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18:55 · 22.06.2018 / atualizado às 18:55 · 22.06.2018 por
Embora a organização reconheça os esforços do país para melhorar o acesso a serviços de saúde, ressalta a redução de sua capacidade de resposta em emergências e surtos de doenças diante das crises social, política e econômica Foto: La Nación

A Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) pediu nesta semana à Venezuela que contenha o avanço do sarampo e da difteria e que reduza a mortalidade produzida pela malária, assim como abordar a atual “fragmentação e segmentação” dos serviços de saúde.

A Venezuela deve “elaborar e executar urgentemente um plano de ação para deter a transmissão do sarampo e da difteria”, “reduzir a morbidade e a mortalidade por malária” e “acelerar os esforços para melhorar a integração dos serviços de saúde (…) a fim de abordar a fragmentação e a segmentação atual”, disse a Opas.

Essas recomendações estão em um relatório sobre a Venezuela e países vizinhos apresentado durante a 162º sessão do comitê executivo do organismo, que termina nesta sexta-feira (22) em Washington.

O documento ressalta que a Venezuela, com mais de 30 milhões de habitantes, enfrenta uma situação sociopolítica e econômica que afetou “negativamente” os indicadores de saúde.

Mais de 1,6 milhão de venezuelanos migraram em 2017 a outros países “o que causou preocupações de saúde pública”, destacou a Opas, ao mencionar especialmente Colômbia, Brasil, Equador, Guiana, Peru e Trinidade e Tobago.

Na Venezuela, além dos surtos de difteria, sarampo e malária que se ampliaram “com rapidez”, a Opas ressalta sua preocupação com as infecções por HIV e tuberculose, o aumento da mortalidade materna e de crianças menores de um ano, e as dificuldades de acesso aos medicamentos e de atenção de pessoas com doenças crônicas potencialmente fatais.

Embora reconheça os esforços da Venezuela para melhorar o acesso a serviços de saúde, ressalta a redução de sua capacidade de resposta em emergências e surtos de doenças, e em prevenção e redução do impacto das doenças transmissíveis. “Devem-se tomar medidas imediatas para abordar as necessidades de curto prazo, reduzir o impacto da migração dos funcionários de saúde e racionar os recursos existentes, enquanto se mobilizam recursos adicionais”, apontou a Opas.

Durante uma visita a Caracas na semana passada, a diretora da organização, Carissa Etienne, expressou sua preocupação com os surtos crescentes de sarampo e difteria, que segundo a Opas resultaram em 75 mortes desde meados de 2017.

Com informações: AFP

19:20 · 21.06.2018 / atualizado às 19:20 · 21.06.2018 por
Os insetos modificados geneticamente têm espermatozoides defeituosos Foto: Reuters

Uma nova variedade de mosquitos transgênicos deve começar a ser testada para combater o Aedes aegypti, transmissor da dengue, chikungunya, zika e febre amarela. A variedade foi desenvolvida pelo no Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP) e pode começar a ser produzido em fase de testes em setembro. Os insetos modificados geneticamente têm espermatozoides defeituosos que, após o acasalamento, resultam em ovos estéreis.

O mosquito é pensado para se integrar a outras estratégias de combate ao Aedes. Segundo a professora Margareth Capurro, principal responsável pela pesquisa, ao evitar sequer o aparecimento das larvas, o inseto transgênico se combina perfeitamente com o trabalho de identificação e destruição de focos em áreas urbanas. Porque os protocolos de ação dizem que, quando são encontrados mosquitos nesse estágio de desenvolvimento, deve ser feito o uso de produtos químicos para eliminação dos animais.

“Para não ter que mudar todas as medidas, todos os parâmetros do mundo inteiro de combate ao mosquito, a linhagem que é estéril é mais adaptável ao que é a medida do controle”, enfatiza Margareth, que já trabalhou no desenvolvimento de outras variedades de mosquitos modificados geneticamente. Um desses, produzido pela empresa Oxitec, por exemplo, tem machos que transmitem um gene que impede que os descendentes cheguem a fase adulta.

Essa nova pesquisa, financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e pela Agência Internacional de Energia Atômica, atende a uma demanda colocada pela Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo, de acordo com a professora. Por isso, a preocupação de maximizar a integração com outras estratégias de combate ao mosquito.

