do mundo isso aconteceu.

Há 20 mil anos, disse a equipe, os primeiros cães se dividiram geograficamente entre os caninos do Oriente e os do Ocidente. O primeiro grupo deu origem aos cães do leste da Ásia, e o outro aos cães na Europa, no centro e no sul da Ásia e na África. “Há 7 mil anos, eles (os cachorros) estavam praticamente por toda parte”, disse Krishna Veeramah. O cão europeu desse período deu origem à maioria das raças de cães modernas encontradas hoje, concluíram os pesquisadores.

Krishna Veeramah e seus colegas analisaram amostras de DNA fossilizado de dois cães encontrados na Alemanha. Um deles, de 7 mil, é o cão mais velho a ter tido seu DNA sequenciado até hoje. O outro é de pelo menos 4,7 mil anos. Ambos remontam ao Neolítico, período que marca o início da agricultura e da pecuária. O genoma desses dois “senhores” europeus é parecido com o dos cachorros do presente, o que sugere uma origem geográfica única de cães domésticos.

O processo de domesticação desse animal – um carnívoro potencialmente perigoso ao homem – foi, certamente, “difícil”, afirma Krishna Veeramah, bem mais do que a de ovelhas, porcos, ou vacas. “A hipótese atual é que esse processo ocorreu passivamente a partir de uma população de lobos que vivia na periferia dos campos de caçadores-coletores, alimentando-se do lixo produzido pelos humanos”, relata a cientista.

Os menos agressivos teriam, então, desenvolvido uma relação particular com os homens. É essa população ancestral de cães, única, que teria se disseminado pelo planeta, provavelmente ao sabor dos deslocamentos humanos.

Com informações: AFP

21:01 · 22.06.2017 / atualizado às 21:02 · 22.06.2017 por
Após decisão polêmica, muitos dos animais se perderam pelo caminho e acabaram morrendo ou ficando feridos Foto: AFP

Com o aprofundamento da crise diplomática entre Qatar e seus vizinhos do Golfo, até mesmo símbolos da cultura árabe são alvos do rompimento das relações com o governo de Doha.

Em nova retaliação, a Arábia Saudita, que liderou o processo de ruptura, anunciou que expulsou 9 mil camelos de origem qatari em 36 horas. Segundo a agência Ansa, como consequência, muitos dos animais se perderam pelo caminho e acabaram morrendo ou ficando feridos.

Um representante da Associação de Proprietários de Camelos do Qatar criticou a medida tomada pelas autoridades sauditas. Os animais eram mantidos em regiões vastas do território saudita, e contribuíam para a produção de leite e carne, além de servir como meio de locomoção.

“Nunca vamos nos esquecer do que eles fizeram”, afirmou Mohammad Merri à rede Al-Jazeera. Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Egito, Iêmen e Bahrein romperam relações diplomáticas com o governo de Doha no dia 5 de junho. Os países vizinhos o acusam de apoiar o terrorismo e inclusive avisaram aos cidadão qataris que deixassem seus territórios em até 14 dias.

Após a ruptura de relações, a Arábia Saudita fechou a única fronteira terrestre do pequeno emirado, por onde transitavam 40% dos seus alimentos. O Irã começou a mandar 1.100 toneladas por dia de frutas e legumes ao Qatar e a Turquia também enviou um navio de suprimentos nesta quinta (22).

Com informações: Agência O Globo