A segunda fase do projeto, prevista para começar em setembro, será feita em parceria com a organização social Moscamed Brasil, em uma fábrica em Juazeiro, na Bahia. Os testes serão feitos em gaiolas de campo, de 3 metros quadrados, colocadas em ambiente natural. “O objetivo é saber se eles sobrevivem e são capazes de copular na presença de ventos ou de chuvas. Esse é um teste importante, pois, quando fazemos uma modificação genética, além das características de interesse, podemos induzir também características indesejáveis”, explica a pesquisadora.

Se o projeto correr como o esperado, a terceira fase pode ser iniciada ainda no final de 2019, com a produção piloto de 500 mil insetos por semana. A partir dos ajustes finais feitos nesta etapa, o mosquito estará pronto para ser reproduzido em grande escala. A biofábrica de Juazeiro tem capacidade instalada para produzir 14 milhões de mosquitos por semana. Margareth destaca que o Brasil fez, com a variedade da Oxitec, uma das maiores solturas de mosquitos no ambiente do mundo, com cerca de 1 milhão de animais por semana.

A ideia é que esse novo Aedes modificado possa ser usado também em outros países, sendo distribuído pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Com informações: Agência Brasil

16:37 · 18.06.2018 / atualizado às 16:37 · 18.06.2018 por
Cientistas da UnB fizeram primeiro teste para desenvolver um balão geoestacionário de grande altitude, que poderá ter aplicações em ciência espacial, meteorologia e até em agricultura Foto: Projeto Kuaray/Reprodução do Facebook

O sucesso de uma missão internacional de divulgação científica que reuniu astrônomos amadores, estudantes de engenharia e cientistas brasileiros e norte-americanos mostrou o caminho para que um grupo de pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) aprimorasse seu principal projeto: desenvolver um balão geoestacionário de grande altitude, que poderá ter aplicações em georreferenciamento, agricultura, ciência espacial e meteorologia.

Em 2017, durante o eclipse total do Sol que cruzou a América do Norte, quatro astrônomos amadores do Clube de Astronomia de Brasília (CAsB) – o professor de Engenharia Elétrica Renato Borges e três alunos na UnB – viajaram para Rexburg, em Idaho (EUA), para registrar pela primeira vez o evento astronômico em 360 graus, tendo como base um balão estratosférico a 30 km de altitude. A missão foi realizada em parceria com as universidades norte-americanas de Montana e North Dakota e financiada por um programa da Nasa, a agência espacial dos EUA. Selecionados para o projeto, os brasileiros conseguiram recursos por meio de um crowdfunding, espécie de “vaquinha” virtual. A aventura rendeu um vídeo de divulgação científica que será exibido em planetários e abriu caminho para parcerias científicas.

“A ideia do projeto do eclipse era dar uma experiência internacional aos alunos, que é muito importante na área de pesquisa, e fazer divulgação científica. Mas acabamos consolidando uma nova parceria com a Universidade de Montana (EUA) para desenvolver nossa plataforma para um balão estacionário”, conta. “Enquanto isso, estamos aperfeiçoando um sistema inédito de pouso para esse tipo de balão”, disse. Agora, eles realizaram o primeiro teste. “O projeto começou a sair do papel para levantar voo de verdade”, diz Borges, que coordena o projeto LAICAnSat, do Laboratório de Aplicação e Inovação em Ciências Aeroespaciais (Laica).

Os resultados da missão também resultaram em um artigo científico que foi apresentado, nos Estados Unidos, na conferência do Instituto de Engenheiros Elétricos e Eletrônicos, a principal associação de engenharia do mundo. O presidente do CAsB, Augusto Ornella, destaca a importância da experiência.

“Nós, como astrônomos amadores, tivemos contato com a academia e pudemos acompanhar de perto o desenvolvimento da tecnologia, dos circuitos e dos softwares da plataforma.

Enquanto isso, o pessoal da academia teve a oportunidade de compreender melhor a parte prática da observação do eclipse, na qual temos muita experiência.”

Com informações: Estadão Conteúdo

12:11 · 16.06.2018 / atualizado às 12:11 · 16.06.2018 por
O LHC, um imenso anel com 100 metros de profundidade, 27 km de circunferência, e situado sob os territórios suíço e francês, começou a operar em 2010 Foto: CERN

O CERN, organização europeia para a pesquisa nuclear, iniciou uma grande obra de engenharia civil para incrementar as capacidades do maior acelerador de partículas do mundo, o LHC.

“Até 2026, esta importante melhoria incrementará notavelmente a capacidade do LHC ao multiplicar o número de colisões, o que elevará a probabilidade de descobrir novos fenômenos”, explica o CERN em comunicado.

O LHC, um imenso anel com 100 metros de profundidade e situado sob os territórios suíço e francês, começou a colidir partículas em 2010. No interior do túnel de 27 km de circunferência, pacotes de prótons viajam a uma velocidade próxima da luz e entram em colisão em quatro pontos de interação.

Estas colisões engendram novas partículas, que os físicos do mundo inteiro analisam para aprofundar os conhecimentos sobre as leis da natureza.

Com informações: AFP

18:34 · 15.06.2018 / atualizado às 18:34 · 15.06.2018 por
Transmissão do astrofísico britânico será direcionada ao 1A 0620-00, que está localizado a 3.500 anos-luz do nosso planeta Foto: Nasa

Uma mensagem do astrofísico britânico Stephen Hawking será transmitida para o buraco negro mais próximo da Terra durante o enterro de suas cinzas, nesta sexta-feira (15), na Abadia de Westminster, em Londres, junto ao túmulo de Isaac Newton.

A mensagem – com sua conhecida voz sintetizada e especialmente escrita para a ocasião – será transmitida pela Agência Espacial Europeia (ESA). “É um gesto bonito e simbólico que cria um vínculo entre a presença do nosso pai neste planeta, seu desejo de ir ao espaço e a exploração do universo em sua mente”, disse sua filha Lucy Hawking.

O professor, que dedicou sua vida a desvendar os mistérios do universo e lutou para vencer as deficiências, será enterrado ao lado de outros dois grandes cientistas: Isaac Newton e Charles Darwin. A mensagem de Hawking será enviada “ao buraco negro mais próximo, o 1A 0620-00, em um sistema binário com uma estrela anã laranja bastante ordinária”, revelou a filha de Hawking.

O sistema está a 3.500 anos-luz da Terra, o tempo que tardará para chegar a mensagem. “É uma mensagem de paz e esperança, sobre a unidade e a necessidade de vivermos juntos e em harmonia neste planeta”. Hawking, que capturou a imaginação de milhões de pessoas no mundo, faleceu em 14 de março, aos 76 anos. O cientista, que ganhou fama mundial com o livro de 1988 “Uma breve história do tempo”, um sucesso inesperado de vendas, conquistou admiradores muito além do complicado mundo da astrofísica.

Sua morte rendeu uma série de homenagens, da rainha Elizabeth II à Nasa, que demonstraram o impacto de Hawking como cientista, mas também como farol de esperança para as pessoas afetadas por enfermidades degenerativas. A cerimônia desta sexta, com a presença de parentes, amigos colegas, celebrará não apenas suas conquistas como cientista, mas também seu caráter e resistência à doença devastadora. “Estamos muito agradecidos à Abadia de Westminster por nos oferecer o privilégio de celebrar um serviço de ação de graças à extraordinária vida de nosso pai, e por ter reservado um local distinto para o repouso final”, afirmaram seus filhos Lucy, Robert e Tim.

Stephen Hawking desafiou as previsões dos médicos que, em 1964, afirmaram que ele teria poucos anos de vida após o diagnóstico de uma forma atípica de esclerose lateral amiotrófica (ELA), uma doença que ataca os neurônios motores responsáveis por controlar os movimentos voluntários e que o condenou durante décadas a uma cadeira de rodas.

15:48 · 13.06.2018 / atualizado às 15:48 · 13.06.2018 por
Fotomontagem mostrando como jipe da Agência Espacial Norte-Americana deve ter sido atingido por fenômeno no ‘Planeta Vermelho’ Imagem: Canadian Home Steading

Por Salvador Nogueira

O jipe Opportunity pode estar enfrentando sua situação mais crítica desde que pousou em Marte, quase 15 anos atrás. Uma tempestade global de poeira se espalha pelo planeta vermelho, e a Nasa confirmou que perdeu contato com o rover.

Presume-se que as condições na região onde o veículo opera, o chamado Vale da Perseverança, se tornaram tão severas que a bateria interna caiu abaixo de 24 volts. Quando isso acontece, o computador de bordo entra num estado operacional de emergência, desligando todos os subsistemas menos um relógio interno.

Com isso, a única tarefa do jipe é se “acordar” de tempos em tempos para checar o nível da bateria, que é recarregada pelos painéis solares -mas só quando há luz solar disponível, o que no momento se torna uma virtual impossibilidade por conta da tempestade de areia.

O fenômeno atmosférico começou em 30 de maio e já recobre um quarto da superfície de Marte. O último contato que o controle da missão teve com o Opportunity foi no último domingo, quando a situação já era crítica. A Nasa realiza nesta quarta uma teleconferência para detalhar a situação do Opportunity e contar como seus orbitadores em Marte estudam a tempestade e seus efeitos. O maior problema é que o jipe se mantenha sem energia e isso prejudique o aquecimento interno de seus circuitos. No domingo, a temperatura interna era de -29 °C. A tempestade de poeira tende a reduzir a amplitude da variação de temperatura na superfície marciana ao longo do dia, o que é uma boa notícia, mas talvez insuficiente para manter o jipe saudável.

O Opportunity e seu irmão gêmeo Spirit chegaram a Marte em 2004. A missão dos dois originalmente devia durar 90 dias. O Spirit operou até 2010. E o Opportunity, depois de percorrer mais que uma maratona em solo marciano, pode agora estar enfrentando seu ocaso.

Além deles, opera atualmente em Marte o jipe Curiosity, que é mais resiliente contra tempestades de areia, por ser alimentado por uma bateria de plutônio, em vez de energia solar.

Com informações: Folhapress

20:39 · 11.06.2018 / atualizado às 20:39 · 11.06.2018 por
Nos últimos 12 anos, nove dos treze baobás mais velhos estão parcialmente ou totalmente mortos, de acordo com o estudo, que aponta relação com mudanças climáticas Foto: Baobab Stories

Muitos dos baobás mais antigos da África estão morrendo há dez anos, alertaram nesta segunda-feira (11) pesquisadores, que evocam a mudança climática como possível causa para esse desaparecimento “de escala sem precedentes”.

“É chocante e espetacular testemunhar durante o curso de nossas vidas o desaparecimento de tantas árvores milenares”, explica à AFP Adrian Patrut, da Universidade Babeş-Bolyai, na Romênia, co-autor do estudo publicado na revista Nature Plants.

“Durante a segunda metade do século XIX, os grandes baobás do sul da África começaram a morrer, mas nos últimos 10/15 anos seu desaparecimento aumentou rapidamente por causa das temperaturas muito altas e da seca”, diz o pesquisador.

Com entre 1.100 e 2.500 anos de idade, os baobás e seus troncos maciços coroados por galhos parecidos com raízes, são uma das silhuetas mais emblemáticas das áridas savanas.

Mas, nos últimos 12 anos, nove dos treze baobás mais velhos estão parcialmente ou totalmente mortos, de acordo com o estudo.

Entre as vítimas, três monstros simbólicos: Panke, do Zimbábue, o baobá mais velho com 2.450 anos, a árvore de Platland da África do Sul, uma das maiores do mundo, com um tronco mais 10 metros de diâmetro e o famoso baobá de Chapman do Botsuana, no qual Livingstone gravou suas iniciais, classificado monumento nacional. Os pesquisadores descobriram essa situação de “escala sem precedentes” quase por acaso: eles estudaram essas árvores para desvendar o segredo de suas incríveis medições.

Para isso, entre 2005 e 2017, Adrian Patrut e seus colegas estudaram todos os maiores (e portanto geralmente os mais antigos) baobás da África, mais de 60 no total. Viajando pelo Zimbábue, África do Sul, Namíbia, Moçambique, Botsuana e Zâmbia, coletaram amostras de diferentes partes das árvores. Fragmentos dos quais eles definiram a idade usando datação por carbono. “A cavidade de um velho baobá zimbabuano é tão grande que quase 40 pessoas podem se abrigar dentro”, ressalta o site do Parque Nacional Kruger, na África do Sul. Eles poderiam ser usados ​​como loja, prisão ou simplesmente como um ponto de ônibus.

Também têm sido usados ​​há muito tempo por exploradores ou viajantes para encontrar caminhos. “Os baobás periodicamente produzem novos troncos, como outras espécies produzem galhos”, segundo o estudo. Esses caules ou troncos, muitas vezes de diferentes idades, depois se fundem. Quando muitos caules morrem, a árvore desaba. “Antes de começarmos nossa pesquisa, fomos informados sobre o colapso do baobá Grootboom na Namíbia, mas pensávamos que era um evento isolado”, disse Adrian Patrut.

“Essas mortes não foram causadas por uma epidemia”, afirmam os autores, que sugerem que a mudança climática pode afetar a capacidade do baobá de sobreviver em seu habitat, embora “mais pesquisas sejam necessárias para apoiar ou refutar essa hipótese”.

Mas “a região em que os baobás milenares morreram é um daqueles em que o aquecimento é mais rápido na África”, diz Adrian Patrut.

Com informações: AFP

16:46 · 07.06.2018 / atualizado às 20:57 · 07.06.2018 por
Ao analisar amostras colhidas na cratera Gale com idade de cerca de 3 bilhões de anos, o robô Curiosity estabeleceu de forma conclusiva que havia abundância de compostos orgânicos no planeta Foto: Nasa

Por Salvador Nogueira

Já sabemos há algum tempo que Marte, em seu passado remoto, foi habitável -ou seja, tinha a capacidade de preservar água em estado líquido na superfície. Agora, graças ao jipe Curiosity, sabemos que ele tinha, na mesma época, os ingredientes necessários para a vida -moléculas orgânicas complexas.

Ao analisar amostras colhidas na cratera Gale com idade de cerca de 3 bilhões de anos, o robô da Nasa estabeleceu de forma conclusiva que havia abundância de compostos orgânicos no planeta. Com efeito, os resultados sugerem um conteúdo orgânico comparável ao de rochas sedimentares ricas nessas substâncias aqui da Terra. Ninguém está dizendo que houve vida em Marte, claro. Mas saber que os ingredientes estavam lá -água e moléculas orgânicas- é um passo importantíssimo em busca dessa resposta. Tanto que o principal objetivo do Curiosity, assim que chegou a Marte, em 2012, era achar esses benditos compostos. E a busca não foi nada fácil.

Nas primeiras tentativas de detecção, nos primeiros cem dias da missão, a melhor definição para o resultado era “fracasso”. A quantidade de compostor orgânicos simples era tão pequena que não se podia descartar contaminação da Terra enviada dentro do jipe ou mesmo que a fonte desses compostos fossem asteroides a colidir com Marte.

A ausência de compostos orgânicos no planeta vermelho era uma grande surpresa. Afinal, essas moléculas de carbono parecem estar em toda parte no espaço -em asteroides, cometas, planetas, luas e até nebulosas. Por que Marte seria estranhamente empobrecido nelas? Ocorre que a superfície marciana hoje é bem hostil a moléculas orgânicas. Raios ultravioletas do Sol encontram pouca filtragem na tênue atmosfera daquele mundo, quebrando com facilidade moléculas orgânicas maiores. E, para completar, o solo é rico em percloratos. São moléculas sem graça feitas de oxigênio e cloro, mas que, quando suficientemente aquecidas, se quebram e destroem qualquer molécula orgânica maior que esteja por perto.

Calor não é lá um grande problema em Marte. Mas é um grande problema quando o método de detecção de moléculas orgânicas do seu jipe envolve aquecer a amostra centenas de graus Celsius para ver que moléculas evaporam por lá. Você já começa com quase nada, graças ao ambiente hostil de Marte, e o que ainda restava é destruído pelos percloratos assim que você aquece a amostra. Voilà: um grande desapontamento. A equipe do Curiosity, no entanto, perseverou, procurando rochas mais adequadas para a busca. No fim de 2014, eles anunciaram um grande avanço: uma das amostras recolhidas mostrava uma quantidade de moléculas orgânicas simples tal que se podia descartar qualquer contaminação. Era química orgânica para valer no passado marciano.

Ainda assim, eram moléculas bem pequenas, muito longe do que seria necessário para a vida. A hipótese de trabalho era a de que, na origem, havia moléculas orgânicas mais complexas, que no entanto foram destruídas por percloratos e tiveram seus átomos recombinados nos compostos simples detectados. Não havia, contudo, como descartar a noção de que, desde o início, fossem só aquelas pequenas porcarias mesmo. Quase quatro anos depois, chega a resposta definitiva: analisando amostras ainda melhores, e se concentrando apenas nos gases evaporados delas a temperaturas bem altas (assim descartando o que pudesse ser ação de percloratos ou qualquer outro contaminante vindo da Terra), os pesquisadores encontraram moléculas orgânicas relativamente grandes e que provavelmente compunham cadeias de moléculas ainda maiores. O proverbial filé orgânico marciano.

O artigo científico reportando a descoberta, que tem como primeira autora Jennifer L. Eigenbrode, da Nasa, sai na edição desta sexta-feira (8) da revista Science. E, na mesma publicação, outro artigo relata outra descoberta feita pelo Curiosity em Marte.

A temporada do metano

Sim, é mais química orgânica. Desta vez na atmosfera. Além de procurar compostos complexos em rochas, o Curiosity tinha como uma de suas metas primordiais fazer a primeira detecção de gás metano na atmosfera, estando ele envolto nela. Resultados anteriores obtidos por telescópios e missões orbitais sugeriam a presença de uma quantidade significativa dele, ainda que medido em partes por bilhão. No início, o Curiosity detectou quantidades tão baixas que esbarravam no limite de precisão do equipamento.

Os pesquisadores então começaram a trabalhar num novo método para diminuir a margem de erro, “enriquecendo” a amostra da atmosfera em metano antes de tomar a medição. E ajudou o fato de que, em 2013, o jipe foi engolfado por uma pluma de metano emanando do solo, que fez saltar a detecção de 0,69 parte por bilhão para 7,2 partes por bilhão. Certo, mas por que essa neura com metano? São dois os motivos: primeiro, trata-se de uma molécula que não dura muito na atmosfera, exposta aos famigerados raios ultravioletas solares. O que significa que, se ela existe no ar marciano, mesmo em quantidades pentelhesimais, algo está constantemente lançando mais dela na atmosfera.

E o segundo motivo é ainda mais interessante: ao menos na Terra, a imensa maioria do metano atmosférico é produzido por formas de vida. Pois é. Manja a sua flora intestinal? De vez em quando ela te força a lançar uma pluma de metano no ar que, em Marte, deixaria os cientistas num frenesi nerd. Por outro lado, há outros meios de gerar metano que não envolvem vida, como um processo químico conhecido como serpentinização. Afinal, o que gera as plumas de metano em Marte? Desde essa detecção inicial em 2013 os cientistas responsáveis pelo Curiosity permaneceram tomando medidas periódicas do metano na atmosfera. E agora, com dados colhidos ao longo de quase cinco anos (terrestres, três marcianos), eles encontraram uma pista intrigante: a emissão de metano é sazonal. Os dados revelam que, noves fora os picos gerados por plumas repentinas locais, a quantidade média de metano na baixa atmosfera flutua entre 0,24 e 0,65 parte por bilhão. O pico se dá próximo ao fim do verão no hemisfério norte marciano (inverno no sul). O jipe em si está na região equatorial do planeta, apenas 4,5 graus Sul.

Com esse resultado, os pesquisadores podem descartar várias possíveis fontes para o metano que não apresentariam esse padrão. A aposta deles é que haja grandes quantidades do gás presas no subsolo marciano no interior de cristais baseados em água chamados de clatratos. Para eles, as mudanças sazonais de temperatura poderiam explicar as flutuações na liberação do gás observadas pelo jipe. Ainda resta a pergunta mais importante: o que teria produzido o metano aprisionado nesses clatratos? Pode ser vida, pode ser outro processo abiótico. A resposta terá de esperar -talvez por novos resultados, mais provavelmente por novas missões. Com efeito, o Trace Gas Orbiter, da ESA (Agência Espacial Europeia), acabou de começar sua missão científica em órbita marciana, e seu objetivo é estudar a distribuição e os padrões de emissão do metano em escala global. Ele poderá corroborar ou colocar em dúvida os atuais resultados do Curiosity, mas certamente agregará mais peças ao quebra-cabeça.

O artigo reportando a sazonalidade do metano em Marte tem como primeiro autor Christopher Webster, também da Nasa, e sai ao lado do texto de Eigenbrode, nesta sexta. “Ambos os resultados são avanços revolucionários para a astrobiologia”, avalia Inge Loes ten Kate, pesquisadora da Universidade de Utrecht que não participou das pesquisas, mas escreveu um artigo de comentário para a Science. “A detecção de moléculas orgânicas e metano em Marte tem vasta implicações à luz de potencial vida passada marciana. O Curiosity mostrou que a cratera Gale foi habitável há 3,5 bilhões de anos, com condições comparáveis às da Terra primitiva, onde a vida evoluiu mais ou menos na mesma época. A questão de se a vida pode ter se originado ou existido em Marte é muito mais oportuna agora que sabemos que moléculas orgânicas estavam presentes na superfície naquela época.”

Em 2020, tanto europeus quanto americanos prometem enviar jipes capazes de dar o próximo passo e procurar evidências diretas de vida marciana.

Com informações: Folhapress

21:57 · 04.06.2018 / atualizado às 21:57 · 04.06.2018 por
Grande questão é preservar a soberania nacional brasileira, permitindo o acesso e conhecimento sobre os lançamentos, e, ao mesmo tempo, proteger a propriedade intelectual dos americanos Foto: Wikimedia

Os governos brasileiro e norte-americano retomaram as negociações para um acordo que permita o uso da base de lançamento de foguetes em Alcântara, no Maranhão. Ainda nesta semana, um representante do governo dos EUA deve ser apontado para iniciar as tratativas de um acordo de salvaguarda tecnológica com o Brasil. É a primeira vez em 16 anos que os países voltam a negociar o tema.

A informação foi adiantada pelo jornal O Globo, e confirmada nesta segunda (4) pelo ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, em entrevista a jornalistas em Washington. O objetivo é impulsionar o programa espacial brasileiro, de acordo com o ministro, e permitir o lançamento de foguetes e satélites a partir de Alcântara. Segundo o ministro, atualmente, a grande maioria dos foguetes e satélites no mundo carrega tecnologia norte-americana. Por isso, um acordo com o país é fundamental para viabilizar lançamentos no Maranhão.

A grande questão a ser resolvida é preservar a soberania nacional brasileira, permitindo o acesso e conhecimento sobre os lançamentos a serem feitos na base, e, ao mesmo tempo, proteger a propriedade intelectual dos americanos.”Eles querem a defesa dos seus segredos comerciais, o que é legítimo”, disse Nunes.

A primeira proposta dos EUA, em 2002, era usar a base de Alcântara com sigilo total sobre seus equipamentos, o que não foi aceito pelo Congresso brasileiro. O Brasil apresentou uma contraproposta aos EUA em meados do ano passado, que esteve sob análise do Departamento de Estado desde então. Neste mês, enfim, o governo americano deu o aval para que o tema volte à mesa de negociações. O ministro não deu detalhes sobre a nova proposta, cujos pormenores ainda precisam ser fechados. “Não há prazo, mas vamos começar rapidamente e há disposição política de se chegar a um acordo”, afirmou Nunes, que disse estar otimista com as negociações. Para ele, a localização “excepcional” da base de Alcântara, próxima à linha do Equador, é uma vantagem ao Brasil, que pode se beneficiar de recursos e capacitação de pessoal por meio da parceria com os norte-americanos.

Depois do fracasso da primeira tentativa, em 2002, o Brasil ainda conduziu negociações com o governo da Ucrânia para o lançamento de satélites, mas o acordo foi cancelado em 2015, sem sucesso.

Com informações: Folhapress

18:23 · 04.06.2018 / atualizado às 18:23 · 04.06.2018 por
A viagem seria feita a bordo da cápsula Dragon, levada ao Espaço no foguete mais potente da SpaceX, o Falcon Heavy, que fez o seu primeiro teste há quatro meses Imagem: SpaceX

A SpaceX não enviará turistas ao redor da Lua este ano, como havia anunciado previamente e, no mínimo, atrasará o projeto até meados de 2019, informou a imprensa norte-americana nesta segunda-feira (4).

A empresa com sede na Califórnia “não publicou um novo calendário para o voo, adiado até meados no ano que vem, e, provavelmente, até mais tarde”, noticiou o Wall Steet Journal, que também disse que as razões do atraso não estão claras, embora aponte para problemas técnicos e as “dúvidas” que despertam o interesse do mercado nessas viagens.

Os turistas viajariam a bordo da cápsula Dragon, levada ao Espaço no foguete mais potente da SpaceX, o Falcon Heavy, que fez o seu primeiro teste há quatro meses.

James Gleeson, porta-voz da empresa, assegurou que ainda querem realizar esses voos e que “há um interesse crescente de muitos clientes”.

O fundador da SpaceX, Elon Musk, afirmou em fevereiro de 2017 que dois cidadãos haviam feito um “depósito importante” para voar ao redor da Lua.

Com informações: AFP